terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Para explicar o mundo - Invictus

O presidente Nelson Mandela e o capitão da seleção sul-aficrana de Rúgbi, François Pienaar ...


... em cena dramatizada no filme de Eastwood com os atores Morgan Freeman e Matt Damon


Invictus, novo trabalho de Clint Eastwood, trabalha em duas linhas de frente bastante cristalinas e caras ao cinema. O filme de esporte e a biografia. Ambas convergem para que se agigante os aspectos motivacional e redentor pretendidos pela produção.
Os filmes de esporte geralmente são imbuídos de altas voltagens de inspiração e identificação. Algo que encontra ressonância nas incríveis trajetórias de vida que o cinema costuma dramatizar. Invictus é pontual e brilhante em capturar de maneira extremamente bem sucedida um raro ponto de intersecção entre esses dois gêneros. Um raro ponto de intersecção também na vida, já que a arte, nesse caso pode não imitar, mas reproduz a vida com orgulho e reverência.
O filme Invictus se baseia no livro reportagem Conquistando o inimigo, do jornalista e correspondente internacional John Carlin. Livro e filme versam sobre a África do sul do pós- apharteid. Um país que acabara de eleger um negro que estivera preso por 27 anos por ligações com grupos terroristas. Nelson Mandela tinha a sua frente, um país economicamente quebrado, profundamente segregado e pouco tolerante a mudanças estruturais.
Foi justamente no esporte, mais precisamente no rúgbi – esporte genuinamente praticado por brancos, que o presidente e Nobel da paz vislumbrara uma oportunidade de unificar o país. Se não curar as feridas, pelo menos abrandá-las a dor. Mandela iniciou então um trabalho de auto-estima nacional. Um exercício de convencimento duro, exaustivo, arriscado e que punha em risco todo o seu capital político. O filme se concentra nesse recorte. Embora Eastwood valorize detalhes e sugira através de algumas cenas a instabilidade que cercava Mandela e a África do Sul, o filme não cobre a saga de Mandela tão amplamente quanto o livro. O filme por exemplo insinua a insegurança política a qual Mandela se equilibrava, mas Carlin discorre sobre isso com muito mais detalhes. Embora a linha narrativa de ambos seja a mesma, a preparação e a conquista da copa do mundo de rúgbi. “A copa foi o momento em que Mandela atingiu sua legitimidade, quando os brancos aceitaram que poderiam ter um presidente negro”, disse Carlin em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo.
Com a proximidade da copa do mundo de futebol na África do Sul e com um presidente bem menos insidioso e inspirador como Jacob Zuma, vale a pena rememorar o passado para seguir no caminho do futuro certo e próspero.


Cena de Invictus: O esporte como elemento agregador

Para ler: Conquistando o inimigo: Nelson Mandela e o jogo que uniu a África do Sul, John Carlin, editora Sextante
Para ver: Mandela – a luta pela liberdade, dirigido por Billie August
Para saber mais: Nelson Mandela

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja das atrizes

Na montagem: Carey Mulligan (Educação), Gabourey Sidibe (Preciosa), Helen Mirren (The last station), Sandra Bullock (Um sonho possível) e Meryl Streep (Julie & Julia)



A imortal

Meryl Streep é, tal qual Jack Nicholson e Tom Hanks, hours concours no Oscar. Só que diferentemente desses dois atores, ela continua recebendo indicações. A bem da verdade, trabalha com mais assiduidade do que ambos e entre as atrizes há uma concorrência ligeiramente menor. De qualquer maneira a atriz aumenta o seu recorde absoluto de indicações para 16.Um marco que a julgar pela qualidade, e pela intensidade, de seu trabalho ainda deverá aumentar.

