quinta-feira, 23 de maio de 2013

Momento Claquete #35

O 66º festival de Cannes ainda não acabou, mas Claquete já selecionou alguns dos melhores clicks do evento

Os homens atrás do candelabro: Steven Soderbergh, elenco e equipe do elogiado Behind the candelabra da HBO

A estonteante Allison Williams, da série Girls, também marcou presença na premiere do filme da HBO 

Sangue azul: Chiara Mastroianni no photocall de Les salauds, filme exibido na mostra Um certo olhar que marca sua terceira colaboração com a diretora Claire Denis  

O inglês Clive Owen cumprimenta seu diretor em Blood ties, o francês Guillaume Canet, na ensolarada manhã do dia 21 de maio em Cannes 

O cabelo combina: os galãs do novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, Garrett Hedlund e Justin Timberlake não economizaram no gel...

 Black &White: Jennifer Lawrence deu o ar da graça para promover a sequência de Jogos vorazes

Roman Polanski e o ex-piloto de fórmula 1 Jackie Stewart apresentam documentário produzido pelo primeiro sobre as façanhas do segundo

Bruce Dern, elogiado por sua atuação em Nebraska, posa para fotos ao lado da filha coruja Laura Dern

Amor em Cannes: Os namorados Louis Garrel e Veléria Bruni Tedeschi apresentam Un château en Italie, dirigido por Valéria e estrelado por Garrel

Sem Gosling: Kristin Scott Thomas, na esquerda, e Nicolas Winding Refn promovem Only God forgives no evento francês

Favorito: O diretor italiano Paolo Sorrentino, à direita, conquistou simpatia da crítica com La grande bellezza, estrelado por Toni Servillo, à esquerda


Fotos: Getty Images, Telegraph e Festival de Cannes

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Crítica - Em transe


Filme em transe

Há filmes engenhosos e filmes que simulam serem engenhosos. Em transe (Trance, ING 2013) se ajusta à segunda leva. O diretor Danny Boyle não é exatamente um novato em manipular a audiência além do desejável. Ele ganhou um Oscar fazendo isso com Quem quer ser um milionário?, filme que rasga a cartilha do bom gosto. Em transe não chega a esse ponto; na verdade, nem merece a comparação, mas não deixa de ser a representação de um vício que Boyle precisa abandonar para que a História lhe seja mais afável.
Em transe tem um roteiro frágil, com reviravoltas mal articuladas e um problema capital: o excesso de truques a simular coerência em reviravoltas que não são coerentes. Além do mais, “a reviravolta definitiva”, aquela que revela o segredo mor do filme, é perceptível com pouco mais de meia hora de filme. Boyle e o roteirista John Hodge tentam submergir esse segredo ou revelação, em uma classificação mais categórica, em um balaio de lembranças, memórias forjadas e falsas revelações.
Em transe, para quem está perdido, mostra o pós jogo de um roubo a uma galeria de arte. Simon (James McAvoy), funcionário da galeria que faz parte da quadrilha, se esqueceu do local em que guardou a obra roubada e, depois de breve sessão de tortura, Franck (Vincent Cassel), o mais próximo de líder do grupo, sugere hipnose para se descobrir onde Simon, afinal, escondeu a obra roubada. É aí que entra em cena a personagem de Rosario Dawson, Elizabeth.

Vincent Cassel é uma presença sólida em um filme frágil...

