quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Especial Argo - TV na veia


Bryan Cranston, da série cult "Breaking bad" é um dos muitos talentos da tv que aferem qualidade e temperatura ao novo filme de Ben Affleck


Muito se fala por aí de como a TV vem superando o cinema em força e liberdade criativa. Bem, Argo, novo filme de Ben Affleck, conscientemente vem ilustrar essa máxima transpondo muitos dos talentos criativos da TV americana para o cinema. O próprio Affleck já havia confiado a Jon Hamm, um dos expoentes de talento da atual safra americana na tv, o papel do principal antagonista de seu personagem em Atração perigosa (2010). A confecção de Argo, no entanto, já remetia à tv antes mesmo da entrada de Ben Affleck no projeto. O roteiro é assinado por Chris Terrio, cujos créditos incluem direção e produção de episódios de "Damages", ótima série de fundo jurídico estrelada por Glenn Close. Mas Affleck, orientado pela Warner, que não queria um elenco de cartas marcadas do cinema, foi buscar matéria prima na tv para viabilizar uma história essencialmente cinematográfica: a de uma operação que uniu os serviços de inteligência dos EUA e Canadá para resgatar seis diplomatas americanos refugiados na embaixada canadense em meio à emergente revolução iraniana nos idos dos anos 70. Os agentes entram no Irã disfarçados de uma equipe de filmagens hollywoodiana em busca de locações para um filme de ficção científica. Tudo real. Tudo potencialmente cinematográfico.

Papa fina
Um dos principais papeis em Argo compete a Bryan Cranston, que com o fim da série "Breaking bad" – que o tornou cult – deseja se dedicar mais ao cinema. Cranston faz o mentor do agente vivido por Affleck. De "Damages" vêm Chris Messina – que também atuou em "The newsroom" e é presença cada vez mais frequente no cinema - e Zeljko Ivanek – que também atuou em "True Blood". Kyle Chandler, de "Friday Night Lights" e que no cinema pôde ser visto recentemente em Super 8 (2011), é o terceiro vencedor do Emmy a engrossar as hostes de Argo. Tate Donovan, Victor Garber, Richard Kind e Clea Duvall são outros nomes egressos da tv que abrilhantam o elenco de Argo.
É justamente o entrosamento refinado do elenco que tem valido alguns dos mais efusivos elogios que Argo tem recebido. Se as previsões se confirmarem e Argo for estrela na temporada de premiações, uma nova e rocambolesca lógica pode se estabelecer na dinâmica entre cinema e tv. Seria esse mais um xeque-mate do cinema nesse jogo de xadrez tão plural que disputa com a tv? Ou seria um truque da tv para reforçar com contundência sua superioridade contemporânea? Argo pode não ser a resposta, mas definitivamente se configura como uma pergunta.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cenas de cinema


Cosmético ou fonte da juventude?
O site Madamenoire apresentou uma lista original e muito surpreendente. Elencou diversas celebridades que parecem ser bem mais jovens do que aparentam. Entre os destaques figuram Jim Parsons, o Sheldon de The big bang theory que nem aqui nem na China parece ter os 39 anos que sua identidade apontam; o cantor e ator Jared Leto que, pasmem, já tem 40 anos; a diva da comédia Elizabeth Banks que tem 38 anos; Keanu Reeves que tem incríveis 47 anos; e, claro, Johnny Depp que apesar de ostentar 48 anos, manteve o look de trinta e poucos.

Keanu Reeves em foto do primeiro semestre deste ano: sem fantasma de tiozinho...


Tudo azul em Forks
Vem aí o último filme da saga Crepúsculo e, como se isso em si já não bastasse, a promoção de Amanhecer – parte 2 ainda traz na bagagem as reminiscências da crise conjugal vivida por Robert Pattinson e Kristen Stewart. Reconciliados, os pombinhos se juntaram ao vértice ficcional do triangulo amoroso que vivem nas telas, Taylor Lautner, em uma entrevista que deram para a MTV americana. Riram, fizeram piada e se disseram saudosos dos personagens, mas felizes por estarem concluindo a saga que projetou-os internacionalmente. Robert Pattinson falou até sobre sexo. Mas tudo dentro do contexto de Edward e Bella. “Foi horrível”, disse o rapaz. “Bill (Condon, o diretor), você estragou tudo para mim”, prosseguiu Kristen. Hummm...

