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sábado, 1 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - A peleja dos diretores

Ao mestre com carinho

Trapaça não é uma cópia do cinema de Martin Scorsese, mas cristaliza um tributo dos mais respeitáveis a esse mestre da sétima arte. Quis o destino que David O. Russell, diretor de recursos e talentos nada desprezíveis, enfrentasse Scorsese neste Oscar.  Excepcional diretor de atores, Russell tem a seu favor a simpatia crescente que amealha nos bastidores de Hollywood. Aos poucos vai se transformando em uma brand tão atraente e charmosa quanto o próprio Scorsese.

Prós:
- É diretor de atores celebrado e são justamente os atores que constituem o maior colegiado da academia
-É a terceira indicação em quatro anos. Russell não está sendo nada discreto na busca pelo Oscar
- Seu filme é entretenimento de altíssima qualidade e é também seu projeto mais ambicioso
- Conseguiu emplacar indicações por duas comédias em dois anos seguidos. Como não premiar esse cara?

Contras:
- Ao concorrer com um filme que lembra Scorsese em um ano que o próprio concorre não é exatamente o ideal
-Não ganhou nenhum prêmio na temporada e é improvável que vença justamente o Oscar
-Existe muita resistência a seu nome ainda em Hollywood

Quinta indicação
Indicações anteriores
Direção por O vencedor em 2011
Roteiro adaptado por O lado bom da vida em 2013
Direção por O lado bom da vida em 2013
Roteiro original por Trapaça em 2014


Sem concessões

Steve McQueen é homônimo de um dos maiores astros de cinema de todos os tempos. Mas o cinema, para ele, é uma extensão das experimentações artísticas que praticava nas artes plásticas. Artista inquieto, McQueen chega ao Oscar com seu terceiro filme, mas já merecia desde o primeiro, mantendo-se fiel à essência das artes plásticas. Seus filmes se respaldam na absoluta busca pela verdade. Não à toa, 12 anos de escravidão já está sendo chamado por aí de “o filme definitivo sobre escravidão”.

Prós:
- Defende o filme que para muitos analistas vencerá o Oscar de melhor filme. Se a Academia optar por ser tradicional e decidir não dividir o prêmio de direção, seu nome ganha força na disputa
- A tentação de fazer história premiando o primeiro negro na categoria
- É um filme de diretor, em que a mão do realizador se acentua no curso da narrativa
- Diretores em primeira indicação costumam superar diretores que já ostentam múltiplas indicações
- Ganhou alguns prêmios da crítica

Contras:
- Seu filme perdeu força na corrida e isso pode pesar contra suas chances
-A pecha de que a indicação já é suficiente
- Não é o melhor trabalho de direção do ano

Primeira indicação

Desafiando a gravidade

Se tudo correr conforme o script que a temporada alinhou, Alfonso Cuarón será o primeiro latino americano premiado com o Oscar de direção. Diretor com atenção ímpar ao aspecto visual de um filme, ele chegou ao Oscar como favorito por uma ficção científica passada no espaço cujos principais méritos são técnicos e passou a perna em figuras queridas pela Academia como Scorsese, Payne e Russell. São indicadores de que Cuarón realmente pode ir ainda muito mais longe.

Prós:
- Ganhou todos os prêmios da temporada
- Seu filme passou a ser cotado como favorito na disputa principal em face de seu domínio entre os diretores em toda e qualquer premiação prévia ao Oscar
-Há muitos hispânicos nos EUA e não pense que a Academia, além de atenta a isso, não reflete esse fenômeno demográfico
- É talentosíssimo e muito querido pelos colegas
- Ganhou o prêmio do sindicato e apenas sete vezes nos últimos 40 anos, o vencedor do sindicato não triunfou no Oscar

Contras:
- O fato da academia ter premiado um diretor por um trabalho em 3D no ano passado pode atiçar a sina conservadora de alguns votantes
- Sua direção se concentra mais nos aspectos técnicos, pouco complexa para o status de um Oscar de melhor direção

Sexta indicação
Melhor roteiro original por E sua mãe também em 2003
Melhor edição por Filhos da esperança em 2007
Melhor roteiro adaptado por Filhos da Esperança em 2007
Melhor edição por Gravidade em 2014
Melhor filme por Gravidade em 2014

O cineasta do banal

Não se engane, não há nada de banal no cinema de Alexander Payne. Angariando sua terceira indicação ao Oscar de diretor em dez anos, justamente pelos três filmes que fez nestes dez anos, Payne concorre por Nebraska. Seu trabalho é menos vistoso na comparação com filmes que ostentam o pulso forte de seus diretores, mas a suavidade com que inflexiona personagens e paisagens justifica sua menção na categoria.

Prós:
- Não concorre pelo roteiro do filme, diferentemente de outras oportunidades, o que concentra suas chances aqui
- É muito querido pela Academia
- Foi a surpresa na lista
- É o representante do cinema independente

Contras:
- Foi a surpresa na lista
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Dirige um filme minimalista em um ano de filmes espetaculosos
- Não é o melhor trabalho de direção do ano

Sétima indicação
Roteiro adaptado por Eleição em 2000
Roteiro adaptado por Sideways-entre umas e outras em 2005
Direção por Sideways-entre umas e outras em 2005
Roteiro adaptado por Os descendentes em 2012
Direção por Os descendentes em 2012
Filme por Os descendentes em 2012
Duas vitórias
Roteiro adaptado por Sideways-entre umas e outras (2005)
Roteiro adaptado por Os descendentes (2012)


What else?

Quando você pensa que Martin Scorsese já encerrou sua contribuição para a antologia do cinema, ele oferta ao mundo o novo clássico O lobo de WallStreet, um trabalho vigoroso e que revela um Scorsese endiabrado e ainda muito eficiente em radiografar o mundo e o homem. É, sem qualquer dúvida, o melhor trabalho de direção do ano e um dos melhores da carreira do cineasta que há muito já é uma legenda viva não só do cinema, mas da arte em geral.

Prós:
- É o melhor trabalho de direção do ano
- Com indicações sucessivas nos últimos anos, Scorsese parece ter caído definitivamente nas graças da Academia
- Todo mundo sabe que Scorsese precisa de mais Oscars para a posteridade
- Ang Lee venceu o Oscar de direção ano passado sete anos depois de tê-lo vencido pela primeira vez. Em 2014, faz sete anos que Scorsese venceu por Os infiltrados. Pode ser uma coisa cabalística...

