O primeiro beijo, ansiado e tateado, em Azul é a cor mais quente
E a melhor cena de beijo da história do cinema no crivo do editor de Claquete
Filme paradigma: solidão, desejo, paixão e incompreensão. Há muito mais que amor movendo a trama de Brokeback mountain...
A estrutura narrativa da fita é esmerada no melodrama. Uma estratégia adotada por Lee para universalizar sua história. O resultado não poderia ter sido mais feliz. Apesar da fita ter sido banida em alguns países, como a China, O segredo de Brokeback Moutain foi sucesso em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. A pejorativa pecha de “o filme dos caubóis gays” ou “o filme definitivo sobre o amor homossexual” acabou injetando vitalidade no marketing do filme. No inicio do ano de 2006 não se falava em outra coisa dentro do contexto cultural. Era grande a expectativa para o “Oscar que coroaria o filme dos caubóis gays”.
Contudo, o Oscar não coroou o “filme dos caubóis gays” e apimentou de uma vez por todas a condição de Brokeback mountain como filme paradigma. A vitória, até certo ponto surpreendente, de Crash –no limite abasteceu teorias conspiratórias ao passo que mostrou que o marketing, embora seja decisivo, ainda não é definitivo em termos de se apontar um filme vencedor do Oscar. De legítimo e concreto, no entanto, a derrota de Brokeback Mountain só significou uma das últimas surpresas a tomar conta da festa da academia. Em uma noite marcada pelo equilíbrio, Brokeback mountain saiu com os mesmos três Oscars de Crash, King Kong e Memórias de uma gueixa, embora, moralmente tenha se colocado acima de todos esses, independentemente de qual teoria conspiratória seja adotada.
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Não dá para dizer que não ganhar o Oscar fez bem ao filme de Ang Lee, mas certamente não lhe fez mal. Esse infortúnio lhe concederá uma imortalidade negada a Crash, um filme que não expressa sintomas de sua época.
O amor tangenciado em Brokeback mountain não é de propriedade homossexual, embora tenha seus adornos. Ang Lee triunfa ao se negar a realizar um filme que enverede por clichês de gueto ou que se assuma como um cinema de afronta (algo que pode ser festejado por alguns círculos e festivais obscuros, mas que é repudiado por público e crítica especializada).
A história tem valor moral e não evita o clamor pela tolerância que ecoa do lado de cá das telas, mas não faz destes elementos uma bandeira. É sintomático que a platéia se polarize nos extremos do filme. É o sonho de quem produz cinema independente hoje em dia. E mesmo aí, Brokeback mountain é um sucesso. Consegue atingir um público diversificado e ao mesmo tempo se instaura como debate sociológico de uma questão fundamentalmente inerente aos nossos tempos. Mesmo que no fundo seja um romance tão convencional quanto aqueles dos anos 30 que sua avó diz que não se produzem mais atualmente.



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