quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Momento Claquete #37

Reminiscências do Globo de ouro 2014

Kevin Spacey e Julia Roberts no after-party: o seu sorriso é maior do que o meu... 

Michael Douglas no melhor estilo que rei sou eu... 

Christoph Waltz e Bruce Dern: vamos acabar logo com isso? 

O diretor de 12 anos de escravidão, Steve McQueen ergue um caloroso "é nosso" para delírio contido de Michael Fassbender 

Robin Wright se esforçando para conquistar o melhor WTF moment da internet...

 ... mas antes das festas, antes de tudo, Jennifer Lawrence já tinha garantido esse prêmio também.

Todas amam Harvey: falta bochechas ao megaprodutor para ser beijada por Heidi Klum e suas amigas

Bradley Cooper e Liev Schreiber não ligam para as câmeras enquanto fazem aquilo que os homens mais gostam de fazer: fofocar

Julia Louis-Dreyfus em momento "fã pegajosa" com Martin Scorsese

O melhor diretor Alfonso Cuarón: olha a gravidade, ó...

Oscar Watch 2014 - Apostas do blog para as indicações ao Oscar 2014

É um exercício de prognóstico não tão fácil quantos muitos creem. Demanda observação do cenário pontual e confronto deste com o histórico da academia. Um tantinho de intuição também vai bem. Confira abaixo as apostas do blog para os filmes e artistas que devem ser indicados nas principais categorias ao Oscar 2014 nesta quinta-feira (16).

 Melhor Filme *
12 anos de escravidão
Gravidade
Trapaça
Clube de compras Dallas
O lobo de Wall Street
Ela
Nebraska
Inside Llweyn Davis – balada de um homem comum
Capitão Phillips
Philomena


O ator Michael Fassbender e o diretor Steve McQueen, que já mereciam indicações por Shame (2011), devem ter seus nomes anunciados nesta quinta-feira. Assim como o filme 12 anos de escravidão que deve liderar a corrida pelo Oscar


Melhor diretor
Steve McQueen (12 anos de escravidão)
Alfonso Cuarón (Gravidade)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O lobo de Wall Street)
Spike Jonze (Ela)

Melhor ator
Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão)
Matthew McConaughey (Clube de compras Dallas)
Bruce Dern (Nebraska)
Christian Bale (Trapaça)
Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall Street)

Melhor atriz
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Judi Dench (Philomena)
Amy Adams (Trapaça)
Emma Thompson (Walt nos bastidores de Mary Poppins)
Meryl Streep (Álbum de família)

Melhor roteiro original
Trapaça
Ela
Inside Llewyn Davis – balada de um homem comum
À procura do amor
Clube de compras Dallas

Melhor roteiro adaptado
O lobo de Wall Street
Philomena
Capitão Phillips
12 anos de escravidão
Álbum de família

Melhor ator coadjuvante
Jared Leto (Clube de compras Dallas)
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Michael Fassbender (12 anos de escravidão)
Bradley Cooper (Trapaça)
Will Forte (Nebraska)

Melhor atriz coadjuvante
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de família)
Lupita Nyong´o (12 anos de escravidão)
Juno Squibb (Nebraska)
Oprah Winfrey (O mordomo da Casa Branca)

Filme estrangeiro
A grande beleza (Itália)
A caça (Dinamarca)
The grandmaster (Hong Kong)
The missing Picture (Camboja)
Omar (Palestina)


Cena de Gravidade: o filme de Alfonso Cuarón deve ter muitas indicações e ser uma das forças da temporada, mas Sandra Bullock deve ficar de fora da corrida...