Prós:
+Uma atriz de sua estatura e com seu repertório de indicações já merece um novo Oscar há algum tempo. E todo mundo sabe disso.
+ É um ano especialmente fraco para os desempenhos femininos o que pode propiciar a conjuntura ideal para premiar novamente a atriz
+ É a quarta indicação ao Oscar da atriz em cinco anos. Nenhum outro ator ou atriz teve desempenho similar recentemente.
+ Seu nome impõe respeito e é capaz de angariar votos por si só

Contras:
- Comparado com suas atuações mais recentes, sua performance em Julie & Julia é a mais fraca das indicadas
- Não é o melhor trabalho de atuação do ano. E todo mundo sabe disso.
- Existe um lobby fortíssimo por Sandra Bullock
-O status de hours concours pode pesar, principalmente se considerado que o aumento do recorde – configurado com a nova indicação, já constitui um reconhecimento especial

Indicações anteriores: Melhor atriz coadjuvante por O franco atirador em 1979, melhor atriz coadjuvante por Kramer VS Kramer em 1980, melhor atriz por A mulher do tenente francês em 1982, melhor atriz por A escolha de Sofia em 1983, melhor atriz por O retrato de uma coragem em 1984, melhor atriz por Entre dois amores em 1986, melhor atriz por Ironweed em 1988, melhor atriz por Um grito no escuro em 1989, melhor atriz por Lembranças de Hollywood em 1991,melhor atriz por As pontes de Madison em 1996, melhor atriz por Um amor verdadeiro em 1999, melhor atriz por Música do Coração em 2000, melhor atriz coadjuvante por Adaptação em 2003, melhor atriz por O diabo veste Prada em 2006, melhor atriz por Dúvida em 2009

Vitórias anteriores: Melhor atriz coadjuvante por Kramer VS Kramer em 1980 e melhor atriz por A escolha de Sofia em 1983


A popular

Provavelmente Sandra Bullock pensou que nunca seria indicada ao Oscar. Mesmo depois de seu triunfo no Globo de ouro. Contudo, a atriz teve um 2009 arrasador e o Oscar de atriz seria a cereja no bolo.

Prós:
+ Existe um lobby fortíssimo em Hollywood por sua vitória
+O filme que estrela, Um sonho possível, emplacou uma vaga entre os 10 melhores filmes. Uma clara demonstração de que Bullock está em vantagem
+ É uma America sweetheart e a academia gosta de prestigiar essas figuras. Julia Roberts e Reese Witherspoon (ambas por performances contestáveis) venceram na categoria
+ Das indicadas é a que conta com maior apoio popular e em um Oscar que está procurando empatia com o público médio, sua premiação seria contundente e, mais importante ainda, conveniente

Contras:
- A necessidade velada de premiar Meryl Streep novamente
- Ser uma atriz dramática muito limitada
- existir preconceito quanto a desempenhos como esses, cujo sucesso está mais vinculado a carga dramática do filme do que ao ator propriamente dito
- O filme não ser exatamente um filme digno de Oscar
Primeira indicação

A deslumbrada

Gabourey Sidibe ainda está se recuperando de ter ouvido seu nome pronunciado por Justin Timberlake, seu maior ídolo, no anúncio oficial dos indicados ao globo de ouro. A atriz, estreante, chega ao Oscar com justiça e não alimenta grandes ambições, apesar de entregar um dos desempenhos mais viscerais do ano.

Prós:
+ Está em um filme muito celebrado do ano
+ A força do filme remete basicamente a seu desempenho e ao de Mo´Nique, reconhecidos com indicações ao Oscar
+Seria apoteótico reconhecer uma atriz estreante, ainda mais por um filme que conta a história que conta. Seria a noite de Cinderela no Oscar. Já aconteceu antes

Contras:
- O peso de que a indicação já é uma vitória
- De todas as indicadas é a única que não recebeu nenhum prêmio
- Sua parceira de elenco Mo´Nique tem monopolizado as premiações e deve levar o Oscar de coadjuvante. Há muito tempo a academia não premia dois atores pelo mesmo filme

Primeira indicação

A rainha

Helen Mirren entrou na lista aos 45 minutos do segundo tempo. Assim como Meryl Streep, beneficiada por um ano fraco e pela certeza da excelência que seu nome traz para qualquer lista.

