sábado, 27 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Ponto final
“Como todos os filmes de Meyers é mais um pornô de designers interiores do que algo sobre emoções humanas e é muito longo.” Helen o´ hara da revista Empire
“Simplesmente Complicado é o incrível tipo de entretenimento voltado para adultos que certa vez pautou Hollywood” Kevin Maher do jornal inglês Times
“Um filme refinado, equilibrado e eminentemente engraçado, apresentando três sublimes atuações de seus incrivelmente talentosos atores”, de Giles Hardy do site Commingsoon.net
“Posto de forma simples, Simplesmente complicado é um estouro”, de Lisa Kennedy do jornal Denver Post
“Simplesmente complicado libera um Alec Baldwin que ainda não conhecíamos”, Wesley Morris do jornal Boston Globe
“A verdade é que todo mundo precisa de um mimo, o que poderia ser a chave para o peculiar talento da Senhora Meyers: Ela mima sua audiência desavergonhadamente”, Manohla Dargis do New York Times
“A comédia romântica sobre um casal divorciado tendo um caso consegue ser ao mesmo tempo entretenimento suave e entregar algo para se refletir” Michael O´sillivan do Washigton Post
“Meyers demonstra, como ela fez em Alguém tem que ceder e O amor não tira férias, uma limitadíssima visão de mundo” Mary F. Pols da revista Time
“Essa é uma zona de conforto para tantos espectadores, mesmo os personagens não sendo mais reais do que modelos em anúncios da Vanity Fair” Kirk Honeycutt do jornal Hollywood Reporter
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Critica
Jogo de adultos: dilemas amorosos não conheçem limites no novo filme de Nancy MeyersA dinâmica das relações amorosas sempre interessou Nancy Meyers. Em Simplesmente complicado (It´s complicated EUA 2009), a cineasta pondera sobre uma questão que aflige muitos ex-casais. E se ainda houver faíscas? Nossa história realmente acabou? É lógico que o escopo de Meyers é muito maior, mas a grande questão do filme é: Podemos nos apaixonar de novo por uma mesma pessoa em um momento diferente da vida?
O filme, para lá de charmoso (o que já é referência no cinema da diretora), mostra como Jane (Meryl Streep, encantadora como de hábito) lida com essa questão. Depois de 10 anos divorciada de seu ex-marido, Jake (um espetacular Alec Baldwin), eles começam a se envolver romanticamente de novo. A conturbada história entre os dois (que não é mostrada, apenas mencionada), de traição, desprezo e desconforto parece diminuir ante a atração mútua. Para complicar o cenário, Jake está casado com a mulher que fora sua amante antes e um arquiteto boa pinta, vivido com retidão por Steve Martin, começa a demonstrar interesse em Jane. As bifurcações, as simplificações e as complexidades que movem esse mezzo triângulo mezzo quadrado amoroso, que se equilibra em afinidades e valores tanto quanto em desilusões e frustrações comuns, são o que movimentam o filme de Meyers. Ela extrai humor de quase todas as cenas e conta com o inestimável esmero de seu elenco. Inspiradíssimo.
Alec Baldwin é o destaque de um elenco em grande formaEm última análise, Simplesmente complicado é um filme que pretende entreter, divertir e servir também como material de reflexão. Não é fácil atingir todos esses objetivos, mas Nancy Meyers consegue. Entrega seu filme mais elaborado como diretora. Com um roteiro repleto de tiradas tão irônicas quanto inteligentes e uma solução tão plausível quanto agradável. O filme mostra, a despeitos dos já notáveis avanços, que o cinema de Nancy Meyers ainda vai longe. Muito longe.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Complicadinhas
Simplesmente complicado é daqueles filmes que te fazem ter vontade de se apaixonar. Porque mostra o quão relacionado à idéia de felicidade, o fato de estar amando está. O amor como ponto de fuga da zona de conforto, da apatia, do politicamente correto, do datado, do desromantizado, do convencional, do peculiar; enfim é o filme que dá sentido a expressão “amar é padecer no paraíso!”
E se...
Simplesmente complicado também é o filme que ajuda a dimensionar uma corriqueira questão para aqueles que enfrentaram divórcios. Ainda mais para os que têm filhos em conjunto. E se? E se eu tivesse tentado por mais tempo? E se tivéssemos feito diferente? E se eu ainda fosse casado com ele (a)? A solução do filme, obviamente, não é a que todo o casal chegaria. É a mais passível para aquele ex-casal vivido com gosto e energia por Alec Baldwin e Meryl Streep.
Meryl e Alec: Essa vida que vivemos...Os filmes de Nancy Meyers sempre são pautados por um som de bossa nova. Em Alguém tem que ceder temos até mesmo uma canção de Maria Rita no filme (que também aparece em Closer, outro filme sobre relacionamentos. Coindidência?). Em Simplesmente complicado a bossa nova, em ritmo bluzeiro, dá o tom dos personagens e do estado de espírito deles. É ao ritmo da bossa de pegada bem brasileira que eles vão tocando suas relações.
Um ator contido
Todo mundo sabe que Alec Baldwin é o dono do show aqui. O ator tem as melhores falas, o personagem mais divertido e as melhores cenas. Mas Steve Martin é um show a parte. Contido, na pele de um arquiteto tímido e ainda abalado por seu divórcio, Martin surpreende aqueles que estão acostumados a seus cacoetes mais notórios como comediante em filmes como A pantera cor de rosa e Doze é demais. Em Simplesmente complicado ele faz rir sim, mas com muito mais charme.
Martin em cena com Meryl: The unusual wayJohn Kracinski cresceu muito com seu personagem Jim na série americana de sucesso, The Office. A partir de então, conseguiu bons papéis em filmes como O amor não tem regras e nesse Simplesmente complicado. Aqui, em um papel menor, ele chama muito a atenção e brilha tanto quanto os veteranos Alec Baldwin e Steve Martin. Em aparições simples, bem humoradas e carismáticas.

