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domingo, 28 de abril de 2013

Insight - O reflexo do ator


A seção Insight da semana passada analisou a partir de um comentário do cineasta Danny Boyle a capacidade de um astro de cinema, do calibre de um Brad Pitt, de uma Julia Roberts, de um George Clooney de distorcer – para adotarmos a palavra usada por Boyle – um filme. Ficou convencionado que essa distorção pode ser tanto positiva quanto negativa e que se estende desde os meandros da pré-produção de um filme até a recepção, e percepção, deste pelo público.
Foi a leitora Patrícia Ströher quem atentou para outro recorte muito pertinente e que foi omitido da análise. E quando um astro pode dar novo corpo a um personagem? Alterar a percepção que o público tem da trama? Do conflito? Quando isso é positivo? Quando é negativo?
É fato consumado que um astro é capaz de capitalizar a atenção de público e mídia em torno de um trabalho em particular. Recentemente, o cineasta cearense Karim Aïnouz disse em entrevista ao jornal O Globo que quer Wagner Moura, um dos atores com quem trabalhou em Praia do futuro – em processo de finalização - como protagonista de seu novo projeto: um filme que pretende discutir o fundamentalismo religioso no Brasil na esteira da polêmica envolvendo o deputado Marcos Feliciano – um pastor notório por declarações carregadas de preconceito – na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. “Preciso de um ator que seja capaz de provocar o debate no público”, disse Aïnouz.
Está aí, exposta, a capacidade transformadora de um astro de primeira grandeza em um projeto específico. Aïnouz é sábio em prever que com Moura em um papel chave de um filme que se pretende ruidoso, ele ampliará a margem de alcance da produção. Sabe também que Wagner Moura é o tipo de intérprete capaz de estabelecer uma espiral de diálogo com o público em cada personagem, em cada projeto. Tanto pelo carisma como pela profundidade de seu trabalho. É natural que queira se beneficiar dessa condição.
Wagner Moura: astro nacional capaz de reverberar no
público
Os produtores e realizadores do novo Superman, que chega em julho, se depararam com situação peculiar. Diferentemente do filme de 2006, quando se buscou alguém com o biotipo e expressão que remetesse ao imortal Christopher Reeves, objetivava-se um rosto novo que trouxesse uma nova identificação para Superman. Muitos nomes foram aventados, entre eles o do protagonista da série Mad men Jon Hamm, optou-se pelo inglês Henry Cavill cujos maiores créditos até então haviam sido uma participação em um filme de Woody Allen e na série The Tudors. A opção por uma figura de nenhuma expressão no mainstream americano atende às prerrogativas dos produtores de reimaginar o homem de aço. Algo que não seria totalmente possível com atores já experimentados.
O cineasta Ang Lee, que venceu o Oscar de direção por As aventuras de Pi, teve raciocínio semelhante na pós-produção deste filme. O elenco do filme é constituído majoritariamente por desconhecidos – à parte uma breve aparição do francês Gérard Depardieu. Mas nem sempre foi assim. O jornalista que ouve o relato fantástico de Pi (Irrfan Khan na fase adulta) foi interpretado por Tobey Maguire. Na pós-produção, Lee percebeu que a presença de Maguire gerava um desequilíbrio no sentimento da história e na percepção dela. Conversou com o ator e o cortou do filme. As cenas foram então regravadas com o ator Rafe Spall, ilustre desconhecido, como o jornalista/escritor interlocutor de Pi.
David Fincher e Rooney Mara: o
diretor não queria uma estrela
formada para viver Lisbeth
Salander em sua versão do best
seller original da trilogia
Millenium, Os homens que não
amavam as mulheres
Há, também, as expectativas do público para certo ator. E são elas que geram esses desequilíbrios. Heath Ledger é um exemplo clássico. Por duas vezes ele desafiou as expectativas que o público tinha dele. Feito galã, Ledger surpreendeu público e crítica com sua atuação devotada, minuciosa e cheia de sentimento de um cowboy que não sabe exatamente o que fazer quando se descobre amando outro homem em O segredo de Brokeback mountain, do mesmo Ang Lee. Ledger, aliás, estava inseguro quanto a aceitar o papel. Foi sua namorada na época, a atriz Naomi Watts, quem o encorajou. Pouco tempo depois, Christopher Nolan seria bastante contestado ao anunciar Ledger como sua escolha para viver o coringa no segundo filme de sua trilogia do cavaleiro das trevas. Essa história, todos sabem, terminou com um Oscar póstumo a Ledger após uma campanha sem precedentes entre público, crítica e indústria para que isso ocorresse.
O contrário também acontece. O drama Lembranças é um ótimo exemplo. Rodado em plena coqueluche por Robert Pattinson – o galã da franquia Crepúsculo – o filme se viu modificado pela presença do astro em apelo midiático, mas fundamentalmente em sua organização narrativa. A amargura de Edward (personagem de Pattinson) em Crepúsculo migrava em um movimento aleatório para Lembranças sem grandes justificativas. Era Pattinson trazendo consigo o olhar da plateia sobre ele.
Há, ainda, a maneira como um personagem é trabalhado por um astro. Brad Pitt e Tom Cruise podem ser convocados para essa análise. Nos últimos dez anos, enquanto Cruise buscou projetos para reforçar sua celebridade, Brad Pitt buscou aqueles em que ela poderia desaparecer. Foi coadjuvante de produções embevecidas na ironia e auto referência como Queime depois de ler e Bastardos inglórios e elegeu projetos em que seu peso como astro jogava a favor da história – como O curioso caso de Benjamin Button – lógica inversa à adotada por Cruise, em que a história jogava a favor de seu status de astro – como O último samurai.

