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sábado, 25 de setembro de 2010

Cantinho do DVD

Com o principal lançamento do mês nos cinemas (Wall street- o dinheiro nunca dorme), e de volta a seu personagem mais célebre (o yuppie Gordon Gekko), convém dar uma espiada em outro grande momento do ator Michael Douglas. Em Garotos incríveis, destaque desta semana de Cantinho do DVD, Michael Douglas vive Tripp, um professor universitário que outrora experimentara o sucesso editorial e que hoje não sabe muito bem como ajustar suas expectativas e sua perspectiva. O filme de Curtis Hanson (diretor que flagra como poucos períodos de ebulição emocional) é um achado em termos de abordar questões essencialmente dramáticas de maneira otimista e solar. Um filme contagiante que tem uma das melhores atuações de Michael Douglas no cinema (o ator foi indicado ao Globo de ouro pelo papel).


Ficha técnica:

Título original: Wonder boys
Direção: Curtis Hanson
Roteiro: Steve Klobes
Elenco: Michael Douglas, Tobey Maguire, Katie Holmes, Robert Downey Jr. e Frances McDormand
Gênero: drama
Duração: 113 min
Estúdio: Paramount e Mutual Pictures
Status: disponível em DVD e Blu-ray para venda e locação
Sell thru: (preço médio)
DVD simples: R$ 19,90
Blu-ray: R$ 99,90

 


Crítica

Captar a essência de crises e angústias existenciais é uma vocação cinematográfica que nem sempre resulta em um filme de qualidade. Ressonante e sincero na proposta e reflexivo e inteligente em seu desenvolvimento. Garotos incríveis (Wonder boys, EUA 2000), novo filme do diretor de Los Angeles: cidade proibida, Curtis Hanson, tem essa particularidade que o precede.
 O filme que acompanha um final de semana atípico na vida de um professor universitário que certa vez escreveu um best seller e não consegue finalizar seu segundo livro é um retrato tenro do amadurecimento tardio. Do emparelhamento de emoções e de como elas servem a propósitos que vão de encontro com nossas escolhas. Hanson evita as escolhas óbvias em filmes do gênero e mistura elementos de um buddy movie a uma típica comédia de erros americana. Michael Douglas assume com impensável leveza, sem prescindir da sofisticação que lhe é característica, o papel do professor universitário que em um mesmo fim de semana tem de lidar com um aluno genial, mas arredio, com uma aluna apaixonada, com seu editor bom vivant que se sente pressionado, com a reitora, de quem é amante, lhe dando um ultimato e com uma série de eventos que se interrelacionam como desdobramentos naturais desse fim de semana faustiano.
Garotos incríveis traz desempenhos contagiantes de um elenco sem vaidades. Tobey Maguire cativa com seu registro curioso e complacente de um jovem prodigioso, mas sem referências firmes. Robert Downey Jr. empresta uma veia sarcástica ao contraponto do personagem de Douglas na figura de seu editor e as atrizes Katie Holmes e Frances Mcdormand também têm bons momentos.
Em última análise esse é um filme que aborda uma questão constante no cinema de uma maneira fresca. Solar. É um senhor alento para a produção hollywoodiana embalada pela brilhante música composta por Bob Dylan, Things have changed.

Michael Douglas comove e diverte na pele de Tripp

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ESPECIAL WALL STREET - O DINHEIRO NUNCA DORME: TOP 10

Os dez grandes personagens da carreira de Michael Douglas

10 – Steven Taylor (Um crime perfeito, EUA 1998)
Na pele de um magnata, que para se safar de dívidas trama a morte da própria mulher com o amante da mesma, Douglas brinca com as referências que o próprio galvanizou no cinema dos anos 80.

9 - Oliver Rose (A guerra dos Roses, EUA 1989)
As batalhas conjugais nunca mais foram as mesmas depois dos Roses. Na perola do humor negro dirigida por Danny DeVitto, Michael Douglas e Katherine Turner dão vida a um casal que vai se destruindo aos poucos. Douglas encarna o tipo suburbano com insuspeita naturalidade.

8 – Robert Wakefield (Traffic, EUA 2000)
Na pele de um juiz federal que está a frente de uma poderosa campanha contra a proliferação das drogas que tem a rotina familiar transformada ao saber que sua filha é dependente química, o ator faz muito com pouco. Apesar do papel pequeno, Douglas consegue além de cativar a audiência, marcar com seu personagem.

7 – Dan Gallagher (Atração fatal, EUA 1987)
Um verdadeiro clássico do cinema thriller erótico que Hollywood produzia aos montes no final dos anos 80 e inicio dos 90. Aqui Douglas faz o cara que tem um casamento sólido, uma vida bem estabelecida e trai sua mulher, simplesmente pela oportunidade ter aparecido. Douglas dá a cara para bater ao mostrar o enfado sexual de uma geração.

6 – Presidente Andrew Sheperd (Meu querido presidente, EUA 1995)
Existem atores que tem que viver um presidente americano. Michael Douglas é um deles. Numa comédia romântica ambientada na Casa Branca e com o cotidiano de um chefe de estado como pano de fundo, Meu querido presidente é um entretenimento dos mais suaves e charmosos. Na figura do honesto e atencioso Andrew Sheperd, Douglas não precisa se esforçar para convencer como um presidente solteirão capaz de cancelar uma reunião de estado para não deixar a namorada jantar sozinha.

5 – Nick Curran (Instinto selvagem, EUA 1992)
Talvez você não tenha notado Michael Douglas nesse filme, mas ele está firme e forte como o policial machista feito de fantoche pela loira fatal vivida por Sharon Stone. Michael Douglas capricha na canastrice no papel mais desejado pelos homens da face da terra naquele começo dos anos 90.

4 – Tom Sanders (Assédio sexual, EUA 1994)
Vivendo mais um tipo sacana em sua carreira, o ator faz um pai de família que reencontra uma antiga paixão no trabalho. A antiga paixão, que é sua nova chefe, o assedia. Embora tentado, Sanders resiste e então a personagem de Demi Moore o acusa de assédio sexual. Uma brincadeira metalinguística do diretor Roger Donaldson ao escalar o ator de Atração fatal e Instinto selvagem para ser a “vitima” aqui. Douglas, com sua kilometragem, sai-se muito bem.

3 – Professor Grady Trip (Garotos incríveis, EUA 2000)
Talvez a melhor performance da carreira do ator seja esta aqui. Em que vive um professor universitário cercado pelos seus problemas e pelos de seus alunos. Douglas se despe daquelas referências que galvanizou nos anos 80 e abraça um personagem totalmente incomum em sua filmografia. E o faz com o coração.

2 – Willian Foster (Um dia de fúria, EUA 1993)
Aqui o ator faz o cidadão comum levado ao extremo. No icônico Um dia de fúria, testemunhamos Willian Foster dizendo “chega”. “Não tolero mais!” Até hoje a catarse mais significativa e contundente a emergir das telas do cinema.

1- Gordon Gekko (Wall street – poder e cobiça, EUA 1987 e Wall street – o dinheiro nunca dorme, EUA 2010)
Não tem jeito. Esse será o personagem pelo qual Michael Douglas será lembrado na posteridade. Não só por ter lhe valido o Oscar, mas por ter sido este o filme que lhe deu status de astro de cinema e, ao mesmo tempo, de ator sério. Michael Douglas é indissociável da figura de Gordon Gekko. Ou seria o contrário?