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domingo, 22 de dezembro de 2013

Insight - Bem vindo aos cinquenta, Brad!


Basta uma rápida pesquisada em Claquete para se verificar que os cinquenta anos de Brad Pitt foram muito bem vividos. Isso porque o blog tem apenas quatro anos e meio de existência. Ator camaleônico, produtor calculista, marido dedicado, marido infiel, pai atencioso, quase jornalista, amante da arquitetura, artista completo. Brad Pitt tem muitas faces e agora, no raiar dos 50 anos, vive o esplendor da maturidade como homem e artista.
A relação estável com Angelina Jolie, com quem tem seis filhos, deve evoluir para um casamento em 2014. Não será o primeiro casamento de Pitt, um homem que se abriu para seus desejos, e a ideia de amor pleno entre eles, desavergonhadamente. Com a faculdade de jornalismo praticamente no fim, deu um giro de 360º e foi para Los Angeles em busca do sonho de ser ator. Trabalhou como distribuidor de folhetos para o restaurante El Pollo Loco em que precisava se vestir inteiramente como um frango. Bicos como carregador de móveis e bartender também compuseram seu currículo antes de vingar como ator sob o comando de Ridley Scott em Thelma & Louise (1991). Antes desse filme, Pitt já havia feito alguns trabalhos menores, mas nenhum lhe proporcionou o tipo de notoriedade que o início dos anos 90 lhe reservaria.
Filmes como Nada é para sempre (1992), Mundo proibido (1992), Amor à queima roupa (1993) e Kalifórnia – uma viagem ao inferno (1993) serviram para mostrar que Pitt tinha condições de vingar como “the next Best thing” em Hollywood, o que aconteceu quando dividiu a cena com o já astro de primeira grandeza Tom Cruise em Entrevista com o vampiro (1994). Recentemente, boatos indicam que Pitt e Cruise podem se reencontrar em um set de filmagens em uma produção que reúne velocidade e rivalidade (Go like hell).
O primeiro salário de U$ 20 milhões veio por Encontro marcado (1998), subestimado filme de Martin Brest. Antes disso, a consagração como leading man em filmes como Seven – os sete pecados capitais (1995) – que deu início a prolífica parceria com o cineasta Davi Fincher, Lendas da paixão (1994) e Sete anos no Tibet (1997), o primeiro fracasso de Pitt como ator, mas também o primeiro sinal de que perseguiria projetos mais diversos do que a praxe no metiê hollywoodiano. O filme, desautorizado pelo governo chinês, vale até hoje o título de persona non grata ao ator na China e no Tibet.
Nesse intervalo de tempo veio, também, a primeira indicação ao Oscar, como coadjuvante por Os doze macacos (1995).

Pitt, muito jovem, jovem e na capa de duas revistas brasileiras; uma masculina e outro de entretenimento: modelo e inspiração

Pitt reloaded
Já confortável como astro, no posto de um dos homens mais sexy do mundo, Pitt começou a galvanizar uma carreira de muitos altos e quase nenhum baixo. Clube da luta (1999), o filme mais expressivo do fim do milênio, traz Pitt em um momento de redescoberta como ator. Snatch – porcos e diamantes (2000), demonstrou que o americano não tinha medo de expor sua figura ao inusitado.
Vieram o casamento com Jennifer Aniston, a amizade com George Clooney e a aquisição da Plan B, sua produtora. São elementos que marcam a fase mais definidora do caminho do hoje cinquentão Brad Pitt em Hollywood.
O primeiro blockbuster de verão estrelado pelo ator só surgiu em 2004. Tróia foi um relativo sucesso, mas nada que se compare ao primeiro blockbuster produzido por Pitt. Guerra mundial Z, lançado neste ano, se tornou a maior bilheteria da carreira do astro e, para todos os efeitos, é símbolo do que significa Pitt no cinema atual. Trabalho sério, perfeccionismo, esforço e visão de mercado. A despeito dos problemas na produção, o ator se empenhou para que o filme alcançasse o sucesso, como a cobertura especial do lançamento do filme aqui em Claquete observou.

Além do óbvio
Apesar do sucesso comercial e dos filmes cada vez mais elogiados pela crítica, Pitt ainda era visto mais como um astro do que como um ator de qualidade em meados dos anos 2000. Ele então percebeu que precisaria pôr em prática uma reengenharia de carreira. Disposto a escolher roteiros com mais critério e patrocinar filmes em que acreditava, mesmo que não atuasse neles (caso do vencedor do Oscar Os infiltrados), Pitt mudou o olhar do público e da crítica sobre sua persona. Ainda que alguma implicância resistisse devido ao turbulento fim do relacionamento com Jennifer Aniston e a celebridade em cima de sua vida conjugal com Angelina Jolie. Filmes como Queime depois de ler (2008), O curioso caso de Benjamin Button (2008), O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007), Bastardos inglórios (2009), A árvore da vida (2011) e O homem que mudou o jogo (2011) mudaram a percepção sobre Pitt.
Dedicando-se cada vez mais à arquitetura e ao papel de homem de família, Pitt vem dando pistas de que vai desacelerar a carreira. Pelo menos em frente às câmeras.
É preciso admirar um homem que conquistou o que conquistou e consegue manter uma perspectiva tão frontal e amadurecida sobre si e o mundo em que habita. Não obstante, Pitt é um baita ator que como, os bons vinhos, mostra-se mais irresistível com o tempo.

Os melhores momentos de Pitt no crivo de Claquete



Clube da luta
Loucura e testosterona em uma atuação tão alucinada quanto bem planejada

Queime depois de ler
“Nunca o achei menos sexy em minha vida”. As palavras de Angelina Jolie são mais do que justificativa...

