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domingo, 24 de novembro de 2013

Insight - A sexualidade feminina pelo olhar masculino

Há Pedro Almodóvar e há os outros. Ao longo dos anos, crítica e cinéfilos exaltaram o olhar exercitado pelo cineasta espanhol para as coisas do feminino. A alma da mulher é compreendida em toda a sua paradoxalidade  e complexidade pelo cinema de Almodóvar, diz o senso comum produzido na roda cinéfila. Há quem credite esse atributo invejável à homossexualidade do diretor. É uma tese discutível, mas amplamente aceita. O próprio Almodóvar em diferentes entrevistas, para veículos de diferentes países, estabeleceu uma lógica de morde e assopra. Ora dando vazão à teoria, ora rejeitando-a veementemente.
Mas Almodóvar é, ainda que com esses paroxismos, um consenso. O ano de 2013, no entanto, inseriu um novo componente nesse debate. Como já é notório, o vencedor da Palma de Ouro em Cannes Azul é a cor mais quente (nome nacional da fita escolhido por leitores do AdoroCinema em promoção realizada em parceria com a distribuidora do filme no Brasil), apresenta um romance lésbico com cenas bastante gráficas.
O filme do franco tunisiano Abdellatif Kechiche foi desautorizado pela autora da HQ na qual o filme se baseia. Para a francesa Julie Maroh, Azul é a cor mais quente só atrai interesse para si pelas comentadas cenas de sexo. “Tirem o sexo e ninguém irá querer ver o filme”, bradou. A autora criticou Kechiche que, segundo ela, a teria deixado de fora do processo criativo do longa-metragem. Maroh diz, ainda, que Kechiche filma o romance lésbico com fetichismo, como um voyeur, com pegada heterossexual e não mimetiza em celuloide o sentimento e a visão que ela tangencia, ou quis tangenciar, na obra original. Depois do pronunciamento de Maroh, as atrizes Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos se manifestaram na mídia insinuando que teriam sido manipuladas por Kechiche na feitura do filme. O cineasta, então, rompeu o silêncio e disse que o filme então não deveria ser visto. Depois voltou atrás.

Almodóvar e uma de suas musas, Penélope Cruz, em fotografia da Vanity fair... 

... e Kechiche com suas atrizes exibindo o certificado e Palma de ouro conquistados neste ano

A polêmica em torno de Azul é a cor mais quente faz mais do que por em lados opostos feministas e diretores homens. Stanley Kubrick realizou um bom ensaio sobre sexualidade, e por consequência sobre sexualidade feminina, em De olhos bem fechados. Stephen Daldry, que também gay, fez o excelente As horas, que aborda o universo feminino, e aí obviamente inclusa a sexualidade, com destreza até hoje inigualável. Woody Allen também construiu personagens femininas muito fortes, muito tridimensionais, a Jasmine – do novo Blue Jasmine – honra essa tradição. E feminista que se preze tem ojeriza a Woody Allen.
O novo filme de François Ozon, que também é gay, Jovem e bela, também exibido em Cannes, provocou ira nas feministas. No filme, uma jovem endinheirada resolve se prostituir para viver essa experiência. As feministas acusam Ozon de fetichista, no que o autor se exime por bradar “sou gay” e estar interessado na descoberta da sexualidade pela mulher em tempos muito mais cínicos e permissivos. Há mais de 40 anos, o espanhol Luis Buñuel apresentou proposta similar em A bela da tarde (1967), em que a infeliz esposa, jovem e rica, vivida por Catherine Deneuve resolve se prostituir às tardes enquanto o marido médico trabalha.
Entre fetiche, curiosidade e sensibilidade, a sexualidade feminina parece interessar mais aos cineastas homens do que às mulheres. Salvo Jane Campion, Sarah Polley e circunstancialmente uma ou outra diretora, o cinema carece desse olhar que muito acrescentaria a muito mais plural, complexa e apaixonante sexualidade feminina.

As atrizes de As horas, filme que investiga a fundo o feminino... 