Prós:
+ Pode se beneficiar de uma disputa apertada entre Sandra Bullock e Meryl Streep
+ Está no tipo de filme pequeno e histórico que a academia gosta de promover

Contras:
- Ganhou o Oscar recentemente e entre as atrizes não há um histórico de vencer um Oscar novamente em tão curto período
- Seu filme não “pegou” como muitos acharam que pegaria
-Premia-la novamente em detrimento de Streep pode pegar mal
- Todas as outras indicadas (exceção feita a Meryl Streep) têm filmes concorrendo na principal categoria
- Seu nome era o único incerto, segundo analistas, até a divulgação da lista

Indicações anteriores: Melhor atriz coadjuvante por As loucuras do rei George em 1995, melhor atriz coadjuvante por Assassinato em Gosford Park em 2002 e melhor atriz por A rainha em 2007

Vitória anterior: Melhor atriz por A rainha em 2007

A nova estrela

Carey Mulligan já estava por aí, mas a inglesinha de 24 anos está prestes a tomar Hollywood de assalto. Além de estar no filme inglês mais festejado da temporada e desde o inicio da temporada de premiações, ter assegurado sua vaga entre as cinco indicadas, Carey está no elenco do aguardado Wall Street-money never sleeps. O céu é o limite.

Prós:
+ É inglesa. E as inglesas têm predominado nessa categoria nos últimos dez anos. Kate Winslet e Helen Mirren venceram recentemente
+ É considerado um dos melhores trabalhos do ano pelos críticos

Contras:
- Sua candidatura perdeu força. Ela ganhou muitos prêmios em dezembro e janeiro, mas não prevaleceu em nenhuma premiação “major”
- O peso de que a indicação já é uma vitória
- O fato de a disputa ter polarizado entre Sandra e Meryl deixou seu nome um pouco de lado
- É muito jovem e pouco conhecida

Primeira indicação

OSCAR WATCH - Ao mestre com carinho

Juventude e talento: Reitman é um prodígio e gosta de sê-lo


Papai não poderia imaginar melhor. Jason Reitman, 32 anos, é um dos mais promissores e interessantes cineastas da atualidade. Na verdade, fica difícil falar que alguém com 4 indicações ao Oscar –sendo duas por direção - é promissor. Reitman, filho do cineasta e diretor Ivan Reitman (Os caça –fantasmas e Minha super ex-namorada), já é uma realidade. Uma realidade em constante evolução, diga-se de passagem. O jovem cineasta fez três filmes (Obrigado por fumar, Juno e Amor sem escalas), já moldou sua identidade como diretor, já definiu seu apreço por personagens deslocados que vivem histórias incomuns e, mais do que isso, a cada filme melhora em seu ofício vigorosamente.
Quando recebeu o globo de ouro de melhor roteiro por Amor sem escalas, em janeiro passado, Reitman agradeceu emocionado aos pais pela dedicação e apoio. E olhava para o pai, que não continha as lágrimas de emoção. Orgulho e admiração de um lado ao outro podia-se sentir no Shrine Auditorium naquela noite.
É, sem dúvida alguma, uma história de cinema. Daquelas que costumamos ver dentro da sala escura, não nos bastidores. Um filho que se projeta no pai e, finalmente, supera-o em termos de reconhecimento, mas que ainda assim mantém a humildade e a reverência para com a fonte de tudo. Jason Reitman é um cineasta de primeira grandeza, como atestam sua (pequena) obra e seu jeito simples e comedido. O carinho pelo pai é um detalhe que só engrandece o homem e enobrece o artista.
Reitman e seu globo de ouro: "É pra você papai!"

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os 25 melhores filmes da década:16 - Jogos do poder

"Ninguém está prestando atenção"




Sinopse:
Início dos anos 80. A União Soviética invade o Afeganistão, o que chama a atenção de políticos norte-americanos. Um deles é Charlie Wilson, um homem mulherengo e polêmico que não tem grande relevância política, apesar de ter sido eleito 6 vezes para o cargo. Com o apoio de Joanne Herring, uma das mulheres mais ricas do estado que o elege, o Texas, e do agente da CIA Gust Avrakotos, Wilson passa a negociar uma aliança entre paquistaneses, egípcios, israelenses e o governo norte-americano, de forma que os Estados Unidos financiem uma resistência que impeça o avanço soviético no local.

