Depois de um hiato de 20 anos, fazia sentido que Terrence Malick se dedicasse ao acontecimento que redefiniu a história e o rumo da humanidade: a segunda guerra mundial. Muita gente boa quis fazer parte da leitura que Malick faria do evento. Sean Penn, George Clooney, Nick Nolte, Jim Caviezel e Woody Harrelson são alguns deles. Além da linha vermelha (The thin red line, EUA 1998) é o mais próximo de belo e poético que um filme de guerra pode ser. Essa sensação se agiganta por uma curiosidade astrológica. Nesse mesmo ano, Steven Spielberg, um cineasta bem menos contemplativo do que Malick, rodou o seu filme sobre a segunda guerra. O resgate do soldado Ryan – que até melhor do que esse filme – podia ser mais urgente, sentimental e movimentado, mas Além da linha vermelha sobeja nas minúcias. Nos ínterins da guerra. Das amizades forjadas em meio a paradoxos monumentais. Da morte à espreita como convidada indesejada. É um filme de belas imagens, mesmo que essas imagens seja hediondas. Talvez isso as tornasse mais belas. Malick busca na insensatez da guerra, as bifurcações humanas mais improváveis e, justamente por isso, mais ricas para escrutínio no cinema. Não é um filme perfeito. Mas seu impacto provoca reações que não ocultam esse adjetivo da mente do espectador.
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Panorama - Nascido em quatro de julho

No segundo filme em que aborda o Vietnã, Oliver Stone muda o foco. Adota um tom mais político e explana sobre as diferentes perspectivas que se tem, dentro de casa, sobre uma guerra. Quando conhecemos Ron Kovic (Tom Cruise), ele é um menino que como tantos outros brincam no quatro de julho americano (coincidentemente dia do aniversário de Kovic). Testemunhamos aquele garoto se tornar um jovem idealista sob o bastião conservador da direita repressora americana. Ser um marine no Vietnã era mais que um projeto de vida. É ao assistir o padecimento emocional e físico de Kovic como veterano do Vietnã que Stone cristaliza seu comentário com tenebrosa propriedade. Nascido em quatro de julho (Born in forth July, EUA 1989) é, também, um valoroso estudo sobre de que lado se assenta o patriotismo e como a idéia que se faz dele se torna mutável diante de privações específicas, como as que vivencia Kovic, ou genéricas, como as que, para os elaboradores da guerra, advoga o comunismo.
Oliver Stone não perde seu personagem de vista e através de seu sofrimento expurga a inocência de uma nação. Doloroso, raivoso, democrático. Nascido em quatro de julho é, também, patriótico.
Oliver Stone não perde seu personagem de vista e através de seu sofrimento expurga a inocência de uma nação. Doloroso, raivoso, democrático. Nascido em quatro de julho é, também, patriótico.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Panorama - Platoon

Oliver Stone ainda não era Oliver Stone quando lançou este filme. Cultuado em festivais ao redor do mundo e vencedor de 4 Oscars (incluindo filme e direção), Platoon (EUA 1986) ajudou a mapear os interesses alvoroçeiros de Stone enquanto cineasta. Notório esquerdista, seu cinema seria pautado pelo questionamento e pelo confrontamento com as vigências estabelecidas. Platoon não chega a ser orientado por esses dogmas, mas converge de alguma maneira para eles. O filme que se apresenta como definitivo sobre a guerra do Vietnã (Stone voltaria a essa chaga americana em Nascido em quatro de julho, mas sob diferente perspectiva), guarda algumas semelhanças estruturais com o último filme premiado com o Oscar, Guerra ao terror, mas o filme de Stone é mais encorpado e explosivo (no sentido político e emocional do termo) que o filme que se passa no Iraque. Em Platoon, acompanhamos o cotidiano de um pelotão pela ótica de um jovem recruta (Charlie Sheen, ator a qual Stone proporcionou seus melhores momentos no cinema). A brutalidade da guerra é o referencial do diretor. Seja pela realidade crua buscada na tela ou pelo desenvolvimento dos personagens e seus conflitos. Stone ousou. E a ousadia lhe valeu o pioneirismo. Seja pelas imagens impactantes (como a que ilustra o pôster do filme e que foi copiada em diversos filmes de guerra que vieram depois) ou no conceito que defende: a primeira vítima da guerra é a inocência. Inclusive para um país, metralha o diretor.
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sábado, 4 de setembro de 2010
Cantinho do DVD
Muitos acham O resgate do soldado Ryan apenas uma eficiente fita de ação que rasga no drama, outros pensam ser a demonstração de que Spielberg (o cara que fez E.T) amadureceu como cineasta aprimorando sua técnica, mas nem tanto seu discurso e há quem ache que o filme seja um primor. Claquete se alinha a essa última leva. De qualquer maneira, O resgate do soldado Ryan é um filme indispensável. Se você já o viu, vale a revisão. Com o final da guerra do Iraque (em que mais de 4 mil soldados americanos morreram) anunciada recentemente, o drama vivido pelo capitão Miller (Tom Hanks) ecoa com nitidez. Miller e seu pelotão são destacados para resgatar o soldado Ryan do título para que uma mãe que já perdeu dois de seus filhos na guerra não perca também o terceiro. O filme exala sentimento e reflete o absurdo da guerra e das escolhas que impõe.
Ficha técnica:
Nome original: Saving private Ryan
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Rodat
Elenco: Tom Hanks, Adam Goldberg, Tom Sizemore, Edward Burns, Vin Diesel, Matt Damon, Barry Pepper, Giovanni Ribisi, Ted Danson, Paul Giamatti e Denis farina
Gênero: Drama/Ação/Guerra
Duração: 170 min
Estúdio: Paramount
Status: Disponível em DVD e Blu-ray para venda e locação
Sell thru (preço médio):
DVD simples = R$ 12,90
DVD duplo = R$ 29,00
Blu-ray = R$ 75,00
Ficha técnica:

Nome original: Saving private Ryan
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Rodat
Elenco: Tom Hanks, Adam Goldberg, Tom Sizemore, Edward Burns, Vin Diesel, Matt Damon, Barry Pepper, Giovanni Ribisi, Ted Danson, Paul Giamatti e Denis farina
Gênero: Drama/Ação/Guerra
Duração: 170 min
Estúdio: Paramount
Status: Disponível em DVD e Blu-ray para venda e locação
Sell thru (preço médio):
DVD simples = R$ 12,90
DVD duplo = R$ 29,00
Blu-ray = R$ 75,00
Crítica
Steven Spielberg alcança o apogeu de seu cinema em um filme que conjuga drama humano, cenas de ação arrasadoras, efeitos especiais impressionantes e cristaliza o absurdo da guerra como nunca antes no cinema. O resgate do soldado Ryan (Saving private Ryan, EUA 1998) é daqueles filmes tão cheios de qualidade que fica difícil apontar um defeito. Para quebrar o protocolo adentremos aquele que tem sido destacado como um defeito da fita. O sentimentalismo exacerbado. É do americano o patriotismo. Em O resgate do soldado Ryan a medida que Spielberg emula esse patri
otismo ele também o questiona no sentido da missão assumida pelo capitão Miller (Tom Hanks) e seus homens. O sentimentalismo é uma característica tanto de Spielberg quanto do americano ao rememorar a segunda guerra mundial. Pedir um filme americano sobre a segunda guerra desprovido de tal é, portanto, pedir para descaracterizá-lo de sua verve. Contudo, a força de O resgate do soldado Ryan enquanto cinema nunca é assombrada por essa característica. Fosse Spielberg, um cineasta menos cuidadoso com sua obra e a fita teria se tornado uma patetada piegas.
Tom Hanks galvaniza seu personagem com caráter e sensibilidade. Uma combinação que enobrece a longa galeria de grandes personagens do ator e reveste a fita de solidez dramática. Apesar de um elenco em ótima sintonia, é ao roteiro que cabe a maior distinção. Pincelando situações dramáticas vigorosas, o desfecho proposto nos enche de esperança, satisfação e amor a vida. Não é todo filme de guerra que ao findar nos desperta dessa maneira.