Para quem gosta de Manoel Carlos
Simplesmente complicado é um filme indicado para quem aprecia o texto do noveleiro Manuel Carlos. Isso não é demérito, muito menos uma critica negativa. Meyers contempla a mesma classe social e os mesmos dilemas amorosos e sociais que o autor perpassa em sua dramaturgia. E o senso de humor dos dois é muito parecido. Confira e tire a prova dos nove.
Laços de família: Não! Não é a novela das oito...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Por que Meryl?

“Ela simplesmente domina qualquer cena em que participe e te faz acreditar em qualquer coisa que queira que você acredite”, disse certa vez Reneé Zellwegger parceira de Meryl no filme família Amor verdadeiro, por coincidência outro papel que levou Streep ao Oscar. “Não é fácil chegar na terceira idade no meio de um triangulo amoroso”, lembrou o critico de cinema Roger Ebert em sua resenha sobre o filme, “mas é fácil acreditar que um dos elementos seja Meryl”.
Ebert ajuda a elucidar a questão. Depois de expor o corpo de Diane Keaton e a bunda de Jack Nicholson em Alguém tem que ceder, Nancy Meyers mostra a libido de uma mulher que a sociedade determina que já não deveria ter. Mostra também um pouco mais de Alec Baldwin do que você poderia querer ver. E Meryl Streep além de ser capaz de emular todas as nuanças pretendidas por Nancy Meyers, consegue fazer de um Alec Baldwin em pêlo, uma coisa tolerável de se assistir.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - No cinema depois dos 40
De qualquer maneira essa percepção dominante não é monopólica. Há hoje, principalmente na tv americana, uma preocupação para com um público mais interessado em reflexões sobre o tempo e o lugar que ocupam do que exatamente sobre a forma como o assassino premeditou todo o crime.
Courtney Cox no cartaz promocional de sua série: 40 é o novo 20Faz sucesso no horário nobre americano a comédia Cougar Town. Estrelada por Courtney Cox, a série versa sobre uma quarentona divorciada que procura sexo casual e satisfação emocional em relacionamentos com homens mais jovens. O novo filme de Nancy Meyers, Simplesmente complicado, mostra uma mulher madura que se divide entre uma recaída pelo ex-marido e os mimos do vizinho arquiteto que secretamente sempre alimentou uma paixão por ela. A própria Nancy Meyers, há alguns anos atrás, já tinha feito um filme sobre o fato de apaixonar-se na terceira idade, Alguém tem que ceder.
Jack Nicholson e Diane Keaton em cena de Alguém tem que ceder: Nunca é tarde para amarO filme francês, de grande repercussão na critica mundial, Medos privados em lugares públicos versa sobre os relacionamentos pessoais. De toda a ordem e natureza. E vai além. Se ocupa principalmente das omissões, receios e temores que ditam os vínculos sociais e amorosos. A galeria de personagens do filme de Alain Resnais compreende personagens maduros e jovens, e as distinções entre eles são mais sutis do que se pensa a principio.
No entanto, filmes e séries com essa premissa se comunicam com um público específico e que apresenta uma sensibilidade que permite inflexões cômicas (que flertem perigosamente com o mau gosto, caso da série protagonizada por Courtney Cox), casuais (que pretendem entreter com conteúdo, caso da nova comédia de Meyers), ou mesmo dramáticas, (que procuram investigar filosófica e psicologicamente a dinâmica das relações pessoais nessa faixa de idade, caso do filme de Resnais). De qualquer maneira, há mais gente sendo ouvida e contemplada pelo cinema.

