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domingo, 5 de junho de 2011

TOP 10 - Filmes que desconstroem a relação amorosa

O amor é lindo, mas também é doloroso. Para honrar essa explosão sentimental que é o cálice sagrado das relações humanas, o TOP 10 desse mês dos namorados lista dez filmes que desconstroem a relação amorosa. A comédia e o drama se revezam em um ranking que une de Ingmar Bergman a Danny DeVitto. Todos eles dispostos a discutir a relação.




10 – Loucos de amor (She´s so lovely, EUA 1997), de Nick Cassavetes
Maureen acredita que seu ex-marido (Sean Penn) é o amor de sua vida. Um tipo complicado e problemático que não permite que ela se dedique plenamente a nova relação amorosa constituída com Joey (John Travolta). As incidências do destino só deixam essas relações entrepostas ainda mais conflituosas.


9 – Cenas de um casamento (Scener ur ett Äktenskap, Suécia 1974), de Ingmar Bergman

O mestre Ingmar Bergman descontrói o casamento sólido de Johan (Erland Josephson) e Marianne (Liv Ullmann), aquele tipo de casal tão perfeito que gera reportagens sobre ele. Johan e Marianne percebem uma crise silenciosa se levantar da aparente estabilidade. Paixões não declaradas, desinteresse sexual e a deterioração de uma relação parada no tempo não fogem ao escrutino do genial cineasta sueco.



8 – Minhas mães e meu pai (The kids are all right, EUA 2010), de Lisa Cholodenko
Um casal de lésbicas a frente de uma típica família de classe média americana. Esse é o mote, aparentemente subversivo, de uma das comédias mais elogiadas do ano passado. Suspeitas de infidelidade, egos inflamados e esmagados, carência, desatenção e outros pormenores característicos da rotina de qualquer casal constituem a rotina desse vivido pelas atrizes Julianne Moore e Annette Bening.



7 – Simplesmente complicado (It´s complicated, EUA 2009), de Nancy Meyers
Jane (Meryl Streep) foi traída por Jake (Alec Baldwin). O divórcio e a distância entre eles se impuseram. Mas com o tempo, uma nova aproximação se deu. E tudo parecia melhor. Como se posicionar frente a isso? Essa deliciosamente inteligente comédia assinada por Nancy Meyers se incumbe de imaginar algumas respostas.


6 - Amor em cinco tempos (5 X 2, França, 2004), de François Ozon
Ozon faz poesia ao desconstruir a relação amorosa de um casal. O filme começa com Marion (Valeria Bruni Tedeschi) e Gilles (Stéphanie Freiss) se divorciando e evolui (em cinco cortes temporais) até o momento em que se conheceram. Nenhum filme capturou a descompostura romântica com tanta propriedade.



5 – Separados pelo casamento (The break up, EUA 2006), de Peyton Reed
Brooke (Jennifer Aniston) e Gary (Vince Vaughn) viviam verdadeira lua de mel antes de casar. Foi trocar alianças para o conto de fadas terminar. Brooke e Gary que eram só sintonia como namorados, parecem não compreender as demandas um do outro quando casados. O filme assume uma postura corajosa e madura, dentro da seara das comédias românticas, em seu desenlace.



4 - Namorados para sempre (Blue valentine, EUA 2010), de Derek Ciafrance
Como aceitar o fim da relação amorosa? Ainda mais quando essa relação é tudo que a memória afetiva alcança? Esses são alguns dos questionamentos que esse filme pessoal, pesado e intimista que fez sucesso no festival de Sundance de 2010 e que estréia na próxima sexta-feira no país, tenta iluminar.



3 – A guerra dos Roses (The war of the Roses, EUA 1989), de Danny DeVito
Aqui está mais para destruição do que para desconstrução, mas o disparate conceitual não é tão grande assim. Essa comédia de humor negro que mostra um casal mergulhando no pior dos infernos conjugais demonstra como as miudezas do dia a dia são capazes de minar um relacionamento amoroso.
Apesar de fazer graça, o desfecho de A guerra dos Roses é dos mais pessimistas de todo esse ranking.