À MTV americana, o trio riu, riu e riu: na ficção foi tudo ruim, já na vida real...


A sarjeta da fama

Em uma excelente matéria publicada na edição de novembro da revista Serafina, o jornalista Vinícius Donola retrata a vida de um punhado de personagens que se perderam do sonho que os guiou à Hollywood. A matéria apresenta pessoas que vivem fantasiadas de super-heróis e outros personagens célebres do cinema na calçada da fama em Los Angeles em busca de gorjetas e oportunidades. Com bom humor, a reportagem ilustra tanto a desilusão quanto o companheirismo que emerge desse paradoxo tão cativante para quem lê. A matéria pode ser conferida aqui.

A mulher maravilha, Jennifer Wenger, alvo de uma paixão platônica do super- homem Christopher Dennis, passou a deixar a capa em casa porque escondia o que os turistas queriam ver...


Novo filão
Harvey Weinstein, famoso e famigerado produtor de cinema, sempre investiu na Broadway. Mas sempre com parcimônia, afinal, era um homem do cinema. Mas, segundo reportagem do New York Times, essas são águas passadas. Weinstein assumiu a principal cadeira na produção de diversos musicais, inclusive uma versão para “Em busca da terra do nunca”, orçada em U$ 11 milhões e que recebeu cotação cinco estrelas. Setores da Broadway estão otimistas quanto ao toque de midas de Weinstein que, indagado pela reportagem do New York Times sobre a revigorada disposição de investir em teatro, saiu-se com essa: “The show must get better”.

Bardem rules

Todo mundo adora quando um trocadilho funciona! Javier Bardem principalmente. Foi dele a ideia de seu vilão em 007- operação Skyfall ser loiro oxigenado e efeminado. Um contraponto interessante à figura de Bond e um diálogo quase uterino com o vilão Anton Chigurh, ao qual deu vida em Onde os fracos não têm vez (2007), dos irmãos Coen.


Terceiro ator europeu a encarnar o vilão de Bond consecutivamente, os outros foram o dinamarquês Mads Mikkelsen em Casino Royale e o francês Mathieu Amalric em Quantun of Solace, o espanhol foi o único a deixar suas digitais na galeria dos grandes vilões do universo de 007.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Insight


Os rumos do império

Tomou de assalto o noticiário cultural e econômico na última semana, a divulgação da compra da LucasFilm pela Disney em uma negociação que envolveu U$ 4 bilhões em repasse de ações e verbas. Na esteira dessa “bomba”, veio outra. A Disney anunciou a pré-produção de um sétimo episódio de Star Wars. O episódio VII está previsto para ser lançado em 2015.
Há alguns meses, George Lucas anunciou que estava se aposentando. Partia dessa condição, a dificuldade de alinhar o quinto filme da saga de Indiana Jones, que é do notável interesse de Steven Spielberg.
O plano de aposentadoria de George Lucas, então, se cristalizou na venda dos direitos do universo Star Wars à Disney. Pesou na opção pelo casa do Mickey Mouse, o reconhecido know how da empresa na gestão de valiosas marcas e personagens. Outro aspecto decisivo foi a liberdade criativa concedida à Pixar e à Marvel, empresas recentemente inseridas no portfólio da gigante do entretenimento americano. George Lucas, por fim, condicionou à venda a posição de consultor. Não é certo, porém, até onde a voz dessa figura de consultoria pode ir. Contudo, é bastante claro que o universo de Star Wars está sob nova direção. Do contrário, nada nessa transação faria sentido. Diferentemente da Pixar, que carecia de subsídios e musculatura, e da Marvel, ainda em recuperação de um processo de falência que acometeu a empresa nos idos dos anos 90, a LucasFilm tinha independência financeira total. Os termos de distribuição com a Fox, no cinema, eram amplamente favoráveis à empresa de Lucas e o portfólio ostensivo em outras plataformas (HQs, games e TV) mostravam a boa saúde empresarial da companhia.
George Lucas, na verdade, quer ver o universo criado por ele expandido – cativando novas gerações – sem despender a mesma energia. O que é plenamente justificável quando se tem 68 anos. Ademais, Star Wars jamais se desvinculará historicamente de George Lucas.
Mas e o que a Disney tem a ganhar com isso? Muita coisa! É possível que em três, quatro anos, a empresa já tenha recuperado todo o seu investimento. Se a ideia de expandir o universo Star Wars no cinema é boa ou não do ponto de vista narrativo é uma coisa, mas é inegável que é um tiro certeiro da perspectiva comercial. São muitas as possibilidades de expansão e Lucas deve atuar de maneira mais ativa nessa primeira fase do projeto. Ademais, a Marvel deve absorver o universo Star Wars nas HQs. E séries derivadas do universo tem tudo para emplacar na ABC, canal aberto de TV nos EUA que pertence ao conglomerado Disney.