Tom Hanks galvaniza seu personagem com caráter e sensibilidade. Uma combinação que enobrece a longa galeria de grandes personagens do ator e reveste a fita de solidez dramática. Apesar de um elenco em ótima sintonia, é ao roteiro que cabe a maior distinção. Pincelando situações dramáticas vigorosas, o desfecho proposto nos enche de esperança, satisfação e amor a vida. Não é todo filme de guerra que ao findar nos desperta dessa maneira.
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Cantinho do DVD
A seção de hoje destaca a segunda parte dessa carta magna de Clint Eastwood sobre as circunstâncias de uma guerra. Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, EUA/JAP 2006), ao contrário de A conquista da honra, é um roteiro original. Tanto a ideia, como a forma como foi desenvolvida, mostram a força criativa desse que é o maior cineasta americano vivo. Cartas de Iwo Jima foi considerado pela revista Premiere americana o melhor filme da década passada.
* Importante lembrar que a critica foi escrita à época do lançamento do filme

O lado de lá!
Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, EUA/JAP 2006) é um filme menos amplo do que A conquista da honra. A outra face desse projeto grandioso de Clint Eastwood. Talvez por isso esteja sendo mais bem sucedido. Cartas de Iwo Jima não é só sobre a perspectiva japonesa do conflito decisivo para as tropas americanas na segunda guerra, assim como A conquista da honra não era apenas sobre a perspectiva americana. Versava também sobre o heroísmo. O verdadeiro e o fabricado. E conferia sentido as causas e consequências da guerra conjugando os dois vértices de heroísmo mediante a necessidade de uma nação.
Já Cartas de Iwo Jima apresenta os homens por trás do conflito. E torna-se ainda mais inusitado por apresentar os homens que perderam a guerra. Por mostrar seus anseios, seus medos, suas convicções e sua cultura com o respeito que só uma cinematografia independente pode fazer. Por ser uma produção americana que fala desse Japão que o próprio Japão parece esquecer, que Cartas de Iwo Jima tem recebido tantas louvações.
O filme tem força própria. Mas se apreciado juntamente com A conquista da honra fará muito mais sentido e terá um apelo muito maior. Apesar de ser inspirado nas cartas enviadas pelo general Kuribayashi, interpretado com dignidade por Ken Watanabi, do front para sua família, o roteiro é original. Fruto da prolífera parceria de Clint com o roteirista Paul Haggis.
Não se pode dizer que este filme seja melhor do que o outro. Aqui Eastwood exercita seu olhar terno e ponderador buscando a todo tempo uma conexão com o público. Em A conquista da honra, ele faz o inverso. Procura se distanciar do público, manter uma frieza que julga, e é, fundamental para que a platéia possa digerir a idéia, sem vislumbres patrióticos. Conseguir se conter dessa forma e equilibrar dinamismo com emoção não são tarefas das mais fáceis. Por isso, um filme completa o outro. Por isso, Eastwood é, junto de Scorsese, o maior cineasta americano vivo. Cartas de Iwo Jima leva Clint a enfrentar Scorsese novamente no Oscar. Com quatro indicações (filme, direção, roteiro original e edição de som), o diretor não deve superar seu concorrente dessa vez. Não precisa. Eastwood já é patrimônio americano. Scorsese precisa se sentir um. Ademais, eles hão de se encontrar de novo.
Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, EUA/JAP 2006) é um filme menos amplo do que A conquista da honra. A outra face desse projeto grandioso de Clint Eastwood. Talvez por isso esteja sendo mais bem sucedido. Cartas de Iwo Jima não é só sobre a perspectiva japonesa do conflito decisivo para as tropas americanas na segunda guerra, assim como A conquista da honra não era apenas sobre a perspectiva americana. Versava também sobre o heroísmo. O verdadeiro e o fabricado. E conferia sentido as causas e consequências da guerra conjugando os dois vértices de heroísmo mediante a necessidade de uma nação.
Já Cartas de Iwo Jima apresenta os homens por trás do conflito. E torna-se ainda mais inusitado por apresentar os homens que perderam a guerra. Por mostrar seus anseios, seus medos, suas convicções e sua cultura com o respeito que só uma cinematografia independente pode fazer. Por ser uma produção americana que fala desse Japão que o próprio Japão parece esquecer, que Cartas de Iwo Jima tem recebido tantas louvações.
O filme tem força própria. Mas se apreciado juntamente com A conquista da honra fará muito mais sentido e terá um apelo muito maior. Apesar de ser inspirado nas cartas enviadas pelo general Kuribayashi, interpretado com dignidade por Ken Watanabi, do front para sua família, o roteiro é original. Fruto da prolífera parceria de Clint com o roteirista Paul Haggis.
Não se pode dizer que este filme seja melhor do que o outro. Aqui Eastwood exercita seu olhar terno e ponderador buscando a todo tempo uma conexão com o público. Em A conquista da honra, ele faz o inverso. Procura se distanciar do público, manter uma frieza que julga, e é, fundamental para que a platéia possa digerir a idéia, sem vislumbres patrióticos. Conseguir se conter dessa forma e equilibrar dinamismo com emoção não são tarefas das mais fáceis. Por isso, um filme completa o outro. Por isso, Eastwood é, junto de Scorsese, o maior cineasta americano vivo. Cartas de Iwo Jima leva Clint a enfrentar Scorsese novamente no Oscar. Com quatro indicações (filme, direção, roteiro original e edição de som), o diretor não deve superar seu concorrente dessa vez. Não precisa. Eastwood já é patrimônio americano. Scorsese precisa se sentir um. Ademais, eles hão de se encontrar de novo.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Cantinho do DVD
A seção desta semana destaca um valoroso filme de Clint Eastwood. A conquista da honra (Flag of our fathers, EUA 2006) integra um projeto dos mais ambiciosos que o cinema viu nos últimos anos. Eastwood analisou, entre outras coisas, um mesmo conflito sob duas perspectivas distintas. A do lado vitorioso (os EUA) e a do lado derrotado (o Japão). O primeiro filme ainda é mais portentoso na descontrução que faz da figura do herói. Desanuviando todo o jogo de bastidores e a engenharia propagandista que dão corpo a idéia. Eastwood mostra em A conquista da honra que uma guerra pode ser vencida nos campos de batalha, mas sua definição não poderia estar mais distante dali.
* A critica foi escrita à época do lançamento do filme (semana que vem será publicado neste espaço a critica de Cartas de Iwo Jima)

