domingo, 7 de novembro de 2010

Insight

 Quem vai fazer bonito na temporada de ouro do cinema?

O leitor de Claquete já sabe que em dezembro começa o especial Oscar watch edição 2011, que trará, até o início de março, uma cobertura cinco estrelas da temporada de premiações no cinema, cujo ponto alto é a entrega dos prêmios da academia de artes e ciências cinematográficas de Hollywood. A seção Insight desta semana tem como objetivo iluminar os principais filmes que já se agrupam na linha de largada e os nomes que prometem ser os mais festejados da temporada.


As certezas

A principal certeza dessa temporada de premiações é A rede social. O filme que estréia no Brasil no próximo dia 3 de dezembro é um sucesso de bilheteria, conta com aprovação maciça da crítica e traz em seu cerne um tema moderno (mídias sociais) que dialoga com um público eminentemente jovem. Pesa a favor de A rede social o time que está por trás do filme. A começar pelo diretor David Fincher (cada vez mais prestigiado), passando pelo roteirista Aaron Sorkin e culminando no produtor Scott Rudin.
Outro filme que parece ganhar força é The king´s speech. A produção de época que captura a agonia do rei George às voltas com sua gagueira no momento que precisa passar força e coragem para um país em guerra tem recebido elogios da crítica internacional, embora não tenha agradado peremptoriamente a crítica americana. Premiações como o Globo de ouro, Independent spirit awards e Bafta, no entanto, devem favorecer o filme de Tom Hoover.

Colin Firth e Helena Bonhan Carter em cena de The king´s speech: ambos considerados oscarizáveis


E por falar em filme independente, dois chamam à atenção. O primeiro é Minhas mães e meu pai. O mais independente do ano. A fita, que estréia na próxima sexta-feira no país, tem percorrido com sucesso festivais no mundo inteiro (Sundance, Berlim, Rio de Janeiro e Roma são alguns deles) e caiu no gosto da crítica americana. Deve ser bastante lembrado.
O outro filme é 127 hours, novo filme do premiado Danny Boyle. Chocante e com uma ótima atuação de James Franco - na avaliação dos críticos - a fita deve ser presença frequente na temporada de premiações.
Natalie Portman é outro nome que deve se provar constante. Disparada na corrida pelo Oscar de melhor atriz, já é possível apontá-la como uma das finalistas na categoria por Cisne negro. James Franco, neste cenário, também é um nome certo. Com duas performances elogiadas. Além da já mencionada, Franco também carrega o piano em Howl, sobre a vida do poeta Allen Ginsberg. Colin Firth é outro que deve retornar a disputa em 2011. Preterido este ano por Direito de amar, o ator deve vir com força por The king´s speech. Deve encontrar, mais uma vez, Jeff Bridges que interpreta o personagem que deu uma indicação ao Oscar a John Wayne no remake de Bravura indômita que os irmãos Coen lançam no final deste ano.


As boas apostas

Clint Eastwood é sempre um nome a se considerar. Embora Além da vida, seu novo filme, tenha dividido opiniões, é bom ficar atento ao desempenho do filme nas primeiras premiações.
Scorsese e seu impactante Ilha do medo também podem render bons frutos na temporada. Tanto em categorias técnicas quanto nas categorias de ator, direção e filme. O mesmo vale para o outro filme estrelado por Leonardo DiCaprio em 2010, A origem.
Os irmãos Coen parecem vir com mais força neste ano com Bravura indômita do que no ano passado por Um homem sério. Não seria exagero dizer que eles podem ser, com este novo western, novamente protagonistas da temporada. Ben Affleck é outro bem cotado. Vivendo um ano excepcional do ponto de vista artístico, o ator encabeça o elenco do elogiado The company men, de John Wells e foi muito festejado pelo filme que dirige, roteiriza e estrela, Atração perigosa.
Ainda na seara das boas apostas, Michael Douglas é um bom nome na disputa por melhor ator por seu desempenho em O solteirão. Os primeiros prêmios serão um valioso termômetro para as chances de Douglas já que o filme passou nas salas americanas no início do ano. Blue valentine, drama independente, também pode levar seus atores, Ryan Gosling e Michelle Willians, à disputa. Ambos são figuras conhecidas e queridas do circuito de prêmios.

