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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - A peleja dos filmes

1- A invenção de Hugo Cabret, 2- O homem que mudou o jogo, 3 - A árvore da vida, 4- O artista, 5 - Histórias cruzadas, 6 - Os descendentes, 7 - Tão forte e tão perto, 8 - Cavalo de guerra, 9- Meia-noite em Paris



O BBB

É compreensível o tipo de preconceito que filmes como Histórias cruzadas despertam em cinéfilos e espectadores mais sofisticados, mas a fita de Tate Taylor é aquele filme de comunhão popular difícil de se desvencilhar. É um dramalhão, é edificante, é manipulador, mas é, também, estranhamente sincero em suas pretensões. Com a ajuda de um elenco coeso e de muito brilho, Histórias cruzadas chega ao Oscar com a pecha de “filme menor”, mas com a maior bilheteria entre os indicados e a maior aprovação entre os variados setores da indústria do cinema.

Prós:
- É um drama construído sobre o trabalho do elenco, o que pode valer votos sentimentais do maior colegiado da academia, justamente os atores
- Pode se beneficiar do hype de suas duas principais atrizes que estão sendo bastante premiadas na temporada
- É um drama de cunho racial e a academia gosta de reconhecer esse tipo de filme
- É, inegavelmente, o filme que reunirá mais “expectadores médios” da cerimônia na torcida

 Contras:
- É um filme com sérios problemas narrativos e um formato demasiadamente convencional
- Não possui indicações para direção e roteiro, o que torna praticamente impossível um triunfo
- É um drama construído sobre o trabalho do elenco e Oscars para membros desse elenco (e dois deles são bem prováveis) já honraria essa condição
- Não é um filme que proponha qualquer tipo de reflexão, diferentemente de alguns dos principais indicados do ano


O independente aprazível

Os descendentes é um filme independente. Mas nem parece. Nem tanto pela presença de George Clooney, mas mais pela extrema sutileza do registro de Alexander Payne e da forma como ele usa o Havaí na história. É um filme praticamente impossível de se desgostar. Isso pode ser uma vantagem na hora h. O drama que flerta conscientemente com a comédia ao mostrar as vias tortas do amadurecimento não é a melhor pedida do ano, mas não deixa de ser uma boa pedida.

Prós:
- Depois de O artista, foi o filme mais premiado pela crítica no ano
- Ganhou o Globo de ouro de melhor filme dramático
- É a opção mais consistente para quem resiste embarcar na nostalgia proposta pelos filmes O artista e A invenção de Hugo Cabret
 - É estrelado por uma das figuras mais queridas da Hollywood atual, George Clooney
- É uma opção independente que não desagradaria os chefões de estúdios - diferentemente da consagração de O artista, por exemplo
- É um filme palatável que se não desperta paixões, não gera animosidades

Contras:
- Não é o melhor filme de Alexander Payne e isso pode pesar contra a candidatura do filme
- Muita gente pode resolver premiar o roteiro e George Clooney – notadamente os maiores trunfos do filme – e preterir a fita na disputa principal
- Perdeu a posição de “independente do ano” para o independente e parcialmente estrangeiro O artista
- A maioria dos prêmios que recebeu foi no início da temporada


Manifesto de amor

Quem pode bater O artista? O filme de Michel Hazanavicius não é o melhor do ano. Mas, vencidos os preconceitos, talvez se apresente como o melhor dos nove filmes indicados. Que é o mais charmoso de todos já é favas contadas. Mas O artista também é a prova definitiva de que foi o cinema americano que moldou o cinema – e veio da França essa homenagem. O artista também pode ser a prova definitiva de que a academia está disposta a premiar um filme mudo e em preto e branco em plena era do 3D e em meio a uma consternação midiática por mais audiência na cerimônia de TV. Eleger como melhor do ano um filme com essas características não deixa de ser a concepção ideal do Oscar e uma escolha significativamente progressista.

