domingo, 14 de março de 2010

ESPECIAL ILHA DO MEDO - Critica

Coisa de mestre!

Ilha do medo (Shutter Island, EUA 2010) pode causar uma estranheza, a princípio, em quem não conhece a filmografia de Scorsese tão a fundo. Um thriller psicológico que remete a filmes de terror dos anos 30 e 40. Não por acaso, a trama é ambientada em 1954. O filme, uma adaptação da obra de Dennis Lehane, é uma intrincada abordagem da paranóia. Nas mãos de Scorsese, no entanto, esse já interessante escopo se amplia.
Os agentes federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) vão ao hospital psiquiátrico localizado na ilha Shutter para investigar o desaparecimento de uma paciente do local. As investigações, no entanto, não avançam. Uma vez que os funcionários do hospital parecem resistentes a colaborar com os investigadores.
Ilha do medo, para os experts em filmes de terror e suspense, tem uma história até mesmo previsível. O que não quer dizer absolutamente nada em um filme dirigido por Scorsese. O diretor consegue, mesmo que o espectador desconfie dos rumos da história, surpreender. Scorsese envolve sua audiência na amargura de seu protagonista com desenvoltura ímpar. Valendo-se de uma fotografia com paletas escuras, com trilha sonora portentosa, e de sua habilidade ímpar de conduzir um roteiro, o diretor transforma banalidades em um exercício de dúvida e contemplação. Ao final do filme, mesmo com a diligência da surpresa de gênero, o comentário de Scorsese se aprofunda e a platéia se pergunta: Mas será? A dúvida foi tão bem manipulada por Scorsese que nenhuma das duas alternativas que emergem ao final da fita podem ser tomadas como verdades absolutas.

Leonardo DiCaprio vive com rigor o agente Teddy Daniels: mergulho na paranóia

Em uma definição pobre, Ilha do medo é um filme de terror, não de sustos, é sempre bom que se diferencie. Classificá-lo como um filme de terror, todavia, soa reducionista. É um exercício de estilo e uma demonstração de que um bom diretor a frente de um filme comum, pode transformá-lo em algo bem próximo do extraordinário. Falar do esmero narrativo, da acuidade visual e da técnica de Scorsese é chover no molhado, mas é impossível assistir esse novo trabalho do diretor sem se assombrar com essas qualidades. Se Ilha do medo é um filmaço, o é por causa de Scorsese.

24 comentários:

  1. PRECISO desse filme! Ansiedade cai matando. Eu li em alguns lugares que é "'O Iluminado' do Scorsese". Estou louco para conferir.

    abs!

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    1. Não, "O Iluminado" é do Stanley Kubrick...

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    2. o que ele quis dizer foi que este filme está para Scorsese, assim como O Iluminado está para Kubrick...

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  2. É, d efato, um grande filme. Vc pode ter lido isso aqui msm. Afinal, em uma matéria que fiz sobre o filme, destaquei a fala do critico Ricardo Calil que remete exatamente a essa comparação. Veja e babe pelo cinema de Scorsese.Literalmente!Abs

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  3. Estou curiosíssima para ver este filme. Se é do Scorsese, vale a conferida.

    Beijos! ;)

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  4. Reinaldo, posso dizer que essa semana você fez a minha felicidade, com essa leva de Scorsese...rs. Porque amo ele profundamente, é o meu The best, e tudo que ele toca vira ouro. Ainda não consegui ver Ilha, porque pra variar por aqui não estreiou, porém nessa sexta já chega, e eu claro, estarei lá.
    Feliz pela recepção positiva que o filme está tendo.

    Parabens por essa cobertura do laçamento do filme. Tudo perfeito!

    Abraços!

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  5. Nossa Paulo, obrigado mesmo. É por um reconhecimento e apoio como o demonstrado por vc nesse comentário que fazem a gnt seguir em frente. É revigorante. Tb adoro Scorsese. Obrigado mesmo pela força!

    ah, e sempre vote no filme do mês que vc quer que receba especial aqui em Claquete. Os dois mais votados ganham cobertura especial aqui no Blog.
    ABS

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  6. ESTE FILME É UMA BOSTA COM B MAIÚSCULO, SCORSESE... O FILME É UMA BOSTA.RESUMINDO, O FILME É UM BOSTA. ACABEI DE ASSITI...REALMENTE É UMA BOSTA

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  7. CONCORDO COM SR ANONIMO, FILME B DE BOSTA

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  8. COCÔ É POUCO. BOSTA !