 Ben Affleck e Tommy Lee Jones em cartaz de The company men: um dos dramas mais elogiados da temporada


Lá vem os Coen: Jeff Bridges de tapa olho em True grit


Eles estão na briga

Pouca gente viu, mas o burburinho já existe em relação ao trabalho de Nicole Kidman em The rabbit hole, novo filme de John Cameron Mitchell. Tanto ela quanto o filme podem marcar presença na temporada de prêmios. The fighter tenta reviver a sina de Rocky Balboa no cinema e pode emplacar. Apesar de trazer dois bad boys na frente das câmeras (Christian Bale e Mark Wahlberg) e um atrás, David O. Russel. Another year, novo filme de Mike Leigh, deve ser lembrado em categorias de roteiro e de atuação.
Apenas duas comédias despontam nesse momento. A primeira é o Love and other drugs de Edward Zwick, que vem sendo chamado de “Amor sem escalas do ano”. O segundo é How do you know do gabaritado James L. Brooks.
Que Toy story 3 será o bicho papão dos prêmios de animação, ninguém duvida. A dúvida é sobre a dimensão da performance do filme nas premiações. Há quem pense que a categoria de animação ficou pequena demais para as produções da Pixar.

Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway chegam aos cinemas americanos no final deste mês: Será que há fôlego para o Oscar?

Claquete em série

Se cuida HBO

Era uma vez um canal de TV paga que primava pelos programas adultos de temática arrojada. Hoje são três canais. Pode-se dizer que foi o sucesso da fórmula consagrada da HBO (que começou com The Sopranos e Sex and the city) que trouxe a competição para seu universo. A HBO continua a reinar. Mas é cada vez mais desafiada em seus próprios domínios. O Showtime foi o primeiro com programas como Dexter, Weeds, The L world Californication e Satisfaction. O FX não ficou atrás. Vieram Nip/Tuck, Damages e The shield. Agora o pequeno AMC, abreviação para American Movie Classic desafia com propriedade o reinado da HBO. O carro chefe é Mad men que há três temporadas papa todos os prêmios possíveis e imagináveis. Breaking bad também apronta das suas. Mais recentemente o canal adentrou a seara das minisséries e estreou mundialmente a aguardada The walkind dead (no Brasil está sendo exibida pela FOX às terças-feiras às 22h). Produzida por Frank Darabont (o diretor que melhor traduziu o espírito de Stephen King para uma tela de cinema), a série que mostra um mundo afetado por um holocausto zumbi, tem seis episódios impecavelmente produzidos.
Quem ganha nesse verdadeiro front, é o espectador. Todas as séries têm exibição garantida no Brasil.

Caçadores de zumbis: o elenco de The walkind dead em foto promocional da série 


Uma palavra sobre Boardwalk Empire

Conforme apontado em Claquete em série do mês passado, Boardwalk Empire é o programa do ano. Com nomes como Martin Scorsese, Terence Winter e Mark Wahlberg nos bastidores, a produção da HBO (cujo episódio piloto custou mais de U$ 30 milhões) é tudo aquilo e mais um pouco. Ambientada pouco depois da primeira guerra mundial e no alvorecer da lei seca que precipitou a grande depressão de 1929 nos EUA, a série acompanhará o surgimento do gangsterismo como meio de vida na América. Os primeiros episódios não foram só promissores, foram imponentes. Exibida todo domingo às 22h na HBO brasileira (com reprises as segundas às 20h), a série crava de uma vez por todas o status autoral que a TV americana reclamou para si nos últimos anos.



