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sexta-feira, 22 de março de 2013

Espaço Claquete - A arte da conquista


“Ao longo da história da humanidade, 116 bilhões de pessoas já existiram. Nenhuma sobreviveu”. Com essa elaboração filosófica de espiral pessimista George (Freddie Highmore) se apresenta para os olhos da audiência. A arte da conquista (The art of getting by, EUA 2011) é um filme sobre a melancolia da adolescência quando entra naquela fase em que amadurecer já não é mais uma opção. George é profundamente pessimista. Solitário, com forte veia depressiva, ele não vê propósito em muitas das banalidades da vida, uma vez que estamos todos caminhando para o mesmo fim. “Você vive e você morre. Todo o resto é ilusão”, pensa consigo mesmo ainda antes das primeiras linhas de diálogo surgirem.
Ele, por exemplo, não acredita no propósito de fazer as lições de casa. Recusa-se a desenvolver o potencial acadêmico que seus professores enxergam nele e hesita temerariamente em desenvolver sua aptidão artística. A aproximação com um ex-aluno da escola em que estuda, que é pintor, e, principalmente, de Sally (Emma Roberts), darão uma sacudida nesse universo sem eixo de gravitação que tanto paralisa George.
Escrito e dirigido por Gavin Wiesen, A arte da conquista transpira romantismo na maneira muito bem adornada com que investiga como uma paixão pode ser um elemento catalisador de mudanças providenciais, mas com força suficiente para serem decisivas em nossas vidas.
Com uma trilha sonora recheada de jóias indies, as quais Wiesen dá o devido tempo para cativarem, A arte da conquista se subscreve como um músculo criativo do cinema independente americano. Um dos maiores acertos do filme de Wiesen é ser pop sem deixar de ser profundo. É trabalhar o romance, indubitavelmente o principal mote da fita, sem deixar de oxigenar o conflito existencial de George.
Como o protagonista imerso em uma crise íntima, Freddie Highmore apresenta uma performance contida e cheia de acertos. Já eficiente quando criança, em filmes como Em busca da terra do nunca (2004) e A fantástica fábrica de chocolate (2005), Highmore mostra aqui que à medida que cresce, seu talento cresce junto. Ele não só dignifica George como o preenche de sentido e emoção. Algo crucial em um personagem que não enxerga sentido na vida e não sabe como se posicionar no mundo. Emma Roberts é outra que acerta o tom ao criar Sally, aquela garota que ainda não se decidiu se vai ser a “bitch” ou a “cool girl”. Ela faz com que a personagem, bem menos polida pelo roteiro, fuja à unidimensionalidade.
A arte da conquista é um filme talhado para cativar. Ao argumentar que o amor é aquilo que preenche a existência de sentido, Wiesen praticamente torna seu filme à prova de críticas. 