2 – A história de nós dois (The story of us, EUA 1999), de Rob Reiner
Esse belo filme de Rob Reiner evita o deboche da fita de DeVito, mas preserva o ponto de partida: a fratura na relação proporcionada por idiossincrasias cotidianas. O fim de um ciclo se apresenta para Ben (Bruce Willis) e Kate (Michelle Pfeiffer), mas eles não sabem muito bem como lidar com a montanha de sentimentos que se ergue em suas vidas.
Um filme doído, sincero e que mimetiza muito bem o que atravessam muitos casais mundo afora.



1 – Closer-perto demais (Closer, EUA 2004), de Mike Nichols
Não poderia ser outro filme a encabeçar essa lista. Mais completa a cada revisão, essa obra prima de Mike Nichols foge dos clichês ao violentar os estereótipos de forma apaixonada. Cortante, prolixo e honesto – sem se desviar do componente da crueldade que se nivela à verdade – Closer é o filme que melhor captura a ambiguidade humana no tocante às relações amorosas. O filme, literalmente, as desconstrói com avanços temporais sempre justificados nas escolhas que testemunhamos os protagonistas fazerem. Um filme referencial que cresce de tamanho à medida que se ganha experiência de vida.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010 - Os dez melhores filmes do ano

A retrospectiva 2010 em Claquete chega ao fim hoje. E em grande estilo. O TOP 10 mais aguardado, mais festejado, mais polêmico e (por que não?) mais importante do ano encerra esse especial tão gostoso de fazer. 2010 foi um bom ano no cinema. Dá para tirar essa medida ao constatar que apenas três dos dez filmes que integram a lista foram lançados em 2009 em seus países de origem. Essa proporção foi mais equilibrada em anos anteriores, alternando-se em 6 X 4, 4 X 5 e 5 X 5. Portanto, com 7 filmes datados originalmente de 2010, o presente ano se encerra com um saldo bem positivo. Contribuíram para isso a excelente forma que alguns cineastas veteranos como Martin Scorsese, Roman Polanski e Michael Haneke apresentaram. Outros, mais novos, também fizeram bonito em 2010. Foi o caso do argentino Pablo Trapero e do americano Ben Affleck. Gente nova, mas já com bastante rodagem, também agregou valor ao cinema nesse ano. Como David Fincher e Christopher Nolan, já amplamente citados na Retrospectiva 2010.
No escopo dos dez melhores filmes estreados nos cinemas brasileiros, entre janeiro e dezembro, pode-se perceber uma forte tendência de pensar o homem e suas relações em diferentes níveis e atmosferas. Desde o metiê do mundo financeiro até os desmandos das relações amorosas modernas. A violência analisada pela rigidez alemã também rendeu um dos melhores filmes dos últimos anos. A fita branca, que está no TOP 10, é arte pensante. Talvez o único filme da lista que se desincumba de entreter. Os outros nove entretem, mas sem se desobrigarem de pensar e refletir o homem e o meio. Sem mais delongas, vamos aos dez melhores filmes de 2010 por Claquete.



10 – Wall street – o dinheiro nunca dorme, de Oliver Stone (Wall street – Money never sleeps, EUA 2010)


Apesar de perder muito de seu impacto com uma reviravolta improvável nos minutos finais, Wall street – o dinheiro nunca dorme inscreve-se como um filme tenaz. Irônico, arguto e muito provocante (embora flerte com um moralismo que não havia no filme original), Oliver Stone bota a câmera na sala de reuniões dos homens que decidem o destino da economia no mundo. Um filme, ágil, ligeiro e cheio de cenas referenciais. A melhor delas, talvez seja aquela em que o secretário do tesouro americano após ouvir o valor do socorro que os banqueiros pedem ao governo exclama em tom de desabafo: “Os senhores sabem o que é isso? É socialismo”.
Wall street – o dinheiro nunca dorme é uma revisão, ainda que se possa argumentar repetida, dos vícios que não nos deixam. Um filme que, talvez apenas como o número 1 dessa lista, captou o espírito de nosso tempo.