Já não tão empolgantes

De volta a TV brasileira neste mês de novembro, a dobradinha da CBS (nos Estados Unidos) e da Warner channel (no Brasil), Two and a half men e The big bang theory já não apresenta o mesmo fôlego. A primeira acaba de adentrar sua oitava temporada em meio a escândalos envolvendo o protagonista Charlie Sheen e super salários para todo o elenco, enquanto que a segunda já falha em renovar o repertório cômico. Ambas estão presas ao lugar comum. A boa audiência ainda se justifica pelo histórico da série, mas esse panorama deve começar a mudar em breve.



O melancólico final de Nip/Tuck

Uma das séries mais ousadas e ácidas a surgir nos últimos anos na TV está agonizando em seu último ano. Nip/Tuck foi o cartão postal de Ryan Murphy em Hollywood. O criador de Glee e diretor de filmes como Comer rezar amar notabilizou-se por criar essa série com jeitão de novela sobre as desventuras de dois cirurgiões plásticos na ensolarada Miami.
Murphy abandonou a produção da série na quinta temporada, coincidentemente na temporada em que o cenário mudou de Miami para Los Angeles, mas na condição de criador continuou observando a cria. E é triste observar que Nip/Tuck é, hoje, uma paródia mal resolvida de si mesma. Entregue a repetição e a temas sem a mesma espessura de outrora, a crítica social de antes virou estardalhaço de mau gosto. A sétima, e última temporada, está atualmente em cartaz no canal FX.



A Globo mira no público de TV por assinatura

Não são só As cariocas que movimentarão as noites da TV globo nessas últimas semanas de 2010. Programas como Junto misturado, Clandestinos e Afinal, o que querem as mulheres? Fazem parte da ofensiva da emissora sobre uma fatia do consumidor da TV por assinatura. Aquele que já não se satisfaz com um folhetim convencional, mas que se permite seduzir por produções oxigenadas que obedeçam a um padrão seriado.
Independentemente da qualidade das produções (As cariocas que já vai para a quarta semana de exibição se revela uma decepção), é bem vinda essa nova orientação da emissora carioca. Essa pontual mudança de rumo mostra que a Globo procura testar alternativas eficientes às constantes quedas na audiência de suas novelas das oito.

sábado, 6 de novembro de 2010

Cantinho do DVD

Existem aqueles filmes que partem de premissas óbvias para tecer comentários mais profundos do que a obviedade da sinopse sugere. E há aqueles que não conseguem extrapolar a premissa. A estrada, destaque de Cantinho do DVD desta semana, é uma fita interessante para que possamos perceber a diferença entre uma boa ideia e uma boa execução. Não que A estrada seja um filme ruim. Não é o caso. Contudo, é aquele filme que deixa a sensação de que poderia render muito mais. A crítica, que vem a seguir, explica um pouco melhor porque isso ocorre.


Ficha técnica:
Título original: The Road
Direção: John Hillcoat
Roteiro: Joe Penhall  
Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smith McPhee, Charlize Theron e Robert Duvall
Gênero: Drama
Estúdio: The Weinstein company/ Paris filmes
Status: Disponível em DVD e Blu-ray para locação

 
Crítica
 
As expectativas sobre A estrada (The Road, EUA 2009) eram grandes. O filme, adaptado da obra homônima do premiado autor americano Cormac McCarthy, traz em seu cerne uma série de divagações sobre os limites da civilização. Dirigido pelo australiano John Hillcoat, A estrada preserva o tom fúnebre e a narrativa morosa do livro de McCarthy e confia em seu par de protagonistas, Viggo Mortensen e Kodi Smith McPhee, a tutela das emoções da platéia.
Não que o filme ambicione emocionar ou comover. A ideia que move A estrada é mais profunda e menos simples. Busca-se fazer um comentário sobre a finitude do homem enquanto conceito. Na trama, acompanhamos pai e filho tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico. Mundo em que há escassez de comida e a preocupação constante em não virar alvo de alguns poucos sobreviventes que cederam ao canibalismo. Ao contrário do que a sinopse possa sugerir, não se trata de uma ficção científica ou de um filme de ação com jeito de entretenimento sério. A estrada é um conjunto de metáforas alinhadas de forma calma, contundente e, até certo ponto, previsível. Está nessa previsibilidade – que não chega a ser algo de todo ruim – o grande revés da fita. Hillcoat falha em se aproveitar do impacto do cinema para ampliar a dialética do texto de McCarthy; como fizeram os irmãos Coen com Onde os fracos não têm vez (obra mais famosa de McCarthy).
A estrada é um bom filme, maravilhosamente realizado, que não alcança seus objetivos ironicamente por ter se prendido muito a eles. Tivesse Hillcoat se preocupado menos com as metáforas humanas que já constavam do livro e potencializado aquelas passíveis de iluminação pelo cinema, a presente crítica não discutiria de antemão as expectativas acerca do filme.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cenas de cinema