No filme de Resnais as incertezas são mais decisivas do que o desejável: Somos as sombras de nossos medos
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Sofisticação e inteligência: um cinema do feminino
Aos 60 anos de idade, a diretora lança seu quinto filme como diretora, o quarto desde o inicio dos anos 00. Simplesmente complicado, um filme sobre uma mulher madura que se descobre apaixonada novamente pelo ex-marido, traz todos os elementos que são característicos do cinema da diretora. Desde os anos 80, ela construiu, como roteirista, uma filmografia intimamente ligada a temas femininos, sempre pelo prisma do humor. Foi indicada ao Oscar logo por seu segundo roteiro, A recruta Benjamin de 1980, filme estrelado por Goldie Hawn que virou série de TV.

Escreveu os roteiros de comédias de sucesso como Adoro problemas (1994) e os dois exemplares de O pai da noiva (1993 e 1997). Desenvolveu uma parceria com o diretor e produtor Charles Shyer, que dirigiu muitos de seus roteiros e foi grande incentivador de que passasse a direção.
Com sucessos de bilheteria no currículo como Do que as mulheres gostam, Alguém tem que ceder, O amor não tira férias e Simplesmente complicado, que junto com Sherlock Holmes, Avatar e Alvin e os esquilos 2, garantiu o recorde de maior bilheteria em um fim de semana da história no natal de 2009, a valeram o título de diretora mais rentável do cinema. Isto é, nenhuma mulher arrecada mais dinheiro do que ela nesse negócio. Com 5 filmes no portfólio ela já deixou para trás veteranas como Penny Marshall e Nora Ephron.
Por que você vai ver um filme de Nancy Meyers? Porque é garantia de que você verá entretenimento de classe. Com inteligência, bom humor, sofisticação e categoria. Elementos que todo mundo preza em um bom filme. Principalmente as mulheres.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Ele está com tudo e está muito prosa

Ao lado de Mark Walhberg em cena de Os infiltrados: Ele sabe fazer o tipo durão, mas também sabe ser graciosoSeja como um ex-marido arrependido (Simplesmente complicado), como um assassino frio e calculista a mando da máfia (A jurada), como um advogado nobre e ansioso (O julgamento de Nuremberg), ou como um executivo pilantra (As loucuras de Dick e Jane). Como protagonista, como coadjuvante ou em uma ponta de luxo, Alec Baldwin agrega qualidade e status a qualquer projeto. Ele sabe disso e todo mundo que trabalha com ele também. Em mais uma demonstração de apelo e reconhecimento, o ator foi convidado para ser o host, ao lado do amigo Steve Martin, da 82ª segunda cerimônia do Oscar. Alec Baldwin está com tudo, já há algum tempo, e está muito prosa com seu status quo em Hollywood.

Alec e o elenco da multipremiada 30th Rock: A comédia como porto seguro
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - O que afinal é complicado?
Nancy Meyers lançou mão de algumas estratégias certeiras.
A primeira delas foi escalar uma atriz que está acima do bem e do mal para fazer a protagonista. Meryl Streep é a pedida ideal para dar vida a uma mulher bem sucedida na fase da vida que se encontra e que se permite os prazeres da vida.
A segunda delas foi escalar dois dos comediantes mais festejados da atualidade na América, Alec Baldwin e Steve Martin, mas que quando necessário sabem segurar bem as pontas dramáticas de um personagem, como já mostraram em The cooler-quebrando a banca e Garota da vitrine, respectivamente.
Meryl Streep e Alec Baldwin em cena do filme: Diálogo com um público carente por reflexões sobre relacionamentos
Mas o maior acerto de Meyers foi manter-se fiel a sua visão. E evoluir dentro de sua obra. Depois de mostrar um homem que aprendeu a entender que o universo não gira a seu redor e que as mulheres precisam ser ouvidas em Do que as mulheres gostam, de mostrar que é possível se apaixonar pela primeira vez, mesmo quando se acredita já ter passado desse momento, em Alguém tem que ceder, e que o amor pode ser o melhor dos remédios para a baixa auto- estima em O amor não tira férias, Meyers quer mostrar agora que os vínculos entre duas pessoas são muito mais complexos do que se imagina e que nossas convicções e desejos podem mudar sim, e não há nada de errado nisso. Pelo menos no que concerne o campo amoroso.
“Eu tive um divórcio bem difícil, diz Alec Baldwin em entrevista a Entertainment weekly, “as vezes eu sento e penso que talvez, eu pudesse ter tentado mais”. A referência ao litigioso divórcio que teve com a atriz Kim Basinger demonstra que Meyers acertou no ponto, conquistou seus atores e tem uma platéia ávida por inflexões sobre o tema no cinema.