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domingo, 10 de março de 2013

Insight - Quando menos é mais



Entraram em cartaz nas principais cidades do país neste fim de semana dois filmes “menores” de cineastas consagrados. A parte dos anjos, de Ken Loach, é o que a crítica especializada tem chamado de filme mais leve do britânico em anos. Geralmente conhecido por seus filmes de forte comentário político como Ventos da liberdade e Rota irlandesa, Loach arrebatou a riviera francesa – de onde saiu com o prêmio do júri - com uma história sobre um ladrão que acaba de ser pai e, na expectativa de mudar de vida, articula um novo esquema que inclui um olfato apuradíssimo para uísques e a tal da parte dos anjos, termo dado aos 2% do barril que são perdidos devido à evaporação do álcool ao longo dos anos.
Menos leve, mas não menos elogiado, é Killer Joe – matador de aluguel do grande William Friedkin. O cineasta americano anda bissexto e este é apenas seu terceiro filme em dez anos. Adaptado da peça de Tracy Letts, autor que já havia servido de base para o trabalho anterior de Friedkin, Possuídos, Killer Joe – matador de aluguel é uma comédia de humor negro. Chris (Emile Hirsch) contrata o Joe do título, vivido por Matthew McConaughey, para matar sua mãe de maneira a pode sacar o seguro de vida em nome dela. Fazem parte do esquema seu pai e sua madrasta. Como garantia a Joe, ele oferece a irmã. Exibido pela primeira vez no festival de Veneza, Killer Joe foi saudado com um dos exemplares mais vigorosos do cinema americano dos últimos anos.

Tensão e humor: Há quem considere Killer Joe o melhor filme de Friedkin desde O exorcista (1973)

Friedkin e Loach, no entanto, não estão na vanguarda desse movimento. É mais comum do que parece cineastas experimentados conseguirem algumas das melhores críticas, quiçá prêmios, de suas carreiras com trabalhos menores ou menos ambiciosos.
Clint Eastwood, por exemplo, conseguiu seu segundo Oscar como diretor e seu segundo Oscar como produtor por um filme que nem mesmo o estúdio (Warner Bros) apostava para a temporada de premiações. Menina de ouro era o patinho feio em um ano de grandes produções de estúdio como Ray e O aviador, Menina de ouro foi crescendo na temporada e acabou sendo o grande vencedor do Oscar de 2005. Danny Boyle é outro que conseguiu triunfar no Oscar com seu filme menos ambicioso. Sob muitas perspectivas, Quem quer ser um milionário? é um filme menos ventilado do que produções como Trainspotting – sem limites, Sunshine – alerta solar ou mesmo o mais recente 127 horas.
Woody Allen estava apenas dando sequência a seu tour pela Europa e Meia-noite em Paris, filme no qual não despendeu um pingo a mais de energia do que em Você vai conhecer o homem dos seus sonhos ou Para Roma com amor, conquistou público, críticas e prêmios.
Steven Soderbergh, que andava brigado das boas críticas há algum tempo, reencontrou-as com um improvável filme sobre o cotidiano de strippers masculinos. Magic Mike se pagou em um fim de semana e, salvo uma ou outra crítica, foi um dos maiores consensos da carreira do diretor de obras como Sexo, mentiras e videotape e Traffic – ninguém sai ileso.

O maior underdog dos últimos anos no Oscar foi Menina de ouro que começou a temporada de premiações como azarão supremo e se consagrou o grande vencedor do Oscar 2005

Premeditadamente ou por intervenção do destino, cineastas que usam da prerrogativa do low profile para driblar o peso das expectativas e reaver a beleza do storytelling frequentemente acertam. E com assiduidade mais comum do que se percebe, atingem os picos de suas carreiras.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TOP 10 - Dez filmes esportivos que não são genuinamente sobre esporte

Um dos principais destaques do mês na programação dos cinemas é O homem que mudou o jogo. Estrelada por Brad Pitt, dirigida por Bennett Miller (Capote) e com seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e ator, a fita remonta a história real do homem que revolucionou a forma de se montar um time nos chamados drafts (recrutamento esportivo muito comum nos EUA nas ligas profissionais). O filme, porém, é menos sobre esporte e mais sobre gestão humana. Em homenagem a essa difícil bifurcação, Claquete bolou um TOP 10 que agrega filmes sobre esporte que não são realmente sobre esporte.



10 - Wimbledon – o jogo do amor (Wimbledon, EUA/ING 2004)
E que tal uma comédia romântica ambientada no mundo do tênis, um esporte excêntrico para a maioria do público? É essa a proposta dessa agradável fita inglesa dirigida por Richard Loncraine. Kirsten Dunst faz um prodígio do tênis, cuja carreira é controlada a unha pelo pai vivido por Sam Neill e Paul Battany faz um tenista mediano que só entra no torneio após receber um convite por ser britânico. Os dois se apaixonam e enquanto o jogo do personagem de Bettany melhora, o da promessa vivida por Dunst se deteriora. Um relativismo charmoso da máxima “azar no jogo, sorte no amor”.