Uma dupla que é um parto

Às vezes as ideias mais geniais são também as mais óbvias. O cineasta Todd Philips, saído do acachapante sucesso de Se beber não case, tinha uma outra ideia de comic road movie e um dos elementos na manga, Zack Galifianakis (grande nome do filme dos caras que sucumbem na terra dos cassinos). Mas faltava algo a mistura. Foi aí que Robert Downey Jr., que confessadamente recusa em média 10 roteiros por dia, manifestou interesse em ser a outra face dessa improvável e incrivelmente óbvia dupla de Hollywood performers (aquele tipo de estrela que sustenta um filme, uma série, um palco ou qualquer situação).
Depois de estrear nos cinemas brasileiros em 2010 com Sherlock Holmes e Homem de ferro 2, Downey Jr. assume uma comédia de fato (algo que já vinha fazendo com sutileza nos outros filmes) com o wing man (gíria inglesa para parceiro, camarada) mais cobiçado da comédia atualmente.
A crítica de Um parto de viagem será publicada em Claquete na próxima segunda-feira.



Indesejado Mel
What a fuck...: Mel Gibson ficou sem entender nada...


A maré definitivamente não está boa para Mel Gibson. No início de outubro foi anunciado que o ator faria uma pequena participação na sequência de Se beber não case como um tatuador americano retirado na Tailândia. A mídia americana começou a repercutir o fato como uma nova volta por cima de Mel Gibson e enxergando em sua participação algo tão ou mais divertido como a ponta de Mike Tyson no primeiro filme.
Acontece que três dias depois da confirmação oficial da participação de Gibson em Se beber não case 2, o diretor Todd Philips divulgou carta aberta em que afirmava acreditar que “Gibson seria ótimo no filme e que era um entusiasta da ideia, mas que em Se beber não case todos são uma família e nem todo mundo pensava da mesma forma”.
Para preservar a boa relação com a equipe original, os produtores resolveram então expor Gibson a mais um flagelo público. O ator teria ficado furioso com o acontecido. Boatos em Hollywood dão conta de que o pivô da “descontratação” do ator australiano teria sido Zack Galifianakis.



Saramago vive

Um documentário sobre uma história de amor. Exibido no último festival do Rio e na mostra de São Paulo, encerrada ontem, o filme José e Pilar busca dar viço à história de um casal pautado pelo companheirismo, cumplicidade, respeito, admiração e amor. A fita de Miguel Gonçalves Mendes não planeja dialogar com o público das comédias românticas, mas não exclui (até mesmo em virtude da força de seus personagens) os elementos comuns ao gênero. O filme, conduzido com leveza, simplicidade e humor, também é um pertinente retrato das convicções de Saramago. O pensamento do intelectual encontra refúgio na intimidade do homem. José e Pilar estréia hoje nas cidades de Rio de Janeiro, Brasíla, Porto Alegre e São Paulo.


Por que o novo filme de Sofia Coppola não vai ao Oscar?

