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sábado, 9 de novembro de 2013

Perfil - Ethan Hawke

Profissional do cinema


Ele já foi casado com a atriz Uma Thurman, mas não merece que essa seja a primeira frase de um perfil sobre sua pessoa. Ethan Green Hawke, esse texano que completou 43 anos em 6 de novembro, além de ator é escritor (já publicou dois livros) e roteirista indicado ao Oscar (pelo texto de Antes do pôr-do-sol ao lado da atriz Julie Delpy e do diretor Richard Linklater). O que pouca gente sabe é que essa veia literária, artística em estado mais bruto, corre em suas veias, já que é descendente direto do dramaturgo americano Tennessee Williams. O bisavô de Hawke era irmão de Williams. 
A primeira vez que tomamos conhecimento de Ethan Hawke foi em Sociedade dos poetas mortos (1989), aquele belo filme de Peter Weir em que Robin Williams fazia um professor que tentava transmitir o carpe diem para seus alunos. Hawke era um dos jovens atores que faziam os alunos, ao lado de Josh Charles e Robert Sean Leonard. É, inegavelmente, o que se deu melhor em Hollywood. Mas por se dar melhor não se quer dizer que adentrou o sistema como um astro. Isso nunca esteve na carta de intenções do ator que transita entre produções comerciais e independentes.
Nesse sentido, Antes do amanhecer (1995) foi o divisor de águas em sua carreira. O filme que se resume a dois atores conversando sobre vida e amor em uma passagem por Viena acertou em cheio o coração da cultura pop como algo novo, cheio de originalidade e força criativa. Hawke já havia participado, inclusive, de produções indicadas ao Oscar como Quis show – a verdade nos bastidores (1993) e em produções surpreendentes como Vivos (1992), mas foi com aquele filme despretensioso, mas cheio de alma que se projetou no cinema. Na sequência viria o casamento com Uma Thurman, sua parceira em uma das melhores ficções científicas dos anos 90, Gattaca – a experiência genética (1997). No ano seguinte, ele voltaria a colaborar com Richard Linkalater em Newton boys – irmãos fora da lei. O protagonismo já era uma realidade em filmes como Neve sobre os cedros (1999) e Hamlet (2000), moderna e mal sucedida versão de Shakespeare.

 1- Hawke, jovem, em foto Capricho; 2 - erguendo os punhos, ainda jovem, e fazendo cara de mau; 3 - ao lado de Uma Thurman, com se casaria após pedir duas vezes, em Gattaca e 4 - em foto deste ano para o jornal  britânico Guardian


A primeira, e até o momento única indicação ao Oscar como ator, veio pelo papel de coadjuvante em Dia de treinamento em que dividiu  a cena com Denzel Washington, premiado pelo filme


Richard Linklater novamente acionou Hawke para um projeto experimental. Waking life (2001) era um misto de animação e live action repleto de filosofia e angústias existenciais. No ano seguinte, viria a primeira indicação ao Oscar por Dia de treinamento (2001), em que antagoniza com Denzel Washington em um policial fervoroso de Antoine Fuqua.

Indo além?
Nessa última década, Hawke tem se mostrado mais polivalente. Além de escrever roteiros, mergulhar em filmes com propostas diametralmente opostas e debutar na direção, o ator tem apostado em um gênero que começa a demonstrar potencial de crescimento. O terror independente. Com filmes como A entidade (2012) e Uma noite de crime (2013), estreia deste mês nos cinemas brasileiros, Hawke é o primeiro dos atores de prestígio a colocar-se à prova nesse filão. Em 2013, ele esteve nos cinemas também em Antes da meia-noite, terceiro (e último?) arco da história iniciada com Antes do amanhecer.
A estreia na direção foi em 2006 com Um amor jovem. O roteiro, também de autoria de Hawke, é uma sintetização por vezes feliz da trilogia de Linklater. Foi seu único trabalho como diretor lançado comercialmente, ainda que ele já tenha dirigido outras coisas.
Filmes como O senhor das armas (2005), Roubando vidas (2001), Nação fast food – uma rede de corrupção (2006) e Antes que o Diabo saiba que você está morto (2007) são provas fidedignas da versatilidade do ator em matéria de cinema. Justamente por isso, muita gente não entendeu o porquê dele dividir a cena e o topo do cartaz com a estrela teen Selena Gomez em Getaway, seu filme mais comercial do ano e, também, seu maior fracasso em 2013.

