Mostrando postagens com marcador Jessica Chastain. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jessica Chastain. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de julho de 2013

Espaço Claquete - Em busca de um assassino


Selecionado para o festival de Veneza de 2011, Em busca de um assassino (Texas killing fields, EUA 2011), estreia na direção de Ami Canaan Mann (filha do cineasta Michael Mann) é um filme que pesa no contraditório. É perceptível que se trata de um filme que almeja ir além da nomenclatura de fita policial, mas falta à cineasta desenvoltura para filtrar as gorduras de um roteiro que atira para todos os lados e acerta muito pouco.
O roteiro de Don Ferrarone, inspirado em eventos reais, investe na relação passional dos policiais destacados para investigar uma série de crimes cometidos por um serial killer nas cercanias do Texas. O roteiro quer cobrir desde as dificuldades burocráticas da investigação, da falta de recursos e colaboração de moradores das castas mais baixas aos desafios jurisdicionais, a conflitos mais emocionais, como dois detetives divorciados que precisam colaborar ou a angústia de um detetive com forte vocação religiosa.
Mann não consegue direcionar seu filme e o deixa refém de um roteiro pretensamente multifacetado, mas que na realidade é apenas bagunçado. Se essa falta de pulso compromete o resultado desse seu primeiro filme, é possível vislumbrar talento na diretora estreante. Se não tem o apuro visual do pai, Mann é sagaz em aferir intensidade a cenas estratégicas da narrativa. A percepção do que e quando adensar e de quando intervir menos é algo que muitos veteranos ainda fraquejam. Sob essa perspectiva, portanto, trata-se de uma estreia promissora.
Brian (Jeffrey Dean Morgan) é um detetive que veio de Nova Iorque para o Texas e não esconde a obsessão em capturar um assassino que mata mulheres e desova seus corpos pelo Estado do Texas. Seu parceiro, Mike (Sam Worthington), mais cético em relação a seu trabalho e sua relação com ele, não aprova esse afinco todo em capturar o bandido e prefere ater-se aos problemas de sua jurisdição. Sua ex-mulher (Jessica Chastain), detetive em outro condado, compartilha da obsessão de Brian e, por mais essa razão, apresenta problemas de comunicação com o ex-marido.
Há pouco suspense e o desfecho é consideravelmente previsível para um filme que “esconde o ouro”. Isso para um filme que ergue toda a sua dramaturgia a partir da referida investigação é um problema sério.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Crítica - Mama

Terror interno

Em mais de uma oportunidade, o produtor Guillermo Del Toro disse, em entrevistas promocionais, que o que o atraiu em Mama (EUA/ESP/CAN 2013) foi a "ideia de uma mulher lutando literalmente contra ser mãe. Fisicamente rejeitando essa possibilidade". Além de ser uma leitura saborosa do conflito da personagem de Jessica Chastain no filme, reside nesta abordagem de fundo psicológico e emocional a força de Mama enquanto cinema. Ao abraçar esse subtexto do filme de Andrés Muschietti, em uma estreia robusta no cinema, o espectador irá se deparar com um tipo de terror muito mais genuíno e prolixo. O poder de uma emoção, seja um trauma violento ou o desejo de pertencer a uma família, é o motor do desenvolvimento do roteiro e a chave do, até certo ponto, anticlimático desfecho.
Mama começa com um prelúdio devastador. Um homem mata seu sócio, a esposa e sequestra as duas filhas pequenas para matá-las e depois se suicidar. Um acidente os leva a uma cabana retirada onde ele decide levar seu plano a cabo. No entanto, uma criatura o mata impedindo que ele faça mal às duas meninas, Lilly (Isabelle Nélisse) e Vitória (Megan Charpentier).

Jessica Chastain está perfeita no papel de uma mulher que resiste à condição de ser mãe: um filme que investiga sob a ótica do terror traumas e angústias 

Passam-se cinco anos e sabemos que o irmão desse homem, o desenhista Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) jamais desistiu de procurar por suas sobrinhas e financia um grupo independente para tanto. Certo dia eles a acham e elas estão completamente animalizadas. Resgatadas, inicia-se um intenso tratamento psicológico para tentar recuperar a humanidade nas meninas que sobreviveram por cinco anos se alimentando basicamente de cerejas e, algo que vai se desvendando aos poucos, sob a proteção de Mama – a tal da criatura vista pela primeira vez na cabana e assim nomeada pelas meninas.
Muschietti não faz um filme de terror enclausurado em si. Ainda que apresente recursos sonoplastas aqui e acolá e pregue sustos circunstanciais, Mama é um filme sobre o terror interno. De uma mulher que não quer ser mãe, e o desenho da personagem Annabel, uma roqueira cheia de atitude e com certa descompostura, é muito bem delineado por Chastain; e sobre a proeminência de um trauma tão profundo e remissivo como o abandono que aflige essas duas crianças. A figura catalisadora de Mama, também ela com uma história traumática, torna tudo mais catártico. Um personagem, em um dado momento do filme, define: “um fantasma é uma emoção deformada”. É de emoções deformadas que trata Mama. Tudo pela ótica inusitada do terror. O que faz do filme de Muschietti uma das melhores surpresas do ano no cinema. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja das atrizes

Da esquerda para a direita: Jennifer Lawrence (O lado bom da vida); Naomi Watts (O impossível); Jessica Chastain (A hora mais escura); Emmanuelle Riva (Amor); Quevenzhané Wallis (Indomável sonhadora)



Realidade Watts

Naomi Watts é ótima atriz. Fato é que parece um tanto injusto que a inglesa radicada na Austrália conquiste pelo papel da mãe de uma família que luta contra um devastador tsunami em O impossível apenas sua segunda indicação ao Oscar. No entanto, se depender da sucessão de personagens fortes decalcadas da realidade, Watts deve voltar mais vezes ao Oscar nos próximos anos. Depois da Maria de O Impossível, vem a Diana – a princesa da vida real – e Marilyn – a princesa do cinema.