Bastardos inglórios
Timing cômico certeiro para a criação de um dos mais icônicos tipos de sua carreira e da portentosa galeria de personagens do cineasta Quentin Tarantino

O homem que mudou o jogo
Minimalismo também é a praia de Pitt que se mostra capaz de segurar um filme racional com a dose certa de emoção e contenção

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford
Um Pitt grave, soturno e denso nessa pequena obra-prima moderna

Sr. & Sra, Smith
Fazer comédia é mais difícil, já dizia Jack Nicholson e Pitt, aqui, tira de letra nessa divertida comédia de ação

Snatch – porcos e diamantes
No auge da exposição, Pitt topa um papel em que ninguém entende nada do que ele fala e, mesmo assim, não vemos a hora dele aparecer em cena

Lendas da paixão
Pitt encarna o galã romântico com convicção e leveza necessárias para conquistar corações femininos e respeito masculino

Guerra mundial Z
Galã e protagonista, Pitt segura na base do carisma e talento o filme pipoca do ano, garantindo entretenimento de primeira linha

O curioso caso de Benjamin Button

Ele nunca esteve melhor em um papel dramático. O protagonista de sua terceira colaboração com David Fincher é um papel épico, na ambição, e complexo, na textura, mas Pitt convence com louvor

sábado, 9 de novembro de 2013

Perfil - Ethan Hawke

Profissional do cinema


Ele já foi casado com a atriz Uma Thurman, mas não merece que essa seja a primeira frase de um perfil sobre sua pessoa. Ethan Green Hawke, esse texano que completou 43 anos em 6 de novembro, além de ator é escritor (já publicou dois livros) e roteirista indicado ao Oscar (pelo texto de Antes do pôr-do-sol ao lado da atriz Julie Delpy e do diretor Richard Linklater). O que pouca gente sabe é que essa veia literária, artística em estado mais bruto, corre em suas veias, já que é descendente direto do dramaturgo americano Tennessee Williams. O bisavô de Hawke era irmão de Williams. 
A primeira vez que tomamos conhecimento de Ethan Hawke foi em Sociedade dos poetas mortos (1989), aquele belo filme de Peter Weir em que Robin Williams fazia um professor que tentava transmitir o carpe diem para seus alunos. Hawke era um dos jovens atores que faziam os alunos, ao lado de Josh Charles e Robert Sean Leonard. É, inegavelmente, o que se deu melhor em Hollywood. Mas por se dar melhor não se quer dizer que adentrou o sistema como um astro. Isso nunca esteve na carta de intenções do ator que transita entre produções comerciais e independentes.
Nesse sentido, Antes do amanhecer (1995) foi o divisor de águas em sua carreira. O filme que se resume a dois atores conversando sobre vida e amor em uma passagem por Viena acertou em cheio o coração da cultura pop como algo novo, cheio de originalidade e força criativa. Hawke já havia participado, inclusive, de produções indicadas ao Oscar como Quis show – a verdade nos bastidores (1993) e em produções surpreendentes como Vivos (1992), mas foi com aquele filme despretensioso, mas cheio de alma que se projetou no cinema. Na sequência viria o casamento com Uma Thurman, sua parceira em uma das melhores ficções científicas dos anos 90, Gattaca – a experiência genética (1997). No ano seguinte, ele voltaria a colaborar com Richard Linkalater em Newton boys – irmãos fora da lei. O protagonismo já era uma realidade em filmes como Neve sobre os cedros (1999) e Hamlet (2000), moderna e mal sucedida versão de Shakespeare.

 1- Hawke, jovem, em foto Capricho; 2 - erguendo os punhos, ainda jovem, e fazendo cara de mau; 3 - ao lado de Uma Thurman, com se casaria após pedir duas vezes, em Gattaca e 4 - em foto deste ano para o jornal  britânico Guardian


A primeira, e até o momento única indicação ao Oscar como ator, veio pelo papel de coadjuvante em Dia de treinamento em que dividiu  a cena com Denzel Washington, premiado pelo filme


Richard Linklater novamente acionou Hawke para um projeto experimental. Waking life (2001) era um misto de animação e live action repleto de filosofia e angústias existenciais. No ano seguinte, viria a primeira indicação ao Oscar por Dia de treinamento (2001), em que antagoniza com Denzel Washington em um policial fervoroso de Antoine Fuqua.

Indo além?
Nessa última década, Hawke tem se mostrado mais polivalente. Além de escrever roteiros, mergulhar em filmes com propostas diametralmente opostas e debutar na direção, o ator tem apostado em um gênero que começa a demonstrar potencial de crescimento. O terror independente. Com filmes como A entidade (2012) e Uma noite de crime (2013), estreia deste mês nos cinemas brasileiros, Hawke é o primeiro dos atores de prestígio a colocar-se à prova nesse filão. Em 2013, ele esteve nos cinemas também em Antes da meia-noite, terceiro (e último?) arco da história iniciada com Antes do amanhecer.
A estreia na direção foi em 2006 com Um amor jovem. O roteiro, também de autoria de Hawke, é uma sintetização por vezes feliz da trilogia de Linklater. Foi seu único trabalho como diretor lançado comercialmente, ainda que ele já tenha dirigido outras coisas.
Filmes como O senhor das armas (2005), Roubando vidas (2001), Nação fast food – uma rede de corrupção (2006) e Antes que o Diabo saiba que você está morto (2007) são provas fidedignas da versatilidade do ator em matéria de cinema. Justamente por isso, muita gente não entendeu o porquê dele dividir a cena e o topo do cartaz com a estrela teen Selena Gomez em Getaway, seu filme mais comercial do ano e, também, seu maior fracasso em 2013.

Fim de caso? Ao lado de Julie Delpy em Antes da meia-noite: a ideia de um quarto filme agrada ao ator

Atualmente casado com Ryan Shawhughes-Hawke, que foi babá de seus filhos com Uma Thurman, Hawke segue com uma carreira regular, sem muitos altos e baixos. Disse em entrevistas recentes que está mais interessado em Shakespeare, que se arrepende de ter casado muito jovem e que não entende como nos EUA o sexo pode assustar mais do que a violência no cinema.
Sem querer produzir sentido com sua carreira, mas ciente de que está em uma posição em que pode escolher projetos pelos parceiros com quem quer trabalhar, pelos roteiros ou simplesmente pelo dinheiro, Hawke se configurou em um operário do cinema americano. Em toda a liberdade, mas também com todo o confinamento que o termo tem a oferecer.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Perfil - Mark Wahlberg



Sem dor, sem ganho – de Marky Mark a expoente de Hollywood, a trajetória de um vencedor


