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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Oscar Watch 2014 - O entusiasmante início da corrida pelo Oscar

O tradicional, e sempre recipiente de algum destaque na cobertura do Oscar de Claquete, National Board of Review divulgou na quarta-feira (4) sua lista de melhores do ano. Foi uma lista mais alternativa e surpreendente do que muitos esperavam, mas foi, também, uma lista que devolveu à corrida pelo Oscar um frescor que parecia perdido desde setembro, quando 12 years a slave disparou na bolsa de apostas como favorito absoluto.
Ela, de Spike Jonze, foi escolhido o melhor filme do ano. Jonze venceu, ainda, entre os diretores. Os novos filmes dos Coen e de Scorsese, Inside Llweyn Davis – balada de um homem comum e O lobo de Wall Street, venceram respectivamente nas categorias de roteiro original e adaptado. Nebraska, de Alexander Payne, valeu os prêmios de ator e ator coadjuvante para Bruce Dern e Will Forte, respectivamente.
No National Board of Review, 12 years a slave só foi aparecer no top 10 do ano ao lado de produções bem cotadas como Gravidade, Fruitvale Station, Inside Llweyn Davis – balada de um homem, Nebraska, A vida secreta de Walter Mitty, Os suspeitos, Walt nos bastidores de Mary Poppins e Lone survivor, o patinho feio da lista dirigido por Peter Berg.
Emma Thompson por Walt nos bastidores de Mary Poppins e Octavia Spencer por Fruitvale Station foram as atriz e atriz coadjuvante vencedoras. O elenco de Os suspeitos foi saudado como o melhor do ano para o júri de críticos.
O documentário Stories we tell, de Sarah Polley foi escolhido o melhor do ano. O passado foi escolhido o melhor filme estrangeiro e o romeno Beyond the hills, o dinamarquês A caça, o chileno Gloria e o chinês The grandmaster ficaram entre os cinco melhores.
No dia anterior, foi o Círculo de Críticos de Nova Iorque que anunciou seus vencedores e Trapaça, de David O. Russell foi sagrado o melhor filme do ano. O filme ainda triunfou nas categorias de atriz coadjuvante para Jennifer Lawrence e roteiro. Cate Blanchett foi eleita a melhor atriz por Blue Jasmine e Robert Redford, o melhor ator por All is lost. Steve Mcqueen foi escolhido o melhor diretor por 12 years a slave.
Os críticos de Nova Iorque costumam fazer escolhas distantes da Academia, mas suas escolhas costumam figurar entre os indicados ao Oscar. Mais eficiente é o National Board of Review. Nos últimos dez anos, os vencedores da premiação nas categorias de filme e ator estiveram entre os indicados nas respectivas categorias no Oscar.
No último fim de semana, a Academia anunciou a lista de 15 documentários que seguem na briga por indicação na categoria. A lista pode ser conferida mais abaixo nesta reportagem.  Stories we tell, permanece na disputa e, na avaliação de Claquete, é presença certa entre os cinco finalistas. Outras apostas bastante factíveis são The Armstrong Lie, O ato de matar e Pussy Riot: A Punk Prayer.

Spike Jonze no set de Ela: uma vitória surpreendente que pode impulsionar seu nome na corrida por uma vaga no Oscar

O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer, Anonymous e Christine Cynn
The Armstrong Lie, de Alex Gibney
Blackfish, de Gabriela Cowperthwaite
The Crash Reel, de Lucy Walker
Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling
Dirty Wars, de Rick Rowley
First Cousin Once Removed, de Alan Berliner
God Loves Uganda, de Roger Ross Williams
Life According to Sam, de Sean Fine e Andrea Nix
Pussy Riot: A Punk Prayer, de Mike Lerner e Maxim Pozdorovkin
The Square, de Jehane Noujaim
Stories We Tell, de Sarah Polley
Tim's Vermeer, de Teller
20 Feet from Stardom, de Morgan Neville
Which Way Is the Front Line from Here? The Life and Time of Tim Hetherington, de Sebastian Junger


sábado, 3 de dezembro de 2011

Oscar Watch 2012- Foi dada a largada!


É oficial. Estamos em mais uma corrida pelo Oscar. Neste estágio inicial são muitos os pretendentes e 2011 sugere que a corrida será intensa. Em parte pelas novas diretrizes da academia e, também, pelo alto nível de muitos dos concorrentes: Steven Spielberg, Clint Eastwood, David Fincher, Martin Scorsese, David Cronenberg, George Clooney, Meryl Streep, Brad Pitt, Michelle Williams e por aí vai.
Esta semana que se encerra abriu oficialmente a temporada de premiações no cinema. Na terça-feira foram anunciados os concorrentes ao Indenpendent Spirit Awards, evento que premia os filmes independentes e tradicionalmente entregue na véspera do Oscar. No mesmo dia, a associação de críticos de Nova Iorque revelou sua escolha dos melhores do ano. E ontem foram anunciados os vencedores do National Board of Review (NBR), prestigiada associação de críticos, acadêmicos e historiadores de cinema. A mais antiga instituição a outorgar prêmios na sétima arte.
É precoce apontar tendências e favoritos, contudo, um painel com algumas certezas e outros questionamentos já se eriça. A opção da associação de críticos de Nova Iorque de antecipar o anúncio dos seus escolhidos (tradicionalmente ocorre na terceira semana de dezembro) não deve ter nenhum outro efeito que não a maior atenção midiática que recebeu. Historicamente a crítica de Nova Iorque diverge muito do Oscar e dos principais prêmios da temporada. Com exceção do ano passado em que elegeu A rede social o melhor filme do ano – algo que só na seria chancelado pelo Oscar. No entanto, a escolha do francês The artist – que ganhou como melhor filme e direção – pode ser o sinal de que filmes mais tradicionais (em estrutura e narrativa) poderão ser protagonistas da temporada. Sugere, ainda, combinada com a escolha do NBR, que a percepção que se tem da produção cinematográfica em 2011 é de que não houve muita coisa digna de nota. O vencedor do NBR é um filme que, até pouco tempo atrás, analistas não colocavam como sério candidato na corrida pelo Oscar.
A vitória de A invenção de Hugo Cabret atesta que o filme alimenta fortes chances no Oscar. Nos últimos dez anos, todos os vencedores do NBR foram indicados a melhor filme. Em metade dessas vezes, saiu com o Oscar de melhor filme.
Outro importante ponto a se observar é a lista dos dez melhores filmes do ano divulgados pela instituição. O NBR sempre teve um aproveitamento muito bom em antecipar os futuros concorrentes ao Oscar.


