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segunda-feira, 9 de abril de 2012

ESPECIAL OS VINGADORES - Os dez melhores filmes com personagens Marvel


Os vingadores é o maior projeto Marvel nos cinemas. É a grande cartada do estúdio nessa nova e arriscada fase que foi iniciada em 2008 com Homem de ferro. É sabido que a Marvel não detém, no cinema, os direitos de todos os seus personagens. Situação que começará a ser revertida no final dessa década. De qualquer jeito, seus personagens foram ao cinema por outros estúdios. Claquete, na antecipação de Os vingadores, lista os dez melhores filmes com personagens Marvel.



10 – Blade 2, de Guillermo Del Toro (Blade 2, EUA 2002)
É fato que foi com o primeiro Blade, em 1998, que os personagens da Marvel passaram a ser considerados fontes fidedignas para produções hollywoodianas. Contudo, foi com o segundo filme do caçador de vampiros, personagem de segunda linha do selo Marvel, que a ideia de que um filme de herói poderia ser algo mais surgiu. O cineasta Guillermo Del Toto, conhecido por seu requinte visual, fez do filme do caçador de vampiros algo divertido, assustador e transbordante em ação. Tudo isso muito bem fundamentado visualmente.


9-  Capitão América – o primeiro vingador, de Joe Johnston (Captain America: the first avanger, EUA 2011)
A maior prova de que filme de super-herói também pode ser uma bela matinê. Conjugando muito bem a responsabilidade de ser a principal ligação entre os filmes da Marvel Studios (os dois Homem de ferro, Thor e O incrível Hulk) e Os vingadores, com a função de ser um filme de introdução ao personagem, Capitão América – o primeiro vingador apresenta um ritmo maravilhoso e personagens carismáticos. É daquele tipo de filme que se revê sem cansar.


8 - X-men, de Bryan Singer (X-men, EUA 2000)
Se o primeiro Blade mostrou que era possível a Marvel vingar no cinema, foi o primeiro X-men que mostrou o caminho das pedras. O filme de Singer disfarça, e muito bem, o orçamento modesto com cenas muito bem pensadas para parecerem maiores do que de fato são. Um roteiro afiado e um astro, Hugh Jackman, esperando para ser descoberto. 


7- Hulk, de Ang Lee (Hulk, EUA 2003)
Filme muito subestimado. Nem público, nem crítica reagiram bem à investida psicológica que Ang Lee impetrou no filme. Uma introspecção que, naquele momento, não parecia oportuna em um filme baseado em quadrinhos. Se o filme fosse lançado hoje, depois do vanguardista Batman de Christopher Nolan, a recepção a ele talvez fosse diferente. Lee fez do Hulk uma poderosa arma do inconsciente de Bruce Banner e circunscreveu à tragédia familiar toda a sua desgraça. Uma leitura shakespeariana para um personagem até certo ponto simplório. 


6 – Homem de ferro, de Jon Favreau (Iron man, EUA 2008)
O primeiro filme Marvel, mais do que ser um ótimo e inteligente entretenimento, é a demonstração perene de como planejamento e controle implicam em sucesso criativo e comercial. Esmerado pelo talento e carisma de Robert Downey Jr., Homem de ferro se revela uma comédia de ação dotada de invejável senso crítico. Uma combinação ímpar não só nos filmes baseados em HQ, como nas produções hollywoodianas em geral.


5 – X-men 2, de Bryan Singer (X-men 2, EUA 2003)
Primeira prova viva de que uma sequência pode ser muito melhor que o original nas adaptações de HQ. X-men 2 eleva a discussão intrínseca ao universo dos mutantes (tolerância, preconceito, etc) e apresenta um filme muito mais atraente e com personagens envoltos em dilemas ainda mais agonizantes.


4- Homem aranha, de Sam Raimi (Spider man, EUA 2002)
Era grande a expectativa pelo filme do cabeça de teia. Sam Raimi deu uma aula de como fazer um filme de origem capaz de agradar aos fãs sem alienar espectadores ocasionais. Apostando em um enredo simples e em personagens carismáticos, o diretor foi fiel ao espírito dos quadrinhos e ainda entregou um filme coeso e empolgante.