Fim de caso? Ao lado de Julie Delpy em Antes da meia-noite: a ideia de um quarto filme agrada ao ator

Atualmente casado com Ryan Shawhughes-Hawke, que foi babá de seus filhos com Uma Thurman, Hawke segue com uma carreira regular, sem muitos altos e baixos. Disse em entrevistas recentes que está mais interessado em Shakespeare, que se arrepende de ter casado muito jovem e que não entende como nos EUA o sexo pode assustar mais do que a violência no cinema.
Sem querer produzir sentido com sua carreira, mas ciente de que está em uma posição em que pode escolher projetos pelos parceiros com quem quer trabalhar, pelos roteiros ou simplesmente pelo dinheiro, Hawke se configurou em um operário do cinema americano. Em toda a liberdade, mas também com todo o confinamento que o termo tem a oferecer.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Claquete repercute - Duo Antes do amanhecer/Antes do pôr-do-sol


Há quem acredite que de todas as artes, o cinema é a mais romântica. A justificativa é de que harmoniza todas as outras e lhe dá viço emocional através da imagem. É um raciocínio pertinente que se transforma em uma ideia ainda mais sedutora se sobreposta ao díptico orquestrado pelo cineasta Richard Linklater. Não era algo premeditado, mas o resultado nos permite atentar à simplicidade de ideias e conteúdos ajustados em dois filmes que se complementam e juntos produzem sentido uníssono, ainda que funcionem maravilhosamente bem separados.

O que Linkater alcança é a sensação de que o cinema pode ser, ao mesmo tempo, sensorial, leve, profundo, romântico, inadequado, pop, cult e sofisticado. Sem prescindir de rearranjos estilísticos e opções estéticas que facilitem a identificação de um cinema bem específico, no caso o panorama independente americano.
No primeiro filme, datado de 1995, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) passam uma noite em Viena com a sombra da certeza de que aquele encontro é definitivo. Existe um tentador charme romântico na ideia da impossibilidade dos desejos, de imaginar o “e se” e Antes do amanhecer é um filme que se impregna dessa atmosfera. É um filme falado. Do tipo que são Closer-perto demais e Cenas de um casamento – outras perolas do cinema que versa sobre relações pessoais e suas bifurcações amorosas.
Juventude, sonhos e maravilhamento são matérias-primas bem adornadas por Linklater e que, na ebulição química que os dois protagonistas apresentam, nos conduzem a um estado de imersão sensorial.
A ideia de retornar àqueles personagens, surgida totalmente do aleatório uma década depois, parecia fazer sentido narrativamente. E fazia. Em Antes do pôr-do-sol (2004), que teve seu roteiro indicado ao Oscar, Linkater divide os créditos do texto com seu par de atores que, na trama, se encontram nove anos depois durante uma excursão à França de Jesse para divulgar um romance. 
O filme segue a mesma estrutura do primeiro, mas cresce dramaticamente ao trabalhar com o conflito entre o que os personagens sonhavam dez anos antes e o que eles eram naquele momento. O que eles almejavam, como guardaram na memória aquele mágico momento desfrutado em Viena e como o ensejo do reencontro lhes afetaria. Em um contexto mais amplo, o segundo filme dialoga com o primeiro, mas também lhe rouba alguns encantos e devaneios. Ainda que o faça de maneira poética – como sugere o título. Não se trata mais da esperança antes do dia chegar e sim das realizações antes da noite cair.
Como experiência cinematográfica, o díptico de Richard Linklater sobeja no afirmamento de que o cinema é um celeiro infindável, desde que bem articulado, para tudo que pode ser pensado – como diria o mestre Stanley Kubrick. 