9- Simplesmente complicado, de Nancy Meyers (It´s complicated, EUA 2009)


Uma comédia charmosa, sofisticada e que contempla um público geralmente negligenciado pelas comédias românticas. E por público aqui não se entende apenas os membros da terceira idade, mas aqueles divorciados que nunca tiveram os dilemas das recaídas abordados com contentamento pelo cinema. Nancy Meyers recicla as próprias fórmulas e escala um elenco inspirado (Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin) para estipular com graciosidade os destemperos de seguir adiante com a vida amorosa.
Simplesmente complicado prima por diálogos críveis, embora em situações pouco ortodoxas. Tudo com o olhar aguçado de Meyers para as idiossincrasias da classe média.





8 – Abutres, de Pablo Trapero (Carancho, ARG 2010)


Um filme expressivo, cativante e atordoante. Se estes são adjetivos que costumam rimar com excelência, não são comumente encontrados em um mesmo filme. A sexta fita de Pablo Trapero é cinema vigoroso na realização, clássico na narrativa e moderno na linguagem. Além de apresentar a performance mais impressionante de Ricardo Darín, um ator notório por atuações impressionantes, Abutres concilia gêneros tão díspares como o romance, o cinema de denúncia social e o thriller criminal em uma trama fluída e concisa.
É um filme maiúsculo sem sonho de grandeza.





7 – Atração perigosa, de Ben Affleck (The town, EUA 2010)


Ben Affleck assume de vez o grande cineasta que está se tornando em um filme que conjuga brilhantemente soluções comerciais com questionamentos artísticos. Um filme com pose comercial, mas de vocação autoral. Atração perigosa, além da trama enxuta, é cinema bem feito com ótimo roteiro, fotografia e montagem em compasso magistral, elenco em fina sintonia e uma direção tão segura quanto sugestiva. O segundo filme de Ben Affleck é um achado do ponto de vista artístico em um meio que o comercial cada vez mais dita tendências.




6 – A fita branca, de Michael Haneke (Das Weisse band – Eine Deutsche Kindergerschichte, ALE 2009)


Um filme de ritmo particular e discurso forte, enfático, porém, inconclusivo. Para lidar com um paradoxo tão proeminente é necessário um cineasta inquieto e confrontador. Michael Haneke propõe um estudo minucioso das circunstâncias em que se projeta o mal na organização social. Um filme particularmente triunfante pela recusa em ser definitivo. A angústia maior é cercar a verdade e nunca dominá-la, provoca Haneke.





5- O escritor fantasma, de Roman Polanski (The ghost Writer, INGL/FRA 2010)


Um vigoroso thriller de espionagem que também apresenta um refinado senso de humor. Roman Polanski mostra invejável forma nesse filme de postura belicosa e debochada em relação à política internacional americana. Polanski se apropria da trama e investe em pouco sutis comentários acerca do próprio status em relação ao EUA. Uma deliciosa metalinguagem cinematográfica potencializada por atores contidos e uma técnica contagiante.




4 – A origem, de Christopher Nolan (Inception, EUA 2010)


Muitas mudanças que virão nos próximos anos serão creditadas a esta fita de Nolan. A origem, mais do que a forma arrojada com que foi apresentada ao mundo, é um filme de ideias e sobre ideias. O fascínio que a técnica de Nolan exerceu sobre a audiência é coisa dos sonhos. O fato de o filme abordar os sonhos só faz a experiência mais prazerosa. A originalidade do projeto, desde sua concepção à sua abordagem, reafirma o diretor como um visionário em seu segmento. E o peão ainda está rodando?




