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segunda-feira, 13 de maio de 2013

TOP 10 - Os dez atores mais cults da atualidade

Para se ter uma ideia do rigor da lista dos dez atores mais cults da atualidade, que marca o TOP 10 do mês em Claquete, há uma pluralidade de nacionalidades – com o esperado predomínio francês com três menções. Há atores da Argentina, Brasil, Alemanha, Canadá, México, EUA e China. Não há muita margem para discussão. Estão aí os dez atores mais tchan da cinefilia contemporânea. Os critérios vão desde a famigerada predileção por papéis desafiadores à constante colaboração com cineastas identificados como autores.


10 – Mathieu Amalric

O ator e cineasta francês é quase uma grife. Daquelas que poucos conhecem, mas que quem conhece não abre mão. Dono de uma carreira já consolidada, e relativamente longa (estreou como ator em 1984), Amalric alterna participações no cinema autoral americano (Munique de Spielberg, Maria Antonieta de Sofia Coppola, Comóspolis de David Cronenberg) com o trabalho com grandes cineastas franceses como Roman Polanski, Alain Resnais, Jean-François Richet, Arnaud Desplechin e Claude Miller.

9 – Ryan Gosling

Ele está ficando popular, mas não dá sinais de que pretende renunciar sua aura cult. Ryan Gosling desenhou-a com filmes como Namorados para sempre, Tudo pelo poder, Drive, Half Nelson e Tolerância zero. O lado pop surge em produções como Amor a toda prova e Diário de uma paixão, projetos que de alguma maneira ajudaram a sedimentar sua veia cult. Em 2013 com os filmes The place beyond the pines e Only God forgives deve atingir novos picos nessa “Gosling fever”.

8 – Gael Garcia Bernal

O mexicano é mais cult no Brasil do que em qualquer outro lugar, mas é certo que as opções de Bernal reforçam sua vocação para culto. Ele já colaborou com cineastas brasileiros no cinema americano, diretores argentinos no cinema brasileiro, ajudou a levantar o cinema chileno e é responsável direto pela elevação do cinema mexicano à festivais e festejos da crítica. Até em suas incursões pelo cinemão mais comercial, Bernal denota apelo cult em produções como Babel, Cartas para Julieta, Sonhando acordado, Jogo de sedução e Ensaio sobre a cegueira.
No, Má educação, Sem notícias de Deus, Diários de motocicleta, O crime do padre Amaro, Amores brutos e E sua mãe também, no entanto, manterão para sempre seu status de ator cult.

7 – Irandhir Santos

Ele não tem o charme de Wagner Moura ou a carreira longeva de Selton Mello, mas se isso o afasta do grande público, de certa forma o aproxima de um público mais interessado no talento. Nesse departamento, Santos se equivale aos outros dois, mas se destaca pelas escolhas ousadas. A que lhe deu certa notoriedade foi antagonizar com o herói nacional capitão Nascimento no segundo Tropa de elite. A experiência valeu a Santos respeito e admiração que lhe renderam convites para filmes menores como Febre do rato e O som ao redor que ajudaram a firmar seu nome como do ator nacional que melhor se assenta sobre a pecha de cult.

6 – James Franco

Ele até pode ser popular, mas só o é porque é cult. E James Franco investe pesado na aura de cult. Tem um homem aranha e Oz no currículo, mas é a geração beat, a cena homossexual e o sexo, de maneira geral e também em suas muitas particularidades, que interessa a Franco que projeta uma carreira como cineasta enquanto surge em filmes como Milk – a voz da igualdade, Tar, Lovelace, 127 horas, Uivo e Segurando as pontas.

5 – Ricardo Darín

Ele é muito popular na Argentina, mas no Brasil veste a indumentária de cult. Darín é um baita ator e o principal termômetro da bonança do cinema argentino. No Brasil é lembrado principalmente por seus maiores acertos, não necessariamente por seus melhores trabalhos. Destacam-se em sua filmografia O filho da noiva, Abutres, Um conto chinês, O segredo dos seus olhos, Nove rainhas e Kamchatka.