3 – Homem aranha 2, de Sam Raimi (Spider man 2, EUA 2004)
Entrou para a galeria de sequências superiores ao original, assim como O poderoso chefão 2, O império contra-ataca e O cavaleiro das trevas. É um filme que consegue sublinhar com eficácia inédita até então em um filme baseado em HQ os dilemas humanos inerentes ao herói. Consegue ser mais divertido, mesmo sendo mais sombrio. Uma combinação tão improvável quanto certeira.


2 – Kick ass – quebrando tudo, de Mathew Vaughn (Kick ass, EUA 2010)
Menos conhecido do que os companheiros de lista e integrante de um selo especial da Marvel, Kick ass acabou recebendo tratamento de luxo no cinema. O diretor Mathew Vaughn preservou o cinismo do material original e investiu no humor negro sem diminuir a pegada violenta do material original. Resultado? O mais divertido e anárquico filme baseado em HQ, sem deixar de ser inteligente e repleto de ação.


1- X-men: primeira classe, de Mathew Vaughn (X-men: first class, EUA 2011)
E Mathew Vaughn conseguiu novamente. Ele já deveria ter dirigido o terceiro X-men, mas deu uma amarelada. Voltou à franquia mutante por cima da carne seca após o sucesso de público e crítica alcançado com o barato e underground Kick Ass. Resultado? Fez o filme mais político dos últimos anos e ponto. Não é pouca coisa. X-men: primeira classe é vintage, é cool, é inteligente e é puro carisma. Não a toa está em primeiro, não é mesmo?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os dez melhores filmes do ano

Foi um ano inferior às expectativas. O ano não teve grandes filmes. O grande filme de 2011 é, na verdade, de 2010. No entanto, na média, foi um ano superior às expectativas. Foram muitos os filmes ótimos. De maneira tal, que o nível dos filmes que integram esse TOP 10 não é muito distinto dos que ficaram no quase – como os lembrados na quarta parte da seção CLAQUETE DESTACA (dois posts abaixo).
É possível dizer que foi um ano minimalista. Há uma comédia indie; uma comédia de estúdio com alma indie; uma fita de horror psicológico do mestre do melodrama; um filme sobre a gênese e o êxodo de uma relação amorosa; uma fita política travestida de filme de super herói; um filme político de fato; uma fita que homenageia uma forma de entretenimento esquecida; um filme que não nos deixa esquecer o passado recente; um filme sobre a busca obsessiva pela perfeição e outro sobre a força da família em circunstâncias adversas.
Encerrando a Retrospectiva 2011 em Claquete, os dez melhores filmes do ano:


10 – Namorados para sempre, de Derek Cianfrance (Blue valentine, EUA 2010)

Um filme pungente que captura momentos dicotômicos de uma relação amorosa. Namorados para sempre é um retrato borrado dos sonhos uma vez compartilhados. Abusando do naturalismo e confiando em seu par de atores, Ciafrance realiza um triste soneto sobre o escoamento de um sentimento sufocado por uma vida conjugal atordoante e expõe a fragilidade das promessas apaixonadas.


9- Ganhar ou ganhar, de Thomas McCarthy (Win Win, EUA 2011)

Crítica Claquete (será publicada em breve)
Se existe um underdog nesse Top 10, é Ganhar ou ganhar. A fita independente, sucesso de crítica no festival de Sundance, nem sequer foi lançada nos cinemas brasileiros. Mas a história de superação tão cara a esse segmento do cinema americano chegou ao DVD. A fita encanta quem se predispuser a assistir a jornada de um advogado com ataques de pânico e um garoto introspectivo fera em luta Greco-romana que tornam a vida um do outro um pouco mais palatável.
O filme de Thomas McCarthy, mesmo diretor dos ótimos O visitante (2008) e O agente da estação (2003), é um conto simples, mas cheio de sentimento e transbordante em inteligência.


8 – O palhaço, de Selton Mello (Brasil 2011)

Emoção e riso dão rima nesse trabalho sensível de Selton Mello. O palhaço é um filme em busca da própria vocação cinematográfica. É um pouco terapia para seu autor; é cinema homenagem a uma forma de entretenimento esquecida; é reflexão sobre os desencontros de certas aspirações e é uma demonstração algo felliniana de que reside na arte, à expiação das angústias humanas.


