sexta-feira, 7 de maio de 2010

Grandes momentos do cinema

"Their moral is a bad joke!"
Batman - o cavaleiro das trevas

Tem como não babar nessa cena? Talvez o melhor diálogo filosófico já exibido na história do cinema, equiparado apenas a O sétimo selo de Ingmar Bergman. Quando Batman adentra a sala de interrogatório para arguir o coringa, a platéia aguarda o desenrolar da cena com apreensão e expectativa. Em suspensão, assistimos um embate psicológico refinado e extremamente bem fundamentado. O psicótico coringa tem clareza acadêmica em seus posicionamentos. Mais acachapante do que a retórica iluminista do caótico vilão, é a forma como ele domina completamente a situação. A engenharia do plano arquitetado por ele é tão brilhante, tão fascinante do ponto de vista filosófico que impressiona a densidade dramática conseguida. Nos faz quase torcer por um lunático anárquico. É lógico que essa condição pode ser atribuída a poderosa interpretação de Heath Ledger. O ator está absoluto (tal qual seu personagem), mas seria infantil ignorar a eficiência do roteiro na construção da cena e do sentido que dela emerge.
Sem sombra de dúvidas um dos mais impressionantes momentos do cinema.

Clique aqui para assistir a cena!

Cantinho do DVD

A seção desta semana destaca um valoroso filme de Clint Eastwood. A conquista da honra (Flag of our fathers, EUA 2006) integra um projeto dos mais ambiciosos que o cinema viu nos últimos anos. Eastwood analisou, entre outras coisas, um mesmo conflito sob duas perspectivas distintas. A do lado vitorioso (os EUA) e a do lado derrotado (o Japão). O primeiro filme ainda é mais portentoso na descontrução que faz da figura do herói. Desanuviando todo o jogo de bastidores e a engenharia propagandista que dão corpo a idéia. Eastwood mostra em A conquista da honra que uma guerra pode ser vencida nos campos de batalha, mas sua definição não poderia estar mais distante dali.


* A critica foi escrita à época do lançamento do filme (semana que vem será publicado neste espaço a critica de Cartas de Iwo Jima)



A desconstrução de um mito!

Clint Eastwood não precisa provar mais nada para ninguém. Talvez só para si mesmo. O ator/diretor realizou, em uma tacada só, dois filmes ambientados na segunda guerra mundial. “Ambientados”, porque embora tenham cenas de combate e seja oficialmente sobre a segunda guerra, não são filmes de guerra. São dramas humanos que investigam os agentes dessas guerras. A conquista da honra (Flag of four fathers, EUA 2006), é sobre a perspectiva americana da batalha de Iwo Jima. Uma das mais sangrentas e importantes travadas entre EUA e Japão na segunda guerra. E Cartas de Iwo Jima é a perspectiva japonesa do mesmo conflito.
Aos 76 anos, o diretor só se envolve em projetos que o motivem a fazer mais do que um filme propriamente dito. “É preciso haver um desafio, um componente humano”, disse Clint em várias ocasiões. Pela primeira vez colaborando com Steven Spielberg, seu produtor, Clint viu esse componente humano na obra “Flag o four fathers” de James Bradley, livro que narrava a vida dos seis soldados que hastearam a bandeira americana na ilha de Iwo Jima. A foto, considerada a mais importante da história, foi de grande valia para os EUA vencerem a guerra. O livro de Bradley também foi importante como um ritual de descoberta de seu pai, que nunca havia falado nada sobre seu passado na guerra.
A conquista da honra é, portanto, um filme que se incumbe de discutir a noção de heroísmo. Um país precisa de heróis. Um país em guerra precisa vencer. O cineasta parte então da famosa foto, que virou peça de propaganda do governo americano em busca de financiamento para a guerra, e discute não só a noção de heroísmo, como também os efeitos avassaladores de uma guerra. A real razão dos soldados estarem lá lutando.
É fácil entender porque o filme não fez tanto sucesso nos EUA. Com o país em guerra, um filme que critica severamente o jogo de bastidores do governo para forjar heróis e evoca que em uma guerra, o patriotismo cede ao companheirismo no peito de um soldado, certamente não está destinado ao sucesso de público e crítica. Justamente por debater tão arduamente um dogma americano, o heroísmo. Os EUA sempre tiveram heróis, precisam deles. De fato, eles venceram a guerra. Heróis fabricados ajudaram a vencer a guerra, mesmo tendo custado suas dignidades e até mesmo suas vidas. É o que atesta Eastwood, dividindo a vergonha dos três protagonistas com o público. O americano não reagiu bem à verdade que emergiu das telas, mas há de se admirar que Eastwood, um republicano ferrenho, tenha tido a coragem de rodar um filme tão atual, tão verdadeiro, tão cru, tão premonitório. Os EUA continuam precisando de heróis. Eastwood é um deles.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ESPECIAL O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS - Quero ser star


