Vira e mexe um estreante arrebata na direção. Não a toa, algumas premiações e festivais ao redor do mundo (como Cannes, Independent Spirit awards, Veneza e Toronto) têm um prêmio especial dedicado aos "melhores primeiros filmes".
Claquete lista na seção
TOP 10 dessa quinzena, 10 diretores que arrebataram em seus trabalhos de estréia. Alguns mantiveram o excelente nível, outros ainda não fizeram um segundo trabalho e um ou outro ainda vive à sombra da estréia triunfal. Com vocês 10 prodígios que arrebataram a crítica em suas estréias por trás das câmeras.
10 – Marc Webb (500 dias com ela)
Todo mundo ficou impressionado com o trabalho de estréia de Webb. O bonitinho, mas que não deixa de ser ordinário,
500 dias com ela debutou em Sundance e tomou a cena independente de assalto. Webb mostrou-se inventivo na direção e soube tirar proveito de um roteiro bastante original. Tanto é, que seu segundo trabalho como diretor será a frente do quarto filme do Homem-aranha.
9 – Sofia Coppola (As virgens suicidas)
Ela vem de família proeminente em Hollywood. Filha de um dos maiores cineastas americanos, Francis Ford Coppola, tentou emplacar uma carreira de atriz, talvez por orientação paterna (esteve em três filmes do pai), e teve de se esquivar da sombra do pai famoso. O que conseguiu de imediato. Logo em seu primeiro filme, Sofia empregou uma identidade própria muito forte. Sua narrativa em pouco lembrava a de seu pai e sua sensibilidade pôs a crítica em suspensão. Ali estava uma grande diretora. Um raio caíra duas vezes no mesmo lugar.
8- George Clooney (Confissões de uma mente perigosa)
Todo mundo esperava uma bomba da estréia na direção de George Clooney, que para muitos, nem mesmo bom ator era. Pois Clooney chamou sua trupe (Matt Damon e Julia Roberts fazem participação especial) e tornou comercial o roteiro de Charlie Kouffman, sem abdicar da inteligência e da espirituosidade do roteiro. Um trabalho seguro e altivo que evoluiria em sua segunda incursão na direção, reconhecida com indicação ao Oscar, mas aí já é outra história.
7- Spike Jonze (Quero ser John Malkovic)
Novamente Charlie Kouffman serve de trampolim para um diretor estreante. Spike Jonze veio dos videoclipes com uma linguagem visual apurada e essa linguagem foi crucial para que
Quero ser John Malkovic se tornasse o filme que se tornou. Indicado ao Oscar de melhor diretor por esse trabalho, Jonze soube filtrar muito bem o delírio de Kouffman e transformá-lo em uma afiada critica contemporânea.
6 – Robert Redford (Gente como a gente)
Robert Redford teve sua parte na longevidade da maldição que o Oscar impeliu à Martin Scorsese. Redford, em sua estréia na direção, levou a melhor por
Gente como a gente quando Scorsese concorria com
Touro indomável. O filme de Redford e a segurança que ele demonstrou atrás das câmeras impressionaram o público e a crítica. Mas o fato de ter criado naquele ano o festival de Sundance, dedicado a prestigiar e promover o cinema independente, sem dúvida ajudou muito no resultado.
5- Ben Affleck (Medo da verdade)
Execrado como ator pela crítica, ninguém via com bons olhos o debute de Affleck na direção. O que se viu foi consagração, talvez pela baixa expectativa, talvez pela força do material original.
Medo da verdade encantou a crítica e revelou um cineasta firme, centrado e totalmente seguro de suas escolhas dramáticas. Fato é que Affleck já havia se provado bom roteirista (ganhou o Oscar por Gênio indomável), e provou-se um diretor de extrema habilidade. Bonito, carismático, bom roteirista e bom diretor. Só faltava ser bom ator também, diriam os alcoviteiros de plantão.
4- Tom Ford (Direito de amar)
Pior do que um ator canastrão atrás das câmeras, só um estilista. Bem, a máxima caiu por terra após a crítica louvar a estréia na direção do estilista Tom Ford.
Direito de amar em nada denuncia que seu diretor é estreante e vem de fora do ramo do cinema. Rigor técnico, esmero narrativo e sensibilidade pulsante fazem de
Direito de amar um filme único. Principalmente se considerado que é um trabalho realizado por um estreante.
3- Jason Reitman (Obrigado por fumar)
Outro cineasta filho de cineasta. Contudo, neste caso, o júnior superou o papai rapidamente. Com três filmes no currículo, duas indicações ao Oscar como diretor e muito, mas muito prestígio mesmo, Jason Reitman pode-se considerar um cineasta de primeira. Essa percepção já surgia em seu primeiro longa,
Obrigado por fumar trazia um cinismo irreverente e alto teor crítico, características que acompanham o cinema desse verdadeiro prodígio americano.
2 – Stephen Daldry (Billy Elliot)
O inglês, vindo do teatro, chamou a atenção e conquistou público e crítica com esse pequeno filme britânico sobre um menino que queria fazer balé.
Billy Elliot é uma epígrafe de sensibilidade e comunhão cinematográficas. O talento de Daldry para contar histórias encontra respaldo em sua visão pragmática e acadêmica de como fazê-lo.
1-Sam Mendes (Beleza americana)
De completo desconhecido a gênio da sétima arte. É mais ou menos isso que aconteceu com esse inglês (também vindo do teatro) que logo em sua primeira produção no cinema (em um filme americano que atacava e desmascarava o american way of life) foi louvado como autor.
Beleza americana atentava contra aspectos culturais dos EUA e a forma sarcástica do registro cativou a crítica. Sam Mendes ganhou o Oscar e fez grandes filmes depois desse, mas ainda é difícil se afastar do assombro causado por seu primeiro trabalho.