Montagem
Gravidade
Rush – no limite da emoção
O lobo de Wall Street
12 anos de escravidão
Capitão Phillips

Fotografia
Gravidade
Inside Llewyn Davis – balada de um homem comum
12 anos de escravidão
Os suspeitos
Nebraska

Direção de arte
Ela
Trapaça
12 anos de escravidão
O grande Gatsby
Gravidade

Figurino
Trapaça
O grande Gatsby
12 aos de escravidão
Walt nos bastidores de Mary Poppins
OZ: mágico e poderoso

Trilha sonora
Gravidade
12 anos de escravidão
Capitão Phillips
Ela
Até o fim

Documentário
The act of killing
Stories we tell
Blackfish
Tim´s Vermeer
20 feet from stardom

Leonardo DiCaprio, excepcional em O lobo de Wall Street, deve voltar a ser indicado pela Academia que historicamente lhe apresenta tanta resistência. Mas ainda não será por esse papel que conquistará seu Oscar 

*Palpite considera o número máximo de dez indicados na categoria

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - crítica da 71ª edição do Globo de Ouro



O povo adora falar mal do Globo de Ouro e tem anos que a Hollywood Foreign Press Association, que distribui os prêmios, ajuda. No entanto, 2014 não foi um desses anos. Pelo menos no todo. Se houve as idiossincrasias de sempre, a opção irrefreável pelas estrelas (U2, Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence), houve correção (reconheceu-se a própria estupidez de nunca ter premiado a série Breaking bad e postergaram o reconhecimento a House of Cards), timing (as premiações de Jared Leto e Matthew McConaughey, que poucos fora este blog, previam) e pulverização. Era esperada uma premiação pulverizada, mas aí jaz, justamente, a principal crítica que se pode fazer ao Globo de Ouro. Premiar como melhor filme dramático do ano uma fita que não ganha um prêmio em nenhuma outra categoria sequer é, no mínimo, estranho; anticlimático. Ainda que o filme em questão, 12 anos de escravidão, tivesse recebido sete indicações.
A última vez que situação tão inusitada ocorreu foi em 2007, quando Babel, com as mesmas sete indicações, converteu em triunfo apenas a de melhor filme em drama. O discurso do Rei (2010) e Lincoln (2012) foram filmes recentes que obtiveram o mesmo número de indicações e vitória, mas no caso na categoria de melhor ator.
Trapaça, como o leitor já sabe, foi o grande vencedor da edição e não há nenhuma surpresa nisso. Alinhou-se, também, algo que as próprias indicações ao Globo de Ouro e ao Critic´s Choice Awards já sugeriam. A disputa pelo Oscar de melhor filme, apesar de ótimas produções a gravitar a categoria, se confina a Trapaça e 12 anos de escravidão. O que não quer dizer que este cenário não possa mudar, principalmente se considerarmos o longo hiato entre as indicações ao Oscar e a realização da cerimônia.
É inegável, porém, que 12 anos de escravidão sai diminuído do Globo de Ouro. A tendência, que era prévia ao prêmio, ratifica o bom momento que vive David O. Russell que deve ser indicado consecutivamente ao Oscar. Feito obtido por poucos cineastas. Nem mesmo o grande Scorsese ostenta essa marca.
Clube de compras Dallas, Ela, Gravidade e O lobo de Wall Street, filmes que polarizaram, mas passaram longe de se configurarem em unanimidades (não parece haver nenhuma na temporada) foram premiados. O primeiro consagrou seus atores, Matthew McConaughey (ator dramático) e Jared Leto (ator coadjuvante), tidos como atores de menos brio e tarimba em premiações.
Jennifer Lawrence, por seu turno, confirmou seu status de dona do pedaço em Hollywood e sacou uma rara vitória consecutiva no Globo de Ouro, dessa vez como atriz coadjuvante.

A polêmica da inclusão de filmes dramáticos na categoria de comédia, e todos os concorrentes do ano eram dramas, se fez sentir ao longo da cerimônia, mas a polêmica se diminui ante a qualidade da competição. Por ter, de alguma maneira, se esforçado para honrar todos os bons filmes que compunham sua 71ª edição, o Globo de Ouro deixa boas lembranças em 2014. 

*Michael Fassbender e Benedict Cumberbatch curtindo muito em uma after-party do Globo de ouro/Foto: DailyBeast

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (71ª edição do Globo de Ouro)

Pressa e perfeição
Chamou a atenção na 71ª edição do Globo de Ouro o pouco tempo que os premiados detinham para agradecimento. Rapidamente a insatisfação com essa característica marcante desta edição do prêmio se fez sentir. “Mas eu acabei de começar!”, bradou chateado o vencedor na categoria de melhor roteiro por Ela, Spike Jonze. Cate Blanchett, vencedora de melhor atriz dramática por Blue Jasmine, angustiou-se: “o público em casa ouve essa música irritante ou só vê a gente desesperadamente acelerar o discurso?”