O ato: o presidente da Disney, Robert Iger e George Lucas assinam o contrato que fortalece a empresa do Mickey no establishment do entretenimento mundial


Monopólio pop
Sob qualquer ângulo, a Disney fez um negócio da China. Mas o que mais chama a atenção é o apetite da empresa. Não muito tempo atrás, em uma entrevista à revista Veja, o presidente e chefe executivo da The Walt Disney Company, Robert Iger, afirmou que o melhor momento para se fazer investimentos é em um ambiente de crise. Noção compactuada por muitos empresários de sucesso. Desde a crise de 2008, da qual o mundo, e especialmente os EUA, se recuperam lentamente, a Disney já fez duas aquisições de peso: a Marvel em 2009 por U$ 4 bilhões e agora a Lucas Film por outros U$ 4 bilhões. Muito provavelmente, os termos dessa última aquisição estivessem sendo alinhados quando da entrevista de Iger à Veja. Em 2006, a Disney comprou a Pixar, com a qual já colaborava assiduamente, por U$ 7,6 bilhões. Seis anos depois, além do horizonte límpido que o principal e mais criativo estúdio de animação oferece, o investimento já foi recuperado com as bilheterias, prêmios e licenciamentos de filmes como Wall-E (2008), Toy Story 3 (2010) e Up – altas aventuras (2009).
A Disney concilia agora, sob suas asas, um verdadeiro manancial de personagens ricos. Das HQs, principal motor de venda de ingressos na atualidade, detém boa parte dos personagens da Marvel – e são inúmeras as possibilidades de filmes e produções para a TV. Com a LucasFilm, as possibilidades se expandem também pela possibilidade de colaboração entre Pixar e Lucas Film, que já foram parte de uma mesma empresa no passado e hoje são referência em avanços tecnológicos na esfera cinematográfica.
Os avanços da Disney ainda precisam de algum relevo do tempo para serem melhor interpretados e dimensionados, mas é certo que os estúdios concorrentes precisam correr atrás. Como, ninguém sabe precisar. Certo é que esse império se armou muito bem para eventuais contra-ataques.

