segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tira - teima


Os alvos


Tropa de elite

O tráfico de drogas
O despreparo e o abandono sofridos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro
A classe média
Hipocrisia social


Tropa de elite 2

Os políticos
As milícias
Hipocrisia social

 
Os bordões


Tropa de elite

“Missão dada é missão cumprida”
“Pede pra sair!”
“Pega a vassoura, zero um!”
“O senhor é um fanfarrão!”
“Tira essa roupa preta que você não é caveira. Você é moleque!”
“Bota na conta do papa!”
“Perdeu playboy!”


Tropa de elite 2

“Cada cachorro que lamba a sua caceta”
“Quer me foder, me beija pô!”
“A responsabilidade é minha. O comando é meu!”


Quantas vezes a palavra “sistema” é proferida pelo personagem Nascimento?


Tropa de elite = 20 *

Tropa de elite 2 = 28 *





Particularidades


Tropa de elite

- Segundo estudo realizado pelo Ibope, o filme foi assistido por cerca de 15 milhões de pessoas na versão pirata que vazou antes da fita chegar aos cinemas.

- O filme, exibido no festival do Rio de 2007, provocou debates acalorados entre setores da esquerda e da direita durante o festival. Surgiram denúncias, refutadas pela equipe de produção, que o filme fazia apologia de um estado policial

- Esquerdistas rotularam o filme de fascista

- O filme foi remontado e a participação de Nascimento aumentada


Tropa de elite 2

- Foi montada uma forte operação de segurança para impedir que o filme fosse pirateado

- Não houve exibições prévias para a imprensa. Foi a primeira vez que isso ocorreu na ocasião de um grande lançamento nacional

- A figura do deputado Fraga, vivido no filme por Irandhir Santos, é inspirada no deputado estadual carioca Marcelo Freixo, responsável pela instauração da CPI das milícias na assembléia legislativa do Rio de Janeiro

- O roteiro foi reescrito 8 vezes por Bráulio Mantovani e José Padilha


* Quantidade aproximada

domingo, 17 de outubro de 2010

Claquete documenta - Os Estados Unidos X John Lennon



Nestas últimas semanas John Lennon tem sido uma pauta itinerante. Em virtude do aniversário do ex-beatle, assassinado há três décadas, todo dia se vê algo a respeito de Lennon no noticiário cultural. Um filme sobre os primeiros contatos dele com a música (O garoto de Liverpool) foi lançado há pouco nos EUA. Claquete documenta registra um dos documentários mais inusitados e, justamente por isso, mais assertivos sobre a figura de Lennon. Os Estados Unidos x John Lennon (The US VS John Lennon, EUA 2006) é um painel elogioso, sem deixar de ser contundente, do Lennon artista. Do Lennon pacifista. Do Lennon midiático. Para elaborar esse painel, os diretores e roteiristas David Leaf e John Scheinfeld debruçaram-se sobre um curioso recorte da vida do cantor. Sua passagem pelos EUA e sua forte oposição a guerra do Vietnã.
Os Estados Unidos x John Lennon captura a inquietação de Lennon em primeiro lugar. O filme abre mostrando a repercussão (negativa) de um comentário de Lennon sobre os Beatles serem mais populares do que Jesus Cristo. A intenção dos realizadores era capturar a essência de Lennon, um inconformista por natureza, e confrontá-la com o rigor de uma América profundamente conservadora. A primeira parte do documentário se dedica a pintar esse John Lennon que é tão prolifero e inventivo em seu diálogo com a mídia e tão enfático e ruidoso na manifestação de suas opiniões políticas. O filme trabalha com a ideia de que o governo americano (sob o jugo da era Nixon) se encontrava nervoso por demais ao julgar que um artista pacifista como Lennon pudesse de alguma maneira representar uma ameaça aos valores americanos. Uma crise institucional ou uma “revolução” (como apresentado no filme) nunca se materializou, mas Lennon, inegavelmente, era um combustível para desgostosos com a guerra (no caso toda uma nação).
Misturando imagens de arquivo (algumas cenas realmente inspiradas) com depoimentos de jornalistas, membros do governo americano à época, amigos de Lennon e de Yoko Ono, os diretores conseguiram mostrar o grau de paranóia de um governo que mais tarde sucumbiria às atividades ilegais conhecidas como o escândalo Watergate. Mostraram também que uma nação que esquece os erros do passado está fadada a repeti-los e o fato do filme ter sido feito sob os anos Bush (e do jornalista Carl Bernstein mencionar Bush nominalmente em sua fala) reveste a fita de um teor político (e porque não pacifista) muito claro.
O filme mimetiza a mensagem de John Lennon com clareza e lucidez uníssonas. Antes de ser um filme político, uma reconstituição histórica valorosa, ou mesmo um dispêndio de imagens e músicas de Lennon, Os Estados Unidos x John Lennon é uma homenagem a um homem que julgou ser necessário se engajar por um mundo melhor. É um eco de sua voz. De sua obra. Daquela que não pode ser lançada em edições comemorativas, mas que em um mundo como o que vivemos jamais envelhece.