Dois restaurantes em Nova Iorque, uma rede de fast-food denominada WahlBurger, uma marca de vitaminas denominada Marker, produtor de filmes e séries premiadas como O vencedor, "In treatment" e "Boardwalk Empire". Sim, estamos falando de Mark Wahlberg ou do outrora conhecido Marky Mark, como era conhecido quando tentava fazer do rap o sol da sua vida. Certo é que Mark Robert Michael Wahlberg, nascido em Boston no Estado de Massachusetts (EUA), é o mais novo de nove irmãos e o que chegou mais longe, pelo menos em termos financeiros e de fama. Pelo quarto filme da série Tranformers, uma espécie disfarçada de reboot do filme de 2007 que será lançada no cabalístico 2014, ele recebeu U$ 30 milhões. Tem em Michael Bay, seu diretor no referido filme e no lançamento deste mês nos cinemas, Sem dor, sem ganho, um novo parceiro. E Mark é assim. Um cara de parcerias. Fez uma série sobre como elas foram importantes para sua formação pessoal e profissional – essa série se chama "Entourage", um dos primeiros sucessos da hoje cheia de sucessos HBO – e foi fazer parcerias estreladas com gente como George Clooney, David O. Russell, James Gray, Seth MacFarlane, Martin Scorsese entre outros.
Seu talento, que muitos teimaram em não reconhecer mesmo depois da indicação ao Oscar em 2007 como ator coadjuvante por Os infiltrados, já estava lá desde cedo. Fosse como um lobo em pele de cordeiro no teen sombrio Medo (1996), em que contracenava ao lado de uma jovem Reese Witherspoon, fosse como o porra louca que dá maus conselhos a Leonardo DiCaprio em Diário de um adolescente (1995), ou como um bem dotado ator pornô nos loucos anos 70 de Boogie nights: prazer sem limites (1997). Paul Thomas Anderson não o escalou como protagonista dessa crônica agridoce à toa.
Wahlberg disse em entrevista recente que se resgarda. Todos esses negócios às margens do cinema são para consolidar seu futuro e o de sua família. Filho de pais divorciados, Wahlberg faz o tipo família e depois de alguns envolvimentos amorosos que nunca causaram reboliços midiáticos casou-se em 2009 com a modelo Rhea Duham, com quem já namorava desde 2001, e tem quatro filhos.
Wahlberg sabe que Hollywood é uma ilusão e que precisa se agarrar a coisas reais. “Roubava carros porque gostava de dirigir, vendia drogas porque precisava do dinheiro para ficar doidão. Mas, ao mesmo tempo, também tinha um ‘emprego formal’ porque queria comprar coisas bacanas”, disse em entrevista à revista Serafina no ano passado à época do lançamento de Ted nos cinemas.

Mark Wahlberg inchado nas filmagens de Sem dor, sem ganho em Miami: a Forbes o colocou no topo da lista dos atores mais rentáveis de 2012... 

Family man: receber estrela na calçada da fama foi programa de família em 2010 


Wahlberg não esconde seu envolvimento com o crime no passado. Foi o irmão Donnie, à época fazendo sucesso com o grupo musical New Kids on the Block, quem colocou o rap em seu caminho e Marky Mark como seu nome de guerra no início dos anos 90. Uma coreografia abusada, abaixar as calças no palco, o levou a assinar um contrato com a Calvin Klein para ser o garoto propaganda das cuecas da grife. Daí vieram trabalhos com Kate Moss, a prestigiada fotógrafa Annie Leibovitz e Um novo homem, seu primeiro filme.
Mesmo aí, depois de toda mudança, era difícil crer que aquele Mark Wahlberg, ex- Marky Mark seria o Mark Wahlberg que conhecemos hoje.  Voltou a estudar, concluiu o ensino médio pela internet e hoje, paizão, se declara fã de Justin Bieber. Mexe os pauzinhos em Hollywood até mesmo para estrelar um filme com o popstar canadense.
A estrela na calçada da fama veio em 2010, mesmo ano em que tornou a ser indicado ao Oscar, desta vez como produtor, por O vencedor – terceiro filme que fez com o amigo e parceiro David O. Russell, no qual apresenta uma das melhores atuações de sua carreira.
Wahlberg já se drogou, já traficou, já esteve preso e hoje entende que é um homem em busca de realizações simples na vida, embora tenha ganhado U$ 30 milhões para protagonizar um dos maiores lançamentos de 2014 nos cinemas.

Segura o tchan: causando no mundo da moda junto com Kate Moss


Dono de um timing cômico fantástico, Wahlberg é um ator que vai na tentativa e erro. Substituiu (mal) Ryan Gosling em Um olhar do paraíso (2009), de Peter Jackson e pagou mico no suspense inadvertidamente engraçado de M. Night Shyamalan, Fim dos tempos (2008), mas acertou na química improvável com Will Farrell (2010) em Os outros caras e fazendo o tipo “exército de um homem só” em Atirador (2007). É dono de uma filmografia surpreendentemente diversificada, com mais altos do que baixos, e não foge da briga. Em recente entrevista, disse que adoraria interpretar o homem de ferro, o personagem mais dominado da atualidade, que carrega o DNA de Robert Downey Jr.
Sem dor, sem ganho. Wahlberg sabe muito bem como dosar a pressão em sua carreira.

Mark Wahlberg em cinco takes

Funny man
Ted (2012)
Como um sujeito imaturo que precisa escolher entre o ursinho de pelúcia maconheiro e desbocado e a namorada atenciosa vivida por Mila Kunis, Wahlberg demonstra todo o seu tato para a comédia. E convence até saindo na mão com um urso de pelúcia...

Fuck, fuck, fuck
Os infiltrados (2006)
Como um sargento da polícia de Boston esquentado e incorruptível brilha intensamente em um elenco com feras como Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio e Matt Damon. E com menos tempo em cena!

I play George Clooney
Uma saída de mestre (2003)
No remake deste filme originalmente estrelado por Michael Caine, Wahlberg segura as pontas como um charmoso ladrão em busca de payback. E leva Charlize Theron como recompensa!

I can go deep
Caminho sem volta (2000)
Na primeira parceria com James Gray, Wahlberg faz o tipo em busca de redenção que é tragado para a vida criminosa novamente. Papel que se tornaria recorrente em sua carreira. Mas foi nesse papel que mostrou que podia segurar um filme sozinho na base do talento também...


Much more than a prosthesis 
Boogie Nights: prazer sem limites (1997)
A cena final com uma exuberante prótese peniana marcou, mas Wahlberg, então um ilustre desconhecido, deixou vestígios de um ator de enorme potencialidade (sem trocadilhos pretendidos) vivendo um ator pornô acidental em busca do sonho americano.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - Há fogo sob as cinzas


Eram exagerados os boatos sobre o fim de Nick Nolte. O ator, que ensaia uma nova etapa na carreira ao assumir um papel regular na série de TV Luck – produção da HBO, volta aos holofotes ao receber sua terceira indicação ao Oscar em 2012.