Cate e sua angústia: mas será o benedito?

Pulverização para que te quero...
A rede social ganhou quatro prêmios em 2011 e, desde então, nenhum filme dominou, por assim dizer, o globo de ouro. Tal como Os miseráveis no ano passado, Trapaça – concorrendo entre as comédias e musicais – saiu com três prêmios. Mas a categoria dramática, em tese a mais concorrida, viu a segmentação de seus prêmios. Clube de compra Dallas, teve dois prêmios e ficou à frente, inclusive, do vencedor do prêmio de melhor filme, 12 anos de escravidão.

Coisas da HFPA
Aliás, a vitória solitária de 12 anos de escravidão, que tinha sete indicações e só converteu uma em vitória – justamente a de melhor filme, encontra paralelo em 2007, quando Babel parecia derrotado por A rainha ou Os infiltrados e acabou levando o troféu de melhor filme. Em 2010 foi pior. Nine, parecia festejado pela HFPA com cinco indicações, mas o filme foi sendo questionado, questionado e acabou perdendo a disputa principal entre comédias e musicais para Se beber, não case que só tinha uma indicação, justamente para melhor filme.

O diretor Steve McQueen festeja com seu elenco: ufa!

“E agora, como a vagina de uma supermodelo, vamos dar uma calorosa boas-vindas a Leonardo DiCaprio”, Tina Fey ao introduzir o ator que apresentaria o Globo de Ouro de melhor atriz dramática

As mulheres de Russell
Que David O. Russell é um belo diretor de atores já ficou claro, mas suas atrizes têm mais a agradecer. Desde O vencedor, pela menos uma atriz é premiada em qualquer premiação satélite. No Globo de Ouro 2014 não foi diferente. Amy Adams finalmente venceu seu primeiro troféu e Jennifer Lawrence venceu novamente sob a batuta de Russell.

“Meryl Streep está tão brilhante em Álbum de família que prova que ainda há muitos ótimos papéis em Hollywood para Meryl Streep acima dos 60 anos”, Tina Fey fazendo graça com pegada feminista acerca da escassez de papéis para mulheres mais velhas em Hollywood

The boys from Dallas
Matthew McConaughey e Jared Leto prevaleceram nas categorias de melhor ator em drama e melhor ator coadjuvante, respectivamente, e asseveraram um dos acolhimentos mais entusiasmados dessa temporada de premiações. O pequeno filme Clube de compras Dallas e o tour de force desses dois bons atores que vivem o grande momento de suas carreiras nessa temporada.

Jared Leto que "agradeceu" à depilação brasileira que fez para seu papel no filme: joinha 

“É a história de como George Clooney prefere flutuar no espaço e morrer do que passar um minuto a mais com uma mulher de sua idade”, Tina Fey resumindo o mote de Gravidade, um dos concorrentes a melhor filme do ano

Tina e Amy
Se elas não foram perfeitas em 2013, ainda que tenham contado com uma boa vontade que faltou para com Rick Gervais, em 2014 elas vacilaram bastante. Pelo menos três piadas foram realmente embaraçosas, muitas não foram engraçadas, mas tiveram três, reproduzidas nesta seção, que valeram o show. Figuras como Robert Downey Jr. e Jim Carrey roubaram a cena e deixaram transparecer que Tina Fey e Amy Poehler talvez precisem de descanso...

“Yeah bitch”, Aaron Paul fechando os trabalhos no agradecimento da equipe de "Breaking bad", que venceu como melhor série dramática

Leonardo DiCaprio e a luva de pelica
Leo resolveu esbofetear o elefante na sala. “Eu não imaginava ganhar um prêmio de melhor ator em comédia por esse filme (O lobo de Wall Street). Então gostaria de agradecer aos meus colegas de categorias, todos esses comediantes maravilhosos”. A polêmica divisão do Globo de ouro entre dramas e comédias atingiu patamar tragicômico em 2014 com a inclusão de filmes como O lobo de Wall Street, Álbum de família e Nebraska entre as comédias...