O que quer José Padilha com Tropa de elite 2?

 


Antes de qualquer coisa é recomendável para quem achou o primeiro Tropa de elite fascista, ou uma apologia vitaminada de um estado policialesco, que assista este segundo filme. Desarma expectativas. É mais ou menos por aí que se passa a entender um pouco das intenções de Padilha com este novo Tropa. Ele almeja, mais do que assumir discursos de direita ou esquerda, entender o Brasil e no meio do caminho empurrar um monte de gente para essa “zona de entendimento”. Essa constatação é reforçada ao direcionar o olhar para os documentários realizados por Padilha (os dois filmes estrelados pelo Nascimento de Wagner Moura ainda são as únicas obras de ficção na carreira do cineasta). Tanto o documentário Garapa (sobre famílias miseráveis no Nordeste brasileiro) quanto Ônibus 174 (sobre uma mal sucedida ação do BOPE transmitida ao vivo para todo o país) buscam radiografar dicotomias de um país que mesmo flagrante no noticiário nos parece desconhecido. O diretor ainda realizou um outro documentário (encomendado pela rede de TV britânica BBC) sobre expedições antropológicas e suas relações com tribos indígenas. O segredo da Tribo (2009) não chegou a ter distribuição comercial no país. Ficou restrito a alguns festivais como a Mostra de cinema de São Paulo.
Quem não fica restrito é Padilha. O diretor põe embaixo do braço as muitas teorias do cinema e as alterna quase que de maneira frenética em seus filmes. Em uma análise superficial este Tropa de elite 2 tem uma estrutura de direita e um discurso de esquerda (inversamente proporcional ao primeiro filme). Mas essa constatação é fruto de uma análise superficial, algo que não encaixa com a filmografia de Padilha e os propósitos alinhados a ela.

Circo midiático: Em Tropa de elite 2 padilha tem muitos alvos...