Brad Pitt, por meio de sua produtora (Plan B), ofereceu um roteiro ao cineasta austríaco Michael Haneke, com quem Pitt gostaria de trabalhar, mas o diretor de Amor e A professora de piano declinou do convite dizendo que "trabalhar no esquema de Hollywood é algo que não lhe interessa no momento" 

Heath Ledger se transformando no coringa: uma performance certamente surpreendente para muitos que não imaginavam que Ledger fosse compatível com o personagem

Um astro pode ser um peso ou um bálsamo para determinados personagens ou projetos. Em um personagem suficientemente forte, escalar um astro talvez seja excessivo ou apenas a proposta adequada. Em última análise, cabe ao diretor vestir seu filme. É ele quem será o juiz, ainda que em primeira instância, dessa vaidosa disputa.

domingo, 18 de setembro de 2011

Insight

Antes tarde do que nunca...


Aconteceu o que Claquete havia antecipado em uma seção Em off de fevereiro deste ano, muito antes da estréia de X-men: primeira classe. O alemão de ascendência irlandesa Michael Fassbender aconteceu. O primeiro contato com o nome mais quente de Hollywood atualmente se deu em Bastardos inglórios. No filme de Quentin Tarantino, Fassbender só não chamou mais atenção do público porque o melhor personagem da fita, Hans Landa, era defendido por outro ator grandioso (Christoph Waltz). Escavadores irão sacar Hunger, filme de 2008 não lançado comercialmente no Brasil, como o marco zero da Fassbendermania que se anuncia.
Fassbender apresenta um 2011 primoroso, em que se cristalizou como ator de pedigree ao estrelar um blockbuster pensativo (X-men: primeira classe), um filme provocador com aspirações a prêmios (Shame) e outra produção de prestígio com aspirações a prêmios (A dangerous method). Para ficar no campo dos bastardos, Christoph Waltz foi a primeira opção de David Cronenberg para viver Freud, em oposição ao Jung de Fassbender. O austríaco declinou do papel para rodar o mais midiático Água para elefantes. Em seu lugar entrou o ator favorito de Cronenberg, Viggo Mortensen. Em comum, o americano Mortenssen, o alemão Fassbender e o austríaco Waltz têm a fama tardia. Os três foram alçados à notoriedade relativamente tarde. Waltz, nascido em 1956, conquistou a Palma de ouro, o Oscar e reconhecimento aos 43 anos. Fassbender, nascido em 1977, só em 2011 vislumbra as regalias do prestígio internacional. O leão de ouro em Veneza é um bom presságio do que está por vir para um ator categórico em seu ofício. Viggo Mortenssen é outro que só foi descoberto após o imenso sucesso da trilogia O senhor dos anéis. No entanto, o ator já estava em Hollywood navegando abaixo do radar de público e indústria.