Nada é o que parece ser em Em transe, exceto pelo fato de que tudo é exatamente como parece ser; o que caracteriza uma falha grosseira de argumento. A sofisticação visual do filme, que abusa de uma direção de fotografia arrojada e inventiva – os transes são achados visuais sempre surpreendentes, não esconde a trucagem narrativa. Em transe é um filme que quer parecer mais do que é. É diferente, portanto, de Quem quer ser um milionário? que quer parecer algo que não é – no caso, um filme humanista.
Em transe, além da boa trama, reclama para si uma engenhosidade narrativa que na verdade não existe. A hipnose de Boyle, dessa vez, não funcionou.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Crítica: Reality - a grande ilusão

Tubo de ensaio

Uma comédia que investiga a vacuidade da fama com toques surrealistas. Essa é a melhor definição para Reality – a grande ilusão (Reality, ITA 2012), novo filme de Matteo Garrone. Exercitando-se em um gênero distinto do que obteve consagração internacional (via o elogiado Gomorra), Garrone oscila no registro, mas não perde de vista o teor crítico do comentário que deseja materializar com seu filme.
E que comentário seria esse? De que a obsessão pela fama desvirtua tanto o indivíduo quanto a sociedade. Em Reality – a grande ilusão, Luciano (vivido com incrível energia e despudor por Aniello Arena) sustenta sua família – que se insere dentro do estereótipo das grandes famílias italianas – de pequenos golpes e de uma peixaria. Instigado pelos familiares, ele se inscreve para participar da nova edição do Big Brother. Pré-selecionado, em um misto de vaidade e ansiedade, passa a respirar o programa e pautar sua vida inteiramente pela iminente (em sua lógica) participação no Big Brother.
O mote é relativamente trivial, mas é o tratamento que Garrone dá a ele que eleva Reality ao panteão dos filmes mais robustos nas análises que propõem.
O filme começa com um plano aberto do alto. O plano vai fechando em uma carruagem que se locomove para dentro do que parece ser um castelo. É um hotel. Da carruagem saem dois noivos. Estamos em um casamento em que a encenação, o faz de conta, impera. A encenação, a próxima cena sacramentará, é um valor que muito interessa à realização em Reality – a grande ilusão. Como discurso e como mise-en-scène. Flagramos Luciano se vestindo de velhinha em um quarto. Ele animará o casamento? A sobrinha reclama que a velhinha é um personagem desgastado. Luciano é invadido por uma angústia que voltará a estampar sua face em outros momentos do filme. No salão em que ocorre a festa chega Enzo (Rafaelle Ferrante), ex-participante do Big Brother, que goza de grande popularidade no país, e que participa desses eventos constituindo um outro tipo de encenação.
Luciano, ao centro, de calção azulo com detalhes amarelos:
ansiedade que 
Esse primeiro ato tem como propósito, mais do que apresentar o protagonista, apresentar uma sociedade que tem a representação – e a ostentação – como paradigma vigente. Nesse contexto, a fama é objetivo ou necessidade? O aspecto surrealista de Reality instiga não só à reflexão como a indefinição do debate. Mas Reality- a grande ilusão, ao submeter a progressiva obsessão de Luciano ao ridículo, aponta para o vazio existencial dessa perseguição obstinada por um pertencimento qualquer.
O filme objetivamente prescinde de ser conclusivo, mas peca ao negar à plateia uma comédia menos semiótica. Não é um humor fácil o que se vê em Reality. Mal comparando é como piada de judeu. É preciso conhecer a cultura judaica para desfrutar melhor do humor negro que a satiriza. Em Reality- a grande ilusão é preciso sentir-se a vontade com risadas nervosas e diretrizes sociológicas diversas para vivenciar uma experiência mais completa.
Passa por aí a cena final, a mais surrealista que se tem notícia no cinema recente, em que o plano fechado no protagonista rindo alucinadamente vai abrindo – em diálogo direto com a abertura do filme.