É fato que com Tropa de elite 2 José Padilha ambicionava incomodar. Talvez mais do que tenha incomodado (pelo menos alguns setores intelectuais que se ajustam à esquerda) com o primeiro filme. A coragem de Padilha, exaltam alguns entusiasmados com o mote central dos filme (a banalização da política pelos políticos), tem de ser louvada. De fato, Padilha é intransigente a ponto de lançar seu filme em plena época de eleições. Mas esse fato é coincidência mercadológica. O público ecoa uma mensagem que no fundo não está presente na obra. O que Padilha quer é levar os políticos para as cordas. Trazer alguns assuntos sérios (como a segurança pública, a fome, a violência) para o centro do debate. Em entrevista no fim de setembro à Folha de São Paulo o cineasta disse: “Não sou bobo de acreditar que o filme (Tropa de elite 2) possa influenciar as eleições. Mas se plantar algo positivo no público, gerar o debate, pode, quem sabe, influenciar nas eleições de daqui a três anos.” A frase não é gratuita. O que Padilha quer é fazer com que o brasileiro se interesse por política mesmo quando não há campanha eleitoral na TV. Fazê-lo entender que é nossa responsabilidade cobrar responsabilidade no trato da coisa pública. Pode parecer pueril acreditar que um filme possa fazer isso. E é. Mas José Padilha é um artista. Politicamente engajado, mas ainda um artista. E essa é a postura socialmente requerida de artistas pensantes como Padilha. É isso que garante o equilíbrio do pêndulo social. Esse dado nos leva a brilhante reflexão proposta pelo crítico Inácio Araújo em seu blog. Ao destrinchar suas impressões do filme de maneira muito parelha a crítica que o leitor leu em Claquete, Araújo faz uma observação interessante: “Bem, aí entra o outro filme que me veio à cabeça: Arquitetura da Destruição". Esse magnífico ensaio sustenta que Hitler não aspirava senão a criar um mundo de beleza, livre de impurezas como retardados mentais, ciganos e, claro, judeus.
Acho que isso pode ser um paradigma: o caminho do excesso, no caso, não leva à sabedoria, como dizia William Blake. Leva ao desatino. Então, penso, todo esse excessivo combate à instituição política que vemos em Tropa leva a quê?”
Em outro momento, o crítico argumenta: “ eu me pergunto se vivemos num país de imaculada pureza dominado por um núcleo de desviantes corruptos ou coisa parecida.
O Congresso Nacional, por onde o filme passeia a horas tantas, não seria então representativo do que é o Brasil, do que somos nós?
Somos todos bons e os políticos são ruins? É isso, então? A idéia é consoladora, é verdade, mas é uma pena que não seja muito realista.
O filme sustenta, talvez com razão, que levará muitos anos para solucionarmos problemas como a corrupção, porque não é corrupção de uma pessoa, mas de um sistema”, finaliza.
Enfim, o que Padilha quer é o que quer todo cidadão de bem. O fato de defender um Brasil puro soa utópico e de certa forma é. Mas promove conforto a classe média saber que alguém tem culhões de enquadrar os políticos. Mesmo que com a devida licença à brasileira exibida antes da ação começar: Trata-se de uma ficção.

sábado, 16 de outubro de 2010

Análise: O nosso Jack Bauer - Nascimento e a suspensão dos valores morais


Não há como negar. O personagem vivido pelo excelente ator Wagner Moura nos dois filmes Tropa de elite é o grande personagem dos últimos anos surgido no cinema brasileiro. Quiçá não seja o maior personagem a surgir de maneira emancipada no cinema sem outro ponto de origem como a literatura, por exemplo.
Nascimento é um personagem que não comporta ambiguidade. É, por assim dizer, um personagem unidimensional. Por que então foi alçado ao patamar de ícone? O ator Wagner Moura e o diretor José Padilha já confessaram repetidas vezes terem sido surpreendidos pelo fato do personagem ter sido elevado a esse status pop. É justamente através de Nascimento que é possível mensurar Tropa de elite e seu impacto social. Mas o personagem não nasceu para ser bússola. Se impôs. A narração em off não existia nas primeiras versões de Tropa de elite. Esse recurso foi fruto de uma revisão na sala de montagem em que os realizadores perceberam que Moura roubava o filme e então aproximaram Nascimento do público. Ele seria nosso guia naquele mundo tão sórdido que se revelava para nós. E Nascimento não é menos sórdido. Torturador, intolerante, irascível, violento, explosivo, mas também é honesto, justo, fraterno, puro. Não chega a ser uma ambiguidade. As características de Nascimento são cristalinas. São idealizadas. Ele representa uma visão de mundo. A acolhida que a sociedade civil deu ao personagem espantou José Padilha. A crítica a uma polícia truculenta estava sendo aplaudida nas salas de cinema, mas não a crítica em si e sim o que era criticado. Essa atitude, e a reação a ela, ajudam a entender o arco dramático ao qual o personagem é submetido no segundo filme. A visão de mundo de Nascimento é posta a prova. O novo filme avança pouco mais de uma década e nesse percurso do tempo, Nascimento vai sendo temperado pela politicagem que antes ignorava dentro do que denomina o “sistema”. A transformação de Nascimento neste filme (reparem na curva dramática proposta pelo roteiro em que Nascimento acaba por ser aliado do deputado Fraga que no início do filme o próprio personagem descreve como uma espécie de nêmesis) não deixa de ser um vaticínio da realização a essa acolhida calorosa que o personagem e, mais importante ainda, sua visão de mundo receberam do público. Talvez doutrinar seja uma palavra forte, mas essa foi a principal orientação dos realizadores de Tropa de elite 2 na confecção do filme (mesmo que não seja admitida). Era necessário enveredar tanto o personagem quanto o público pelo caminho da reflexão. Não que a apoteose catártica esteja descartada (o “velho” Nascimento ressurge e espanca um deputado corrupto para delírio da platéia), mas ela está mais contida do que no primeiro filme.

