Filme importante!
O festejado retorno de Arnaldo Jabor ao cinema se consuma em A suprema felicidade (Brasil 2010). Um filme idealizado por Jabor para rememorar um tempo (emocional e subjetivo) que não volta mais. Mais de 20 anos depois de ter lançado seu último longa-metragem, Eu sei que vou te amar (neste período lançou um curta-metragem intitulado Carnaval), Jabor se lança em suas memórias. Fellini e Nelson Rodrigues são referências óbvias em A suprema felicidade, mas falta ao filme a demasia que caracteriza tanto Fellini quanto Rodrigues. A pretensão primeira de Jabor está lá. As sensações, as memórias, a simpatia que ele buscava concatenar com sua fita transbordam no filme. Mas essas só serão decodificadas por um público ávido pela mesma nostalgia do cineasta. Reside aí a dicotomia mais interessante de A suprema felicidade e, também, a dificuldade de rotular o filme como bom ou ruim.
As mulheres de Jabor: como era de se imaginar, a sexualidade e a presença feminina são elementos poderosos na construção cênica do filme
Existem gargalos na realização. Há cenas estendidas demais, outras gratuitas e mais algumas que apesar de belas não parecem agregar valor ao filme como um todo. Esse conjunto de fatores ocorre devido ao tempo que Jabor ficou afastado do cinema. Sua mão pesa. É perceptível. O fato de ter sido co-roteirista dilata essa impressão. Isso posto, é preciso dizer que A suprema felicidade é um filme necessário para redirecionar perspectivas. É um filme que não encontra igual na fauna cinematográfica brasileira. Bucólico e otimista, A suprema felicidade é um filme, cuja principal razão de ser, é fazer com que o espectador (ainda que de um perfil bem específico) saia revigorado do cinema. Em tempos que nosso cinema busca se provar comercial, com fitas como Nosso lar e Tropa de elite 2, é bem vinda a notícia de um filme que não se ajuste a tal franquia.
Não se trata de renegar o dinheiro. Não é essa a bandeira da fita, nem mesmo a intenção de Jabor ao regressar a seu ofício como cineasta. O que ele objetiva é alcançar um público como ele. Saudoso como ele. Dos tempos em que o cinema era um canal para expressar vivências pessoais. Na ironia proposta pelo articulista Jabor, a suprema felicidade passa por aí.