domingo, 19 de maio de 2013

Euro & Travelling


Vinterberg, o terrível

Com 29 anos ele causou em Cannes. Sob o signo de uma estreia arrebatadora na direção de longas-metragens para cinema – com o intenso e perturbador Festa de família (1998), o dinamarquês Thomas Vinterberg parecia ter para si um caminho glorioso, mas não foi o que se verificou. As expectativas não foram cumpridas e o cineasta se viu sob o hostil território das promessas que não vingaram.
Foi no ano passado, também em Cannes, que Vinterberg fez as pazes com a crítica internacional ao apresentar o não menos intenso e perturbador A caça. O diretor não deixou por menos e rebateu as afirmações de que seu cinema estava em uma maré baixa. “Gosto de todos os meus filmes”, disse o dinamarquês em entrevista coletiva em Cannes. “Não mudaria nada. Um ou outro pode ter tido uma resposta melhor da crítica, mas são todos meus filhos”, metaforizou Vinterberg.
A verdade é que o diretor sofreu um pouco por ter sido o único que levou a ferro e fogo os fundamentos do Dogma 95, movimento que fundou juntamente com Lars Von Trier, em face de um cinema mais naturalista, menos intervencionista por parte da realização. Mas não foi o dogma 95 que o recrudesceu. Filmes como Dogma do amor (2003), Querida Wendy (2004) e Quando um homem volta para casa (2007) preservam o despudor temático de Vinterberg, mas as narrativas são frouxas e perdulárias. Em O submarino, sobre dois irmãos assombrados por chagas passadas que se reencontram no funeral da mãe, o diretor já dava sinais de uma reconsolidação de seu cinema em sua articulação estética e propósito narrativo. A confirmação veio com A caça, filme que tem um ponto de partida dos mais interessantes: relativizar o conceito de inocência que temos incauto em uma criança. A partir de uma falsa acusação de pedofilia, e da análise ensimesmada de todo o circo que dela deriva, Vinterberg propõe, ainda que inconscientemente, um diálogo prolífero com seu filme até então mais famoso: Festa de família. Com a pedofilia como parâmetro, ele opõe o alcance devastador de traumas no foro íntimo e também na coletividade.
Se Vinterberg se aposentasse agora, além de despedir-se no topo, deixaria uma obra de musculatura robusta e fina integração estética e temática. Ainda que capitaneada por esses dois filmes distanciados por quase duas décadas. É um feito que poucos cineastas, principalmente se considerarmos a opção por um cinema de burilação estética, são capazes de ostentar.

sábado, 18 de maio de 2013

Crítica - Homem de ferro 3

Futuro incerto


Homem de ferro 3 (Iron man 3, EUA 2013) é um filme de transição. Depois de consolidar o universo Marvel no cinema, é a hora de consolidar o universo Tony Stark. Esse terceiro filme se presta a esse intuito. Robert Downey Jr. pode ou não renovar para mais uma bateria de filmes, mas é preciso pensar além do futuro imediato e a Marvel – como deixa claro o “Tony Stark will return” depois da cena pós-créditos – vê no personagem o seu James Bond.  Tudo em Homem de ferro 3, seus defeitos e qualidades, convergem para a consolidação desse “universo Tony Stark”. O filme, seguramente mais frágil do que os anteriores, escala a megalomania característica dos vilões ‘bondianos’ na figura de Aldrich Killian (Guy Pierce); investe mais em Tony Stark na tela do que no Homem de ferro e até enseja as “stark girls”, ainda que timidamente nesse primeiro rascunho, na figura da personagem de Rebecca Hall. O cálculo está muito bem feito. O perigo é que Homem de ferro integra outro universo, o Marvel, e essa dupla pretensão pode gerar desequilíbrios no longo prazo. Além do mais, ainda resta a incógnita se o personagem conseguiria sobreviver sem Robert Downey Jr. Não é porque Bond sobreviveu sem Sean Connery, que o mesmo aconteceria aqui.
A questão, no entanto, merece uma análise à parte. O filme, ainda que decepcione na comparação com seus predecessores – em especial o primeiro, se firma como um blockbuster digno. Sob muitos aspectos, como filme evento, Homem de ferro 3 é um triunfo. Há um roteiro que se passa muito bem por inteligente, ainda que não o seja, personagens cativantes (os novos e os de sempre) e Robert Downey Jr. provando que consegue se manter no auge mesmo com a pressão maior sobre seus ombros. Mais tempo em tela com menos cenas de ação e um personagem já conhecido e relativamente desgastado não diminuíram a força de Downey Jr. para autoparódia e muito menos tornaram seu cinismo menos efetivo. O ator continua responsável pelo melhor que Homem de ferro tem a oferecer como cinema, o que põe em dúvida se a série tem condições de evoluir sem o ator.