As escolhas do NBR
Não deixa de ser surpreendente a vitória de Hugo. Martin Scorsese é um dos favoritos do NBR. Venceu por Os infiltrados em 2006, quando também ganhou como diretor, e no ano passado teve o seu Ilha do medo incluído entre os dez melhores filmes do ano. A opção por Hugo, e a inclusão de filmes como The artist, Cavalo de guerra e A árvore da vida entre os dez melhores, denota uma predileção por um cinema mais clássico – ainda que esteticamente inquieto.
George Clooney foi eleito o melhor ator do ano por Os descendentes e caracterizou um recorde para a NBR. Foi a terceira vitória de Clooney em cinco anos. Ele venceu por Conduta de risco (2007) e Amor sem escalas (2009). Clooney teve ainda seu Tudo pelo poder escolhido como um dos dez filmes do ano. Mais uma demonstração de que ele será um dos protagonistas da temporada de premiações. Outro forte protagonista deverá ser Os descendentes, que embora não tenha ganhado o principal prêmio, faturou três troféus (ator, atriz coadjuvante e roteiro adaptado) e foi incluído entre os dez melhores filmes do ano.
A atriz Tilda Swinton, cuja performance em Precisamos falar sobre Kevin é muito elogiada, foi escolhida a melhor atriz do ano. Os desempenhos coadjuvantes louvados foram os de Christopher Plummer (Toda forma de amor) e Shailene Woodley (Os descendentes).

George Clooney e Shailene Woodly, nomes quentes na corrida pelo Oscar, em cena de Os descendentes: com três prêmios em cinco anos, Clooney é um dos favoritos do NBR


Outras duas escolhas interessantes e que devem reverberar na temporada foram Michael Fassbender que recebeu a distinção de “destaque do ano” já que apareceu, e bem, nos filmes Shame, Jane Eyre, X-men: primeira classe e Um método perigoso; e J.C. Chandor escolhido melhor diretor estreante por Margin Call o dia antes do fim, filme independente que deve fazer bonito na temporada.

Melhor Filme: Hugo
Melhor Diretor: Martin Scorsese (Hugo)
Melhor Ator: George Clooney (Os Descendentes)
Melhor Atriz: Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre Kevin)
Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Melhor Atriz Coadjuvante: Shailene Woodley (Os Descendentes)
Melhor Roteiro Original: Will Reiser (50/50)
Melhor Roteiro Adaptado: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)
Melhor Animação: Rango
Revelação: Felicity Jones (Like Crazy) e Rooney Mara (Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
Melhor diretor estreante: J.C. Chandor (Margin Call – O Dia Antes do Fim)
Melhor Elenco: Histórias Cruzadas
Melhor Filme Estrangeiro: A Separation (Irã)
Melhor Documentário: Paradise Lost 3: Purgatory
Os 10 melhores filmes do ano: The Artist, Os Descendentes, Drive, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2, Tudo Pelo Poder, J. Edgar, A Árvore da Vida, Cavalo de Guerra.
Os 5 Melhores Filmes Estrangeiros: 13 Assassinos, Tropa de Elite 2- o inimigo agora é outro, Footnote, Le Havre, Point Blank.
Os Melhores Documentários: Born to be Wild, Buck, George Harrison: Living in the Material World, Project Nim, Senna.
Os 10 melhores filmes independentes: 50/50, Another Earth, Toda Forma de Amor, A Better Life, Cedar Rapids, Margin Call, Shame, O Abrigo, Precisamos Falar Sobre Kevin, Win Win.


As escolhas da crítica de Nova Iorque
Se existe uma certeza que move qualquer avaliação dos premiados pela crítica de Nova Iorque é de que Harvey Weinstein é um cara popular por lá. Ele conseguiu os principais prêmios para filmes que distribui (A dama de ferro e The artist). Mas, curiosamente, o filme que mais pode ganhar impulso com as escolhas de Nova Iorque não são nenhum desses dois. É O homem que mudou o jogo, que recebeu o troféu de melhor roteiro – escrito pelos papas Aaron Sorkin e Steve Zaillian – e teve Brad Pitt eleito melhor ator.
Os críticos, aliás, atribuíram à vitória de Pitt seu desempenho em A árvore da vida. Assim como fizeram com sua companheira de cena, Jessica Chastain, eleita melhor atriz coadjuvante pelos filmes O abrigo, Histórias cruzadas e A árvore da vida.
O iraniano A separation, que brilha internacionalmente desde o festival de Berlim, foi escolhido o melhor filme estrangeiro. A mesma escolha foi feita pelo NBR.
As escolhas de Nova Iorque, tradicionalmente, repercutem pouco pelos outros prêmios. Um necessário aparte às categorias de atuação. A chancela desse colegiado à atuação de Meryl Streep em A dama de ferro, portanto, pode ser entendida como mais um aval da crítica à atriz. Contudo, em um ano com ótimos desempenhos femininos alinhavados, ainda é cedo para dizer se Meryl Streep chega forte ao Oscar. Ou mesmo se chega.
Certo é que a fotografia de Emmanuel Lubezki por A árvore da vida, salvo algum desencontro inexplicável, deve seguir como favorita ao Oscar. Talvez seja o único aspecto do filme de Terrence Malick realmente merecedor de prêmios.