Quase ninguém o conhece, mas o ator que tem nome de gato famoso já está no radar de Hollywood há algum tempo. Aos 26 anos, Andrew Garfield já pode se orgulhar de ter trabalhado com nomes como Tom Cruise, Heath Ledger, Meryl Streep, Robert Redford, Johnny Depp e Terry Gilliam. O Anton, ajudante do personagem Tony (Johnny Depp, Colin Farrel, Jude Law e Heath Ledger) de O mundo imaginário do doutor Parnassus, é um cara que gosta de pensar que é descolado. Foi destacado pela Variety em 2007 como um dos 10 atores para se ficar de olho. Foi em 2007 que estrelou o seu primeiro filme de grande porte. Em Leões e cordeiros, ele faz um prodígio que discute as razões da guerra com o professor interpretado por Robert Redford. O veterano ator e diretor, aliás, foi só elogios para Garfield à época da promoção do filme. Em 2008 ele esteve em A outra, drama de época estrelado por Eric Bana, Natalie Portman e Scarlett Johansson. Mas o próprio ator já confessara a reportagem da Entertainment weekly que seu projeto preferido até hoje foi mesmo Doutor Parnassus. “Heath é hipnótico e dividir o set com Jack Sparrow não tem preço”, admite em tom de tietagem.
Garfield está subindo rápido a ladeira de Hollywood. Ele é um dos protagonistas de The social network, aguardado filme que David Fincher realiza sobre o Facebook, o famoso site de relacionamentos. Já está, também, escalado para outros três filmes. Dois dos quais, comédias românticas. Garfield bem sabe que elas são impreteríveis para a consolidação de um nome quente como o dele.

Cenas de cinema


Vencedores do festival de Tribeca
Acabou nesse final de semana o nono festival de cinema de Tribeca, realizado em Nova Iorque. Depois do desfile de muitas estrelas, os vencedores foram divulgados no domingo à noite. O documentário Rush:beyond lighted stage, sobre a banda e rock canadense, foi escolhido o melhor filme pelo público. O júri premiou o alemão When we leave como melhor filme e o documentário Mônica & David, sobre um casal com síndrome de dawn.


O drama alemão prevaleceu em Nova Iorque

Peripécias de um repórter na junket de Homem de ferro 2
Junket é como são chamadas as entrevistas promocionais em que um artista recebe diversos jornalistas, um por vez, em períodos curtos de cinco minutos. Esse evento promocional, organizado por estúdios, assessorias e editoras, raramente rende boas entrevistas ou material exclusivo e relevante. Contudo, vez ou outra rende momentos inusitados. Um repórter de TV do Access Hollywood disparou as seguintes perguntas:

Para Scarlett Johansson:
“Quando você coloca aquela roupa de couro preta e olha no espelho, você pensa: Uau, como eu sou gostosa?”
Resposta da atriz: “Não. Ela é tão apertada que tudo que eu penso é: Será que eu vou conseguir me mexer?”

Para Robert Downey Jr.:
“Você fica doido para brincar com os brinquedos de Tony Stark?”
Resposta do ator: “Olha, eu fico muito feliz de fazer parte desse plano da Marvel no cinema. Sabe, é muito legal ser parte de uma coisa tão grande. Mas respondendo a tua pergunta, você talvez tenha essa ansiedade, mas eu já tenho 45 anos. Já passei dessa fase.”