Leo regurgitando o prato que comeu... 

“Morrer é fácil, comédia é difícil. Eu acho que foi Shia LaBeouf quem disse isso. Tão jovem e tão sábio”, Jim Carrey tirando o melhor sarro da noite... 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Os encantadores de Oscars




A nova presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, a produtora executiva Cheryl Boone Isaacs, chegou criando logo a divisão dos diretores de elenco, omissão histórica da Academia, e abriu o precedente para no futuro a academia premiar melhores elencos. O trabalho do diretor de elenco consiste em fazer o casting para o filme. É um trabalho subestimado e cujo reconhecimento encontra grande resistência entre o brunch dos diretores. O presidente do sindicato dos diretores, Taylor Hackford, por exemplo, se declarou decepcionado com a novidade apresentada por Isaacs.
Essa discussão ainda vai longe e merece uma análise só para ela. De qualquer maneira, muitos diretores se notabilizam por serem excelentes diretores de atores. No cinema atual se destacam Clint Eastwood, Woody Allen, Alexander Payne e David O. Russell. Seus filmes sempre rendem indicações ao Oscar para seus atores. Eastwood, por exemplo, que é ator é conhecido por ser extremamente minimalista no set de filmagens. Faz poucas intervenções e orientações e busca deixar o ator à vontade. É diferente, por exemplo, de David Fincher; que costuma repetir cenas a exaustão, gravar inúmeros takes e palpitar demasiadamente no trabalho dos atores. Em termos de Oscar, eles se equivalem. Os últimos três protagonistas de David Fincher foram indicados ao prêmio. Brad Pitt, por O curioso caso de Benjamin Button (2008), Jesse Eisenberg, por A rede social (2010) e Rooney Mara, por Os homens que não amavam as mulheres (2011).
Clint Eastwood, nos últimos dez anos, conseguiu indicações para Tim Robbins, Márcia Gay Harden e Sean Penn por Sobre meninos em Lobos (2003), para ele mesmo, Hillary Swank e Morgan Freeman por Menina de ouro (2004), para Angelina Jolie por A troca (2008), Matt Damon e novamente Morgan Freeman por Invictus (2009).
David O. Russell é outro encantador de Oscars nato. Ainda que não tenha o jugo de Eastwood, que dirigiu nesses últimos dez anos quatro performances premiadas, chega muito perto disso. Por O vencedor (2010), emplacou indicações e vitórias para Christian Bale e Melissa Leo, sendo que Amy Adams também recebeu nomeação. No ano passado, conseguiu feito ainda mais notável ao incluir seus quatro atores principais nas quatro categorias de atuação por O lado bom da vida. Robert De Niro e Jacki Weaver como coadjuvantes e Bradley Cooper e Jennifer Lawrence como principais, esta última venceu. Há grandes chances de que Russell repita o feito este ano com Trapaça. Será? Viraria uma lenda. Woody Allen é meio que uma lenda. Desde os anos 70 arregimenta indicações para atores e atrizes enquanto vai fazendo a própria história no rol da Academia. Alan Alda, Angélica Huston, Mira Sorvino, Diane Keaton são apenas alguns dos muitos nomes alçados ao Oscar sob a batuta de Allen. Mas para não perder a história recente de vista, nos últimos dez anos, Allen contribuiu para o Oscar de Penelope Cruz e neste ano deve fazer o mesmo pelo segundo de Cate Blanchett.
Alexander Payne ostenta a honra de, por enquanto, ter sido o diretor da última atuação de Jack Nicholson, o grande recordista de indicações ao Oscar, por As confissões de Schmidt (2002). De lá para cá, todos os seus filmes tiveram indicações para atores e ele está de volta à carga nesta temporada de premiações. Sideways – entre umas e outras teve duas indicações para coadjuvantes (Virgina Madsen e Thomas Haden Church) e Os descendentes teve indicação para George Clooney. Nebraska está no páreo para três indicações e todas de atores pouco ou nada celebrados, uma demonstração de que o talento de Payne para a direção de atores precisa ser respeitado.
Martin Scorsese, outro no páreo na corrida deste ano, é outro bom diretor de atores que rende indicações sucessivas ao Oscar. Foram muitas ao longo de sua irretocável filmografia. Nos últimos dez anos foram quatro para atores. Três por O aviador e uma por Os infiltrados. O lobo de Wall Street incita a expectativa de que este número aumente.
Darren Aronofsky, Steven Spielberg, Stephen Daldry, Ang Lee, Lars Von Trier, Paul Thomas Anderson, Steven Soderbergh e Roman Polanski são outros notórios bons diretores de atores, mas não chegam ao patamar de encantadores de Oscars.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Filme em destaque - Ninfomaníaca: volume 1