3 – Ilha do medo, de Martin Scorsese (Shutter island, EUA 2010)


Convencionou-se dizer que este é um filme menor de Scorsese. Pode ser. O que não se fala por aí é que essa era a ideia. Uma homenagem as fitas de terror dos anos 40 e 50, Ilha do medo é história do cinema transbordante. Tudo em virtude de Scorsese. Aqui ele pega um roteiro banal e lhe confere tratamento real (no sentido de realeza). Se Ilha do medo é um campo de divagações filosóficas e um filme que não se resolve com a surpresa final (até previsível para iniciados), é por causa de seu diretor. Fosse outro a comandar a fita, e essa elegante parábola sobre a paranóia seria um filmeco como tantos outros que chegam as locadoras todos os meses. Com assombro técnico e exigindo de Leonardo DiCaprio o que ele pode dar, Scorsese dá mais uma aula de como transformar o trivial em algo bem próximo do memorável.





2- Amor sem escalas, de Jason Reitman (Up in the air, EUA 2009)


 Além de ser o mais perfeito retrato dos efeitos da última grande crise financeira nos EUA, Amor sem escalas se introduz como o espelho do homem moderno que parece refutar sua complexidade. Jason Reitman se firma como um grande cineasta (em seu terceiro filme) ao enfocar um conflito geracional, um modo de vida e uma nação em plena derrocada da era Bush em três personagens. Ofertar a conclusão de que a vida é melhor com companhia vem como bônus nesse pacote especial.



1- A rede social, de David Fincher (The social network, EUA 2010)


É necessário pontuar que A rede social vai crescer com os anos. Será o filme lembrado quando no futuro a disposição de saber como era a presente geração se manifestar. A conflagração de anseios e a efemeridade de novos fenômenos são o palco de uma tragédia grega encenada com dinamismo de internet. O filme de David Fincher é cool, cult, sofisticado, inteligente e irascível. É, em si, uma metáfora de seus personagens e do público que predominantemente se interessa por ele. Um filme que captura mudanças no âmago da sociedade e se promove como filme evento. A rede social pode não ter “causado”, mas exclusivo do jeito que é, ainda vai “causar” muito.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Ponto final

O que já foi dito sobre o filme:

“Como todos os filmes de Meyers é mais um pornô de designers interiores do que algo sobre emoções humanas e é muito longo.” Helen o´ hara da revista Empire

Simplesmente Complicado é o incrível tipo de entretenimento voltado para adultos que certa vez pautou Hollywood” Kevin Maher do jornal inglês Times

“Um filme refinado, equilibrado e eminentemente engraçado, apresentando três sublimes atuações de seus incrivelmente talentosos atores”, de Giles Hardy do site Commingsoon.net

“Posto de forma simples, Simplesmente complicado é um estouro”, de Lisa Kennedy do jornal Denver Post

Simplesmente complicado libera um Alec Baldwin que ainda não conhecíamos”, Wesley Morris do jornal Boston Globe

“A verdade é que todo mundo precisa de um mimo, o que poderia ser a chave para o peculiar talento da Senhora Meyers: Ela mima sua audiência desavergonhadamente”, Manohla Dargis do New York Times

“A comédia romântica sobre um casal divorciado tendo um caso consegue ser ao mesmo tempo entretenimento suave e entregar algo para se refletir” Michael O´sillivan do Washigton Post

“Meyers demonstra, como ela fez em Alguém tem que ceder e O amor não tira férias, uma limitadíssima visão de mundo” Mary F. Pols da revista Time

“Essa é uma zona de conforto para tantos espectadores, mesmo os personagens não sendo mais reais do que modelos em anúncios da Vanity Fair” Kirk Honeycutt do jornal Hollywood Reporter

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Critica

É simples ou complicado?
Jogo de adultos: dilemas amorosos não conheçem limites no novo filme de Nancy Meyers