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  9. Anônimo, Marcelo e Scorsese: Lamento se vcs não gostaram do filme. Isso acontece né gnt?! De qualquer maneira, estou satisfeito com a presença de vcs aqui.
    Eu, como vcs podem depreender pela minha critica, gostei bastante do filme. É previsível? É. Mas Scorsese faz dele uma previsibilidade imprevisível. Pelo menos na minha opinião! ABS

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  10. Acho incrivel o palavreado que as pessoas usam pra tentar explicar um filme ruim desses...as vezes lembro do Woody Allen e como ele ironiza esse tipo de critica...eu sou mais direto...é RUIM e CHATO...um filme que vc assiste e esquece...simples assim...mas em tempos de Avatar e outros lixos terriveis esse filme pode até virar uma "obra prima" !!!!

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  11. Admiro o seu ponto de vista Anônimo. Sério mesmo. Concordamos em um ponto. Realmente em tempos de Avatar, Ilha do medo é um oásis.
    Abraço!

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  12. Como um filme em que se verifica que a intenção do diretor era dubiedade pode ser bom sendo previsível no final? O que é previsibilidade imprevisível? Só se vc estiver falando da expectativa de nós, fãs do Scorsese, de não esperarmos um filme tão previsível dele...

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  13. Entendo sua posição Rodrigo. O que quero dizer é que o final do filme não é tão conclusivo assim. Ficam pistas que abastecem duas teorias divergentes. Tanto a mais óbvia, a de que Teddy Daniels é louco e tudo aquilo que vimos não passou de um delírio, como a mais elaborada ( e improvável), de que ele cedeu as artimanhas daqueles médicos com jeitão de nazistas. Afinal de contas, seu parceiro, Chuck (que o havia incitado durante a tempestade a acreditar em uma conspiração, coisa que até então Daniels não havia aventado), ficou sumido por um tempo.
    Acho que isso, mais as belas imagens construídas por Scoesese ratificam minha impressão de que sua direção "salva" um filme até certo ponto previsível. Contudo, Rodrigo, essa é a minha opinião. Considero este um dos melhores trabalhos de direção que vi na minha vida. A graça do filme é: O final só é previsível de acordo com a opção que vc escolher. Cá entre nós, é ou não é, uma tacada de gênio. Um senhor desenvolvimento de narrativa. ABS!

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  14. .é RUIM e CHATO...um filme que vc assiste e esquece...simples assim...mas em tempos de Avatar e outros lixos terriveis esse filme pode até virar uma "obra prima" !!!!
    Falou e disse.

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  15. Nossa querido!!! vc deve ser um cineasta , um diretor , um roteirista brilhante ou um crítico respeitado...Não seja ridículo!!!!
    Se existe uma coisa que me irrita são pessoas que não conseguem se quer interpretar e compreender um filme e para piorar se mostram incapazes de fazer uma boa crítica seja ela positiva ou negativa, usando um vocabulário torpe e chulo como o seu.
    Eu não sou uma fã fanática ou coisa do tipo, mas eu sei me colocar no meu lugar, sei que é importante respeitar a opinião das pessoas como o Reinaldo Glioche fez educadamente, mas vc já passou do limite. Uma crítica negativa bem argumentada é aceita, mas oq vc escrever nem da p/ chamar de crítica... isso sim é um lixo!!!

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  16. É um filme em que os telespectadores escolhem o final. Gostei.

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  17. Fernando José Gomes25 de setembro de 2011 22:03