Contras:
- Não é comum na era moderna um diretor ganhar um segundo Oscar em tão pouco tempo
- Essa é uma categoria em que há a nítida preferência em premiar diretores menos experimentados
- Alfonso Cuarón tem um favoritismo muito dilatado
-A campanha de difamação do qual o filme foi vítima pode encontrar eco em muitos votantes

Décima segunda indicação
Direção por Touro indomável em 1981
Direção por A última tentação de Cristo em 1989
Roteiro adaptado por Os bons companheiros em 1991
Direção por Os bons companheiros em 1991
Roteiro adaptado por A época da inocência em 1994
Direção por Gangues de Nova Iorque em 2003
Direção por O aviador em 2005
Direção por Os infiltrados em 2007
Direção por A invenção de Hugo Cabret em 2012
Filme por A invenção de Hugo Cabret em 2012
Filme por O lobo de Wall Street em 2014
Vitória anterior: 
Direção por Os infiltrados (2007)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Momento Claquete #39

O Oscar ao longo dos anos

A belíssima Raquel Welch chega à cerimônia de 1972 

 Spencer Tracy e Bette Davis na cerimônia do Oscar de 1939

Paul Newman ensaia na véspera da realização da cerimônia de 1958

 Meryl Streep e Christopher Walken de O franco atirador, grande vencedor da noite do Oscar de 1979

O gigante Charles Chaplin recebe seu Oscar honorário em 1972 

Audrey Hapburn e Grace Kelly nos bastidores da cerimônia de 1956

Uma encantadora Drew Barrymore no tapete vermelho da edição de 1983 do Oscar ; E.T concorria a melhor filme do ano

Cher e Michael Douglas, melhor atriz e ator no Oscar de 1988... 

... mas a melhor dupla daquele Oscar foi Jennifer Grey e Patrick Swayze que estavam que estava no topo do mundo com o sucesso Dirty dancing - ritmo quente 

Quem é o cara? Clint Eastwood com os Oscar de filme e direção por Os imperdoáveis. Barbra Streisand e Jack Nicholson, também concorrentes no ano, reconheceram essa condição

Como era verde meu vale...: Matt Damon e Ben Affleck chocam o mundo com o Oscar de roteiro original por Gênio indomável conquistado em 1998 

Catherine Zeta Jones assombra em performance musical sobre o filme Chicago, o grande vencedor da edição de 2003 do Oscar

Heath Ledger e Michelle Williams, então casados, indicados pelos trabalhos no filme O segredo de Brokeback Mountain são só amor no tapete vermelho do Oscar 2006 

Leonardo DiCaprio parabeniza seu amigo e diretor em Os infiltrados, Martin Scorsese, pela conquista do delongado Oscar de direção em 2007

O francês Jean Dujardin, vencedor do Oscar de melhor ator em 2012,  e o artista da noite, o cãozinho Uggie

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street - Crítica


Teu ódio será minha herança!


É raro quando as luzes do cinema se ascendem e você se dá conta de que acabou de testemunhar um daqueles momentos únicos do cinema: o nascimento de uma obra-prima. No caso de O lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, EUA 2013) o sentimento é imediato. A imagem dos cordeiros olhando fixamente o lobo que os hipnotiza com charme, beleza e altivez encerra um filme apoteótico, sarcástico (como poucas vezes Scorsese se permitiu ser), vibrante, nervoso e profundamente reflexivo não só daquele microcosmo de loucura, devassidão e ganância que tem em Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) sua principal bússola, mas também do público que reage ao que se vê na tela de maneira diversa. Jaz nessa receptividade conflituosa e tergiversada o grande ás desse filme pensativo e provocador. Ao convidar o espectador para vislumbrar o desbunde de uma vida sem regras, sem limites e por vezes chocante, mas sempre entorpecente, Scorsese ativa a bússola moral do espectador e o desafia a fazer um julgamento que o próprio Scorsese posterga, para finalmente completá-lo de maneira sutil, silenciosa e deliciosamente debochada.
Em O lobo de Wall Street, baseado nas memórias do próprio Belfort, testemunhamos a ascensão de um homem que como tantos outros chegou a Wall Street com tesão por ganhar dinheiro, fácil, de preferência. E a ascensão de Belfort foi meteórica. Dono da própria empresa e faturando cerca de U$ 50 milhões no ano de seu 26º aniversário, o mundo parecia seu quintal e Belfort e seus amigos agiam de acordo com essa impressão.
Estamos no terreno dos personagens que sempre querem mais. “Você precisa botar a necessidade na mesa”, diz o mentor de Belfot, vivido com energia absurda por um assombroso Matthew McConaughey. A necessidade, no entanto, elabora Scorsese, é uma moeda de duas faces e manobras ilegais logo se tornam um elemento básico do negócio.  

O pulmão do filme: a cena em que o personagem de McConaughey explica Wall Street para o personagem de DiCaprio dá o tom do filme e se caracteriza como um dos grandes momentos do cinema neste ano

Não é um conto moral o que tece o cineasta de Os bons companheiros e essa é a principal divergência entre este filme e produções como Wall Street (1987) e Margin Call – o dia antes do fim (2011). Aliás, esse filme guarda similaridades entusiasmantes com Os bons companheiros. A perversidade, a total falta de escrúpulos e a percepção de se estar acima do bem e do mal alinham os personagens de ambos os filmes. Scorsese sabe disso e, tal como em Os bons companheiros, observa esses personagens interagirem em seu habitat com o cinismo que merecem.
Se não é um conto moral, o que move O lobo de Wall Street? A psicopatia. Scorsese sabe como poucos, analisar o ser humano em seu estado mais corrompido, mais falimentar. Não há interesse em justificar o comportamento de Jordan e seus comparsas, apenas observá-los confinados a essa amoral e perigosa torre de babel.
Do roteiro de Terrence Winter à fotografia de Rodrigo Prieto, passando pela montagem, pela trilha sonora, pela direção de arte e finalmente culminado nas esplendidas atuações, O lobo de Wall Street é cinema de verve. Cascudo, inteligente, irrepreensível.
Leonardo DiCaprio na pele do voraz e cativante Belfort atinge o pico de uma carreira já estabelecida nas mais altas notas. A insanidade de Belfort, seja nos seus discursos megalomaníacos ou depois de tomar pílulas e cheirar carreiras de cocaína, é adensada por um Leonardo DiCaprio inimaginável, fogoso, raivoso e absoluto. Jonah Hill, como seu fiel escudeiro, não fica atrás. Dos olhos gulosos aos dentões brancos expostos, passando pela homossexualidade sugerida, sua atuação é adrenalina pura.
Martin Scorsese faz um retrato fiel de Wall Street? Se você faz essa pergunta é porque não entendeu o filme. O retrato fiel em questão é do colapso do espírito humano. Daquele tipo de gente que se perde em si mesmo e não necessariamente faz qualquer esforço para se achar. É aquele universo dos tipos que se julgam os donos do mundo. É esse o retrato fiel, sem concessões e eufemismos, pintado por um cineasta no auge de sua forma. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street: Fuck! Fuck! Fuck! - o delirante microcosmo de Wall Street