Recentemente o vencedor no Festival de Veneza tem se legitimado na disputa pelo Oscar. Principalmente se for uma fita americana. Foi assim com O segredo de Brokeback mountain (2005) e O lutador (2008). Mas tudo indica que não será assim com Em qualquer lugar, vencedor da última edição do festival. Não bastasse o péssimo burburinho que acompanhou a vitória do novo filme de Sofia Coppola, a crítica americana não parece identificar um grande concorrente na fita. As primeiras impressões, embora sejam elogiosas, não qualificam a fita como algo digno de premiações. O que só reforça as acusações de favorecimento pelo júri presidido por Quentin Tarantino em Veneza.

 
5 coisas que você precisa saber sobre Julianne Moore ...
    ... que em novembro estrela o sucesso independente Minhas mães e meu pai


- Foi eleita pela revista Entertainment weekly uma das 25 principais atrizes dos anos 90
- Só aprendeu a nadar aos 26 anos
- O maior salário que já recebeu foi pelo filme Hannibal (2001). O valor foi de U$ 3 milhões
- É amiga de Tom Ford desde 1998, quando o conheceu. Na ocasião, ele fez o vestido que ela usou na noite do Oscar daquele ano. Além de ter estrelado o primeiro filme de Ford como diretor (Direito de amar), a atriz estrelou dez campanhas publicitárias da marca Tom Ford
- Já foi indicada quatro vezes ao Oscar, mas nunca ganhou. As indicações foram pelos filmes Boggie Nights – prazer sem limites (1997), Fim de caso (1999), As horas (2002) e Longe do paraíso (2002).



Passarela

 Você os viu em uma mesma cena em Os mercenários e eles estiveram reunidos no último Hollywood Gala Awards que homenageou Sylvester Stallone na condição de cineasta


Muito mais que 127 horas: O diretor Danny Boyle e o ator James Franco, do elogiado 127 hours, também estiveram no evento 


Não é duplicata: James Franco esteve muito bem acompanhado na premiere londrina de 127 hours


 He did it again: Leon Cakoff, mentor e organizador da Mostra de Cinema de São Paulo, foi bem sucedido na realização da 34ª edição do evento que tomou os ares da capital paulista por duas semanas


 Quem tem o maior cabeção? Brad Pitt, Tina Fey e Ben Stiller compareceram a premiere de Megamind em Los Angeles no dia 3 de novembro. A animação, que estréia hoje nas salas americanas, traz as vozes de Pitt, Fey e Will Ferrel


Xis: Andrew Garfield, Carey Mulligan e Keira Knightley fazem pose na abertura do festival de Londres, onde o filme que estrelam, Never let me go, foi destaque



Você por aqui? Keira também marcou presença no Festival de Roma, ao lado de Eva Mendes, para a premiere de Last night em 28 de outubro

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Panorama - Seven

Neste mês, para aguçar as expectativas pelo novo filme de David Fincher (A rede social) a mostra Panorama aqui do blog irá abordar a filmografia do cineasta. Para começar, nada melhor do que o filme que apresentou Fincher para o mundo.



Ele já havia feito um longa metragem (Alien³) quando assumiu a cadeira de diretor de um filme de serial killer. David Fincher, de alguma maneira, conseguiu se impor ante a badalada dupla de protagonistas vividos por Brad Pitt (então um astro insurgente) e Morgan Freeman (no alto do seu jogo). Seven é tido como vanguarda na produção do cinema que alia aspectos autorais e pegada comercial. Talvez seja exagero, mas é inegável que Fincher desenvolveu uma particularidade própria a partir desse filme. Todos os seus projetos, por mais comerciais que fossem, se revestiam instantaneamente de uma roupagem cult. Isso ocorre porque Fincher provou ser cerebral o suficiente e iconoclástico na medida certa para assumir a autoria de algo que, no fundo, já estava por vir. Seven talvez seja apenas o protótipo de uma mudança conceitual que já estava sendo desenhada em Hollywood e que o próprio Fincher se beneficiaria mais adiante.
O filme que se resolve muito bem como trama policial é um excelente suspense muito bem escorado em alguns pilares cinematográficos como roteiro, atuação, montagem, fotografia e trilha sonora. Acima disso está um seguro diretor que mostra já em seu segundo filme que nasceu para isso.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

TOP 10

As duas últimas seções listaram os quarentões e os cinquentões mais charmosos do cinema atualmente. Agora é a vez das mulheres. As quarentonas mais charmosas, belas e sexy do cinema são o tema da presente seção. Vamos então as dez quarentonas mais charmosas do cinema.