O papel de Nolte em Guerreiro, filme que merecia mais atenção do que obteve, é precioso. Na pele de um ex-alcoólatra que busca redenção e o perdão dos dois filhos com os quais mantém pouco contato, Nolte brilha em uma composição contida e apoiada nas marcas de sua face. Há alguns belos momentos em que o ator mostra que ainda tem muito estofo dramático para queimar. Sem entregar uma atuação ressonante desde o excelente Lance de sorte (2002), Nolte parecia desorientado na carreira. O último papel com algum destaque foi no Hulk de Ang Lee. E já se ia quase uma década.
Nesse ínterim, Nolte fez algumas dublagens (Os sem floresta, O zelador animal, etc) e algumas pontas em filmes como Hotel Ruanda e Trovão tropical. Nada, como se vê, que lembrasse os áureos tempos do final dos anos 80 e início dos anos 90 – melhor momento de sua carreira.
Nolte é um baita ator. Já trabalhou, e bem, em todos os gêneros cinematográficos e com cineastas da estatura de Martin Scorsese, Neil Jordan, Woody Allen, Terrence Malick, Oliver Stone, entre outros.
Mas Nick Nolte foi, também, um dos precursores daquela corrente célebre na qual Lindsay Lohan é pós-graduada. Os problemas com o alcoolismo levaram Nolte a sucessivas prisões e discussões ríspidas como a que teve com Katherine Hepburn que o acusou de “capotar em cada esquina da cidade”. Nolte deu uma resposta atravessada: “Ainda me restam algumas esquinas!”. Isso foi em 1990.
Esse período já passou, mas o ostracismo de Nolte parecia não ter fim. O ator de filmes importantes como Cabo do medo, O óleo de Lorenzo, Além da linha vermelha, 48 horas, Temporada de caça e O crime que o mundo esqueceu parecia esquecido.
Sua performance em Guerreiro mostra que o que faltava era uma oportunidade. O ator já tem engatilhado para 2012 mais cinco filmes, em todos aparecerá como coadjuvante. Não há nenhum problema nisso. Nolte já mostrou que sabe fazer muito com pouco.


Nolte em cinco takes

Jack Gates em 48 horas (1982)
Como o policial linha dura e com pouco senso de humor (em uma caracterização das mais bem humoradas), Nolte faz par com um ascendente Eddie Murphy nessa que foi um das primeiras comédias de ação produzidas em Hollywood.


Capitão Michael Brennan em Q&A – sem lei, sem justiça (1990)
Nesse filmaço de Sidney Lumet, Nolte faz um policial que atira primeiro e pergunta depois. Um jovem promotor planeja tirá-lo das ruas e, por isso, um novo conflito se estabelece. Mais gordo, Nolte surge absoluto em cena na figura de um homem prestes a explodir a qualquer momento.

Sam Bowden em Cabo do medo (1991)
Em uma caracterização completamente diferente, Nolte faz um advogado cuja família é cerceada pelo criminoso vivido por Robert De Niro. Nolte faz o sujeito comum que é invadido pelo medo, revolta e angústia nessa refilmagem espetacular que Scorsese fez do igualmente clássico Círculo do medo (1962).  


Peter Brackett em Adoro problemas (1994)
Nessa deliciosa comédia escrita por Nancy Meyers e dirigida por Charles Shyer, Nolte tira proveito de sua fama de homem mais sexy do mundo (foi eleito em 1992 pela revista People) na figura de um colunista nova-iorquino de sucesso que mantém rivalidade com a jornalista vivida por Julia Roberts. Um deleite de filme e Nolte faz o tipo arrogante romântico com graciosidade.


Bob Montagnet em Lance de sorte (2002)
Na pele de um apostador cheio de contatos que planeja roubar um cassino na França, Nolte tem um de seus melhores momentos como intérprete nessa fita de Neil Jordan que pertence àquela galeria de “filmes de assalto artísticos”. Nolte nunca esteve mais cativante.

Nolte em cena de Lance de sorte, seu último grande momento no cinema antes de Guerreiro

sábado, 21 de janeiro de 2012

Oscar Watch 2012 - Perfil: Christopher Plummer

Como um bom vinho



Ele tem 85 anos e quase 200 filmes no currículo. No entanto, o veterano Christopher Plummer, nascido em Ontário no Canadá, não é tido como uma instituição em matéria de interpretação. Não porque não tenha atuado no teatro, já ganhou até Tony, ou por não ter participado de produções de pedigree ou prestígio, esteve em vencedores do Oscar como Uma mente brilhante (2001), A noviça rebelde (1965), Malcolm X (1992), entre outros.
A primeira indicação ao Oscar só veio há dois anos pelo papel do escritor russo Tolstoy em A última estação. Em 2012 ele é favorito por um personagem iluminado, daqueles que aparecem uma vez ou outra para um ator. Em Toda forma de amor, ele faz um viúvo que resolve assumir sua homossexualidade para o filho e para o mundo pouco antes de ser acometido por um câncer.
A razão do reconhecimento a Christopher Plummer ser mais tardio do que o desejável, talvez resida no fato de que só às vésperas dos 70 anos, o ator descobriu papéis mais suculentos. Talvez o problema fosse mesmo o agente.
Na última década, Plummer alternou papéis agradáveis em produções como A casa do lago (2006) e Procura-se um amor que goste de cachorros (2005), em que fazia um outro viúvo assanhadinho, e fitas mais sérias como O mundo imaginário do doutor Parnassus (2009), O novo mundo (2005) e Syriana – a indústria do petróleo (2005).

Plummer como o pai de Diane Lane em Procura-se um amor que goste de cachorros: a parte à homossexualidade, um papel muito similar ao de Toda forma de amor


Plummer, dos anos 90 para cá, se acostumou a fazer muito com pouco. Em pequenos papéis como nos filmes O informante (1999), Os 12 macacos (1995) e O plano perfeito (2006) se tornou uma espécie de atestado de qualidade de produções que dele precisavam. Não à toa, passou a ostentar a incrível média de quatro filmes por ano. Em 2011, pro exemplo, pôde ser visto em Padre, Barrymore (inédito no Brasil), Toda forma de amor e Os homens que não amavam as mulheres – a ser lançado brevemente no Brasil.
O espírito esportivo do ator se provou quando ele dublou o protagonista de UP- altas aventuras, talvez a mais melancólica e solar animação de todos os tempos. Um filme que não poderia prescindir da voz de um ator que já viu de tudo e que, parece, está próximo provar a glória também.