Para Mickey Rourke:
"Qual é o lance por trás dessas tatuagens?"
Resposta do ator: “Durante minha pesquisa, vi que nas prisões russas quanto mais tatuagens menores o cara tiver, mais respeitado ele é. É legal passar esse tipo de subtexto no filme”



Mcdreamy encontra Megatron
Todo mundo sabe que Hebe recebeu um selinho muito especial essa semana. O ator americano Patrick Dempsey, o dr. Derek Shepard da série Grey´s anatomy, esteve no Brasil para divulgar um novo perfume que leva seu nome. Patrick Dempsey number two. Chique né?
Entre esse e outros compromissos na capital paulista, Dempsey deixou escapar, propositalmente (imagina-se), que estará no terceiro Transformers. A produção do filme, que coincidentemente começou a ser rodado na semana passada, confirmou a notícia.


Do Seattle Grace para a sua casa; ou melhor, para a da Hebe

Palavras vazias
Levanta a mão quem acha falsidade uma das piores características do ser humano! Pois é, Agelina Jolie merece algumas vaias. A atriz recusou formalmente convite feito pela Casa Branca para um jantar oferecido por Obama. A ocasião? O jantar anual que a Casa Branca oferece para os correspondentes estrangeiros que cobrem o noticiário de Washington. Obama resolveu inovar e levar algumas celebridades para desanuviar o ambiente. A justificativa de Angelina? Ela não deu. Mas um amigo que se disse autorizado pela atriz falou que ela prefere fazer algo relevante com seus fins de semanas, como ajudar os outros, ao invés de ficar bebendo champanhe e posando para fotógrafos.
Ok Angelina. Desde que seja um fim de semana em Veneza, outro em Paris, mais um em Nova Iorque e por fim em Barcelona. Só não esqueça de dar aquela passadinha no Sudão para umas fotos.

Angelina Jolie segura um órfão em Darfur: Uma foto nem um pouco posada...
Patrimônio cultural a perigo
Um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo está ameaçado de fechar as portas pela segunda vez em sua história. O Belas artes teve seu contrato de patrocínio com o banco HSBC rescendido. Um dos sócios do cinema, André Sturm, divulgou nota à imprensa hoje esclarecendo que se não houver oferta de novo patrocínio até julho, ele terá de fechar as portas. Se isso vier, de fato, a ocorrer, perde o cinema, perde a cultura e, por último, perdem os paulistanos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TOP 10 Especial: Discursos/ Monólogos do cinema

4 - "Now, imagine she´s white!", Matthew McConaughey em Tempo de matar

Se há algo que os americanos adoram é serem moralistas. Se há um tema que o moralismo americano abraça com gosto é o preconceito. Principalmente o racial. É inegável, porém, o apelo humanístico inerente a esses filmes e a força dramática de algumas cenas que reverberam no inconsciente cinéfilo e encontram algum respaldo sociológico. Queiramos admitir ou não. Uma dessas cenas é o tradicional “closing arguement” de um tribunal de júri no filme Tempo de matar (1996). Um jovem, e ainda não ingresso nas comédias românticas, Matthew McConaughey vive com expressividade um jovem advogado idealista e pobretão. O tipo clichê vinha a calhar no filme de Joel Shumacher. Havia muitos outros clichês ali também. Mas McConaughey, que possivelmente terá essa como a melhor cena de sua carreira como ator, injeta passionalidade e transforma uma cena bem escrita e moralista em um grande momento do cinema. Um advogado que se envolveu demais, que se desapaixonou pela profissão, que errou, que acertou, que foi chamuscado pela causa que defende e que tem, ao mesmo tempo em que proporciona ao público e aos jurados, uma epifania.
Tempo de matar, como muitos dramas de tribunal, tem grandes cenas, grandes personagens, diálogos irrepreensíveis e monólogos memoráveis. Contudo, poucos se assentam em tamanha simplicidade arrasadora. Essa cena é matadora porque não pretende emular a verdade, ela se apropria da verdade com descomunal veracidade.
No filme, o personagem de McConaughey defende um homem negro (Samuel L.Jackson) que matou os estupradores brancos de sua filha que estavam prestes a serem inocentados por um júri. Levado a julgamento, em uma cidade segregada, ninguém esperava um julgamento justo. O monólogo do advogado, no entanto, desmonta expectativas.