10 – Jodie Foster

 47 anos

Conjugando beleza, inteligência e personalidade, Jodie Foster eximiu-se logo cedo do papel de sex star. Vencedora de dois Oscars e respeitada como excelente atriz que é, Foster se prepara para chegar aos 50 anos no auge da beleza.



9 – Nicole Kidman
43 anos

A ex-senhora Cruise já viveu dias melhores é verdade. Mal com sua carreira no cinema, casada com um astro da música que não chega a ser um astro (Keith Urban) e encharcada de botox, a presença de Nicole pode até mesmo ser questionada em tão seleta lista, mas é inegável que Kidman ainda exerce fascínio com sua beleza majestosa e seu status de boneca de porcelana. Ela transcende o botox.


 
8 – Emmanuelle Bèart
47 anos

A primeira francesa a aparecer na lista não podia ser mais... francesa. Bèart embasbaca com sua sexualidade arrojada e seu charme latente. No cinema, os diretores investiram na sua sexualidade para promover seus filmes. Deu certo, mas Bèart se impôs a eles na memória cinéfila.



7 – Teri Hatcher

45 anos

Embora mais afeita a TV, onde atualmente brilha e seduz como a mais atrapalhada das donas de casa de Desperate housewives, Hatcher até que fez bastante cinema. Escolha natural para Bond girl, mexeu com a cabeça do James Bond de Pierce Brosnan em 007 – o amanhã nunca morre. Não á toa, em eleição promovida pela Empire só perdeu na preferência dos fãs para a imortal Ursula Andress.



6 – Halle Berry

 44 anos

Ela é um estouro de sensualidade na tela. Até quando faz papéis em que tem de esconder essa sensualidade como em A última ceia que lhe valeu o Oscar. Halle ajudou a fazer de X-men um filme sexy e seguiu distribuindo charme em toda e qualquer produção que participasse. O pessoal se empolgou e bolou aquele pavoroso Mulher gato para ela. Ela não estava tão sexy ali, mas quem se lembra?



5 – Mary Louise Parker

46 anos

Atualmente em cartaz na elogiada série Weeds, Mary Louise Parker precisou desenvolver sua sexualidade natural para encarnar a mãe traficante de maconha do programa do Showtime. Linda e dona de uma presença cativante, Mary não tem sua sensualidade aproveitada a contento no cinema. Sua presença na lista mostra que ainda há tempo de reverter o quadro.



4 - Catherine Zeta Jones

41 anos

Ela sempre foi linda. Passou a ser charmosa quando ficou segura de sua beleza. A sensualidade lhe valeu um Oscar (ou alguém acha que foi só o talento que lhe consagrou em Chicago?). Catherine é das mulheres mais lindas do cinema atual e, bem, essa afirmação já resolve qualquer parada.



3 - Jennifer Aniston
41 anos

Marcada pela truculenta separação de Brad Pitt, cujo envolvimento amoroso até hoje rende notas e dólares a revistas de fofoca, Jennifer soube envelhecer bem (ajudaram algumas plásticas no meio do caminho). Charmosa, carismática e segura de si, ainda não acertou como movie star, mas é definitivamente uma star. Uma bela star.

2 - Sophie Marceau
43 anos

Sophie é puro charme. É daquelas que abre a boca e hipnotiza. Dispara um olhar e hipnotiza. Não à toa o cinema americano foi buscá-la na França para hipnotizar marmanjos em fitas de ação. Sophie não é grande atriz, mas isso não afeta em nada sua condição de deusa dos cinéfilos.