Em debate realizado na última quarta-feira (13) em São Paulo, o ator Wagner Moura admitiu que "Nascimento é um personagem frágil"

Nascimento lembra, e muito, outro icônico personagem de nossos tempos. O Jack Bauer do finado seriado 24 horas foi considerado o personagem almágama da era Bush. Por quê? Por reunir em torno de sua persona todas as características identificáveis no governo Bush (as boas e ruins). Bauer, assim, como Nascimento, é incorruptível, truculento, puro e torturador. Essa figura é dramaturgicamente eficiente. Assim como Nascimento, Jack Bauer virou alvo de adoração por parte do público. Assim como Nascimento acabou renegado e subvalorizado dentro do contexto de sua respectiva trama.
É sintomático que personagens, cuja razão de existir seja criticar algum dispositivo em voga na sociedade – seja ela civil, política, ou da interação entre ambas – sucumba ao moralismo. Afinal, é necessário estornar os valores morais e o regimento ético suspensos no momento em que tais personagens, e suas atitudes, viram objeto de culto. No final das contas, quem está mais errado? O puro e truculento Nascimento e seu congênere Jack Bauer ou nossa sociedade cada vez mais cínica e anestesiada?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Panorama - Caché


Até lançar A fita branca no ano passado, este era o melhor filme de Michael Haneke. Para alguns ainda é o mais dialético, profundo e complexo trabalho do diretor alemão. Em Caché (França 2005) o diretor questiona o poder da imagem. Mas não só. Antes disso está em cheque a subjetividade. O protagonista de Caché, vivido com extrema eficiência por Daniel Auteuil, esconde em um passado ingrato. É na manipulação das imagens (e também das memórias) do personagem e de outras figuras recorrentes de seu passado que Haneke constrói a tensão de seu filme e o comentário que objetiva fazer sobre como percebemos o mundo em paralelo com nossos medos e anseios. O próprio filme, e sua construção, é um paradigma narrativo nesse sentido. Caché é uma obra vistosa e de profundo valor cinematográfico justamente por essa riqueza que mais lembra uma tese sociológica do que um trabalho artístico propriamente dito. O filme valeu a Haneke muitos prêmios (inclusive uma segunda Palma de ouro por direção no festival de Cannes) justamente por manter o cinema como fluxo de ideias e expoente de uma inquietação intelectual que parecia distante da arte mais popular de nossos tempos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Movies Great Partnerships - Ron Howard & Brian Grazer