A dinâmica das relações amorosas sempre interessou Nancy Meyers. Em Simplesmente complicado (It´s complicated EUA 2009), a cineasta pondera sobre uma questão que aflige muitos ex-casais. E se ainda houver faíscas? Nossa história realmente acabou? É lógico que o escopo de Meyers é muito maior, mas a grande questão do filme é: Podemos nos apaixonar de novo por uma mesma pessoa em um momento diferente da vida?
O filme, para lá de charmoso (o que já é referência no cinema da diretora), mostra como Jane (Meryl Streep, encantadora como de hábito) lida com essa questão. Depois de 10 anos divorciada de seu ex-marido, Jake (um espetacular Alec Baldwin), eles começam a se envolver romanticamente de novo. A conturbada história entre os dois (que não é mostrada, apenas mencionada), de traição, desprezo e desconforto parece diminuir ante a atração mútua. Para complicar o cenário, Jake está casado com a mulher que fora sua amante antes e um arquiteto boa pinta, vivido com retidão por Steve Martin, começa a demonstrar interesse em Jane. As bifurcações, as simplificações e as complexidades que movem esse mezzo triângulo mezzo quadrado amoroso, que se equilibra em afinidades e valores tanto quanto em desilusões e frustrações comuns, são o que movimentam o filme de Meyers. Ela extrai humor de quase todas as cenas e conta com o inestimável esmero de seu elenco. Inspiradíssimo.

Alec Baldwin é o destaque de um elenco em grande forma

Em última análise, Simplesmente complicado é um filme que pretende entreter, divertir e servir também como material de reflexão. Não é fácil atingir todos esses objetivos, mas Nancy Meyers consegue. Entrega seu filme mais elaborado como diretora. Com um roteiro repleto de tiradas tão irônicas quanto inteligentes e uma solução tão plausível quanto agradável. O filme mostra, a despeitos dos já notáveis avanços, que o cinema de Nancy Meyers ainda vai longe. Muito longe.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Complicadinhas

Para se apaixonar
Simplesmente complicado é daqueles filmes que te fazem ter vontade de se apaixonar. Porque mostra o quão relacionado à idéia de felicidade, o fato de estar amando está. O amor como ponto de fuga da zona de conforto, da apatia, do politicamente correto, do datado, do desromantizado, do convencional, do peculiar; enfim é o filme que dá sentido a expressão “amar é padecer no paraíso!”

E se...
Simplesmente complicado também é o filme que ajuda a dimensionar uma corriqueira questão para aqueles que enfrentaram divórcios. Ainda mais para os que têm filhos em conjunto. E se? E se eu tivesse tentado por mais tempo? E se tivéssemos feito diferente? E se eu ainda fosse casado com ele (a)? A solução do filme, obviamente, não é a que todo o casal chegaria. É a mais passível para aquele ex-casal vivido com gosto e energia por Alec Baldwin e Meryl Streep.

Meryl e Alec: Essa vida que vivemos...
Ah, a bossa nova...
Os filmes de Nancy Meyers sempre são pautados por um som de bossa nova. Em Alguém tem que ceder temos até mesmo uma canção de Maria Rita no filme (que também aparece em Closer, outro filme sobre relacionamentos. Coindidência?). Em Simplesmente complicado a bossa nova, em ritmo bluzeiro, dá o tom dos personagens e do estado de espírito deles. É ao ritmo da bossa de pegada bem brasileira que eles vão tocando suas relações.

Um ator contido
Todo mundo sabe que Alec Baldwin é o dono do show aqui. O ator tem as melhores falas, o personagem mais divertido e as melhores cenas. Mas Steve Martin é um show a parte. Contido, na pele de um arquiteto tímido e ainda abalado por seu divórcio, Martin surpreende aqueles que estão acostumados a seus cacoetes mais notórios como comediante em filmes como A pantera cor de rosa e Doze é demais. Em Simplesmente complicado ele faz rir sim, mas com muito mais charme.
Martin em cena com Meryl: The unusual way
Ele sabe roubar cenas
John Kracinski cresceu muito com seu personagem Jim na série americana de sucesso, The Office. A partir de então, conseguiu bons papéis em filmes como O amor não tem regras e nesse Simplesmente complicado. Aqui, em um papel menor, ele chama muito a atenção e brilha tanto quanto os veteranos Alec Baldwin e Steve Martin. Em aparições simples, bem humoradas e carismáticas.