sábado, 6 de outubro de 2012

Crítica - Procura-se um amigo para o fim do mundo


Deliciosamente e melancolicamente romântico



Não é exagero dizer que Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a friend for the end of the world, EUA 2012) é um dos romances mais originais do cinema contemporâneo. Talvez seja algo surpreendente aponta-lo como um dos melhores filmes da safra americana de 2012. Mas é exatamente o sentimento que fica com o expectador ao fim da sessão deste que é o primeiro filme dirigido por Lorene Scafaria – que já havia escrito o fofo Uma noite de amor e música.
Na trama, o apocalipse é iminente. O que Scafaria faz com sagacidade e sensibilidade é conjugar clichês de uma comédia romântica com o espírito de um road movie para entregar um filme que faz da melancolia um sentimento doce. Não é uma equação fácil. Scafaria dosa o humor – nunca exagerado – de maneira que se apresente como respiro de uma jornada existencial e faz dos tipos que surgem na tela, inclusive os muito bem delineados protagonistas, comentários sobre o que nos faz humanos.
No fundo, seu filme vislumbra algumas respostas para a pergunta “como você gostaria de passar seus últimos dias em vida”? Desse mote incomum, Scafaria pode não tirar uma ressonância profunda das angústias humanas, mas realiza um filme cheio de predicados. Dentre os quais destaca-se o saboroso retrato do nascedouro de um amor. De como apaixonar-se é potencialmente transformador e capaz de preencher o vazio de sentido.
A última tentativa de deter Matilda, o meteoro que se chocará com a Terra, falha. Com a sentença de morte da humanidade decretada, Dodge (Steve Carell), um vendedor de apólices de seguros, é abandonado pela mulher. Desconfortável com a agonizante falta de rotina e propósito que se estabeleceu nos poucos dias que separaram a Terra de seu destino final, ele decide se recolher em seu apartamento. É quando conhece sua vizinha – que já morava no mesmo edifício há três anos – Penny (Keira Knightley). Um tanto espaçosa e desajeitada, mas profundamente generosa, ela será a responsável pela mudança mais profunda na vida de Dodge.
Eles estabelecem um pacto em que ela o ajudará a encontrar o primeiro amor da vida dele e ele a ajudará a rever os pais pela última vez. Na viagem, eles cruzam com tipos estranhos e esquisitos que reagem ao armageddon de maneira diferente. Essa viagem incauta por um EUA em colapso promoverá um estreitamento entre os dois dos mais tenros e belos.
É seguro dizer que a estreia na direção de Lorene Scafaria é promissora. Ela faz um romance atípico, extremamente cativante, que alterna doçura, humor e drama com equilíbrio e espontaneidade. Contribuem para essa condição, as atuações certeiras de Keira Knightley – uma atriz de repertório cada vez mais impressionante – e Steve Carell, que segue mesmerizando por sua capacidade de alternar os tons da atuação como um passe de mágica. É um talento hediondo!
Por fim, Procura-se um amigo para o fim do mundo é o raro tipo de filme que faz da tristeza um instrumento de alegria. Se isso não faz dessa pequena obra prima algo especial, definitivamente é o fim do mundo. 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Claquete repercute - Duo Antes do amanhecer/Antes do pôr-do-sol


Há quem acredite que de todas as artes, o cinema é a mais romântica. A justificativa é de que harmoniza todas as outras e lhe dá viço emocional através da imagem. É um raciocínio pertinente que se transforma em uma ideia ainda mais sedutora se sobreposta ao díptico orquestrado pelo cineasta Richard Linklater. Não era algo premeditado, mas o resultado nos permite atentar à simplicidade de ideias e conteúdos ajustados em dois filmes que se complementam e juntos produzem sentido uníssono, ainda que funcionem maravilhosamente bem separados.

O que Linkater alcança é a sensação de que o cinema pode ser, ao mesmo tempo, sensorial, leve, profundo, romântico, inadequado, pop, cult e sofisticado. Sem prescindir de rearranjos estilísticos e opções estéticas que facilitem a identificação de um cinema bem específico, no caso o panorama independente americano.
No primeiro filme, datado de 1995, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) passam uma noite em Viena com a sombra da certeza de que aquele encontro é definitivo. Existe um tentador charme romântico na ideia da impossibilidade dos desejos, de imaginar o “e se” e Antes do amanhecer é um filme que se impregna dessa atmosfera. É um filme falado. Do tipo que são Closer-perto demais e Cenas de um casamento – outras perolas do cinema que versa sobre relações pessoais e suas bifurcações amorosas.
Juventude, sonhos e maravilhamento são matérias-primas bem adornadas por Linklater e que, na ebulição química que os dois protagonistas apresentam, nos conduzem a um estado de imersão sensorial.
A ideia de retornar àqueles personagens, surgida totalmente do aleatório uma década depois, parecia fazer sentido narrativamente. E fazia. Em Antes do pôr-do-sol (2004), que teve seu roteiro indicado ao Oscar, Linkater divide os créditos do texto com seu par de atores que, na trama, se encontram nove anos depois durante uma excursão à França de Jesse para divulgar um romance. 
O filme segue a mesma estrutura do primeiro, mas cresce dramaticamente ao trabalhar com o conflito entre o que os personagens sonhavam dez anos antes e o que eles eram naquele momento. O que eles almejavam, como guardaram na memória aquele mágico momento desfrutado em Viena e como o ensejo do reencontro lhes afetaria. Em um contexto mais amplo, o segundo filme dialoga com o primeiro, mas também lhe rouba alguns encantos e devaneios. Ainda que o faça de maneira poética – como sugere o título. Não se trata mais da esperança antes do dia chegar e sim das realizações antes da noite cair.
Como experiência cinematográfica, o díptico de Richard Linklater sobeja no afirmamento de que o cinema é um celeiro infindável, desde que bem articulado, para tudo que pode ser pensado – como diria o mestre Stanley Kubrick. 

domingo, 5 de junho de 2011

TOP 10 - Filmes que desconstroem a relação amorosa

O amor é lindo, mas também é doloroso. Para honrar essa explosão sentimental que é o cálice sagrado das relações humanas, o TOP 10 desse mês dos namorados lista dez filmes que desconstroem a relação amorosa. A comédia e o drama se revezam em um ranking que une de Ingmar Bergman a Danny DeVitto. Todos eles dispostos a discutir a relação.