7- Margin call – o dia antes do fim, de J.C. Chandor (Margin call, EUA 2011)

2011 viu nascer um novo subgênero, o do thriller financeiro. Mas os méritos dessa fantástica estréia no cinema de J.C. Chandor não se resumem a isso. São desse filme os diálogos mais ácidos e afiados do ano. Ágil, sombrio, engraçado, dinâmico e profundamente sutil nas abordagens que faz primeiro das humanidades e depois do sistema financeiro viciante e viciado de nossos tempos.


6 – A pele que habito, de Pedro Almodóvar (El piel que habito, ESP 2011)

Um cineasta de primeira classe precisa ser louvado quando sai de sua zona de conforto. Agora, quando esse cineasta sai de sua zona de conforto e tece uma obra prima ainda mais inquietante e prolixa em suas estranhezas de fundo psicanalíticas, é preciso gritar ‘bravo!’. Almodóvar se reinventou em 2011 e estabeleceu um novo patamar em sua filmografia com A pele que habito. Não há outro que tenha fundido melodrama e terror de maneira tão orgânica e poética em 2011 ou qualquer outro ano.


5 – X-men: primeira classe, de Matthew Vaughn (X-men: first class, EUA 2011)

Nenhum blockbuster foi tão altivo em suas proposições e tão inteligente no desenvolvimento das ideias que as gravitam como esse filme que revigora a saga mutante no cinema. Um filme de notório lastro político que apresenta  personagens com dilemas morais e pessoais que influenciam na forma como percebem o mundo. A saga mutante nunca teve suas potencialidades exploradas em nível tão satisfatório como na fita de Matthew Vaughn que ainda brinda seu público com um entretenimento de primeiro nível.


4- Amor a toda prova, de John Requa e Glenn Fiquarra (Crazy stupid Love, EUA 2011)

Relações amorosas são tentativa e erro? Pode o amor superar tudo? Como lidar com frustrações pessoais em um contexto de um relacionamento amoroso? São temas perpassados com maturidade e leveza em Amor a toda prova, um dos filmes mais inteligentes, charmosos e divertidos da temporada. Sem se incumbir do final feliz hollywoodiano, John Requa e Glenn Fiquarra apresentam um fecho, não um final para seu filme. Essa solução tão liberal, em um filme com fachada ainda mais liberal, estabelece que comédias românticas não precisam necessariamente ser apoteóticas e fabulares. Se tiver um elenco com Ryan Gosling, Steve Carrel, Julianne Moore, Emma Stone e Marisa Tomei ajuda.


3- Tudo pelo poder, de George Clooney (The ides of march, EUA 2011)

George Clooney demonstra cada vez mais o artista completo que é. Tudo pelo poder é um filme magnificamente dirigido por um cineasta que, mais do que domínio da técnica, apresenta total conhecimento da matéria prima do filme: política. Não é um Clooney desencantado que se testemunha em Tudo pelo poder, é um artista em plena consciência autoral. Tudo pelo poder é um drama profundo, frequentemente sombrio, dotado de um pessimismo incomodado e inquieto com as verdades que o gravitam. Como se não bastasse o brilhantismo do texto e da realização, o elenco é outro show à parte.


2- Um novo despertar, de Jodie Foster (The beaver, EUA 2011)

A melhor atuação da carreira de Mel Gibson? Sim, mas Um novo despertar é muito mais do que isso. É um retrato devastador e, ainda assim incrivelmente belo, dos alcances da depressão em um ser humano e em sua família. Foster confia em Gibson à alma de seu filme. E a escolha é acertada. Mas a diretora tem outros trunfos na manga. É no paralelo que estabelece entre pai e filho que Um novo despertar encontra abrigo dentro de cada um de nós. É um filme sobre o potencial enlouquecedor de nossas famílias, espelhos e expectativas. Mas também sobre o viés regenerador que só o seio familiar pode ostentar.


1- Cisne negro, de Darren Aronofsky (Black swan, EUA 2010)

Se existe apoteose cinematográfica, Darren Aronofsky a tangenciou com Cisne negro. Registro grandiloquente e visualmente delirante de uma menina frágil sucumbindo à própria obsessão. Com referências claras a um jovem Roman Polanski, Aronofsky constrói o filme mais reverberante do ano em suas bifurcações psicanalíticas e digressões narrativas. Um tour de force de uma atriz instigada até seus limites como há muito não se via no cinema e uma ostentação técnica que resulta em uma obra hermética e popular. Com direito a toda a estranheza que os dois adjetivos, quando juntos, conferem.  

sábado, 24 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os dez personagens do ano


10 – Blu (voz de Jesse Eisenberg) em Rio

O personagem mais “Woodyalleniano” do ano veio de uma animação que tem o Brasil como cenário. Blu, dublado na versão original por Jesse Eisenberg, é uma arara algo neurótica que não sabe voar e se vê perdida na “selva” carioca. Cheio de tiradas sensacionais, Blu cativa, mas também se deixa cativar pelas coisas do Rio.