1 - Mônica Bellucci

46 anos

Não podia ser outra a ocupar o primeiro lugar. Dona de beleza exuberante, Monica irradia charme e sensualidade. Deslumbrante, sofisticada, elegante e provocante, a italiana poliglota embevece a quem quer que se predisponha a observá-la. Ou mesmo quem tente resistir.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Crítica - A suprema felicidade


Filme importante!

O festejado retorno de Arnaldo Jabor ao cinema se consuma em A suprema felicidade (Brasil 2010). Um filme idealizado por Jabor para rememorar um tempo (emocional e subjetivo) que não volta mais. Mais de 20 anos depois de ter lançado seu último longa-metragem, Eu sei que vou te amar (neste período lançou  um curta-metragem intitulado Carnaval), Jabor se lança em suas memórias. Fellini e Nelson Rodrigues são referências óbvias em A suprema felicidade, mas falta ao filme a demasia que caracteriza tanto Fellini quanto Rodrigues. A pretensão primeira de Jabor está lá. As sensações, as memórias, a simpatia que ele buscava concatenar com sua fita transbordam no filme. Mas essas só serão decodificadas por um público ávido pela mesma nostalgia do cineasta. Reside aí a dicotomia mais interessante de A suprema felicidade e, também, a dificuldade de rotular o filme como bom ou ruim.

As mulheres de Jabor: como era de se imaginar, a sexualidade e a presença feminina são elementos poderosos na construção cênica do filme

Existem gargalos na realização. Há cenas estendidas demais, outras gratuitas e mais algumas que apesar de belas não parecem agregar valor ao filme como um todo. Esse conjunto de fatores ocorre devido ao tempo que Jabor ficou afastado do cinema. Sua mão pesa. É perceptível. O fato de ter sido co-roteirista dilata essa impressão. Isso posto, é preciso dizer que A suprema felicidade é um filme necessário para redirecionar perspectivas. É um filme que não encontra igual na fauna cinematográfica brasileira. Bucólico e otimista, A suprema felicidade é um filme, cuja principal razão de ser, é fazer com que o espectador (ainda que de um perfil bem específico) saia revigorado do cinema. Em tempos que nosso cinema busca se provar comercial, com fitas como Nosso lar e Tropa de elite 2, é bem vinda a notícia de um filme que não se ajuste a tal franquia.
Não se trata de renegar o dinheiro. Não é essa a bandeira da fita, nem mesmo a intenção de Jabor ao regressar a seu ofício como cineasta. O que ele objetiva é alcançar um público como ele. Saudoso como ele. Dos tempos em que o cinema era um canal para expressar vivências pessoais. Na ironia proposta pelo articulista Jabor, a suprema felicidade passa por aí.

Crítica - Atração perigosa

O crime como metáfora!

Não é algo novo. Hollywood se aperfeiçoou em usar a atividade criminosa como metáfora de reminiscências familiares e sociais. Desde o auge do cinema de gangster com Vencido pela lei (1934) até a edificação de Nova Iorque pelo olhar de Martin Scorsese em Gangues de Nova Iorque (2002). Ben Affleck vem, com brilhantismo, prestar sua contribuição ao filão. Atração perigosa (The town, EUA 2010) é um filme autoral que não se esquiva da necessidade de se mostrar comercial, já que é um produto de um estúdio regido por uma lógica capitalista. Transitar com habilidade e manter-se invicto ante essa dualidade é, sem dúvida, o maior mérito de Ben Affleck que, aos poucos, deixa de ser um diretor promissor para figurar na lista dos diretores interessantes.
Em Atração perigosa, Affleck faz um interessante painel de um bairro de imigrantes irlandeses em Boston, o que justifica o título original, mas não perde seus personagens principais de vista. O comentário do diretor (que também divide os créditos de roteirista) remete a influência que o ambiente exerce na sua formação. Não à toa, Affleck ambienta esse segundo filme que dirige, assim como havia feito com o primeiro, na cidade que cresceu e que conhece intimamente. Doug MacRay (Affleck) quer se desvencilhar de seu destino, mas esbarra na inércia. Quis o acaso que uma mulher que aparenta ser tão frágil quanto ele (ainda que essa fragilidade seja de outra natureza) representasse o “empurrão” que Doug precisava para vencer a inércia.