10 – Loucos de amor (She´s so lovely, EUA 1997), de Nick Cassavetes
Maureen acredita que seu ex-marido (Sean Penn) é o amor de sua vida. Um tipo complicado e problemático que não permite que ela se dedique plenamente a nova relação amorosa constituída com Joey (John Travolta). As incidências do destino só deixam essas relações entrepostas ainda mais conflituosas.


9 – Cenas de um casamento (Scener ur ett Äktenskap, Suécia 1974), de Ingmar Bergman

O mestre Ingmar Bergman descontrói o casamento sólido de Johan (Erland Josephson) e Marianne (Liv Ullmann), aquele tipo de casal tão perfeito que gera reportagens sobre ele. Johan e Marianne percebem uma crise silenciosa se levantar da aparente estabilidade. Paixões não declaradas, desinteresse sexual e a deterioração de uma relação parada no tempo não fogem ao escrutino do genial cineasta sueco.



8 – Minhas mães e meu pai (The kids are all right, EUA 2010), de Lisa Cholodenko
Um casal de lésbicas a frente de uma típica família de classe média americana. Esse é o mote, aparentemente subversivo, de uma das comédias mais elogiadas do ano passado. Suspeitas de infidelidade, egos inflamados e esmagados, carência, desatenção e outros pormenores característicos da rotina de qualquer casal constituem a rotina desse vivido pelas atrizes Julianne Moore e Annette Bening.



7 – Simplesmente complicado (It´s complicated, EUA 2009), de Nancy Meyers
Jane (Meryl Streep) foi traída por Jake (Alec Baldwin). O divórcio e a distância entre eles se impuseram. Mas com o tempo, uma nova aproximação se deu. E tudo parecia melhor. Como se posicionar frente a isso? Essa deliciosamente inteligente comédia assinada por Nancy Meyers se incumbe de imaginar algumas respostas.


6 - Amor em cinco tempos (5 X 2, França, 2004), de François Ozon
Ozon faz poesia ao desconstruir a relação amorosa de um casal. O filme começa com Marion (Valeria Bruni Tedeschi) e Gilles (Stéphanie Freiss) se divorciando e evolui (em cinco cortes temporais) até o momento em que se conheceram. Nenhum filme capturou a descompostura romântica com tanta propriedade.



5 – Separados pelo casamento (The break up, EUA 2006), de Peyton Reed
Brooke (Jennifer Aniston) e Gary (Vince Vaughn) viviam verdadeira lua de mel antes de casar. Foi trocar alianças para o conto de fadas terminar. Brooke e Gary que eram só sintonia como namorados, parecem não compreender as demandas um do outro quando casados. O filme assume uma postura corajosa e madura, dentro da seara das comédias românticas, em seu desenlace.



4 - Namorados para sempre (Blue valentine, EUA 2010), de Derek Ciafrance
Como aceitar o fim da relação amorosa? Ainda mais quando essa relação é tudo que a memória afetiva alcança? Esses são alguns dos questionamentos que esse filme pessoal, pesado e intimista que fez sucesso no festival de Sundance de 2010 e que estréia na próxima sexta-feira no país, tenta iluminar.



3 – A guerra dos Roses (The war of the Roses, EUA 1989), de Danny DeVito
Aqui está mais para destruição do que para desconstrução, mas o disparate conceitual não é tão grande assim. Essa comédia de humor negro que mostra um casal mergulhando no pior dos infernos conjugais demonstra como as miudezas do dia a dia são capazes de minar um relacionamento amoroso.
Apesar de fazer graça, o desfecho de A guerra dos Roses é dos mais pessimistas de todo esse ranking.



2 – A história de nós dois (The story of us, EUA 1999), de Rob Reiner
Esse belo filme de Rob Reiner evita o deboche da fita de DeVito, mas preserva o ponto de partida: a fratura na relação proporcionada por idiossincrasias cotidianas. O fim de um ciclo se apresenta para Ben (Bruce Willis) e Kate (Michelle Pfeiffer), mas eles não sabem muito bem como lidar com a montanha de sentimentos que se ergue em suas vidas.
Um filme doído, sincero e que mimetiza muito bem o que atravessam muitos casais mundo afora.