domingo, 4 de novembro de 2012

Repercutindo 007 - operação Skyfall


É Operação Skyfall o filme definitivo de James Bond? É melhor que essa resposta seja negativa. Se o 23º filme do agente secreto à serviço de sua majestade é um triunfo de narrativa e um acerto do ponto de vista da necessidade de atualizar o personagem, é também uma demonstração eloquente de que Bond está se perdendo de si mesmo. Há menos histrionismo na caracterização de um universo que sempre foi marcado pelo exagero, beirando a sátira. O personagem também mudou. Não que se faça uma defesa do sexismo, e James Bond sempre foi o personagem mais sexista do cinema. Mas o Bond que surge em Operação Skyfall, e que surgiu nos dois filmes anteriores, está longe de ser aquele mulherengo convicto. Ele quase se corrói de possuir uma mulher. O humor é outra matéria prima deixada de lado. As fases estreladas por Roger Moore e por Pierce Brosnan têm grande parte de seu apelo na forma bem humorada que sublinhavam os absurdos do universo que retratavam. O fato da atual fase protagonizada por Daniel Craig se levar a sério demais, nesse sentido, pode ser outro problema nessa espiral de distanciamento de Bond de si mesmo.
Paradoxalmente, Operação Skyfall é o filme que mais aproximou James Bond de si mesmo em um recorte totalmente diverso do que esse texto propunha até o momento. Não só o filme vislumbra Bond encarando seu passado em um momento de regressões emocionais que podem favorecer outros bons momentos na série, como faz com que o personagem cresça emocionalmente – deixando de ser um pêndulo ajustável por cada intérprete. O que reforça o domínio de Daniel Graig sobre o personagem. Mas não só. Operação Skyfall é clássico na administração inteligente que faz do histórico da franquia, resgatando elementos consagrados – como a tensão sexual entre Bond e Moneypenny e o Aston Martin DB5 usado em Goldfinger – e na proposição de elementos novos para a continuidade da franquia – além de contribuir para galeria dos grandes momentos da série com um vilão efeminado que flerta com Bond e o fim de um ciclo que ajudou a revitalizar o gás da franquia.
Dessa forma, Operação Skyfall se inscreve como um filme complexo dentro da franquia. Importante, reverente, ousado, renovado. Sam Mendes parece assinalar, melhor do que fizeram Martin Campbell e Marc Foster, que o James Bond de ontem não pode fazer sombra ao James Bond de hoje. Aos nostálgicos, no entanto, o Bond de Mendes dá uma piscadinha. Mas não mais que isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crítica: 007- operação Skyfall


Íntimo e pessoal

007-operação Skyfall (Skyfall, ING/EUA 2012) tem o mérito de ser o típico filme de James Bond e, simultaneamente, ser um filme incomum de James Bond. Esse aparente paradoxo, que se alimenta constantemente do passado do personagem e de toda a sua mitologia, é orquestrado com fina desenvoltura pelo cineasta Sam Mendes. O diretor aprofunda a proposta de um 007 mais dramático e tridimensional em um filme que menos parece um evento e mais um estudo de personagem. Há pontos positivos e negativos nessa proposta.
Logo no início, em operação na Turquia, Bond é dado como morto após uma mal sucedida operação para reaver uma lista com o nome de todos os agentes infiltrados em células terroristas ao redor do globo. Flagramos, então, um Bond desamparado e entregue a vícios que retorna ao MI6 quando este sofre um atentado. Ele é pessoalmente encarregado por M (Judi Dench) de descobrir o paradeiro da lista e deter os responsáveis por todo esse transtorno. É aí que entra Silva (Javier Bardem), um vilão carismático, assustador, engraçado e tão imprevisível quanto somente um ator com a capacidade de transmutação e decalque que Javier Bardem ostenta poderia encarnar. Silva é um ex-agente que se sente traído por M e mais adiante compreenderemos suas razões.
Ao apresentar um vilão em busca de vingança, Operação Skyfall dá um passo a frente da média dos filmes do 007. As coisas aqui, assinala Mendes, são definitivamente mais pessoais. A própria figura de M cresce de importância. Nunca o fato de a personagem ser atualmente encarnada por uma mulher, e uma mulher com a envergadura artística de Judi Dench, tinha sido tão importante. Nesse contexto, a relação dela com Bond e com Silva se configura na espinha dorsal do filme. Bond, afinal, vivencia circunstâncias que o aproxima do sentimento experimentado por Silva e esse é apenas um dos firmes alicerces sobre os quais Operação Skyfall erige sua dramaturgia.

Sem conexão: Bond, dessa vez, não foi muito além dos interesses superficiais pela Bond girl da vez


O bom roteiro assinado novamente por Neal Purvis e Robert Wade, com supervisão de John Logan, ainda leva Bond a revisitar seu passado em uma sequência que agrega estofo dramático ao personagem. Não à toa, a catarse se dá de uma maneira pouco comum na série, com Bond chorando.
A opção por tornar a questão pessoal, não diminui o espaço de outra discussão bem encampada por Operação Skyfall. A da readequação do personagem à atual conjuntura geopolítica. Em um dado momento, M diz “Não conhecemos mais nossos inimigos. Eles estão nas sombras. Não são mais países, mas indivíduos. O mundo se tornou opaco”. É uma defesa da importância do trabalho de espionagem e de pessoas como Bond para a manutenção da paz. É um dos artifícios de reinvenção da série. Outros podem ser vistos na figura do novo Q (bem adornado por um Ben Whishaw à vontade) e do personagem de Ralph Fiennes, um burocrata do governo britânico que pressiona M por resultados mais efetivos.
Operação Skyfall olha para o passado de James Bond para formatar seu futuro. É poético. Não é o melhor da série, como muitos críticos eufóricos atestaram sem ouvir a passagem do tempo, mas talvez seja o mais importante; e é muito importante que se faça essa distinção. Operação Skyfall, definitivamente, mostra um novo caminho. Menos apoteótico, mais realista e, seguramente, muito desafiador. Mas Sam Mendes deixou o personagem muito bem preparado.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Carta do editor - Um mês para todos os gostos!