9- Tommy (Woody Harrelson) em Amizade colorida

Somente a ideia de um gay machão, expansivo e totalmente indelicado já valeria a menção em uma lista como essa. Mas Woody Harrelson faz um personagem tão extrovertido e com boas falas que acaba sendo o mais memorável personagem da descolada comédia romântica estrelada por Justin Timberlake e Mila Kunis.


8- Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) em X-men: primeira classe

É verdade que Magneto é um personagem que já carrega consigo o componente da tragédia. Mas a encarnação que Michael Fassbender vive em X-men: primeira classe confere uma nova dimensão a essa concepção. A profundidade com que roteiro e ator investigam o personagem transforma Eric no grande protagonista não só do filme, mas da franquia mutante nos cinemas.


7- Walter Black (Mel Gibson) em Um novo despertar

Para onde vamos depois da depressão? E como voltar desse lugar? Questões complicadíssimas que o excelente filme de Jodie Foster elucida de maneira sensível e honesta através da dolorosa jornada de Walter Black. Um homem que sucumbe e encontra forças em um conflituoso universo familiar, e em uma improvável linha terapêutica, para reconquistar o controle e o desejo de sua vida. Walter Black é um pouco de nós e todos temos um pouco de Walter Black.


6 - Nina Sayers (Natalie Portman) em Cisne negro

A personagem de Natalie Portman é o mais emblemático símbolo da obsessão e de seus efeitos alucinatórios. Nina é também um exemplo de fragilidade. Seja de ordem física, psicológica ou emocional. É, ainda, um elaborado estudo psicanalítico perpetrado pelo diretor Darren Aronofsky. Assim como Walter Black é uma personagem que cede às suas sombras.   


5 - Gil (Owen Wilson) em Meia noite em Paris

Com a cara simpática de Owen Wilson e seu charme infantil, Gil foi o personagem mais romântico de 2011. Nostálgico por excelência, o roteirista resignado criado por Woody Allen vai à Paris dos anos 20 para descobrir que é o presente que vale ser vivido. Mas que a viagem ao passado deve sim ser saboreada.


4- Ceasar (Andy Serkis) em O planeta dos macacos: a origem

Não existiu personagem mais ambíguo em 2011 do que o macaco que iniciou o levante dos símios contra os humanos na realidade proposta pela prequel de Planeta dos macacos. Com o coração de Andy Serkis e os efeitos digitais da Weta, Ceasar - com seu olhar penetrante e cheio de sentimento - nos obriga a olhar para dentro de nós mesmos.


3- Benjamin (Selton Mello) em O palhaço

Quem faz o palhaço rir? A pergunta aparentemente simplória é carregada de angústia e inflexões muito bem capturadas em um dos personagens mais ricos da historiografia do cinema nacional. Benjamim é o espelho dos sonhos ansiados, da vocação paralisada e da aceitação plena através da experiência.


2- Bahia Benmahmoud (Sofia Forestier) em Os nomes do amor

Essa certamente é a personagem mais original, e liberal, da lista. O fato de ser francesa talvez tenha algo a ver com isso. Talvez. Bahia é uma esquerdista que se incumbe de dormir com direitistas para convertê-los à esquerda. A promiscuidade da personagem seduz tanto quanto sua ingenuidade. Frágil e bem intencionada, Bahia é uma mulher em busca de amor, justiça social e uma democracia fortalecida.


1 - Vera (Elena Anaya) em A pele que habito

Uma nova sexualidade. Uma cobaia moldada e literalmente esculpida por um enlouquecido criador. Cultivada com amor, ódio, dor, tragédia e paixão. Vera é certamente a personagem mais fascinante, bizarra e extraordinária a surgir em 2011 nos cinemas. Não poderia ter nascido de outra pena que não a de Almodóvar.

domingo, 12 de junho de 2011

Insight

Por que X-men: primeira classe é tão bom?