Robert Downey Jr. em cena do filme: ele ainda vale o ingresso

Os efeitos especiais, desnecessário dizer, são de brilhar os olhos. O clímax do filme, em que diversas versões do Mark (nome de batismo do traje do Homem de ferro) funcionam automaticamente e Tony migra de um para outro conforme as circunstâncias exigem talvez seja o mais próximo da HQ – no sentido visual – que um filme da Marvel já chegou.   
Homem de ferro 3, com sua massiva bilheteria, esconde um esgotamento criativo da Marvel. Os vingadores não foi a coca-cola que se esperava e a transição ensejada por Homem de ferro 3 talvez já seja reflexo disso. É cedo para dizer. Certo é que a Marvel precisa mais do que nunca de Robert Downey Jr., que já não precisa mais da Marvel. É a resolução dessa história que decidirá o futuro do personagem daqui para frente.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Em off


Nesta edição da seção Em off, as atrizes mais cults da atualidade, os labirintos das escolhas da Warner Bros, o retorno à boa forma de Tom Hanks, a largada em Cannes e a nova menina dos olhos de Hollywood.
  
A ressurreição de Tom Hanks

Recentemente eleito por uma pesquisa feita entre americanos e divulgada pela revista Time como a personalidade americana mais confiável, Tom Hanks está caminhando de volta ao topo. Depois de uma série de projetos malogrados como A viagem (2012) e Larry Crowne- o amor está de volta (2011), o ator ensaia as pazes com público e crítica. O primeiro passo desse “reencontro” reside em “Lucky guy”, peça e autoria de Norah Ephron – que antes de falecer era contumaz colaboradora do astro – que marca a estreia de Hanks na Broadway. Os elogios se enumeraram e antecederam a nomeação ao Tony (o Oscar do teatro), no qual o ator desponta como favorito.
No fim de 2013, Hanks voltará às telas de cinema em duas aguardadas prodições. A primeira é Captain Phillips, novo filme de Paul Greengrass, em que Hanks faz o capitão de uma embarcação americana invadida por piratas somalis no início dos anos 2000. Já em Saving Mr. Banks, que assim como Captain Phillips é aventado para o próximo Oscar, o ator vive ninguém menos que Walt Disney em pessoa.
Há muito tempo Hanks não dispunha de tamanha evidência e com adornos extremamente promissores.

A Warner e seus adiamentos
Foi anunciado recentemente que a Warner Brothers decidiu adiar o lançamento de 300: a ascensão de um império de agosto deste ano para março de 2014. Não houve uma justificativa oficial para a mudança, mas foi sugerida a percepção de que seria melhor lançar o filme em harmonia com a época do lançamento da produção original (300 foi lançado em março de 2007). Esse tipo de mudança, por mais indesejada que seja para fãs, é relativamente comum no sistema de estúdios, mas a Warner tem tornado a prática frequente com seus superlançamentos. Em 2008, adiou a estreia do aguardadíssimo sexto filme da saga Harry Potter (O enigma do príncipe) porque não tinha um filme de grande potencial comercial para o verão de 2009 - em virtude da greve de roteiristas que paralisou a indústria no fim de 2007 e início de 2008. Depois de arrecadar horrores com O cavaleiro das trevas naquele verão, a Warner não queria deixar de lucrar acintosamente na temporada em questão no ano seguinte.
Processo semelhante ocorreu com o novo Superman. O homem de aço estava originalmente programado para o fim de 2012, mas o estúdio resolveu adiá-lo para 2013 por já ter um filme de super-herói de grande projeção (a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas de Nolan) no ano. Com isso, o filme de Zack Snyder será lançado em julho deste ano.
O Grande Gatsby, que canaliza alguma atenção em virtude da première mundial em Cannes, é outro caso interessante. Também programado para o fim de 2012, o estúdio resolveu adiá-lo para o verão deste ano sob justificativa de que teria mais tempo de trabalhar os efeitos do 3D na finalização. A época, setores da crítica chamaram a atenção para um possível descontentamento do estúdio com o filme. Os boatos nunca foram combatidos com firmezas e agora, lançado, o filme reúne quantidade assombrosa de crítica negativas.