Prós:
- Apresenta uma atuação visceral em um filme que depende muito de sua personagem
- Esteve presente em todas as premiações majors do ano
-Conta com o apoio de muitos atrizes vencedoras do Oscar que fazem campanha por sua vitória, como Reese Whiterspoon e Angelina Jolie
- O tema do filme favorece uma percepção mais emocional de sua performance
-Pode se beneficiar de um racha que desde o início se anuncia entre as candidatas mais fortes na categoria

Contras:
- O tema do filme favorece uma percepção mais emocional de sua performance
- A pecha de que a indicação já é suficiente
-Em um ano em que todas as candidatas são de alguma maneira hypadas não apresenta hype nenhum
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
-Muitos podem entender que a força de sua performance pode ser creditada aos efeitos especiais e maquiagem

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por 21 gramas (2004)

Favorita com muito prazer

Ela é dona da melhor performance entre as indicadas, mas não é a favorita por causa disso. Jennifer Lawrence, um dínamo como a viúva bipolar de O lado bom da vida, é favorita porque tomou Hollywood de assalto com seu carisma, talento e beleza. São predicados cada vez mais raros em uma mesma estrela de cinema e Lawrence entusiasma Hollywood por agregá-los com graciosidade e naturalidade. Ela dá pistas de que o Oscar pode vir quente, mas que ela seguirá fervendo...

Prós:
- Ganhou prêmios importantes na temporada como o Globo de ouro de atriz em comédia e o SAG
- Esteve presente na maioria das premiações major do ano
- É a favorita em um ano bem dividido para a categoria e isso pode desequilibrar a seu favor
- Arregaça as mangas e faz campanha pelo Oscar sem medo de ser feliz. Atores e atrizes costumam fazer campanha de maneira tímida, Jennifer faz às claras
-Faz parte do elenco mais festejado pela Academia em 31 anos
- Defende o tipo de atuação em que é o intérprete que tira o personagem do lugar comum. O departamento de atores da Acadêmia costuma responder positivamente a esse perfil de atuação

Contras:
- O fato de ter outra “nova queridinha de Hollywood” na categoria (Jessica Chastain) que pode lhe roubar votos
- Atrizes por comédias não costumam ser premiadas nessa categoria
- É muito jovem e há muitos que pensam que precisa se maturar mais como atriz para ganhar um Oscar
- Muitos podem se ressentir do fato que faz campanha pelo prêmio descaradamente

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por Inverno da alma (2011)

Eficiência ruiva

Jessica Chastain talvez seja a melhor, em termos de regularidade, entre as indicadas. Desde que despontou para o cinema – em meados de 2011 – ela está sempre bem em cena. Algo que não necessariamente ocorre com suas concorrentes. Até mesmo em virtude do ostensivo volume de trabalho de Jessica no período. Foram 12 filmes em três anos. Como a agente da CIA determinada a matar Osama Bin Laden em A hora mais escura – pela qual obtém sua segunda (e consecutiva) indicação ao Oscar – curiosamente é seu trabalho mais desalentador. Ela não chega a estar ruim, mas certamente não está bem. A indicação veio na esteira da já comprovada eficiência.

Prós:
- Assim como Lawrence é a nova darling de Hollywood
- Diferentemente de sua principal rival, já está na faixa dos 30 anos e, para muitos votantes, premiável
- Sua personagem é o eixo central do filme, apenas Quvenzhané Wallis, que tem 9 anos, defende um personagem com essa característica
-Ganhou o Critic´s Choice Awards e o Globo de Ouro de melhor atriz em drama
- É extremamente simpática e humilde

Contras:
- A superexposição pode lhe custar votos invejosos
- Não ganhou o SAG
- O fato de A hora mais escura passar longe da unanimidade que se esperava pode afugentar alguns votos decisivos
- A pecha de que duas indicações consecutivas é distinção suficiente para uma atriz que “nasceu ontem”

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz coadjuvante por Histórias cruzadas (2012)

Para fazer história

A francesa Emmanuelle Riva foi considerada por setores da imprensa cultural americana como uma das revelações de 2012 no cinema. Uma desinformação que beira o desrespeito para uma atriz de vasta bagagem no cinema francês e também em outras cinematografias europeias como a polonesa e austríaca. Aos 85, como a adoentada octogenária de Amor, Riva brilha e entra na disputa para fazer história no Oscar, no dia que completa 86 anos, como a mais velha atriz a vencer o prêmio da Academia.

Prós:
- Faz aniversário no dia do Oscar, sempre um bom presságio
- A disposição reiterada nos últimos anos da Academia de premiar intérpretes estrangeiros
- Defende uma atuação emocional, ainda que desprovida de emotividade. Uma equação que só os grandes atores são capazes de solucionar
- Ganhou o Bafta
- A forte presença de Amor no Oscar chama ainda mais atenção para sua performance
-Ganhou prêmios de importantes e influentes associações de críticos dos EUA
- A força com que se estabeleceu na disputa pode induzir sua vitória
- O irresistível apelo que seria estabelecer um novo recorde no Oscar

Contras:
- Não foi indicada ao Globo de Ouro e nem ao SAG. Nenhuma atriz ganhou o Oscar sem constar de, pelo menos, uma dessas duas premiações
- A atuação em língua estrangeira pode esbarrar em preconceitos
- Diferentemente de Marion Cotillard, que já estava inserida na indústria americana, Riva – até por questão de idade – não alimenta essa expectativa
- Compete contra duas darlings hollywoodianas

Primeira indicação

Para fazer história II

Quvenzhané Wallis é uma força da natureza em Indomável sonhadora e o Oscar adora crianças. Já foram muitas as nomeadas ao longo dos anos, mas Wallis estabelece com sua indicação um recorde difícil de ser quebrado; e pode fazer mais. Se ganhar, com apenas 9 anos, é possível que ostente esse recorde para toda a eternidade.

Prós:
- A atuação de Wallis é um encanto, acredite-se ser uma atuação ou não, difícil de se resistir
- O irresistível apelo que seria estabelecer um novo recorde no Oscar

Contras:
- É demasiadamente jovem até mesmo para entender a dimensão do que é ser uma vencedora do Oscar
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento mais do que suficiente
- A percepção de que mais reage ao proposto pelo diretor do que atua pode não ter sido suficiente para deixá-la de fora da lista, mas pode ser para deixa-la sem o prêmio

Primeira indicação


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Crítica - A hora mais escura