... e Marine Vacth em cena de Jovem e bela, o filme de Ozon que provocou a ira das feministas

domingo, 8 de agosto de 2010

Claquete repercute - O segredo de brokeback mountain

No mês passado um post sobre o filme O segredo de Brokeback mountain, parte integrante de Panorama (mostra que repercute a carreira de um cineasta mensalmente aqui em Claquete), suscitou polêmicas no tópico de comentários. Claquete repercute, devido a importância do trabalho de Ang Lee e seu status quo iria eventualmente abordar o filme no espaço. Contudo, a ideia era de fazê-lo mais adiante, até porque na coluna inaugural o filme escolhido (Crash-no limite) era do mesmo ano do drama de Lee. A polêmica se impôs e precipitou a escolha de Brokeback Mountain.
O filme de Ang Lee foi recebido como o polarizador que se propõe ser no âmago. A história de dois caubóis que se apaixonam no Wyoming dos anos 60 e lutam contra os próprios impulsos e contra o sentimento que se estabelece não foi uma escolha fácil. Heath Ledger não aceitou de pronto o papel de Ennis Del Mar, o homem que entra em litígio com sua consciência em virtude de sucumbir aos clamores da carne. O ator só deu o seu sim para a produção depois de ser encorajado pela então namorada Naomi Watts e pelo amigo Terry Gilliam. Fazer o filme foi outra odisséia, já que a produção independente enfrentou os percalços típicos de um filme dessa procedência, com a agravante de abordar abertamente uma relação homossexual.
O leão de ouro em Veneza chamou a atenção para o filme e contemporizou os ânimos dos mais transtornados. Se premiado em Veneza, a fita não haveria de ser tão chocante. O segredo de Brokeback mountain, de fato, não é chocante. Feito a ressalva de que não é chocante para um espectador sensível e aberto a inflexões desprendidas do conservadorismo que o filme reporta em sua ambientação.

Filme paradigma: solidão, desejo, paixão e incompreensão. Há muito mais que amor movendo a trama de Brokeback mountain...

A estrutura narrativa da fita é esmerada no melodrama. Uma estratégia adotada por Lee para universalizar sua história. O resultado não poderia ter sido mais feliz. Apesar da fita ter sido banida em alguns países, como a China, O segredo de Brokeback Moutain foi sucesso em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. A pejorativa pecha de “o filme dos caubóis gays” ou “o filme definitivo sobre o amor homossexual” acabou injetando vitalidade no marketing do filme. No inicio do ano de 2006 não se falava em outra coisa dentro do contexto cultural. Era grande a expectativa para o “Oscar que coroaria o filme dos caubóis gays”.
Contudo, o Oscar não coroou o “filme dos caubóis gays” e apimentou de uma vez por todas a condição de Brokeback mountain como filme paradigma. A vitória, até certo ponto surpreendente, de Crash –no limite abasteceu teorias conspiratórias ao passo que mostrou que o marketing, embora seja decisivo, ainda não é definitivo em termos de se apontar um filme vencedor do Oscar. De legítimo e concreto, no entanto, a derrota de Brokeback Mountain só significou uma das últimas surpresas a tomar conta da festa da academia. Em uma noite marcada pelo equilíbrio, Brokeback mountain saiu com os mesmos três Oscars de Crash, King Kong e Memórias de uma gueixa, embora, moralmente tenha se colocado acima de todos esses, independentemente de qual teoria conspiratória seja adotada.

Heath Ledger e Michelle Willians se apaixonaram durante as filmagens em movimento contrário ao de seus personagens na trama


Não dá para dizer que não ganhar o Oscar fez bem ao filme de Ang Lee, mas certamente não lhe fez mal. Esse infortúnio lhe concederá uma imortalidade negada a Crash, um filme que não expressa sintomas de sua época.
O amor tangenciado em Brokeback mountain não é de propriedade homossexual, embora tenha seus adornos. Ang Lee triunfa ao se negar a realizar um filme que enverede por clichês de gueto ou que se assuma como um cinema de afronta (algo que pode ser festejado por alguns círculos e festivais obscuros, mas que é repudiado por público e crítica especializada).
A história tem valor moral e não evita o clamor pela tolerância que ecoa do lado de cá das telas, mas não faz destes elementos uma bandeira. É sintomático que a platéia se polarize nos extremos do filme. É o sonho de quem produz cinema independente hoje em dia. E mesmo aí, Brokeback mountain é um sucesso. Consegue atingir um público diversificado e ao mesmo tempo se instaura como debate sociológico de uma questão fundamentalmente inerente aos nossos tempos. Mesmo que no fundo seja um romance tão convencional quanto aqueles dos anos 30 que sua avó diz que não se produzem mais atualmente.