Melhor filme: The artist
Melhor Diretor: Michel Hazanavicius (The Artist)
Melhor Roteiro: Steven Zaillian e Aaron Sorkin (O Homem Que Mudou o Jogo)
Melhor Ator: Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo e A Árvore da Vida)
Melhor Atriz: Meryl Streep (The Iron Lady)
Melhor Ator Coadjuvante: Albert Brooks (Drive)
Melhor Atriz Coadjuvante: Jessica Chastain (A Árvore da Vida, O Abrigo e Histórias Cruzadas)
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)
Melhor Filme de Estréia: Margin Call – O Dia Antes do Fim
Melhor Documentário: Cave of Forgotten Dreams
Melhor Filme Estrangeiro: A Separation (Irã)



Brad Pitt, premiado pela crítica de Nova Iorque, em cena de A árvore da vida: apesar do entusiasmo inicial, o filme só deve chegar ao Oscar na disputa por categorias técnicas


Os concorrentes ao Spirit
A primeira grande surpresa da lista apresentada pelo Spirit foi a elegibilidade de The artist para as categorias principais. O que não ocorreu com Shame e Melancolia que ficaram restritos à disputa pelo troféu de filme estrangeiro. O estatuto do Spirit Awards exige que o filme seja parcialmente rodado nos EUA ou que tenha, pelo menos em parte, financiamento americano. Ocorre isso com The artist. Ainda que de forma bem modesta e, obviamente, discutível. Influências de Harvey Weinstein à parte, as outras grandes surpresas da lista do Spirit Awards – que o leitor confere abaixo – foram as ausências de George Clooney entre os atores, de Glenn Close entre as atrizes e a falta de “carinho” com Meia noite em Paris, um virtual favorito que ficou apenas na indicação para ator coadjuvante.
Dos concorrentes a melhor filme, Os descendentes, The artist e Drive apresentam indicações sólidas. Mas a fita francesa surge como uma concorrente mais encorpada.

Melhor filme
50/50
Toda Forma de Amor
Drive
O Abrigo
The Artist
Os Descendentes


Melhor Diretor
Mike Mills (Toda Forma de Amor)
Nicolas Winding Refn (Drive)
Jeff Nichols (O Abrigo)
Michel Hazanavicius (The Artist)
Alexander Payne (Os Descendentes)


Melhor filme de Estreia
Another Earth
In the Family
Margin Call – O Dia Antes do Fim
Martha Marcy May Marlene
Natural Selection


Melhor Roteiro
Joseph Cedar (Footnote)
Michel Hazanavicius (The Artist)
Tom McCarthy (Win Win)
Mike Mills (Toda Forma de Amor)
Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)


Melhor Atriz
Lauren Ambrose (Think of Me)
Rachel Harris (Natural Selection)
Adepero Oduye (Pariah)
Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)
Michelle Williams (Uma Semana com Marilyn)


Melhor Ator
Demian Bichir (A Better Life)
Jean Dujardin (The Artist)
Ryan Gosling (Drive)
Woody Harrelson (Rampart)
Michael Shannon (O Abrigo)


Melhor Atriz Coadjuvante
Jessica Chastain (O Abrigo)
Anjelica Huston (50/50)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Harmony Santana (Gun Hill Road)
Shailene Woodley (Os Descendentes)


Melhor Ator Coadjuvante
Albert Brooks (Drive)
John Hawkes (Martha Marcy May Marlene)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
John C. Reilly (Cedar Rapids)
Corey Stoll (Meia-Noite em Paris)


Melhor Fotografia
Joel Hodge (Bellflower)
Benjamin Kuh-Sulk (The Off Hours)
Darius Kond-Jee (Meia-Noite em Paris)
Gui-omme Shiffman (The Artist)
Jeffrey Waldron (The Dynamiter)


Melhor Documentário
An African Election
Bill Cunningham New York
The Interrupters
The Redemption of General Butt Naked
We Were Here


Melhor Filme Estrangeiro
A Separation
Melancolia
Shame
O garoto da bicicleta
Tiranossauro


 Christopher Plummer, um dos bem cotados da temporada, e Ewan McGregor em cena de Toda forma de amor, já disponível nas locadoras brasileiras


Kevin Spacey e Zachary Quinto fazem parte do estrelado Margin Call, que debutou no último festival de Sundance e pode chegar ao Oscar com relativo destaque


Dez certezas que a semana trouxe para a temporada de premiações:

1-Será uma disputa mais intensa do que a dos últimos dois anos e as mudanças propostas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem tudo a ver com isso
2-Dificilmente Albert Brooks (Drive) e Christopher Plummer (Toda forma de amor) ficam fora da disputa pelo Oscar de ator coadjuvante
3- George Clooney pode não ser o líder na corrida pelo Oscar de melhor ator
4- Os filmes independentes podem ser os grandes protagonistas da temporada
5-O iraniano A separation desponta como favorito ao Oscar de filme estrangeiro
6-O cultuado Drive pode surpreender
7-Glenn Close (Albert Nobbs) e Viola Davis (Histórias cruzadas), diferentemente de prognósticos precipitados, ainda não se garantiram como líderes na briga por indicação ao Oscar de atriz
8- O brasileiro Tropa de elite 2: o inimigo agora é outro, incluído entre os principais filmes estrangeiros pelo NBR ganha um gás em um importante momento da corrida por uma indicação ao Oscar
9- O filme Margin Call – o dia antes do fim, fita independente presente nas três premiações, pode ser um dos azarões do Oscar
10- Aaron Sorkin (vencedor do Oscar por A rede social) será mais uma vez forte concorrente na categoria de roteiro adaptado por O homem que mudou o jogo

