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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Claquete destaca

 + Morreu no último domingo, de complicações de um quadro de pneumonia, o ator canadense Leslie Nielsen aos 84 anos de idade. Nielsen imortalizou-se em filmes como Corram que a polícia vem aí, Apertem os cintos, o piloto sumiu e Drácula morto, mas feliz.

Irreverência sempre: Nielsen na premiere de Super-heróis, um de seus mais recentes filmes

+ James Franco e Anne Hathaway foram anunciados como os apresentadores do Oscar 2011. A escolha pela dupla de jovens atores (que tem filmes cotados para a disputa) marca mais uma tentativa da academia de atrair o público jovem.

+ Ambos são talentosos e donos de perfis que se comunicam tanto com um público mais maduro, quanto com uma platéia mais jovem. Contudo, é difícil crer que ambos tenham sido a primeira escolha dos produtores. Vale lembrar que Hugh Jackman há um mês e meio atrás recusou convite oficial para apresentar a cerimônia. Muitos outros convites informais devem ter sido recusados no ínterim.

+Considerada uma premiação inexpressiva na temporada, O Gothan Awards entrega seus prêmios no final de novembro e, por hábito, negligencia muitos filmes que nem sequer foram vistos ainda. Em 2010, o drama independente Winter´s bone foi o grande vencedor. O filme, que pode render uma indicação ao Oscar para a atriz Jennifer Lawrence ficou com os dois prêmios mais aguardados da noite: filme e elenco.


+ Foram divulgados hoje os indicados ao Independent Spirit Awards. Winter´s bone lidera a disputa com sete indicações.

+ O Independent Spirit Awards é a principal premiação do cinema independente americano. Nos últimos anos ganhou projeção e importância já que antecipa muitos dos concorrentes ao Oscar.

+ Os indicados a melhor filme do ano no Spirit são 127 hours, Cisne negro, Winter´s bone, Greenberg e Minhas mães e meu pai.

Jennifer Lawrence em cena de Winter´s bone: o filme foi o grande vencedor do Gothan Awards e foi bem contemplado no Spirit Awards


+Na briga pelo prêmio de direção estão Darren Aronofsky (Cisne Negro), Danny Boyle (127 hours), Lisa Cholodenko (Minhas mães e meu pai), Debra Granik (Winter´s bone) e John Cameron Mitchell (Rabbit hole).

+ O Indenpendent Spirit Awards acontece tradicionalmente na véspera do Oscar. Este ano a cerimônia de celebração do cinema independente acontecerá em 26 de fevereiro e você vai ficar sabendo de tudo sobre o prêmio no Oscar Watch 2011 aqui do blog.

segunda-feira, 8 de março de 2010

OSCAR WATCH - Critica dos vencedores do Oscar

Quando o sentimento tem vez

O Oscar 2010 acabou por ser um prêmio mais justo do queAdicionar imagem se anunciava. Essa constatação, no entanto, não faz dessa edição do Oscar justa, na estrita acepção do termo. Mais do que qualquer outra coisa, o que a academia sinalizou em 2010 foi que apesar de seus esforços para contemplar a indústria cinematográfica em toda a sua representatividade, o Oscar é um prêmio para irradiar o cinema em sua manifestação bruta, arisca, inteligente. E isso pode pender tanto para o comercial (lembram de Titanic e O retorno do rei ?) quanto para o artístico. Filmes que emplacam no Oscar, assim o fazem por conquistar o coração dos acadêmicos. Esse ano três filmes pequenos fizeram isso de forma muito clara. Os independentes Guerra ao terItálicoror, Preciosa-uma história de esperança e Coração louco foram osItálico filmes mais aplaudidos da noite. Quando eram anunciados nas categorias em que concorriam, havia gritos e comoção como se estivéssemos em um estádio de futebol. Esse comportamento ajuda a entender o que aconteceu nesse 7 de março. Sempre pesou contra o Oscar a pecha de ser, muitas das vezes, um prêmio injusto. Mas sempre se ressaltou a honestidade do prêmio da academia (que com as escolhas do ano passado foi posta a prova).

O grande campeão do Oscar 2010: Guerra ao terror faturou os Oscars de filme, direção, roteiro original, montagem, som e edição de som


Esse ano vem ratificar essa condição. Ao conceder seis prêmios para um filme pequeno, feito sem o apoio de Hollywood, mas com a contundência de um cinema vaticinante e reflexivo, a academia mostra que esse é o caminho e viabiliza a mea culpa da industria que deixou de apostar em um material que se mostrou tão midiático. Certamente Guerra ao terror não era merecedor desses seis prêmios, principalmente de alguns técnicos que amealhou devido a todo esse carinho e paternalismo tardio, mas era sem dúvida um filme muito mais merecedor do destaque que esses seis prêmios conferem do que Avatar. Esse é o grande ponto dessa edição do Oscar.
Avatar foi devolvido a seu tamanho original. O de um filme de imenso apelo popular, entretenimento de primeira classe (o que também caracteriza bom cinema, é bom que se diga) e espetáculo visual. O imerecido prêmio de fotografia mostra que o filme de James Cameron está sendo reconhecido pela indústria pelo que é. Não pelo que quer ser.
Essa sábia decisão foi, sem dúvidas o grande acerto do Oscar. Era necessária essa auto afirmação. Reconhecer a excelência, mas dentro de um contexto bem delineado. Conceder os Oscars de filme e direção (este pela primeira vez para uma mulher) para Guerra ao terror foi providencial para a afirmação do Oscar como recenseador da arte e da produção cinematográficas.