Plummer em cinco Takes

Doutor Parnassus em O mundo imaginário do doutor Parnassus (2009)
Como o herói dessa fábula fantástica de Terry Gilliam, o ator apresenta sensibilidade e precisão na construção de um homem decido a não vacilar em sua fé.

Abrahan Van Helsing em Dracula 2000 (2000)
O filme é uma draga, mas Plummer agrega alguma classe ao caçador de vampiros mais clássico da literatura que persegue um Gerard Butler pré-fama.

Mike Wallace em O informante (1999)
Como o produtor do jornalístico 60 minutes, Plummer surge minimalista e sofisticado em cena. Há uma cena entre ele, Al Pacino e Philip Baker Hall que é antológica.

Franklin D. Roosevelt em O poder da notícia (1998)
Nesse telefilme, pelo qual foi indicado ao Globo de ouro e ao Emmy, ele vive o 32º presidente dos EUA em uma análise vigorosa do poder da mídia.

Sherlock Holmes em Assassinato por decreto (1979)
Nessa longínqua adaptação da obra de sir Arthur Conan Doyle, Plummer vive o personagem que hoje é defendido no cinema por Robert Donwney Jr. com bem menos afetação.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Perfil - Woody Harrelson

O americano tranquilo 



Nascido no Texas em 1961, Woodrow Tracy Warrelson sempre soube que quis ser ator. Debandou-se para Ohio e depois para Nova Iorque com essa finalidade. Na grande maça, entrou para o elenco do sucesso da tv Cheers, mas o cinema só se viabilizaria para ele uma década depois. Foi em 1992, quando estrelou ao lado de Wesley Snipes a comédia Homens brancos não sabem enterrar, então com 31 anos, que Harrelson pôde ser visto por um grande público. Que gostou do que viu. Ainda com Cheers sendo exibido na tv americana, o ator emplacou outros dois grandes sucessos de público e crítica: Proposta indecente (1993) e Assassinos por natureza (1994). O primeiro filme, do mestre do erotismo no cinema americano Adrian Lyne, Harrelson é o marido de Demi Moore que aceita que sua mulher durma com Robert Redford pela quantia de um milhão de dólares. O filme, elegantérrimo, consolidou a carreira em ascensão de Moore e ajudou a tornar Harrelson conhecido de diretores importantes. Como, por exemplo, Oliver Stone que o chamou para viver um de seus personagens mais icônicos: Mickey Knox de Assassinos por natureza. O insano matador que cruza a América com a namorada maluquinha vivida por Juliete Lewis era o principal filme da década até o surgimento de Pulp Fiction alguns meses mais tarde naquele ano. Mas Milos Forman ficou impressionado com o apetite de Harrelson naquele filme e o chamaria para viver o polêmico criador da revista pornográfica Hustler na biografia que seria lançada em 1996. Antes disso, Harrelson voltou a contracenar com Wesley Snipes, então um astro do primeiro time hollywoodiano, em Assalto sobre trilhos (1995) em que ele e Snipes viviam dois policiais com rusgas com a lei, que se apaixonam pela mesma mulher – a então pouco conhecida Jennifer Lopez.

Woody e Juliette Lewis em cena do cult Assassinos por natureza: filmes decisivos no início da jornada no cinema... 


O Oscar que não veio
Antes de ser indicado ao Oscar por seu desempenho em O povo contra Larry Fynt, Harrelson mostrou que estava nessa pelo prazer e fez descoladas participações em Os simpsons e Spin city, divertida sitcom política que teve os talentos de Michael J. Fox e Charlie Sheen. O ano em que Harrelson brigou pela estatueta de melhor ator era particularmente difícil. O australiano Geoffrey Rush faturou por Shine-brilhante. Harrelson, no entanto, foi o favorito da crítica naquele ano. Pequenos papéis no cinema, em filmes como Mera coincidência (1997), Além da linha vermelha (1998) e EdTV (1999), foram entremeados com mais participações desencanadas em séries de tv como Ellen (primeiro programa de Ellen De Generes na tv) e Frasier.
Dramas policiais, como o recente Rampart que pode lhe valer nova indicação ao Oscar, foram propostas frequentes no final dos anos 90 e Crime em Palmetto (1998), acabou se configurando em um dos maiores salários de Harrelson na carreira até então. Cerca de U$ 1 milhão de dólares.
Aparentemente sem vocação para astro, Harrelson se encontrou nos ótimos papéis coadjuvantes que garimpava no inicio dos anos 2000, como o taradão de Tratamento de choque (2003) e o detetive inseguro de Ladrão de diamantes (2004). Mas também se destacava em pequenos papéis em produções mais gabaritadas, como Terra fria (2005), A última noite (2006) e The prize winner of defiance, Ohio (2005).
Ótimas aparições em filmes como Onde os fracos não têm vez (2007), Expresso transiberiano (2008) e O amor pede passagem (2008) ajudaram a cravar em Harrelson a imagem de ator confiável em qualquer situação ou circunstância.

Para uma boa (e sem malícias) introdução em Woody Harrelson

Assassinos por natureza
 Harrelson faz um assassino tão simpático quanto enlouquecido e dotado de um estranho e irresistível senso de humor.
 Zumbilândia
Harrelson faz um cara carente que vive enchendo o saco do nerd vivido pro Jesse Eisenberg
 Amizade colorida
Harrelson faz um gay machão que contraria todos os estereótipos sobre personagens homossexuais em comédias românticas


Woody em cena de Zumbilândia, que deve ganhar uma sequência e uma série de tv: ele faz o filme parecer melhor do que já é...



Woody dá uma palhinha em Amizade colorida...