George Clooney é o exemplo mais bem delineado de astro tardio


Os três confirmam uma tendência verificada, maiormente, entre homens. George Clooney é um exemplo bem definido de astro tardio. Estrela de filmes B na juventude, Clooney só ficou conhecido graças ao sucesso de Doug Ross, um médico grisalho e charmoso da série de tv E.R. Clooney,assim como Mortenssen e Fassbender, cultivou a fama com cálculo e estratégia na escolha de papéis e no enfoque público de sua persona. Hoje é considerado por muitos o maior astro da Hollywood atual. Jamie Foxx é um exemplo que se coloca diametralmente oposto a Clooney. Estrela de filmes B como A isca e Quebrando regras, Foxx despontou em 2004 com dois filmes de grande apelo midiático. Colateral, em que Tom Cruise fazia um improvável vilão, e Ray, em que encarnou a lenda da música negra americana Ray Charles. Depois disso, Foxx – dividindo atenções com uma insossa carreira musical – enveredou-se por projetos discutíveis que nunca visaram à afirmação de seu talento, mas sim de seu status. Apesar do desvio de rumo – em comparação a Clooney - Foxx goza de fama e prestígio.

Um time acima de qualquer suspeita: Clive Owen, Jon Hamm, Colin Firth e Hugh Jackman engrossam a lista de astros que ganharam fama tardiamente


Outro ator que deve a um filme em especial o apreço que detém de público e crítica é o inglês Clive Owen. Não fosse por Closer-perto demais, esse britânico de bom trânsito no teatro não viraria a realidade hollywoodiana que é hoje. Trafegando por variados gêneros, Owen tem se mostrado um ator eficiente. O ator não quis assumir um papel que certamente definiria sua carreira. Ele recusou o convite para ser o sexto James Bond. A recusa valeu o green card hollywoodiano a outro britânico, Daniel Craig. Craig já havia feito filmes como Lara croft: tomb raider e Estrada para perdição, mas não passava de um ator de pequena penetração. Bond mudou tudo. O ator assumiu o papel com 38 anos e se viu na imagem de sexy symbol. Hoje, colaborando com diretores como Steven Spielberg e David Fincher, planeja uma valorização de seu talento.
Apesar da maior incidência entre os homens, a fama tardia também ocorre a mulheres. Foi o caso das oscarizadas Kathryn Bigelow e Halle Berry, que viram seus status mudarem após o Oscar. Berry, talvez um ano antes, com o sucesso de X-men: o filme.
É inegável que Hollywood, mais do que qualquer outro lugar, cultiva a juventude. Mas o sonho americano é algo tão enraizado na cultura pop que o lugar certo e a hora certa podem acontecer depois dos 30 ou dos 40, quem sabe. Afinal, é cinema...

domingo, 28 de agosto de 2011

Insight

Os astros encolheram?

Todo ano é a mesma coisa. As chamadas franchises lucram absurdos, vitaminadas pelo uso indiscriminado e exagerado do 3D, e a soberania das estrelas de cinema é posta à prova. Em épocas de crise financeira e recessão econômica, o panorama é ainda mais alarmante e, desde o solavanco que a economia global levou em 2008, a indústria do cinema tem prestado mais atenção a essa questão em particular.
O ator William Dafoe, que tem no currículo filmes díspares como O paciente inglês (1997), Homem aranha (2002) e Anticristo (2009), disse outro dia que Hollywood se preocupa mais em vender do que em produzir filmes. A fala de Dafoe, além de sintomática da reação dos estúdios às famigeradas crises, permite uma inflexão ainda mais profunda.