A desconstrução de um mito!
Clint Eastwood não precisa provar mais nada para ninguém. Talvez só para si mesmo. O ator/diretor realizou, em uma tacada só, dois filmes ambientados na segunda guerra mundial. “Ambientados”, porque embora tenham cenas de combate e seja oficialmente sobre a segunda guerra, não são filmes de guerra. São dramas humanos que investigam os agentes dessas guerras. A conquista da honra (Flag of four fathers, EUA 2006), é sobre a perspectiva americana da batalha de Iwo Jima. Uma das mais sangrentas e importantes travadas entre EUA e Japão na segunda guerra. E Cartas de Iwo Jima é a perspectiva japonesa do mesmo conflito.
Aos 76 anos, o diretor só se envolve em projetos que o motivem a fazer mais do que um filme propriamente dito. “É preciso haver um desafio, um componente humano”, disse Clint em várias ocasiões. Pela primeira vez colaborando com Steven Spielberg, seu produtor, Clint viu esse componente humano na obra “Flag o four fathers” de James Bradley, livro que narrava a vida dos seis soldados que hastearam a bandeira americana na ilha de Iwo Jima. A foto, considerada a mais importante da história, foi de grande valia para os EUA vencerem a guerra. O livro de Bradley também foi importante como um ritual de descoberta de seu pai, que nunca havia falado nada sobre seu passado na guerra.
A conquista da honra é, portanto, um filme que se incumbe de discutir a noção de heroísmo. Um país precisa de heróis. Um país em guerra precisa vencer. O cineasta parte então da famosa foto, que virou peça de propaganda do governo americano em busca de financiamento para a guerra, e discute não só a noção de heroísmo, como também os efeitos avassaladores de uma guerra. A real razão dos soldados estarem lá lutando.
É fácil entender porque o filme não fez tanto sucesso nos EUA. Com o país em guerra, um filme que critica severamente o jogo de bastidores do governo para forjar heróis e evoca que em uma guerra, o patriotismo cede ao companheirismo no peito de um soldado, certamente não está destinado ao sucesso de público e crítica. Justamente por debater tão arduamente um dogma americano, o heroísmo. Os EUA sempre tiveram heróis, precisam deles. De fato, eles venceram a guerra. Heróis fabricados ajudaram a vencer a guerra, mesmo tendo custado suas dignidades e até mesmo suas vidas. É o que atesta Eastwood, dividindo a vergonha dos três protagonistas com o público. O americano não reagiu bem à verdade que emergiu das telas, mas há de se admirar que Eastwood, um republicano ferrenho, tenha tido a coragem de rodar um filme tão atual, tão verdadeiro, tão cru, tão premonitório. Os EUA continuam precisando de heróis. Eastwood é um deles.
Clint Eastwood não precisa provar mais nada para ninguém. Talvez só para si mesmo. O ator/diretor realizou, em uma tacada só, dois filmes ambientados na segunda guerra mundial. “Ambientados”, porque embora tenham cenas de combate e seja oficialmente sobre a segunda guerra, não são filmes de guerra. São dramas humanos que investigam os agentes dessas guerras. A conquista da honra (Flag of four fathers, EUA 2006), é sobre a perspectiva americana da batalha de Iwo Jima. Uma das mais sangrentas e importantes travadas entre EUA e Japão na segunda guerra. E Cartas de Iwo Jima é a perspectiva japonesa do mesmo conflito.
Aos 76 anos, o diretor só se envolve em projetos que o motivem a fazer mais do que um filme propriamente dito. “É preciso haver um desafio, um componente humano”, disse Clint em várias ocasiões. Pela primeira vez colaborando com Steven Spielberg, seu produtor, Clint viu esse componente humano na obra “Flag o four fathers” de James Bradley, livro que narrava a vida dos seis soldados que hastearam a bandeira americana na ilha de Iwo Jima. A foto, considerada a mais importante da história, foi de grande valia para os EUA vencerem a guerra. O livro de Bradley também foi importante como um ritual de descoberta de seu pai, que nunca havia falado nada sobre seu passado na guerra.
A conquista da honra é, portanto, um filme que se incumbe de discutir a noção de heroísmo. Um país precisa de heróis. Um país em guerra precisa vencer. O cineasta parte então da famosa foto, que virou peça de propaganda do governo americano em busca de financiamento para a guerra, e discute não só a noção de heroísmo, como também os efeitos avassaladores de uma guerra. A real razão dos soldados estarem lá lutando.
É fácil entender porque o filme não fez tanto sucesso nos EUA. Com o país em guerra, um filme que critica severamente o jogo de bastidores do governo para forjar heróis e evoca que em uma guerra, o patriotismo cede ao companheirismo no peito de um soldado, certamente não está destinado ao sucesso de público e crítica. Justamente por debater tão arduamente um dogma americano, o heroísmo. Os EUA sempre tiveram heróis, precisam deles. De fato, eles venceram a guerra. Heróis fabricados ajudaram a vencer a guerra, mesmo tendo custado suas dignidades e até mesmo suas vidas. É o que atesta Eastwood, dividindo a vergonha dos três protagonistas com o público. O americano não reagiu bem à verdade que emergiu das telas, mas há de se admirar que Eastwood, um republicano ferrenho, tenha tido a coragem de rodar um filme tão atual, tão verdadeiro, tão cru, tão premonitório. Os EUA continuam precisando de heróis. Eastwood é um deles.
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Critica - Zona verde
O thriller definitivo sobre o Iraque!
Era grande a expectativa pelo novo trabalho de Matt Damon e do diretor Paul Greengrass depois do desfecho da trilogia Bourne. Zona verde (Green zone, EUA 2010) foi anunciado com pompa, depois adiado e finalmente lançado em uma época de marasmo nas bilheterias americanas (o mês de março).
Essa evolução se deu em virtude do árido tema que o filme aborda. O Iraque e a inexistência de armas de destruição em massa que justificaram a guerra ao país então comandado por Saddan Hussein. Mas Zona verde não é apenas um filme sobre esse tema. É o filme sobre esse tema. Depois da eloquência do filme de Greengrass, ficará difícil, para não dizer desnecessário, retomar o tema. O diretor entrega aqui um filme ágil, um thriller de ação quase ininterrupta, um tenso painel político e uma audaciosa e aberta crítica a forma como as coisas foram conduzidas pelo governo americano. O sucesso de bilheteria, apesar de Damon e da memória de Bourne que ambos evocam, era, por consequência, um objetivo distante.
No filme, Damon vive Roy Miller, um subtenente do exército americano que lidera um pelotão encarregado de recolher armas químicas em lugares hostis destacados pelo serviço de inteligência. Com o passar do tempo, Miller começa a se inquietar pelo fato de perder homens e não achar absolutamente nada nesses locais. Ele então passa a colaborar com um agente da CIA (Brendan Gleeson) que além de descontente com a atuação americana na reconstrução do Iraque, desconfia dos motivos que levaram os EUA ao país do Oriente Médio.
Era grande a expectativa pelo novo trabalho de Matt Damon e do diretor Paul Greengrass depois do desfecho da trilogia Bourne. Zona verde (Green zone, EUA 2010) foi anunciado com pompa, depois adiado e finalmente lançado em uma época de marasmo nas bilheterias americanas (o mês de março).
Essa evolução se deu em virtude do árido tema que o filme aborda. O Iraque e a inexistência de armas de destruição em massa que justificaram a guerra ao país então comandado por Saddan Hussein. Mas Zona verde não é apenas um filme sobre esse tema. É o filme sobre esse tema. Depois da eloquência do filme de Greengrass, ficará difícil, para não dizer desnecessário, retomar o tema. O diretor entrega aqui um filme ágil, um thriller de ação quase ininterrupta, um tenso painel político e uma audaciosa e aberta crítica a forma como as coisas foram conduzidas pelo governo americano. O sucesso de bilheteria, apesar de Damon e da memória de Bourne que ambos evocam, era, por consequência, um objetivo distante.
No filme, Damon vive Roy Miller, um subtenente do exército americano que lidera um pelotão encarregado de recolher armas químicas em lugares hostis destacados pelo serviço de inteligência. Com o passar do tempo, Miller começa a se inquietar pelo fato de perder homens e não achar absolutamente nada nesses locais. Ele então passa a colaborar com um agente da CIA (Brendan Gleeson) que além de descontente com a atuação americana na reconstrução do Iraque, desconfia dos motivos que levaram os EUA ao país do Oriente Médio.