1 – Closer-perto demais (Closer, EUA 2004), de Mike Nichols
Não poderia ser outro filme a encabeçar essa lista. Mais completa a cada revisão, essa obra prima de Mike Nichols foge dos clichês ao violentar os estereótipos de forma apaixonada. Cortante, prolixo e honesto – sem se desviar do componente da crueldade que se nivela à verdade – Closer é o filme que melhor captura a ambiguidade humana no tocante às relações amorosas. O filme, literalmente, as desconstrói com avanços temporais sempre justificados nas escolhas que testemunhamos os protagonistas fazerem. Um filme referencial que cresce de tamanho à medida que se ganha experiência de vida.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Panorama - O segredo de Brokeback mountain


Existem filmes que polarizam atenções e tornam-se atemporais mais pela repercussão social que deflagram do que por sua própria qualidade. A princípio, poderíamos alinhar o décimo filme de Ang Lee, quinto rodado nos EUA, a essa conjuntura. Mas seria apequenar o filme e seu impacto. Para não dizer que estaríamos incorrendo em uma inverdade.
O segredo de Brokeback mountain é, a primazia, um elaborado e poderosíssimo estudo sobre a solidão, suas circunstâncias e vicissitudes. É um melodrama romântico clássico, à parte a particularidade de versar sobre um amor homossexual em uma América repressora, e é um drama sobre personagens às voltas com seus impulsos interiores.
O segredo de Brokeback mountain ajuda a entender, também, algumas obsessões de Ang Lee enquanto cineasta. A dualidade representada entre o desejo (majoritariamente vinculado a sexualidade) e a responsabilidade (seja ela civil, familiar, social ou de qualquer outra ordem). A questão é abordada em outros filmes de Lee, como em O banquete de Casamento (1993), Razão e sensibilidade (1995) e Desejo e perigo (2007), mas nunca é tão bem delineada quanto nesse drama romântico. Mas essa dicotomia não é o único aspecto humano que interessa a Lee e que pauta seu cinema. O cineasta tem um profundo interesse em cercar personagens às voltas com seus demônios interiores. Que se encontrem em conflito. Seja com suas convicções ou com sua própria natureza. Esse aspecto, já bastante visível em seu filme anterior, o blockbuster Hulk (2003), é realçado na figura de Ennis Del mar (Heath Ledger) que entra em litígio consigo mesmo na tentativa de refutar sua essência e a paixão por outro homem que o consome.
Por tudo isso é seguro afirmar que O segredo de Brokeback Mountain é, não só o melhor, mas o mais expressivo trabalho de Ang Lee no cinema. Ter gerado todo o buzz que gerou é uma contingência dos tempos em que vivemos, mas que não diminui a força do filme. Tão pouco o tira de seu esquadro.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Movie Pass

Antes de qualquer coisa, a licença para homenagear uma lenda vida do cinema. Clint Eastwood completa hoje, dia 31 de maio, 80 anos de idade. Esbanjando vitalidade e categoria, Eastwood continua prolífero e ressonante como cineasta. Como ator, encerrou sua carreira com Gran Torino (2008). Segundo Clint, ele abandonou a carreira de ator porque não vê muitos papéis para ele nesta idade. Não deixa de ter razão. Contudo, sua justificativa deixa aberta a possibilidade para que o vejamos como ator mais adiante.
A seção Movie Pass deste mês, em homenagem a essa icônica figura do cinema, destaca um filme fundamental da filmografia do ator e cineasta. As pontes de Madison (The bridges of Madison County, EUA 1996) é essencial para entender o cineasta Clint Eastwood e sua transformação de ator de westerns e filmes B de ação em mestre autoral do cinema mundial.
No filme, atípico até então na carreira de Eastwood tanto como ator quanto como diretor, Eastwood vive um fotógrafo que se apaixona por uma dona de casa interpretada por Meryl Streep. A história de amor vivida pelo discreto Robert Kincaid e por Francesca (mulher casada que só naquele momento vislumbra um ranço de plenitude) é das mais fortes já concebidas pelo cinema. Não há muito que se possa dizer sobre o filme sem se alongar ou ser estraga prazeres. Uma obra que atesta a sensibilidade de Eastwood como cineasta e antecipa o caminho que ele seguiria irreversivelmente após Sobre meninos e lobos (2003). Um cinema mais autoral, focado nos dilemas de seus personagens e permeado por questões existenciais – ainda que elas não estejam no centro de seus filmes. Seja em um romance ou em um filme de guerra, essas questões estão lá.
Mas o que torna As pontes de Madison cult é o fato de Eastwood, auxiliado por uma das melhores performances da carreira de Meryl Streep conseguir tangenciar o dissabor do amor idealizado e conferi-lo perspectiva. Tal qual no espetaculoso Titanic de James Cameron (que seria lançado dali a um ano), o amor eterno só é preservado se não for vivido. Só que neste filme, o entorno dessa conclusão, além de triste e verdadeiro, é dos mais poéticos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Critica - Te amarei para sempre


