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sábado, 22 de maio de 2010

De olho no futuro...


Os problemas em Homem aranha 4 continuam
E as coisas realmente não vão bem na produção do novo filme do Homem aranha. Depois da imensa confusão que foi a demissão de Sam Raimi e Tobey Maguire, a Sony acaba de levantar mais um fio de suspeita sobre a continuidade da saga do herói aracnídeo no cinema. O roteirista Alvin Sargent, de 83 anos, co-roteirista do último filme, foi contratado para supervisionar o roteiro escrito por James Vanderbilt (roteirista de Zodíaco). O texto de Vanderbilt já está pronto. O que nos leva a crer que a Sony, que planeja rodar um filme com Peter Parker adolescente, não gostou do resultado. Será que Sam ainda está disponível?

Ecos de A mão que balança o berço
O que Rebeca de Mornay (alguém ainda lembra dela?) e o diretor de Jogos mortais 2 e 3, Darren Lynn Bousman, planejam juntos? Acertou quem respondeu um filme macabro sobre o dia das mães. Mother´s day mostra Rebecca como uma mãe sociopata que em um dia das mães resolve visitar a casa que criou os filhos “sociopatinhas” já falecidos. Quem não vai gostar da ideia são os atuais moradores da residência que ficam a mercê do revival que a mamãezinha vai preparar.


Você foi um mal menino...

Alice no país das maravilhas 2
Pois é, filme Disney é assim. Tem sequências, mesmo que indesejadas ou incabíveis. Por que de um jeito ou de outro, elas se viabilizam em merchandising e brinquedos. Alice no país das maravilhas, que já ruma para a modesta marca de U$ 1 bilhão de dólares em todo o mundo, já recebeu o aval da direção do estúdio para ganhar uma continuação. Ninguém do elenco tem contrato para a sequência e é difícil crer que Tim Burton volte. Já que o diretor nunca dirigiu uma seqüência e não escondeu sua decepção com o filme que realizou.

Será que a exilada rainha vermelha volta para cortar mais algumas cabeças?
Mudança no novo filme de Terry Gilliam
Johnny Depp ajudou Terry Gilliam a conseguir financiamento para filmar Dom Quixote ao entrar para o projeto. Pois bem, essa semana Depp anunciou sua retirada da produção. Não foram dadas maiores justificativas (a coluna desconfia que Depp só quis assegurar que a produção iria vingar), mas foi anunciado o nome de Ewan McGregor como substituto de Depp. Robert Duvall também entrou para o elenco do filme que ainda está pré-produção.

Os macacos voltaram
E a Fox resolveu ressuscitar a franquia Planeta dos macacos, esquecida depois do fracasso do remake de 2001 dirigido por, imaginem você, Tim Burton (no segundo grande deslize de sua carreira, embora o filme seja muito superior a Alice). O novo filme se chamará Rise of the Apes (bem original , né?) e será dirigido pelo desconhecido Ruppert Wyatt. James Franco, que é muito bom ator (melhor que Mark Wahlberg pelo menos) será o protagonista do filme que tem estréia prevista para julho do ano que vem.
James Franco (na foto com um bigodinho cafa) viverá um cientista no novo começo da saga dos símios no cinema

terça-feira, 11 de maio de 2010

ESPECIAL O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS - Critica

Devaneios e sonhos




Heath Ledger vive o enigmático Tony em O mundo imaginário do doutor Parnassus: um filme que oferece uma experiência sensorial e nostálgica