Entre a cruz e a espada

Grande fomentador de polêmicas, A hora mais escura (Zero dark thirty, EUA 2012) não merece grande parte delas. Ao focar na caçada a Osama Bin Laden pelos EUA, Kathryn Bigelow simplifica alguns temas complexos pelos quais perpassa e o faz de maneira oportunista. Ela e Mark Boal, roteirista do longa, logo anunciam em meio a vozes do 11 de setembro que se trata de um filme-reportagem, baseado em fatos que ocorreram e foram colhidos por Boal, jornalista que já cobriu a ação americana no Afeganistão, mas também reclamam a liberdade de uma obra de ficção. Esse oportunismo custa caro a A hora mais escura. Primeiro porque falta interpretação ao filme – e por isso serve de combustível tanto para quem vê legitimidade no uso da tortura para combater o terrorismo como para quem condena essa prática. O filme não defende a tortura como muitos rotularam desde que foi lançado nos EUA, tampouco a condena. É apenas um registro oportunista e sem profundidade das escamas da guerra ao terror. Talvez por isso Bigelow, nas constantes defesas em que se viu incumbida de fazer do filme desde que ele foi lançado, morda e assopre conservadores e liberais. O problema estrutural de A hora mais escura não é seu aparente apartidarismo, é flagrante a simpatia da realização pela gestão Obama, mas a pobreza de contextualização filosófico-sociológica com a qual encampa o flagelo americano na guerra ao terror em geral, e na obsessão com Bin Laden, em particular.  Nesse sentido, a performance de Jessica Chastain é eloquente. Ótima atriz, Chastain – indicada ao Oscar por razões que excedem seu trabalho aqui – está deslocada. Pouco convincente como uma agente da CIA que vai se transformando e endurecendo à medida que a caçada a Bin Laden avança em anos. Chastain não consegue interiorizar os conflitos éticos e morais de um país e, dessa maneira, torna-se uma espécie de relatoria do filme – que padece do mesmo problema.

Jessica Chastain e Kyle Chandler: o elenco coadjuvante não decepciona, mas a atriz não acerta o tom do registro

O que não quer dizer que o trabalho de Bigelow e Boal seja ruim. O roteiro de A hora mais escura é muito bem estruturado nos recortes temporais que faz; nas associações que projeta e nas adversidades em que joga luz. Bigelow, por sua vez, dirige com a firmeza e economia de emoções necessárias para um drama como o que A hora mais escura pretende ser.
Mesmo assim, ela não resiste à auto-adulação. Como A hora mais escura fracassa em estabelecer um discurso vívido e ressonante, Bigelow conclama o saldo de Guerra ao terror, no comentário final que avaliza com a última cena – sendo que essa conclusão funciona muito mais lá do que cá. Incidir que a América é um país beligerante e que depois do 11 de setembro mergulhou em uma obsessão que ceifa muitos dos próprios ideais americanos é um discurso prévio ao filme e que este falha em dimensionar.
Se se preocupasse menos em ser uma versão fiel dos fatos, A hora mais escura talvez fosse um filme mais verdadeiro. Se quisesse de fato discutir a obsessão americana com o terrorismo, o faria com mais criticismo e menos empenho em parecer verossimilhante. Para um filme-reportagem, A hora mais escura é uma ficção problemática. Para uma obra de ficção, é pouco contundente em suas proposições.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Filme em destaque - A hora mais escura


Chris Pratt e Joel Edgerton em cena do novo e comentado filme de Kathryn Bigelow sobre a caçada a Osama Bin Laden. Filme, que concorre a cinco Oscars, gerou mais polêmicas do que a própria ação que matou o terrorista


“É o elenco masculino mais bonito jamais reunido em um filme”. Escreveu a crítica de cinema Sasha Stone do blog Awards Daily sobre A hora mais escura, que foi listado por ela, por razões totalmente diversas da beleza de seu elenco masculino, como um dos melhores filmes de 2012. O filme de Kathryn Bigelow, que estreia nos cinemas brasileiros nessa sexta-feira com a força de suas cinco indicações ao Oscar (filme, atriz para Jessica Chastain, roteiro original, montagem e edição de som), de fato reúne um numeroso elenco e com proeminência masculina. Jason Clarke, Mark Strong, Kyle Chandler, Alexander Karim, Edgar Ramirez, James Gandolfini, Joel Edgerton, Mark Valley e Chris Pratt são os nomes que validam (ou não) a afirmação de Sasha Stone.

Mudança aos 45 do segundo tempo
O elenco, no entanto, não foi a maior das preocupações de Kathryn Bigelow na confecção de A hora mais escura. Desde o Oscar conquistado em 2010 por Guerra ao terror, Bigelow e seu atual namorado, o jornalista, roteirista e produtor Mark Boal, alimentavam a ideia de fazer um filme sobre a busca por Osama Bin Laden. A outra ideia era fazer um filme sobre o tráfico de drogas na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Esse projeto ficou para depois. Quis o destino que o projeto escolhido para dar sequência ao premiado Guerra ao terror sofresse profundas mudanças estruturais já sendo desenvolvido. Isso porque o presidente Barack Obama anunciou em maio de 2011 que os EUA haviam achado e matado o terrorista mais procurado do mundo. “Tivemos que mudar tudo”, disse Bigelow ao Los Angeles Times. “Mas a essência da história continua a mesma”.
A personagem de Jessica Chastain, a obstinada agente da CIA Maya, é um decalque de muitos personagens aos quais Mark Boal teve contato em sua pesquisa, mas a figura central é uma mulher que esteve envolvida durante dez anos na investigação que culminou na morte de Bin Laden. Jessica Chastain foi sempre a opção número um de Bigelow para viver essa personagem. Bigelow ligou pessoalmente para Chastain para lhe apresentar o projeto.

As faces da polêmica
A hora mais escura se consagrou o filme mais premiado pela crítica em 2012. No início da temporada de premiações muitos criam que o feito conquistado pelo time Bigelow/Boal com Guerra ao terror se repetiria. Os responsáveis pelo filme vendiam a ideia de filme –reportagem, e destacavam que o roteiro refletia intenso trabalho investigativo e de pesquisa. Essas declarações motivaram uma primeira resposta da CIA desautorizando o filme como fonte fidedigna do que de fato aconteceu em relação à captura de Bin Laden. Depois, o Senado americano quis saber se a produção do filme teve acesso a documentos sigilosos. Comissões do congresso passaram, então, a se interessar por um debate pouco conclusivo aludido pelo filme: a efetividade da tortura na ação que matou Bin Laden.
A sucessão de polêmicas obrigou Bigelow a defender seu filme e a opção por um cinema questionador. Críticos ao redor do mundo puseram em dúvida se A hora mais escura é mesmo honesto em seus questionamentos e proposições. Se não é apenas um produto oportunista. O marketing do filme, patenteou um estrategista do Oscar ouvido pelo USA Today, errou e feio na promoção do filme. Se as polêmicas custaram uma posição de maior prestígio no Oscar 2013 ao filme, só é possível especular. Certo é que elas não foram tão positivas como muitos imaginavam.
A hora mais escura, ainda que permaneça entre os dez filmes mais vistos do box office americano, não apresenta o vigor nas bilheterias que fitas envoltas em polêmicas costumam exibir. Seria o elenco masculino mais uma das infindáveis polêmicas que envolvem A hora mais escura?  