É o filme com mais palavrões da história do cinema americano. O lobo de Wall Street está à altura desse mito tão pouco lisonjeiro quanto arrebatador no prisma que oferece dos propósitos do novo petardo de Martin Scorsese, dos diretores mais completos, rebuscados e inventivos à disposição do cinema americano moderno.
Não se trata do primeiro filme a mostrar Wall Street como uma selva hostil e cheia de tentáculos, mas na visão horizontal, plena e cínica de Scorsese, esse ultrajante mundo de delírios, cobiça e ganância ganha uma reflexão pós-moderna entremeada por uma jornada alucinante ao colapso do espírito humano e por uma crítica esperta, silenciosa e para lá de debochada que emerge de todo o carnaval, e há de bacanais a jogo de anões ao alvo, que se vê na tela.
Scorsese reconhece que Oliver Stone foi o primeiro a atentar para o mundo oculto, cheio de interesses e poder de atração que se escondia nos arranha-céus de Wall Street e discretamente insere essa referência em seu filme. Referências transbordam em O lobo de Wall Street, que se abriga na alegoria, e nem todas gozam de plena aceitação. Há quem conteste a virulência com que o universo de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é exposta. Sexo no escritório, doses homéricas de drogas diárias e um total desprezo pelo próximo. Há um divórcio no filme de Scorsese do politicamente correto. Não há a assepsia da última visita de Stone a Wall Street, tampouco o interesse de entender a engendragem do sistema como no espetacular e não menos atordoante Margin call – o dia antes do fim. O objetivo de Scorsese aqui é enfiar a mão nas entranhas de um sistema corruptor e entender a ganância pelo avesso. É ir à epiderme dessas figuras que se reinventam como melhores, mas muito piores, versões de seus sonhos mais loucos e intangíveis e escravizam um sistema financeiro e todos os que a ele estão vinculados.  
Entender esse microcosmo de ganância e malandragem, em que a sobrevivência do mais forte é uma regra que não permite hesitação, move Scorsese.

Os solavancos da crise financeira detonada em 2008 naturalmente são uma sombra tanto para a realização como para o olhar que se pretende lançar sobre O lobo de Wall Street. Scorsese não só não ignora essa realidade como a utiliza para amplificar os efeitos de seu filme. O lobo de Wall Street mostra que a perversidade prescinde de instrumentos costumeiramente atribuídos a ela e, nesse sentido, escancara a face mais nefasta e chocante do ser humano.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Momento Claquete #37

Reminiscências do Globo de ouro 2014

Kevin Spacey e Julia Roberts no after-party: o seu sorriso é maior do que o meu... 

Michael Douglas no melhor estilo que rei sou eu... 

Christoph Waltz e Bruce Dern: vamos acabar logo com isso? 

O diretor de 12 anos de escravidão, Steve McQueen ergue um caloroso "é nosso" para delírio contido de Michael Fassbender 

Robin Wright se esforçando para conquistar o melhor WTF moment da internet...

 ... mas antes das festas, antes de tudo, Jennifer Lawrence já tinha garantido esse prêmio também.

Todas amam Harvey: falta bochechas ao megaprodutor para ser beijada por Heidi Klum e suas amigas

Bradley Cooper e Liev Schreiber não ligam para as câmeras enquanto fazem aquilo que os homens mais gostam de fazer: fofocar

Julia Louis-Dreyfus em momento "fã pegajosa" com Martin Scorsese

O melhor diretor Alfonso Cuarón: olha a gravidade, ó...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street - O Inferno das boas e más intenções, a ira provocada por O lobo de Wall Street


O lobo de Wall Street figura na lista de melhores filmes do ano de muitos críticos renomados e proeminentes na indústria do cinema, mas, ao que parece, também vem desagradando muita gente. Primeiro foi o Peta (Associação para tratamento ético dos animais) que protestou pela cena em que um chimpanzé é ridicularizado no filme. O animal pertenceria a uma família com grave histórico de abuso de animais.
Depois veio a grita de pessoas afetadas pelas fraudes de Jordan Belfort, o corretor fraudulento interpretado por Leonardo DiCaprio. Em carta aberta publicada na revista Los Angeles Weekly, Christina McDowell criticou Scorsese e DiCaprio por glamorizar a psicopatia em O lobo de Wall Street. Na avaliação da filha do ex-sócio de Belfort e diretamente prejudicado por seus esquemas, Scorsese e DiCaprio louvam uma vida de excessos e obsessões. DiCaprio, em entrevista aos semanários Hollywood Reporter e Variety, fez questão de demover essa percepção. “Eu espero que as pessoas entendam que não estamos rindo junto com Belfort e seus pares, estamos rindo deles. Não toleramos aquele tipo de comportamento. Estamos acusando-o”. DiCaprio disse-se ainda fascinado pela sinceridade de Belfort. “É raro quando alguém não tem medo de dizer o quanto obscuro foi... Eu fiquei obcecado por interpretar um personagem que me fez compreender a mentalidade de sedução e ganância de Wall Street”. Belfort, na esteira do sucesso e buzz do filme, está envolvido em dois realities shows e segue dando palestras motivacionais pelas quais cobra fortunas. Ele cumpriu quatro anos de prisão por fraudes financeiras.   
Ao Hollywood Reporter, o ator disse que o filme tem significado especial para ele. “É um projeto difícil de vender, mas o qual me engajei desde o início”. Foi Leonardo DiCaprio quem convenceu Martin Scorsese a dirigir o filme e a adiar projetos aos quais o diretor já estava vinculado, como a cinebiografia de Frank Sinatra, por exemplo.