Pela força das metáforas!
Existem diretores que acreditam piamente na força das imagens. Outros que acreditam na força das idéias. Robert Schwentke, diretor de Te amarei para sempre (The time´s traveler wife, EUA 2009), acredita na força das metáforas. São elas que pautam o filme. Se no romance, do qual o filme foi adaptado, A mulher do viajante no tempo de Audrey Niffenegger, a história era mais imaginativa e as metáforas se impunham com naturalidade, no filme elas são despejadas. Muitas das vezes de forma inconseqüente.
Te amarei para sempre não é um filme ruim. Emociona e é impossível não se cativar pela tragédia de Henry (Eric Bana). Privado de uma vida normal, pois viaja involuntariamente pelo tempo. Henry no momento que vislumbra a chance de amar, se agarra a ela. É algo essencialmente humano.
A despeito de alguns erros de continuidade e algumas solenes omissões do roteiro, Te amarei para sempre funciona como uma boa crônica dos percalços do amor. Do estágio inicial, mera fantasia, até o amadurecimento do sentimento, quando se está pronto para realizar sacrifícios; e também versa sobre a escolha de retornar a fantasia. Contudo, o filme não explora essa linha narrativa a contento. As metáforas que pipocam na tela parecem um capricho intelectual de diretor e roteiristas. Algumas são muito interessantes. Como a de Henry ficar pelado sempre que viaja no tempo, que é bastante eficiente em demonstrar sua vulnerabilidade cada vez que aquilo acontece. Também a que Clare (Rachel McAdams) trai o marido com uma outra versão dele mesmo, mas que pode lhe dar aquilo que ela busca. Essa última, como um sintoma do que acontece nas relações modernas.
Mas essas talvez sejam as duas boas metáforas que surgem no filme. E já vinham do livro. A bem da verdade, a adaptação não foi bem conduzida. Como a história é bonita e edificante, apostou-se cegamente em seu sucesso. Algo que o próprio atraso em lançar a fita (prevista inicialmente para o fim do ano passado), já escancarava não ser o caso.
Misturar elementos de ficção científica a uma história de amor, embora possa causar estranheza para alguns, não é algo novo. Recentemente o roteirista Charlie Kaufman e o diretor Michel Gondry saíram-se muito bem no mesmo território com o inesquecível Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Filme do dia



Eu, meu irmão e a nossa namorada


Filme sensível sobre como nosso coração pode pregar peças vez ou outra. Nesse filme, Steve Carrel faz um sujeito tímido e introspectivo que um belo dia se descobre apaixonado por uma mulher, para algumas horas depois descobrir que ela é namorada de seu irmão. O filme é pontual ao abordar o problema da forma mais serena possível, evitando soluções fáceis. Steve Carrel, que já provara ser muito mais do que comediante em Pequena miss sunshine, novamente tem atuação contida e tocante.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Filme do dia!



Três vezes amor


Uma comédia romântica da nova ordem hollywoodiana. Aquela em que procura ajustar o final feliz a realidade. Em Três vezes amor, um pai (Ryan Reynolds) ás vésperas de um divórcio tenta contar para sua filha sobre os amores de sua vida, sem revelar quem é a mãe da menina. A engenhosidade da narrativa, já que a platéia assume também o lugar da menina (Abigail Breslin)só encontra par na criatividade do roteiro em mostrar como as circusntâncias em que Reynolds se encontrava ajudaram a definir sua vida amorosa e como todas aquelas mulheres que entre idas e vindas passaram por sua vida foram importantes para seu amadurecimento emocional e ele para o delas.
Outro acerto do filme é não paralisar seus personagens na busca do amor ideal. Algo impensável na agitada rotina de hoje, mas que ainda é a tônica dominante nos filmes do gênero. Portanto, Três vezes amor é uma agradável surpresa nesse cenário. Fofo sim, mas com conteúdo de sobra.