A expectativa pelo novo trabalho de Terry Gilliam, um legítimo cineasta cult, já era grande antes da morte do protagonista do filme (o ator Heath Ledger). Depois do fatídico e trágico acontecimento, a expectativa se agigantou; uma vez que seria essa a despedida definitiva de Ledger das telas e do público para com ele. O mundo imaginário do doutor Parnassus (The imaginarium of doctor Parnassus EUA/ING 2009) é, portanto, tomado por um inevitável sentimento de nostalgia. Esse sentimento embora permeie a platéia em um misto de curiosidade mórbida, fascinação e saudosismo, está intrínseco à fita de Gilliam. Isso ocorre devido ao caráter fabular de seu filme. Um conto fantástico que remete diretamente a um universo de possibilidades e sensações.
Em O mundo imaginário do doutor Parnassus, Parnassus (Christopher Plummer) fez, entre inúmeras apostas com o Diabo (Tom Waits), uma que o assombra. Pela imortalidade, prometeu ceder ao Diabo todo e qualquer filho que tivesse quando este chegasse a idade de 16 anos. Às vésperas da doce Valentina (Lilly Cole) completar essa idade, Parnassus é tomado pela ansiedade e tristeza. A frente de um grupo de teatro errante que perambula por uma soturna Londres, ele possibilita que seus espectadores entrem em seu imaginário. O acesso para o imaginário de Parnassus se dá através de um espelho.
A proximidade do 16º aniversário de Valentina motiva o Diabo a fazer nova proposta com Parnassus. Aquele que conseguisse primeiro 5 almas, até a data do aniversário da menina, venceria. A nova aposta coincide com o surgimento de Tony (Heath Ledger). Uma figura misteriosa de boa lábia e extremamente sedutora. Tony será decisivo para que Parnassus possa cumprir sua meta.


Passando o tempo:Parnassus (Christopher Plummer) passa a sonhada imortalidade apostando compulsivamente com o Diabo




A fita tem momentos oníricos e algumas passagens de beleza fugaz. O mundo concebido por Gilliam impressiona. Assim como a estratégia aventada pelo diretor para suprir a ausência de Ledger. Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel vivem Tony dentro do espelho em diferentes momentos. Essa opção não só deu muito certo, como se revelou um recurso narrativo valioso para a história contada.
O filme, apesar de hermético e rocambolesco como são as obras de Gilliam, tem uma moral muito clara. Os vícios são a perdição do homem. E o sonho, e mais que isso a capacidade de acreditar neste sonho, podem ser elementos libertadores.
O grande “porém” da fita é seu ultimo ato. Apressado, mal desenvolvido e um tanto quanto impertinente ao tom que imperava até então no filme. Fica a impressão de que Gilliam não sabia muito bem como encerrar aquela história de maneira feliz, mas sem perder de vista a relevância de seu conto.
Quanto a Heath Ledger, o ator não está arrebatador como em seus últimos trabalhos (Batman – o cavaleiro das trevas e Não estou lá), mas demonstra o habitual tino para compor personagens indecifráveis. O que contribui para a elucubração perpetrada por Gilliam.
Nostalgia, fantasia e Heath Ledger. O mundo imaginário do doutor Parnassus se resume a esses elementos. Quis o destino que eles se embaralhassem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ESPECIAL O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS - Delírios cinéfilos!

Em O mundo imaginário do doutor Parnassus, o doutor Parnassus faz um pacto com o diabo e troca sua filha pela imortalidade. Com a proximidade de ter que entregar a doce Valentina ao Diabo (o acordo previa que ele a entregasse na ocasião de seu décimo sexto aniversário), o doutor Parnassus propõe um desafio ainda mais perigoso a seu oponente, cujo prêmio é ainda mais precioso.
Claquete apresenta uma imersão na mais recente obra de Terry Gilliam com trechos extraídos e traduzidos do roteiro de Terry Gilliam e Charles McKeown.


Martin está perdido e aterrorizado na floresta escura... caminhando com dificuldade por milhares de latas de cerveja e garrafas de bebidas descartadas

Martin
Mum... mum... Socorro! Alguém...?

A voz dele ecoa através das gigantes árvores. Mas seus lamentos são interrompidos por outro som... uma espécie de grito de Tarzan

Martin gira. Estranhas criaturas estão se balançando nas videiras das gigantes arvores. Elas estão todas ao redor dele.


Martin
Por favor... Eu nunca...! Nunca beberei novamente! Honestamente! De agora em diante... Eu juro! Nem uma gota!

Com um sorriso de satisfação a criatura em forma de mão para com a tagarelice e larga do colarinho de Martin.


Mr. Nick
Não, espere! Má escolha! Seus dedos são muito pequenos e gorduchos. Esses são dedos de gatilho, filho. Jeito errado. Esse é o jeito do Parnassus. Aquela ponte leva ao fracasso e ao desespero. Você estará morto antes de sentir sede.

Diego parece incerto, apreensivo. Por um momento pensamos que ele pode mudar de ideia, mas a medida que ele avança cada chave do piano rumo a ponte, eles tocam uma nota. Passo a passo ele se envolve na música... Interpretando sua parte. A face dele se ilumina e ele segue bravamente pela ponte. A música se inflama de centenas de pianos... ascendendo uma magnífica corda enquanto um monumental órgão acompanha.