É a tal da pergunta gostosa de responder. Os fãs irão prover uma resposta que, embora satisfatória, divergirá completamente das que indicarão os críticos. Que também atentarão para minúcias diferentes da percepção do público que, em linhas gerais, recebeu muito bem a nova aventura mutante.
X-men: primeira classe é mais uma prova de que o cinema pipoca americano pode agregar inteligência, entretenimento e profundidade dramática. Uma combinação que falta até a produções vencedoras do Oscar – como o recente O discurso do rei, que capenga na profundidade dramática.
Matthew Vaughn é um inglês que percebe que o pop, no cinema, recebe bem intervenções autorais. Nesse sentido, ele se comunica com cineastas da estirpe de David Fincher e Christopher Nolan. Embora Bryan Singer, o primeiro diretor a assumir o universo mutante nos cinemas, seja talentoso e tenha uma concepção das mais globais acerca das possibilidades oferecidas pelo repertório dos quadrinhos, Vaughn sabe filtrar muito melhor as referências. Produtor de Guy Ritchie nos seus primeiros filmes, debutou na direção com o thriller de gangster Nem tudo é o que parece (2004). O pequeno filme inglês, além de colocar Daniel Craig na lista dos produtores de James Bond (e o leitor bem sabe que fim levou essa história), alçou Vaughn ao panteão de importações obrigatórias de Hollywood. Stardust – o mistério da estrela (2007) podia não parecer o tipo de filme para ele debutar em Hollywood. E não era. X-men - O confronto final marcaria sua gênese em Hollywood, mas o diretor se avexou com o tamanho da produção e resolveu desistir. No ano seguinte lançou a bem sacada fantasia que trazia Robert De Niro, Claire Danes e Michelle Pfeiffer. Mas o universo mutante estava em seu destino. A proposta dos produtores para Primeira classe parecia combinar com o estilo arrojado e insinuante de Vaughn fazer cinema. E Kick Ass – quebrando tudo confirmaria, no ano passado, o acerto da escolha.

Damn good: o jeitão vintage é um dos charmes dessa produção que agrada fãs, críticos e todos os outros


Vaughn ateve-se a relação entre Xavier (James McAvoy) e Erik (Michael Fassbender). Desvelar o porque desses dois homens inteligentes, que tanto se admiram, se posicionarem em campos opostos da “causa” mutante é um mote tão atraente quanto rico em suas possibilidades. Primeira classe tem nesse percurso o seu fio condutor. O filme é tão bom porque honra as expectativas alçadas pela simples constatação disso. A trajetória de Erik, a consolidação de suas convicções, é tão apaixonante – do ponto de vista filosófico - como a descoberta da vocação de Xavier e a aceitação serena de seu destino pelo mesmo.
Primeira classe se resolve como essa tese social – o judeu que lança a campanha “mutante com orgulho” e prega a opressão à raça humana – sem prescindir do entretenimento. Um achado em um verão americano que busca cifras esmerado no 3D.
Há articulações para que uma nova trilogia seja eriçada desse filme. Há potencialidades. Há, também, os atores certos e o diretor certo. O risco é perder um pouco desse equilíbrio tão vistoso nesse primeiro filme. É torcer para que isso não aconteça.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Crítica - X-men: primeira classe

Um filme de primeira!