Shia LaBeouf corre em cena de Tranformers - o lado oculto da lua: o terceiro filme da franquia, o primeiro em 3D, superou o bilhão de dólares e estimulou o estúdio Paramount a seguir em frente 


Hollywood, como sublinhou o ator, está mais preocupada em garantir que não haja prejuízos do que arriscar o lucro. Passa por aí o lastro cada vez maior de refilmagens e adaptações amontoadas de outras mídias, de HQs a literatura pop juvenil de gosto duvidoso. Mas isso em si, não é problema – pelo menos não para os fins desse artigo. A aposta em filmes que são, antes disso, produtos é válida. É preciso pôr em ação o gigantismo de uma indústria como a do cinema americano e os astros fazem parte disso. O que chama à atenção, e no verão de 2011 isso ficou mais visível, é como os atores tiveram espaço diminuído na própria elaboração dos projetos. Essa constatação remete a outra. De que no alvorecer do século XXI vive-se a era dos personagens, não dos astros. Bobagem. Gente como Brad Pitt, Angelina Jolie, Tom Hanks e Julia Roberts continua a exercer fascínio. Com a consolidação da internet, esse fascínio foi ligeiramente deslocado do cinema – mas não foi esse deslocamento que ocasionou esse hipotético encolhimento dos astros. Foi a estratégia adotada pelos estúdios.
Dois fins de semana são emblemáticos para ilustrar esse debate. O primeiro, o tradicional 4 de julho, teve os lançamentos de Transformers: o lado oculto da lua e Larry Crowne: o amor está de volta. O primeiro filme é uma franquia poderosa que traz a assinatura de Steven Spielberg e mais de U$ 200 milhões de orçamento, o segundo é uma fita independente que marca o retorno de Tom Hanks à direção. Uma comédia sofisticada, veja você, justamente sobre a crise econômica. O primeiro já atingiu, com toda as suas restrições enquanto trabalho artístico, o bilhão de dólares. O segundo, que vem tendo sua estréia constantemente adiada nos cinemas brasileiros, recebeu críticas negativas e desapareceu do Top 10 americano em três semanas.

 Daniel Craig e Harrison Ford na capa que a revista Entertainmet Weekly deu para Cowboys & Aliens: um hype irresistível


Tom Hanks e Julia Roberts atraíram uma audiência na faixa dos 30 a 45 anos aos cinemas para ver Larry Crowne, mas as críticas ruins esvaziaram o interesse pelo filme


O segundo fim de semana é o de 29 de julho. A aventura Cowboys & Aliens venceu por pouco mais U$ 900 mil a batalha contra Os smurfs no box Office americano. Em um fim de semana com altos ganhos de bilheterias, o filme estrelado por Daniel Craig e Harrison Ford faturou U$ 36,431 milhões enquanto que o da turma azul ficou com U$ 35,611 milhões. Embora baseada em uma HQ, Cowboys & Aliens se escora no seu par de astros e derrotou as criaturas em CGI que tinham o respaldo do 3D e uma popularidade prévia muito maior.
Esses recortes apontam para a falta de contexto dos profetas do fim da era das estrelas. Internacionalmente, o apelo de um Hollywood star beira o incomensurável. Não à toa, os festivais de cinema como Berlim, Cannes e Veneza estão cada vez mais repletos da nata Hollywoodiana e os grandes estúdios levam suas estrelas para eventos promocionais em países emergentes como Brasil, México e Rússia.
A estratégia hollywoodiana de privilegiar produtos de outras mídias atingirá um ponto de saturação e esse cenário está mais próximo do que muitos imaginam. Quando isso ocorrer, os astros estarão lá. Incólumes. Prontos para aumentarem seus cachês.

domingo, 8 de novembro de 2009

Insight

Os novos astros do cinema de ação

O verão americano de 2010 trará uma verdadeira pérola do cinema. Especialmente para os fãs dos cinema de ação. Os mercenários reúne pela primeira vez em um mesmo filme, Bruce Willis, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Traz ainda um belo time de estrelas menores, mas igualmente veneradas pelos fãs do gênero, como Jason Stathan e Jet Li. O filme que estréia em agosto de 2010 não tem outro objetivo senão oferecer nostalgia para os fãs do cinema brucutu dos anos 80. Em uma década dominada por heróis mascarados e efeitos especiais espetaculares o peso de um astro de ação diminuiu consideravelmente. Esse, sem dúvida alguma, foi um fator preponderante para a oferta minguada de candidatos ao trono que aquela trinca lá de cima, embora teimem em admitir- com exceção do governador Schwarzenegger, já não ocupam mais.