“O Diabo vem com um sorriso”
Inesperados protestos acompanharam a exibição de O lobo de Wall Street para membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em Los Angeles. Uma atriz, votante no Oscar, chegou a postar em uma rede social descalabros sobre o filme. “A mesma coisa durante três horas. Sexo, corrupção, sexo e palavrões”. Um roteirista disse, em alto e bom som, quando Scorsese e DiCaprio chegavam para responder questões da audiência local que eles deveriam se envergonhar.Mas o filme precede esse tipo de reação?
Para Scorsese, tal como seus filmes de gângsteres, ele aborda as deturpações do sonho americano, do lifestyle da América. “Algumas estruturas sociais facilitam o ingresso no crime, seja ele violento ou do colarinho branco, e outras não”, observa Scorsese. “O Diabo vem com um sorriso”.
As polêmicas em torno do filme valeram uma boa estreia nas bilheterias na concorrida época do Natal, em que filmes mais escapistas costumam dominar.

Scorsese e DiCaprio em momento de bastidor de O lobo de Wall Street: artistas inesperadamente contra a parede e na incumbência de justificar uma obra vocacionalmente artística 

O mundo de Wall Street vem gerando boa safra de filmes nos últimos anos. Desde Margin Call – o dia antes do fim (2011) até A negociação (2012), mas agora pelas mãos de um diretor de grife como Scorsese vive seu ápice criativo. É natural que haja mais polarização.  Nas palavras da jornalista e crítica de cinema Ana Maria Bahiana “é Scorsese em seu habitat natural: sociedades fechadas de pessoas absolutamente sem bússola moral, em queda livre e gargalhando até o fundo do poço". 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - O verdadeiro lobo de Hollywood


É difícil pensar em um cineasta mais adequado para contar a história de um homem amoral, fraudulento e cheio de vícios do que o ítalo-americano Martin Scorsese, 71 anos. O lobo de Wall Street, no entanto, não foi uma escolha pessoal de Marty. Leonardo DiCaprio, produtor do longa, pensou imediatamente no diretor com quem firmou parceria no começo dos anos 2000 para dirigir essa história de ganância, loucura e perdição com Wall Street como contexto e os anos 90 como pano de fundo.
Leonardo DiCaprio somou dois mais dois. Não há cineasta hoje capaz de oxigenar tramas obtusas com personagens tão complexos e contestáveis como Scorsese. E sem emitir julgamentos morais perniciosos à condução da narrativa. Além da cultura cinematográfica ostensiva, Scorsese domina a técnica de se fazer cinema como poucos. O traquejo visual, o impacto da trilha sonora e a narrativa bem urdida são características que o habilitam como mestre da arte cinematográfica.
Com sete indicações ao Oscar como diretor e mais uma a caminho, a vitória solitária pela direção de Os infiltrados não sintetiza a importância de Scorsese para o cinema, americano em particular, tampouco sua qualidade.
Scorsese é daquelas figuras que projetam sombra em qualquer corrida pelo Oscar. Talvez apenas Spielberg consiga efeito semelhante no cinema de hoje. Mesmo quando não é indicado, e desde 2002 isso é cada vez mais raro, Scorsese torna a corrida pelo Oscar muito mais excitante e emocionante.
Encabeçando novamente a lista de apostas na temporada, Marty torna a atual corrida, com nomes como Steve McQueen, Alfonso Cuarón, David O. Russell e Alexander Payne, muito mais provocadora e gabaritada.
É o peso da história do cinema a serviço de uma Hollywood que adora auto venerar-se, mas que por muito tempo esqueceu-se do mais pródigo se seus filhos.

Scorsese orienta DiCaprio no set de O lobo de Wall Street, quinta colaboração entre eles e a quarta que pode levá-los ao Oscar


Na sequência, a aguardada vitória de Scorsese no Oscar

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Oscar Watch 2014 - Uma corrida de fôlego

Falar que uma corrida pelo Oscar é uma maratona e não uma prova de 100m rasos já virou lugar comum no rol de metáforas que críticos e analistas da indústria lançam mão nessa época do ano. Mas o Oscar 2014, por uma convergência de fatores, se viabiliza como a maratona mais longa já disputada por pleiteantes ao Oscar. As duas principais razões para esse cenário são as olimpíadas de inverno, que empurram a realização da cerimônia do Oscar para o início de março, e a famigerada e amplamente discutida na edição 2013 do Oscar Watch disposição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood de resgatar sua autonomia em matéria de indicações, antecipando para o início de janeiro o anúncio de seus indicados. Se em 2013, outras organizações que distribuem prêmios tiveram que se espremer para se ajustarem à radicalização do calendário proposto pela academia, para 2014 elas puderam se planejar melhor.  
Os indicados serão conhecidos no dia 16 de janeiro e a cerimônia do Oscar somente será realizada em 2 de março. É um hiato maior do que o habitual e que se soma a uma campanha que já se intensificará em 12 de dezembro, quando a Hollywood Foreign Press Association anunciará os indicados ao Globo de ouro 2014.
Mesmo com todo esse bafafá, há aqueles que não conseguiram se planejar a tempo. George Clooney, por exemplo, anunciou a retirada de seu filme da corrida. Caçadores de obras-primas não ficará pronto a tempo de estrear em 2013 e concorrer ao Oscar. Para compensar, terá estreia de gala no festival de Berlim em fevereiro. Ou seja, o filme estreará antes da realização do Oscar, só não será possível lançá-lo este ano.  O novo de Bennett Miller, Foxcachter, é vítima da mesma falta de sorte. O filme não será finalizado a tempo de ser lançado este ano.  Percalços de pós-produção. Já a Paramount fez de tudo para evitar que o mesmo problema acometesse O lobo de Wall Street, novo longa de Martin Scorsese, com lançamento confirmado para o Natal deste ano nos EUA. O estúdio colocou todas as suas datas à disposição do diretor que se trancou na sala de edição com a montadora Thelma Schoonmaker para finalizar o filme a tempo.
David O. Russell, que rivaliza com Scorsese pelas maiores atenções na temporada de ouro do cinema americano, foi mais hábil e mesmo tendo que paralisar as gravações de Trapaça em virtude dos atentados de Boston em abril deste ano, está com o filme prontinho para a estreia na próxima semana nos cinemas americanos.