4 – Tony Leung

Quem admira a cinematografia asiática sabe que não há hoje ator mais cultuado e venerado do que Leung, nascido em Hong Kong e colaborador assíduo do cineasta Wong Kar Wai, ele marca presença nos filmes mais marcantes do oriente nos últimos anos. É dos atores mais premiados dessa lista e sinônimo de sofisticação seja qual for o gênero, seja o filme de gangster – como em Infernal affairs (filme que deu origem ao vencedor do Oscar Os infiltrados) – ou em um drama de época com fundo de espionagem, como Lust, Caution de Ang Lee.

3 – Michael Fassbender

O alemão de ascendência irlandesa é poliglota, o que ajuda a capitalizar como ator cult. Apareceu falando alemão e inglês em Bastardos inglórios de Quentin Tarantino, mas alcançou a glória mesmo em 2011 com os elogiados trabalhos em Um método perigoso, X-men: primeira classe, Jane Eyre e, principalmente, Shame. Consegue ser cult até nos filmes mais comerciais como Prometheus e A toda prova. Colaborando com cineastas como Terrence Malick, Ridley Scott e Steve McQueen – que o colocou no mapa com o tenso Hunger – Fassbender quer a primeira posição em uma nova edição da lista.

2- Vincent Cassel

O segundo francês da lista, e segundo poliglota (já atuou em inglês, italiano, português, espanhol e até em russo, além do nativo francês), é um ator que não tem medo de ousadias e experimentações. Já trabalhou com cineastas consagrados ou iniciantes, já fez filmes contestados ou louvados por seu valor artístico e enobreceu produções comerciais com vocação cult -  como o recente Em transe. Cassel, que recentemente mudou com mala e cuia para o Rio de Janeiro, é um ator que privilegia o cinema, lhe aferindo dimensão e estatura. Entre seus principais trabalhos se destacam Cisne negro, À deriva, Inimigo público nº 1, Senhores do crime, Doze homens e outro segredo, Irreversível e Rios vermelhos.

1- Louis Garrel

Se ser cult é ser francês, o pódio fica com Garrel. O cinema corre em suas veias, já que pai, mulher e mãe também estão imersos nesse universo. Garrel é o ator fetiche do cinema que se pretende intelectual, passional e, por que não, europeu. Entre seus principais trabalhos estão A bela Junie, A fronteira do alvorada, Canções de amor, Amores imaginários, Um verão escaldante e Os sonhadores.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cannes updated # 10

A maturação de Garrel
A estréia do principal ator francês da atualidade, Louis Garrel, na direção foi um acontecimento. Petit Tailleur é um média metragem ( cerca de 45 minutos) que faz parte da quinzena dos realizadores. Uma mostra paralela que ocorre no festival de Cannes e que até hoje estava esvaziada de interesse. Não é a toa, que essa é a primeira menção da mostra aqui em Cannes updated. O filme em preto e branco mostra um jovem alfaite que se apaixona por uma garota e decide abandonar tudo, inclusive, o homem que o acolheu, criou-o como filho e ensinou tudo que sabe. A estréia de Garrel foi um sucesso. A critica se derreteu mais ainda quando na entrevista coletiva, o ator/diretor admitiu que o cineasta francês François Truffaut foi uma clara e bem vinda referência.


Na entrevista coletiva, o filho de um dos maiores cineastas franceses (Philip Garrel), se derreteu por um dos ícones da Nouvelle vague

Antes dos melhores, os piores
Diferentemente dos últimos dois anos não há um favorito absoluto a Palma de ouro. Dividem o favoritismo, com certa paridade, o inglês Another year, de Mike Leigh, o mexicano Biutiful, de Alejandro Gonzalez Iñarritu e a co-produção entre Alemanha e Ucrânia My Joy, de Sergei Loznitsa. Com forte apelo também estão o mais recente Ken Loach, Route irish, e o novo do iraniano cult Kiarostomi, Copie conforme. Mas os piores filmes da seleção oficial já parecem definidos. Segundo cotações de críticos presentes no festival, o gangster japonês Outrage e o drama familiar italiano La nostra vitta já angariaram esses ingratos títulos.