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Em off

Um canibal rabugento


Em entrevista à Folha de São Paulo, por ocasião da estréia do filme O ritual (em que faz um padre exorcista e contracena com a brasileira Alice Braga), o ator galês Anthony Hopkins, 73 anos, demonstrou certa rabugice. Nada que afete seu charme, mas certamente denigre um pouco sua já combalida carreira.
Hopkins declarou não esperar mais nada do cinema. Disse que segue apenas orientações de seu agente na escolha de projetos e que não se sente motivado pelos papéis que interpreta. O galês fez a ressalva de que o roteiro de O ritual foi dos mais interessantes que leu nos últimos tempos. Antes que o leitor constate que Hopkins também não anda recebendo roteiros lá muito interessantes, é bom ficar sabendo que, diferentemente de outros atores de renome em Hollywood, o ator não quer saber de teatro. “É tão chato ficar revirando Hamlet de Shakespeare a cada geração” Ah, mas e assistir peças, gosta? “Não. É chato demais!”

Anthony Hopkins já não demonstra a gana da foto que tirou quando recebeu o Oscar de melhor ator por O silêncio dos inocentes



A pergunta é...
O que Helena Bonhan Carter (O discurso do rei) está fazendo entre as indicadas a melhor atriz coadjuvante no Oscar?


A frase é...
“Eu provavelmente não vou ganhar isso novamente, então eu vou curtir!”
Helena Bonhan Carter ao ganhar o Bafta de melhor atriz coadjuvante



Você sabia?

- Que se Jeff Bridges vencer o Oscar de melhor ator no dia 27 de fevereiro, o personagem Reuben J. Rooster Cogburn se tornará o segundo na história do cinema a valer dois Oscars a atores diferentes. O primeiro, e por enquanto único, foi Don Vitto Corleone que valeu um Oscar a Marlon Brando e outro a Robert De Niro.

- Que Javier Bardem votou em Lula – o filho do Brasil para ser indicado a melhor filme estrangeiro no Oscar 2011

- Que Tom Hanks, Jude Law e Michael Douglas já foram confirmados como apresentadores da 83ª cerimônia de entrega dos prêmios da academia



Show me your Burlesque
Estreou no Brasil um dos musicais mais mal falados dos últimos anos, filme que ostentou o índice mais deplorável de críticas negativas no site RottenTomatos em 2010. Burlesque não merecia esse fardo. É uma obra prima? Longe disso! É um ótimo filme? Não. É um musical da melhor qualidade? Não chega a tanto! É ruim? Também não é o caso. O filme que encerra com a canção original “Show me your burlesque” cumpriu o que prometia: mostrou o burlesque ainda invejável de Cher e apresentou o burlesque extremamente satisfatório de Cristina Aguilera. A crítica do filme será publicada em breve aqui no blog.



Domínio real

Neste domingo (13), a academia britânica de cinema distribuiu os prêmios Bafta. O discurso do rei, conforme esperado, dominou a premiação. Mas de forma mais acentuada do que se poderia supor e muito mais exagerada do que o merecimento lhe propunha. Com sete prêmios (filme, filme britânico, ator, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original e trilha sonora), a fita – há duas semanas do Oscar – agiganta sua candidatura.


Rei não tão morto...
Mas A rede social triunfou em categorias importantes (direção, roteiro adaptado e montagem). O que cristaliza o bairrismo da academia britânica e ainda mantém a briga aberta pela disputa principal no Oscar.


Ave Colin!
Na Inglaterra ele é o rei mesmo. Colin Firth contra todos os prognósticos prevaleceu pela segunda vez consecutiva na disputa pelo Bafta de melhor ator. Firth, que ganhou ano passado por Direito de amar, repetiu um feito no Bafta que a história guardava a mais de 40 anos.


O filme que não para de encolher
Até o sofrível Alice no país das maravilhas ganhou mais prêmios na noite de domingo do que A origem. Enquanto o filme de Nolan resguardou os prêmios de efeitos especiais e edição de som, o filme de Tim Burton prevaleceu nas categorias de maquiagem, direção de arte e figurinos. Só concorriam em direção de arte, mas ficar atrás de Alice é a pior das decepções...



Angariando votos
Se O discurso do rei já é forte candidato ao Oscar de roteiro original (embora dos selecionados, seja o que menos merece), o diretor Tom Hooper aumentou as chances do filme ao aceitar o Bafta de melhor produção inglesa ontem. Hooper saiu-se com a seguinte: “Esse filme começou com um garoto gago que ao ouvir o discurso do rei pelo rádio pensou que se o rei poderia fazê-lo, ele também podia. E esse garoto é o nosso roteirista David Seidler”. A referência ao septuagenário escritor do filme pode ser tão elogiosa quanto sincera, mas que tem um potencial de marketing danado tem!



O rei, em questão, fala!
Seidler, por sua vez, conferiu elegância e pompa a sua fala quando coletou o prêmio pelo roteiro do filme: “É incrível que este pequeno filme,  afinal são dois homens em uma sala, tenha tocado todo mundo. Para um gago, ser ouvido é uma coisa maravilhosa”



Sorkin faz o seu...
Ao ganhar o prêmio de melhor roteiro adaptado por A rede social:

“ É uma grande honra. Quando você é um roteirista americano, tudo o que você quer é ser um roteirista inglês. E isso é o mais perto que você pode chegar!”