Doutor Parnassus (voz)
Muitos... muitos séculos atrás, na realidade, em outra vida...

Um cavaleiro encapotado move-se lentamente através da tempestade de neve, o cavalo segue cuidadosamente através do campo com neve virgem

Cont. Doutor Parnassus (voz)
... Eu fui visitado, no meu santuário... por alguém que eu esperava jamais conhecer. Alguém que nenhum de nós deveria jamais esperar conhecer...



Tony
Melhor sorte da próxima vez, parceiro

terça-feira, 4 de maio de 2010

ESPECIAL O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS - O filme pequeno que virou homenagem

Era uma vez um diretor que se apaixonou por um ator. Mas essa paixão não era carnal, muito menos romântica. O australiano Heath Ledger tornou-se o muso de Terry Gilliam. “O filme só conseguiu financiamento depois que Heath entrou no projeto”, disse o diretor à reportagem da Entertaiment Weekly. “O engraçado é que eu não havia oferecido o papel para ele. Ele pediu para ler o roteiro e então pediu para interpretar Tony. Quando o vi como Tony pela primeira vez, pensei comigo: Como que eu ia deixar essa passar?”, relembra Gilliam que já havia dirigido Ledger em Os irmãos Grimm (2005). Lembro de ter gostado muito da experiência de trabalhar com Ledger naquele filme, mas foi durante a pré-produção de Parnassus que me apaixonei pelo ator que ele é. Diretor e ator desenvolveram amizade depois do filme de 2005. “Ledger era um ator muito angustiado. Ele não sabia se deveria aceitar o papel em Brokeback Mountain. Certamente os prêmios e as indicações que recebeu o deixavam desconfortável”, continua o diretor, que foi grande incentivador para que Ledger aceitasse o desafio.
E é sobre Heath Ledger, para o bem e para o mal, que pairam os interesses em O mundo imaginário do doutor Parnassus. O filme que debutou no festival de Cannes do ano passado, não tinha distribuição garantida até que Batman – o cavaleiro das trevas fizesse o alvoroço que fez nas bilheterias. Lionsgate e Sony Pictures Classics se uniram para distribuir o filme e ajudar a perpetuar o legado do ator, cuja vida fora abreviada em janeiro de 2008.

Heath Ledger como Tony: Gilliam ficou arrebatado quando viu o ator em cena


Paralisação, tristeza e solução
A morte de Ledger, obviamente, paralisou as filmagens de O mundo imaginário do doutor Parnassus. Terry Gilliam, chocado, não sabia o que fazer. “Vi a notícia pela TV e me recusava a acreditar. Ele tinha estado comigo ali, cheio de vida, dias antes”. Sem Ledger não haveria como continuar pensou consigo. Mas o destino quis diferente. O mundo imaginário do doutor Parnassus não é um filme convencional, é uma fábula fantástica cheia de esquisitices e referências literárias que permitem devaneios estilísticos. Não à toa é um filme de Terry Gilliam. Três amigos e fãs de Ledger se apresentaram para terminar o filme. Mas não eram fãs quaisquer. Johnny Depp, Colin Farrel e Jude Law completariam as cenas de Ledger e doariam seus cachês para a filha do ator, Matilda. A aparente picaretagem era possível graças ao aspecto idílico da obra. Alguns ajustes no roteiro e pronto. Tony, o personagem de Ledger, passara a ser Tony, o personagem de Ledger, Depp, Farrel e Law.
“Fiquei muito feliz por eles recuperarem o filme e darem este presente a Matilda. Esse gesto já vale mais do que o filme”, disse o cineasta em entrevista no festival de Cannes do ano passado.

Jude Law (na foto), Colin Farrel e Johnny Depp entraram no projeto após a morte de Ledger em caráter de homenagem ao ator australiano


Não seria um sucesso de qualquer jeito
Apesar do estrondoso sucesso de O cavaleiro das trevas, Gilliam nunca se iludiu. “Já sabia que o filme não seria um sucesso”, disse à Entertainment Weekly. É lógico que o filme de Chris Nolan merecia todo o sucesso que teve, assim como Heath. Fico contente de tudo isso ter ajudado na realização de Parnassus, mas a proposta aqui é diferente”, sentencia o diretor.
Com duas indicações ao Oscar 2010 (figurino e direção de arte), O mundo imaginário do doutor Parnassus não fez sucesso comercial. O filme que estreou no natal nos EUA ficou em cartaz um mês e não se pagou por lá. A estréia brasileira ocorre nesta sexta-feira, 7 de maio, e não deve ocorrer nada de muito diferente. A fita dividiu a critica, para quem a marca de ser o último trabalho de Ledger pode ter ajudado a botar o filme nos cinemas, mas prejudicou na apreciação da mesma. Mas como diria Gilliam: não seria um sucesso de qualquer jeito.