Comentário:
O filme de Mike Nichols é um poderoso e sagaz comentário sobre como as relações políticas se estabelecem. O filme cobre um episódio que no principio da década passada ganhou relevância-tão inesperada quanto tenebrosa - com os ataques terroristas às torres gêmeas, de maneira leve e salutar. Nichols oferece uma aula de narrativa e parcimônia ao contar um tema espinhoso com toques cômicos. Ajuda muito contar com um Tom Hanks inspirado e um Phillip Seymour Hoffman fenomenal. Juntos eles desmascaram a América das boas intenções que se abriga nos interesses escusos e nas negociatas midiáticas. Um filme austero que não deixa de ter bom humor. Sem dúvida alguma, uma obra referencial.

Prêmios:
1 indicação ao Oscar (ator coadjuvante); 5 indicações ao Globo de ouro (filme comédia/musical, ator em comédia/musical, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e roteiro); Indicado ao Bafta de melhor ator coadjuvante; indicado ao Critic´s choice awards de melhor roteiro e melhor ator coadjuvante;

Curiosidades:
- O verdadeiro Charles Wilson deu uma declaração de apoio ao filme, em artigo publicado à época do lançamento da fita, da seguinte maneira: “Qualquer coisa que eu podesse embargar, é provavelmente verdade”
- O roteiro do filme é assinado por Aaron Sorkin, criador e principal roteirista da famosa série de TV sobre os bastidores da Casa Branca, The west wing
- Houve três acidentes durante as filmagens da produção. Em um deles, um figurante morreu.
- Emily Blunt, que faz uma pequena participação no filme, rodou suas cenas em dois dias. Ela não recebeu nada pela participação, embora outorgada pelo sucesso de O diabo veste Prada, a atriz queria contracenar com Tom Hanks, ator de quem é fã.
- Foi o segundo trabalho do diretor Mike Nichols com a estrela Julia Roberts. O primeiro foi Closer –perto demais e o terceiro está a caminho.
- Desde o anúncio do projeto, a imprensa especializada se interessou pelo filme que reuniria Tom Hanks e Julia Roberts (dois dos principais astros dos anos 90) em um mesmo filme.

Ficha técnica:
título original: Charlie Wilson's War
gênero: Drama
duração: 01 hs 37 min
ano de lançamento:2007
estúdio: Universal Pictures / Relativity Media
distribuidora: Universal Pictures / UIP
direção: Mike Nichols
roteiro: Aaron Sorkin, baseado em livro de George Crile
produção: Gary Goetzman e Tom Hanks
música: James Newton Howard
fotografia: Stephen Goldblatt
direção de arte: Maria-Teresa Barbasso, Brad Ricker e Alessandro Santucci
figurino: Albert Wolsky
edição: John Bloom e Antonia Van Drimmelen
elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Phillip Seymour Hoffman e Amy Adams


Fonte: arquivo pessoal


Insight

Por que Mel Gibson voltou? E por que sentimos falta dele?

O ator revê uma cena com o diretor de O fim da escuridão, Martin Campbell: O bom filho a casa torna


Depois de 8 anos afastado do oficio de atuar, Mel Gibson está de volta. Por quê? Muita gente está se perguntando. Afinal de contas, o ator já não apresenta a bela e atraente aparência, já havia dito que não tinha mais interesse em atuar e como diretor vinha conseguindo relativo sucesso. Os dois filmes que dirigiu na década passada (A paixão de cristo e Apocalypto) se não foram unanimidades de critica, foram galvanizados pelo apelo popular e midiático que os projetos, e Gibson, despertavam.
Para piorar, enquanto esteve afastado das telas, Gibson se envolveu em escândalos em sua vida pessoal (no maior deles, quando detido, dirigindo alcoolizado, proferiu ofensas anti-semitas aos guardas que o prenderam), católico fervoroso, e pai de uma dezena de filhos, separou-se de sua mulher, companheira de 30 anos e enamorou-se com uma estrela russa a qual não só promove a carreira, como adotou o filho dela com outro homem.