    Meu caro Glioche, de forma alguma duvido de seu evidente bom nível mental e cultural, mas sua critica tem o defeito de ignorar as falhas de um filme dirigido por um dos seus cineastas preferidos. Isto é coisa de jovem entusiasta que coloca a admiração por um artista acima da razão. Eu admiro muito, por exemplo, o cinema de Hitchcock, mas não vai ser por isso que vou deixar de constatar que tem alguns filmes dele que valem ser vistos apenas por causa de algumas ótimas sequências, pois no todo deixam a desejar. Este filme de Scorsese tinha tudo para ser uma grande obra cinematográfica, mas o roteiro é claramente mediocre e o argumento tem mais furos que um queijo suiço. Assistindo o filme se torna óbvio que a maestria de Scorsese (apesar de uns poucos inexplicáveis momentos de um mau gosto francamente cafona), o bom elenco e as fotografia-direção de arte-desenho de produção de primeira qualidade não conseguiram superar o texto ruim (roteiro mediocre somado a um argumento ruim). Espero que Scorsese seja mais criterioso e passe a só aceitar trabalhar com roteiros bem escritos. Reveja o filme e você vera que a fraquesa do texto impediu que Scorsese tivesse mais um grande filme em sua filmografia.Além disso, usando linguagem bem popular, o filme realmente é "chato" e tem um "brochante" final. Fernando J. Gomes

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  18. Esse filme é muito bom... no dercorrer da estoria vc percebe que o rumo da ficcao é outro completamente diferente do original.
    muito bom recomendo.

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  19. Acabei de Ver o Filme, Apesar de Não Ter Gostado do Final.. Eu Achei Bem Interesante, É um Filme que Te Prende a uma Realidade e No Final Você se Surpreende com uma Situação Ilusória Bem Improvavel ou Provavel, Depende do Ponto de Vista!

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  20. Com certeza é um filme muito bom, tive que assistir duas vezes pra tentar entender melhor. No entanto, acho que ele contém algumas falhas, mas não tenho certeza, então vão lá minhas dúvidas... No início do filme, ele está no navio e ainda nem chegou na ilha. Nessa primeira cena, ele já está passando mal e roubaram os cigarros dele. O amigo dele dá um cigarro pra ele. Isso não explica que realmente ele está sendo drogado e enganado? No entanto, ele tem alguns sonhos onde uma menina pede por ajuda e aquele doutor sabe desse sonho, o que faz crer que realmente ele está louco, pois se o doutor sabe, em algum momento ele deve ter contado. Logo, isso é uma contradição. Mas pode ser que isso seja feito propositalmente, com algum outro sentido, isso vcs vão me dizer... E também, há uma cena em que o doutor diz pra ele que é o paciente mais perigoso. Se ele é o mais perigoso, porque ele sempre está solto na ilha (inclusive no final do filme, onde percebemos que ele ainda não está "curado"), enquanto muitos outros estão acorrentados e até há uma outra ala para os mais perigosos? Há uma outra questão que prova que ele realmente estaria louco, pois não existem experimentos na torre. Porém, no filme todo estão oferecendo cigarros pra ele, o doutor oferece analgésicos e ele sempre está com dores de cabeça. Tudo bem, o doutor explica que é uma abstinência a outro remédio que supostamente ele não está mais tomando... Mas porque então fazem questão de oferecer cigarros e analgésicos e ele nunca tem o seu próprio cigarro? Quando ele entra na caverna pra conversar com aquela psiquiatra que se tornou uma paciente (supostamente), na conversa com ela ele não acredita que estão fazendo experiências com pacientes e fica relutante com toda história que ela conta. Então porque ele criaria uma história que a princípio ele era totalmente contra? Existe um negro trabalhando na ilha, então não poderia ser controlada por nazistas, pois nazistas não gostam de negros (Me corrijam se estiver errado). Em fim, acho o filme muito bom, sou fã tanto do diretor como dos atores, as cenas são muito bem feitas, a trilha sonora é perfeita. Mas pelo que entendi, o filme está cheio de contradições e se isso for verdade, existem falhas no roteiro. Mas então, vou deixar que alguém tente explicar, caso eu tenha entendido errado. Abraço!

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  21. Rodrigo: Obrigado pelo ótimo comentário Rodrigo. É semrpe recompensador quando um leitor e espectador tãoa tento emite uma opinião ou enseja um debate. Eu precisaria rever o filme para me ater aos ricos detalhe spor ti comentados. Já não vejo o filme desde 2010 e, portanto, não o tenho tão fresco em minha mente.
    Seus questionamentos me parecem fruto das pistas falsas que o roteiro joga e a excepcional direção de Scorsese ora sublinha ora desvia a atenção para favorecer ambas as interpretações. Mas uma análise mais detida, concordo, se faz necessária.
    Grande abraço!

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