A glória só chega em 2014...

50 tons de cinza: a mina hollywoodiana
Na última semana foi divulgado por diversos veículos noticiosos de que o diretor inglês Joe Wright, de filmes como Desejo e reparação e Anna Karenina, é o favorito do estúdio Focus – que detém os direitos de adaptação para o cinema da trilogia best-seller "50 tons de cinza" – para dirigir o primeiro filme. O boato se baseia no fato de que Wright e Focus mantêm boa relação – todos os filmes do diretor com exceção de Hanna foram lançados pelo estúdio. Wright, no entanto, está comprometido com outros projetos e não se pronunciou a respeito do boato. Quem se engajou para conquistar a direção do filme foi Gus Vant Sant. O diretor de Inquietos e Milk – a voz da igualdade teria até mesmo rodado uma fita teste com uma cena erótica do livro e enviado ao estúdio.
"50 tons de cinza" é a grande mina de ouro do momento em Hollywood. Sites de cinema promovem enquetes periódicas com seus leitores para checar suas preferências para os papéis centrais. Jovens atores e atrizes em busca de serem os novos Robert Pattinson e Kristen Stewart digladiam-se por testes. Uma seção Insight deste mês de maio irá repercutir essa corrida ao ouro, contextualizá-la e apontar os nomes que devem, no final das contas, ficar com o ouro.

Foi dada a largada...
Já começou e quem quer saber os melhores detalhes sobre o 66º festival de cinema de Cannes precisa acompanhar de perto a fanpage do blog no Facebook. Serão postagens diárias, majoritariamente à noite, destacando o que de melhor aconteceu no dia na Riviera francesa. Curiosidades, bastidores e avaliação da crítica presente no evento dos filmes exibidos nas diversas mostras que dominarão o bate- papo cinéfilo nos próximos dias.

Atrizes cult
O TOP 10 do mês destacou os dez atores mais cults da atualidade. Mas e as atrizes? Elas estão aqui, devidamente adornadas pela informalidade cult da seção Em off. As dez mulheres que valem o culto no cinema atual não estão tão democraticamente distribuídas pelo globo como no caso dos homens. As francesas, (o que tem na água da França, né?) são maioria com três menções. A Itália segue firme com a onipresente, embora menos presente no cinema, Monica Belluci. Inglaterra e EUA têm duas menções e Brasil e Espanha surgem com uma representante cada.



As dez eleitas: Monica Bellucci, Ellen Page, Julianne Moore, Vanessa Redgrave, Mariana Lima, Isabelle Huppert, Kristen Scott Thomas, Penélope Cruz, Marion Cotillard e Juliette Binoche


