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domingo, 17 de março de 2013

Insight - A Burton o que é de Burton



Há três anos, Claquete promoveu um especial sobre o filme Alice no país das maravilhas. O filme não foi dos highlights da carreira de Tim Burton, mas se firmou como seu maior sucesso de bilheteria e, de quebra, serviu ao propósito do diretor de fazer as pazes com o estúdio Disney, de onde saiu desprestigiado no fim dos anos 80. Alice no país das maravilhas, com sua bilheteria superior a U$ 1 bilhão, no entanto, incutiu em Hollywood uma nova tendência: o ressurgimento dos contos de fadas no cinema.
Na esteira do lançamento de Oz: mágico e poderoso – que lidera pelo segundo final de semana consecutivo as bilheterias americanas – é seguro dizer que os contos de fadas representam para Hollywood hoje o que há uma década eram as HQs.
Já foram duas versões distintas para Branca de Neve, uma reimaginação do conto de João e Maria, uma versão sombria do conto dos irmãos Grimm para Chapeuzinho vermelho e o retorno a Oz para mostrar como tudo começou. No fim de março estreia ainda a visão de Bryan Singer para “João e o pé de feijão”, rebatizada de Jack: o caçador de gigantes. Hollywood já prepara outras versões sombrias de alguns clássicos contos de fadas. Em Pan, Peter Pan é um serial killer que mata apenas crianças e o capitão gancho (papel que será de Aaron Eckhart) é o detetive responsável do caso. A pequena sereia tem ninguém menos do que Joe Wright (Anna Karenina) a frente da produção. Ainda não há muitos detalhes sobre a produção. Diferentemente de Malévola, que terá Angelina Jolie no papel principal e estreia no próximo ano com o foco na rainha má de Bela adormecida. Ali baba, novas versões para Cinderela, ampliação do universo de Oz e outras apropriações já estão igualmente engatilhadas. É natural que os contos de fadas não sejam o manancial que as HQs representam para Hollywood, mas são providenciais em um momento de esgotamento dos comics no cinema.

Cena de Oz: mágico e poderoso, primeiro grande sucesso de bilheteria de 2013: uma das poucas versões modernas não sombria dos contos de fadas

De qualquer maneira, tanto as HQs como os contos de fadas foram viabilizados enquanto negócio pelas mãos de Tim Burton. Foi o excêntrico diretor que venceu a desconfiança de crítica e indústria e fez de Batman um campeão de bilheteria em 1989. Com um filme sombrio e estrelado por um contestado Michael Keaton, Burton provou que as HQs eram sim viáveis como fonte para o cinema e rentáveis enquanto negócio. Foi Burton quem ensejou a nova onda de reimaginações de contos de fadas e o aspecto sombrio que domina grande parte delas também se deve a influência do diretor.
Burton, notadamente negligenciado pela crítica, é um improvável campeão de bilheteria com filmes como A lenda do cavaleiro sem cabeça, Edward mãos de tesoura e Frankenweenie. Tendo estado à frente de dois movimentos capitais para a musculatura hollywoodiana nos últimos 30 anos, alinha abaixo do radar de muita gente outra “nota esquecida” para sua biografia. 

sábado, 16 de março de 2013

Crítica - Oz:mágico e poderoso


Espírito de aventura

Antes de qualquer coisa, Oz: mágico e poderoso (Oz the great and powerful, EUA 2013) é um filme com a marca Disney. O status quo dos filmes Disney é a característica mais límpida do filme de Sam Raimi. Desenvolvido, a partir de um orçamento de U$ 200 milhões, para ser um evento, Oz: mágico e poderoso é um produto bem aparado e divertido, mas longe de ser algo além disso. Diferentemente do ocorrido na trilogia Homem-aranha, Sam Raimi aqui limita-se a envergar o filme e não necessariamente a dotá-lo de alma.
Esse resultado existe talvez pelo selo Disney precisar se destacar, talvez porque Raimi funcione melhor quando há mais liberdade de ação. De qualquer maneira, o filme é um triunfo técnico de grande exuberância visual; com o 3D recebendo especial atenção de Raimi.
O mágico farsante Oscar (James Franco) depois de impetrar mais uma de suas fugas providenciais chega a Oz, uma terra encantada que está sob domínio de uma bruxa má. Oscar é logo confundido com o mágico ao qual se refere uma profecia local que viria para resgatar Oz das garras da bruxa má. Em parte fustigado pela gigantesca quantidade de ouro que será sua, já que o mágico é, por direito, o herdeiro do trono de Oz, e em parte pela vaidade de ser reconhecido como um grande mágico, Oscar faz se passar por alguém que não é. Algo que, em sua percepção, foi o que sempre fez. À medida que o perigo vai se anunciando iminente, Oscar vai vacilando em sua convicção como farsante, mas vai descobrindo em si – amparado por Finley (Zach Braff), um macaquinho alado, uma menininha de porcelana (voz de Joey King) e da bruxa boa Glinda (Michelle Williams) – sua vocação para ajudar os outros. Ou como lhe diz Glinda em um dado momento, que melhor do que grandeza nele é haver bondade.

Visual exuberante e humor afável: Oz, mágico e poderoso reza a cartilha Disney de aventuras...

Além do visual arrebatador, dos efeitos especiais prodigiosos, da direção de arte impecável e dos figurinos vistosos, Oz, mágico e poderoso também encontra destaque no afinado elenco reunido por Raimi. Michelle Williams, Mila Kunis e Rachel Weisz aferem beleza e graça às três bruxas de Oz. Já James Franco vale-se de seu carisma sempre em dia e do jeitão despojado de sua persona fora das telas para cativar como o malandro de bom coração.
No fim, é o selo Disney que prevalece nesta bem azeitada aventura desenhada para ser aproveitada em família.