Novembro é um mês especial. E eu já falei isso em editoriais de novembro de outros anos. Mas 2012 traz um mês com uma boa porção de feriados, uma constatação indispensável para o bom humor de qualquer um. Mas traz também uma boa porção de filmes, algo indispensável para o bom humor de qualquer cinéfilo. Filmes que foram destaques em festivais, como Um alguém apaixonado, novo do iraniano Abbas Kiarostami, Histeria, sobre a invenção do vibrador, O homem da máfia, que coloca Brad Pitt e Tony Soprano (James Gandolfini) sob a batuta do diretor de O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford e Argo, novo de Ben Affleck, competem pela atenção dos cinéfilos com produções como Frankenweenie, novo de Tim Burton, Marcados para morrer, A origem dos guardiões e o último filme da saga Crepúsculo. É muito cinema de boa qualidade para cinéfilo nenhum botar defeito e todos esses filmes terão a merecida repercussão em Claquete. Argo, por exemplo, receberá uma cobertura especial e seu diretor, Ben Affleck, estrelará a nova seção Homem do mês.
007 ainda está em cartaz nos cinemas e no blog. Operação Skyfall tem sido considerado por muita gente o melhor filme de James Bond de todos os tempos. Será? Claquete lança um olhar mais detido para tentar responder essa questão.
No mês passado, a seção Em off apresentou uma diretora que está fazendo história na Arábia Saudita ao se tornar a primeira saudita a dirigir um filme e em seu país. Isso nos lembra de que há dois anos destacávamos o primeiro Oscar para uma diretora. É fato que temos cada vez mais mulheres talentosíssimas na direção de longa-metragens. Certo, também, que ainda há muitas barreiras a serem transpostas em uma indústria secularmente conhecida por seu aspecto sexista e refratário. Mas o que as escolhas e caminhos trilhados pelas diretoras já atuantes nos dizem? Que futuro ele intuem? A primeira seção Spotlight de Claquete vai buscar iluminar essa questão tão delicada.
As seções Insight do mês abordarão temas distintos, mas agregados pelo valor cinéfilo que ostentam. Desde os rumos da Disney que acaba de adquirir a Lucas Film, passando pelo discurso cinematográfico de Abbas Kiarostami e chegando no multifacetado universo da espionagem no cinema. Enfim, um mês para todos os gostos!


Reinaldo Matheus Glioche
       editor

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Momento Claquete # 31

Cameron Diaz, aos 40 anos, mostra que tem muito peito no editorial assinado por Terry Richardson para a edição de outubro da Esquire americana 


 O nome é Bardem: Javier Bardem, moreno, foi capa da GQ italiana de setembro...


Química a gente faz em casa: Jon Hamm e Kristen Wiig, que já fizeram um casal por duas vezes nas telas, mostram sintonia quando as câmeras estão desligadas

Eles já foram namorados na vida real e marido e mulher na ficção. Claquete, no entanto, recupera um olhar indiscreto ocorrido antes disso tudo. Tobey Maguire não resiste e "segue" Natalie Portman pela escadaria de um estádio de baseball. A foto é de 2007


A barriguinha está lá, mas o charme também. Sean Penn joga um xaveco na cantora Florence Welch em evento realizado no sábado (27) em Los Angeles 


S.O.S raridade: essa é um presente de Claquete para cinéfilo nenhum botar defeito. Em foto de 1978, Woody Allen e Nora Ephron, falecida este ano, tricotam sobre alguma coisa a qual só podemos especular... 