Leonardo DiCaprio em O lobo de Wall Street, novo e aguardadíssimo filme de Scorsese que surge como grande aposta dos estúdios para a corrida pelo Oscar 

Jennifer Lawrence, à esquerda, atual vencedora do Oscar de melhor atriz deve voltar À disputa por um filme de David O. Russell, agora como coadjuvante. Amy Adams, outra veterana de indicações ao Oscar, pode receber por Trapaça, sua primeira como atriz principal

Um bom ano
A avaliação geral é de que 2013 foi um bom ano para o cinema. Pipocam bons candidatos e tanto estúdios como cinema independente têm candidatos fortes alinhados para a disputa.
Do lado dos estúdios, figuram produções como Gravidade, Capitão Phillips, Trapaça e O lobo de Wall Street, todos muito bem cotados. O cinema independente se escora muitíssimo bem em 12 years a slave, Inside Llewyn Davis – balada de um homem comum, All is lost e Nebraska.
Mas há outros filmes com aspirações legítimas na temporada. Desde o último Woody Allen, Blue Jasmine, ao novíssimo petardo de criatividade de Spike Jonze, Her.
Existe, ainda, a expectativa por boas surpresas como a presença robusta de estrangeiros entre os principais concorrentes do ano. A caça, O passado, Azul é a cor mais quente, Flores raras, entre outros, são filmes que podem render indicações fora do quadrado de filme estrangeiro.
Tudo vai depender do fôlego de campanhas de marketing e do apetite das estrelas por um lugar de destaque no tapete vermelho do dia 2 de março.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, o grande filme do feriadão é uma flor de Woody Allen; a lista de filmes mais assustadores de outro cineasta nova-iorquino; o hype de 50 tons de cinza ganha volume; a Disney ri à toa; a profecia de Ang Lee a espera por ela: Ninfomaníaca.

Os filmes mais assustadores segundo Scorsese
Martin Scorsese, como muitos já sabem, é um cinéfilo inveterado. Daqueles de fazer o mais cinéfilo dos cinéfilos se sentir uma fraude. Até porque Scorsese é, também, um dos maiores cineastas de todos os tempos. Ao Daily Beasy, o diretor de clássicos como Taxi driver, A última tentação de cristo e Os bons companheiros revelou sua lista de filmes mais assustadores da história do cinema. Há alguma coisa mainstream aí, mas o predomínio é dos clássicos marginais e obscuros da era do preto e branco. Aprendam crianças!

1- Desafio do Além (1963), de Robert Wise
2- A Ilha dos Mortos (1945), de Mark Robson
3- O Solar das Almas Perdidas (1944), de Lewis Allen
4- O Enigma do Mal (1982), de Sidney J. Furie
5- Na Solidão da Noite (1945), de Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer
6- Intermediário do Diabo (1980), de Peter Medak
7- O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick
8- O Exorcista (1973), de William Friedkin
9- A Noite do Demônio (1957), de Jacques Tourneur
10- Os Inocentes (1961), de Jack Clayton
11- Psicose (1960), de Alfred Hitchcock

Confira o trailer clássico de Desafio do além


A profecia de Ang Lee e seu grau de acuidade
Ang Lee, vencedor de dois Oscars de melhor direção, disse que a indústria chinesa superará Hollywood em termos de faturamento em dez anos. Isso, sem se preocupar em se comunicar com o resto do planeta. “O grupo que fala chinês é provavelmente quatro vezes maior que as pessoas que falam inglês", exortou o taiwanês. Lee não está sozinho nessa previsão. Enquanto muitos apreciam o exotismo de Bollywood, há quem entenda que o mercado chinês represente o verdadeiro risco para Hollywood. Não à toa, os grandes estúdios americanos se movimentam para realizar parcerias com estúdios chineses, agradar censores e todo tipo de manobra para evitar que a reserva de mercado chinesa se torne cada vez mais atraente para o público local.

No compasso da Ninfomaníaca
O marketing é agressivo e até faz lembrar uma megaprodução hollywoodiana. Com direito a censura do YouTube e tudo. É bem verdade que Ninfomaníaca é o filme mais caro da carreira de Lars Von Trier. Tão caro que o próprio diretor abriu mão do corte final da fita, algo impensável para um cineasta tão autoral e intransigente como o dinamarquês. Como se sabe, serão duas versões. Uma hard core, que será exibida fora de competição no festival de Cannes em 2014, e outra mais leve, mais comercial que será dividida em dois capítulos. O primeiro será lançado no Brasil em janeiro de 2014. O segundo, talvez, apenas após Cannes. Quem esteve no Brasil, para uma cirurgia plástica e para a divulgação de um calendário que estrela, foi Uma Thurman, que atua em Ninfomaníaca. A atriz falou que admira o dinamarquês a quem considera “gênio, atrevido e um pouco louco”. No final das contas, tudo isso rima com marketing.

A Jasmine de Woody Allen

O melhor filme de Woody Allen desde o melhor filme de Woody Allen! Essa é a pecha que recebeu Blue Jasmine, que estreia nesta sexta-feira (15) em circuito comercial no Brasil. Mas qual é o melhor filme de Woody Allen antes de Blue Jasmine? Aí está a graça. Tem quem ache que é Meia-noite em Paris (2011), tem quem ache que é Match point- ponto final (2005) e tem quem vá até Noivo neurótico e noiva nervosa (1977). De qualquer jeito, Blue Jasmine – “uma comédia que não faz rir e ainda assim é hipnotizante” nas palavras do crítico A.O Scott do The New York Times – avoca aquele tipo de consenso irresistível.
Cate Blanchett faz uma socialite falida, depois da prisão do marido por fraude financeira, que precisa se adaptar à vida de pobretona. Allen foca nas compulsões, obsessões e impulsos dessa mulher que precisa se reinventar e pode ruir antes disso. 