terça-feira, 14 de maio de 2013

Crítica - Somos tão jovens



Olhar inconformista

Somos tão jovens (Brasil 2013), recorte sobre os anos de formação de Renato Russo como músico, é daqueles filmes que se agigantam na polarização que insinuam. É, sob certo aspecto, um filme homenagem que reveste seu protagonista de carinho e fala diretamente aos fãs – geralmente desprovidos do senso crítico. Em um segundo momento, é, também, um filme sobre um dos últimos movimentos genuinamente criativos com marca nacional – ainda que situado em um espaço-tempo de prolificidade de movimentos de rebeldia e inconformismo tutelados pela juventude no mundo.
Somos tão jovens, na direção enérgica de Antonio Carlos da Fontoura, concilia essa aparente dicotomia de maneira muito orgânica. É um filme vibrante, não apenas por retratar a gênese de um dos mais celebrados músicos da história do Brasil, mas também por buscar entender o momento em que Renato Manfredini Junior se torna Renato Russo.
É nessa investigação que Somos tão jovens, até então um registro cheio de vida, cai na mesmice. O roteiro de Marcos Bernstein adota os caminhos conhecidos e menos ousados e torna Somos tão jovens um produto que flerta perigosamente com a trivialidade enquanto cinema. Se essa entrega ao óbvio não acontece de todo é em virtude do talento messiânico de Thiago Mendonça que vive com coração e minúcia Renato Russo. Desde trejeitos característicos do cantor até a composição emocional robusta de suas aflições existenciais.
Mendonça afia o baixo e se revela o às de Somos tão jovens
Mendonça destaca-se ainda por uma proeza improvável. Quando Renato Russo começa a cantar, seja nos vocais do Aborto elétrico, como trovador solitário ou na Legião urbana, Mendonça se conecta à memória de Russo redefinindo-a com vibração, afinação e carisma que, talvez, não sobejassem dessa maneira em Russo.
Esse fator, que poderia ser um problema em certa ótica, acaba reforçando o olhar inconformista pretendido pela realização para essa geração brasileira, no geral, e brasiliense, em particular, que resolveu protestar via Rock´n roll.
Somos tão jovens ainda é capaz de exercer uma nostalgia diferenciada, justamente por apresentar uma juventude tão distinta da que existe hoje. Nesse sentido, ao som das músicas tão envolventes de autoria de Renato Russo, o filme adquire certa amargura.  

segunda-feira, 13 de maio de 2013

TOP 10 - Os dez atores mais cults da atualidade

Para se ter uma ideia do rigor da lista dos dez atores mais cults da atualidade, que marca o TOP 10 do mês em Claquete, há uma pluralidade de nacionalidades – com o esperado predomínio francês com três menções. Há atores da Argentina, Brasil, Alemanha, Canadá, México, EUA e China. Não há muita margem para discussão. Estão aí os dez atores mais tchan da cinefilia contemporânea. Os critérios vão desde a famigerada predileção por papéis desafiadores à constante colaboração com cineastas identificados como autores.


10 – Mathieu Amalric

O ator e cineasta francês é quase uma grife. Daquelas que poucos conhecem, mas que quem conhece não abre mão. Dono de uma carreira já consolidada, e relativamente longa (estreou como ator em 1984), Amalric alterna participações no cinema autoral americano (Munique de Spielberg, Maria Antonieta de Sofia Coppola, Comóspolis de David Cronenberg) com o trabalho com grandes cineastas franceses como Roman Polanski, Alain Resnais, Jean-François Richet, Arnaud Desplechin e Claude Miller.

9 – Ryan Gosling

Ele está ficando popular, mas não dá sinais de que pretende renunciar sua aura cult. Ryan Gosling desenhou-a com filmes como Namorados para sempre, Tudo pelo poder, Drive, Half Nelson e Tolerância zero. O lado pop surge em produções como Amor a toda prova e Diário de uma paixão, projetos que de alguma maneira ajudaram a sedimentar sua veia cult. Em 2013 com os filmes The place beyond the pines e Only God forgives deve atingir novos picos nessa “Gosling fever”.

8 – Gael Garcia Bernal

O mexicano é mais cult no Brasil do que em qualquer outro lugar, mas é certo que as opções de Bernal reforçam sua vocação para culto. Ele já colaborou com cineastas brasileiros no cinema americano, diretores argentinos no cinema brasileiro, ajudou a levantar o cinema chileno e é responsável direto pela elevação do cinema mexicano à festivais e festejos da crítica. Até em suas incursões pelo cinemão mais comercial, Bernal denota apelo cult em produções como Babel, Cartas para Julieta, Sonhando acordado, Jogo de sedução e Ensaio sobre a cegueira.
No, Má educação, Sem notícias de Deus, Diários de motocicleta, O crime do padre Amaro, Amores brutos e E sua mãe também, no entanto, manterão para sempre seu status de ator cult.