The way back to the top
Mel Gibson estava em baixa. Apesar do sucesso comercial de seus filmes como diretor, Gibson parecia relegado ao folclore hollywoodiano. Era motivo de chacota em talk shows, e começava a ser esquecido, tendo em vista que novos astros surgiam e os contemporâneos de Gibson já não ostentavam a força de outrora nas bilheterias.
Contudo, quando Gibson aparece em cena no thriller O fim da escuridão todos esses aspectos tornam-se periféricos. Gibson domina a tela e nos arrebata com sua presença poderosa. A razão oficial do retorno de Gibson é que ele achou um roteiro que não poderia recusar (no caso o roteiro de William Monaghan para O fim da escuridão). Um eufemismo na verdade. Gibson está de volta, primeiro porque depois de um longo retiro sentiu saudades do frisson e do calor hollywoodiano; isso é algo que você pode se afastar, mas não limar completamente da sua vida. Faz parte de quem você é. Em um segundo momento, Gibson está de volta porque não há, hoje, tantos astros capazes de hipnotizar platéias. Capazes de levar multidões aos cinemas escoradas apenas no nome no topo do cartaz. Robert Pattinson faz o que faz porque estrela Crepúsculo. O mesmo ocorre com Daniel Radclife em Harry Potter e Vin Diesel em Velozes e furiosos. Há no cinema hoje, um predomínio das marcas sobre os artistas. Ou seja, Hollywood precisa de Mel Gibson e Mel Gibson precisa de Hollywood. Porque é sempre bom manter as portas abertas.

OSCAR WATCH - Os bastidores da edição de março da Vanity Fair

Todo ano é assim. A maior revista de celebridade e entretenimento do mundo, a americana Vanity Fair, em sua edição do Oscar, escala a internacionalmente tarimbada Annie Liebovitz para realizar um ensaio com a nata hollywoodiana do ano. Com as personalidades que estão gerando Oscar buzz. Como o ensaio é realizado em dezembro e janeiro, há alguns errinhos, mas no geral o pessoal que está convidado para a festa de 7 de março está nesse ensaio que chega às bancas americanas na última dezena de fevereiro. Em Claquete, você confere os bastidores agora!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos atores

Na montagem: George Clooney (amor sem escalas), Colin Firth (Direito de amar), Jeff Bridges (Coração louco), Jeremy Renner (Guerra ao terror) e Morgan Freeman (Invictus)


O venerado

O maior astro entre os indicados na categoria, talvez seja o único, é uma pessoa querida por todos. Aliás, sua atuação está sendo louvada como uma das melhores do ano e de sua carreira.

Prós:
+É a alma do filme de Jason Reitman
+Existe um consenso de que é preciso premiar Clooney novamente, já que ele amadureceu muito como ator desde sua premiação como coadjuvante por Syriana
+A academia pode homenageá-lo, com o Oscar, por seus esforços humanitários e pacifistas. Está recente na memória o teleton (que muitos dos membros da academia participaram) que Clooney organizou para financiar a ajuda humanitária ao Haiti.
+ Nos últimos dois anos foram premiados na categoria atores que já haviam vencido o Oscar anteriormente (Daniel Day Lewis e Sean Penn)

Contras:
- Sua candidatura perdeu um pouco do pique. Os prêmios que recebeu foram todos em dezembro. Com o Oscar em março e o nome de Jeff Bridges como favorito, isso pode pesar
- A política de compensação que impera no Oscar pode prevalecer e favorecer o outrora relegado Jeff Bridges
- Nos últimos dois anos foram premiados na categoria atores que já haviam vencido o Oscar anteriormente (Daniel Day Lewis e Sean Penn)

Indicações anteriores: Melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original por Boa noite e boa sorte em 2006
Melhor ator coadjuvante por Syriana em 2006
Melhor ator por Conduta de risco em 2008
Vitórias anteriores: Melhor ator coadjuvante por Syriana em 2006

A homenagem



Que Morgan Freeman entrega uma atuação formidável em Invictus não há dúvidas. Mas sua nomeação ao Oscar deve-se muito mais a homenagens que a academia se obriga a fazer. A primeira delas é a Nelson Mandela (personagem interpretado por Freeman), a segunda é ao próprio ator, veterano e sempre competente, e por último a Eastwood que sempre emplaca um filme no Oscar.