Greengrass não deixa seu público respirar. A ação do filme se desenvolve em ritmo alucinante, assim como os diálogos inteligentes e repletos de sarcarsmo e sentido duplo. Zona verde não é para um público amplo. Não é indicado para quem gosta de cinema de ação sem conteúdo (maior parte da produção de ação americana), muito menos para quem não lê jornais e não está por dentro do contexto sócio-político do qual o filme trata. Para quem não tem interesse nesses pontos, é bom passar longe de Zona verde. É o que está fazendo o público americano. Um desperdício, na verdade. O filme é um tratado dos mais inteligentes sobre os desmandos de governos bélicos, sobre a facilidade que os mesmos têm de manipular a imprensa e sobre conscientização. Mais do que nunca, os americanos, pelo menos os que se preocupam com a questão do Iraque, estão se conscientizando. Assistir esse híbrido de ficção e documentário realizado por Paul Greengrass é algo capital nesse sentido.
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domingo, 28 de março de 2010
Os 25 melhores filmes da década: 9 - Bastardos inglórios
“Todo homem sob meu comando me deve 100 escalpos nazistas. E eu quero meus escalpos”

Sinopse
Na 2ª Guerra Mundial, durante a ocupação da França pelos nazistas, o tenente Aldo Raine é o encarregado de reunir um pelotão de soldados de origem judaica, com o objetivo de matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível. Paralelamente Shosanna Dreyfus, uma judia que teve a família brutalmente assassinada, planeja se vingar do coronel nazista Hans Landa.
Comentário
A segunda guerra parecia esgotada no cinema até que Tarantino reinventasse um desfecho para ela com seu antecipado filme sobre um grupo de judeus que caçam nazistas em uma França ainda sitiada pelas tropas de Hitler. Mas os méritos de Bastardos inglórios não se resumem a imaginação fértil de Tarantino. Imaginação esta, que continua afiada para diálogos primorosos, cenas arrebatadoras, e homenagens sutis ou escancaradas ao cinema e aos seus mestres. Bastardos inglórios é um primor de narrativa. Tarantino contém-se em seus maneirismos, mas não abdica de sua verve característica. Personagens célebres, humor tarantinesco e catarse como nunca experimentado antes em uma sala de cinema. Uma obra prima de um autor que finalmente fez por merecer a alcunha que já haviam lhe relegado.
Prêmios
Oscar de melhor ator coadjuvante; Globo de ouro de melhor ator coadjuvante; prêmios de melhor atriz, ator coadjuvante e roteiro original do círculo de críticos de Austin; bafta de melhor ator coadjuvante; 3 critic´s choice awards (melhor elenco, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original); Palma de ouro de melhor ator; melhor fotografia, melhor elenco, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original pela associação de críticos de Ohio; Melhor filme, direção, elenco e ator coadjuvante pelo círculo de críticos de Phoenix; melhor roteiro original pelo círculo de críticos de São Francisco; melhor filme, direção, elenco, roteiro original, figurino e ator coadjuvante pela associação de críticos de San Diego; Melhor elenco e melhor ator coadjuvante pelo sindicato dos atores; melhor filme, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante pela associação de críticos de Toronto; melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original pela associação de críticos de Washignton; melhor ator coadjuvante pelas associações de críticos de Boston, Los Angeles, Nova Iorque, Londres, Las Vegas e Kansas.
Curiosidades
- Quentin Tarantino começou a escrever o roteiro desse filme no inicio da década
- Este é o segundo filme em que Brad Pitt e Diane Krueger dividem a cena. O primeiro foi Tróia
- O personagem Urso judeu é interpretado pelo protegido de Quentin Tarantino, o diretor do filme de terror O albergue, Eli Roth
- A revista Vanity Fair escreveu criticas negativas sobre o filme à época de seu lançamento em Cannes, mais tarde o considerou o melhor dos dez indicados ao Oscar de melhor filme.
- Quentin Tarantino é o primeiro soldado nazista a ter seu escalpo arrancado pelos bastardos inglórios no filme
- Depois da exibição em Cannes, o filme foi remontado a pedido do produtor Harvey Weinstein. A versão final tem 40 minutos a menos.
- Tarantino convenceu Brad Pitt a fazer o papel do tenente Aldo Raine em meio a taças de vinho e a risadas histéricas em uma pousada na França
Ficha técnica
título original:Inglourious Basterds
gênero:Guerra
duração:02 hs 33 min
ano de lançamento:2009
estúdio:The Weinstein Company / Universal Pictures
distribuidora:The Weinstein Company / Universal Pictures
direção: Quentin Tarantino
roteiro:Quentin Tarantino
produção:Lawrence Bender e Harvey Weinstein
fotografia:Robert Richardson
direção de arte:Marco Bittner Rosser, Stephan O. Gessler e Sebastian T. Krawinkel
Na 2ª Guerra Mundial, durante a ocupação da França pelos nazistas, o tenente Aldo Raine é o encarregado de reunir um pelotão de soldados de origem judaica, com o objetivo de matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível. Paralelamente Shosanna Dreyfus, uma judia que teve a família brutalmente assassinada, planeja se vingar do coronel nazista Hans Landa.
Comentário
A segunda guerra parecia esgotada no cinema até que Tarantino reinventasse um desfecho para ela com seu antecipado filme sobre um grupo de judeus que caçam nazistas em uma França ainda sitiada pelas tropas de Hitler. Mas os méritos de Bastardos inglórios não se resumem a imaginação fértil de Tarantino. Imaginação esta, que continua afiada para diálogos primorosos, cenas arrebatadoras, e homenagens sutis ou escancaradas ao cinema e aos seus mestres. Bastardos inglórios é um primor de narrativa. Tarantino contém-se em seus maneirismos, mas não abdica de sua verve característica. Personagens célebres, humor tarantinesco e catarse como nunca experimentado antes em uma sala de cinema. Uma obra prima de um autor que finalmente fez por merecer a alcunha que já haviam lhe relegado.
Prêmios