O homem que é uma caricatura: Tim Burton, o homem, a caricatura...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Arquivos 007



Os melhores vilões

Xenia Onatopp (Famke Janssen)
Ex-assassina da KGB ela não se faz de rogada em sair na mão com 007 e mata suas vítimas esmagando-as com as coxas.

Jaws (Richard Kiel)
Gigantesco e com dentes de aço, ele conseguiu aparecer em dois filmes de James Bond.

Le chiffre (Mads Mikkelsen)
Banqueiro de terroristas que chora sangue, é o responsável pelo confronto mais mental já enfrentado por Bond; e logo em sua primeira missão.


Goldfinger (Gert Fröbe)
Um vilão essencialmente capitalista, Goldfinger quer explodir Fort Knox para desvalorizar o ouro dos EUA e aumentar o valor de sua fortuna.

Dr. No (Joseph Wiseman)
O mérito de ser o primeiro vilão, justamente quem estipulou a base megalomaníaca do antagonista de 007.

Os melhores gadgets

O Aston Martin invisível de 007- um novo dia para morrer (2002)
O telefone celular que funciona como leitura de digitais e ainda controla o carro de 007- o amanhã nunca morre (1997)
O relógio que apresenta funções de laser, serra e imã em 007-viva e deixe morrer (1973)
A pasta que abriga munição e uma faca e ainda dispara um gás letal se aberta de maneira convencional em Moscou contra 007 (1963)
Óculos com visão de raio-x em 007 – o mundo não é o bastante (1999)


As maiores bilheterias *

1 – 007 – Casino Royale (2006) = U$ 640 milhões
2 – 007 – Quantum of Solace (2008) = U$ 575 milhões
3 – 007 – Um novo dia para morrer (2002) = U$ 431 milhões
4 – 007 – O mundo não é o bastante (1999) = U$ 375 milhões
5 -007 contra goldeneye (1995) = U$ 351,5 milhões

*em números absolutos, desconsiderada a inflação




domingo, 28 de outubro de 2012

Insight

O lado B dos filmes teen

Duas produções que estrearam nos cinemas brasileiros neste mês de outubro colocam em evidência a opção por um cinema de verve mais artística no tocante a ambientação da fase adolescente. Moonrise Kingdom e As vantagens de ser invisível, no entanto, se diferem da obra de Gus Van Sant sobre o tópico por terem a capacidade de preservar algumas características alinhavadas ao universo pop. Wes Anderson, diretor do primeiro, dono de uma filmografia cult é um tipo estranho e, certamente, um gosto a se adquirir. Já Stephen Chbosky é um diretor estreante, mas não um estranho ao mundo do cinema. Já produziu e roteirizou, por exemplo, o musical Rent – os boêmios (2005) – por sua vez uma atualização de uma bem sucedida peça da Broadway- e a série de TV "Jericho" – cult em seu próprio eixo.
Há pouco mais de dois anos na extinta seção Contexto, Claquete abordou a questão sob um prisma mais abrangente. “Quando a adolescência é ofoco” discutia a boa safra de filmes, capitaneada pelo brasileiro As melhores coisas do mundo, que discutia a adolescência como algo factível e buscava se comunicar com o público retratado nas telas; fosse com bom humor, originalidade ou mesmo boas doses de ironia.
Moonrise kingdom e As vantagens de ser invisível elevam o status dessa discussão. Primeiro porque foram idealizados por dois diretores escritores altamente criativos e recém-ingressos na casa dos 40 anos. No caso de Chbosky, a experiência é ainda mais profunda, já que ele adapta a si mesmo de outra mídia, no caso o livro homônimo que escreveu para remontar sua própria vivência adolescente.
Esses filmes não buscam o diálogo com os adolescentes, mas também não o alienam- como o faz a obra de Gus Van Sant. Eles buscam abrigo na memória de quem já se despediu dessa fase da vida. Por essa beleza nostálgica e por encampar a adolescência em todo o seu esplendor de caos e expectativa, os filmes encontraram aplausos na crítica e respaldo de um público de procedências e faixa-etárias diferentes.
Os dois filmes, justamente por essa característica híbrida, podem representar um oásis na produção hollywoodiana. Fica a expectativa de que reverberem e que a proposta encontre eco entre produtores e diretores. Porque público, definitivamente, ela já encontrou.