Enquanto isso na Espanha

O espanhol Javier Bardem, indicado ao Oscar de melhor ator por Biutiful, ganhou o prêmio Goya pelo mesmo filme. O drama catalão Pa negre (sem distribuição garantida no Brasil) ganhou os prêmios de melhor filme e direção para Augustí Villaronga. O uruguaio Jorge Drexler (ganhador do Oscar pela canção de Diários de motocicleta) levou o Goya de melhor composição original por uma nova colaboração com um cineasta brasileiro. O triunfo ocorreu em virtude da música “Que el soneto nos tome por sorpresa”, da produção Lope, dirigida por Andrucha Waddington.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Em off

O J (não) tem poder
Não deixa de ser uma curiosidade da 83ª edição do Oscar. Quatro dos cinco indicados ao Oscar de melhor ator do ano tem o nome começando com a letra J (Jeff Bridges, Jess Eisenberg, James Franco e Javier Bardem). A overdose de jotas na categoria, no entanto, não impede que o favoritismo esteja com o c, de Colin Firth.



Por que Tron não foi indicado ao Oscar de efeitos visuais?
Muita gente foi pega de surpresa com a exclusão de Tron- o legado da categoria de efeitos visuais. A surpresa ainda foi reforçada pelo fato de que, diferentemente dos últimos oito anos, foram cinco indicados na categoria.
Tron-o legado ficou de fora da categoria porque os efeitos especiais do filme são da mesma estirpe de filmes como O curioso caso de Benjamin Button, que triunfou há dois anos na categoria e avanços reais não foram feitos. De posse dessa informação fica mais compreensível a razão da exclusão da fita da categoria.



Bravura indômita x Bravura indômita
Os irmãos Coen agradaram mesmo com o remake de Bravura indômita. Para se ter uma ideia, o filme original que deu o Oscar a John Wayne só tinha uma outra indicação, para melhor canção. O remake dos Coen obteve 10 nomeações ao Oscar, inclusive para as nobres de filme, direção e roteiro.



A verdadeira novata
Aos 20 anos, Jennifer Lawrence vive um momento especial na carreira. A atriz conseguiu uma indicação ao Oscar e está no elenco de um dos principais filmes do verão, X-men: first Class. No Oscar, ela é a única novata na categoria de melhor atriz. Natalie Portman, a favorita, conquistou sua segunda indicação. Assim como Michelle Williams. Annette Bening, por sua vez, angariou a quarta nomeação e Nicole Kidman, a única oscarizada do grupo, recebeu sua terceira indicação.




A tal da influência do globo de ouro
Todo ano a influência do Globo de ouro no Oscar é posta na berlinda. Mas é inegável que as presenças de Michelle Williams entre as atrizes e de Jacki Weaver entre as coadjuvantes se deve a Hollywood Foreign Press Association (HFPA). Fora do SAG e de muitas premiações da crítica, as atrizes se beneficiaram do endosso da HFPA e chegaram ao Oscar.



Por falar em SAG...
Não esperem grandes surpresas nas premiações de cinema hoje na festa anual do sindicato dos atores. Melissa Leo (O vencedor) reúne todos os predicados para ser escolhida a melhor atriz coadjuvante. Christian Bale (O vencedor) e Geoffrey Rush (O discurso do rei) vão ter um momento da verdade na briga por melhor ator coadjuvante, enquanto que Colin firth (O discurso do rei) deve ser a barbada da noite na categoria de melhor ator. Natalie Portman (Cisne negro) deve confirmar as expectativas e superar Annette Bening (Minhas mães e meu pai). Na categoria de melhor elenco a briga está concentrada entre O vencedor e O discurso do rei. O favoritismo está com o primeiro.



Ganhando musculatura
Mesmo que O discurso do rei não fature o prêmio de melhor elenco hoje à noite no SAG, a candidatura do filme para o Oscar segue se fortalecendo a cada semana. O filme faturou neste sábado (29) o prêmio de direção entregue pelo sindicato dos diretores. De todos os sindicatos, o DGA é o que tem melhor aproveitamento no Oscar.



Mais um prêmio para Senna
O documentário inglês sobre o piloto brasileiro, que foi exibido no país em novembro, recebeu um prêmio do público no festival de Sundance que se encerra hoje, mas que teve a cerimônia de premiação realizada ontem à noite.



No crivo do leitor
Para o leitor de Claquete, que em sua maioria considerou as indicações ao Oscar previsíveis como sempre, a não indicação de Leonardo DiCaprio na categoria de ator configurou a maior das injustiças da lista de indicados aos 83º prêmios da academia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - As indicações ao Bafta

Foram divulgados nesta terça-feira os concorrentes ao Bafta 2011, prêmio concedido pela academia britânica de cinema. O equivalente ao Oscar na Inglaterra tem, é bem verdade, pouca relevância em termos de antecipação ao que se dará no Oscar, mas é uma prestigiada e cada vez mais importante premiação. Para muitos observadores, apesar da academia britânica puxar a sardinha para os ingleses, é – também – um prêmio mais justo do que o Oscar.
O discurso do rei, cujas chances no Oscar diminuem a cada semana, é o líder na corrida pelo Bafta com 14 indicações. Como é britânico, pode-se dizer que também é favorito absoluto. Outro filme que vem com indicações sólidas é Cisne negro. O filme de Darren Aronosfky recebeu 12 nomeações. Outros filmes bem contemplados foram A origem (9), Bravura indômita (8), 127 horas (8) e A rede social (6).
Concorrem a melhor filme do ano O discurso do rei, Bravura indômita, Cisne negro, A rede social e A origem. Os diretores dos mesmos filmes concorrem a melhor diretor, com exceção dos irmãos Coen, cuja vaga (teórica) foi preenchida pelo inglês Danny Boyle (127 horas). O espanhol Javier Bardem, que até agora não havia sido lembrado por nenhuma premiação major, foi indicado ao Bafta de melhor ator por seu papel em Biutiful. Ele terá como oponentes Jesse Eisenberg (A rede social), James Franco (127 horas) e dois competidores que dividiam o favoritismo ano passado (Jeff Bridges por Bravura indômita e Colin Firth por O discurso do rei). Entre as atrizes, Natalie Portman (Cisne negro), favorita em qualquer premiação, terá a concorrência de Julianne Moore e Annette Bening (lembradas por Minhas mães e meu pai), Hailee Steinfield (Bravura indômita) e Noomi Rapace (The girl with the dragon tattoo). A curiosidade dessa categoria é que a parte Natalie e Annette, nenhuma das atrizes aparecem na disputa pelo Oscar. Hailee faz campanha pela categoria de coadjuvante e Julianne e Noomi vêm sendo ignoradas.
Inverno da alma e Atração perigosa, dois filmes festejados pela crítica americana desapareceram da lista do Bafta. O vencedor, outro filme com potencial de Oscar, teve sua presença reduzida a três indicações (ator coadjuvante, atriz coadjuvante e roteiro original).
A lista completa dos indicados ao Bafta você pode conferir aqui.