Oscar de melhor ator coadjuvante; Globo de ouro de melhor ator coadjuvante; prêmios de melhor atriz, ator coadjuvante e roteiro original do círculo de críticos de Austin; bafta de melhor ator coadjuvante; 3 critic´s choice awards (melhor elenco, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original); Palma de ouro de melhor ator; melhor fotografia, melhor elenco, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original pela associação de críticos de Ohio; Melhor filme, direção, elenco e ator coadjuvante pelo círculo de críticos de Phoenix; melhor roteiro original pelo círculo de críticos de São Francisco; melhor filme, direção, elenco, roteiro original, figurino e ator coadjuvante pela associação de críticos de San Diego; Melhor elenco e melhor ator coadjuvante pelo sindicato dos atores; melhor filme, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante pela associação de críticos de Toronto; melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original pela associação de críticos de Washignton; melhor ator coadjuvante pelas associações de críticos de Boston, Los Angeles, Nova Iorque, Londres, Las Vegas e Kansas.
Curiosidades
- Quentin Tarantino começou a escrever o roteiro desse filme no inicio da década
- Este é o segundo filme em que Brad Pitt e Diane Krueger dividem a cena. O primeiro foi Tróia
- O personagem Urso judeu é interpretado pelo protegido de Quentin Tarantino, o diretor do filme de terror O albergue, Eli Roth
- A revista Vanity Fair escreveu criticas negativas sobre o filme à época de seu lançamento em Cannes, mais tarde o considerou o melhor dos dez indicados ao Oscar de melhor filme.
- Quentin Tarantino é o primeiro soldado nazista a ter seu escalpo arrancado pelos bastardos inglórios no filme
- Depois da exibição em Cannes, o filme foi remontado a pedido do produtor Harvey Weinstein. A versão final tem 40 minutos a menos.
- Tarantino convenceu Brad Pitt a fazer o papel do tenente Aldo Raine em meio a taças de vinho e a risadas histéricas em uma pousada na França
Ficha técnica
título original:Inglourious Basterds
gênero:Guerra
duração:02 hs 33 min
ano de lançamento:2009
estúdio:The Weinstein Company / Universal Pictures
distribuidora:The Weinstein Company / Universal Pictures
direção: Quentin Tarantino
roteiro:Quentin Tarantino
produção:Lawrence Bender e Harvey Weinstein
fotografia:Robert Richardson
direção de arte:Marco Bittner Rosser, Stephan O. Gessler e Sebastian T. Krawinkel
figurino:Anna B. Sheppard
edição:Sally Menke
Elenco: Brad Pitt, Eli Roth, Mélaine Laurent, Diane Krueger e Christoph Waltz
edição:Sally Menke
Elenco: Brad Pitt, Eli Roth, Mélaine Laurent, Diane Krueger e Christoph Waltz
Fonte: arquivo pessoal
terça-feira, 9 de março de 2010
OSCAR WATCH - Para explicar o mundo
Por que Guerra ao terror ganhou o Oscar?
Alguns se surpreenderam, outros já antecipavam. Fato é que a vitória de Guerra ao terror no Oscar desse ano mexeu com todo mundo. “Como assim esse filme é o melhor do ano e eu nunca ouvi falar dele?”, alguns se indagaram. Outros observaram com acuidade: “Terceiro filme independente seguido a ganhar o Oscar de melhor filme”. Alguns mais apaixonados exclamaram: “Pelo menos não ganhou a bosta de Avatar” ou “Como assim Bastardos inglórios não venceu?”.
Há uma explicação para tudo, diria Sherlock Holmes. Obviamente, há uma, ou até mesmo algumas, para entender porque Guerra ao terror saiu-se vencedor na noite de 7 de março de 2010.
Primeiramente é preciso reconhecer que o filme tem méritos artísticos e técnicos que lhe credenciam ao Oscar, mas é preciso reconhecer que somente esses não garantem o prêmio máximo a filme nenhum.
um, dois, três, quatro, cinco e... cadê o sexto Oscar que estava aqui?
É preciso estimular o “cinema alternativo”
A mais óbvia e, talvez por isso, mais premente razão dos principais Oscars da noite terem ido para Guerra ao terror, um filme pequeno que quase não viu a luz do dia e que foi renegado por produtores e distribuidores americanos, é justamente doutrinar o olhar de produtores e businessmen do cinema. Ano passado, com o reforço da euforia da era Obama e na esteira de uma forte crise econômica, a academia já havia adotado essa postura pedagógica (ao superpremiar um filme limitado, mas com trajetória de superação e que tratava de esperança). Contudo, as características em 2010 permitem depreender uma elevação no tom da mensagem. Não se premiou apenas um filme que só foi feito depois de aporte de dinheiro europeu, deixou-se de premiar o filme mais caro e de maior bilheteria da história do cinema. Só não lê nas entrelinhas, quem não quiser.
A vitória de Guerra ao terror, inclusive em categorias que não haveria como Avatar perder (caso das duas categorias de som), servem ao propósito de potencializar a mensagem pretendida pela academia. Esse filme é bom o suficiente para ganhar o Oscar de melhor som. E foi feito com 11 milhões de dólares. A academia sabia que ao conceder o Oscar de melhor filme para Guerra ao terror, estava logrando ao filme a pecha de ser o Oscar de melhor filme menos visto na história (arrecadou algo em torno de U$ 14 milhões nos EUA). Mas sabia também que se não agisse assim, produtores e executivos não responderiam a um sucesso de critica que na melhor das hipóteses era circunstancial.
Um Oscar doutrinador: A consagração (mais uma vez) de um modelo de cinema

Alguns se surpreenderam, outros já antecipavam. Fato é que a vitória de Guerra ao terror no Oscar desse ano mexeu com todo mundo. “Como assim esse filme é o melhor do ano e eu nunca ouvi falar dele?”, alguns se indagaram. Outros observaram com acuidade: “Terceiro filme independente seguido a ganhar o Oscar de melhor filme”. Alguns mais apaixonados exclamaram: “Pelo menos não ganhou a bosta de Avatar” ou “Como assim Bastardos inglórios não venceu?”.
Há uma explicação para tudo, diria Sherlock Holmes. Obviamente, há uma, ou até mesmo algumas, para entender porque Guerra ao terror saiu-se vencedor na noite de 7 de março de 2010.
Primeiramente é preciso reconhecer que o filme tem méritos artísticos e técnicos que lhe credenciam ao Oscar, mas é preciso reconhecer que somente esses não garantem o prêmio máximo a filme nenhum.