9 – O milagre de Berna (Das Wunder Von Bern, Ale 2003)
Essa pequena preciosidade alemã recria a conquista da Alemanha ocidental sobre a poderosa Hungria do craque Púskas, naquele que ficou conhecido como o milagre de Berna – em referência à cidade suíça que sediou a partida. O filme captura o momento pós - 2ª guerra em que a moral alemã estava em frangalhos e sublinha a importância do triunfo na principal competição internacional de futebol para o povo alemão.


8 – Hardball – o jogo da vida (Hardball, EUA 2001)
Um filme que tira proveito da falta de expressividade de Keanu Reeves. Aqui ele faz um apostador compulsivo que para pagar suas dívidas de jogo precisa treinar um time infantil de baseball da periferia. É aquele tipo de filme que congrega boas cenas do esporte com um crescimento pessoal do protagonista. É um filme simples, mas com muito coração.


7 – Duelo de titãs (Remember the titans, EUA 2000)
Poderia ser Invictus, que tem o pedigree de Clint Eatwood e o interesse na figura de Nelson Mandela, mas esse filme Disney estrelado por Denzel Washington apresenta exatamente o mesmo desenvolvimento narrativo e tem o mesmo mote: negros e brancos se unem através do esporte e um personagem negro é o intermediário dessa união. Em Invictus é o Mandela de Morgan Freeman, aqui o técnico vivido por Washington.  Filme edificante que versa sobre tolerância e igualdade a partir de um ambiente esportivo. Genuinamente Emocionante!


6 – O vencedor (The fighter, EUA 2010)
Um filme até certo ponto improvável na carreira do diretor David O. Russell, mas que o levou ao Oscar. A fita, que remonta momentos decisivos da carreira do pugilista Mick Ward (com algumas providenciais licenças poéticas), está mais próxima do clássico italiano Rocco e seus irmãos (1960) do que de um filme de boxe propriamente dito. Mas para a construção desse drama familiar, o boxe é essencial. Russell percebeu e adornou isso muito bem.


5 – O lutador (The wrestler, EUA 2008)
Darren Aronofsky faz uma desapaixonada crônica sobre decadência ao acompanhar, bem de perto, o lutador de wrestler que já foi famoso e vive de bicos e exibições picaretas. A solidão, a solidariedade e os arrependimentos morrem todos no ringue. Um filme crepuscular.


4 – Por amor (For the love of the game, EUA 1999)
Aqui temos o diretor Sam Raimi, antes da fama conquista com Homem-aranha e um pouco fora do seu metiê trash (Evil dead e Arrasta-me para o inferno). Nessa inspirada parábola sobre um jogador de baseball às vésperas da aposentadoria que precisa reexaminar suas prioridades. A mulher, se sentindo preterida, ameaça deixá-lo e, em meio à escassez de ofertas, ele recebe uma de um time de menor expressão que lhe oferece um recomeço e um desafio profissional.


3 – Rocky – um lutador (Rocky, EUA 1976)
O sonho americano vive e, talvez, depois da eleição de Obama reside na ficção o maior “conto” sobre os alcances do sonho americano. Foi Rocky –um lutador, um roteiro de Stallone que ele condicionou ao estúdio sua escalação como protagonista, que tornou pop e cult o sonho americano. Não existe referência mais vívida do que representa esse conceito do que a trajetória de Rocky. O próprio filme, azarão, bateu pesos pesados como Todos os homens do presidente, Taxi driver e Rede de intrigas e faturou o Oscar de melhor filme.


2- Jerry Maguire – a grande virada (Jerry Maguire, EUA 1996)
O filme que revelou o talento de Cameron Crowe mostra um agente esportivo que vai do céu ao inferno ao ser sabotado pela empresa em que trabalha. Jerry Maguire, no entanto, mantém um pequeno séquito de pessoas que acreditam em seu potencial. Entre eles o promissor jogador de futebol americano vivido por Cuba Gooding Jr. e a assistente (e posterior interesse romântico) vivida pro Renée Zellweger. Um filme sobre as agruras e angústias de recomeçar. Mas também sobre o encantamento que esse recomeço proporciona.