Precedido por uma campanha de marketing intensa e avassaladora, sem precedentes na esfera de lançamentos de arte, o primeiro volume de Ninfomaníaca, a nova travessura do dinamarquês Lars Von Trier, estreia nesta sexta-feira na ressaca de críticas divididas e do silêncio desafiador do realizador que, de maneira inédita, consentiu que os produtores montassem uma versão censurada, e a dividisse em duas partes, para lançamento comercial.
A versão de Von Trier, sem cortes e, segundo dizem, mais apimentada, esteve para ser lançada em Cannes, mas para que o momentum não passasse, será exibida em evento de gala no festival de Berlim no próximo mês.
Como vivemos uma era capitalista, depois do lançamento do segundo volume, algumas distribuidoras do filme, inclusive a Califórnia no Brasil, aventam a possibilidade de lançar a versão de Von Trier, que totaliza quase seis horas, nos cinemas.
“Digressionismo”, limitou-se a dizer Von Trier quando questionado por uma revista cultural alemã sobre a qual gênero pertenceria Ninfomaníaca. À época, o filme não estava pronto e o diretor acrescentou que não falaria mais sobre a fita, já que havia se comprometido a “deixar seus filmes falarem por ele”. Stellan Skarsgaard, um dos atores mais frequentes na filmografia do diretor, fala e diz que “assistir Ninfomaníaca é tão excitante quanto comer uma tigela de cereal”. O ator faz menção ao erotismo frustrado, a mecanicidade da compulsão sexual da ninfomaníaca vivida por Stacy Martin e Charlote Gainsbourg em momentos distintos da vida da personagem principal, Joe, a ninfomaníaca em questão.
Mas por que digressionismo? Porque Ninfomaníaca basicamente é um filme falado. Uma depressiva egocêntrica que encontra ouvidos curiosos e os explora em busca de condenação ou absolvição e que, pelo menos no que concerne este primeiro volume, não encontra.
Como de hábito em se tratando de Von Trier, Ninfomaníaca é dividido em tomos. São oito no total e cinco neste primeiro volume. O filme, em si, é o desfecho da trilogia da depressão filmada por Von Trier a partir de AntiCristo (2009) e continuada em Melancolia (2011). Trata-se da quarta trilogia informal da carreira do cineasta, resta incompleta a trilogia sobre a América, iniciada com Dogville (2003), acrescida por Manderlay (2005), mas a terceira parte, Washington, permanece não filmada. A primeira trilogia, intitulada Europa, é constituída pelos filmes Elemento de um crime (1984), Epidemia (1987) e Europa (1991). A segunda trilogia, denominada “coração de ouro”, é formada pelos títulos Ondas do destino (1996), Os idiotas (1998) e Dançando no escuro (2000).
A estética do choque parece servir os propósitos de Von Trier que aqui acolhe o público para digredir com ele a respeito do ponto G das angústias humanas: o sexo.