7 – Irandhir Santos

Ele não tem o charme de Wagner Moura ou a carreira longeva de Selton Mello, mas se isso o afasta do grande público, de certa forma o aproxima de um público mais interessado no talento. Nesse departamento, Santos se equivale aos outros dois, mas se destaca pelas escolhas ousadas. A que lhe deu certa notoriedade foi antagonizar com o herói nacional capitão Nascimento no segundo Tropa de elite. A experiência valeu a Santos respeito e admiração que lhe renderam convites para filmes menores como Febre do rato e O som ao redor que ajudaram a firmar seu nome como do ator nacional que melhor se assenta sobre a pecha de cult.

6 – James Franco

Ele até pode ser popular, mas só o é porque é cult. E James Franco investe pesado na aura de cult. Tem um homem aranha e Oz no currículo, mas é a geração beat, a cena homossexual e o sexo, de maneira geral e também em suas muitas particularidades, que interessa a Franco que projeta uma carreira como cineasta enquanto surge em filmes como Milk – a voz da igualdade, Tar, Lovelace, 127 horas, Uivo e Segurando as pontas.

5 – Ricardo Darín

Ele é muito popular na Argentina, mas no Brasil veste a indumentária de cult. Darín é um baita ator e o principal termômetro da bonança do cinema argentino. No Brasil é lembrado principalmente por seus maiores acertos, não necessariamente por seus melhores trabalhos. Destacam-se em sua filmografia O filho da noiva, Abutres, Um conto chinês, O segredo dos seus olhos, Nove rainhas e Kamchatka.

4 – Tony Leung

Quem admira a cinematografia asiática sabe que não há hoje ator mais cultuado e venerado do que Leung, nascido em Hong Kong e colaborador assíduo do cineasta Wong Kar Wai, ele marca presença nos filmes mais marcantes do oriente nos últimos anos. É dos atores mais premiados dessa lista e sinônimo de sofisticação seja qual for o gênero, seja o filme de gangster – como em Infernal affairs (filme que deu origem ao vencedor do Oscar Os infiltrados) – ou em um drama de época com fundo de espionagem, como Lust, Caution de Ang Lee.

3 – Michael Fassbender

O alemão de ascendência irlandesa é poliglota, o que ajuda a capitalizar como ator cult. Apareceu falando alemão e inglês em Bastardos inglórios de Quentin Tarantino, mas alcançou a glória mesmo em 2011 com os elogiados trabalhos em Um método perigoso, X-men: primeira classe, Jane Eyre e, principalmente, Shame. Consegue ser cult até nos filmes mais comerciais como Prometheus e A toda prova. Colaborando com cineastas como Terrence Malick, Ridley Scott e Steve McQueen – que o colocou no mapa com o tenso Hunger – Fassbender quer a primeira posição em uma nova edição da lista.

2- Vincent Cassel

O segundo francês da lista, e segundo poliglota (já atuou em inglês, italiano, português, espanhol e até em russo, além do nativo francês), é um ator que não tem medo de ousadias e experimentações. Já trabalhou com cineastas consagrados ou iniciantes, já fez filmes contestados ou louvados por seu valor artístico e enobreceu produções comerciais com vocação cult -  como o recente Em transe. Cassel, que recentemente mudou com mala e cuia para o Rio de Janeiro, é um ator que privilegia o cinema, lhe aferindo dimensão e estatura. Entre seus principais trabalhos se destacam Cisne negro, À deriva, Inimigo público nº 1, Senhores do crime, Doze homens e outro segredo, Irreversível e Rios vermelhos.