1 – Menina de ouro (Million dollar baby, EUA 2004)   
Um filme sobre orfandade, sobre eutanásia, cumplicidade e boxe. Nesta ordem. Menina de ouro esconde superlativos por trás de sua simplicidade. Hilary Swank vive Maggie, garçonete que leva uma subvida e que sonha em ser lutadora de boxe. Clint Eastwood é Frankie, proprietário de uma academia e treinador de boxe com algumas mágoas familiares. Os personagens irão se cruzar e transformar as vidas um do outro de maneira extraordinariamente emocionante, honesta e cativante.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Filmografia comentada - Clint Eastwood


Apresentação


Clint Eastwood dispensa introduções. É em seus adornos de homem feito e evoluído a tradução mais fiel de lenda viva. Homem de muitas mulheres e de uma mulher só, amante da boa música (queria ser pianista), toca vários instrumentos e compõe maravilhosamente bem. Esteve na guerra da Coréia e teve a coragem de mudar conceitos, rodou um filme para tornar isso público (Gran Torino). É republicano (já não tão) fervoroso e símbolo de uma América alfa que se enamora das armas, mas rodou filmes liberais como Menina de ouro.
Ator que não teve medo de aprender. Começou na profissão por ser bonito, mas teve que ir para fora do país, pois na América não encontrou espaço. De muso dos spaghetti italianos virou o maior autor do cinema americano. Seus filmes mobilizam críticos. A imprensa se surpreende com sua vitalidade. Em 2006 e 2008 lançou dois filmes de maneira simultânea. Clint mantém um escritório na sede da Warner, estúdio com quem mantém contrato, em Los Angeles. É admirado como homem, artista, intelectual e profissional. É um entusiasta da vida e de suas experiências. Figura apropriada para a inauguração deste novo espaço em Claquete.






Primeiro filme
Perversa paixão (Play misty for me, EUA 1971)

Clint Eastwood realiza, com invejável propriedade, esse drama em que um locutor de rádio mulherengo (o próprio Eastwood) engata um romance com uma fã no mesmo momento que a ex-namorada retorna a cidade decidida a reconquistá-lo. Um romance que vai ganhando corpo como thriller e que revela um diretor ágil, dinâmico e econômico.


Repisando as tradições
O estranho sem nome (high plans drifter, EUA 1973)

Após uma elogiada estréia como diretor, Eastwood se sentiu a vontade para conceber o próprio western emulando Leone nesse filme em que um forasteiro se incumbe da paz em um vilarejo. Um filme que honra as tradições do gênero e não denuncia um diretor iniciante.



A glória repentina
Os imperdoáveis (The unforgiven, EUA 1992)

Vinte anos separaram Eastwood do retorno ao western como diretor. Aqui ele revê o mito que ajudou a construir e demole alguns paradigmas do gênero com simplicidade narrativa, propriedade visual e uma história crepuscular que se agiganta a cada revisão.
Não à toa, o filme conquistou quatro Oscars e saudou o até então questionado Eastwood como um diretor reconhecido.



O próprio chefe
Um mundo perfeito (A perfect world, EUA 1993)

No mesmo ano, Eastwood estrelou Na linha de fogo, o último filme em que trabalhou para outro diretor. Um mundo perfeito marca uma nova fase em sua carreira em que só atuaria sob as próprias ordens. No filme, ele desvela uma trama de angústias e frustrações escondida em um filme de sequestro. Kevin Costner protagoniza, mas Clint surge como um homem da lei com alguma bagagem. Pensativo, Um mundo perfeito é dos primeiros Clints pessimistas a surgir no cinema.



Os brutos também amam
As pontes de Madison (The bridges of Madison county, EUA 1995)

Muitos até hoje se surpreendem ao constatar que Clint Eastwood é o diretor deste melodrama romântico e profundamente sereno sobre o amor. Hoje a surpresa incide menos, mas à época de seu lançamento, As pontes de Madison causou espantos na crítica e desorientação nos fãs mais conservadores de Eastwood. Ele contracena com Meryl Streep e dirige um doloroso epílogo amoroso com sensibilidade e coração. Um filme doído, verdadeiro e que figura como um dos pontos altos do cineasta.



Fase policial
Poder abolsuto (Absolute power, EUA 1997)

Com a segurança como diretor mais do que estabelecida e o trânsito pelos gêneros consolidado, Eastwood deu início a uma bem humorada fase policial. Esse filme em que Gene Hackman faz um presidente americano envolvido em uma trama de assassinato, Clint faz um ladrão de obras de arte que se transforma em peça chave do caso. Aqui Clint enseja um dos temas mais caros a sua filmografia, a orfandade e a questão da paternidade. Seu ladrão tem sérios problemas de relacionamento com a filha, vivida por Laura Linney.
A fase policial continuaria com Meia noite no jardim do bem e do mal (1997), Crime verdadeiro (1999), Dívida de sangue (2002) e culminaria no neo-clássico Sobre meninos e lobos (2003).


Clint com os dois oscars conquistados em 2005 por Menina de ouro: prestígio crescente em Hollywood



Canto do cisne
Cowboys do espaço (Space cowboys, EUA 2000)


Esse é o filme que mais se aproxima de uma comédia dentro da filmografia de Clint. Ele reuniu uma turma de veteranos (Tommy Lee Jones, James Garner e Donald Sutherland) para estrelar essa fita de ação sobre um time de veteranos astronautas que precisa resgatar um satélite no espaço. Era como se Clint antecipasse a fase áurea de sua carreira como diretor e se despedisse de sua encarnação anterior como artista.