Oscar Watch 2014 - Lawrence rules


Não estranhe a frase, mas Jennifer Lawrence é o mais próximo de uma unanimidade que Hollywood chegou desde Marlon Brando. Líder em buscas no Google (experimente começar a escrever Jen... e aí ela aparece), com uma base estabelecida de fãs e um grupo de admiradores que só faz crescer, Jennifer Lawrence desafia convenções a cada ano. Intérprete da maior heroína do cinema desde Sarah Connor ou Ellen Ripley, a Katniss Everdeen de Jogos Vorazes, e oscarizada com apenas 22 anos, se prepara para com 23 anos buscar seu segundo Oscar e, esse último dado já é dado como certo, arregimentar sua terceira indicação à estatueta em cinco anos.
O mundo parece estar aos pés de J. Law como gostam de chamá-la. Ela parece suportar a pressão de ser a nova namoradinha da América. Julia Roberts, eterna detentora do posto, que deve ser sua rival na categoria de atriz coadjuvante no Oscar disse outro dia que J.Law é muito bacana para ser a namoradinha da América. Inveja? Ressentimento? Ou seria um diagnóstico certeiro tanto de Lawrence como dos padrões vigentes do status de american sweetheart?
A especulação é tentadora, mas Roberts somente deixa transparecer uma coisa: o bonde passa e os cães ladram. Jennifer Lawrence é uma epidemia irreversível em Hollywood. Disputada por franquias, diretores de vulto calibre e adorada por colegas de trabalho, a atriz já frequenta listas de personalidades mais influentes do mundo sem sequer manifestar interesse de opinar sobre o que quer que seja.
Em entrevistas, demonstra afetuosidade e cabeça no lugar. Nega deslumbramento com Hollywood e diz adorar cinema. “Não sei como tem gente que reclama da divulgação dos filmes. Eu estou recebendo rios de dinheiro para fazer o que gosto. Não posso reclamar”, disse certa vez em um de seus corriqueiros surtos de sinceridade.

Jennifer Lawrence já recebeu muitas postagens aqui no blog e não dá pistas de que essa tendência será revertida. É, segundo a média das críticas, quem mais chama a atenção no afinado elenco de Trapaça, novo filme de David O. Russell. Nenhuma novidade aí. Uma das regras de J.Law é chamar a atenção, sem fazer muito esforço para isso, onde der as caras. Seja em um filme, em um tapete vermelho, em uma entrevista, ou mesmo aqui em Claquete.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Em off

A primeira seção Em off do ano destaca os cinquentinha de Nic Cage, as apostas do blog para o Globo de Ouro, o aniversário de outro fenômeno do cinema e como a corrida pelo Oscar de melhor direção se molda a partir das indicações para o DGA.

Os cinquenta de Cage merecem...
O astro dos astros completou 50 anos neste último 7 de janeiro. Cage já viveu dias melhores em Hollywood, mas é inegável que os piores dias de Cage rendem mais do que os melhores de muitos papas do cinema atual. Cult, pop, trabalhador, fanático por quadrinhos, ex-galã, ator camaleônico, sobrinho de diretor famoso, canastrão, sutil... Nicolas Cage é mais um dos reis dos anos 90 a completar 50 anos nesse biênio 2013/2014. Tamanho marco no coração da cinefilia, não poderia passar em branco aqui em Claquete.


Apostas para o Globo de Ouro 2014
Fazer apostas para o Globo de ouro é meio que um jogo de alto risco, mas tem seus prazeres. Claquete se aventura nos prognósticos da edição 2014. Vamos a eles.

Filme drama
Vai ganhar: Gravidade
A HFPA adora dar uma pisadinha na academia e o filme de Cuarón é o mais blockbuster entre os indicados
Pode ganhar: 12 anos de escravidão
Favoritismo precisa ser respeitado

Filme comédia/musical
Vai ganhar: Trapaça
Chegou a hora da HFPA fazer jus a estatura de David O. Russell no cinema atual
Pode ganhar: Ela
Porque o filme de Spike Jonze é a maior força não reconhecida da temporada

Diretor
Vai ganhar: Alfonso Cuarón (Gravidade)
Porque a HFPA adora dar uma pisadinha na academia?
Pode ganhar: David O. Russell (Trapaça)
Eles indicaram todos os atores do filme e...