Nova fase, velhas estratégias
Com O mensageiro (2009) lhe valendo sua segunda indicação ao Oscar – dessa vez por coadjuvante – Harrelson demonstrava que estava no controle de sua carreira e não a reboque do gosto dos outros. Neste mesmo ano, estrelou a fita indie Defendor, em que faz um sujeito estranho que sai vestido de super herói e tenta combater o crime. O filme, lançado meses antes do cult Kick ass, é ainda mais irônico - embora menos pop - do que o filme que tornou Hit girl uma musa nerd.
2009 foi mesmo um ano prolífero para Harrelson. Ele surgiu como um profeta do fim do mundo no distaster movie 2012 e como um expert em matar zumbis no deliciosamente histriônico Zumbilândia.
Esses papéis valeram ao ator uma iconografia toda particular. Com seu jeito caipira de macho bronco, Harrelson sabe rir de si mesmo. Foi o que fez em Amizade colorida, uma das comédias mais divertidas de 2011.
Alternando incursões dramáticas com sucessivas aparições cômicas, Harrelson especializou-se em roubar cenas. É um ator que sempre deixa boa impressão no espectador. Um trunfo e tanto. Muita gente que ganha milhões por aí não consegue a mesma proeza.
Sem ansiedade por protagonismos, já estrelou filmes que marcaram o cinema nos últimos 20 anos e pode conseguir sua terceira indicação ao Oscar – a segunda em três anos. Nada mal para um garoto de Midland, no Texas.

#WoodyHarrelsonfacts
 - É vegetariano
-Foi preso no distrito de Columbia, no estado de Ohio, em 1983, por condução perigosa
- No ano 2000, admitiu ser viciado em sexo
- É um defensor da legalização da maconha
- Steven Spielberg vetou seu nome para interpretar o protagonista de Beleza americana
-É amicíssimo de gente como Owen Wilson, Bill Murray e a banda de rock Red hot Chilli Peppers
- Declarou que votou em Christoph Waltz (Bastardos inglórios) para melhor ator coadjuvante em 2010, quando concorria ao Oscar por O mensageiro
- Já trabalhou com importantes cineastas como os irmãos Coen, Milos Forman, Spike Lee, Ron Howard, Terrence Malick e Oliver Stone  

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Perfil - Ryan Gosling

Com cheiro de monstro sagrado...


Existem atores que não dizem logo a que vieram. Geralmente não se fala muito desses atores. Especialmente quando ainda são jovens e tem um longo caminho pela frente a trilhar. Ryan Gosling, nascido no inverno de 1980 de Ontário, cidadezinha canadense, é um desses casos. Gosling vive um 2011 acima de qualquer suspeita que provoca empatia imediata em crítica e público. Com três filmes exacerbantes em elogios, muitos deles em virtude de sua presença, o ator parece deixar para trás o rótulo de promessa.
Os 30 anos de idade (completará 31 em novembro próximo) acusam alguma experiência quando Ryan Gosling surge como o romântico desiludido de Namorados para sempre (2010), mas ainda servem ao papel de idealista descobrindo o mundo – e sua sordidez – em Tudo pelo poder (2011), filme que muitos creem pode render ao ator sua segunda indicação ao Oscar.

Gosling em cena de Tudo pelo poder, prometido para dezembro nos cinemas brasileiros: performance elogiada


A primeira vez que Ryan Gosling foi convidado para a maior festa do cinema foi no ano de 2007. Aos 26 anos poderia ter se tornado o ator mais jovem a ter conquistado uma estatueta na categoria principal de atuação pelo professor viciado de Half Nelson (2006). Um trabalho pungente e cheio de fúria em uma fita independente que sacramentaria o gosto de Gosling por essa linha de trabalho. Naquele ano o Oscar foi para Forest Whitaker por O último rei da Escócia, mas quem ficou no radar da indústria foi Gosling. “What about that guy from Half Nelson?”, perguntavam articulistas empolgados com a ascensão de um novo ator a la Robert De Niro em matéria de entrega e capacidade de transmutação em um papel.
Mas a verdade é que Gosling já havia chamado atenção antes. No independente audacioso Tolerância zero (2001), o ator vivia um judeu com forte identificação com os ideais nazistas. Uma complexidade muito bem encorpada e nivelada pela atuação de Gosling que um ano antes – em seu primeiro papel no cinema – tinha sido um dos comandados de Denzel Washington no filme Disney Duelo de titãs – sobre um time de futebol americano escolar as voltas com o racismo.
E foi a Disney a casa de Gosling por muito tempo. Assim como Justin Timberlake, Britney Spears e outros, o ator também integrou o clube do Mickey Mouse.
Em 2002 estrelou o que se pode chamar de seu primeiro filme no mainstream hollywoodiano. Ao lado de Michael Pitt foi um dos psicopatas caçados por Sandra Bullock em Cálculo mortal. A participação no filme lhe rendeu um namoro com a miss simpatia que duraria dois anos.
Contudo, é seguro dizer que foi o romance água com açúcar Diário de uma paixão que colocou Ryan Gosling no mapa. Pelo menos do público em geral. A história de amor que viveu com Rachel McAdams no filme de Nick Cassavetes é considerada por muitos a melhor e mais contagiante dos últimos 20 anos no cinema.


 Ryan, ainda com cara de garoto, enamorado de Sandra Bullock...

... e tascando um beijaço em Rachel McAdams no MTV Movie Awards de 2005. Ele e Rachel também namoraram por um breve período após as gravações de Diário de uma paixão



Vieram outros filmes, como o inteligente thriller Um crime de mestre (2007) em que faz um advogado arrogante e ambicioso antagonizando Anthony Hopkins; o singelo e edificante A garota ideal (2007), em que prova ser capaz de segurar dramaticamente um filme ao viver um personagem que se apaixona por uma boneca inflável; e Drive (2011), em que acentua aquelas comparações com De Niro ao viver um personagem muito parecido com o que De Niro viveu em Taxi driver, em um filme que não faz questão de esconder ser influenciado pela fita de Scorsese.
2011 parece mesmo ser o ano da virada para Ryan Gosling. Com uma segunda indicação ao Oscar à vista, o ator, que já coleciona duas indicações ao Globo de ouro, duas ao SAG e outras duas para o Independent Spirit Awards, se experimentou como galã e provou ter ótimo timing cômico em Amor a toda prova, uma das delícias cinematográficas desse ano.
Gosling podia não ser dos mais eloquentes em sua gênese como ator, mas inegavelmente aprofundou-se em seu ofício com gana, obstinação e um tremendo talento. Ainda há muito por fazer e conquistar. Gosling está só esquentando.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Perfil - Jason Sudeikis