A nova vida
Sobre meninos e lobos (Mistic River, EUA 2003)

A tragédia como elemento desagregador é a ideia que move esta crônica policial de tintas escuras narrada com maestria por Eastwood. O filme que rendeu críticas elogiosas levou Clint a Cannes e ao Oscar – de onde estava afastado desde Os imperdoáveis – e revelava um diretor sem medo de assumir sua veia autoral.

 Sean Penn e Kevin Bacon em uma das últimas cenas de um dos filmes mais dolorosos do cinema recente



Consagração suprema
Menina de ouro (Million Dollar babay, EUA 2004)

Um ano após a erupção provocada pelo sublime Sobre meninos e lobos, Eastwood volta a causar impacto com outra história dolorosa sobre perdas. Triste, Menina de ouro, no entanto, acena com a redenção que faltara ao Eastwood anterior. De underdog, virou o grande filme de 2004 e faturou os Oscars de filme e direção. Clint entrava para o seleto grupo de diretores a ostentar mais de um prêmio da academia.
A história da boxeadora e seu treinador que desenvolvem uma relação de afeto e carinho desemboca em uma dolorosa história sobre recomeço, perdão e eutanásia. Mas o filme é tão magnânimo e humano que escapou à polêmica.



A outra face da guerra
A conquista da honra/Cartas de Iwo Jima (EUA/Japão 2006)

 Cada vez mais confortável na posição de autor, Eastwood realiza esse projeto audacioso sobre uma das batalhas mais icônicas da segunda guerra mundial. Com produção de Steven Spielberg, Eastwood rodou um filme sobre a indústria da guerra e como a propaganda é vital para sua sustentação. Foi durante a produção de A conquista da honra que Eastwood teve a ideia de rodar um filme a partir da perspectiva japonesa do conflito. O incomum ponto de vista do lado perdedor da guerra rendeu nova indicação ao Oscar ao cineasta. Cartas de Iwo Jima sacramenta a visão autoral de Eastwood ao privilegiar um diálogo com os sentimentos e buscar um olhar inédito sobre o conflito.



A despedida do ator
Gran Torino (EUA 2008)

O gosto pela direção já estava mais do que provado e Eastwood jamais colhera tantos louros no ofício quanto na década de 00. A decisão de assumir inteiramente a direção, abandonando o ofício como ator, deu mais importância a esse drama revisionista e profundamente humano que lançou em 2008. Gran Torino é um testamento do ator Eastwood e mais uma prova do cineasta articulado, democrático e robusto que é Eastwood. O filme sobre o veterano da guerra da Coréia que vai sobrepujando seus inúmeros preconceitos a medida que o filme avança é uma lição de vida sem ser moralista. É dos grandes filmes, ainda que rigorosamente simples, da história do cinema.

Clint Eastwood com uma grávida Angelina Jolie no festival de Cannes de 2008, onde exibiram em competição A troca


Inquietação temática
Além da vida (Hereafter, EUA 2010)

Da altivez de seus 80 anos, Clint Eastwood tem se permitido experimentar. Realizou outro filme sobre o perdão disfarçado de biografia (Invictus) e enveredou por um drama de conotação espírita que celebra a vida (Além da vida). O filme protagonizado por Matt Damon é dos mais estilizados de Clint, mas mantém a propriedade narrativa, o esmero acadêmico e o classicismo que caracterizam seu cinema.
O diretor manipula efeitos especiais com destreza e investe na sutileza para amparar uma história de comunhão muito maior do que a restrita sinopse da fita sugere.


Cenas dos próximos capítulos: Clint Eastwood e Leonardo DiCaprio no set de J.Edgar. Ninguém ainda viu o filme, mas ele encabeça a lista de favoritos ao Oscar 2012 de quase todo mundo. Para o ano que vem, Clint irá dirigir o remake de Nasce uma estrela que será protagonizado pela cantora e atriz Beyonce

domingo, 16 de maio de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 2 - Menina de ouro

“Garota, ser durona não é o suficiente!”


Sinopse
Frankie Dunn mantém uma academia onde treina e agencia lutadores de boxe. Frankie hesita em treinar Maggie Fitzgerald, primeiro por não treinar mulheres e por ela já estar velha demais para a carreira. A persistência da lutadora e a afetuosidade que surge entre os dois fazem com que ele mude de idéia.

Comentário
A orfandade é algo que move o cinema de Eastwood. Em Menina de ouro, personagens órfãos, ou seja, largados a própria sorte, estão no centro da narrativa. O diretor, no entanto, não se detém apenas a essa rica construção. Ele aprofunda o drama dos personagens e realiza um tenaz comentário sobre a natureza humana e suas contradições. Menina de ouro tem uma narrativa convencional, mas que não deixa de ser envolvente. Eastwood sabiamente opta por um registro minimalista; evitando o tom espetacular que dobra a cada esquina. A história de uma boxeadora, seu treinador e o faxineiro da academia em que treinam, a primeira vista, não traz nada de memorável. Contudo, o sentimento que a platéia nutre pela história é verdadeiro e irrevogável. Sem ceder ao sentimentalismo e ao moralismo, Eastwood conduz com força e propósito notáveis um drama seco, doído e sem direito a finais edificantes. A vida tem seus atalhos e a redenção não vem sempre da forma como gostaríamos, profetiza Eastwood em um filme liberal, altruísta e focado na verdade que nos faz humanos.