Top 10

10 atores/atrizes que você pode não lembrar, mas já estiveram sob às ordens de Woody Allen

O diretor americano Woody Allen está de volta aos cinemas brasileiros com Tudo pode dar certo. Woody Allen nos cinemas é deleite para qualquer cinéfilo que se preze. O diretor já trabalhou com quase todo mundo que você possa lembrar de cabeça em Hollywood. Larry David, que não costuma fazer cinema, foi o último a ser dirigido pelo cineasta americano. Com isso em mente, e para homenagear esse grande cineasta, Claquete elaborou uma lista com 10 atores e atrizes que já estiveram sob às ordens de Allen, mas que o leitor pode não lembrar.



10 – Mary Louise Parker
A mãe traficante de Weeds já esteve em um filme de Woody Allen. Isso mesmo! Mary Louise Parker era coadjuvante em Tiros na Broadway (1994). Ela fazia a namorada negligenciada do protagonista, John Cusack. Parker esteve muito bem no filme, mas foi ofuscada por outra boa coadjuvante de Allen, Diane West, que levou o Oscar da categoria para casa.

9 – Will Ferrel
Ele talvez seja o mais improvável dos alter egos de Woody Allen. Ferrel não parecia a escolha propícia para viver a contraparte do diretor nas telas, mas o ator investiu no humor histriônico e deu conta do recado ao viver um homem casado, mas apaixonado por outra em Melinda & Melinda (2004).

8 – Edward Norton
Um jovem e ainda desconhecido Edward Norton é um dos muitos protagonistas desse filme em que Woody Allen brinca de Robert Altman. Em Todos dizem eu te-amo(1996), o filme coral em que a ordem do dia é a exaltação do amor, Norton vive um tímido apaixonado.

7 – Jason Biggs
Outra escolha inusitada de Allen para um alter ego. Jason Biggs estava em alta com o sucesso da trilogia American Pie. Allen tentou se aproximar do público jovem escalando o ator e Cristina Ricci para viver uma comédia adolescente made in Woody Allen. Igual a tudo na vida (2003), no entanto, não deu certo.

6 – Sean Penn
A primeira indicação ao Oscar de Sean Penn na década passada (ele foi o ator que recebeu mais indicações) veio por essa comédia dramática refinada. Em Poucas e boas (1999) ele não é nem mesmo o protagonista, mas está a vontade sendo dirigido e contracenando com Allen.

5- Angélica Huston
Angélica Huston descende de uma dinastia de cinema. É filha do diretor, produtor, ator e roteirista John Huston, mas a atriz já cunhou sua própria história. E um de seus bons momentos é Crimes e pecados (1989), comédia dramática em que ela vive a personagem que inspirou o papel de Scarlet Johansson em Match point-ponto final.

4- Josh Brolin
Ele é o protagonista do novo filme de Woody Allen (You will meet a dark tall stranger) que terá premiere mundial esse mês em Cannes, mas Brolin já fez um papel secundário em um filme de Woody Allen há 6 anos atrás. Em Melinda & Melinda (2004) ele está no arco dramático do filme que conta duas versões da mesma história.

3 – Steve Carrel
Outro que dá as caras em Melinda & Melinda é Steve Carrel. O comediante americano de maior sucesso hoje ainda não tinha estourado com o hit O virgem de 40 anos quando fez uma ponta na “dramédia” de Allen. Mas o diretor não tem bola de cristal não; ele sabia que Carrel e Will Ferrel estavam rodando juntos outro filme, O âncora: a lenda de Ron Burgandy, e resolveu aproveitar a química.

2- Demi Moore
Um dos grandes filmes de Woody Allen, Desconstruindo Harry (1997) traz deliciosos personagens coadjuvantes. Criados pelo diretor e pelo personagem de Allen dentro do filme. Demi Moore dá vida a uma dessas personagens de dentro do filme.