Prós:
- É uma declaração de amor aberta ao cinema – em particular a Hollywood – e isso parece computar pontos em favor do filme
- É o postulante mais charmoso e simpático de todos e houve anos em que isso foi suficiente para vitórias francas
- É o filme mais premiado da temporada
- Venceu os principais termômetros para o Oscar como o Critic´s Choice Awards, o Bafta, o Globo de Ouro, o Producer Guild Awards e o Director Guild Awards
- É o favorito ao prêmio
- Pode se beneficiar da lógica “se for para premiar um filme que clama à nostalgia, que seja um que a assume de vez em forma e conteúdo”

Contras:
- É demasiadamente progressista para os padrões da academia. Seria o primeiro filme mudo a vencer o Oscar desde o primeiro vencedor do Oscar (Asas)
- Seria o segundo vencedor do Oscar de menor bilheteria da história. Atrás apenas de Guerra ao terror. Mais alarmante ainda é a constatação de que as escolhas seriam tão próximas
- Ainda que se tenha algum financiamento americano, é um filme francês
- A invenção de Hugo Cabret é uma opção de estúdio à nostalgia proposta por O artista
- A trama, descolada das opções estéticas da realização, é demasiadamente simples para um filme vencedor do Oscar

Filme classe A

Um diretor elegante, um super astro, um tema envolvente e roteiristas brilhantes. O homem que mudou o jogo faz jus as suas credenciais. É um filme de incrível força narrativa e improvável apelo emocional. Um filme de estúdio que conjuga clichês de blockbuster com a assertividade do cinema independente. Uma excelente condecoração na lista dos melhores de 2011 no Oscar.

Prós:
- É um filme que faz uso inteligente de variadas metáforas
- Tem um verdadeiro batalhão de profissionais admirados em sua ficha técnica
- É um filme adulto para adultos. Um dos poucos entre os nove finalistas
- Tem o mote da “segunda chance” como um de seus principais alicerces e a academia aprecia isso
- Depois de Histórias cruzadas, é o filme de maior bilheteria em competição

Contras:
- Apesar do filme ter recebido prêmios da crítica, nenhum foi para a fita em si
- É um filme esportivo e isso pode esbarrar no preconceito de muitos votantes
- Não emplacou uma nomeação para direção, o que diminui consideravelmente as chances do filme
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente


O Cinema como elemento transformador

Martin Scorsese é um gênio. Isso é sabido. Mas o que ele faz com A invenção de Hugo Cabret, filme que exalta o cinema como mecanismo definidor de vidas, é mostrar como essa percepção está associada às possibilidades ofertadas pela sétima arte. O próprio diretor admitiu que possui muita identificação com o protagonista de seu filme. Essa confissão diz muito sobre o que é A invenção de Hugo Cabret, em sua concepção primal, e sobre suas chances no Oscar.

Prós:
- É um legítimo "feel good movie" que mistura história e ficção. O Oscar já consagrou filmes desse perfil como, por exemplo, Forrest Gump – o contador de histórias
- Assim como O artista, é uma homenagem altiva ao cinema. Só que mais poética
- É dirigido por Scorsese e, ao que parece, ele anda mais pop do que nunca
- É uma opção de estúdio à nostalgia proposta por O artista
- É um filme familiar e isso poderia pegar bem para o Oscar
- A vitória de um filme em 3D poderia legitimar a tecnologia como ferramenta autoral no cinema

Contras:
- É, na embalagem, um filme infantil. Gênero pouco apreciado pelo perfil majoritário dos votantes no Oscar
- Scorsese foi consagrado no Oscar em período relativamente recente (2007). É raro a academia agraciar um artista em grande escala em período tão curto
- Não tem no elenco um forte chamariz, ao contrário de seus principais concorrentes
- É em 3D e o formato ainda desperta muito preconceito, inclusive entre os acadêmicos
- Não é o melhor filme do ano e há quem possa resistir conceder um Oscar a um “filme homenagem”

A unanimidade invertida

Parece difícil crer que Stephen Daldry, um diretor aclamado pela academia e pela crítica, é o responsável pela inclusão mais discutível da lista. Mas é a verdade pura e simples. Tão forte e tão perto na disputa pelo Oscar de melhor filme é fruto da diversidade de critérios que não se ajustam às flexíveis regras para eleger os concorrentes na categoria. Daldry conheceu, em seu quarto filme, seu primeiro revés crítico, mas ainda não sabe o que é ser preterido pela academia – ainda que tenha ficado pela primeira vez fora da disputa pelo troféu de diretor.

Prós:
- É sobre o 11 de setembro e há quem possa se sentir tentado pelo aspecto sentimental que o filme envolve
- Tem um verdadeiro batalhão de profissionais admirados em sua ficha técnica
- É um drama edificante e vai que...