Heath Ledger custou a dar o sim para Ang Lee mas tornou-se uma das grandes forças do filme após tê-lo feito

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Panorama - O segredo de Brokeback mountain


Existem filmes que polarizam atenções e tornam-se atemporais mais pela repercussão social que deflagram do que por sua própria qualidade. A princípio, poderíamos alinhar o décimo filme de Ang Lee, quinto rodado nos EUA, a essa conjuntura. Mas seria apequenar o filme e seu impacto. Para não dizer que estaríamos incorrendo em uma inverdade.
O segredo de Brokeback mountain é, a primazia, um elaborado e poderosíssimo estudo sobre a solidão, suas circunstâncias e vicissitudes. É um melodrama romântico clássico, à parte a particularidade de versar sobre um amor homossexual em uma América repressora, e é um drama sobre personagens às voltas com seus impulsos interiores.
O segredo de Brokeback mountain ajuda a entender, também, algumas obsessões de Ang Lee enquanto cineasta. A dualidade representada entre o desejo (majoritariamente vinculado a sexualidade) e a responsabilidade (seja ela civil, familiar, social ou de qualquer outra ordem). A questão é abordada em outros filmes de Lee, como em O banquete de Casamento (1993), Razão e sensibilidade (1995) e Desejo e perigo (2007), mas nunca é tão bem delineada quanto nesse drama romântico. Mas essa dicotomia não é o único aspecto humano que interessa a Lee e que pauta seu cinema. O cineasta tem um profundo interesse em cercar personagens às voltas com seus demônios interiores. Que se encontrem em conflito. Seja com suas convicções ou com sua própria natureza. Esse aspecto, já bastante visível em seu filme anterior, o blockbuster Hulk (2003), é realçado na figura de Ennis Del mar (Heath Ledger) que entra em litígio consigo mesmo na tentativa de refutar sua essência e a paixão por outro homem que o consome.
Por tudo isso é seguro afirmar que O segredo de Brokeback Mountain é, não só o melhor, mas o mais expressivo trabalho de Ang Lee no cinema. Ter gerado todo o buzz que gerou é uma contingência dos tempos em que vivemos, mas que não diminui a força do filme. Tão pouco o tira de seu esquadro.


domingo, 25 de abril de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 5 - O segredo de Brokeback mountain

“Se você não pode consertar, você tem que suportar!”


Sinopse
Jack Twist e Ennis Del Mar são dois jovens que se conhecem no verão de 1963, após serem contratados para cuidar de ovelhas na montanha de Brokeback. Jack deseja ser cowboy e está trabalhando no local pelo 2º ano seguido, enquanto que Ennis pretende se casar com Alma tão logo o verão acabe. Vivendo isolados por semanas, eles se tornam cada vez mais intímos e iniciam um relacionamento amoroso. Ao término do verão cada um segue sua vida, mas o período vivido naquele verão irá marcar suas vidas para sempre.

Comentário
Um filme que suscitou muita polêmica e atenção à época de seu lançamento. Mas O segredo de Brokeback mountain antes de ser um melodrama romântico ou o filme dos caubóis gays (como é pejorativamente chamado), é das mais contundentes e prolíficas análises sobre a solidão. Solidão no sentido mais amplo e periférico que o termo sugere. Estar sozinho, afinal, pode mais do que qualquer coisa ser um estado de espírito. É essa imposição metafísica que Ang Lee captura com soberba maestria e ritmo. A história de dois homens que vivem uma incendiária paixão em um verão de 1963 e que tornam-se prisioneiros dela é de uma beleza tão fugaz quanto obliqua.
Jack Twist e Ennis Del Mar reagem de forma diferente a essa realidade. Enquanto um é mais receptivo ao sentimento que o consome, e tenta reconquistá-lo sem sucesso em outras relações homossexuais esporádicas, o outro sucumbe a um doloroso litígio com sua consciência.
O elenco está formidável, mas é Heath Ledger quem explode na tela. O ator equilibra-se muito bem no registro de um homem que esconde seus desejos e sensibilidade na virilidade abrutalhada que a sociedade espera dele. Um filme que tem na dimensão da atuação de Ledger sua força bruta.