Amigos de fé: As mesmas regras e a mesma formação não impedem que Doug e Jem pensem diferente em um belo painel montado pelo diretor Affleck em seu filme


Há quem diga que Atração perigosa manipula clichês de gênero com destreza e que o filme se limita a isso. É uma interpretação superficial e simplista. De fato, há uma manipulação bastante criativa e qualificada dos elementos que gravitam o cinema do gênero, porém, há mais. Affleck investe nas sutilezas e trabalha com personagens fortes. Seja o pai irremediado em sua aflição explosiva e silenciosa (Chris Cooper em uma cena fantástica), seja a estrangeira em busca de amparo emocional (Rebecca Hall cada vez mais diligente em cena) ou o cara que não sabe como escapar da vida que vive (Affleck).
O crime e a relação destes personagens com esse universo passa, então, a ser uma metáfora preciosa de inadequação. Atração perigosa não deixa de ser também romântico em sua visão crepuscular e bifurcada dos laços que compõem amigos irmanados no crime. É, ainda, uma excelente fita de ação. Do tipo que prima por diálogos fortes e ação anexada à emoção genuína e bem engendrada por um diretor que pensa o filme de dentro para fora, ou seja, os personagens ditam o rimo da ação e não o contrário.
Vale comentar, também, a atuação de Ben Affleck. O ator dá sintomas de que acumulando as funções de diretor e roteirista redobra os cuidados com seu trabalho como intérprete. Aqui vemos um Affleck humilde (todos brilham mais que ele. Até mesmo Blake Lively) e senhor dos gestos de seu personagem. Doug não é um cara explosivo (ao contrário de Jem, personagem do também ótimo Jeremy Renner) e Affleck produz os gestos que levam a platéia a concluir o perfil implosivo de Doug. Um trabalho notável de um ator limitado que se revela um diretor agudo. E com o diretor Affleck, o ator deve sair lucrando bastante.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Editorial - Doce novembro

Não. Não se trata de criticar, ou mesmo abordar, aquele filme mediano estrelado por Charlize Theron e Keanu Reeves. A razão desse editorial receber este título é porque novembro promete ser doce para o cinéfilo. Pelo menos para aquele que navegar por Claquete. Primeiro porque será neste mês que os dois últimos especiais de 2010 ocorrerão, já que em dezembro teremos a Retrospectiva 2010 e o começo do Oscar Watch 2011 (e não teremos cobertura especial de nenhum filme). Logo, Minhas mães e meu pai, grande sucesso independente da temporada, e A rede social, o famigerado filme sobre a criação do Facebook, ganharão as honras de encerrarem as coberturas especiais de Claquete para lançamentos de cinema em 2010. O especial sobre a fita independente americana começa a ser editado já na próxima semana, enquanto que o outro chega no final do mês.
Como bem sabe o leitor do blog, o mês não se resumirá apenas a esses dois filmes. Tem muita coisa boa por aí. Robert Downey Jr. chega pela terceira vez no ano aos nossos cinemas com Um parto de viagem (e Claquete embarca neste parto junto). O maior ídolo do Brasil é tema de documentário e você vai conferir na seção Claquete documenta deste mês, se esse filme vale o mito e - mais que isso - o homem que foi Senna.
E como olhar para o futuro é sempre irresistível (ainda mais às vésperas de um novo governo no país), a seção Insight do próximo domingo vai mapear para o leitor quais os filmes e os principais nomes que devem fazer bonita figura na corrida pelo Oscar, que em Claquete começa com o Oscar watch 2011. Mas aí já é papo para o próximo mês.