terça-feira, 31 de maio de 2011

Panorama - Antes que o Diabo saiba que você está morto


Sidney Lumet rodou, aos 82 anos, um dos filmes mais importantes de sua filmografia. Não por que Antes que o Diabo saiba que você está morto se revelaria seu derradeiro filme, mas porque a obra está impregnada do DNA desse gigante do cinema. Aferindo viço e propriedade narrativa a uma trama de assalto com forte componente de tragédia familiar, Lumet – em seu rigor técnico – potencializa as fronteiras do filme.
Ao optar por uma narrativa fracionada, o diretor destrincha expectativas e constrói um sentido mais amplo dos dramas daqueles personagens. Permite, também, que seu filme se revele surpreendente quando a cotação de reviravoltas já se presume esgotada.
Seguro na direção de atores, Lumet filma Marisa Tomei com sensualidade esbanjadora e exige entrega de Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke, seus protagonistas.
A moralidade volta a permear a obra do cineasta. Os dois irmãos que decidem roubar a joalheria dos pais e veem, depois do fracasso do plano, o desmoronar de suas vidas não fogem ao escrutínio da lente de Lumet. As escolhas de todos os personagens são grafadas pelo diretor em um impactante conto moral que não termina com nenhum tipo de redenção.

sábado, 13 de março de 2010

De olho no futuro...

Nolan fala!
Com a ansiedade, de público e crítica, pelo novo filme do Batman estourando e a responsabilidade pela reimaginação do Superman no cinema, o peso sobre os ombros de Christopher Nolan não deve estar mole. Mas ao site Latino Review, para o qual falou sobre os dois projetos em entrevista exclusiva, o diretor mostrou entusiasmo. Nolan disse que “sabe como fazer certo” e que ele e David Goyer (roteirista) estão trabalhando em uma história sensacional para o homem de aço. Sobre Batman, o diretor alertou que o terceiro filme será épico e que, justamente por isso, deverá ser o último. “O cinema não funciona como as HQs. É bom ter um fim em mente”, advertiu Nolan que avisou que seu irmão, Jonathan, está trabalhando no roteiro do filme.


Sem Daniel San
Karatê kid fez parte da vida de quem foi criança ou adolescente nos anos 80. O clássico que trazia o desajeitado Daniel San e o calmo sr. Miyagi rendeu quatro filmes. O último estrelado por uma então desconhecida Hillary Swank. Na febre oitentista que acometeu Hollywood (Rambo, John McLane e Rocky Balboa já voltaram, sem falar nos brinquedos de Transformers e comandos em ação), um remake de Karatê Kid já está pronto para sair do forno. Com Jackie Chan e o filho de Will Smith, Jaden Smith, a frente do elenco, o novo filme que por um breve tempo os produtores negaram que se tratasse de um remake do clássico dos anos 80, aproveita o mesmo mote do original. Atualiza a história e globaliza o elenco. Dirigido por Harald Zwart (do quase engraçado A pantera cor de rosa 2), o novo Karatê Kid estréia, nos EUA, em junho .

Jack ensina Jaden a arte de fazer filmes com Chris Tucker... ops


Edgar J.Hoover na mira de Eastwood
E Clint Eastwood não quer saber de parar de trabalhar. O diretor está finalizando a pós-produção de seu novo filme, Hereafter, protagonizado por Matt Damom e roteirizado por Peter Morgan (roteirista de A rainha e Frost/Nixon), e já discute seu próximo projeto. Clint acaba de assumir a direção de um filme, ainda sem título, sobre a vida de J.Edgar Hoover, um dos articuladores e patronos da criação do FBI (a polícia federal americana). A produção será de Brian Grazer e Ron Howard que já produziram Eastwood em A troca e o roteiro (que já está pronto) é de Dustin Lance Black, roteirista oscarizado por Milk – a voz da igualdade.
Hoover recentemente foi retratado de maneira caricatural por Michael Mann em seu Inimigos públicos. Na ocasião, o patrono do FBI foi vivido pelo ator Billy Crudup.


De volta ao habitat
Antoine Fuqua, diretor do intenso Dia de treinamento, volta a abordar a relação de policiais com a corrupção, em Atraídos pelo crime (Brooklyn´s Finest). O filme, que estreou no fim de semana passado nos EUA, traz no elenco Richard Gere, Wesley Snipes, Don Cheadle, Will Patton e Ethan Hawke (que trabalhou com Fuqua em Dia de treinamento). Depois de reimaginar a lenda do rei Arthur no filme estrelado por Clive Owen e colocar Bruce Willis na Nigéria para resgatar Mônica Bellucci em Lágrimas do sol, Fuqua volta a seu habitat natural com Atraídos pelo crime que estréia dia 2 de abril no Brasil. Enquanto espera, confira o trailer.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Cenas de cinema