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A ruiva que quer dominar o mundo




Até pouco tempo atrás ninguém sabia quem era Jessica Chastain. Tudo mudou em 2011, um ano prolífero para ela em muitos aspectos. Com o lançamento de sete filmes, Chastain marcou presença em todos os proeminentes festivais de cinema da temporada (Berlim, Cannes, Veneza e Toronto) e integrou o elenco mais prestigiado do ano e que lhe proporcionou sua primeira indicação ao Oscar. Histórias cruzadas foi, também, uma das maiores bilheterias do ano.
Hoje, quase dois anos depois e de volta ao Oscar – dessa vez indicada como melhor atriz por A hora mais escura – Jessica Chastain é uma realidade. Atriz cortejada e disputada, Kathryn Bigelow lhe assediou pessoalmente para que integrasse o elenco de seu thriller sobre a caçada a Osama Bin Laden, se aproveita dos holofotes no cinema para encaminhar uma carreira paralela na Broadway. Lá as críticas não têm sido tão favoráveis, mas a ousadia e dedicação da atriz aliam fãs e detratores.
Linda e talentosa, Jessica Chastain admitiu em entrevista à revista Serafina que tem medo dos bons papéis cessarem de repente. A superexposição, entre 2011 e 2013 não a incomoda mais do que a falta de tempo para outras coisas além de trabalho.
Há poucas coisas programadas para os próximos anos. Em 2013, pela primeira vez, Jessica está no topo do cartaz e com a missão de segurar um filme nas bilheterias. Mama, terror produzido por Guillermo Del Toro, estreou em primeiro lugar em plena temporada de premiações, dando provas de que Jessica é mesmo um nome quente.
Setores da crítica internacional, no entanto, se preocupam com o que classificam como “os efeitos de um Oscar precoce” concedido a ela. Além da famigerada maldição do Oscar que tem acometido atrizes como Halle Berry, Jennifer Connelly, Reese Witherspoon, entre outras, ser sempre uma sombra para atrizes jovens.
Jessica, aos 35 anos, não parece se importar com essa sombra. Assume o sonho que é Hollywood e diz que ama atuar. A recíproca, ao que tudo indica, é verdadeira.

 1. Jessica sexy em ensaio para a GQ inglesa; 2. ao lado de Sam Worthington no thriller A grande mentira, um de seus muitos filmes de 2011; 3. outra vez sexy em editorial de moda da revista americana W; 4. ao lado das colegas de elenco do filme Histórias cruzadas pelo qual recebeu sua primeira indicação ao Oscar; 5. segurando o diploma entregue pela crítica de Los Angeles que a considerou a melhor atriz de 2011

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - A corrida pelo Oscar depois do anúncio dos vencedores do National Board of Review


O conjunto de críticos mais antigo do planeta, prévio inclusive à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o National Board of Review (NBR) anunciou sua lista de melhores de 2012. Vale lembrar que, historicamente, a instituição apresenta baixo índice de concomitância com os vencedores do Oscar de melhor filme. No entanto, o NBR, principalmente nos últimos anos, tem demonstrado ser um excelente termômetro para as indicações ao Oscar. Desde que a academia expandiu o limite de concorrentes na categoria de melhor filme, o NBR manteve média de 70% de acerto ao ano. Isso quer dizer que os dez filmes incluídos no TOP 10 do ano no NBR, além do eleito melhor filme, são fortes candidatos a chegarem ao Oscar.
Coisa rara, o NBR concordou com o mais politizado círculo de críticos de Nova Iorque e elegeu Zero Dark Thirty, que no Brasil se chamará A hora mais escura, o melhor filme do ano. A produção prevaleceu ainda nas categorias de direção (Kathryn Bigelow) e atriz (Jessica Chastain). Os dez filmes selecionados como melhores do ano foram Argo, As vantagens de ser invisível, Indomável sonhadora, Django livre, Os miseráveis, Lincoln, Looper, Promisse land e O lado bom da vida.

Jessica Chastain em cena de A hora mais escura: ela e o filme começam a solidificar suas candidaturas...


Looper foi eleito ainda o melhor roteiro original e O lado bom da vida, além do prêmio de roteiro adaptado, rendeu a Bradley Cooper o troféu de melhor ator do ano. Cooper, na verdade, é o grande destaque da premiação da NBR. Mais do que qualquer outra categoria de atuação, quem ganha como melhor ator no NBR entra na lista da academia. Nos últimos 12 anos, só em 2009 - quando Clint Eastwood venceu por Gran Torino – o vitorioso no NBR não foi ao Oscar.
O melhor elenco foi Os miseráveis. Leonardo DiCaprio foi eleito o melhor coadjuvante por Django livre e Ann Dowd do independente Compliance foi escolhida como a melhor coadjuvante entre as atrizes. Vale lembrar sobre esta categoria, que foi o NBR que colocou no mapa das premiações o nome de Jacki Weaver pelo independente australiano Reino animal há dois anos. No entanto, é cedo para dizer se o prêmio concedido a Dowd terá o mesmo efeito que levou Weaver ao Oscar.
O melhor filme estrangeiro foi Amour, que vai se configurando em uma das babas da temporada, e a melhor animação foi Detona Ralf.

E agora?
Analisando friamente a lista do NBR pouco muda. Há sim, aparentemente, um protagonismo do novo filme de Kathryn Bigelow entre os críticos. A exemplo do que ocorreu há três anos com Guerra ao terror. Lincoln e Os miseráveis, no entanto, parecem mais afeitos ao gosto dos sindicatos – que começam a se pronunciar na próxima semana. Se podemos apontar um vitorioso é O lado bom da vida, com uma vitória robusta de um ator de estatura artística francamente inferior a muitos de seus concorrentes, sinalizando que o filme detém uma candidatura sólida. Cooper, aliás, entrou para valer na corrida pelo Oscar. Junto com Lincoln, neste momento, a fita de David O. Russell é a que mais apresenta chances para múltiplas indicações nas categorias de atuação e talvez seja o único com possibilidades de chegar ao Oscar com chances de indicação ao Big five (filme, direção, roteiro, ator e atriz).

Robert De Niro, Bradley Cooper e David O. Russell na premiere americana de O lado bom da vida: o filme ganhou musculatura em momento importante da corrida pelo Oscar


A inclusão de Indomável sonhadora no top 10 de filmes do ano e não entre os dez melhores filmes independentes do ano também diz muita coisa. É este o filme que pode aspirar à disputa de melhor filme. Na estrada e Moonrise kingdom, relacionados entre os independentes, não são cartas fora do baralho, mas reúnem mais chances em categorias menores.
Entre os filmes estrangeiros, o alemão Barbara e o chileno No deram importante passo para construir suas candidaturas ao Oscar.
Para conferir a lista completa dos premiados, clique aqui

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - A peleja das atrizes coadjuvantes

Bérénice Bejo (O artista), Melissa McCarthy (Missão madrinha de casamento), Janet McTeer (Albert Nobbs), Jessica Chastain (Histórias cruzadas) e Octavia Spencer (Histórias cruzadas)



Multicultural

Ela já esteve em produções hollywoodianas antes, mas você não deve tê-la notado em Coração de cavaleiro. Depois de O artista, porém, será difícil não notar essa argentina naturalizada francesa. Dona de uma filmografia com 40 títulos, a atriz de 36 anos carrega latinidade na veia européia que consolidou ao estrelar produções francesas no país que adotou. Os EUA podem, finalmente, virar um destino mais comum.

Prós:
- Está no elenco do favorito ao Oscar de melhor filme
- É simpática e tem feito campanha assídua pelo Oscar
- Esteve em todas as listas de premiações majors e no Bafta foi, inclusive, indicada na categoria de atriz

Contras:
- Não é principal atuação de O artista
- O galã Jean Dujardin tem roubado as atenções nessa temporada de premiações e isso não necessariamente traz bons ventos para essa categoria
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- É estrangeira em uma categoria dominada por americanas

Primeira indicação

A diva de 2011

Parece que ninguém trabalhou mais em 2011 do que Jessica Chastain, a grande revelação do ano em termos de atuação. A indicação ao Oscar por Histórias cruzadas faz justiça a uma das atrizes mais promissoras da atualidade que, em 2011, congregou qualidade à quantidade.
Dificilmente Jessica ganhará o Oscar, mas das cinco concorrentes é a mais cotada a voltar à disputa pela estatueta em um futuro próximo.

Prós:
- Foi a grande revelação do ano
- É uma atriz de muitos recursos dramáticos e mostrou isso em diversos trabalhos no ano, nos quais trabalhou com diversos votantes da academia
- Está em dois filmes indicados ao Oscar de melhor filme
- Faz parte do elenco mais festejado do ano; pelo qual concorre ao Oscar
- É bonita e, historicamente, atrizes bonitas prevalecem nesta categoria. Nos últimos dez anos, Jennifer Connelly, Catherine Zeta Jones, Renée Zellwegger, Cate Blanchett, Rachel Weisz e Penélope Cruz foram vitoriosas
- Ganhou alguns prêmios na temporada

Contras:
- Nenhum dos prêmios que conquistou, porém, foi por Histórias cruzadas
- A celebração de sua companheira de elenco (Octavia Spencer) parece rumar para um Oscar irreversível

 Primeira indicação


A Mo`Nique do ano

Essa qualificação não é pejorativa como pode parecer em um primeiro momento. O que Octavia Spencer, favorita absoluta na categoria, faz em Histórias cruzadas talvez seja ainda mais merecedor de prêmios do que o que Mo`Nique fez dois anos atrás na oscarizada performance em Preciosa. O papel de Octavia em Histórias cruzadas é muito mais banal do que o que dispunha Mo`Nique, mas tal qual fizera Mo`Nique, Octavia o preenche de sentido e humanidade. Um trabalho notável e justamente louvado.

Prós:
- Ganhou todos os principais prêmios prévios ao Oscar
- Existe um lobby fortíssimo a seu favor, ampliado, ainda, pelas questões raciais inerentes ao filme e ao prêmio da academia
- É, de fato, uma excelente atuação e não é todo dia que uma excelente atuação prevalece no Oscar
- Seria uma forma de prestigiar o filme mais popular dessa edição do Oscar em uma eventual pulverização dos prêmios
- No histórico recente da categoria todas aquelas que chegaram como favoritas venceram
- Seus discursos de agradecimento na temporada têm contagiado os colegas. Esse apelo emocional trabalha em seu favor

Contras:
- A personagem que defende é muito previsível e isso pode desagradar considerável parcela dos votantes
- O lobby em favor da premiação de atrizes negras nesta edição do Oscar pode afugentar alguns votos importantes. Seja por racismo ou por pura incorreção política

Primeira indicação


A queridinha da América

Ela não tem o corpo de Sandra Bullock, o currículo de Meg Ryan e não ganha o cachê de Julia Roberts, mas tem a América a seus pés. 2011 foi de Melissa McCarthy. Prova disso é que, contra todos os prognósticos, ela conseguiu uma indicação ao Oscar por um papel que a academia não costuma reconhecer em um tipo de filme que é tudo, menos circunscrito às convenções do Oscar. McCarthy também acabou de ganhar um Emmy pelo papel na sitcom Mike & Molly, mas seu status em Hollywood definitivamente passou a ser outro depois dessa improvável indicação ao Oscar por Missão madrinha de casamento.

Prós:
- É azarona e tem quem goste de apostar em azarões
- A forma maiúscula como impôs sua candidatura pode influenciar alguns votos
- Seria uma escolha liberal e surpreendente e a academia anda precisando de escolhas assim

 Contras:
- É uma atriz da tv e há muito preconceito contra esse perfil dentro da academia
- Papéis cômicos não costumam ser reconhecidos pelo Oscar. Ainda mais do tipo escrachado
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Em uma grossa interpretação, é atriz de um tipo só e esse perfil de intérprete não tem tido sorte no Oscar

Primeira indicação


Travestida

A mais veterana das concorrentes é também a única que já teve o gostinho de concorrer ao Oscar antes. Janet McTeer volta à disputa pelo papel de uma mulher que se faz passar por homem no século XIX. Esse tipo de atuação costuma render bons frutos na academia. Sua parceira em cena, Gleen Close, também conquistou indicação e concorre a melhor atriz.

Prós:
- Personagens que exigem que seus intérpretes atuem travestidos costumam render bons frutos na academia. Hilary Swank ganhou seu primeiro Oscar por um papel em que fazia uma mulher que se passava por um homem em Meninos não choram (1999)
- Atua em um filme independente e a categoria tem sido suscetível a esse aspecto no histórico recente do Oscar.

 Contras:
-A pecha de que a indicação já suficiente
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- A ideia de que a interpretação pode ter sido “facilitada” pela maquiagem e vestuário

 Segunda indicação
Indicação anterior:
Melhor atriz por Livre para amar em 2000

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Crítica - Histórias cruzadas

Dramalhão cativante!

É um dramalhão? É. Mas Histórias cruzadas (The help, EUA 2011) também é um exemplar vigoroso de filme cativante. A fita de Tate Taylor, adaptada do livro de Kathryn Stockett, pertence àquela corrente de filmes que provocam restrições (justificadas) à elaboração de seus dramas, ao aspecto manipulador arredado a eles, e ao conchavo de opções discutíveis por parte da realização. Mas assim como em filmes como Tomates verdes fritos e Um amor verdadeiro, é impossível não se deixar contagiar por essa história de força, coragem e amizade no segmentado Mississipi (Estado ao sul dos EUA) dos anos 60.
Logo que pousamos os olhos em Skeeter Phelan (Emma Stone) percebemos que ela não se ajusta aquele ar blasé que caracteriza a vizinhança. Tão pouco seu gênio parece confluir com a pretensão de “caçar maridos” como um personagem qualifica as mulheres da região em certo momento. É ela quem dá início a um projeto, por certo revolucionário, que uma sagaz editora objetiva confluir com o ascendente movimento pelos direitos civis. Skeeter, que por sua vez objetiva ser jornalista ou escritora ou ambos, tem a ideia de apresentar o ponto de vista das empregadas negras da cidadezinha de Jackson em um livro. Um ultraje em uma época em que negros e brancos não podiam dividir livros, banheiros, entre outros.
O ranço escravagista ainda era nítido na cultura americana nessa época de ebulição dos movimentos pelos direitos civis e o cinema encontra nessa fornalha de boas histórias muitos grandes filmes. Não é o caso de Histórias cruzadas. No entanto, esse recorte cultural está bastante vívido no filme de Taylor.
Mas o grande trunfo de Histórias cruzadas é mesmo seu primoroso elenco. Daqueles trabalhos ornamentados pelo coração dos intérpretes que ganha ainda mais relevo pelo viés dignificante da história encenada.
Viola Davis, que concorre ao Oscar de melhor atriz, beira o sublime na composição que faz da experiente Aibileen Clark. À medida que Aibeleen abre sua intimidade para Skeeter, e por consequência para o público, mais poderosa Viola se anuncia.

Emma, Octavia e Viola em cena do filme: um elenco em estado de graça


Histórias cruzadas é mesmo um filme de mulheres fortes. Octavia Spencer brilha intensamente na pele da esquentadinha Minny Jackson. O papel é banal e previsível, mas a atriz é vívida e complexa. Ela confere humanidade e dor à personagem em uma personificação merecedora de láureas. Jessica Chastain é outro assombro. Atriz de presença desestabilizadora, ela rouba a cena sempre que aparece como a desajeitada e rejeitada socialmente Celia Foote (um sobretom do progressismo de Skeeter). Bryce Dallas Howard, que é uma das produtoras da fita, no entanto, é quem se sai melhor. Dona de um papel difícil, de forte veia caricatural, ela injeta densidade e angústia na personagem e se equipara às atrizes que defendem papéis mais simpáticos.
Um filme que cresce de tamanho esmerado em seu elenco. Esse é o saldo de Histórias cruzadas, fita que busca provocar no espectador um fiapo do êxtase que aquelas mulheres experimentaram. Consegue.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Claquete destaca - parte 2

Filmes superestimados

Cópia fiel
Por quê? Porque é movido por uma grande ideia que não se materializa em um grande filme

A árvore da vida
Por quê? A Palma de ouro em Cannes entorpeceu o olhar de muita gente...

O discurso do rei
Por quê? O filme é bom, mas os quatro Oscars que recebeu – incluindo melhor filme - estão bem acima de sua alçada


Filmes subestimados

X-men: primeira classe
Por quê? Porque embora seja um sucesso de público e crítica, não foi tomado como o grande filme político que é

Um novo despertar
Por quê? A crítica especializada preferiu enxergar o filme como uma “volta por cima de Mel Gibson” e negligenciou tantas outras virtudes da fita de Jodie Foster

Amor a toda prova
Por quê? É um filme maduro sobre o amor e suas fases e ainda consegue ser uma comédia romântica moderninha. Muita gente só percebeu a segunda parte...


Filmes incompreendidos

Cisne negro
Por quê? Apesar do sucesso de público e crítica, ainda é um filme de conotações herméticas e de difícil digestão

Amor e outras drogas
Por quê? É uma comédia dramática sobre as dificuldades de desvencilhar-se do isolamento, mas isso foi pouco percebido

Colin Firth em cena do premiado com quatro Oscars O discurso do rei: o filme é bom, mas nem tanto...


Uma cena bacana: A ponta de Hugh Jackman em X-men: primeira classe

Uma cena emocionante: Melissa Leo e Christian Bale cantando I started a Joke em O vencedor






Uma cena romântica: O flashmob em Amizade colorida

Uma cena boboca:  A reunião dos “homens da pena” em Os especialistas

Uma cena de ação: O ataque dos macacos à Ponte de São Francisco em O planeta dos Macacos: a origem
  
Uma cena para guardar na memória: O prólogo de Melancolia

O prêmio Glee de “ chato arrogante do ano” vai para... Lars Von Trier

O galã do ano
Ryan Gosling


A gata do ano
Jessica Chastain

A cena mais sexy: Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway conversando na cama em Amor e outras drogas

O filme que não precisava ter sido feito: Carros 2

A comédia mais bem sacada da temporada: Quero matar meu chefe

A atuação fantasmagórica: Kirsten Dunst em Melancolia

A matinê do ano: Capitão América: o primeiro vingador

O filme família improvável: Gigantes de aço

O filme que puxará a lembrança de 2011: Harry Potter e as relíquias da morte – parte II

O filme que foi salvo pelo elenco: Os especialistas

A pior sequência do ano: Se beber não case-parte II

O melhor slogan: "O futuro chegou e nós não estamos nele”, de O planeta dos Macacos: a origem

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: TOP 10 - Quem foi destaque no ano

10 – Justin Timberlake

Foi um ano agitado para Justin. 2011 começou com boatos sobre uma possível indicação ao Oscar por sua elogiada atuação em A rede social e terminou com Justin protagonizando três filmes e mais do que viável como movie star. O ator mostrou desembaraço e espírito esportivo ao fazer um tipo panaca em Professora sem classe, em que contracenou com a ex-namorada Cameron Diaz; timing cômico e pose de galã no divertido Amizade colorida e provou cacoetes de action star no movimentado O preço do amanhã.