Shia LaBeouf coça a cabeça: Apesar de ter caído nas graças de Spielberg o público não vai com a cara dele


A falta de carisma, e em alguns casos de competência mesmo, já foi aventada e atribuída ao fracasso de alguns postulantes ao posto de Action Star. O fato é que o cinema de ação mudou bastante em Hollywood. Exércitos de um homem só, como nos filmes dos anos 80, já não seduzem a garotada como faziam anteriormente. O sucesso retumbante do borrão visual Transformers está aí para provar. Os heróis de ação então, a exemplo do que ocorreu com os próprios filmes, passaram por um upgrade. Só que ao invés de Christian Bale (Reino de fogo, Batman e Exterminador do futuro 4), Paul Walker ( A vida e morte de Bobby Z, velozes e furiosos, No rastro de uma bala e Linha do tempo), Shia LaBeouf ( Transformers, Controle absoluto e Indiana Jones e o reino da caveira de cristal), Chris Evans ( Cellular - um grito por socorro, Quarteto fantástico e Heróis) e Brandon Routh ( Superman - o retorno), quem parece fazer sucesso mesmo junto ao público são os brucutus e mal humorados Jason Stathan (Carga explosiva, adrenalina e Corrida mortal), Vin Diesel (Velozes e furiosos, Triplo X e O vingador), Dwayne “The Rock” Johnson ( O escorpião rei, Com as próprias mãos e bem vindo a selva) e Sam Warthington ( Exterminador do futuro 4 e os inéditos Avatar e Fúria de titãs). Este último revelado no último filme do exterminador, tal qual um certo austríaco.

Jason Stathan em cena do primeiro Carga explosiva: Ele faz o tipo pouco sorrisos e muitos sopapos

Não são só os atores que fazem mais sucesso que emulam os astros de ação de outrora. Os filmes que estrelam colaboram grandemente para isso. Um bom parâmetro para comparação é a carreira de Vin Diesel. Lançado ao estrelato com o surpreendente Velozes e furiosos, Diesel só é agraciado com os dólares das bilheterias quando estrela filmes que se assemelhem em termos de estética (se é que podemos usar esta palavra para descrever um filme de ação) e narrativa ao filme que o revelou. Quando se aventurou por filmes como Missão babilônia e Sob suspeita, não foi bem. Mas quando retornou a série Velozes e furiosos, ou fez filmes como O vingador e Filhos da máfia, o sucesso foi retumbante. Brandon Routh viu sua carreira no cinema de ação morrer junto com seu super homem esterelizado. Já Jason Statahan, descoberto por Guy Ritchie em Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, caiu nas graças do cinemão americano com uma série de filmes B ( a série Carga explosiva, para ficar em um exemplo) que misturam elementos de filmes de Charles Bronson e Steven Seagal.

Vin Diesel faz careta: Ele até tenta variar o seu repertótio, mas seu público cativo não deixa

O público atual pode até querer ver máquinas e heróis mascarados salvando o dia. Mas no fim das contas, ele não abre mão de ver um bom e legítimo Hard ass mother fucker quebrando o pau e promovendo a justiça no melhor estilo anos 80. Stallone e companhia vem aí para explicar tim por tim. E quem sabe, passar oficialmente o bastão.

Top 10


10 astros da era de ouro de Hollywood


10 – William Holden

O ator californiano, que foi eleito pela Empire uma das celebridades mais sexies da história, lutou na segunda guerra mundial, o que só aumentava o interesse que despertava entre as mulheres. Elas ficavam ensandecidas por ele. Holden, no entanto, se provou grande ator. Foi indicado ao Oscar 3 vezes, tendo ganhado uma vez por seu trabalho em Inferno nº 17 (em que vivia um soldado em uma guerra).