O roteirista Geoffrey Fletcher que venceu, de forma inesperada, por Preciosa valeu um dos momentos mais emocionantes da noite


O joio do trigo
Ano passado a academia também premiou um filme independente. O abominável Quem quer ser um milionário? que impressionou a critica americana momentaneamente, mas não agradou a critica internacional e hoje já é bastante contestado (Walter Salles em artigo assinado na Folha deste domingo classifica o filme de Danny Boyle como sério candidato a pior da década). Esse ano, dois filmes independentes que falam de tragédias bem americanas (Preciosa e Guerra ao terror) polarizaram as atenções e dividiram o destaque de “filme independente do ano”. Embora não sejam grandes filmes, são muito superiores ao vencedor do Oscar do ano passado e foram produzidos em condições ainda mais adversas. A mensagem que a academia enviou premiando o underdog do ano passado não foi muito bem digerida por produtores americanos. Guerra ao terror só se viabilizou depois da chegada do produtor francês Nicolas Chartier. A academia reforça a mensagem em 2010. Ao iluminar (até demais) Guerra ao terror e reconhecer com muita boa vontade Preciosa, o Oscar admite: podemos ter errado no timing, mas a mensagem continua valendo.


Jeff Bridges ergue seu Oscar para os céus, lembra de seu pai e sua mãe e pensa: Finalmente!


Como nem tudo são flores...
Os melhores filmes do ano fracassaram no Oscar. Amor sem escalas e Distrito 9 saíram sem nada e Bastardos inglórios saiu apenas com o prêmio de coadjuvante para Christoph Waltz. Um prêmio que é menos do filme e mais dele, pelo estado das coisas.
Nas categorias de atuação aliás, 100% justas somente a premiação para os coadjuvantes (Mo´Nique confirmou o favoritismo por Preciosa). Jeff Bridges ganhou por Coração louco pelo legado e Sandra Bullock beneficiada pelo conhecido “empurrãozinho” que a academia dá em suas estrelas. Nessa década venceram nessa categoria, Julia Roberts, Reese Whiterspoon, Nicole Kidman (por atuações contestáveis), Halle Berry e Charlize Theron (por atuações merecedoras, mas eram estrelas).
O Oscar continua a relegar surpresas para a categoria de filme estrangeiro. O estupendo A fita branca acabou perdendo para o bom O segredo dos seus olhos. Os roteiros vencedores não eram nem de longe os melhores em disputa, mas eram os roteiros dos filmes apreciados pela academia. Para o Oscar, e não se está insinuando que isso seja algo negativo, honestidade prescinde de justiça.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Porque este é o homem do momento?

Oren Peli faz pose para foto: Seu filme não para de fazer dinheiro

O diretor e roteirista Oren Peli está sorrindo a toa. Seu filme de estréia, Atividade Paranormal (Paranormal activity) não para de bater recordes e estabelecer vistosas marcas no mundo do cinema. A fita de terror, rodada com módicos U$ 70 mil dólares alcançou a primeira posição nas bilheterias americanas nesse fim de semana. Depois de 1 mês em cartaz com circuito reduzido, e de uma imensa campanha boca a boca, Atividade paranormal teve seu número de cópias aumentado pela distribuidora, a Paramount e já se aproxima da acintosa marca dos U$100 milhões de dólares. Ou seja, em termos práticos, é o filme de maior faturamento, não só do ano, como muito provavelmente da década. O último filme independente a fazer tamanho estrondo nas bilheterias havia sido A paixão de Cristo de Mel Gibson, que custara algo em torno de U$ 25 milhões e arrecadara ao redor do mundo U$ 600 milhões.
Mas o modelo de produção e as expectativas não poderiam ser mais diferentes. A paixão de Cristo era um filme coberto de polêmicas, com uma grande estrela envolvida e que o mercado, de uma forma geral, ansiava pela estréia. Atividade paranormal guarda mais semelhanças com outra produção B, também de terror, que tomou de assalto os cinemas do mundo todo há exatos 10 anos. A bruxa de Blair, falso documentário sobre incidentes sobrenaturais em uma floresta, rodado com U$ 60 mil, que rendeu só nos EUA U$ 140 milhões. Tanto Atividade paranormal, como A bruxa de Blair foram projetos vetados por executivos de estúdios que só ganharam vida graças ao brio e perseverança de seus idealizadores. A despeito de suas qualidades como cinema, ambos os filmes representam verdadeiros triunfos comerciais, e por que não – artísti cos, em Hollywood.
Oren Peli não conseguiu vender sua idéia para ninguém. Rodou o filme basicamente com empréstimos e financiamentos. O filme, que só credita dois atores, foi adquirido pela Paramount, depois de pronto, que o lançou em menos de 50 salas. O efeito foi imediato. Em uma semana, o filme tornou-se o principal tópico do twitter. Semanalmente a Paramount aumentava o número de salas exibindo o filme, por força das circusntâncias. Até que no fim de semana passado, o estúdio finalmente concedeu a Atividade Paranormal o status de blockbuster, o distribuindo em todo o território nacional, em mais de 1400 salas.
Esse fato permite algumas conclusões. A primeira, e mais cristalina, dá conta do quão imprecisas são as previsões de executivos e engravatados acerca do gosto do público médio. A segunda mostra que ainda vale correr riscos em Hollywood. A recompensa, como no caso de Peli – e da Paramount, pode ser exorbitante. O diretor provou-se homem de visão, imaginativo e audacioso, e o estúdio está faturando horrores com uma fita que comprou por uma bagatela e não precisou mover uma palha para promover.
Para quem ficou curioso, o filme mostra um casal que após se mudar para uma casa nova, começa a notar atividades estranhas á noite na casa. Eles, então, colocam uma câmera para tentar descobrir do que se trata. É isso mesmo, não é nada de fora de série. Hollywood tem, de fato, seus mistérios.
Atividade Paranormal estréia no Brasil dia 4 de dezembro.