Terry Gilliam abre o jogo: "Meu filme não seria um sucesso de qualquer jeito"

domingo, 2 de maio de 2010

ESPECIAL O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS - Insight

Um louco chamado Terry Gilliam



Existem cineastas que são cultuados por suas esquisitices e existem cineastas que são cultuados pela capacidade de transformar esquisitices em arte. O americano Terry Gilliam, que já avança aos 70 anos de idade, é um dos poucos que pertencem tanto a um grupo quanto ao outro. Um dos homens por trás do cultuado Monty Python (série de TV que também rendeu alguns idolatrados filmes nas décadas de 70 e 80), é um diretor inquieto e ansioso por reproduzir os delírios mais variados. Desde que seus; de preferência. Gilliam já declarou mais de uma vez que prefere dirigir roteiros que escreva ou que, no mínimo, colabore ativamente na confecção.
Depois do período com o Monty Python e de exercitar um senso de humor ácido, o diretor balançou as estruturas vigentes na década de 80 com uma ficção científica pessimista. Brazil – o filme, estrelado por Robert De Niro e Iam Holm, foi considerado por muitos como a melhor tradução de 1984, o livro de George Orwell. Gilliam foi, inclusive, indicado ao Oscar pelo roteiro do filme.

O diretor em momento quem tem medo do lobo mau?


Seus filmes geralmente apresentam exuberância visual e são, em sua maioria, experiências herméticas. Não são filmes para um espectador amplo. Seja pela veia corrosiva do cineasta (seus filmes não obedecem fórmulas hollywoodianas), seja por sua resistência em tornar-se mais aprazível para o grande público. Um de seus maiores sucessos de público e crítica, tendo sido inclusive indicado a vários Oscars, Pescador de ilusões (1991) é o trabalho que menos se orgulha de ter feito, conforme já declarou em entrevista a revista americana Rolling Stone. Pudera. Foi este o único filme em que não esteve envolvido com o processo de roteirização.
Curiosamente, passaram-se 4 anos entre esse e o filme sequente da carreira de Gilliam. Os 12 macacos (1995), que trazia Brad Pitt e Bruce Willis em uma ficção apocalíptica e bastante elaborada, foi o segundo maior sucesso de público do cineasta. Até hoje segue como o último.
Desde então, o diretor realizou três filmes. Dois dos quais debutaram e competiram no festival de Cannes. Os dois últimos com Heath Ledger. Os irmãos Grimm (2005) e O mundo imaginário do doutor Parnassus (2009). Por quem confessa: “Me apaixonei! Era um ator completo e melhor a cada take”, relatou a Entertainment Weekly em memorial que a revista preparou em homenagem ao aniversário de um ano da morte do ator ano passado.

Gilliam abraça Heath Ledger em Veneza onde exibiram Os irmãos Grimm em 2005
Terry Gilliam há anos planejava filmar a tragédia de Dom Quixote. Finalmente, com Johnny Depp (que dirigiu em Medo e delírio em Las Vegas e em O mundo imaginário do doutor Parnassus) a bordo, o filme entrou em pré –produção. “Aos 70 anos vou realizar meu sonho de criança”, disse ao site Ain´t it cool news sobre sua expectativa quanto ao filme.
Terry Gilliam refuta o título de visionário que muitos tentam lhe atribuir. Ficou famosa uma fala sua que pode ser encontrada no site IMDB: “Um dos maiores visionários de Hollywood? Eu não sou nem mesmo um diretor de Hollywood”. Como se vê, o senso de humor continua sendo a base de Gilliam que pode ser incomum, mas não é louco. Afinal de contas, já disse que seus atores preferidos são Johnny Depp, Tom Waits e Heath Ledger. Se ele é louco, todos somos.
Gilliam em momento toda loucura é relativa...