Vivendo o hype!
A Entertaiment Weekly desta semana destaca em sua capa o casal protagonista de 50 tons de cinza. Além de um editorial fotográfico estrelado por Jamie Dornan e Dakota Johnson, a reportagem traz bastidores da produção e a nova data de lançamento do filme: 15 de fevereiro de 2015. A mudança de agosto de 2014 para o valentine´s Day do ano seguinte se deve pelos sucessivos imprevistos que marcaram a produção nos últimos meses.


Rindo à toa
A Disney, que já esfrega as mãos para 2015 quando lançará entre outros filmes as aguardadas sequências de Os vingadores e Star Wars, anunciou nesta semana que quebrou o recorde de bilheteria mundial em um ano em 2013. Com U$ 3,79 bilhões em faturamento e com dois meses e três lançamentos separando 2013 do fim, a Disney tem mesmo muitas razões para comemorar.  

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Crítica - A família

Aos bons companheiros...

E se James Conway, personagem de Robert De Niro em Os bons companheiros, clássico mor do cinema de Martin Scorsese, se tornasse um delator e entrasse para o programa de proteção a testemunhas do FBI? É a partir desse raciocínio fanfarrão que Luc Besson, partindo de um romance policial francês chamado “Malavita” – traduzido nos EUA para “badfellas” (trocadilho infame com o nome original de Os bons companheiros, Goodfellas), volta à direção com A família (Malavita, FRA/EUA 2013).
O filme é uma reverência a um dos maiores dogmas do cinema americano, o filme de gangster. É, ainda, uma homenagem formal a Martin Scorsese, que surge como produtor executivo do filme, e é, também, uma homenagem para lá de afetiva à carreira de Robert De Niro - com especial carinho a sua eloquência no uso da palavra “fuck”.
Por essas razões, A família já se assevera como um entretenimento acima da média, especialmente para cinéfilos, que poderão se deliciar com referências sortidas ao longo da fita.
A trama é simples, Giovanni Manzonni entregou sua família (a mafiosa) ao FBI e desde então sua rotina é constituída de mudanças e novas identidades enquanto frustra as tentativas da máfia de matá-lo e a sua família – aquela do núcleo tradicional.
De Niro e Michelle: quando atuar é um prazer...
O filme começa com Manzonni e sua família chegando à Normandia, cidadezinha histórica, mas pacata do sul da França. A graça inicial reside no fato dele e sua família – composta ainda por Michelle Pfeiffer (a esposa), Dianna Agron (filha mais velha) e John D´Leo (filho mais novo) – penarem para deixar para trás o ranço de mafiosos e a maneira como estes lidam com a vida e seus dissabores.
Há ainda Tommy Lee Jones como o agente do FBI carrancudo responsável pela segurança da família. É especialmente charmoso ver Tommy Lee Jones em seu melhor papel (o agente da lei carrancudo) medindo forças com De Niro em seu melhor papel (o gangster cheio de carisma). 
Como se não bastasse toda a finesse no trato dos clichês dos filmes de máfia, Besson ainda oferta uma das melhores cenas do cinema em 2013 e uma deferência espirituosa a Scorsese quando coloca o personagem de De Niro como palestrante convidado de um cineclube de sua vizinhança que exibirá o clássico americano Os bons companheiros.

Essa afetuosidade a instituições do cinema americano e a leveza com que pisca o olho para o público fazem de A família um filme diferenciado tanta da perspectiva da sátira, como da comédia.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, os indicados ao Spirit Awards; a novela do reencontro de Scorsese e De Niro; a boa perspectiva de Matthew Vaughn à frente de Star Wars; a confissão de Quentin Tarantino e o anúncio de uma parceria promissora.

Agora sai! Será?
Há pelos menos três anos circula em Hollywood um projeto que reuniria Robert De Niro e Martin Scorsese. Trata-se de The irishman, agora rebatizado de I heard you paint houses (o nome original era melhor). Baseado no livro de Charles Brandt, o ambiente mafioso é palco para as circunstâncias do assassinato de Jimmy Hoffa, já encenado em Hollywood antes. O projeto já esteve mais ativo e já foi pensado como uma antologia nos moldes de Kill Bill. Jack Nicholson já esteve atrelado, além de Al Pacino. Pacino continua vinculado à produção e Joe Pesci deve substituir Nicholson. De Niro, recentemente, deu o ultimato: “Se não fizermos nos próximos dois anos, não sai mais”, disse ao site Comingsoon. No entanto, além do envolvimento em The woof of wall street, atualmente em fase de gravação, Scorsese tem Sinatra, a bio de você sabe quem, na fila.

Os indicados ao Spirit awards
Saíram os indicados ao Spirit Awards, premiação do cinema independente americano que nos últimos anos ganhou bastante prestígio por antecipar alguns dos nomes fortes do Oscar. Os prêmios são entregues na véspera da cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Com poucos filmes independentes gerando buzz em 2012, na contramão do verificado nos últimos anos, duas produções consolidaram franca vantagen no Spirit Awards: Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, com quatro indicações e O lado bom da vida, de David O. Russell, com cinco indicações. Ambos concorrem nas categorias de filme, direção e roteiro e enquanto o primeiro rendeu nomeação para Bruce Willis como ator coadjuvante, o segundo rendeu a Bradley Cooper e Jennifer Lawrence nomeações nas principais categorias de atuação. Outros filmes que concorrem a melhor produção independente do ano são Keep the lights on, que a revista Cahiers du Cinema já havia mencionado como um dos melhores de 2012, Bernie e Indomável sonhadora – outro filme bastante comentado para o próximo Oscar.

Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em O lado bom da vida: a corrida pelo Oscar para eles já começou...

All about McConaughey
Se tem alguém que está rindo à toa é Matthew McConaughey. Que ele teve um belo de um 2012 ninguém duvida, mas a dupla presença no Spirit Awards – foi indicado como coadjuvante por Magic Mike e como ator em Killer Joe – mostra que o ano ajudou a mudar a percepção que muitos têm dele. Ele representa a única indicação de ambos os filmes em uma clara demonstração de que foi percebido como o melhor que esses longas têm a oferecer. É uma senhora conquista para quem até bem pouco tempo atrás só era lembrado por seu belo tórax.

McConaughey em cena de Killer Joe: mal em cena e bom na tela...


