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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TOP 10 - Dez filmes esportivos que não são genuinamente sobre esporte

Um dos principais destaques do mês na programação dos cinemas é O homem que mudou o jogo. Estrelada por Brad Pitt, dirigida por Bennett Miller (Capote) e com seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e ator, a fita remonta a história real do homem que revolucionou a forma de se montar um time nos chamados drafts (recrutamento esportivo muito comum nos EUA nas ligas profissionais). O filme, porém, é menos sobre esporte e mais sobre gestão humana. Em homenagem a essa difícil bifurcação, Claquete bolou um TOP 10 que agrega filmes sobre esporte que não são realmente sobre esporte.



10 - Wimbledon – o jogo do amor (Wimbledon, EUA/ING 2004)
E que tal uma comédia romântica ambientada no mundo do tênis, um esporte excêntrico para a maioria do público? É essa a proposta dessa agradável fita inglesa dirigida por Richard Loncraine. Kirsten Dunst faz um prodígio do tênis, cuja carreira é controlada a unha pelo pai vivido por Sam Neill e Paul Battany faz um tenista mediano que só entra no torneio após receber um convite por ser britânico. Os dois se apaixonam e enquanto o jogo do personagem de Bettany melhora, o da promessa vivida por Dunst se deteriora. Um relativismo charmoso da máxima “azar no jogo, sorte no amor”.


9 – O milagre de Berna (Das Wunder Von Bern, Ale 2003)
Essa pequena preciosidade alemã recria a conquista da Alemanha ocidental sobre a poderosa Hungria do craque Púskas, naquele que ficou conhecido como o milagre de Berna – em referência à cidade suíça que sediou a partida. O filme captura o momento pós - 2ª guerra em que a moral alemã estava em frangalhos e sublinha a importância do triunfo na principal competição internacional de futebol para o povo alemão.


8 – Hardball – o jogo da vida (Hardball, EUA 2001)
Um filme que tira proveito da falta de expressividade de Keanu Reeves. Aqui ele faz um apostador compulsivo que para pagar suas dívidas de jogo precisa treinar um time infantil de baseball da periferia. É aquele tipo de filme que congrega boas cenas do esporte com um crescimento pessoal do protagonista. É um filme simples, mas com muito coração.


7 – Duelo de titãs (Remember the titans, EUA 2000)
Poderia ser Invictus, que tem o pedigree de Clint Eatwood e o interesse na figura de Nelson Mandela, mas esse filme Disney estrelado por Denzel Washington apresenta exatamente o mesmo desenvolvimento narrativo e tem o mesmo mote: negros e brancos se unem através do esporte e um personagem negro é o intermediário dessa união. Em Invictus é o Mandela de Morgan Freeman, aqui o técnico vivido por Washington.  Filme edificante que versa sobre tolerância e igualdade a partir de um ambiente esportivo. Genuinamente Emocionante!


6 – O vencedor (The fighter, EUA 2010)
Um filme até certo ponto improvável na carreira do diretor David O. Russell, mas que o levou ao Oscar. A fita, que remonta momentos decisivos da carreira do pugilista Mick Ward (com algumas providenciais licenças poéticas), está mais próxima do clássico italiano Rocco e seus irmãos (1960) do que de um filme de boxe propriamente dito. Mas para a construção desse drama familiar, o boxe é essencial. Russell percebeu e adornou isso muito bem.


5 – O lutador (The wrestler, EUA 2008)
Darren Aronofsky faz uma desapaixonada crônica sobre decadência ao acompanhar, bem de perto, o lutador de wrestler que já foi famoso e vive de bicos e exibições picaretas. A solidão, a solidariedade e os arrependimentos morrem todos no ringue. Um filme crepuscular.


4 – Por amor (For the love of the game, EUA 1999)
Aqui temos o diretor Sam Raimi, antes da fama conquista com Homem-aranha e um pouco fora do seu metiê trash (Evil dead e Arrasta-me para o inferno). Nessa inspirada parábola sobre um jogador de baseball às vésperas da aposentadoria que precisa reexaminar suas prioridades. A mulher, se sentindo preterida, ameaça deixá-lo e, em meio à escassez de ofertas, ele recebe uma de um time de menor expressão que lhe oferece um recomeço e um desafio profissional.


3 – Rocky – um lutador (Rocky, EUA 1976)
O sonho americano vive e, talvez, depois da eleição de Obama reside na ficção o maior “conto” sobre os alcances do sonho americano. Foi Rocky –um lutador, um roteiro de Stallone que ele condicionou ao estúdio sua escalação como protagonista, que tornou pop e cult o sonho americano. Não existe referência mais vívida do que representa esse conceito do que a trajetória de Rocky. O próprio filme, azarão, bateu pesos pesados como Todos os homens do presidente, Taxi driver e Rede de intrigas e faturou o Oscar de melhor filme.