Para quem gosta de Manoel Carlos
Simplesmente complicado é um filme indicado para quem aprecia o texto do noveleiro Manuel Carlos. Isso não é demérito, muito menos uma critica negativa. Meyers contempla a mesma classe social e os mesmos dilemas amorosos e sociais que o autor perpassa em sua dramaturgia. E o senso de humor dos dois é muito parecido. Confira e tire a prova dos nove.


Laços de família: Não! Não é a novela das oito...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Por que Meryl?


Ela acabou de receber sua 16a indicação ao Oscar pelo papel de Julia Child, uma americana que revolucionou a cozinha de tantas outras, mas um papel muito mais parecido com a verdadeira Meryl Streep, ou com a imagem que o público tem dela, é o que ela interpreta em Simplesmente complicado. No filme a atriz vive Jane uma mulher bem sucedida, confortável na sua terceira idade, mas não refém dessa fase da vida. Algo tão complicado quanto desejado por tantas mulheres. A constatação disso ajuda a entender a opção por Meryl Streep para dar vida a Jane.
“Ela simplesmente domina qualquer cena em que participe e te faz acreditar em qualquer coisa que queira que você acredite”, disse certa vez Reneé Zellwegger parceira de Meryl no filme família Amor verdadeiro, por coincidência outro papel que levou Streep ao Oscar. “Não é fácil chegar na terceira idade no meio de um triangulo amoroso”, lembrou o critico de cinema Roger Ebert em sua resenha sobre o filme, “mas é fácil acreditar que um dos elementos seja Meryl”.
Ebert ajuda a elucidar a questão. Depois de expor o corpo de Diane Keaton e a bunda de Jack Nicholson em Alguém tem que ceder, Nancy Meyers mostra a libido de uma mulher que a sociedade determina que já não deveria ter. Mostra também um pouco mais de Alec Baldwin do que você poderia querer ver. E Meryl Streep além de ser capaz de emular todas as nuanças pretendidas por Nancy Meyers, consegue fazer de um Alec Baldwin em pêlo, uma coisa tolerável de se assistir.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - No cinema depois dos 40

É estatístico. As comédias, as românticas especialmente, se dedicam a públicos mais jovens. A bem da verdade, a maior parte da produção cinematográfica atual – a americana em particular- busca identificação com um público que oscila entre os 15 e os 35 anos. É justamente nessa faixa de idade que se concentra a maior parcela dos frequentadores de cinema. Mas isso é tema para uma seção Insight.
De qualquer maneira essa percepção dominante não é monopólica. Há hoje, principalmente na tv americana, uma preocupação para com um público mais interessado em reflexões sobre o tempo e o lugar que ocupam do que exatamente sobre a forma como o assassino premeditou todo o crime.

Courtney Cox no cartaz promocional de sua série: 40 é o novo 20

Faz sucesso no horário nobre americano a comédia Cougar Town. Estrelada por Courtney Cox, a série versa sobre uma quarentona divorciada que procura sexo casual e satisfação emocional em relacionamentos com homens mais jovens. O novo filme de Nancy Meyers, Simplesmente complicado, mostra uma mulher madura que se divide entre uma recaída pelo ex-marido e os mimos do vizinho arquiteto que secretamente sempre alimentou uma paixão por ela. A própria Nancy Meyers, há alguns anos atrás, já tinha feito um filme sobre o fato de apaixonar-se na terceira idade, Alguém tem que ceder.