Um vem de uma família de atores e outro se decidiu a produzir programas e filmes para família. Ron Howard e Brian Grazer se conheceram no início dos anos 80 nos bastidores de programas pilotos para a TV que nem sequer vingaram, mas a amizade (e parceria) vingou. Juntos, em 1986 fundaram o estúdio Imagine Entertainment que hoje é um dos maiores estúdios independentes de grandes conglomerados de comunicação como a Time Warner e a Sony Pictures (embora colabore assiduamente com a Universal Studios).
Um ano antes, porém, Grazer e Howard estiveram a frente de um grande hit do cinema ointentista. Tratava-se de Splash – uma sereia em minha vida que trazia um jovem e desconhecido Tom Hanks apaixonado pela sereia vivida por Daryl Hannah. O filme, que hoje é um clássico da sessão da tarde, apresentou um produtor jovem (esta foi sua primeira produção para cinema) e um ator que parecia convencer mais como diretor. O filme seguinte da dupla não repetiu o mesmo sucesso. O tiro que não saiu pela culatra (1989), apesar de elogiado por alguns setores da crítica, não fisgou o público. Enquanto Grazer investia em filmes com apelo familiar (como Um tira no jardim de infância), Howard tentava mostrar que era comercialmente viável em qualquer gênero (rodou Um sonho distante com o emergente casal formado por Tom Cruise e Nicole Kidman).

 Howard (de boné) dirige sempre com o apoio de Grazer (de cabelo espetadinho)

Foi justamente nos anos 90 que a pareceria Howard e Grazer se galvanizou. Com o estúdio fundado por eles cada vez mais sólido em Hollywood, puderam ofertar a estúdios maiores produções engajadas como O jornal (1994), ou apoteóticas como Apollo 13 – do Desastre ao triunfo (1995). O segundo filme, que novamente trazia Tom Hanks no elenco, levou Grazer pela primeira vez ao Oscar (indicado na categoria de melhor filme). Howard ainda teria de esperar mais alguns anos por esta distinção.
A esta altura, Howard não precisava se preocupar em ser comercialmente viável. Era pacifico para a dupla que Grazer deveria atuar como produtor de todos os filmes de Howard. E assim foi. O preço de um resgate (1997), ED TV (1999), O Grinch (2000), Desaparecidas (2003) e A luta pela esperança (2005) são todos produzidos por Grazer. Foi o produtor, cada vez com mais voz em Hollywood, que bancou o nome de Howard para um projeto de grande estima dentro da Dreamworks (na época o estúdio de Steven Spielberg). A aposta deu certo. Uma mente brilhante (2001) levou 4 Oscars (inclusive de filme para Grazer e direção para Howard, logo em sua primeira indicação) e fez grande bilheteria. O sucesso do filme mostrou que a parceria sabia aliar academicismo com potencial de bilheteria. E foi esse potencial de bilheteria, e porque Howard e Grazer são tão afinados e entrosados, que fez com que a Sony relegasse a dupla e a Imagine Entertainment a tarefa de adaptar para o cinema o best seller de Dan Brown, O código DaVinci (2006). Deu tão certo que, U$ 800 milhões em bilheteria depois, foi dado o aval para a continuação, Anjos e demônios (2009). Antes de voltar ao universo do simbologista Robert Langdon, Howard e Grazer voltaram ao Oscar. Com o teatral, oportuno e inteligentíssimo Frost/Nixon (2008). Muita gente duvidou que se tratasse de um filme de Ron Howard, numa clara demonstração de que ainda não o tomam como um diretor de fato.

Alguém contou uma piada: Ron Howard, Russe Crowe e Brian Grazer dão uma boa gargalhada nos sets de Uma mente brilhante


É possível dizer que o produtor Brian Grazer dá confiança e liberdade ao diretor Ron Howard e que, antes de qualquer coisa, a recíproca é verdadeira. Alternando projetos acadêmicos como Frost/Nixon com blockbusters como O código DaVinci, a dupla já provou que tem o necessário para engrandecer a história do cinema. Foi de sua tutela que alguns dos melhores filmes dos últimos anos nos foram entregues. O próximo projeto é a comédia The dilemma (2011). Pode até ser uma bomba, mas a parceria está suficientemente alicerçada para resistir.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Crítica - The runaways: garotas do rock

Não empolga!