2- Jerry Maguire – a grande virada (Jerry Maguire, EUA 1996)
O filme que revelou o talento de Cameron Crowe mostra um agente esportivo que vai do céu ao inferno ao ser sabotado pela empresa em que trabalha. Jerry Maguire, no entanto, mantém um pequeno séquito de pessoas que acreditam em seu potencial. Entre eles o promissor jogador de futebol americano vivido por Cuba Gooding Jr. e a assistente (e posterior interesse romântico) vivida pro Renée Zellweger. Um filme sobre as agruras e angústias de recomeçar. Mas também sobre o encantamento que esse recomeço proporciona.


1 – Menina de ouro (Million dollar baby, EUA 2004)   
Um filme sobre orfandade, sobre eutanásia, cumplicidade e boxe. Nesta ordem. Menina de ouro esconde superlativos por trás de sua simplicidade. Hilary Swank vive Maggie, garçonete que leva uma subvida e que sonha em ser lutadora de boxe. Clint Eastwood é Frankie, proprietário de uma academia e treinador de boxe com algumas mágoas familiares. Os personagens irão se cruzar e transformar as vidas um do outro de maneira extraordinariamente emocionante, honesta e cativante.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Um tempo no cinema para celebrar o hexa!

Parabéns ao Flamengo, o maior e, hoje, o melhor time do mundo, já que é esse o país do futebol. Parabéns a nação rubro-negra e a todas as outras torcidas que puderam ter o privilégio de assistir a apoteose flamenguista no maracanã. Saudações rubro-negras para todos!

sábado, 5 de dezembro de 2009

OSCAR WATCH - Pode o clima de Copa do mundo favorecer Invictus?


Como todos sabem, ontem foi o dia do sorteio das chaves da copa do mundo da África do Sul. Agora mais do que nunca o clima é de copa. Mas o que o cinema tem a ver com isso? Bem, em 2008, tivemos as olimpíadas na china e Hollywood aproveitou a onda. Kang Fu panda foi um dos maiores sucessos do ano e se passava no país para o qual o mundo voltava os olhos. A recepção do mercado chinês foi boa. A china, costumeiramente retratada como um país de contradições e repressão, foi pincelada de forma heróica no recente 2012. Mas isso é outro papo.
Um dos principais lançamentos dessa temporada do Oscar é o novo filme de Clint Eastwood. Invictus se passa em uma África do Sul ainda fragilizada pelo Apartheid e recorta o momento em que Nelson Mandela (Morgan Freeman) vale-se do esporte, no caso o rúgbi, para unificar o país. Além da mensagem de tolerância, do drama edificante, o que Invictus carrega em seu cerne é a promoção do esporte como veículo de integração e afirmação da paz e de um povo. A Copa na África (a primeira a ser realizada naquele continente) carrega essa simbologia. Com um Oscar que se projeta cada vez mais internacional, lembremos que Quem quer ser um milionário, vencedor desse ano passa-se na Índia, prestigiar a África do sul e um filme que coloca suas mazelas (mas também suas virtudes) em foco, pode ser o próximo passo nesse sentido. Afinal de contas, o Oscar nunca escondeu seu viés social e os prêmios para Milk- a voz da igualdade e Quem quer ser um milionário ( filmes de forte apelo social e sofríveis do ponto de vista artístico) esse ano, demonstram que essa tendência está mais forte do que nunca.
Por outro lado, o Oscar está tentando se ajustar em outras frentes. A primeira é tornar o programa de tv mais aprazível (algo que já aconteceu com Hugh Jackman esse ano). A segunda é aprimorar seus métodos de aferição. A edição de 2010 trará muitas surpresas (tema de um outro post) que visam tornar a premiação mais justa e menos suscetível a fatores externos como o que trata esse artigo.
De qualquer maneira há dois fatores que devem incidir tanto quanto a copa do mundo na campanha de Invictus pelo Oscar. O primeiro deles é Clint Eastwood. Não é segredo nenhum que ele é um favorito da academia. Lenda do cinema que se reinventou da década como cineasta de primeira grandeza, o ator e diretor foi desprezado ano passado por dois excelentes trabalhos. Tanto Gran Torino como A troca eram filmes superiores a muitos que integraram a lista de melhores filmes. Essa omissão pode ter seu peso na escolha desse ano. Outro hábito recorrente e que parece longe de um salutar fim é essa política de compensação por parte da academia que gera mais injustiças do que reparações. Um outro fator que pode equilibrar e frear um pouco as assunções aqui expostas é o fato de que americanos não gostam de futebol. Do nosso futebol com os pés. Então esse clima de copa do mundo não contagia a América da forma que atinge o resto do mundo, especialmente brasileiros.
Nos nove fora, porém, Invictus parece ter mais a se beneficiar do ambiente extra campo dessa disputa do que a perder.