Jack Nicholson e Diane Keaton em cena de Alguém tem que ceder: Nunca é tarde para amar

O filme francês, de grande repercussão na critica mundial, Medos privados em lugares públicos versa sobre os relacionamentos pessoais. De toda a ordem e natureza. E vai além. Se ocupa principalmente das omissões, receios e temores que ditam os vínculos sociais e amorosos. A galeria de personagens do filme de Alain Resnais compreende personagens maduros e jovens, e as distinções entre eles são mais sutis do que se pensa a principio.
No entanto, filmes e séries com essa premissa se comunicam com um público específico e que apresenta uma sensibilidade que permite inflexões cômicas (que flertem perigosamente com o mau gosto, caso da série protagonizada por Courtney Cox), casuais (que pretendem entreter com conteúdo, caso da nova comédia de Meyers), ou mesmo dramáticas, (que procuram investigar filosófica e psicologicamente a dinâmica das relações pessoais nessa faixa de idade, caso do filme de Resnais). De qualquer maneira, há mais gente sendo ouvida e contemplada pelo cinema.

No filme de Resnais as incertezas são mais decisivas do que o desejável: Somos as sombras de nossos medos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Sofisticação e inteligência: um cinema do feminino

A americana Nancy Meyers pode não ser um nome facilmente reconhecível para o grande público, mas seus filmes têm uma linguagem própria e que se comunicam grandemente com o público americano no geral e feminino em particular.
Aos 60 anos de idade, a diretora lança seu quinto filme como diretora, o quarto desde o inicio dos anos 00. Simplesmente complicado, um filme sobre uma mulher madura que se descobre apaixonada novamente pelo ex-marido, traz todos os elementos que são característicos do cinema da diretora. Desde os anos 80, ela construiu, como roteirista, uma filmografia intimamente ligada a temas femininos, sempre pelo prisma do humor. Foi indicada ao Oscar logo por seu segundo roteiro, A recruta Benjamin de 1980, filme estrelado por Goldie Hawn que virou série de TV.





Escreveu os roteiros de comédias de sucesso como Adoro problemas (1994) e os dois exemplares de O pai da noiva (1993 e 1997). Desenvolveu uma parceria com o diretor e produtor Charles Shyer, que dirigiu muitos de seus roteiros e foi grande incentivador de que passasse a direção.
Com sucessos de bilheteria no currículo como Do que as mulheres gostam, Alguém tem que ceder, O amor não tira férias e Simplesmente complicado, que junto com Sherlock Holmes, Avatar e Alvin e os esquilos 2, garantiu o recorde de maior bilheteria em um fim de semana da história no natal de 2009, a valeram o título de diretora mais rentável do cinema. Isto é, nenhuma mulher arrecada mais dinheiro do que ela nesse negócio. Com 5 filmes no portfólio ela já deixou para trás veteranas como Penny Marshall e Nora Ephron.
Por que você vai ver um filme de Nancy Meyers? Porque é garantia de que você verá entretenimento de classe. Com inteligência, bom humor, sofisticação e categoria. Elementos que todo mundo preza em um bom filme. Principalmente as mulheres.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Ele está com tudo e está muito prosa


Pode até parecer que o momento de Alec Baldwin já passou. Estrela de filmes de ação nos anos 90. Dividiu a cena com beldades como Nicole Kidman e Kim Basinger (que foi sua mulher) e já foi até mesmo indicado ao Oscar pelo papel de um mafioso dono de um cassino em The cooler–quebrando a banca (2003). No entanto, Alec Baldwin está no topo. Na escalada até lá, uma penca de emmys e globos de ouro por sua caracterização de Jack Donaghy, o executivo carcamano de 30th rock. Na TV ele já participou de outras séries também como a divertida Las Vegas, a melodramática Nip/Tuck, a fenomenal Friends, e a badalada Will & Grace. A comédia sempre foi um forte de Baldwin, no entanto, nos últimos anos tem sido o porto seguro do ator. “É onde você encontra os melhores roteiros”, disse certa vez quando indagado o porquê de estar privilegiando o gênero nesse momento da carreira. Até mesmo em um filme dramático, como o recente Uma prova de amor, de Nick Cassavetes, Baldwin surge como um alívio cômico, sem renunciar a seriedade na composição do personagem. “Ele consegue ser engraçado e denso ao mesmo tempo”, disse Mark Walhberg que dividiu a cena com o ator no tenso Os infiltrados (2006).