Contras:
- Só tem uma indicação fora a de melhor filme e seria desmoralizante para o Oscar um filme triunfar nesses termos
- Sem indicações para direção, roteiro ou montagem a pecha é mesmo de figurante
- A falta de aprovação crítica lhe é amplamente desfavorável
- De todas as premiações majors, só esteve entre os finalistas do Critic´s Choice Awards


Nostalgia do presente

Tem quem enxergue em Meia-noite em Paris uma ode ao passado. Não deixa de ser. Mas a verdadeira meta de Woody Allen aqui é valorizar o presente. A nostalgia, advoga o autor, é muito recomendável desde que manejada com moderação e sobriedade. Não podemos nos confinar em nós mesmos. O filme, por conciliar tão bem essas propostas aparentemente antagônicas, é classificado como “o melhor Woody Allen em anos”. Exageros a parte, é um filme romântico sobre como manter uma postura otimista em relação a vida.

Prós:
- É um filme afável e “pra cima”. Difícil de alguém não gostar
- Pode se beneficiar da máxima “a volta de Woody Allen”
- Seria um jeito de a academia prestigiar as comédias e com o pedigree internacional de Woody Allen

 Contras:
- É um filme leve, mas não é o único do ano
- Já foi lançado há muito tempo nos EUA
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- A preferência de honrar Woody Allen na categoria de roteiro original
- O baixo número de indicações também é um empecilho


Abraçando o mundo

A ideia de falar sobre a criação do universo, a concepção de fé humana e a relação entre graça e natureza, a partir do microcosmo de uma família conservadora americana dos anos 50 parece uma ideia megalomaníaca e é. Não a toa, o cineasta Terrence Malick levou anos para materializá-la em um filme que gerou opiniões dissonantes, mas igualmente apaixonadas. A árvore da vida não é um legítimo vencedor do Oscar de melhor filme, mas sua presença na categoria ajuda a desmistificar a sisudez da academia.

Prós:
- É o vencedor da Palma de ouro
- Seria uma demonstração de que a academia pensa mais o cinema como arte do que como indústria
- É um filme que conta com cabos eleitorais poderosos
- É um projeto grandioso e o Oscar já reconheceu filmes desse perfil

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Não é o melhor filme do ano e todo mundo sabe disso
- Seria uma forma de reconhecer Cannes como uma plataforma mais importante em termos de reconhecimento artístico e isso pode despertar a rivalidade dos membros da academia
- É um filme difícil, pouco visto e nem um pouco pop (ao contrário do pouco visto, mas muito midiático O artista)


Épico sentimental

É bem verdade que a participação de Steven Spielberg no Oscar 2012 é menor do que se antecipava, mas o intuito foi parcialmente alcançado. Cavalo de guerra, um filme à moda antiga, sobre uma guerra pouco retratada pelo cinema e sob o improvável ponto de vista de um cavalo está na disputa por seis estatuetas, incluindo melhor filme. Cavalo de guerra é um filme que apela às emoções fáceis, mas o faz com generosidade, honestidade e exuberância técnica. É justa sua presença na categoria.

Prós:
- É um épico que dialoga com grandes filmes do passado como os dirigidos por John Ford e Howard Hawks
- É filme de Steven Spielberg e esse nome tem um peso...
- É genuinamente emocionante
- O Oscar já premiou filmes que se utilizam descaradamente de artifícios manipulativos como Crash – no limite e Quem quer ser um milionário?

Contras:
- A ausência nas categorias de direção e roteiro adaptado podem lhe ser fatais
- Não goza de unanimidade crítica
- Premiar um filme em que o herói é um cavalo pode soar estranho
- O tom fabular da história vai contra as últimas escolhas da academia na categoria
- Não ganhou um prêmio sequer de melhor filme na temporada de premiações

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, o filme que não irá causar em Toronto, uma promessa russa para Veneza, o pepino que a Warner Brothers tenta converter em lucro, a angústia  que cerca A árvore da vida e os dez nomes mais quentes de Hollywood segundo a revista Total Film com os devidos pitacos de Claquete.



Rojão verde

Estréia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros o aguardado (?) Lanterna verde. O filme que a Warner gastou turras de dinheiro e não conseguiu esconder o descontentamento que teve com ele. Raras ocasiões o presidente do estúdio Jeff Robinov fala sobre produções às vésperas de serem lançadas, mas no caso de Lanterna verde o executivo falou muito. “Não tem como negar que ficou abaixo de nossas expectativas”, declarou em junho quando a bilheteria de abertura da fita (U$ 53 milhões), nem sequer arranhou as expectativas-em torno de U$ 80 milhões. O resultado da bilheteria nos EUA também foi vexatório (U$ 115 milhões).
Mas Lanterna verde já dava problemas antes disso. O estúdio não gostou dos primeiros trailers e trocou os responsáveis pelo marketing da fita. Depois não gostou do filme propriamente dito e injetou mais U$ 50 milhões para que os efeitos especiais fossem finalizados novamente. O orçamento de Lanterna verde, que já era vultoso, chegou aos U$ 200 milhões. Uma temeridade para um filme que não era um sucesso certo.
Com as primeiras críticas negativas, o estúdio resolveu mudar a estratégia de lançamento. Abandonou o projeto de lançamento mundial e resolveu gastar mais dinheiro nas campanhas promocionais em mercados internacionais, como o Brasil, e engolir o fracasso nos EUA. Até agora, a ideia vem se provando fracassada. Depois de já ter estreado em países como México, Inglaterra, Alemanha, Rússia, Espanha e Japão, Lanterna verde ainda não conseguiu cobrir seu orçamento de U$ 200 milhões.
Ryan Reynolds, antes uma unanimidade para o papel, passou a ser severamente criticado.
Apesar dos pesares, Robinov mantém o discurso: “A sequência definitivamente está nos nossos planos!”