Prognósticos

Another year, mais recente filme de Mike Leigh, foi bem lembrado nas categorias em que disputam apenas britânicos. Deve perder, porém, para O discurso do rei que mesmo que não triunfe na disputa principal deve garantir o prêmio de melhor filme inglês de 2010. Contudo, na categoria de atriz coadjuvante (onde quatro inglesas disputam), Lesley Manville pode dar uma vitória ao filme de Leigh. Colin Firth não deve vencer a disputa este ano. Ganhador da edição passada por Direito de amar, a briga deve mesmo incidir entre James Franco (127 horas) e Jeff Bridges (Bravura indômita) que deve se beneficiar do fato de ter ganhado praticamente tudo ano passado com Coração louco e ter perdido o Bafta. Javier Bardem, no entanto, é um nome que não pode ser descartado.
A metodologia britânica de aferir seus vencedores é muito distinta da americana. Embora compartilhem de muitos membros, os ingleses são mais sensíveis ao momento e menos ao contexto. Por isso, Cisne negro, Aronofsky e Natalie Portmam devem se beneficiar. A tendência é que A origem predomine nas categorias técnicas, mas mesmo aí Cisne negro (muito mais barato que A origem) pode rivalizar.
A cerimônia de entrega dos prêmios Bafta será em 13 de fevereiro.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - Os escolhidos dos sindicatos dos produtores e dos roteiristas

Foram divulgados hoje os escolhidos como os melhores filmes do ano para o sindicato dos produtores (PGA). A premiação é considerada pela indústria como forte termômetro para aferir o estado das coisas na corrida principal do Oscar, pelo troféu de melhor filme. Nesse sentido, filmes que andavam a perigo, como 127 horas e Atração perigosa (que circundavam as listas de melhores do ano, mas sem grande penetração) ganharam novo impulso. Contudo, nem sempre a lista divulgada pelo PGA é abalizada pela academia. No ano passado (primeiro ano com dez concorrentes tanto no Oscar quanto no PGA), apenas oito dos filmes lembrados pelo PGA foram ao Oscar na disputa por melhor filme. Invictus e Star trek, concorrentes ao PGA, deram lugar as produções Um homem sério e Um sonho possível no Oscar.
Esse ano, porém, a lista parece bem mais definitiva e encorpada do que no ano anterior. Ajuda o fato de haver melhores filmes em disputa. Apesar de alguns filmes esquecidos aqui ainda apresentarem chances de serem lembrados pelo Oscar, a disputa parece mais encaminhada. Ajuda nesse sentido, o fato de não haver dúvidas de que os dois blockbusters do ano que alimentam esperanças de Oscar ( A origem que fez mais de U$ 800 milhões e A rede social que já beija os U$ 200 milhões) mereçam estar nessa lista. Dessa maneira, filmes como Avatar, Star trek e Um sonho possível não precisam ser empurrados para garantir interesse da audiência.

A lista do PGA

127 horas
Atração perigosa
A origem
Cisne negro
O vencedor
Minhas mães e meu pai
O discurso do rei
A rede social
Bravura indômita
Toy story 3



Cartaz promocional de 127 horas, o filme que mais se beneficiou desta terça-feira de indicações de sindicatos


Já o sindicato dos roteiristas (WGA) ofereceu uma lista bem diferente do que se poderia supor. Isso ocorreu devido a uma regra um tanto corporativista que a associação mantém (que não ocorre com outros sindicatos) que só podem ser indicados roteiristas que sejam membros do sindicato. Com essa resolução, tornaram-se inelegíveis roteiros de produções de destaque como O discurso do rei, Blue valentine, Another year e O escritor fantasma. O que abriu vaga para filmes merecedores de lembrança, mas que não vinham sendo contemplados como O golpista do ano e Sentimento de culpa. As indicações ficaram da seguinte maneira:


Roteiro original:

A origem
O vencedor
Cisne negro
Minhas mães e meu pai
Sentimento de culpa


Roteiro adaptado:

A rede social
127 horas
Atração perigosa
O golpista do ano
Bravura indômita


Os prêmios distribuídos pelo WGA serão entregues em 5 de fevereiro, já o PGA concederá sua honraria em 27 de janeiro.



Quem se deu melhor?