Prêmios
4 Oscars (filme, direção, atriz e ator coadjuvante); Melhor filme estrangeiro pela academia de cinema do Japão; melhor atriz pela associação dos críticos de Boston; Critic´s choice awards de melhor atriz; melhor filme e melhor atriz para a associação de críticos de Ohio; melhor direção para a associação de críticos de Chicago; Goya de melhor filme estrangeiro; César de melhor filme estrangeiro; prêmio de melhor filme estrangeiro para a academia de cinema italiano; melhor atriz e filme para a associação de críticos de Dallas; prêmio do sindicato dos diretores; 2 Globos de ouro (direção e atriz em drama); melhor filme e melhor atriz para o círculo de críticos do Kansas; melhor direção para o círculo de críticos de Nova Iorque; indicado aos prêmios dos sindicatos dos produtores, editores e roteiristas; melhor direção e trilha sonora para o círculo de críticos de San Diego; SAG de melhor atriz e ator coadjuvante; melhor direção e filme para a associação de críticos de Seattle; melhor direção, ator e ator coadjuvante para o círculo de críticos de Vancouver; melhor atriz para as associações de críticos da Flórida e Phoenix;

Curiosidades
- O filme foi rodado em apenas 38 dias
- A warner dispensou campanha publicitária para o filme porque não acreditava nas forças do filme na temporada de premiações e preferiu apostar em O aviador (que acabou dividindo o favoritismo com Menina de ouro e perdendo na noite do Oscar)
- Sandra Bullock iria produzir e estrelar o filme. Foi a atriz quem levou o roteiro para a Warner. Contudo, seus compromissos com a continuação de Miss simpatia a impediram de levar a idéia adiante. A warner ofereceu o projeto a Clint Eastwood
- A trilha sonora do filme, composta por Clint Eastwood, foi indicada ao Grammy
- Clint Eastwood, então com 74 anos, tornou-se o mais velho vencedor do Oscar de direção por este filme
- Foi o último filme a ter chances de ganhar os cinco principais Oscars (filme, direção, roteiro,ator e atriz). Só ganhou três destes.

Ficha técnica
título original:Million Dollar Baby
gênero: Drama
duração:02h17 min
ano de lançamento:2004
estúdio:Malpaso Productions / Lakeshore Entertainment / Warner Bros.
distribuidora:Warner Bros. / Europa Filmes
direção: Clint Eastwood
roteiro:Paul Haggins, baseado no conto de F.X. Toole
produção:Clint Eastwood, Paul Haggis, Tom Rosenberg e Albert S. Ruddy
música:Clint Eastwood
fotografia:Tom Stern
direção de arte:Jack G. Taylor Jr. e Jack Taylor
figurino:Deborah Hopper
edição:Joel Cox
elenco:Clint Eastwood, Hillary Swank e Morgan Freeman





Fonte:arquivo pessoal

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Insight

Sentimental ou sentimentalista – a dicotomia de duas escolas de cinema

Um ensaio sobre a honestidade de uma história; sobre a opção de um cineasta de preservar a integridade do registro ou não, mediante suas expectativas comerciais

Qual a diferença entre sentimental e sentimentalista? Atendo-se a definição semântica da palavra, extraída do dicionário, sentimental é quando se marca por sentimento, sensibilidade, ideário emocional; o que resulta do sentimento e não do pensamento ou da razão. Enquanto que sentimentalismo é a tendência a mostra-se sentimental; exagero de reações ou comportamentos sentimentais.
A partir dessas definições, é possível identificar no cinema em geral, no americano em particular – ainda mais em tempos de Oscar- filmes que se ajustam a uma e outra definição. Antes de eleger os filmes que darão escopo a essa análise e que a caracterizarão, é preciso reconhecer que faz parte de qualquer narrativa, principalmente a fílmica, iludir, deslumbrar, manipular. Mas é igualmente necessário lembrar, que existem limites e padrões desejáveis a serem preservados; e que eles serão decisivos para lograr aos filmes a acunha de sentimentais ou sentimentalistas. Uma percepção necessária na hora de se apreciar uma obra cinematográfica.

Clint Eastwood e Hillary Swank em cena de Menina de ouro: Os personagens, e seus dramas, falam por si...