Obra prima, satisfatório ou uma tremenda porcaria?

A árvore da vida estreou no último fim de semana nos cinemas brasileiros e, a exemplo do que ocorreu em outros países, dividiu crítica e o público. Há quem enxergue no novo filme de Malick ousadia e vigor narrativo e há quem perceba um filme frouxo embalado em belas imagens contemplativas – uma marca mais do cineasta e menos do filme em si.
Opiniões divergentes podem ser encontradas em veículos de grande circulação nacional como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Veja e Época. O consenso fica no fascínio da reflexão proposta pelo cineasta com seu filme, mas há divergências acerca da profundidade e do refinamento desta.
No final das contas, a Palma de ouro e o histórico intransigente do cineasta colaboram para a polarização das opiniões. O peso das expectativas transforma o olhar. Mas é inegável que o filme de Malick – diferentemente de outros ganhadores da Palma caracterizados por certa intransigência – apela demais às subjetividades. E ao afastar-se de certa objetividade cinematográfica, a fita afasta-se do imperioso debate que poderia sacramentá-la como obra prima. Caberá à revisão histórica mediar o debate. Até lá, prevalecerá o amargo gosto do satisfatório.


Os dez atores mais quentes segundo a revista Total Film


A revista britânica Total Film listou aqueles que, para a publicação, são os nomes mais quentes do cinema atual. A lista, que o leitor confere logo abaixo, traz muitos jovens, mas muitos dos quais já atuam há pelo menos cinco anos na indústria. Chamam a atenção os nomes de Michael Fassbender e Jeremy Renner, dois atores que ainda estarão em muitos lançamentos quentes nas próximas duas temporadas e descobriram o estrelato de maneira um tanto tardia.


1- Andrew Garfield
Considerações Claquete: o excepcional trabalho em A rede social e a proximidade do lançamento de O espetacular homem aranha devem ter influenciado na sua escolha para o primeiro lugar


2 - Emma Stone
Considerações Claquete: Indicação ao Globo de ouro (por A mentira) e presença no filme que todos se obrigam a adorar na temporada (Histórias cruzadas) garantem o lugar na lista. A presença como a leading lady de Andrew Garfield no novo homem aranha lhe valeu o segundo lugar.

 
Emma e Andrew em O espetacular Homem Aranha: para a Total Film, eles são os mais quentes da Hollywood atual


 
3 - Michael Fassbender
Considerações Claquete: Ator fluente e do tipo camaleônico, Fassebender está em quatro produções com ambições a prêmios na temporada, isso descontando X-men: primeira classe que seguramente lhe valeu o destaque nesta lista.


4 - Aaron Johnson
Considerações Claquete: tipo de ator que trafega entre o comercial e o artístico com desenvoltura. Os trabalhos em Kick ass e O garoto de Liverpool sinalizaram isso.


5 - Chloe Grace Moretz
Considerações Claquete: Ela sabe roubar cenas. Essa é a característica que, devido a pouca idade, deve ter sido decisiva para que Chloe apareça em melhor posição do que alguns veteranos de Hollywood.


6 - Joseph Gordon Levitt
Considerações Claquete: Um dos veteranos da lista, Levitt só agora parece pronto para decolar. E quem viu 500 dias com ela sabe que Chloe tem muito a ver com isso.


7 - Jennifer Lawrence
Considerações Claquete: O Oscar sempre fez muito por jovens atrizes, mas Jennifer tem talento e sua inclusão no elenco de Jogos vorazes demonstra que a combinação de talento e oportunidade forjará mais uma estrela de grandes proporções.