A ideia era ótima. Falar da vida de duas mulheres que foram pioneiras no rock´n roll e mostraram que dominar guitarras elétricas não era uma virtude exclusivamente masculina. Colocar Kristen Stewart e Dakota Fanning, duas atrizes que dividem os sets na saga Crepúsculo, para dar viço a esse registro só fez aumentar o hype que The runaways – garotas do rock (The runaways, EUA 2010) pretendia ser. Mas não é. A fórmula não deu certo primeiro porque a direção de Flora Sigismondi é burocrática e pouco inventiva. Segundo porque o roteiro não colabora. A história remonta alguns clichês de filme de rock, com uma má tentativa de esboçar um erotismo capenga entre meninas desvirtuadas e uma má articulação do desarranjo familiar com o qual pretende justificar uma de suas protagonistas.
Kristen Stewart, talvez a grande razão de ser deste filme (pelo menos em termos de viabilização orçamentária), até que surpreende. Ela sabe usar seu jeito desengonçado a favor de sua atuação e compõe uma Joan Jett que não fica mal na fita. Já Dakota Fanning não convence como a sensual Cherry Currie. Falta a loirinha desenvoltura e, ora pois, sensualidade. Dakota em momento algum parece disposta ou capaz de nos fazer crer ser a mulher que vive nos cinemas. Mesmo que essa mulher ainda seja uma menina. É aí que o roteiro e o casting se cruzam em uma bifurcação das mais infelizes. The runaways não consegue empolgar nem quem é fã das atrizes, muito menos quem é fã das figuras biografadas. Um filme que só não é um total desperdício pela enérgica, e porque não assustadora, interpretação de Michael Shannon como o produtor musical que coloca as garotas no mapa da música e dos escândalos. Shannon mostra que leva jeito para viver figuras desgarradas que falam doideras verdadeiras. Após viver um doente mental que falava verdades incomodas em Foi apenas um sonho, ele vive aqui um tipo que pede para as garotas pensarem com os seus respectivos paus. Puro rock´n roll. É em Shannon, e só em Shannon, que se vislumbra uma faísca do espírito que o filme deveria ter.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Crítica - Comer rezar amar

Hedonismo de auto-ajuda!


Ajudar as pessoas a se encontrarem. Essa é a principal razão de ser dos livros e, em um movimento cada vez mais flagrante, dos filmes de auto-ajuda. Descontadas, é claro, as motivações financeiras que pautam tanto um mercado quanto o outro. Comer rezar amar (Eat pray Love, EUA 2010) é a adaptação hollywoodiana para um bem sucedido exemplar da literatura de auto-ajuda. O livro de Elizabeth Gilbert foi publicado no Brasil pela editora Objetiva e em um desses acertos do marketing entrou novamente na lista dos mais vendidos graças ao filme.
A fita protagonizada por Julia Roberts é um deleite para todos aqueles que julgam necessário entrar em contato com o seu eu interior. Aprender a se ouvir. Ou seja, todos nós humanos. O fato de ser um filme considerado para “mulherzinha” é um reflexo do que socialmente se estipula: as mulheres estão mais dispostas a terem DRs consigo mesmas. E o cinema é um catalisador voraz nesse sentido.
Comer rezar amar, o filme, talvez seja maior do que fosse necessário. Talvez a protagonista Liz Gilbert (uma Julia Roberts que não chega a convencer em seu registro de mulher afundada em uma crise existencial) seja ofuscada por coadjuvantes agradáveis e surpreendentes. Talvez a mensagem principal do filme (que é verbalizada em uma das muitas falas seguidas de caretas de um xamã em Bali: “Às vezes perder o equilíbrio por amor é a melhor maneira de levar uma vida equilibrada”.) não seja afirmativamente transpassada. De qualquer jeito, a personagem principal aprendeu muito em sua viagem. A respeitar e compreender seus sentimentos, a se perdoar, a experimentar e por aí vai.