É inegável que os grandes beneficiados dos anúncios de hoje foram os filmes de Danny Boyle e de Ben Affleck. 127 horas e Atração perigosa tiveram suas candidaturas ao Oscar vitaminadas. Se Bravura indômita, dos irmãos Coen, ainda despertava alguma desconfiança de que estaria entre os dez melhores do ano da academia, depois dos anúncios desta terça-feira esta dúvida foi dissipada. Com a impressionante carreira que a fita vem fazendo nas bilheterias americanas e o endosso da crítica e dos sindicatos, só quem vai ficar mal na fita mesmo é a HFPA que ignorou o filme por completo ao anunciar a lista dos indicados ao Globo de ouro. O vencedor parece ter garimpado de vez seu lugar entre os grandes do ano e Toy Story 3 repousa absoluto na vaga cativa das animações.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ESPECIAL A REDE SOCIAL - Repercutindo o filme

E você? Curtiu o filme do facebook? A rede social propõe uma experiência muito mais profunda e incisiva do que matar a curiosidade sobre as circunstâncias da criação do site de relacionamento social mais popular da internet e sobre a personalidade de seu idealizador. Mesmo que permeie essas questões com desenvoltura e sagacidade, o filme não se limita a essa reconstrução. Até porque o filme não é um recorte biográfico de Mark Zuckerberg. O roteiro de Aaron Sorkin se apropria do material investigativo disposto no livro "Bilionários por acidente", de Ben Mezrich, para construir um painel plural sobre uma geração de origem variada que busca relevância e que resplandece competição. A tecnologia (a nova bolha econômica) e as redes sociais (novo fenômeno comunicacional) são importantes variantes nesse cenário. Variantes muito bem enquadradas por Fincher no filme que vai e volta no tempo, fragmenta-se em pontos de vista diversos e estipula que a grandeza é um pólo solitário. Não que A rede social advogue que Mark Zuckerberg é um gênio por ser recluso ou é recluso por ser um gênio, apenas tateia uma verdade que já é prévia a dramatização que se dá no filme. As pessoas buscam alternativas as suas deficiências. Zuckerberg, pode –se dizer sem medo de meias verdades, não era prolífero no trato social. O fato de ter desenvolvido a maior rede social do planeta é, não só uma doce ironia, como a demonstração de sua genialidade (ainda que bifurcada por uma moral duvidosa) a serviço de suas necessidades.

David Fincher leva um lero com seus atores nos sets de A rede social: verdades e interpretações a serviço da dramaturgia


O personagem

O verdadeiro Zuckerberg já disse que o filme é pura ficção (na ocasião disse que apenas o guarda roupas de Jesse Eisenberg no filme é fiel ao seu) e que o fã do Facebook não tomará o que vê na tela como verdade. Eisenberg, por sua vez, disse entender a postura de Zuckerberg. Tanto à frente do Facebook quanto em relação ao filme que conta uma história que, inegavelmente (até pela recusa em colaborar com o autor do livro no qual o filme se baseia) lhe provoca dissabores.
A despeito de parte da crítica assinalar, e muita gente não se aprofundar na riqueza e na pluralidade do registro de Fincher, A rede social não pinta Zuckerberg como um “vilão”, “gênio do mal” ou “invejoso traiçoeiro” como muito se lê por aí. Agora, o filme também não se incumbe de dizer que ele não é essas coisas. A dramatização sugere que Zuckerberg é invejoso, mas de fato ele enrolou os irmãos Winklevoss. A dramatização sugere que Zuckerberg foi influenciado pelo sedutor e bom de lábia Sean Parker (Justin Timberlake), mas ele de fato retirou o nome de Eduardo Saverin do expediente do Facebook só retificando a atitude após o acordo judicial. A dramatização sugere que Zuckerberg fez uma denúncia sobre a festa que Sean promoveu em que estaria uma estagiária que a dramatização sugeriu interessar a ambos. Mas não se pode afirmar que Zuckerberg fez isso. O filme não mostra isso.

Sean Parker (Timberlake) é retratado como o tipo boa pinta e bom de lábia que conduziu Zuckerberg ao mundo dos bilhões: Inspiração em Othelo de Shakaspeare


Paralelos

Portanto, A rede social trabalha, mais do que sobre fatos, sobre suposições e assunções. E o faz maravilhosamente bem. Existe um forte componente de Cidadão Kane em A rede social. A indústria recebeu o filme de Fincher como um "Cidadão Kane moderno". Muito porque aborda um barão da mídia, em parte pela oposição que o filme recebeu do barão retratado e, em menor escala, pelo retrato que faz do mundo a partir desse contexto.
Enquanto em Cidadão Kane, partia-se de um personagem fictício (Charles Foster Kane) e revestia-o de características que remetiam diretamente ao magnata William Randolph Hearst, em A rede social captura-se uma figura real e reveste-a de ilações e interpretações. É uma poderosa ferramenta para o cinema e para o pressuposto por Zuckerberg: ser cool. Esse paralelo não permite aferir quem é Mark Zuckerberg, mas o torna mais interessante do que se esta ação fosse possível. Viesse A rede social e cravasse por A mais B quem é essa pessoa que tem a primazia de ter se tornado o mais jovem bilionário do planeta e o Facebook talvez se tornasse menos interessante a cada dia.
Ao evitar essa que - na verdade - é uma ação quase impossível (tendo em vista que Zuckerberg, apesar de bilionário ainda é uma novidade), o filme reforça o status quo do proprietário do Facebook.
A rede social é brilhante porque se abstém de documentar a verdade ou de enveredar pela panfletagem. É a arte a serviço da inquietação. É cinema em toda a sua efervescência criativa. É filmar a história. Não contar a história.

Leia mais sobre A rede social em Claquete:
Rede de intrigas
Este é mesmo um filme sobre a criação do Facebook?
Multimidiático - perfil de Justin Timberlake
 
 
Prêmio Dardos

É com imensa satisfação e uma sensação de que dever cumprido que Claquete recebe dos queridos leitores Hugo, do blog Cinema – filmes e seriados, e Rodrigo, do blog Cinema Rodrigo, o selo do prêmio dardos. Essa é uma deferência que agrega valor ao blog contemplado. Por isso, na qualidade de editor do blog, eu Reinaldo, agradeço de coração.