Ao lado de Mark Walhberg em cena de Os infiltrados: Ele sabe fazer o tipo durão, mas também sabe ser gracioso


Seja como um ex-marido arrependido (Simplesmente complicado), como um assassino frio e calculista a mando da máfia (A jurada), como um advogado nobre e ansioso (O julgamento de Nuremberg), ou como um executivo pilantra (As loucuras de Dick e Jane). Como protagonista, como coadjuvante ou em uma ponta de luxo, Alec Baldwin agrega qualidade e status a qualquer projeto. Ele sabe disso e todo mundo que trabalha com ele também. Em mais uma demonstração de apelo e reconhecimento, o ator foi convidado para ser o host, ao lado do amigo Steve Martin, da 82ª segunda cerimônia do Oscar. Alec Baldwin está com tudo, já há algum tempo, e está muito prosa com seu status quo em Hollywood.


Alec e o elenco da multipremiada 30th Rock: A comédia como porto seguro

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - O que afinal é complicado?

A fórmula é tão perfeita que chega a causar calafrios. Como fazer uma comédia sobre pessoas maduras, relacionamentos amorosos e suas idiossincrasias de maneira salutar e sofisticada? Nancy Meyers já domina essa arte há muito tempo. Há 7 anos lançou o divertido, inteligente e muito elogiado Alguém tem que ceder que guarda muitas semelhanças com seu novo projeto. Ambos têm uma leading lady brilhante e já na terceira idade. Ambos capturam sua personagem no meio de uma epifania amorosa e ambos capturam essa personagem envolta em um dilema amoroso. Simplesmente complicado pode representar um porto seguro para sua autora (comédias inteligentes com elenco estrelados e voltado para um público adulto), mas também é uma estratégia arriscada do ponto de vista financeiro e do marketing. Como vender um filme cuja premissa interessa apenas a um público que não tem como hábito frequentar o cinema assiduamente? Como não ofendê-los com presunções e clichês? Como emular a realidade sem ser moralista e cativá-los com algo que os assombra?
Nancy Meyers lançou mão de algumas estratégias certeiras.
A primeira delas foi escalar uma atriz que está acima do bem e do mal para fazer a protagonista. Meryl Streep é a pedida ideal para dar vida a uma mulher bem sucedida na fase da vida que se encontra e que se permite os prazeres da vida.
A segunda delas foi escalar dois dos comediantes mais festejados da atualidade na América, Alec Baldwin e Steve Martin, mas que quando necessário sabem segurar bem as pontas dramáticas de um personagem, como já mostraram em The cooler-quebrando a banca e Garota da vitrine, respectivamente.

Meryl Streep e Alec Baldwin em cena do filme: Diálogo com um público carente por reflexões sobre relacionamentos


Mas o maior acerto de Meyers foi manter-se fiel a sua visão. E evoluir dentro de sua obra. Depois de mostrar um homem que aprendeu a entender que o universo não gira a seu redor e que as mulheres precisam ser ouvidas em Do que as mulheres gostam, de mostrar que é possível se apaixonar pela primeira vez, mesmo quando se acredita já ter passado desse momento, em Alguém tem que ceder, e que o amor pode ser o melhor dos remédios para a baixa auto- estima em O amor não tira férias, Meyers quer mostrar agora que os vínculos entre duas pessoas são muito mais complexos do que se imagina e que nossas convicções e desejos podem mudar sim, e não há nada de errado nisso. Pelo menos no que concerne o campo amoroso.
“Eu tive um divórcio bem difícil, diz Alec Baldwin em entrevista a Entertainment weekly, “as vezes eu sento e penso que talvez, eu pudesse ter tentado mais”. A referência ao litigioso divórcio que teve com a atriz Kim Basinger demonstra que Meyers acertou no ponto, conquistou seus atores e tem uma platéia ávida por inflexões sobre o tema no cinema.