Recomendações:
Passado tenebroso (1948) **
Crepúsculo dos Deuses (1950) *
Rastro sangrento (1950) *
Inferno nº 17 (1953) *
Suplicio de uma saudade (1955) *

9 – Burt Lancaster

O novaiorquino protagonizou uma das cenas mais sensuais e românticas da história de Hollywood, o beijo com Deborah Kerr em A um passo da eternidade (em destaque na home de Claquete hoje). O ator foi bastante requisitado e trabalhou nos mais diversos gêneros, com A um passo da eternidade recebeu sua primeira indicação ao Oscar. O prêmio viria em 1960 por seu desempenho em Entre Deus e o pecado.

Recomendações:
A um passo da eternidade (1953) *
O último bravo (1954) *
A embriaguez do sucesso (1957) *
Entre Deus e o pecado (1960) *
O julgamento de Nuremberg ( 1961) *

8 – Henry Fonda

Quem não conhece algum Fonda? Uma das famílias mais tradicionais e famosas do show business americano. Tudo começou com o legado de Henry Fonda que brilhou em filmes como 12 homens e uma sentença. Seus filhos, Peter Fonda e Jane Fonda também foram expoentes de sua geração. A neta Bridget Fonda não atingiu a excelência da família mas mantém uma carreira digna.

Recomendações:
As vinhas da ira (1940) *
Vidas sem rumo (1941) *
12 homens e uma sentença (1957) *
Minha vontade é lei (1959) *
Caravana de intrépidos (1976) *

7- Glenn Ford

O americano se popularizou em filmes de cowboy, mas sabia fazer como ninguém homens comuns e proletários. O que lhe valeu grande notoriedade no cinema do pós-guerra. Atuou ao lado de grandes nomes da era de ouro hollywoodiana como John Wayne, Marlon Brando e Rita Hayworth.

Recomendações:
Gilda (1946) *
O homem do colorado (1948) **
Galante e sanguinário (1957) *

6- Charlton Heston

Um ator de épicos, como ficou conhecido. Muitos não achavam Heston talentoso, mas seu carisma e virilidade eram inegáveis. Trabalhou com grandes diretores como Cecil B. De Mille e Orson Welles. Defendeu ativamente o direito dos cidadãos de possuírem armas. Por isso acabou mais reconhecido do que por seu legado artístico.

Recomendações:
O maior espetáculo da terra (1952) *
Os dez mandamentos (1956) *
A marca da maldade (1958) *
Bem Hur (1959) *
El Cid (1961) *
O planeta dos macacos (1968) *

5- John Huston

Uma verdadeira lenda. Adorador e profundo conhecedor do cinema, Huston atuava como produtor, diretor, roteirista e ator. Foi memorável em todos os ofícios. Recebeu indicações ao Oscar por todos eles. Ganhou como diretor e roteirista.

Recomendações:
O tesouro de Sierra Madre (1948) *
Freud – além da alma (1962) **
Chinatown (1974) *
O homem que queria ser rei (1975) *
A honra do poderoso Prizzi (1988) **

4 – John Wayne

Um dos maiores ícones da América. Não há como dissociar John Wayne da imagem do Cowboy. De homem valente, justo e irascível. Foi contumaz colaborador de outra lenda do cinema americano, o diretor John Ford. Ganhou um Oscar em 1970 que mais serviu para homenageá-lo e referendar seu legado do que reconhecer o mérito de sua atuação.

Recomendações:
Rio vermelho (1948) *
Rio Bravo (1950) *
Rastros de ódio (1956) *
O homem que matou o facínora (1962) *
Bravura indômita (1969) *

3- Frank Sinatra

Sim, ele era cantor. Mas também foi um ator tenaz. Talentoso, comprometido e requisitado. Demonstrou grande habilidade dramática e chegou, inclusive, a ganhar um Oscar por A um passo da eternidade. Atuava com a mesma desenvoltura que cantava. Para muitos, Sinatra estabeleceu os parâmetros de elegância no cinema e, obviamente, fora dele.

