Como um bom vinho
Ele tem 85 anos e quase 200 filmes no currículo. No entanto, o veterano Christopher Plummer, nascido em Ontário no Canadá, não é tido como uma instituição em matéria de interpretação. Não porque não tenha atuado no teatro, já ganhou até Tony, ou por não ter participado de produções de pedigree ou prestígio, esteve em vencedores do Oscar como Uma mente brilhante (2001), A noviça rebelde (1965), Malcolm X (1992), entre outros.
A primeira indicação ao Oscar só veio há dois anos pelo papel do escritor russo Tolstoy em A última estação. Em 2012 ele é favorito por um personagem iluminado, daqueles que aparecem uma vez ou outra para um ator. Em Toda forma de amor, ele faz um viúvo que resolve assumir sua homossexualidade para o filho e para o mundo pouco antes de ser acometido por um câncer.
A razão do reconhecimento a Christopher Plummer ser mais tardio do que o desejável, talvez resida no fato de que só às vésperas dos 70 anos, o ator descobriu papéis mais suculentos. Talvez o problema fosse mesmo o agente.
Na última década, Plummer alternou papéis agradáveis em produções como A casa do lago (2006) e Procura-se um amor que goste de cachorros (2005), em que fazia um outro viúvo assanhadinho, e fitas mais sérias como O mundo imaginário do doutor Parnassus (2009), O novo mundo (2005) e Syriana – a indústria do petróleo (2005).
Plummer como o pai de Diane Lane em Procura-se um amor que goste de cachorros: a parte à homossexualidade, um papel muito similar ao de Toda forma de amor
Plummer, dos anos 90 para cá, se acostumou a fazer muito com pouco. Em pequenos papéis como nos filmes O informante (1999), Os 12 macacos (1995) e O plano perfeito (2006) se tornou uma espécie de atestado de qualidade de produções que dele precisavam. Não à toa, passou a ostentar a incrível média de quatro filmes por ano. Em 2011, pro exemplo, pôde ser visto em Padre, Barrymore (inédito no Brasil), Toda forma de amor e Os homens que não amavam as mulheres – a ser lançado brevemente no Brasil.
O espírito esportivo do ator se provou quando ele dublou o protagonista de UP- altas aventuras, talvez a mais melancólica e solar animação de todos os tempos. Um filme que não poderia prescindir da voz de um ator que já viu de tudo e que, parece, está próximo provar a glória também.
Plummer em cinco Takes
Doutor Parnassus em O mundo imaginário do doutor Parnassus (2009)
Como o herói dessa fábula fantástica de Terry Gilliam, o ator apresenta sensibilidade e precisão na construção de um homem decido a não vacilar em sua fé.
Abrahan Van Helsing em Dracula 2000 (2000)
O filme é uma draga, mas Plummer agrega alguma classe ao caçador de vampiros mais clássico da literatura que persegue um Gerard Butler pré-fama.
Mike Wallace em O informante (1999)
Como o produtor do jornalístico 60 minutes, Plummer surge minimalista e sofisticado em cena. Há uma cena entre ele, Al Pacino e Philip Baker Hall que é antológica.
Franklin D. Roosevelt em O poder da notícia (1998)
Nesse telefilme, pelo qual foi indicado ao Globo de ouro e ao Emmy, ele vive o 32º presidente dos EUA em uma análise vigorosa do poder da mídia.
Sherlock Holmes em Assassinato por decreto (1979)
Nessa longínqua adaptação da obra de sir Arthur Conan Doyle, Plummer vive o personagem que hoje é defendido no cinema por Robert Donwney Jr. com bem menos afetação.