Candidaturas para se observar...
Alguns nomes da lista do Spirit Awards merecem atenção, pois devem ganhar fôlego nas próximas semanas na briga por uma vaga no Oscar. Além das já tidas como oscarizáveis Jennifer Lawrence (O lado bom da vida) e Quvenzhane Wallis (Indomável sonhadora), a também jovem Mary Elizabeth Winstead (Smashed) é um nome que deve ganhar força nas próximas semanas. Entre os atores, John Hawkes (As sessões) merece atenção na categoria principal e Sam Rockwell (7 psychopaths) e Michael Pena (Marcados para morrer), na corrida por ator coadjuvante, merecem atenção. Helen Hunt (As sessões) e Rosemarie DeWitt (Your sister´s sister) também estão sólidas na disputa por uma vaga no Oscar.  


Por que Matthew Vaughn no reboot de Star Wars é uma boa ideia?
O futuro vai permitir uma análise mais criteriosa e embasada, mas Matthew Vaughn, ao que parece, excede os boatos e é forte candidato a dirigir o sétimo episódio de Star Wars; o primeiro sob o jugo da Disney.
Há algumas semanas, Vaughn se desligou da pré-produção de X-men: dias de um futuro esquecido por razões ainda não esclarecidas além das fatídicas diferenças criativas. Depois da saraivada de negações de diretores de toda a sorte, de Spielberg a Brad Bird, Vaughn foi um dos poucos a não se manifestar veementemente sobre a direção de Star Wars. Para completar, um amigo pessoal do diretor, o ator Jason Flemyng andou falando mais do que deveria (e de forma empolgada) nessa semana e fez com que o nome de Vaughn ficasse mais quente do que nunca. O nome de Vaughn é bom porque ele já mostrou capacidade, com a franquia X-men, de pegar uma série clássica e estabelecida e remodelá-la preservando seus principais aspectos. O know how como produtor, a ascendência nerd e veia pop são outros predicados que faltam a muitos outros nomes ventilados para assumir Star Wars.

O pior Tarantino por Tarantino
Em entrevista à revista Hollywood Reporter, o cineasta Quentin Taratino afirmou que “À prova de morte” é disparado o seu pior filme. “De qualquer ângulo que se observe, é muito claro que se trata de meu pior filme”, disse um extrovertido e conformado Tarantino.

Será que foi o fato do Kurt Russell estar canastrão demais no filme, Quentin?


O novo passo de Clooney
Pouca gente sabe, mas George Clooney é um dos principais produtores do elogiadíssimo Argo. Não que Clooney precisasse desse crédito. Mas ele sacou de Argo, o roteirista Chris Terrio para um de seus próximos projetos como ator (e produtor). Não obstante chamou Paul Greengrass (Zona verde e O ultimato Bourne) para dirigir. O filme que abordará os sindicatos do crime em Nova Iorque ainda não tem título, mas segundo a Variety, a produção da Sony Pictures ( a mesma de Tudo pelo poder) deve começar a ser gravada em 2013.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - A peleja dos diretores

Alexander Payne (Os descendentes), Martin Scorsese (A invenção de Hugo Cabret), Woody Allen (Meia-noite em Paris), Michel Hazanavicius (O artista) e Terrence Malick (A árvore da vida)


O artista

Ninguém conhecia Michel Hazanavicius até outro dia. Mas ele provou, com seu apaixonado filme (O artista), que conhece muito de cinema. Em uma disputa de pesos pesados, ele faz questão de manter-se um aprendiz. Ainda que seja o responsável pelo filme mais premiado da temporada. Hazanavacius não é nem mesmo dos diretores mais proeminentes da França e agora pode ser o primeiro francês a ganhar o Oscar de direção.

Prós:
- É o diretor do filme mais festejado da temporada
- Demonstra estilo e perícia na construção de um filme à moda antiga, mas muito bem adornado pelos recursos disponíveis na atualidade
- Ganhou alguns dos principais prêmios da temporada como o DGA (prêmio do sindicato dos diretores), o Critic´s Choice Awards e o Bafta
- Realiza uma excelente direção de atores e essa característica pode prevalecer

Contras:
- Há quem possa achar melhor premiar o americano Scorsese por um filme genuinamente americano e que apresenta o mesmo “espírito”
- Compete contra verdadeiros monstros sagrados do cinema americano (Allen, Scorsese e Malick)
- Pode ser prejudicado em uma eventual cisão dos dois principais prêmios da noite. A academia pode optar por premiar O artista e escolher outro diretor em uma premiação pulverizada
- Também concorre como produtor e roteirista e pode ser vítima da superexposição, tendo em vista que não é exatamente um Coen
- É o único estrangeiro concorrendo na categoria e há quem possa se ressentir de conceder o Oscar dois anos consecutivamente a não americanos

Primeira indicação


O mestre  

Não há necessidade de apresentações. Martin Scorsese talvez seja o grande diretor americano da atualidade.Seu retrospecto recente em nomeações ao Oscar demonstra isso. São sete na carreira e quatro nos últimos nove anos. Nenhum outro diretor americano em atividade ostenta tamanho repertório. E estamos falando de um injustiçado histórico pelo Oscar. A invenção de Hugo Cabret, filme que o leva novamente à disputa pela estatueta dourada, é aquele em que Scorsese mais deixa transparecer seu amor pelo cinema. Isso pode lhe render mais do que comoção de público e crítica.

Prós:
- Existe um consenso de que um Oscar é insuficiente para a estatura artística de Scorsese
- Ganhou o Globo de ouro na categoria e foi eleito o melhor diretor do ano pela maior parte dos círculos de críticos de prestígio
- Está a frente do filme líder de indicações e isso há de contar para alguma coisa
- É uma figura extremamente querida por todos na indústria
- O prêmio também seria uma forma de legitimar o uso do 3D por cineastas do primeiro time; o que, em última análise, também seria bom para a indústria

 Contras:
- Existe um consenso de que um Oscar é insuficiente para a estatura artística de Scorsese, mas pode prevalecer o sentimento de que ainda é cedo para premia-lo de novo
- Perdeu a dianteira na corrida para o concorrente Michel Hazanavicius que conquistou o prêmio do sindicato
- Levou décadas para ser premiado. Difícil crer que o premiem novamente em tão curto espaço de tempo

Décima indicação (produção e direção)
Indicações anteriores: 
Melhor diretor por Touro indomável (1981), A última tentação de Cristo (1989), melhor roteiro adaptado por Os bons companheiros (1991), melhor diretor por Os bons companheiros (1991), melhor roteiro adaptado por A época da inocência (1994), melhor diretor por Gangues de nova Iorque (2003), melhor diretor por O aviador (2005) e melhor diretor por Os infiltrados (2007).
Vitória anterior: melhor diretor por Os infiltrados


Mais do que o independente do ano

Alexander Payne não é exatamente um estreante na categoria. Já concorreu ao Oscar antes. Contudo parece deslocado em meio a cineastas tão expressivos. Talvez porque as histórias que conta sejam minimalistas na essência. A ideia de construir uma filmografia calcada nos personagens é um diferencial que, no entanto, pode lhe render mais frutos como roteirista (categoria a qual também está indicado e pela qual já ganhou um Oscar) do que como diretor.