Recomendações:
Aconteceu assim (1947) **
A um passo da eternidade (1953) *
Orgulho e paixão (1957) *
Onze homens e um segredo (1960) *
O bem amado (1963) *

2- Humphrey Bogart

Macheza e charme ganharam novo sentido depois de Humphrey Bogart. Seu estilo é copiado a exaustão ainda hoje. Ator de poucos prêmios, mas de confiança. As atrizes o adoravam. Fazia tipos destemidos, parias e anti- heróis com muita expressividade. Estrelou um dos maiores clássicos do cinema, tido por muitos como o melhor filme americano de todos os tempos, Casablanca.

Recomendações:
Vitória amarga (1939) *
Relíquia Macabra (1941) *
Casablanca (1942) *
O tesouro de Sierra Madre (1948) *
Uma aventura na África (1951) *

1- Marlon Brando

Quem é ator, ou quer ser ator, tem que venerar Marlon Brando. Não é uma obrigação, mas é como se fosse. Aquele que não admirar o artista incondicionalmente (o homem era discutível), estará fadado ao ostracismo no mundo cinematográfico. Para muitos o maior, melhor e mais completo ator da história do cinema.

Recomendações:
Uma rua chamada pecado (1951) *
Sindicato de ladrões (1954) *
Sayonara (1957) *
O pecado de todos nós (1967) *
O poderoso chefão (1972) *
O último tango em Paris (1972) *
Apocalypse Now ( 1979) *
* Disponível em DVD
** não há disponibilidade em DVD, mas os filmes fazem parte da programação do TCM e do telecine Cult

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca um filme que nasceu para ser cult. Entrevista com o vampiro do irlandês Neil Jordan é objeto de culto por variadas razões. Desde sua fonte literária até o hype de ser o único filme até hoje a reunir Tom Cruise e Brad Pitt em um mesmo filme. Vale o acréscimo de que na ocasião dessa colaboração entre os astros, ambos estavam na crista da onda.
Entrevista com o vampiro é um dos precursores, tanto livro quanto filme, em explorar a sexualidade e a sensualidade que tramita vivamente no universo dos vampiros. A escalação de um elenco masculino jovem, belo e que já gozava de prestígio junto ao público feminino - participam do filme ainda Antônio Banderas e Christian Slater - corrobora essa teoria.
Atualmente com os vampiros em alta, é mais do que natural revisitar Entrevista com o vampiro. Filme que pode e dá muita perspectiva em relação ao tratamento que as criaturas da noite estão recebendo agora.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:


Vampirismo fashion!
É de se compreender tamanho alvoroço em torno de Entrevista com o vampiro (Interview with the vampire EUA 1994). O filme sensação da temporada reúne os astros e sex symbols Brad Pitt e Tom Cruise pela primeira vez, é também a primeira vez que a obra de Anne Rice ganha respaldo artístico e investimento condizente em Hollywood. O diretor Neil Jordan do cult Traídos pelo desejo amplia os preceitos da obra de Rice e aproveita-se do frisson causado por seus astros.
Em Entrevista com o vampiro, assistimos o vampiro Luis de Poant (Brad Pitt) concedendo uma entrevista em que relata toda a sua vida. O repórter vivido por Christian Slater personifica a platéia e divide-se entre a euforia e o temor pelo que ali será descoberto.
A fita preserva o tom lúgubre da obra de Rice, mas Neil Jordan potencializa sabiamente a angústia da existência de Luis, é a primeira vez que isso acontece tão amplamente em um filme sobre vampiros, inserindo um novo status quo a retratação dos dentuços pelo cinema. Luis soa diferente dos outros vampiros da fita, o que reforça a idéia de que também os vampiros são movidos por sentimentos. Um poderoso acréscimo a um universo que carecia de renovação.
Tom Cruise e Brad Pitt vivem seus vampiros com a aura que rodeia suas personas. É no mínimo interessante ver Cruise assumir sua vaidade como o milenar Lestat. Pitt reveste seu Luis de uma sensualidade pulsante. Contudo, o filme não é só acertos. Falta-lhe um conflito mais bem elaborado. O arrependimento e a dor de Luiz não sustentam toda a projeção, e portanto, Entrevista com o vampiro cede ao puro fetichismo. Afinal de contas nada é mais fashion do que Brad Pitt e Tom Cruise vampiros no mesmo filme.