Para materializar essa análise, elegem-se três dramas recentes que venceram o Oscar e um forte candidato da safra atual. Menina de ouro (2004), Crash (2005), Quem quer ser um milionário? (2008) e Preciosa (2009). Em comum, todos esses filmes têm sua origem independente e também a opção por contar dramas pessoais representativos de minorias. O preconceito e as mazelas sociais são elementos fortes e proeminentes nos quatro filmes, no entanto, a forma como esses elementos são trabalhados difere em todos os projetos. A narrativa e os discursos defendidos também são diferentes.

Cena de Quem quer ser um milionário?: Tal qual Preciosa, fala-se de esperança, mas com a falsa promessa de redenção; todo o sofrimento será compensado.


Enquanto Menina de ouro é dosado, comedido e não força a empatia do espectador com seus personagens, o drama de Danny Boyle, Quem quer ser um milionário?, procura a empatia do público com seu protagonista a todo tempo, lançando mão de subterfúgios narrativos a todo momento para cativar sua platéia, em uma “espetacularização da miséria”. Crash por sua vez cede ao moralismo. Todos os núcleos apresentados no filme têm uma função social e permitem um comentário de seu autor. A improbabilidade de certos desfechos não incomoda em virtude da força das histórias. Todas calculadas para produzir o efeito que produzem. Em Preciosa não há esse maniqueísmo. Sabe-se de antemão que a tragédia da protagonista é muito particular, embora também seja comum, e que ela não encontrará redenção no cinema, nem a platéia. Testemunha-se a força interior gestada na personagem que advém do mundo a sua volta. A honestidade de Preciosa se contrapõe vitoriosamente a veia manipulativa de Crash, embora o filme de Paul Haggis seja dramaticamente mais eficiente.

Em Crash, Paul Haggis exorta: Aqui se faz, aqui se paga. Uma parábola moralista que não deixa de se configurar em um poderoso drama

A partir desses fatos inescapáveis pode-se medir o interesse dos diretores para com sua obra e seus efeitos. Enquanto Eastwood e Daniels queriam contar boas histórias, reais, dolorosas e sem soluções fáceis, Danny Boyle e Paul Haggis (que como curiosidade é roteirista de Menina de ouro) queriam cativar, e exortar, sua platéia irrevogavelmente. Para isso, lançaram mão de artifícios narrativos mesquinhos para potencializar determinadas percepções. Cederam ao sentimentalismo, portanto. Esse fato não torna seus filmes ruins, mas os deixa um degrau abaixo dos outros dois em matéria de cinema. Eastwood e Daniels conseguiram permear seus filmes de sentimento por méritos próprios, sem pesar a mão. Sem desonestidade no relato. Rever os filmes em questão pode ser muito útil para a correta e completa assimilação desse artigo e para que a diferença entre ser sentimental e sentimentalista fique bem clara para cinéfilos e frequentadores de cinema habituais.

Gabourey Sidibe é a protagonista de Preciosa: com seis indicações ao Oscar, o filme fala de esperança sem maniqueísmos

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Movies Great Partnerships - Clint Eastwood & Morgan Freeman



Eles não são melhores amigos. Tão pouco mestre e pupilo. Na verdade, Clint Eastwood, 79 anos, e Morgan Freeman, 72 anos, não se ajustam às convenções das grandes parcerias cinematográficas. Ambos já haviam consolidado suas carreiras antes de estabelecerem parceria. Mas foi justamente no momento dessa união que Morgan Freeman e Clint Eastwood atingiram o melhor momento de suas carreiras. Duas vezes.
Clint e Morgan são hoje bons amigos que confiam um no outro sem amarras e sem pré-condições. “Isso facilita na hora de rodar um filme”, admitiu Morgan Freeman à época do lançamento de Menina de ouro, sobre o fato de ambos os veteranos se conhecerem de outros carnavais.
“Clint Eastwood é um diretor econômico e eu gosto de pensar que sou um ator simples”, disse Morgan em recente entrevista a revista Empire, durante um ensaio fotográfico que rememorou Os imperdoáveis. A parceria de Morgan e Clint, embora possa parecer restrita a relação de ator e diretor, é mais extensa; o que configura mais um aspecto pouco convencional dessa grande parceria do cinema. Eles também dividem a cena, com extrema desenvoltura, em Os imperdoáveis e Menina de ouro, ambos vencedores dos Oscars de filme e direção. A terceira colaboração, Invictus, que chega agora aos cinemas brasileiros, é mais convencional. Clint está apenas na direção e Morgan tem o show todo para ele. Ou seria o contrário? Como se trata de uma parceria, quem ganha mesmo, somos nós.


Os homens certos para a tarefa
Em Os imperdoáveis Morgan Freeman e Clint Eastwood vivem cowboys desesperançados. São homens amargurados e perseguidos pelo passado que aceitam um novo trabalho. Achar e punir os responsáveis por retalhar uma prostituta. O filme de Clint Eastwood é um western definitivo, em sua estrutura e em seu discurso. Passa a limpo todo um gênero cinematográfico e, de quebra, tece comentários tenazes sobre o deslocamento do ideário do machão no cinema americano. Freeman e Clint vivem amigos de longa data aqui. Chama a atenção a naturalidade dos gestos e da química entre os atores.