É preciso estimular o “cinema alternativo”
A mais óbvia e, talvez por isso, mais premente razão dos principais Oscars da noite terem ido para Guerra ao terror, um filme pequeno que quase não viu a luz do dia e que foi renegado por produtores e distribuidores americanos, é justamente doutrinar o olhar de produtores e businessmen do cinema. Ano passado, com o reforço da euforia da era Obama e na esteira de uma forte crise econômica, a academia já havia adotado essa postura pedagógica (ao superpremiar um filme limitado, mas com trajetória de superação e que tratava de esperança). Contudo, as características em 2010 permitem depreender uma elevação no tom da mensagem. Não se premiou apenas um filme que só foi feito depois de aporte de dinheiro europeu, deixou-se de premiar o filme mais caro e de maior bilheteria da história do cinema. Só não lê nas entrelinhas, quem não quiser.
A vitória de Guerra ao terror, inclusive em categorias que não haveria como Avatar perder (caso das duas categorias de som), servem ao propósito de potencializar a mensagem pretendida pela academia. Esse filme é bom o suficiente para ganhar o Oscar de melhor som. E foi feito com 11 milhões de dólares. A academia sabia que ao conceder o Oscar de melhor filme para Guerra ao terror, estava logrando ao filme a pecha de ser o Oscar de melhor filme menos visto na história (arrecadou algo em torno de U$ 14 milhões nos EUA). Mas sabia também que se não agisse assim, produtores e executivos não responderiam a um sucesso de critica que na melhor das hipóteses era circunstancial.

Por que vamos a guerra?
Guerra ao terror, não é preciso dizer, é superior a Avatar. E o discurso que traz em seu cerne é muito mais arrojado e original. Enquanto o filme evita politizar a guerra, Avatar repete fórmulas ultrapassadas que se vão ao encontro de liberais arruaceiros se desgastam com a mesma velocidade. Guerra ao terror se concentra no que é humano. Avatar finge que se concentra no que é humano. Mas quer exibir tecnologia. Um pensamento bélico que se contrapõe a análise que Guerra ao terror oferece e que o momento pede. Ao invés de mostrar razões de um povo ou de um país, Guerra ao terror mostra porque um homem comum vai a guerra. E qual a relação dele com ela. Em Avatar não há analise, em Guerra ao terror é tudo que há. O fato de ser um filme apolítico (Avatar també
m o é, mas na superfície não parece), ajuda a conquistar o voto de democratas e republicanos que costumam rejeitar filmes que apresentem um discurso radical. Tanto o é, que em 82 anos de Oscar, Guerra ao terror é apenas o quarto filme de guerra a ganhar o Oscar de melhor filme. Um fato que contradiz a tese de que esses filmes são sempre certezas no Oscar. Fato é que há democratas e republicanos suficientes na academia para garantir que filmes de guerra com discursos ajustados a um outro ideário recebam indicações, mas não há número suficiente para impor a vitória de um filme assim. Kathryn Bigelow, evitando futucar feridas, agradou as duas linhas políticas que existem na academia. Essa política (sempre essa tão devassada arte das relações humanas) também foi preponderante para o triunfo de Guerra ao terror.
Guerra ao terror, não é preciso dizer, é superior a Avatar. E o discurso que traz em seu cerne é muito mais arrojado e original. Enquanto o filme evita politizar a guerra, Avatar repete fórmulas ultrapassadas que se vão ao encontro de liberais arruaceiros se desgastam com a mesma velocidade. Guerra ao terror se concentra no que é humano. Avatar finge que se concentra no que é humano. Mas quer exibir tecnologia. Um pensamento bélico que se contrapõe a análise que Guerra ao terror oferece e que o momento pede. Ao invés de mostrar razões de um povo ou de um país, Guerra ao terror mostra porque um homem comum vai a guerra. E qual a relação dele com ela. Em Avatar não há analise, em Guerra ao terror é tudo que há. O fato de ser um filme apolítico (Avatar també


Na mira de Guerra ao terror tudo aquilo que escapava aos outros filmes de guerra: O que nos move lá, afinal?
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Para explicar o mundo
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Critica: O mensageiro
A guerra de cada um!

Hollywood pode ser liberal. Os filmes de guerra e sobre a guerra podem ser, em sua maioria, anti-belicistas. Contudo, vez ou outra, um filme, mesmo que não inteiramente hollywoodiano, reveste-se de humanidade de tal maneira que põe toda essa discussão em uma zona periférica. O independente O mensageiro (The Messenger, EUA 2009), é bem verdade, traz alguns elementos tipicamente hollywoodianos (o maior deles talvez seja a presença do quase astro Woody Harrelson), mas tem um discurso muito mais profundo do que a média dos filmes sobre guerras feitos em Hollywood.
No filme, acompanhamos Will (Ben Foster) e Tony (Woody Harrelson) dois militares incumbidos de notificar as famílias de soldados mortos em ação no Iraque. Uma tarefa penosa, exaustiva emocionalmente e mais complexa do que se pode supor a principio, que eles têm de arcar com rigidez militar, literalmente.
A partir dessa inusitada premissa, o roteirista e diretor Oren Moverman (cujos créditos como roteirista incluí a hermética cinebiografia de Bob Dylan, Não estou lá) se dedica a investigar o sentido da guerra para algumas figuras (em especial os dois soldados que acompanhamos). O resultado como era de se imaginar não é muito diferente de traumas diversos, sequelas múltiplas, dor, tristeza e incompreensão. Mas o que abrilhanta O mensageiro é como Moverman chega a essas tão repercutidas conclusões. Ele não mostra o combate. A guerra é um fantasma para todos.
Nesse sentido, a pluralidade dos personagens, aos quais assistimos Will e Tony, em questão de minutos, despedaçarem suas vidas com as condolências oficiais é eloqüente. Desde a adolescente que escondeu do pai que se casou com um menino da vizinhança até o imigrante hispânico, cuja língua é uma barreira para a compreensão do que se diz. Moverman mostra que o sentido de uma guerra, e os efeitos dela, podem ser tudo isso que se imagina, mas também há um impacto devastador de natureza particular que não pode ser pressentido. O maior mérito de O mensageiro é lembrar isso. Relativizar o impacto cultural de um conflito como o que se tem no Iraque elevando as percepções pessoais que se tem dele.

Preparados para uma guerra emocional: Tony e Will se preparam para mais uma batalha
Supremo na pele do sargento marcado por traumas da guerra e que carrega algumas feridas também, Ben Foster emociona com a força de sua interpretação. Sutil e minimalista, ele reforça os efeitos que a guerra pode ter em um individuo e em sua relação com a sociedade. Will tateia o sentido de sua vida após voltar do Iraque e sua relação com seu novo parceiro, Tony, e com seu novo ofício são os termômetros dessa condição. Por sua vez, Tony tem seus próprios traumas. O quadro de ansiedade dele, e a razão de ter cedido ao alcoolismo, difere totalmente do que aflige Will. É na dinâmica da relação dos dois, entre si e para com a ingrata função que exercem, que O mensageiro se eterniza como um filme único sobre as reminiscências de toda e qualquer guerra.
E para mostrar que é preciso ter senso de humor até nas mais infelizes situações, o filme apresenta (em uma fala do personagem de Harrelson) a mais inusitada, e coerente, teoria do por que a guerra do Iraque está sendo um fracasso. Um filme para ser apreciado em todas as suas vertentes.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
OSCAR WATCH - os filmes de guerra

