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Os Coen (de óculos escuros) e Roger Deakins em locações no Novo méxico onde gravaram cenas de Onde os fracos não têm vezMuita gente gosta do cinema dos irmãos Coen. Os irmãos cineastas criaram uma identidade bastante particular no cinema americano. Com seus personagens caricatos, seus roteiros tão inteligentes quanto intransigentes e com uma moral vaticinante, os irmãos rapidamente se tornaram cronistas contumazes da América e suas consternações. O que pouca gente sabe é que um inglês da pequena Devon, com oito indicações ao Oscar e que ministra cursos de fotografia em algumas escolas de cinema dos EUA tem muito a ver com essa identidade patenteada pelos irmãos Coen. Aos 61 anos, o diretor de fotografia Roger Deakins chega, com Um homem sério (novo filme dos Coen), a oitava colaboração com Joel e Ethan Coen.
Iniciada em 1996, com Fargo, a parceria, além de longeva, tem se mostrado bem sucedida. Deakins foi o fotógrafo de todos os filmes dos Coen desde então, com exceção de Queime depois de ler. Essa exceção deve-se ao fato de que Deakins estava envolvido em 4 filmes quando os irmãos começaram a filmar a comédia estrelada pelos amigos George Clooney e Brad Pitt; o que o impossibilitou de assumir a direção de fotografia do filme.
Deakins em ação: Ele é o diretor de fotografia vivo com mais indicações ao Oscar. Esse ano, porém, ele não concorre
Cena de Fargo: O inicio da prolífera parceria dos Coen e Roger Deakins
Eles e o Oscar
Embora ainda não tenha vencido um Oscar, Deakins é o diretor de fotografia vivo, mais indicado ao prêmio da academia. São oito indicações, das quais 4 por trabalhos desenvolvidos com os Coen.
Um homem sério também chegou ao Oscar. Com duas indicações (filme e roteiro original). Apesar de não ter recebido indicação por fotografia, Deakins pode ser considerado tão autor do filme quanto os Coen. O processo colaborativo deles avançou para um processo de criação em conjunto. Os três já trabalham no próximo filme, True Grit, que deve ser lançado ainda em 2010.
Billy Bob Thorton em cena de O homem que não estava lá: Os Coen e Deakins revitalizaram o cinema noir no século XXIOs filmes da parceria:
Fargo (1996)
O grande Leboswki (1998)
E aí meu irmão, cadê você? (2000)
O homem que não estava lá (2001)
O amor custa caro (2003)
Matadores de velhinha (2004)
Onde os fracos não tem vez (2007)
Um homem sério (2009)
Legenda: Indicado ao Oscar
Em seu novo filme, os Coen mais uma vez riem da tragédia. Só que agora, o motivo de riso é a nossa tragédia
O novo filme dos irmãos Coen, Um homem sério (A serious man EUA 2009), é uma comédia de humor negro bem ao gosto dos irmãos cineastas e de seu público cativo. Um filme hermético, com uma veia satírica em ebulição e uma visão pessimista da América.
No novo filme, os Coen adentram a comunidade judaica (de onde eles e também grande parte da comunidade hollywoodiana advém) para satirizar o homem comum em tempos que demandam cinismo e relativismo. No calidoscópio dos Coen, ser bom, integro, justo e agregador pode ser tão perigoso quanto ser passivo, apreensivo, ingênuo e conservador. É uma questão de percepção, pondera Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) certa vez, ao tentar entender o porque de em certo momento sua vida ter sido virada do avesso sem que ele tivesse feito nada que pudesse ser considerado errado. Ou que pudesse ter precipitado uma ação divina contra sua pessoa.
A provação a qual esse homem sério, tal qual Jó na bíblia, é submetido, o faz questionar os propósitos de se seguir códigos morais, religiosos e sociais. A busca incessante de Larry pela guia dos rabinos e as respostas evasivas que ele recebe destes remetem ao que os Coen dizem desde Fargo (1996). Em um mundo como esse, ser sério é não querer ser levado a sério.
O fato do filme se passar em uma época não bem especificada, embora a direção de arte e fotografia nos façam crer que aquele é um subúrbio dos EUA dos anos 60 ou 70, e da história se desenvolver no âmago de uma comunidade judaica só acrescentam ao comentário que o filme se comina. O mundo está perdido não é de hoje. A cena final do filme, anticlimática - como nos últimos filmes dos Coen, mostra isso de forma riquíssima e contundente. A paciência é uma virtude mais dos incautos do que dos corretos. E isso pode ser decisivo.