Prós:
+ Interpreta um legítimo liberal e figura muito querida em Hollywood.
+ Carrega o filme nas costas e o Oscar tem reconhecido atores que fazem isso nessa categoria. Exemplos recentes foram as premiações de Sean Penn por Milk, Daniel Day Lewis por Sangue negro e de Philip Seymour Hoffman por Capote.
+ A maioria dos grandes atores de sua geração tem dois Oscars, seria hora de elevar Freeman a esse patamar

Contras:
- Seu desempenho é o mais convencional dos cinco indicados
- Assim como Clooney já tem um Oscar
- O filme não recebeu grande destaque e a sua indicação, assim como a de Matt Damon, podem ser consideradas distinções suficientes

Indicações anteriores:
Melhor ator coadjuvante por Armação perigosa em 1988, melhor ator por Conduzindo Miss Daisy em 1990, melhor ator por Um sonho de liberdade em 1995 e melhor ator coadjuvante por Menina de ouro em 2005
Vitórias anteriores: Melhor ator coadjuvante por menina de ouro em 2005


The first timer



Que Colin Firth é bom ator, todo mundo sabe. Contudo, o ator é conhecido por gravitar em torno daqueles personagens almofadinhas ingleses, assim como seu conterrâneo Hugh Grant. A primeira indicação ao Oscar chega pela composição de um professor homossexual que afunda em depressão após a morte do amante. A indicação veio pela coragem e pelo despudor da atuação.

Prós:
+ Personagens homossexuais tem rendido bons frutos ao longo dos anos. Tom Hanks, Charlize Theron, Philip Seymour Hoffman são alguns que ganharam o Oscar por papéis dessa procedência.
+ Muitos consideram o melhor e mais consistente trabalho de um ator no ano
+ É a alma do filme de Tom Ford

Contras:
- A pecha de que a indicação já configura em um prêmio pode pesar
- O histórico de comédias românticas pode desfavorecer
- Sean Penn triunfou ano passado ao viver um personagem gay. Dois anos seguidos, seria sair muitoooo do armário para os padrões da academia
- O filme não recebeu indicações em outros quesitos que merecia, um sinal de que não deve-se ter muita esperança

Primeira indicação

O bad boy


Jeremy Renner já estava por aí faz algum tempo. Sempre fazendo cara de mau. Ele recebe a indicação pelo filme mais festejado da temporada. Sua inclusão aqui deve-se mais ao fato da badalação em torno do filme, do que por seus méritos propriamente ditos. Ele faz um tenente casca grossa viciado em adrenalina.

Prós:
+ Integra o elenco do filme mais festejado da temporada
+ Dependendo do desempenho de Guerra ao terror, e de Avatar, pode ser uma forma de fazer “justiça” ao filme de Bigelow, já que não há concorrência com Avatar na categoria
+ Sua performance é arrojada e expansiva. A academia já apreciou isso antes como demonstram as premiações de Forest Whitaker por O último rei da Escócia, Denzel Wasghinton por Dia de treinamento e de Russel Crowe em Gladiador

Contras:
- Tem relativamente pouca experiência em relação aos demais concorrentes
- A pecha de que a indicação já configura em um prêmio pode pesar
- O filme merece prêmios em outras categorias mais do que aqui, como a academia tem pulverizado seus prêmios nos últimos anos, isso diminui as chances de Renner prevalecer

Primeira indicação

The buddy


Jeff Bridges é o favorito absoluto da temporada. Papou a maior parte dos prêmios e o próprio admitiu que o papel em Coração louco é o papel de sua vida. Um cenário perfeito para o Oscar?