Se tranquem no armário
Vira e mexe Hollywood abraça a causa gay. Depois de ter algumas celebridades defendendo abertamente a união homossexual (como os héteros Brad Pitt e Sean Penn) e filmes de grande apelo popular que legitimavam a questão (como O segredo de Brokeback Mountain e Milk – a voz da igualdade), ainda há quem desconfie de toda essa boa vontade. O ator Rupert Everett, o eterno George de O casamento do meu melhor amigo, que é gay assumido, declarou essa semana ao jornal inglês The Guardian que ser gay é sinônimo de insucesso em Hollywood. Ou melhor, ser gay assumido é sinônimo de insucesso. “Honestamente, não aconselharia nenhum ator, se ele realmente está pensando em sua carreira, a sair do armário”. A declaração de Everett denota duas coisas. A primeira é o rancor de um ator que tinha tudo para estourar depois de sua consagradora participação no filme estrelado por Julia Roberts e não estourou. A segunda é uma má percepção do estado das coisas (o que talvez ajude a explicar seu infortúnio). Nunca artistas gays e personagens gays foram tão badalados. Só nessa década, 20 interpretações de personagens homossexuais foram indicadas ao Oscar. E gente gay assumida tem trabalhado bastante e conquistado sucesso de público e critica como mostram os exemplos dos diretores Bryan Singer, Gus Vant Sant e do ator Ian McKellen.



O ator e encantado, o personagem afetado que dá voz nos filmes de Shrek: Estigma?

Um ator fino
Contudo, não se pode dizer que Rupert Everett seja mau ator. Pelo contrário, é carismático, charmoso, elegante e, a despeito disso tudo, não teve grandes oportunidades de provar talento dramático. Fora seu grande momento ao lado de Julia Roberts, dividiu a cena com Madonna em Sobrou para você e fez outras comédias românticas bobinhas como O marido ideal e Surpresas do coração. Participou como convidado de algumas séries de tv, mas não foi longe. Uma explicação para isso pode ter sido a dificuldade de público, critica e, principalmente, indústria em dissociar Everett da imagem de George. Seus personagens são sempre o fino. Sofisticados, pose glacê, ligeiro charme cafajeste e uma leve acentuação homossexual, quando não gays por completo. Isso tem mais a ver com seu mais bem sucedido personagem do que com sua, deverás, opção sexual.

Amor que é amor é eterno
Por falar em declarações fora de propósito, Uma Thurman fez a dela. A atriz, ás vésperas de seu casamento com o empresário franco-argeliano Arpad Busson, declarou que ainda tem “sentimentos” por seu ex, Ethan Hawke. Uma não foi específica em relação a que sentimentos seriam esses, mas também não precisava. Que outros sentimentos seriam adornados com tamanho mistério e tão coloquial depoimento? Busson é que, como qualquer outro namorado, não deve ter gostado nada de saber disso. Principalmente, por que todo mundo ficou sabendo junto com ele.


Ele é um ícone! Também para Obama.
Obama recebeu o Nobel da Paz e saiu distribuindo honrarias por aí. E um dos agraciados foi o ator Robert De Niro. O astro, junto com outros grandes nomes da cultura americana, como o cantor Bruce Springsteen, receberam do presidente o prêmio honorário denominado Kennedy center honors. Esse é um prêmio de americanos para americanos, destinado a prestigiar verdadeiros ícones ianques. E De Niro certamente é um deles. Nada mais justo.

Obrigado senhor presidente...

sábado, 18 de julho de 2009

Para quem tem "sede" de vampiros...

Daybreakers, ainda sem data de lançamento e nome nacionais, explora um futuro alternativo em que os seres humanos, em menor número são, não só presas ocasionais, mas caçados avidamente por vampiros para compor um banco de sangue e por consequêcia a perpetuação da espécie. Como não poderia deixar de ser, há um foco de resistência humana que visa frustrar as pretensões vampirícas e devolver o planeta a "quem" lhe é de direito. O trailer é bastante promissor e o filme traz bons nomes como Ethan Hawke, Sam Neil e Woody Harrelson. Além dos dentuços, claro, que são a grande febre do momento.

Abaixo, o Trailer do filme: