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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: TOP 10 - Quem foi destaque no ano

10 – Justin Timberlake

Foi um ano agitado para Justin. 2011 começou com boatos sobre uma possível indicação ao Oscar por sua elogiada atuação em A rede social e terminou com Justin protagonizando três filmes e mais do que viável como movie star. O ator mostrou desembaraço e espírito esportivo ao fazer um tipo panaca em Professora sem classe, em que contracenou com a ex-namorada Cameron Diaz; timing cômico e pose de galã no divertido Amizade colorida e provou cacoetes de action star no movimentado O preço do amanhã.


9 – Natalie Portman

Um Oscar, um bebê e mais cinco filmes na praça. Ninguém pode dizer que Natalie Portman não teve um ano cheio de memórias. É sua estarrecedora performance como a bailarina em colapso de Cisne negro, porém, que emerge na memória dos cinéfilos de todo o mundo.


8- Chris Evans

Mais do que qualquer coisa, Chris Evans mostrou versatilidade em 2011. Além de demonstrar carisma de sobra na pele de Steve Rogers, o herói de Capitão América: o primeiro vingador, Evans esteve em uma comédia romântica bacaninha (Qual seu número?) e em um drama independente elogiado em Sundance (Puncture). A cotação de Evans subiu, e muito, em Hollywood nessa temporada.


7- Charlie Sheen

Pense em alguém que não fez nada de produtivo no ano e mesmo assim se revelou um furacão midiático. Charlie Sheen é o nome que você está procurando. Depois de uma rescisão escandalosa com o programa que lhe conferiu um salário milionário (Two and a half men), Sheen fez uma meia dúzia de aparições e tweetou para anunciantes por U$ 100 mil cada tweet. Ele continua sendo o modelo de politicamente incorreto mais devasso que existe. Foi sua antiga série que mudou de rumo.


6 – Selton Mello

O representante brasileiro da lista está construindo uma persona como diretor talvez ainda mais interessante do que sua contraparte como ator. E O palhaço, sucesso comercial até certo ponto improvável, é um elemento fundamental nessa equação. O segundo longa metragem de Selton como diretor lhe valeu uma porção de prêmios e um novo fôlego como artista de cinema.


5 – Jessica Chastain

Pouca gente ainda conhece essa californiana de cabelos ruivos e rosto suave. Mas essa condição está prestes a mudar e 2011 será lembrado como o marco zero. Neste ano que se encerra, Jessica lançou oito longas-metragens. Pelo menos três deles fomentam boatos de indicações a prêmios. Ela foi a musa de Al Pacino em Wilde Salomé, filme que estreou no festival de Veneza; a mulher de Brad Pitt em A árvore da vida e uma das mulheres da grande sensação do cinema americano no ano, Histórias cruzadas. Além do mais, estrelou os comentados O abrigo, Coriolanus e Em busca de um assassino.


4 – Michael Fassbender

O começo de 2012, mais especificamente a temporada de premiações, deverá conferir um novo status a Michael Fassbender em Hollywood. O ator que roubou de Ian McKellen o status de verdadeiro intérprete de Magneto na saga dos X-men no cinema, também foi Carl Jung e um viciado em sexo um tanto mais anônimo do que o rival de Freud nos cinemas neste ano. Fassbender, na sua sutil mistura de virilidade e talento, explodiu em 2011.


3 – Woody Allen

O ativo cineasta americano de 76 anos conseguiu fazer as pazes com a crítica em 2011. Meia noite em Paris, seu sexto filme rodado na Europa, foi consagrado pela crítica americana e se garantiu como a maior bilheteria da carreira do cineasta nos EUA. Por onde passou, a fábula romântica de Allen fez bonito; inclusive no Brasil em que levou multidões aos cinemas se sagrando como a fita com melhor média de público por sala no ano. Meia noite em Paris foi a única fita que teve o circuito expandido no país após duas semanas em cartaz. Um sabor de nostalgia ao gosto do próprio filme. E o melhor de tudo é o buzz que o filme suscita para o Oscar.


2- Pedro Almodóvar

Outro cineasta que se destacou em 2011 foi Pedro Almodóvar. O espanhol precisou ser convencido pela direção do festival de Cannes a incluir o seu A pele que habito no line up competitivo do evento, de onde saiu sem um prêmio sequer. Contudo, a crítica internacional, se não foi unânime em relação ao filme, viu com bons olhos o desafio que Almodóvar se auto-impôs: uma nova proposta narrativa em que pudesse costurar temas caros a sua cinematografia àqueles constantes no gênero de horror.
O resultado foi uma inquietação artística de pleno fervor e dividendos ainda desconhecidos.


1 – Ryan Gosling




O que dizer do cara que motivou um grupo bastante plural a protestar em frente ao prédio da revista People por não tê-lo escolhido como o homem mais sexy do mundo em 2011? Que ele merece o topo dessa lista. Para começar! Ryan Gosling viveu um 2011 especial. Teve seu “Robert De Niro moment” no já cult Drive, que deve estrear em janeiro no Brasil, foi elogiadíssimo por sua atuação – que pode render indicação ao Oscar – em Tudo pelo poder e abusou do direito de ser sexy em Amor a toda prova. Ainda discutiu a relação com Michelle Williams no intenso Namorados para sempre, fita de 2010 exibida este ano nos cinemas brasileiros.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Crítica - O palhaço

Em busca da própria graça!

A ideia do palhaço triste é algo que, além de extremamente metafórico, permeia uma produção artística que se  pretende revisionista. Não á toa, Selton Mello escolheu a cena circense e esse personagem tão bucólico para elaborar (e superar) uma crise que vivenciava com a própria profissão. O palhaço (Brasil 2011), segunda incursão de Selton atrás das câmeras, se apresenta também como uma homenagem a um tipo de entretenimento desgarrado do século XXI: o circo. Mas o alcance da fita excede o caráter reverente com que acena para os profissionais do riso.
Benjamin é o responsável pelo circo Esperança, um circo itinerante que se apresenta por cidades do interior mineiro. Benjamin também é artista. No palco, que divide com seu pai – vivido pelo grande Paulo José - é o palhaço Pangaré. Pangaré e Puro Sangue (seu pai) desfrutam de uma química que não se reproduz fora dos palcos na relação pai e filho. Benjamim parece atordoado por uma melancolia cada vez mais forte. O sonho de poder comprar um ventilador e o fato de “não ter tempo” para tirar os documentos de identidade surgem como poderosos elementos sobre os quais a realização estipula toda a força da narrativa que se desenvolve. A partir desses ganchos, O palhaço vai se construindo como um filme cujo protagonista procura desesperadamente sua identidade. Sua razão de viver.
O palhaço é, portanto, uma viagem ao íntimo de um artista que descobre que se justifica e vive por meio de sua arte. Um memorando alçado em simplicidade e poesia pela eficiente lógica visual que Mello emprega em seu filme. Desde os olhares embevecidos das crianças, à inocência de personagens que parecem pertencer a outra era (e a um outro cinema).

Mello em cena do filme: ecos fellinianos que estipulam a arte como objeto da vida


Os artifícios narrativos de O palhaço só comprovam o acerto da realização na conjugação orgânica que propõe dos temas. A introspecção de Benjamim; a união arisca dos integrantes da trupe; o conformismo doído de Puro Sangue e a constatação de que, às vezes, é preciso se perder de certas ambições e permitir-se ser feliz.
O palhaço, por fim, revela um cineasta capaz de filtrar experiências pessoais e imprimi-las de maneira rica e vivaz em seus filmes. Em seu segundo filme, Selton Mello apresenta também uma notável evolução no ofício de cineasta. Mostra-se um diretor capaz de trabalhar emoções genuínas e provocar reflexões amargas e adocicadas enquanto homenageia uma arte esquecida. O palhaço confirma as expectativas. Respeitável público, este é um dos achados de 2011.