Talento para a coisa


Nascido em 18 de setembro de 1975 em Fairfax na Virgina, no oeste americano, Daniel Jason Sudeikis sabia que o humor estava em seu DNA. Na escola Shawnee Mission West High School, em que também estudou Paul Rudd, organizava festivais de humor em que sempre se destacava pelo espírito zombateiro. Sudeikis deu sequência a sua busca por um lugar ao sol no humor americano em Las Vegas onde frequentou trupes de humor que se apresentavam em casas noturnas da cidade. Foi em um desses espetáculos que um olheiro do Saturday Night Live lhe abordou e Daniel abandonou esse primeiro nome e passou a assinar artisticamente como Jason Sudeikis. Desde 2003 no ar no SNL, Sudeikis também colabora com os textos do programa, o comediante vem ganhando espaço no cinema. Assim como outras figuras como Eddie Murphy, Adam Sandler e Will Ferrel projetadas no mais longevo programa de humor da tv americana, Sudeikis tenta se viabilizar como astro de cinema.
Sua primeira aparição em um lançamento de grandes proporções foi em Jogo de amor em Las Vegas (2008), em que fazia um dos amigos idiotas de Ahston Kutcher. E Sudeikis provou saber fazer um idiota tão bem que foi chamado para viver outros em comédias românticas de tom similares. Em Caçador de recompensas (2010) e Amor à distância (2010), Sudeikis já contou com mais tempo em tela para demonstrar todo o seu talento em ser repugnante. Mas o ator deixou transparecer nesses três trabalhos, uma profunda capacidade de promover empatia com o público e um talento visceral para a comédia física. E desde que o canadense Jim Carrey surgiu, nenhum outro comediante conseguiu fazer da cara de tacho algo genuinamente engraçado – que Ben Stiller nos perdoe.

Roupa de gala: Sudeikis foi o host do MTV Movie Awards em 2011

Talvez tenha sido isso que motivou os irmãos Farrelly a escalarem Sudeikis como protagonista, ao lado de Owen Wilson, de sua nova comédia. Em Passe livre (2011), ele faz um sujeito casado vidrado em qualquer rabo de saia. É ele o fiador da comédia no filme dos Farrelly que, não à toa, escreveram as melhores piadas para seu personagem.
O potencial de Sudeikis pode ser observado pelo crescente número de produções para o cinema que estrela. Em 2011, além de Passe livre, o ator lança Quero matar meu chefe – em cartaz nos cinemas – e A good old fashioned orgy. Dois filmes que assumem seu viés sarrista e fazem do sexo uma matéria prima do humor. E é Sudeikis quem põe a cara a tapa nesse aspecto. Há quem possa se surpreender com o tipo pegador que ele faz em Quero matar meu chefe (ele é o único dos três principais personagens que, de fato, transa; e as conquistas são Jennifer Aniston e Julie Bowen), mas isso é, na verdade, um decalque do Jason de fora das telas. Após o divórcio de Kay Cannon, concluído em março do ano passado, Jason engatou um romance com a loira January Jones (de Mad men e X-men: primeira classe) que já se dissolveu em janeiro desse ano. Os amigos atestam que Jason não tem o que reclamar quando o assunto é mulher. Sudeikis veio mesmo para conquistar Hollywood.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Perfil - Sidney Lumet

O adeus de um imortal



Morreu no último sábado, 9 de abril, um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos. O superlativismo da afirmação não é fruto de consternação momentânea ou adoração incontida. Nascido na Pensilvânia, mas com alma nova-iorquina, Sidney Lumet manteve-se ativo como cineasta até os 86 anos, idade com que partiu dessa terra –vítima de um linfoma. Lumet, tal qual cineastas do quilate de Woody Allen e Martin Scorsese, construiu seu cinema referenciando Nova Iorque. Mas Lumet tinha a seu favor algo que faltava aos outros. Foi ele quem patenteou a chamada “estética das ruas” nos anos 70. Foi com filmes como Sérpico (1973) e Um dia de cão (1975), filmados de maneira crua, sem rompantes estilísticos e com total confiança em um ator chamado Al Pacino, que foi sedimentado um novo cinema sobre alguns estratos sociais típicos de Nova Iorque. Sem meias verdades. Mas Lumet, apesar da resistência em padronizar-se como diretor, era um cineasta encorpado. Dirigiu todo tipo de filme. Das comédias (Garbo talks, Glória) aos dramas (O veredicto, Uma estranha entre nós e O homem do prego), mas foi nas ruas que se fez. Algumas de suas melhores fitas são tensos filmes policiais (Q & A – sem lei, sem justiça, Armadilha mortal e Sombras da lei). Os tribunais também lhe inspiravam. Colocou Vin Diesel em um improvável papel dramático em seu penúltimo filme como realizador, Sob suspeita (2006). O primeiro filme de Lumet data de 1957. É, até hoje, o melhor drama de tribunal da história do cinema. Ainda que se passe quase que exclusivamente na sala dos jurados. 12 homens e uma sentença é um filme vigoroso que demonstra todo o talento de Lumet para contar uma história no ritmo e intensidade que lhe interessam. Antes do clássico estrelado por Henry Fonda, Lumet já dirigia telefilmes e episódios de seriados.

Lumet orienta a atriz Charlotte
Rampling nos sets de
O veredicto (1982)

 Outro marco significativo na carreira do diretor foi Rede de intrigas (1976). Filme que reverberava o poder da mídia e antecipava tendências que atingem o seu ápice hoje.
Quatro vezes indicado ao Oscar como diretor e uma outra como roteirista, Sidney Lumet recebeu um Oscar honorário em 2005. Parte sem a merecida consagração da academia. Ela poderia ter vindo por Antes que o Diabo saiba que você está morto (2007), seu último filme. Um tenso, vigoroso e acachapante thriller em que dois irmãos decidem roubar a joalheria dos pais. O último filme de Lumet é uma obra prima tão demolidora e consistente quanto seu primeiro filme. Um diretor que apresentou uma obra coesa, itinerante e pensativa. Negou-se a ser maior do que seus filmes, em uma prova de amor ao cinema maior do que à própria vaidade.
O cinema perde um artista que dominava seu ofício como poucos e que deixa uma filmografia não menos que espetacular. Perguntado sobre o porque ainda fazia filmes já aos 80 anos, Lumet, singelamente, declarou: “Porque eu ainda gosto!”