Regras:

1 – Exibir a imagem do selo no seu blog
2 – linkar o blog pelo qual recebeu a indicação
3 – Escolher outros blogs para receber o prêmio dardos
4 – avisar os escolhidos

Blogs indicados:
Pós-premiere
Cinema Rodrigo
Galvanismo & Arte fluida
Dialogando cinema

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

OSCAR WATCH 2011 - Os vencedores do National Board of Review 2010

Justin Timberlake ao lado do premiado Jesse Einsenberg em cena do premiado A rede social: sozinhos na dianteira da corrida pelo ouro

Foram divulgados hoje os vencedores de uma das mais prestigiadas organizações de críticos de cinema dos Estados Unidos. O National Board of Review é, tradicionalmente, a primeira instituição a soltar a sua lista de premiados. A premiação em si só ocorre em meados de janeiro. Este ano, o grande vencedor foi A rede social, de David Fincher, filme que estréia amanhã nos cinemas brasileiros. Honrado com quatro prêmios (filme, direção, ator para Jesse Eisenberg e roteiro adaptado), A rede social monopolizou os principais prêmios do instituto causando surpresa em analistas, já que geralmente o National Board of Review pulveriza seus prêmios.
Também foram rotuladas de surpresas as premiações de Lesley Manville como melhor atriz por Another year, de Mike Leigh e Jacki Weaver por Animal Kingdon. Christian Bale levou o prêmio de ator coadjuvante por seu trabalho em O vencedor. Enterrado vivo foi escolhido o melhor roteiro original. Uma escolha um tanto inusitada, já que Minhas mães e meu pai era frequentemente apontado como um favorito na categoria e a fita estrelada por Ryan Reynolds (que deve estrear no próximo dia 10 no país) não era nem mesmo cotada para o prêmio.
O francês De deuses e homens foi escolhido a melhor produção estrangeira e o documentário Waiting for Superman venceu em sua categoria credenciando-se ainda mais para o Oscar. Ben Affleck teve seu filme incluso no TOP 10 anual da organização e viu Atração perigosa ter o elenco premiado como o melhor do ano. Jennifer Lawrence foi escolhida a revelação de 2010 pelo comentado Winter´s bone (que se chamará no Brasil Inverno da alma). Toy Story 3, como esperado, faturou o prêmio de melhor animação. O prêmio de melhor direção de arte foi para o veterano Dante Ferreti por Ilha do medo. Sofia Coppola levou para casa um prêmio de consolação denominado “Realização cinematográfica” por ter escrito, produzido e dirigido Em qualquer lugar.


O TOP 10 do National Board of Review em 2010:
Another year
O vencedor
Além da vida
A origem
O discurso do rei
Ilha do medo
Atração perigosa
Toy story 3
Bravura indômita
Inverno da alma


Amanhã em Claquete, uma análise sobre a repercussão da primeira lista de grande significância da temporada de ouro

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Claquete destaca

 + Morreu no último domingo, de complicações de um quadro de pneumonia, o ator canadense Leslie Nielsen aos 84 anos de idade. Nielsen imortalizou-se em filmes como Corram que a polícia vem aí, Apertem os cintos, o piloto sumiu e Drácula morto, mas feliz.

Irreverência sempre: Nielsen na premiere de Super-heróis, um de seus mais recentes filmes

+ James Franco e Anne Hathaway foram anunciados como os apresentadores do Oscar 2011. A escolha pela dupla de jovens atores (que tem filmes cotados para a disputa) marca mais uma tentativa da academia de atrair o público jovem.

+ Ambos são talentosos e donos de perfis que se comunicam tanto com um público mais maduro, quanto com uma platéia mais jovem. Contudo, é difícil crer que ambos tenham sido a primeira escolha dos produtores. Vale lembrar que Hugh Jackman há um mês e meio atrás recusou convite oficial para apresentar a cerimônia. Muitos outros convites informais devem ter sido recusados no ínterim.

+Considerada uma premiação inexpressiva na temporada, O Gothan Awards entrega seus prêmios no final de novembro e, por hábito, negligencia muitos filmes que nem sequer foram vistos ainda. Em 2010, o drama independente Winter´s bone foi o grande vencedor. O filme, que pode render uma indicação ao Oscar para a atriz Jennifer Lawrence ficou com os dois prêmios mais aguardados da noite: filme e elenco.


+ Foram divulgados hoje os indicados ao Independent Spirit Awards. Winter´s bone lidera a disputa com sete indicações.

+ O Independent Spirit Awards é a principal premiação do cinema independente americano. Nos últimos anos ganhou projeção e importância já que antecipa muitos dos concorrentes ao Oscar.

+ Os indicados a melhor filme do ano no Spirit são 127 hours, Cisne negro, Winter´s bone, Greenberg e Minhas mães e meu pai.

Jennifer Lawrence em cena de Winter´s bone: o filme foi o grande vencedor do Gothan Awards e foi bem contemplado no Spirit Awards


+Na briga pelo prêmio de direção estão Darren Aronofsky (Cisne Negro), Danny Boyle (127 hours), Lisa Cholodenko (Minhas mães e meu pai), Debra Granik (Winter´s bone) e John Cameron Mitchell (Rabbit hole).

+ O Indenpendent Spirit Awards acontece tradicionalmente na véspera do Oscar. Este ano a cerimônia de celebração do cinema independente acontecerá em 26 de fevereiro e você vai ficar sabendo de tudo sobre o prêmio no Oscar Watch 2011 aqui do blog.