É sabido que o universo mutante é rico em metáforas e cheio de possibilidades cinematográficas com personagens de grande apelo e capazes de dimensionar os mais variados conflitos emocionais, sociais e culturais.
Depois do colapso aventado pelo sem foco X-men origens: Wolverine (2009), a Fox resolveu realinhar o universo mutante nos cinemas e para isso chamou Bryan Singer, a mente propulsora dos mutantes na tela grande, para supervisionar o roteiro de X-men: primeira classe, uma reimaginação do universo mutante na mesma linha da série ultimate nos quadrinhos.
Singer e Sheldon Turner esboçaram o argumento que foi desenvolvido por Jane Goldman, Ashley Miller e pelo próprio diretor Matthew Vaughn. A ideia? Mostrar os primórdios da equipe criada por Charles Xavier e um pouco mais daquela relação de respeito e admiração entre Charles Xavier e Erik Lehnsherr, aqui às vésperas de se tornar Magneto.
Se o mote é maravilhoso, a execução não fica por menos. Desde a reconstituição de época, passando pela oportuna apropriação da história, até o ensejo de momentos definidores do universo mutante nessa configuração.
Fassbender e McAvoy no clímax do filme: atuações de
alto nível
Matthew Vaughn é um cineasta com faro para o humor e atenção para o drama. Com bagagem pop, mostra-se oportuno na condução da história alternado a leveza de um filme pipoca com a urgência de um filme político. Um equilíbrio que caracteriza  Primeira classe como o melhor filme baseado em HQ abaixo de  O cavaleiro das trevas de Christopher Nolan. Não é pouca coisa.
E o personagem de Magneto, ainda chamado de Erik aqui, é crucial para que Primeira classe se torne essa obra ímpar em relevância dramática. O judeu que enxerga na vingança o único artifício que lhe viabiliza a vida não terminará o filme sem se alinhar ao pensamento da “raça superior” que tanto caos e dor lhe proporcionou. O pacifista Charles não esconde uma arrogância que pode ser confundida com charme, mas que para outros personagens está fecundada na incompreensão. X-men: primeira classe é uma obra de imenso potencial filosófico, ainda que seja um entretenimento de mão cheia em primeiro lugar.
Contribuem para essas duas frentes, um elenco caprichado e sintonizado. James McAvoy reveste seu Charles Xavier de cinismo e deboche, em uma caracterização que desperta mais interesse por essa figura do que jamais houve. Kevin Bacon brinca de ser mal como o megalomaníaco Sabastian Shaw e convence com seus tiques habituais. O grande trunfo da fita, no rol das atuações, é Michael Fassbender. Impossível não rememorar Bastardos inglórios quando ele surge falando alemão em uma taberna argentina. Erik é um personagem tão trágico e tão bem lapidado pelo talento de Fassbender que todas as outras inúmeras virtudes de  Primeira classe se apequenam ante sua magnética intervenção.
Outro grande mérito de Vaughn foi apoderar-se do componente político, não como pano de fundo, mas como catalisador da tensão social que o advento de uma evolução na espécie desencadeia. Um acerto que dá o tom desse filme de primeira qualidade.   

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, a saga de George Clooney por um novo Oscar, a saída de Joaquin Phoenix do exílio, o possível encontro entre Tarantino e Leonardo DiCaprio no oeste, a pulguinha que anda incomodando o cineasta Terrence Malick e a nova musa hollywoodiana que pela segunda semana seguida estréia nos cinemas brasileiros.


Musa



Ela surgiu no radar cinéfilo, do alto de sua beleza de 20 anos, com a arrebatadora performance em Inverno da alma. Atuação que valeu indicação ao Oscar e só não resultou em prêmio porque Natalie Portman assumiu com gosto o status de imbatível na temporada.
Jennifer é a atriz jovem mais quente do momento. Atualmente em cartaz com dois filmes, já havia despontado com brilho em Vidas que se cruzam (2008) – filme cujo único mérito para a história do cinema terá sido marcar a estréia da atriz.
Em Um novo despertar ela vive uma garota com certos traumas com mais complexidade e ramificações do que seu curto espaço em tela sugere. Já em X-men: primeira classe, ela assume a mística personagem mística – mutante que pode se transmutar.
Com fôlego e vontade de trabalhar foi escalada para a comentada adaptação cinematográfica da série de livros The Hunger games, que pode dar origem a uma badalada quadrilogia.
Estampou, em virtude do anúncio de The hunger games, a capa da revista Entertainment Weekly mais vendida do ano até aqui. Nasceu ou não nasceu para ser estrela?


X-men: primeira classe
Estréia nessa sexta-feira o aguardado X-men: primeira classe, cuja produção vinha sendo seguida de perto pelo blog. O filme de Matthew Vaughn promete mais reflexão e aprofundamento nas metáforas sobre tolerância imaginadas por Stan Lee na concepção do universo mutante.
O filme retoma as origens de alguns dos principais mutantes e foca na nascente rivalidade entre Charles Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender).
A crítica americana se prostrou ante a qualidade da fita. Vaughn, inclusive, já andou comentando a respeito de uma possível sequência (que deve ser confirmada nos próximos dias) em entrevistas promocionais.


George Clooney vêm aí...