Prêmios
3 Oscars (direção, roteiro adaptado e trilha sonora); 3 Baftas (filme, roteiro adaptado e ator coadjuvante); 4 Globos de ouro (filme/drama, direção, roteiro e canção original); melhor filme e direção para a associação de críticos de Boston; 3 critic´s choice awards (filme, direção e atriz coadjuvante); Melhor filme, ator e roteiro para a associação de críticos de Ohio; Melhor fotografia e trilha sonora para o círculo de críticos de Chicago; 4 prêmios da associação de críticos de Dallas (filme, direção, roteiro e trilha sonora); prêmio do sindicato dos diretores; 4 prêmios do círculo de críticos da Flórida (filme, direção, roteiro e trilha sonora); 2 independent Spirit awards (filme e direção); 4 prêmios do círculo de críticos de Las Vegas (filme, direção, ator e trilha sonora); melhor filme e direção pelo círculo de críticos de Londres; melhor filme e direção pela associação de críticos de Los Angeles; Melhor diretor e ator coadjuvante pelo National Board of Review; 3 prêmios do círculo de críticos de Nova Iorque (filme, direção e ator); prêmio do sindicato dos produtores; 6 prêmios da associação de críticos de Phoenix (filme, roteiro, ator, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e trilha sonora); 3 prêmios do círculo de críticos de São Francisco (filme, direção e ator); prêmio do sindicato dos roteiristas; leão de ouro em Veneza;

Curiosidades
- Cineastas homossexuais como Gus Vant Sant e Joel Shumacher estavam cotados para dirigir o longa
- O conto no qual o filme se baseia fora publicado originalmente na revista New Yorker
- Heath Ledger tornou-se persona non grata em algumas cidades do Wyoming, onde se passa a história do filme
- Naomi Watts, namorada de Heath Ledger à época, o encorajou a assumir o papel
- Grupos extremistas religiosos relacionam a morte de Ledger a “castigo divino” pelo papel que o ator fez aqui
- Daniel Day Lewis considera a performance de Ledger nesse filme como a mais incrível que ele já assistiu
- Por este filme, Ang Lee foi o primeiro asiático a receber o Oscar de direção
- O segredo de Brokeback Mountain é considerado por várias entidades ligadas ao movimento GLS como o melhor filme sobre a temática homossexual já concebido


Ficha técnica
título original:Brokeback Mountain
gênero:Drama
duração:02 hs 14 min
ano de lançamento:2005
estúdio:Paramount Pictures / Good Machine
distribuidora:Focus Features / Europa Filmes
direção: Ang Lee
roteiro: Larry McMurtry e Diana Ossana, baseado em estória de Annie Proulx
produção:Diana Ossana e James Schamus
música:Gustavo Santaolalla
fotografia:Rodrigo Prieto
direção de arte:Laura Ballinger
figurino:Marit Allen
edição:Geraldine Peroni e Dylan Tichenor
elenco: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Michelle Williams, Anne Hathaway e Randy Quaid
Fonte: arquivo pessoal



quinta-feira, 18 de março de 2010

Contexto

Sobre solidão

Heath Ledger e Jake Gyllenhaal vivem uma grande paixão em O segredo de Brokeback Mountain: O segredo da montanha é que só ali eles não estavam "sós"

Uma das virtudes da estréia na direção de Tom Ford, é justamente a sensibilidade com que ele aborda a solidão. Direito de amar (A single man, EUA 2009) mostra com ritmo lento e contemplativo a forma como um homem reage a perda do grande amor de sua vida. Mais que isso, em Direito de amar, é possível observar a inadequação que marca a trajetória de vida deste homem e a forma como é potencializada pela perda de seu companheiro. George (Colin Firth) perde o parceiro de 16 anos em um acidente de carro. É privado, pela família do namorado, de comparecer ao funeral. A elaboração do luto é dolorosa e vagarosa. George não consegue reerguer-se e enxergar sentido na vida novamente. O tom dramático do registro encontra paralelo em muitas pessoas que cedem a depressão após o fim de um relacionamento. Mas é ainda mais bem sucedido na análise que faz da relação de um homem, que no caso é gay, consigo mesmo. A sexualidade aqui importa muito porque tangencia sentidos e sentimentos que escapam aos heterossexuais. Uma vez que uma pessoal homossexual é muito mais propensa ao isolamento. Essa condição é valorizada no filme. Mais de um personagem faz alusão ao fato com a fala “Somos invisíveis”.