Roteiro
Vai ganhar: Ela
Porque o filme de Spike Jonze é a maior força não reconhecida da temporada
Pode ganhar: Philomena
Tão bem agraciado pela HFPA, deve ganhar alguma coisa

Joaquin Phoenix em cena de Ela, de Spike Jonze: o underdog mais anunciado da temporada

Filme estrangeiro
Vai ganhar: Azul é a cor mais quente
Por que a HFPA não perderia a oportunidade de premiar um filme que a Academia não pode premiar em virtude de suas regras cheias de dedos
Pode ganhar: A grande beleza
Porque é um dos fortes do Oscar

Ator em drama
Vai ganhar: Matthew McConaughey (Dallas buyers club)
Como diria o bordão de Bruce Buffer no UFC, It´s tiiiiiiiiiiiiime
Pode ganhar: Robert Redford (All is lost)
Jamais indicado como ator, e novamente invocando Bruce Buffer, it´s tiiiiiiime

Atriz em drama
Vai ganhar: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Porque é simplesmente o melhor desempenho de uma carreira de melhores desempenhos
Pode ganhar: Judi Dench (Philomena)
Vai que enjoaram de Cate Blanchett, né?

Ator em comédia/musical
Vai ganhar: Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall Street)
Ele já não ganha um Globo de Ouro desde O aviador e dizem que merece como nunca
Pode ganhar: Joaquin Phoenix (Ela)
Porque o filme de Spike Jonze é a maior força não reconhecida da temporada

Atriz em comédia/musical
Vai ganhar: Amy Adams (Trapaça)
Há muito negligenciada, deve se beneficiar do buzz em torno do filme
Pode ganhar: Meryl Streep (Álbum de família)
É Meryl Streep, ora bolas!

As belezuras Jennifer Lawrence e Amy Adams em cena de Trapaça: elas devem vencer no domingo...

Atriz coadjuvante
Vai ganhar: Jennifer Lawrence (Trapaça)
E quem resiste a J.Law?
Pode ganhar: Lupita Nyong´o (12 anos de escravidão)
Se não quiserem que o filme saia de mãos vazias

Ator coadjuvante
Vai ganhar: Jared Leto (Dallas Buyers club)
Porque a dobradinha com McCounaughey faz todo sentido
Pode ganhar: Michael Fassbender (12 anos de escravidão)
Outro que já anda merecendo e, também, se não quiserem deixar 12 anos de escravidão esfriar

Parabéns Lynch!

No próximo dia 20 de janeiro, o cineasta David Lynch, provavelmente um dos cinco homens mais cults a andar na face da Terra, completará 68 anos de idade. O Telecine Cult programou um especial para comemorar a data (que outro Telecine faria isso, certo?). Serão exibidos os filmes Veludo azul e Império dos sonhos. A sessão dupla começa às 22h do domingo, dia 19.
Não obstante, Lynch , informalmente aposentado da direção justamente desde Império dos sonhos (2006), ensaia um retorno com as filmagens de material adicional para o box de Blu-ray comemorativo de Twin Peaks, que será lançado em março nos EUA. Pode não ser nada e apenas mais um dos muitos trabalhos menores do cineasta nesse período de reclusão, ou pode ser o prenúncio de um retorno em grande estilo.

Os indicados ao Directors Guild awards e o que isso significa na corrida pelo Oscar
Não significa muita coisa, já que o anúncio ocorre apenas um dia antes do dia limite para o fim das votações para os indicados ao Oscar. Mas significa algo muito importante. A corrida pelo Oscar neste ano tem parâmetros muito bem estabelecidos. A escolha de David O. Russell (Trapaça), preterido pelo DGA no ano passado (por O lado bom da vida), mas lembrado pelo Oscar, demonstra a força do diretor entre seus pares no momento. Já a opção por Scorsese (O lobo de Wall Street), seja na conta de seu prestígio ou na admiração por seu filme, reforça seu nome como o titã da temporada, deixando os Coen (Inside Llewyn Davis) e Woody Allen (Blue Jasmine) de lado. Alfonso Cuarón (Gravidade) é o representante dos avanços técnicos, posto ocupado por James Cameron e Ang Lee em outros anos. Tais como eles, não deve ganhar o prêmio do DGA.  Steve McQueen (12 anos de escravidão) é o talento emergente que alterna classicismo e ousadia. Uma tentação irresistível e Paul Greengrass (Capitão Phillips) é o tipo eficiente e mão firme que sempre cativa. É justamente ele o grande favorito a não chegar à lista do Oscar. Spike Jonze (Ela) e Alexander Payne (Nebraska), assim como Greengrass anteriormente indicados ao Oscar de direção, ainda são possibilidades bastante palpáveis.  São diretores que se encaixam nos parâmetros e são responsáveis por filmes menores, mas muito admirados na temporada.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street - O Inferno das boas e más intenções, a ira provocada por O lobo de Wall Street