Prós:
+ É o favorito na corrida pelo Oscar
+ Pode-se favorecer da política de compensação do Oscar, já que está com 60 anos e perdeu nas quatro vezes anteriores que foi indicado
+ Carrega o filme nas costas e o Oscar tem reconhecido atores que fazem isso nessa categoria. Exemplos recentes foram as premiações de Sean Penn por Milk, Daniel Day Lewis por Sangue negro e de Philip Seymour Hoffman por Capote
+ Se existe uma fila em Hollywood para a consagração, Bridges está no gargarejo

Contras:
- O status de George Clooney pode prevalecer

Indicações anteriores: Melhor ator coadjuvante por A última sessão de cinema em 1971,melhor ator coadjuvante por O último golpe em 1974, melhor ator por Starman em 1984 e melhor ator coadjuvante por A conspiração em 2000

De olho no futuro...

De coronel nazista a psicanalista
Certamente um dos nomes mais festejados desse temporada de premiações, o austríaco Christoph Waltz tem muito trabalho pela frente. E um deles será viver o conterrâneo famoso e criador do conceito da psicanálise, Sigmund Freud, no filme que David Cronenberg prepara sobre a rivalidade entre Freud e seu contemporâneo Carl Yung. Um filme sobre Freud, realizado por Cronenberg com o magnético Waltz (atualmente barbudão) na pele do psicanalista? Quem vai querer perder?

Waltz e um de seus muitos prêmios: Já no clima para viver Freud?


Entre Percy Jackson e High school musical
Não, não é brincadeira. Depois dos rumores que Zac Efron estaria sendo cogitado para protagonizar o reboot que a Sony prepara para a franquia do Homem aranha, e dos efeitos catastróficos que os mesmos tiveram na web, o estúdio iniciou conversas preliminares com o jovem ator Logan Lerman, estrela de Percy Jackson: o ladrão de raios, que estréia semana que vem nas telas brasileiras. Você provavelmente já viu Logan. Ele esteve recentemente no movimentado Gamer com Gerard Butler, em que interpretava uma adolescente vidrado em vídeo-games. Também estrelou a série de tv Jack & Bobby. Foi o Bobby do título. A estratégia da Sony, além de gastar menos (o orçamento do quarto filme do aranha está previsto para algo em torno de U$ 90 milhões, consideravelmente menos do que os U$ 300 milhões do terceiro filme), a Sony tenta catapultar um astro e não abraçar um que goze de alguma rejeição.

Onde fui amarrar minha teia?

De volta com estilo
Dando sequência a cobertura que Claquete está fazendo de Wall Street: Money never sleeps, De olho no futuro... destaca hoje o primeiro trailer e o mais recente cartaz divulgados da produção. Como pode se ver, o novo trabalho de Oliver Stone, como não poderia deixar de ser, transborda estilo.

Se você achou o poster estiloso, repara no trailer...



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Grandes momentos do cinema

Grandes momentos do cinema apresenta hoje dois atores em um de seus melhores momentos. Denzel Washington e Tom Hanks têm dois Oscars cada um. Hanks, inclusive, fatutou seu primeiro por este filme. Trata-se de Filadélfia (Philadelphia, EUA 1993). O filme de Johnathan Demme é um primor sob muitos aspectos. Desde a maravilhosa música de Bruce Springsteen até a direção segura e afinada de Demme. Mas é inegavel que é no forte e conciso trabalho dos atores que reside o maior trunfo do filme. Nessa cena, em particular, isso fica muito visível. Sutil, de ritmo leve e extremamente íntima e sugestiva.
Hanks faz um advogado que prestes a ser promovido a sócio de uma poderosa firma é demitido após ter sido diagnosticado com AIDS. Washington faz seu advogado. Filadélfia foi um dos primeiros filmes a abordar de maneira aberta, honesta e bem sucedida a AIDS e o homossexualismo. O filme é, ainda, um poderoso drama de tribunal. Um filme indispensável para qualquer um que aprecie cinema. Assim como essa poderosa cena que diz muito sobre os personagens, sobre o momento que vivenciam na narrativa do filme e sobre os brilhantes intérpretes que lhe dão vida.