1 – Billy Cristal
Billy Cristal como Diabo? Só em um filme de Woody Allen. Essa boa sacada ocorreu em Desconstruindo Harry (1997).

terça-feira, 4 de maio de 2010

ESPECIAL O MUNDO IMAGINÁRIO DO DOUTOR PARNASSUS - O filme pequeno que virou homenagem

Era uma vez um diretor que se apaixonou por um ator. Mas essa paixão não era carnal, muito menos romântica. O australiano Heath Ledger tornou-se o muso de Terry Gilliam. “O filme só conseguiu financiamento depois que Heath entrou no projeto”, disse o diretor à reportagem da Entertaiment Weekly. “O engraçado é que eu não havia oferecido o papel para ele. Ele pediu para ler o roteiro e então pediu para interpretar Tony. Quando o vi como Tony pela primeira vez, pensei comigo: Como que eu ia deixar essa passar?”, relembra Gilliam que já havia dirigido Ledger em Os irmãos Grimm (2005). Lembro de ter gostado muito da experiência de trabalhar com Ledger naquele filme, mas foi durante a pré-produção de Parnassus que me apaixonei pelo ator que ele é. Diretor e ator desenvolveram amizade depois do filme de 2005. “Ledger era um ator muito angustiado. Ele não sabia se deveria aceitar o papel em Brokeback Mountain. Certamente os prêmios e as indicações que recebeu o deixavam desconfortável”, continua o diretor, que foi grande incentivador para que Ledger aceitasse o desafio.
E é sobre Heath Ledger, para o bem e para o mal, que pairam os interesses em O mundo imaginário do doutor Parnassus. O filme que debutou no festival de Cannes do ano passado, não tinha distribuição garantida até que Batman – o cavaleiro das trevas fizesse o alvoroço que fez nas bilheterias. Lionsgate e Sony Pictures Classics se uniram para distribuir o filme e ajudar a perpetuar o legado do ator, cuja vida fora abreviada em janeiro de 2008.

Heath Ledger como Tony: Gilliam ficou arrebatado quando viu o ator em cena


Paralisação, tristeza e solução
A morte de Ledger, obviamente, paralisou as filmagens de O mundo imaginário do doutor Parnassus. Terry Gilliam, chocado, não sabia o que fazer. “Vi a notícia pela TV e me recusava a acreditar. Ele tinha estado comigo ali, cheio de vida, dias antes”. Sem Ledger não haveria como continuar pensou consigo. Mas o destino quis diferente. O mundo imaginário do doutor Parnassus não é um filme convencional, é uma fábula fantástica cheia de esquisitices e referências literárias que permitem devaneios estilísticos. Não à toa é um filme de Terry Gilliam. Três amigos e fãs de Ledger se apresentaram para terminar o filme. Mas não eram fãs quaisquer. Johnny Depp, Colin Farrel e Jude Law completariam as cenas de Ledger e doariam seus cachês para a filha do ator, Matilda. A aparente picaretagem era possível graças ao aspecto idílico da obra. Alguns ajustes no roteiro e pronto. Tony, o personagem de Ledger, passara a ser Tony, o personagem de Ledger, Depp, Farrel e Law.
“Fiquei muito feliz por eles recuperarem o filme e darem este presente a Matilda. Esse gesto já vale mais do que o filme”, disse o cineasta em entrevista no festival de Cannes do ano passado.

Jude Law (na foto), Colin Farrel e Johnny Depp entraram no projeto após a morte de Ledger em caráter de homenagem ao ator australiano


Não seria um sucesso de qualquer jeito
Apesar do estrondoso sucesso de O cavaleiro das trevas, Gilliam nunca se iludiu. “Já sabia que o filme não seria um sucesso”, disse à Entertainment Weekly. É lógico que o filme de Chris Nolan merecia todo o sucesso que teve, assim como Heath. Fico contente de tudo isso ter ajudado na realização de Parnassus, mas a proposta aqui é diferente”, sentencia o diretor.
Com duas indicações ao Oscar 2010 (figurino e direção de arte), O mundo imaginário do doutor Parnassus não fez sucesso comercial. O filme que estreou no natal nos EUA ficou em cartaz um mês e não se pagou por lá. A estréia brasileira ocorre nesta sexta-feira, 7 de maio, e não deve ocorrer nada de muito diferente. A fita dividiu a critica, para quem a marca de ser o último trabalho de Ledger pode ter ajudado a botar o filme nos cinemas, mas prejudicou na apreciação da mesma. Mas como diria Gilliam: não seria um sucesso de qualquer jeito.