Quem não se lembra do gloriosos ano de 2005 para George Clooney? O grande protagonista do Oscar daquele ano com 4 indicações (filme, direção e roteiro por Boa noite e boa sorte e ator coadjuvante por Syriana –a indústria do petróleo), o ator foi muito festejado e cravou naquela ocasião a força de seu cinema sério e engajado. Pois Clooney se prepara para um repeteco ainda mais vitaminado em 2011. Protagoniza a nova comédia dramática do diretor de As confissões de Schmidt, The descendants e dirige,produz, roteiriza e estrela The ides of march, um drama político adaptado de uma prestigiada peça.
Na fita de Alexander Payne, o ator faz um pai de família que tenta se reconectar com suas filhas após um trágico acidente envolvendo a mãe delas. No meio do caminho descobre a infidelidade da mulher. Em The ides of march, vive um senador com aspirações presidenciais e sem grandes escrúpulos.
Ambos os filmes encabeçam apostas para o Oscar e devem render bons louros ao astro que sabe como ninguém escolher projetos de grande qualidade.

George Clooney no cartaz de The descendants: Já há buzz acerca de seu nome para o Oscar 2012 e não só na categoria de atuação




Hiperatividade de Terrence Malick
Em quarenta anos, o recluso cineasta americano que acabou de receber uma Palma de ouro – a qual não compareceu para recolher – só realizou quatro filmes. Mas um estalo transformou Malick em um cara super produtivo. Mal acabou de lançar o premiado A árvore da vida e o diretor já está na pós-produção de um novo filme, ainda sem título, que deve ser lançado no ano que vem. O drama romântico é protagonizado por Ben Affleck, Rachel McAdams, Javier Bardem e Rachel Weisz. O diretor já começou a trabalhar em um documentário sobre a relação entre o homem e a natureza através dos séculos. Para esse projeto, ele aproveitará material gravado e editado que ficou de fora do corte final de A árvore da vida. Quem deseja conhecer mais a obra do cineasta, ou adquirir perspectiva, deve ficar atento a mostra Panorama deste mês no blog que destaca o subitamente ativo diretor americano.

Ben Affleck e Rachel McAdams na primeira e única imagem divulgada do novo projeto de Terrence Malick



Grande prêmio do cinema brasileiro
Foi realizado na última terça-feira o 10º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro no Rio de Janeiro. Confirmando as previsões, Tropa de elite 2 sagrou-se o grande campeão da noite com nove prêmios, incluindo melhor filme, direção, roteiro original e ator. Glória Pires levou o troféu de atriz por seu desempenho em Lula – o filho do Brasil.
O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro é uma tentativa de glamourizar uma pálida e ainda escassa produção nacional. Os resultados desse ano comprovam o gigantismo da produção capitaneada por José Padilha ante uma produção que se acotovela por incentivos fiscais e capitalizações.


Tarantino pode levar DiCaprio de volta ao Oeste

Ainda não está confirmado, mas Leonardo DiCaprio pode ser o vilão do antecipado western de Quentin Tarantino. Dessa maneira o ator daria sequência a sua colaboração com diretores festejados pela crítica (engatou Sam Mendes, Ridley Scott, Christopher Nolan, Martin Scorsese e Clint Eastwood) e voltaria ao gênero que lhe aferiu um dos primeiros papéis de destaque nos anos 90. Em 1995 ele dividiu a cena com Sharon Stone, Gene Hackman e Russel Crowe em Rápida e mortal de Sam Raimi. Foi o primeiro filme com DiCaprio maciçamente visto nos EUA. Django Unchained fica cada vez mais hypado.


A volta de Joaquin Phoenix?


Desde que o farsesco I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix foi, por assim dizer, desmascarado como uma grande piada, o ator vem tentando se introduzir novamente no buzz hollywoodiano. O retorno pode se dar pelas mãos do cineasta que mais empregou Phoenix. James Gray trabalhou com o ator em Caminho sem volta (2000), Os donos da noite (2007) e Amantes (2009) e ofereceu um papel para o astro em Low life. Segundo informações do Collider.com, o filme mostrará a relação de uma imigrante polonesa (papel que deve ficar com a francesa Marion Cottilard) com seu cafetão (personagem de Phoenix) e o irmão dele (papel ainda vago), por quem irá se apaixonar.
Low life, assim como os principais filmes de Gray, se passará em Nova Iorque e deve começar a ser rodado no final desse ano.