9 – Natalie Portman

Um Oscar, um bebê e mais cinco filmes na praça. Ninguém pode dizer que Natalie Portman não teve um ano cheio de memórias. É sua estarrecedora performance como a bailarina em colapso de Cisne negro, porém, que emerge na memória dos cinéfilos de todo o mundo.


8- Chris Evans

Mais do que qualquer coisa, Chris Evans mostrou versatilidade em 2011. Além de demonstrar carisma de sobra na pele de Steve Rogers, o herói de Capitão América: o primeiro vingador, Evans esteve em uma comédia romântica bacaninha (Qual seu número?) e em um drama independente elogiado em Sundance (Puncture). A cotação de Evans subiu, e muito, em Hollywood nessa temporada.


7- Charlie Sheen

Pense em alguém que não fez nada de produtivo no ano e mesmo assim se revelou um furacão midiático. Charlie Sheen é o nome que você está procurando. Depois de uma rescisão escandalosa com o programa que lhe conferiu um salário milionário (Two and a half men), Sheen fez uma meia dúzia de aparições e tweetou para anunciantes por U$ 100 mil cada tweet. Ele continua sendo o modelo de politicamente incorreto mais devasso que existe. Foi sua antiga série que mudou de rumo.


6 – Selton Mello

O representante brasileiro da lista está construindo uma persona como diretor talvez ainda mais interessante do que sua contraparte como ator. E O palhaço, sucesso comercial até certo ponto improvável, é um elemento fundamental nessa equação. O segundo longa metragem de Selton como diretor lhe valeu uma porção de prêmios e um novo fôlego como artista de cinema.


5 – Jessica Chastain

Pouca gente ainda conhece essa californiana de cabelos ruivos e rosto suave. Mas essa condição está prestes a mudar e 2011 será lembrado como o marco zero. Neste ano que se encerra, Jessica lançou oito longas-metragens. Pelo menos três deles fomentam boatos de indicações a prêmios. Ela foi a musa de Al Pacino em Wilde Salomé, filme que estreou no festival de Veneza; a mulher de Brad Pitt em A árvore da vida e uma das mulheres da grande sensação do cinema americano no ano, Histórias cruzadas. Além do mais, estrelou os comentados O abrigo, Coriolanus e Em busca de um assassino.


4 – Michael Fassbender

O começo de 2012, mais especificamente a temporada de premiações, deverá conferir um novo status a Michael Fassbender em Hollywood. O ator que roubou de Ian McKellen o status de verdadeiro intérprete de Magneto na saga dos X-men no cinema, também foi Carl Jung e um viciado em sexo um tanto mais anônimo do que o rival de Freud nos cinemas neste ano. Fassbender, na sua sutil mistura de virilidade e talento, explodiu em 2011.


3 – Woody Allen

O ativo cineasta americano de 76 anos conseguiu fazer as pazes com a crítica em 2011. Meia noite em Paris, seu sexto filme rodado na Europa, foi consagrado pela crítica americana e se garantiu como a maior bilheteria da carreira do cineasta nos EUA. Por onde passou, a fábula romântica de Allen fez bonito; inclusive no Brasil em que levou multidões aos cinemas se sagrando como a fita com melhor média de público por sala no ano. Meia noite em Paris foi a única fita que teve o circuito expandido no país após duas semanas em cartaz. Um sabor de nostalgia ao gosto do próprio filme. E o melhor de tudo é o buzz que o filme suscita para o Oscar.


2- Pedro Almodóvar

Outro cineasta que se destacou em 2011 foi Pedro Almodóvar. O espanhol precisou ser convencido pela direção do festival de Cannes a incluir o seu A pele que habito no line up competitivo do evento, de onde saiu sem um prêmio sequer. Contudo, a crítica internacional, se não foi unânime em relação ao filme, viu com bons olhos o desafio que Almodóvar se auto-impôs: uma nova proposta narrativa em que pudesse costurar temas caros a sua cinematografia àqueles constantes no gênero de horror.
O resultado foi uma inquietação artística de pleno fervor e dividendos ainda desconhecidos.


1 – Ryan Gosling




O que dizer do cara que motivou um grupo bastante plural a protestar em frente ao prédio da revista People por não tê-lo escolhido como o homem mais sexy do mundo em 2011? Que ele merece o topo dessa lista. Para começar! Ryan Gosling viveu um 2011 especial. Teve seu “Robert De Niro moment” no já cult Drive, que deve estrear em janeiro no Brasil, foi elogiadíssimo por sua atuação – que pode render indicação ao Oscar – em Tudo pelo poder e abusou do direito de ser sexy em Amor a toda prova. Ainda discutiu a relação com Michelle Williams no intenso Namorados para sempre, fita de 2010 exibida este ano nos cinemas brasileiros.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, novas mudanças no Oscar; um apresentador da pesada (com trocadilho e tudo); as ruivas que dominarão o cinema; o novo capítulo do triângulo Brad Pitt, Jennifer Aniston e Angelina Jolie e o que isso tem a ver com sensacionalismo e por que o primeiro trailer de J.Edgar, novo filme de Clint Eastwood, não empolga.


Lei da mordaça!
Já há algum tempo cinéfilos e observadores da temporada de ouro do cinema observavam que as campanhas, e não os filmes, tornaram-se protagonistas da disputa pelo Oscar. Recepções de gala, eventos promocionais, painéis e todo o tipo de propaganda tomam conta da Oscar season com uma volúpia, aparentemente, incessante. Desde maio deste ano, quando começou a promover alterações regulamentares, a academia vinha sinalizando o interesse em conter essa corrente. Nesta semana, coube ao diretor da instituição, Rick Robertson, as boas novas. Fica estipulada a proibição de eventos promocionais sobre os indicados ao Oscar ou com a participação dos indicados ao Oscar entre o anúncio das indicações e a entrega dos prêmios da academia.
Antes das nomeações, as campanhas seguem liberadas.