Clint e Morgan posam para o ensaio especial de 20 anos da revista de cinema Empire: Um filme que marcou época


Essa vida que vivemos
Em Menina de ouro, Clint Eastwood, o diretor, novamente escala Morgan Freeman para ser o melhor amigo do Clint Eastwood ator. O filme que emite a cada fotograma uma tristeza emulada em nostalgia ganha força na performance dos dois atores que foram lembrados pelo Oscar(Freeman venceu como coadjuvante). A amizade e o respeito que os personagens de Clint e Morgan tem um pelo outro são um dos muitos trunfos dessa vitoriosa fita. Menina de ouro versa sobre arrependimentos, redenção, confiança, amor, abandono e muitas outras coisas. É um filme, que em certo nível, mimetiza a obra dessas duas lendas vivas.


Em Menina da ouro, filme sobre as tragédias da vida, Clint e Morgan têm seus melhores momentos como atores


Para honrar uma lenda
E por falar em lendas, nada melhor do que duas lendas vivas reunidas para honrar uma terceira. Invictus, que antes se chamaria de The human factor, tinha uma diretriz muita clara. Narrar a experiência de Nelson Mandela em unificar a África do sul. O projeto foi oferecido a Eastwood e foi questão de tempo até Freeman entrar a bordo. O próprio Mandela disse em certa oportunidade que só o ator poderia vivê-lo em um filme sobre sua vida. Freeman e Eastwood juntos pela terceira vez por Mandela. Ele não poderia pedir melhor.


Morgan Freeman, Clint Eastwood e Matt Damon, os homens que deram vida a Invictus em outro ensaio fotográfico para deleite cinéfilo


Os números da parceria:
+ 3 filmes
+ Os imperdoáveis ganhou quatro oscars (filme, direção, montagem e ator coadjuvante para Gene Hackman)
+ Menina de ouro ganhou 4 oscars (filme direção, atriz para Hillary Swank e ator coadjuvante para Morgan Freeman)
+ As duas indicações ao Oscar de melhor ator da carreira de Clint Eastwood vieram dessas duas colaborações com Freeman
+ Foram também por essas duas colaborações que Clint Eastwood ganhou seus oscars de direção
+ Foi por Menina de Ouro que Morgan Freeman recebeu seu primeiro Oscar, depois de 4 indicações
+ Morgan Freeman foi o narrador de um documentário sobre a vida de Clint Eastwood produzido pela Warner em 2005
+ Menina de ouro e Os imperdoáveis estão na lista American Film institue (AFI) dos 100 melhores filmes da história do cinema americano
Fotos: Empire , Parade e Reusters

domingo, 26 de julho de 2009

Top 10

10 melhores atuações femininas da década:

10 – Kate Winslet por O leitor ( The reader 2008)

Interpretando uma mulher brutalizada e ainda assim de sensualidade marcante, Winslet dá vida a uma personagem das mais complexas que o cinema já concebeu. Uma mulher ignorante, simples, rígida, mas afável que esconde um segredo aterrador. Com o segredo jaz a consciência da personagem, que permanece imutável mesmo diante do mais absoluto mal. Em O leitor, Winslet se despe de qualquer traço de vaidade e se entrega a uma caracterização que exige extremo domínio e técnica apurada. Não a toa, ganhou todos os prêmios possíveis e imagináveis.

9 - Julia Roberts por Closer – perto demais ( Closer 2004)

Muitos cismam com Julia, não a acham grande atriz, muito menos merecedora do oscar que recebeu. Não só os leitores de Claquete não concordam – recentemente elegeram-na a melhor entre quatro atrizes presentes nessa lista- como sua atuação nesta fita de Mike Nichols prova que a atriz tem muito talento e basta ter um bom material para trabalhar e um bom diretor para dirigi-la.
Aqui ela faz uma mulher envolvida em um quadrilátero amoroso que cede a depressão sempre que se vê obrigada a fazer uma escolha em sua vida amorosa. A atriz está poderosa em cena e equilibra sabiamente a força de sua persona com a fragilidade emocional de sua personagem. Extraindo nuances sutis que passam despercebidas em um primeiro momento. A grande atuação da carreira da atriz. A acadêmia a premiou pelo filme errado. (Ela havia ganho alguns anos antes por Erin Brockovic – uma mulher de talento)

8- Merly Streep por As horas ( The hours 2002)

Atriz consagrada, recordista de indicações ao Oscar, era difícil imaginar que Merly não estivesse aqui. Em As Horas ela tem um papel relativamente pequeno, no núcleo menos desenvolvido do filme de Stephen Daldry. Contudo sua participação é marcante. Como uma editora independente, bem sucedida, mas carente que mantém uma relação homossexual problemática e cujo melhor amigo, e grande amor de sua vida, está morrendo de AIDS. Merly Streep consegue com alguns gestos, olhares penetrantes e muita convicção emocionar de uma maneira intensa. Uma atuação graciosa e realmente merecedora de reconhecimento.

