
O sucesso foi acachapante. Tropa de elite virou fenômeno pop. Alastrou bordões a torto e a direito e promoveu o mais improvável dos heróis nacionais ao Olimpo, o capitão Nascimento. O segundo filme está em produção, irá se passar dez anos depois dos eventos do primeiro filme (o que nos coloca no ano de 2007) e Nascimento (personagem de Wagner Moura) já será coronel. A corrupção que permeia polícia e Estado continuará sendo o foco deste segundo filme.
O primeiro filme, premiado com o Urso de ouro no festival de Berlim de 2008, se debruçava sobre os intestinos da polícia militar carioca. Sobre a precariedade da estrutura do órgão, da falta de planejamento e inteligência no combate ao crime e da péssima qualificação dos homens destacados para fazê-lo. Conforme instruí o capitão Nascimento logo nos primeiros instantes do filme, “ninguém quer subir no morro para morrer, então policiais e traficantes chegam a um denominador comum”. O salário, no valor de R$ 900 na época em que se passava o primeiro filme (1997), não ajuda na prevenção dessa tragédia social anunciada. O BOPE (batalhão de operações policias especiais) é uma divisão de elite da polícia militar carioca, da qual o capitão Nascimento faz parte. Nesse batalhão dentro do batalhão, se ganha melhor (mas não tanto) e zela-se pela “pureza” da polícia. Ou seja, no BOPE não entra corrupto. Pelo menos essa é a afirmação de Rodrigo Pimentel, autor do livro em que o filme se baseia.
A truculência com que o BOPE age no combate ao crime incomodou sociólogos, filósofos e demais observadores sociais. O BOPE do filme, é bom que se diga. Tropa de elite foi acusado de ser fascista e de fazer apologia de um estado policialesco. Com toda a estranheza que o termo sugere.
Capitão Nascimento: Elevado ao status de herói por uma sociedade que se exime de responsabilidades“A vingança da classe média”, esbravejaram uma porção de revoltosos no festival do Rio de 2007. Tropa de elite não é nada disso. É um filme que toca na ferida com a isenção e a coragem necessárias para fazê-lo. Evita discursos demagógicos e sublinha a verdade, cujos olhos teimam em desviar. No ciclo do tráfico de drogas, todo mundo tem sua responsabilidade. Desde o Estado leniente até o playboy e a patricinha que gostam de “tirar onda”. Um filme corajoso o suficiente para não assumir pontos de vista. A verdade dos fatos surge da força da história, da vivacidade de seus personagens e da contundência do registro. José Padilha não protege seu “anti-herói” capitão Nascimento. Quem o faz é o povo brasileiro em mais uma distorção que só corrobora a tese aventada no filme. A de que nos recusamos a assumir a responsabilidade pelos nossos atos. A de que os valores morais colidem com nossos anseios primitivos. Tropa de elite não é sucesso de público por nenhum desses méritos. É sucesso por ser cinema de ação convincente produzido no Brasil, pela força das atuações, pela catarse coletiva com que acena e por tratar de temas bem brasileiros (a corrupção e a violência). É justo que seja sucesso em virtude desses fatores, mas não é justo que esses fatores afastem do público o real sentido de ser da fita. Mas como Tropa de elite muito acertadamente enfatiza, esse não é um mundo justo.
José Padilha recebe o urso de ouro em Berlim: Consagração em um júri presidido por um notório esquerdista, o cineasta Costa Gravas. Caia ali, em definitivo, a pecha de que o filme era um veículo fascitaPara ler: Elite da tropa, de Luis Eduardo Soares, André Baptista e Rodrigo Pimentel , editora Objetiva
Para ver: The Shield (série de TV com as sete temporadas produzidas disponíveis em DVD para venda e locação)
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Essa é a última edição da seção PARA EXPLICAR O MUNDO. A partir do mês que vem, a seção dá vez a nova coluna, Numerologia, que já estréia no final deste mês. Isso provocará um rearranjo no line up das colunas e seções de Claquete. A partir de maio as colunas e seções mensais ficam assim:
1a semana = Grandes momentos do cinema
2a semana = Movies great partnerships
3a semana = tira teima
4a semana = Numerologia
As demais colunas e seções permanecem com sua periodicidade inalterada.


m o é, mas na superfície não parece), ajuda a conquistar o voto de democratas e republicanos que costumam rejeitar filmes que apresentem um discurso radical. Tanto o é, que em 82 anos de Oscar, Guerra ao terror é apenas o quarto filme de guerra a ganhar o Oscar de melhor filme. Um fato que contradiz a tese de que esses filmes são sempre certezas no Oscar. Fato é que há democratas e republicanos suficientes na academia para garantir que filmes de guerra com discursos ajustados a um outro ideário recebam indicações, mas não há número suficiente para impor a vitória de um filme assim. Kathryn Bigelow, evitando futucar feridas, agradou as duas linhas políticas que existem na academia. Essa política (sempre essa tão devassada arte das relações humanas) também foi preponderante para o triunfo de Guerra ao terror. 