Lei da mordaça! II
A primeira reação da indústria foi de espanto. “Como fiscalizar isso?”, indagou o Access Hollywood. “E se Julia Roberts quiser oferecer um jantar particular em homenagem a um amigo indicado?”, perguntou o Los Angeles Times em clara alusão à atuação da estrela na edição do Oscar 2011 em prol da candidatura de Javier Bardem.
É, de fato, difícil equalizar de maneira produtiva e satisfatória uma diligência tão ambígua e contraditória. Mas é inegável que a decisão vem em boa hora. Mais do que em qualquer outra época, as campanhas, mais do que a qualidade dos filmes, ditam o voto dos membros da academia. “O Oscar é sobre excelência cinematográfica, não sobre a melhor estratégia de marketing”.
A novidade também pode ser depreendida como um ataque à figura de Harvey Weinstein, que, no último ano, fez do razoável O discurso do rei o grande vencedor do Oscar.



Uma incógnita mais certa
A escolha de James Franco e Anne Hathaway para apresentar a última edição do Oscar foi contestada por esse blog, que já podia antecipar o equívoco da escolha. O tempo provou que a impressão de Claquete estava certa. E o que dizer sobre Eddie Murphy, a escolha para host da 84ª cerimônia do Oscar? É uma escolha melhor do que a de Franco e Hathaway. Mas não a melhor que se podia fazer. Um ano depois do fiasco da dupla de jovens atores, apresentar o Oscar representará uma pressão ainda maior do que de hábito. Murphy é ótimo comediante, mas seu momento já passou. O filme que estrela ao lado de Ben Stiller, e que Brett Ratner – que produzirá o Oscar do ano que vem – dirige pode alavancar a carreira em queda de Murphy. O ator também andava manchado com a academia por sair no meio da cerimônia de 2007 após ter sido derrotado por Alan Arkin na categoria de ator coadjuvante, em que era favorito por Dreamgirls. Murphy sabia que sua candidatura perdera força por causa de um besteirol que lançara na época dos Oscars (Norbit).
Contudo, Murphy pode mesclar fórmulas bem sucedidas dos últimos anos. É um humorista de fácil identificação, timing certeiro e que já se provou capaz de adaptar-se. É uma incógnita, mas com potencial de certeza.


Ruivas que amamos
Os homens podem preferir as loiras (Cameron Diaz) e as morenas podem até ter os melhores lábios (Angelina Jolie), mas são as ruivas que andam monopolizando as atenções em matéria de talento, sensualidade e beleza. Quatro delas ganham destaque mais do que merecido em Claquete. Ruivíssima, Jessica Chastain é certamente a grande revelação de 2011. Presente em dez lançamentos do ano, ela chamou atenção do público em A árvore da vida, filme que, na verdade, já estava pronto desde 2009. Ela ainda poderá ser vista em The debt, Wilde Salome, Killer JoeThe Texas killing fields, entre outros.
Bryce Dallas Howard já está aí há algum tempo, alterando-se entre a loirice e os fios ruivos por imposição contratual. Mas quando cede à natureza, torna-se muito mais irresistível. Outra que tem se especializado nesse quesito é Emma Stone, que curiosamente irá interpretar no próximo Homem-aranha um papel que foi de Bryce Dallas Howard, em fase loira, no filme de 2007. Emma já se habituou a receber declarações de amor na internet. A última, em tom de brincadeira, foi de Jim Carrey.
Mas a ruiva mais irresistivelmente ruiva de todas é Christina Hendricks. Altiva em Mad men, onde faz a mulher mais charmosa e respeitada da série, Hendricks não precisa se esforçar para ser sexy.

Jessica Chastain é o nome ruivo de 2011 


Bryce Dallas Howard tem DNA hollywoodiano e puxou a "ruivice" do pai diretor de cinema Ron Howard 


Christina Hendricks é puro charme em Mad men 


Emma Stone já se habituou a receber declarações de amor pela internet e deve receber mais depois de Homem-aranha



Enlatado dramático
É inegável que J.Edgar é um dos filmes mais aguardados da temporada de premiações. Essa condição se consolidou ainda mais pelo fato do festival de Toronto não ter disparado nenhum favorito absoluto ao Oscar. Mas o primeiro trailer do filme não permite muito otimismo. J.Edgar surge, em sua primeira peça promocional, como um produto acadêmico, cheio de cálculo e conduzido dentro de uma receita certeira de Oscar. Tal qual filmes como O aviador e Milk – a voa da igualdade. Não obstante, J. Edgar divide com este último filme o roteirista Dustin Lance Black. Como Clint Eastwood é clássico e acadêmico sem esforço, não dá para dizer que essa foi uma orientação da produção. A estratégia é do marketing que tenta garfar um buzz de Oscar antes mesmo de o filme começar a ser visto.
Mas com Clint Eastwood, que prima pela excelência narrativa e dramática, é difícil crer que às pretensões a prêmios tenham prevalecido às artísticas.






Declaração infeliz potencializada

Brad Pitt, que neste fim de semana estréia nos EUA o elogiado drama Moneyball, estampou a capa de duas revistas em virtude desse lançamento. Na Entertainment Weekly e na Parade, Pitt fez revisões de sua carreira e falou sobre aspectos de sua vida pessoal. Foi uma declaração em particular que circulou com voracidade ímpar. O ator disse que “vivia uma vida desinteressante” com Jennifer Aniston. É fato que Pitt foi deselegante. Mas ele não objetivou ofender a memória do que viveu com Aniston, muito menos ofendê-la. Seu desabafo foi tirado de contexto na forma como foi veiculado na mídia que repercutiu essa declaração em particular.
O ator apenas elaborava sobre seu estado de espírito em um casamento em que se sentia apenas “celebridade”. Isso era algo que ele estava vivenciado. Quem nunca se sentiu desmotivado em uma relação amorosa? Foi isso que Pitt tentou, ainda que de maneira desarticulada, exprimir. Não conseguiu consertar o “deslize comportamental” nem mesmo com a nota à imprensa que liberou no dia seguinte à veiculação da notícia.
Brad Pitt, na condição de astro magnânimo do planeta, devia saber que há toda uma indústria ávida por atos impensados ou declarações mal formuladas de sua parte.

Brad Pitt na capa da Parade de setembro: "Eu não disse exatamente o que eu queria dizer..."