Na história do Oscar é possível apontar alguns subgêneros dramáticos que despontam na preferência dos membros da academia. Os dramas sobre o holocausto e os filmes de guerra, especialmente aqueles sobre a segunda guerra mundial, têm predileção especial. Independentemente da proximidade do primeiro tema (a academia é constituída majoritariamente de judeus) e da excelência técnica e dramática do segundo, é fato que esses subgêneros se apossaram do imaginário cinematográfico da academia ao longo dos anos.
No embalo de três filmes que se ocupam das circunstâncias da guerra que receberam destaque no Oscar 2010, O mensageiro (2 indicações), Bastardos inglórios (8 indicações) e Guerra ao terror (9 indicações), Claquete faz um apanhado geral dos grandes filmes desse subgênero tão caro a academia que foram protagonistas em edições passadas do Oscar.
Os filmes de guerra definitivos
Antes de Quentin Tarantino apresentar sua versão para o desfecho da segunda guerra mundial, alguns cineastas de prestigio e renome apresentaram filmes tachados à época de seus lançamentos, como filmes de guerra definitivos.
1-O resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, EUA 1998)
Guerra:Segunda guerra mundial
Diretor: Steven Spielberg
Oscars: 5 (Direção, montagem, fotografia, melhor som e melhor edição de som)
2-Platoon (Platoon, EUA 1986)
Guerra: Vietnã
Diretor: Oliver Stone
Oscars: 4 (Filme, direção, montagem e som)
William Dafoe em uma das cenas antológicas do cinema: "Platoon é o filme de guerra definitivo", conclamou a revista TIME à época do lançamento do filme de Oliver Stone
Ken Watanabe em cena de Cartas de Iwo Jimma: a coragem e o desprendimento de mostrar a perspectiva do lado perdedor
* todos os filmes acima concorreram na categoria de melhor filme.
No embalo de três filmes que se ocupam das circunstâncias da guerra que receberam destaque no Oscar 2010, O mensageiro (2 indicações), Bastardos inglórios (8 indicações) e Guerra ao terror (9 indicações), Claquete faz um apanhado geral dos grandes filmes desse subgênero tão caro a academia que foram protagonistas em edições passadas do Oscar.
Os filmes de guerra definitivos
Antes de Quentin Tarantino apresentar sua versão para o desfecho da segunda guerra mundial, alguns cineastas de prestigio e renome apresentaram filmes tachados à época de seus lançamentos, como filmes de guerra definitivos.
1-O resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, EUA 1998)
Guerra:Segunda guerra mundial
Diretor: Steven Spielberg
Oscars: 5 (Direção, montagem, fotografia, melhor som e melhor edição de som)
2-Platoon (Platoon, EUA 1986)
Guerra: Vietnã
Diretor: Oliver Stone
Oscars: 4 (Filme, direção, montagem e som)

Os traumas irreversíveis
Existem aqueles filmes que até mostram a guerra e seus efeitos devastadores, mas se ocupam mais de investigar os traumas que as experiências de guerra provocam e mostram as sequelas que acompanham os veteranos de guerra e seus familiares. Guerra ao terror se ajusta, de certo modo, a esse filão.
1-Nascido em quatro de julho (Born on the fourth of July, EUA 1989)
Guerra:Vietnã
Diretor: Oliver Stone
Oscars: 2 (Direção e montagem)
Existem aqueles filmes que até mostram a guerra e seus efeitos devastadores, mas se ocupam mais de investigar os traumas que as experiências de guerra provocam e mostram as sequelas que acompanham os veteranos de guerra e seus familiares. Guerra ao terror se ajusta, de certo modo, a esse filão.
1-Nascido em quatro de julho (Born on the fourth of July, EUA 1989)
Guerra:Vietnã
Diretor: Oliver Stone
Oscars: 2 (Direção e montagem)
2-O franco atirador (The deer hunter, EUA 1979)
Guerra: Vietnã
Diretor: Michael Cimino
Oscars: 5 (filme, direção, montagem, ator coadjuvante e som)
Guerra: Vietnã
Diretor: Michael Cimino
Oscars: 5 (filme, direção, montagem, ator coadjuvante e som)
A guerra por outros olhos
Há filmes que captam um outro aspecto da guerra e sua engenhosidade devastadora. Filmes, como O mensageiro, que valorizam o registro ao adotarem uma abordagem completamente original e introspectiva.
1-M.A.S.H (EUA 1971)
Guerra: Vietnã
Diretor: Robert Altman
Oscars: 1 (roteiro original)
2-Cartas de Iwo Jimma (Letters from Iwo Jimma EUA/JAP 2006)
Guerra: Segunda guerra mundial
Diretor: Clint Eastwood
Oscars: 1 (edição de som)
Há filmes que captam um outro aspecto da guerra e sua engenhosidade devastadora. Filmes, como O mensageiro, que valorizam o registro ao adotarem uma abordagem completamente original e introspectiva.
1-M.A.S.H (EUA 1971)
Guerra: Vietnã
Diretor: Robert Altman
Oscars: 1 (roteiro original)
2-Cartas de Iwo Jimma (Letters from Iwo Jimma EUA/JAP 2006)
Guerra: Segunda guerra mundial
Diretor: Clint Eastwood
Oscars: 1 (edição de som)

* todos os filmes acima concorreram na categoria de melhor filme.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
OSCAR WATCH - Porque todo mundo está falando desse filme?