E os asiáticos ficaram para trás
Pode ser cedo. Afinal, críticos e júri nem sempre estão em harmonia. Mas Cannes 2010, que tem forte presença asiática, parecia destinado a ter um filme daquele continente vencedor da Palma de ouro. Dificilmente um asiático não será premiado, mas conforme a lista de favoritos demonstra, um asiático levar a Palma de ouro agora, seria considerado zebra.

Apostas Claquete para a premiação de domingo
Essa é a última coluna Cannes updated antes da divulgação dos vencedores do festival. Claquete antecipa quem deve sair com os principais prêmios na seleção oficial.

Palma de ouro
Grande probabilidade: Another year, de Mike Leigh (INGL)
Chances reais: My joy, de Sergei Loznitsa (Ucrânia/Alemanha)
Pode acontecer: The housemaid, de Im Sangsoo (Coréia do sul)

Grande prêmio do júri:
Route irish, de Ken Loach (Ingl/IRL)

Prêmio do júri:
Os mesmos listados como possíveis vitoriosos da Palma de ouro e o francês Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois (França)

Ator:
Javier Bardem (Biutiful)

Atriz:
Juliette Binoche (Copie conforme)

Diretor:

Mike Leigh ou Sergei Loznitsa

Roteiro:

My Joy, de Sergei Loznitsa (ALE/UCR) ou The housemaid, de Im Sangsoo (Coréia do Sul)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca um filme que até pouco tempo estava em cartaz nas salas brasileiras. Mas que passou quase em brancas nuvens. Contudo, para os entusiastas do cinema europeu, é a mais eloquente e vívida demonstração do cinema praticado no velho continente. Em especial pelos franceses. A fronteira da alvorada é sublime de todo e qualquer ponto de vista analisado. A película de Philippe Garrel é um excelente ensinamento de estética, linguagem e estilo. Além de ter um storyline dos mais interessantes. O amor como eixo central das angústias do viver. Algo teórico, algo nonsense, como todo francês que se preze.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:


Será o amor o remédio ou o problema?
A nova fita de Philippe Garrel, diretor que costuma falar das coisas do amor, A fronteira da Alvorada (Frontière de L´aube FRA 2008) é o mais vistoso de seus trabalhos sobre o tema. É sobre como a percepção do amor pode variar de acordo com a fase da vida vivida.
Na fita, atriz jovem e de sucesso (Laura Smet), casada com diretor que atua e venera Hollywood se envolve com fotógrafo nostálgico e mulherengo (Louis Garrel, filho do cineasta). O casal enamorado irreversivelmente põe-se a conjecturar sobre o futuro. Os efeitos da paixão, embora considerados por Garrel, não são sua prioridade. A mutabilidade de humor e estado de espírito provocadas pelo amor em todas as suas fases e encarnações é o que move o interesse do diretor.
Nesse sentido, a fotografia em preto e branco, a busca pela face dos personagens e as divagações que os mesmos lançam na hora e meia de filme, funcionam como a mais legítima expressão dessa ambição de Garrel. O diretor, a despeito dos rumos de sua história, busca estabelecer uma conexão entre seu filme e o público que independa dos sentimentos de seus personagens. Por isso, lança mão desses recursos que tornam a experiência de se assistir A fronteira da Alvorada mais prazerosa para o expectador. Seu filme, mais do que oferecer uma resposta, oferece uma indagação. Pode parecer simplista, não é. Quando se trata de amor, muitos se confrontam com a dificuldade em se situar.