O lobo de Wall Street figura na lista de melhores filmes do ano de muitos críticos renomados e proeminentes na indústria do cinema, mas, ao que parece, também vem desagradando muita gente. Primeiro foi o Peta (Associação para tratamento ético dos animais) que protestou pela cena em que um chimpanzé é ridicularizado no filme. O animal pertenceria a uma família com grave histórico de abuso de animais.
Depois veio a grita de pessoas afetadas pelas fraudes de Jordan Belfort, o corretor fraudulento interpretado por Leonardo DiCaprio. Em carta aberta publicada na revista Los Angeles Weekly, Christina McDowell criticou Scorsese e DiCaprio por glamorizar a psicopatia em O lobo de Wall Street. Na avaliação da filha do ex-sócio de Belfort e diretamente prejudicado por seus esquemas, Scorsese e DiCaprio louvam uma vida de excessos e obsessões. DiCaprio, em entrevista aos semanários Hollywood Reporter e Variety, fez questão de demover essa percepção. “Eu espero que as pessoas entendam que não estamos rindo junto com Belfort e seus pares, estamos rindo deles. Não toleramos aquele tipo de comportamento. Estamos acusando-o”. DiCaprio disse-se ainda fascinado pela sinceridade de Belfort. “É raro quando alguém não tem medo de dizer o quanto obscuro foi... Eu fiquei obcecado por interpretar um personagem que me fez compreender a mentalidade de sedução e ganância de Wall Street”. Belfort, na esteira do sucesso e buzz do filme, está envolvido em dois realities shows e segue dando palestras motivacionais pelas quais cobra fortunas. Ele cumpriu quatro anos de prisão por fraudes financeiras.   
Ao Hollywood Reporter, o ator disse que o filme tem significado especial para ele. “É um projeto difícil de vender, mas o qual me engajei desde o início”. Foi Leonardo DiCaprio quem convenceu Martin Scorsese a dirigir o filme e a adiar projetos aos quais o diretor já estava vinculado, como a cinebiografia de Frank Sinatra, por exemplo.

“O Diabo vem com um sorriso”
Inesperados protestos acompanharam a exibição de O lobo de Wall Street para membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em Los Angeles. Uma atriz, votante no Oscar, chegou a postar em uma rede social descalabros sobre o filme. “A mesma coisa durante três horas. Sexo, corrupção, sexo e palavrões”. Um roteirista disse, em alto e bom som, quando Scorsese e DiCaprio chegavam para responder questões da audiência local que eles deveriam se envergonhar.Mas o filme precede esse tipo de reação?
Para Scorsese, tal como seus filmes de gângsteres, ele aborda as deturpações do sonho americano, do lifestyle da América. “Algumas estruturas sociais facilitam o ingresso no crime, seja ele violento ou do colarinho branco, e outras não”, observa Scorsese. “O Diabo vem com um sorriso”.
As polêmicas em torno do filme valeram uma boa estreia nas bilheterias na concorrida época do Natal, em que filmes mais escapistas costumam dominar.

Scorsese e DiCaprio em momento de bastidor de O lobo de Wall Street: artistas inesperadamente contra a parede e na incumbência de justificar uma obra vocacionalmente artística 

O mundo de Wall Street vem gerando boa safra de filmes nos últimos anos. Desde Margin Call – o dia antes do fim (2011) até A negociação (2012), mas agora pelas mãos de um diretor de grife como Scorsese vive seu ápice criativo. É natural que haja mais polarização.  Nas palavras da jornalista e crítica de cinema Ana Maria Bahiana “é Scorsese em seu habitat natural: sociedades fechadas de pessoas absolutamente sem bússola moral, em queda livre e gargalhando até o fundo do poço".