1- Louis Garrel

Se ser cult é ser francês, o pódio fica com Garrel. O cinema corre em suas veias, já que pai, mulher e mãe também estão imersos nesse universo. Garrel é o ator fetiche do cinema que se pretende intelectual, passional e, por que não, europeu. Entre seus principais trabalhos estão A bela Junie, A fronteira do alvorada, Canções de amor, Amores imaginários, Um verão escaldante e Os sonhadores.

domingo, 12 de maio de 2013

Insight - O voo internacional de Wagner Moura



Um dos filmes mais esperados no mundo todo em 2013 tem Wagner Moura como um dos protagonistas. Essa afirmação diz muito sobre o status de Wagner Moura que, efetivamente, ainda verá nascer sua careira internacional quando Elysium for lançado no próximo mês de agosto. O convite para estrelar ao lado de Matt Damon e Jodie Foster a ficção científica que dá sequência à carreira de Neil Blomkamp após o estardalhaço de crítica elogiosas e bilheteria surpreendente que foi Distrito 9 aconteceu depois que o diretor sul-africano viu Moura em Tropa de elite. Era aquela energia, irreprodutível segundo afirmou o cineasta em entrevista coletiva realizada no México há algumas semanas, que ele queria para o personagem mais ambíguo de seu novo filme. Os bons observadores reconhecem que o capitão Nascimento é o personagem mais ambíguo da história do cinema nacional, a despeito de sua maciça popularidade.  
Wagner Moura, que já declarou com graus distintos de sutileza que não quer saber mais de novela, projeta devagarinho, com seu jeito baiano que adentra qualquer sotaque, uma carreira internacional. O faz com a parcimônia de quem quer correr riscos artísticos, se testar comercialmente, afagar a vaidade inata de todo ator, mas sem perder de vista sua identidade como intérprete. Até o momento, Moura está vinculado a outros dois projetos internacionais diversos na forma e no conteúdo. Fellini black and white está em pré-produção e motivou Moura a fazer aulas de italiano. Trata-se de um filme americano pequeno dirigido e roteirizado por Henry Bromell – nome quente em virtude dos engenhosos textos da série "Homeland" – e que tem no elenco os ótimos Terrence Howard (No ritmo de um sonho) e Peter Dincklage ("Game of Thrones'). Trata-se de um projeto de extrema importância para Moura. Pode içá-lo ao patamar dos atores mais quentes do cinema contemporâneo. No filme, Moura será Fellini na trama que mostra a viagem do cineasta italiano para Los Angeles em 1957 para participar da cerimônia do Oscar. O diretor se perdeu de sua comitiva por 48 horas e o filme acompanha justamente esse período. Interpretar Fellini é uma oportunidade rara que pode brindar o ator com o reconhecimento internacional. Moura é o tipo de ator capaz de cavar personalidades complexas e Fellini é um gênio que favorece o processo criativo de Moura.
O outro projeto ao qual Moura está vinculado é Trash, novo filme do premiado Stephen Daldry (As horas, O leitor). Wagner Moura será um policial no filme que será parcialmente rodado no Rio de Janeiro. Embora não haja maiores detalhes sobre seu personagem, a natureza da trama – sobre meninos que vivem no lixão e descobrem uma bolsa com documentos e dinheiro – sugira que ele possa ser o principal antagonista.

Moura ao lado de Matt Damon e Diego Luna em Elysium: um começo promissor no cinema americano

São filmes em que se percebe com clareza que mais do que um bom agente, Moura tem um bom olho para projetos que além de expandir sua carreira internacionalmente podem fomentar desafios mais encorpados para seus dotes como ator.
Parece razoável crer que se esses filmes forem bem sucedidos, e Moura cercou-se de pessoas que indicam que essa é a realidade mais palpável, Wagner Moura deve se tornar rapidamente uma referência brasileira no cinema internacional.