Prós:
- Está a frente de um filme independente e a academia têm reconhecido diretores nesse perfil no histórico recente. Alguns exemplos (irmãos Coen em 2008 por Onde os fracos não têm vez, Danny Boyle em 2009 por Quem quer ser um milionário? e Kathryn Bigelow em 2010 por Guerra ao terror).
- É notadamente um bom diretor de atores e isso pode contar pontos a seu favor
- Realiza um filme acessível e aprazível. Características mais marcantes em Os descendentes do que em Meia-noite em Paris (que tem um ar de erudição indisfarçável) e O artista (mudo e em preto e branco)

 Contras:
- Existem diretores/roteiristas mais festejados na disputa e isso pode prejudicar Payne em ambas as corridas
- Ainda que seu filme tenha sido apontado como o melhor do ano por alguns grupos de críticos e ganhado o Globo de ouro de melhor filme drama, Payne não ganhou nenhum prêmio
- A percepção de que ele já fez filmes melhores
- A festa em torno da atuação de George Clooney pode ter desviado o foco de outros pontos fortes do filme como, inclusive, as sutilezas imprimidas por Payne na condução da história

Quinta indicação (produção, direção e roteiro)
Indicações anteriores:
Melhor roteiro adaptado por Sideways – entre umas e outras (2005)
Melhor direção por Sideways – entre umas e outras (2005)
Vitória anterior:
Melhor roteiro por Sideways – entre umas e outras (2005)


O estranho no ninho

Não chegou a ser uma surpresa a inclusão do cineasta Terrence Malick entre os finalistas na briga pelo Oscar. Mas com tantos nomes mais badalados na disputa, não deixou de ser um tanto anti-climática a lembrança. Malick, por seu turno, é do tipo que não faz o jogo do Oscar. Bissexto, embora prestes a mudar esse hábito, o cineasta não costuma fazer aparições públicas e saúda a natureza em seus filmes. A árvore da vida é um projeto tão megalomaníaco que, por vias tortas, só podia acabar no Oscar. Mas é certo que já chegou longe demais.

Prós:
- Venceu a Palma de ouro em um júri presidido pelo ator americano Robert De Niro. Não é pouca influência não...
- É um diretor muito admirado por seus colegas e recompensá-lo por um projeto desta envergadura seria um gesto de carinho e consentimento
- Apresenta uma direção sem sombra de dúvidas vistosa, ainda que por um filme “difícil”, a academia pode ser suscetível a esse perfil de trabalho
- Um Oscar a Malick significaria prestigiar mais diretores autorais
- Ganhou alguns prêmios de círculos de críticos no início da temporada de prêmios

Contras:
- Há muita gente que não gosta do filme
- Malick não faz campanha e , combinada a excentricidade de a A árvore da vida, suas chances se veem consideravelmente diminuídas
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Pode ser “esquisitão demais” para muitos votantes

 Terceira indicação
Indicações anteriores:
Melhor roteiro adaptado por Além da linha vermelha (1999)
Melhor diretor por Além da linha vermelha (1999)

O retorno do filho pródigo

Quem não gosta de Woody Allen? Surpreendentemente, muita gente. Mas isso não impediu que o mais neurótico dos autores americanos quebrasse o recorde de Billy Wilder de indicações ao Oscar nas categorias de direção e roteiro. São 23 nomeações (computadas as duas de 2012 por Meia-noite em Paris) contra 21. Woody Allen, definitivamente, se inscreve como uma das figuras mais queridas da História de Hollywood. Ganhar ou não o quarto Oscar, neste momento, é apenas um detalhe.

Prós:
- É o “grande retorno de Woody Allen” ao Oscar e esse é um “catchy slogan”
- Foi um dos poucos diretores premiados por uma comédia. Seria ainda mais notável e distinto ser premiado novamente pelo mesmo gênero
- Woody, na última década, voltou a apresentar um cinema mais inquieto e altivo, além de ter feito as pazes com a crítica
- Não costuma chamar a atenção para o trabalho de direção

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- O fato de ser mais admirado (pela academia) como roteirista do que como diretor
- Ser partidário de uma direção econômica, até certo ponto quadrada, pode lhe privar dos votos de uma ala mais moderna da academia
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso
- Não costuma chamar a atenção para o trabalho de direção

23ª indicação
Indicações anteriores:
Melhor ator por Noivo neurórico, noiva nervosa (1977), melhor roteiro original por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), melhor direção por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), melhor roteiro original por Interiores (1979), melhor direção por Interiores (1979), melhor roteiro original por Manhattan (1980), melhor roteiro original por Broadway Danny Rose (1985), melhor direção por Broadway Danny Rose (1985), melhor roteiro original por A rosa púrpura do Cairo (1986), melhor roteiro original por Hannah e suas irmãs (1987), melhor direção por Hannah e suas irmãs (1987), melhor roteiro original por A era do rádio (1988), melhor roteiro original por Crimes e pecados (1990), melhor direção por Crimes e pecados (1990), melhor roteiro original por Simplesmente Alice (1991), melhor roteiro original por Maridos e esposas (1993), Melhor roteiro original por Tiros na Broadway (1995), melhor direção por tiros na Broadway (1995), melhor roteiro original por Poderosa Afrodite (1996), melhor roteiro original por Desconstruindo Harry (1998), melhor roteiro original por Match point – ponto final (2006)
Vitórias anteriores:
Melhor roteiro original por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)
Melhor direção por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)
Melhor roteiro original por Hannah e suas irmãs (1987)