Terry Gilliam abre o jogo: "Meu filme não seria um sucesso de qualquer jeito"

Numerologia * Drops*

Freddy Krueger wants you


Não teve jeito! No último fim de semana antes da mais concorrida temporada de estréias em Hollywood, o cara que invade os sonhos para matar, liderou. E liderou bem! O remake do clássico oitentista A hora do pesadelo rendeu U$ 32 milhões e já se pagou. O filme produzido por Michael Bay custou U$ 30 milhões. Como treinar seu dragão, o filme em 3D que de fato se mostrou longevo nas bilheterias, caiu para segundo lugar com U$ 10 milhões em caixa. No resto do mundo, a estréia de Homem de ferro 2 foi um verdadeiro acontecimento. Mais de U$ 110 milhões em 53 mercados. Destaque para Brasil e Inglaterra, onde o filme arrecadou UR 10,8 e R$ 10 milhões respectivamente.
Na próxima sexta, A hora do pesadelo chega no Brasil e deve perder o posto de campeão das bilheterias justamente para Homem de ferro 2. Vem muita coisa boa por aí.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ESPECIAL HOMEM DE FERRO 2 - Critica


Conspirando a favor!

Depois de arrebatar platéias do mundo inteiro e boa parte da critica com Homem de ferro, valendo-se principalmente do fator surpresa, a Marvel Studios tem com seu segundo filme – justamente a continuação de Homem de ferro, a dubiedade das expectativas. Homem de ferro 2 (Iron man 2,EUA 2010) foi concebido para ser o melhor e maior filme da temporada. Ser o primeiro a estrear ajuda nesse sentido. Cientes de que teriam que acertar em tudo que acertaram no primeiro filme e ainda propor mais, os produtores, o diretor Jon Favreau e o roteirista Justin Theroux (que também é ator) convergiram em jogar a favor de Robert Downey Jr., o astro da franquia e, atualmente, o principal Hollywood star.
Homem de ferro 2 tem mais efeitos especiais, mais personagens, mais merchandising e mais Robert Downey Jr. Diferentemente do primeiro filme, onde Downey Jr teve de investir no carisma para fazer graça, o roteiro do novo filme investe nas piadas e no humor sarcástico de seu protagonista. Até mesmo o motorista de Stark, Happy (vivido pelo diretor/ator Jon Favreau) tem seus momentos cômicos. Esse acerto não esconde as deficiências da fita. Como toda a continuação que se propõe maior e mais povoada, Homem de ferro 2 tem seus problemas com arestas mal aparadas. Os personagens secundários não são desenvolvidos a contento e resplandecem no vigor de seus intérpretes. Enquanto Mickey Rourke e Sam Rockwell fazem caricaturas engraçadas e bem sacadas, Gwyneth Paltrow sofre com sua personagem, que encolheu em relação ao primeiro filme, e Scarlett Johansson é outra que não tem muito tempo em cena.


Cara a cara com o mother fucker: Samuel L. Jackson volta como Nick Fury em Samuel L. Jakcson style


No filme, passado logo depois do final do primeiro, Tony Stark é pressionado pelo governo americano a entregar a armadura do Homem de ferro. Paralelamente a isso, sua saúde se deteriora e ele se divide entre seu ego inflamado e o comportamento autodestrutivo de quem beira o precipício. Favreau acertou em não enveredar pelo drama; quem gostou e se identificou com o primeiro filme poderia rejeitar essa nova abordagem. Afinal, o homem de ferro tem uma personalidade bem diferente do Batman. Contudo, a comédia as vezes atrapalha quando se quer falar sério e vice versa. Um problema de ritmo que não acometia o primeiro filme. É a tal coisa de querer abraçar o mundo.
Robert Downey Jr em uma das cenas mais apoteóticas do novo filme: o ator, para variar, é o dono do show novamente


O roteiro de Theroux é muito bom. Diálogos ágeis, sacadas espirituosas (“Eu privatizei a paz mundial com sucesso”, para ficar em um exemplo cabal) e cenas apoteóticas (como a primeira aparição do chicote negro no GP de Mônaco) ajudam a fazer de Homem de ferro 2 algo bem próximo das pretensões de seus idealizadores. É um senhor filme de verão. Agradável, inteligente, movimentado e tem Robert Downey Jr. Tudo que um bom blockbuster pode querer. Mas não é melhor que o primeiro. O que não chega a ser um demérito, mas comprova, uma vez mais, o espetáculo maior que o mundo que foi Batman-o cavaleiro das trevas.