Meryl Streep, Julianne Moore e Nicole Kidman, as mulheres de As horas: em busca de compreensão e conforto emocional


A introspecção sugerida por Direito de amar acompanha uma tendência que se verifica em muitos filmes que abordam a solidão a partir da temática homossexual. No grande sucesso de público e critica O segredo de Brokeback Mountain, a solidão é a maior companheira de dois cowboys que vivem uma paixão a reboque dela. No estupendo As horas, três mulheres em tempos diferentes encontram-se na mesma situação. Incompreendidas e solitárias. Mesmo que tenham fama (caso da personagem de Nicole Kidman), sucesso (caso da personagem de Meryl Streep) ou estabilidade (caso da personagem de Julianne Moore). A solidão pode existir mesmo quando se está acompanhado como no filme de Todd Haynes, Longe do paraíso, onde um casamento de aparências se sustenta pela imposição social. O marido,vivido por Dennis Quaid, (homossexual enrustido) e a mulher, vivida por Julianne Moore, não se compreendem e desgastam-se continuamente, até que um deles decide romper com as aparências. A incompreensão e a solidão foram fortes chamarizes à experiência homossexual vivida pela personagem de Mischa Barton em Assunto de meninas.


Piper Perabo e Jessica Paré se beijam em Assunto de meninas: Os sentimentos se confundem pelo caminho

É lógico que há filmes que abordam a solidão de maneira rica e satisfatória sem fazerem uso da temática homossexual. Contudo, é inegável que alguns dos melhores filmes que se desdobram sobre o tema, partem dessa zona de convergência.





Se você gostou desse artigo e quiser repercutir o tema sob esse ou outros pontos de vista, Claquete recomenda:

Billy Elliot, de Stephen Daldry (Billy Elliot, EUA 2000)
Assunto de meninas, Lea Pool (lost and delirious, EUA 2001)
O segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee (Brokeback mountain, EUA 2005)
C.R.A.Z.Y – loucos de amor, Jean Marc Vallée (CRAZY, CAN/FRA 2005)
As horas, de Stephen Daldry (The hours, EUA 2002)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Filme do dia



Longe do Paraíso

Esse filme do inovador Todd Haynes é em sua estrutura até mesmo conservador para o homem que idealizou Não estou lá e Velvet Goldmine. Contudo trata-se aqui de como respirar ante um conservadorismo sufocante na América dos anos 50. Dona de casa exemplar e guardiã dos bons costumes ocupa destaque na vizinhança. Contudo seu chão começa a ruir a partir do momento em que descobre que seu marido não só não a ama, como é homossexual. Ao se aproximar de um jardineiro negro, se vê ela mesma no centro das fofocas.

Longe do Paraíso é eficiente ao capturar brilhantemente o estado de espirito de uma geração que precede a revolução sexual e que preparava a revolução industrial e cultural que se daria naquele país. A trinca de atores principais, Dennis Quaid como o marido, Dennis Heysbert como o jardineiro e Julianne Moore como a dona de casa agonizante em seu sonho proletário brilham intensamente.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Filme do dia


Beijando Jéssica Stein


Deliciosa comédia romântica que antes da bandeira pró união homossexual ser levantada em Hollywood já abordava a questão com naturalidade impensada. O filme se liberta das amarras que paralisam o gênero e consegue com muita sutileza retratar os conflitos ensejados por uma mulher que busca a felicidade e precisa superar alguns preconceitos no caminho. O legal de Beijando Jéssica Stein é que o filme não toma os rumos que se podia imaginar. É um filme cativante, singelo, sincero e o que melhor lhe pontifica, surpreendente.