Al Pacino em cena de Um dia de cão, filme que marcou a década de 70 e que ajudou a definir todo um jeito de fazer cinema com Nova Iorque como cenário. Gente como Martin Scorsese e Spike Lee seguiriam os rumos apontados por Lumet neste clássico do cinema

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - O jeito Colin Firth de ser


Ele já foi o Mr. D´Arcy de Jane Austen e o Mark Darcy de Bridget Jones. O modelo mais perfeito para a estética clean e fotogênica de Tom Ford e atualmente pode ser visto na figura do rei da Inglaterra. Colin Andrew Firth acaba de completar cinco décadas de muita elegância e sofisticação. Ator de berço dos palcos londrinos, com forte inspiração em Shakespeare, foi descoberto dando vida a uma de suas famosas obras, Hamlet.
Firth estrelou produções para a TV britânica antes de avançar ao cinema. Seu primeiro papel de grande destaque na tela grande foi no primeiro Bridget Jones, em 2001. A partir daí, Colin Firth virou referencial de homem romântico. Vieram Simplesmente amor (2003), Hope Springs (2003), Tudo que uma garota quer (2003), Nanny McPhee – a babá encantada (2005), o segundo Bridget Jones (2004) e Marido por acaso (2008). No meio desses projetos de afirmação arquétipa, Firth estrelava um ou outro filme (de matiz independente) que se comunicava com suas raízes. Moça com brinco de perola (2003), Verdade nua (2005), Quando você viu seu pai pela última vez? (2007) e Bons costumes (2008). A grande virada veio mesmo com Direito de amar (2009). No filme de Tom Ford, Firth demonstra toda a sua potência como intérprete. Em níveis inimagináveis para quem se habituou a vê-lo como um ás das comédias românticas certinhas.


O bom filho a casa torna: em recente entrevista, Firth externou que gostaria de voltar a viver Mark Darcy, personagem que marcará sua carreira irrevogavelmente  



Papel de uma vida: como o solitário e enlutado George no filme de estréia do diretor Tom Ford, o ator concebe uma das grandes atuações da história do cinema recente

Revelava-se junto com o talento nato do estilista que debutava como diretor, um ator ciente de suas imperfeições, dono do tempo de expô-las e senhor de um raciocínio muito complexo em termos de atuação: incidir delicadeza e sensibilidade no gestual sem deixar-se afetar por caricaturas. Nem mesmo lendas vivas como Robert De Niro e Al Pacino escapam a esse imbróglio algumas vezes. Firth, patenteado como a âncora do filme de Ford, guia o espectador por todas as sutilezas pretendidas pelo diretor. É, sem dúvidas, a atuação da vida de Colin Firth. Premiado em Veneza e indicado ao Oscar pelo papel, Firth talvez até entregue performances melhores e mais agudas do que neste filme, mas pelo conjunto de timing e domínio dificilmente alguma será mais representativa.
Ao encarnar um monarca com sérios problemas de dicção em O discurso do rei, o ator põe a serviço de uma história, mais uma vez, a simpatia de sua presença sempre clássica e esbelta. Firth vem sendo louvado pela pontualidade da atuação. Recentemente, o ator - quando homenageado com uma estrela na calçada da fama em Hollywood - disse que os atores recebem mais atenção do que deveriam. “Não somos heróis”, argumentou na ocasião. Seu Mark Darcy, e os Georges de Direito de amar e O discurso do rei, apesar da elegância e autoridade da colocação, permitem a discordância.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ESPECIAL A REDE SOCIAL - Multimidiático

Justin Timberlake é um legítimo star. Cantor, ator, empreendedor, modelo e ativista, Timberlake soube, mais do que muitos artistas de sua geração, se promover em diferentes mídias e para diferentes públicos. Aos poucos, e A rede social é crucial nesse novo plano de carreira, ele começa a se dedicar mais ao cinema. “Não sei porque. Estou apaixonado por atuar. As possibilidades me encantam”, explicou em recente entrevista à Entertainment Weekly sobre o porque da assiduidade no cinema. Seu último disco solo, "Future sex/love sounds" é de 2006 e não há previsão de um lançamento tão logo. Justin tem priorizado, na música, parcerias. Têm produzido bastante (Madonna, Shakira, David Guetta e Black Eyed Peas) e colaborado com colegas como 50 cent, Ciara, Beyoncé, Timbaland e Pharrel. Recentemente lançou uma linha de roupas e um perfume (ou essência como se diz no meio). Justin também já provou ser bom apresentador e comediante (seus esquetes no Saturday Night Live são hits mundiais no Youtube).

 Consenso geral em Alpha dog: Justin (sem camisa na imagem) foi considerado a melhor coisa do irregular filme de Nick Cassavetes


Talhado para o cinema: Timberlake (o primeiro à esquerda) parodia o clipe Single ladies de Beyoncé que declarou ter adorado a brincadeira e, inclusive, pediu para participar

 
Mas por que o cinema tem a primazia? “Continuam me oferecendo trabalho”, brinca o ator na entrevista ao semanário americano. E no que depender da repercussão de sua interpretação de Sean Parker, o criador da Napster, em A rede social, as ofertas dobrarão. “O elenco é ótimo, mas a grande força interpretativa do filme é Justin Timberlake. Não se espantem se ele for indicado ao Oscar de ator coadjuvante”, escreveu em sua crítica do filme o L.A Times. Justin, é bem verdade, vem colhendo elogios como ator desde quando começou a se experimentar. Em 2006, grande parte da crítica apontou-o como a melhor coisa de Alpha Dog, filme pouco visto de Nick Cassavetes. Um ano antes, o ator havia segurado bem o rojão de contracenar com figuras portentosas como Kevin Spacey e Morgan Freeman em Edison - Poder e corrupção. Depois de participações em filmes distintos como Shrek terceiro (2007), Entre o céu e o inferno (2006) e Open road (2009), Justin se gradua como ator em A rede social. David Fincher declarou à mesma publicação que Timberlake foi talhado para o cinema e que isso pode ser conferido por qualquer um que assista a suas esquetes cômicas no humorístico Saturday Night live. Muita gente assistiu e Justin acumula muitos projetos futuros no cinema. Ainda em 2010 dará a voz para Catatau na animação colméia. Ano que vem estará em duas comédias românticas que devem agitar o verão americano, Bad teacher (em que contracena com a ex Cameron Diaz) e Friends with benefits. Há, ainda, outros quatro projetos engatilhados. A ficção científica I.´m. mortal, de Andrew Niccol, a qual está atualmente gravando em Nova Iorque, se destaca.
O multimidiático Justin Timberlake se prepara para ser homem de uma mídia só? A rede social dirá.

I´m bringing sexy back...: Justin em cena de A rede social