Um dos filmes favoritos para a temporada é um patinho feio. Calma, esse artigo não é sobre o vencedor do Oscar Quem quer ser um milionário?, que de total desprestigiado passou a grande vencedor da temporada de premiações. Também não é sobre Preciosa, o filme que vem senso apontado por setores da critica americana como o Quem quer ser um milionário? do ano. É sobre uma fita que penou para arranjar distribuidor (e não conseguiu um distribuidor calejado como a fita de Danny Boyle, que ficou sob as asas da Fox searchlight), começou carreira festivais afora em Veneza no ano passado, teve estréia limitada nos EUA apenas em junho e no Brasil foi lançado em abril, diretamente em DVD. Pois é, Guerra ao terror ( The hurt locker, EUA 2009) não teve um caminho fácil para ver a luz do dia. Mesmo depois de angariar elogios em Veneza e Toronto, festivais nos quais debutou ano passado, o filme de Kathryn Bigelow permanceu com futuro comercial incerto.
O lançamento do filme coincidiu com a percepção de estúdios e produtores de que o Iraque não estava mais dando audiência. Principalmente nos cinemas. Com Obama eleito e uma crise econômica aterradora, os americanos não queriam ver o fracasso de sua política externa na sala escura de cinema. Guerra ao terror rompeu 2008 sem distribuição, e o filme, que deveria ser lançado no final do ano, ficou para 2009.
Bigelow e seus produtores associados submeteram o filme a mais alguns festivais, bem menos prestigiados do que Veneza e Toronto, para ver se conseguiam viabilizar o lançamento do filme. Guerra ao terror foi exibido em Seattle, Mar Del Plata e Dallas e não conseguiu nenhum negócio. A red light production que esteve envolvida no projeto desde o inicio resolveu lançar o filme em circuito limitado no verão americano como alternativa aos blockbusters que inundavam o país. Deu certo. O filme recebeu ótimas criticas e foi apontado como uma das melhores produções do ano. No Brasil, como em outras partes do mundo, o filme não chegou aos cinemas tendo ido direto para o mercado de home/vídeo. A Imagem filmes adquiriu os direitos sobre o filme.
Parece improvável que Guerra ao terror seja hoje apontado como um dos favoritos ao Oscar. Há quem dê como certa, inclusive, a indicação de Bigelow para melhor diretora. Se esse fato se confirmar, ela será a quarta mulher a obter tal distinção.
O lançamento do filme coincidiu com a percepção de estúdios e produtores de que o Iraque não estava mais dando audiência. Principalmente nos cinemas. Com Obama eleito e uma crise econômica aterradora, os americanos não queriam ver o fracasso de sua política externa na sala escura de cinema. Guerra ao terror rompeu 2008 sem distribuição, e o filme, que deveria ser lançado no final do ano, ficou para 2009.
Bigelow e seus produtores associados submeteram o filme a mais alguns festivais, bem menos prestigiados do que Veneza e Toronto, para ver se conseguiam viabilizar o lançamento do filme. Guerra ao terror foi exibido em Seattle, Mar Del Plata e Dallas e não conseguiu nenhum negócio. A red light production que esteve envolvida no projeto desde o inicio resolveu lançar o filme em circuito limitado no verão americano como alternativa aos blockbusters que inundavam o país. Deu certo. O filme recebeu ótimas criticas e foi apontado como uma das melhores produções do ano. No Brasil, como em outras partes do mundo, o filme não chegou aos cinemas tendo ido direto para o mercado de home/vídeo. A Imagem filmes adquiriu os direitos sobre o filme.
Parece improvável que Guerra ao terror seja hoje apontado como um dos favoritos ao Oscar. Há quem dê como certa, inclusive, a indicação de Bigelow para melhor diretora. Se esse fato se confirmar, ela será a quarta mulher a obter tal distinção.

Desarmando bombas em território hostil: um filme que não esconde o jogo
O segredo do sucesso
Para entender o porquê de tamanha comoção em torno do filme é preciso, obviamente, assisti-lo. Mas é possível cercar as razões que fazem de Guerra ao terror o sucesso que é. A primeira delas é a honestidade do relato. Não existem virtuosismos e elaborados exercícios de estilo, há uma história sobre homens às voltas com um conflito para o qual não há preparo específico e satisfatório e sobre os efeitos desse conflito neles. Sabe aquelas noticias que recebemos, já anestesiados, sobre bombas que explodiram no Iraque e mataram dezenas? Em Guerra ao terror, acompanhamos Owen, James e Sanborn, três homens, cuja missão é justamente desarmar essas bombas em terreno hostil. As atuações são vigorosas, mas se a história não fosse contundente o suficiente e o trabalho de Bigelow responsável como é, Guerra ao terror não seria tão bem sucedido dramaticamente. É difícil entender o porquê da rejeição à fita pelos executivos incumbidos de fazer bons negócios nos festivais de cinema. A lição que a academia deu esse ano com a premiação de Quem quer ser um milionário? (de que o cinema independente pode ser uma alternativa de sucesso) ainda não foi bem absorvida pela indústria como um todo. Guerra ao terror é um filme barato, bem realizado e com um discurso bem definido, em muitos termos é ainda superior ao vencedor do Oscar desse ano. Quem vê o filme, e entende minimamente de cinema, percebe isso. Precisa-se de olheiros em Hollywood.
Critica -Por trás da guerra!
A guerra de uma maneira em geral, e o Iraque em particular, dão ao cinema material dramático de primeira linha para se trabalhar. Depois do intenso No vale das sombras, um outro filme a abordar o conflito no Iraque de maneira diferenciada chama atenção. Guerra ao terror (The hurt Locker, EUA 2009) dirigido pela competente Kathryn Bigelow mostra o cotidiano de soldados, cuja missão é desarmar bombas.
A fita, que é independente e começou sua carreira internacional no festival de Toronto em 2008, é um poderoso estudo do quão desestabilizador e irreversível é uma guerra e o filme, sob uma perspectiva para lá de original, devassa com uma simplicidade narrativa ímpar os efeitos destrutivos de se “viver” uma guerra.
A fita de Bigelow, que por sinal apresenta um filme coeso, enxuto e pulsante, escancara os intestinos da guerra. Homens despreparados, acuados, viciados em adrenalina, temerosos, receosos, traumatizados, enfim, cada personagem que surge no decorrer da fita traz consigo um sentido, um comentário tão perene quanto robusto sobre o caos de ser o inimigo. De viver entre a vida e a morte todo o dia.
Guerra ao terror concilia com plenos méritos ação e suspense, em escaladas cada vez maiores, com o drama de seus personagens. Um trabalho vistoso de direção. Vistoso também é o desempenho de Jeremy Renner, como um sargento veterano, cuja metodologia vai de encontro à de seus parceiros de pelotão. Renner brilha intensamente. Aliás, é dele uma das melhores falas do filme. Uma fala que mimetiza o sentido da fita. Perguntado por um superior hierárquico, impressionado com sua atuação no desarme de uma bomba em um prédio da ONU, sobre qual a melhor forma de se desarmar uma bomba, ele diz: “do jeito que você não morre senhor!” Fulminate. Um adjetivo que fica com você após ver esse filme.
A guerra de uma maneira em geral, e o Iraque em particular, dão ao cinema material dramático de primeira linha para se trabalhar. Depois do intenso No vale das sombras, um outro filme a abordar o conflito no Iraque de maneira diferenciada chama atenção. Guerra ao terror (The hurt Locker, EUA 2009) dirigido pela competente Kathryn Bigelow mostra o cotidiano de soldados, cuja missão é desarmar bombas.
A fita, que é independente e começou sua carreira internacional no festival de Toronto em 2008, é um poderoso estudo do quão desestabilizador e irreversível é uma guerra e o filme, sob uma perspectiva para lá de original, devassa com uma simplicidade narrativa ímpar os efeitos destrutivos de se “viver” uma guerra.
A fita de Bigelow, que por sinal apresenta um filme coeso, enxuto e pulsante, escancara os intestinos da guerra. Homens despreparados, acuados, viciados em adrenalina, temerosos, receosos, traumatizados, enfim, cada personagem que surge no decorrer da fita traz consigo um sentido, um comentário tão perene quanto robusto sobre o caos de ser o inimigo. De viver entre a vida e a morte todo o dia.
Guerra ao terror concilia com plenos méritos ação e suspense, em escaladas cada vez maiores, com o drama de seus personagens. Um trabalho vistoso de direção. Vistoso também é o desempenho de Jeremy Renner, como um sargento veterano, cuja metodologia vai de encontro à de seus parceiros de pelotão. Renner brilha intensamente. Aliás, é dele uma das melhores falas do filme. Uma fala que mimetiza o sentido da fita. Perguntado por um superior hierárquico, impressionado com sua atuação no desarme de uma bomba em um prédio da ONU, sobre qual a melhor forma de se desarmar uma bomba, ele diz: “do jeito que você não morre senhor!” Fulminate. Um adjetivo que fica com você após ver esse filme.
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