Antes e depois: 1- Com David imersa em paralisia sentimental e 2- com o brasileiro Felipe vivendo o hedonismo em Bali

O filme começa com Liz presa a um casamento em que o amor não parece ser o combustível. Logo após um divórcio truculento ela se envolve com um ator um tanto quanto hedonista (James Franco). Esses relacionamentos servem para que Liz veja a luz amarela em sua vida. Ela não se sente feliz e pretende entender o por quê. Se lança em uma viagem para se espiritualizar. Os destinos são Itália, Índia e Indonésia. Nesses lugares ela passará por transformações que poderia muito bem passar em Nova Iorque. E aí reside a fragilidade de Comer rezar amar. Além de pintar painéis pouco lisonjeiros dos lugares aos quais Liz visita (os italianos são vagabundos, os brasileiros têm o hábito de beijarem os familiares na boca e o rito religioso praticado na Índia é tedioso), o filme -como já dito - não consegue fazer sua mensagem ser perfeitamente captada. Fica a sensação de que ela buscava mesmo um novo amor, já que o filme acaba com essa conquista. De qualquer maneira, fica a singela metáfora da viagem em busca de nós mesmos.

Claquete destaca

+ Tom Cruise e Jack Nicholson devem dividir a tela de cinema em El presidente. A comédia, se confirmada, marcará o reencontro da dupla quase 20 anos depois do indicado ao Oscar Questão de honra.

+ A trama de El presidente versa sobre a relação de um ex-presidente bonachão e extrovertido (papel que seria de Nicholson) e do agente secreto responsável por sua guarda (Tom Cruise), um tipo carrancudo e de poucos amigos.

+ Novos boatos dão conta de que Darren Aronofsky pode dirigir Wolverine 2. A contratação do cineasta indicaria uma mudança de rumos portentosa na franquia, cujo primeiro filme não agradou a crítica.


+ Foi anunciado mais um filme sobre a vida e a carreira de Mariyln Monroe. Em My week with Mariyln, Michelle Willians viverá a diva loura. Há, ainda, no elenco nomes como Kenneth Branagh, Julia Ormond, Dominic Cooper e Emma Waltson. O filme, que será dirigido por Simon Curtis, já se encontra em pré-produção. Vale lembrar que também está em produção Blonde, filme dirigido por Andrew Dominik e com Naomi Watts como Marilyn.
Just like her: Michelle impressiona visualmente como Marilyn...



+ A comédia Your highness, dirigida por David Gordon Green (Segurando as pontas e Superbad) teve suas primeiras imagens divulgadas. O filme tem no elenco Natalie Portman, James Franco e Zoey Deschanel. Como curiosidade, fica o registro de que Brad Pitt foi cotado para viver o personagem de Franco. Your Highness, uma comédia romântica passada na época medieval, estréia em abril de 2011 nos Estados Unidos.



+ Clint Eastwood confirmou que Leonardo DiCaprio será J. Edgar Hoover no filme que irá realizar para a Universal sobre o mentor do FBI. O diretor disse à Reuters que DiCaprio já está em vias de assinar contrato com o estúdio. Eastwood também negou que Joaquin Phoenix esteja sendo considerado para o projeto.
+Tropa de elite 2 registrou o maior público em um final de semana de estréia de um filme nacional em todos os tempos. Superou a marca alcançada este ano por Chico Xavier que era de 580 mil pessoas com sobras. O novo filme de José Padilha cravou 1, 25 milhão de espectadores entre sexta-feira e domingo.

+ Nos EUA, A rede social manteve o primeiro lugar nas bilheterias. O filme arrecadou U$ 15 milhões e teve a segunda menor queda (31%) em relação a semana anterior de um filme que manteve a primeira posição no mercado americano em 2010. A sua frente apenas A origem.