7- Halle Berry por A última ceia (Monster´s ball 2001)

Sabe aquelas atuações que fazem você soluçar e sentir que determinada pessoa nasceu para fazer determinado papel. É o que Halle Berry fez acontecer nesse pequeno filme independente. Em A última Ceia, a atriz faz uma mulher que após perder o marido,executado na prisão, não sabe que rumo dar a sua vida. Imersa em dívidas e com um filho em constante necessidade dela, ela se refugia em uma relação conturbada com o homem responsável por executar seu marido. Filme fantástico que Halle Berry torna inesquecível devido a sua presença arrebatadora.

6- Sissy Spacek por Entre quatro paredes (In the bedroom 2001)

Poucas atrizes são capazes de mimetizar através de gestos, olhares e a própria presença todo um sentimento. Sissy Spacek consegue isso e vai além. Ela transmite para a platéia toda a angustia que sua personagem enfrenta. Aqui ela vive uma mãe em guerra silenciosa com seu marido, por que ambos elaboram o luto por seu filho de forma diferente. E também discordam sobre como proceder, já que o garoto fora assassinado. Filme poderoso que torna-se ainda melhor pela opção da realização de evitar o melodrama, opção esta, valorizada pela contida e pontual performance de Sissy Spacek.

5-Renée Zellweger por O diário de Bridget Jones ( Bridget Jones´diary 2001)

A atriz americana engordou, fez sotaque britânico e com muita graça e espontaneidade deu vida a célebre, e hoje até mesmo cult, Bridget Jones. A mulher que representa todas as mulheres. Zellweger não só alavancou sua carreira com esse filme, como mostrou que seu talento não conhecia limites. De espécie alguma. Uma performance que entrou para o imaginário cultural. A atriz tornou-se para toda uma geração, Bridget Jones. Um marco pop, legitimado por uma atuação grandiloqüente.

4- Nicole Kidman por Moulin Rouge – amor em vermelho ( Moulin Rouge 2001)

A atriz demonstra nesse musical colorido uma versatilidade inimaginável. Canta, dança, cativa e mais, brilha intensamente. Além é claro de atuar de forma sublime. É sua performance que dá liga ao filme de Baz Lhurman. No início da década a atriz passou pelo grande momento de sua carreira. Foram sucessivos sucessos de critica. Contudo nada se equipara a seu momento em Moulin Rouge. Aqui Nicole Kidman parece a última mulher da face da terra. E age como tal. A atriz incorpora de corpo e alma a cortesã Satine e transforma tanto o filme quanto a percepção da platéia em relação a seu talento.

3- Merly Streep por O diabo veste Prada ( Devil wears prada 2006)

Aqui no papel de megera, Merly Streep se diverte. Mas o faz de maneira tão deliciosa que é impossível resistir ao pedantismo da personagem. A chefe intratável que Streep dá vida aqui é já muito copiada na dramaturgia atual. Hollywoodiana ou não. Contudo, não há como emular o charme e o sarcasmo tão bem dosados pela atriz. Que além de viver a megera em suas minúcias soube desvelar camadas da personagem que eram só arranhadas no roteiro. Uma atenção que poucas atrizes conferem a um personagem tão específico. Atriz de método e muito conteúdo que é, Merly Streep mais uma vez surpreende e encanta.

2- Cate Blanchet por Notas sobre um escândalo (Notes of a scandal 2006)

Atriz prolífera e sempre ótima. Cate Blanchet é o equivalente feminino de Philip Seymour Hoffman. Com uma dezena de boas atuações na década, era obrigatório destacar um de seus trabalhos. Em Notas sobre um escândalo ela faz uma professora ginasial envolvida com um aluno. Ainda por cima se vê alvo da cobiça de uma outra professora que nutre por ela uma paixão platônica e está disposta a chantageá-la para materializar essa paixão.
Cate está maravilhosa. Ela simplifica suas cenas ao máximo. Mantendo sua personagem, suburbana por descrição, dentro do contexto sugerido pelo roteiro. Resistir as tentações de exagerar no registro foi o grande acerto de Cate que explicita toda a aflição de uma mulher perdida entre seus desejos, obrigações e receios.

1- Hillary Swank por Menina de ouro ( Million dollar baby 2004)

Poucas vezes no cinema uma atuação pareceu mais poderosa cada vez que se assiste a ela. Esse é o efeito que Hillary Swank alcança em Menina de ouro. Uma interpretação em que o coração ditou o tom. Swank vive uma garçonete que persegue seus sonhos com gana até que o destino lhe prega uma peça. Filme magistral que encontra na caracterização da atriz um de seus pontos altos. A atriz depois desse filme não fez mais nada relevante. Mas mesmo que o fizesse, dificilmente superaria esse momento de extrema sinergia.