8 - Henry Cavill
Considerações Claquete: Talvez o nome mais inusitado da lista. O nome de Cavill, obviamente, está aqui em virtude da escolha do britânico para viver o superman. Mas seu antecessor, Brandon Routh, saiu dessa numa gelada...


9- Jesse Eisenberg
Considerações Claquete: Desde que surgiu, Eisenberg sempre se mostrou bom ator. Mas depois de brilhar no filme que David Fincher fez sobre as reminiscências do Facebook, muita gente que não o levava a sério teve de se redimir. O nono lugar nessa lista ainda não é suficiente.


10-Jeremy Renner
Considerações Claquete: O casca grossa da vez em Hollywood. Com duas indicações ao Oscar consecutivas, tudo indica que em 2012 Renner não deve comparecer ao Kodak Theatre. Contudo, o ator deve brilhar em duas franquias cinematográficas: Missão impossível: protocolo fantasma e O legado Bourne.



As novas hastes do circo de O espetacular Homem aranha

O novo filme do aracnídeo, que chega em 2012, continua rendendo pano para a manga e, conforme prometido, a seção Em off segue trazendo todos os detalhes de bastidores para o leitor de Claquete. Marc Webb se viu na estranha condição de ter que justificar o primeiro trailer do filme e defender sua versão do Homem aranha ante uma indústria que - com razão – se inflamou contra o pouco que viu. Uma das preocupações de Webb foi negar que os pais de Peter Parker em seu filme sejam agentes secretos – boato que surgiu em blogs americanos. “É verdade que adentraremos mais a fundo nos negócios da Oscorp (empresa do vilão Norman Osborn nos quadrinhos), mas não de imediato. Portanto não dá para dizer que os pais de Parker são espiões”, assegurou ao site Collider.com. Ou seja, Webb não tirou nem pôs, para ficar em uma gíria que se faz entender claramente. Já Andrew Garfield, em um movimento de marketing calculado para obter atenção estratégica na mídia, declarou que inspirou seus movimentos de aracnídeo no pugilista Muhammad Ali, no equilibrista francês (tema de documentário vencedor do Oscar) Philippe Petit e no ex-jogador de futebol Ronaldo. Dos listados, Ronaldo é –visivelmente – o mais inusitado.


A grande ausência de Toronto

Muitos se surpreenderam com uma ausência nos festivais de Veneza e, principalmente, Toronto. O novo filme de Clint Eastwood, J. Edgar, não foi selecionado para nenhum dos dois. A razão é simples. A Warner, estúdio responsável pela produção e distribuição da fita, não quer exibir o filme. A estratégia é a mesma que a extinta Paramount Vintage adotou para Sangue negro – outro ardil retrato do poder em uma América em ascensão. A idéia é exibir o filme para críticos selecionados antes de sua estréia e encaminhar, de maneira segura, o filme para a temporada de premiações. A justificativa oficial para a ausência em Toronto, onde J.Edgar dividiria os holofotes com outros filmes de pedigree, é de que a fita não está pronta. No entanto, as primeiras exibições de J.Edgar estão marcadas para Nova Iorque e Los Angeles na mesma semana que o festival de Toronto chegará ao fim.

Leonardo DiCaprio na primeira imagem oficial liberada pela produção de J.Edgar: a Warner quer exibir o filme para críticos selecionados...


Um Fausto russo
Um dos destaques do festival de Veneza, que começa no próximo dia 31 de agosto, é Faust, do russo Alexander Sokurov. O diretor de filmes como A arca russa (2002), O sol (2005) e Alexandra (2007) promete um filme que examina o efeito corrosivo do poder. Mas Sokurov também promete poesia. Em entrevista ao britânico The Guardian, o cineasta que participa de Veneza pela quarta vez disse que seu filme é “um colorido e elegante retrato com muita música do austríaco Johann Strauss e cheiro de chocolate”.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Crítica - A árvore da vida

Sobre humanidade...


Talvez A árvore da vida (The tree of life, EUA 2011) não seja um filme para se gostar. Certamente não é do tipo para desgostar. É difícil elaborar a relação que o espectador terá com a nova obra de Terrence Malick. Assim como seus filmes anteriores, o tom contemplativo prevalece, mas a proposição existencialista intrínseca à narrativa faz com que a fita assuma um viés polarizante irrevogável.
Em um primeiro momento A árvore da vida se abre para as mais distintas interpretações. Esse movimento se dá pela opção de Malick em evitar conflitos em seu filme. O grande conflito é externo. Afinal, qual é a função do homem no planeta? Podemos definir a essência da vida? São questões que Malick, convergindo graça e arrogância, tenta responder em duas horas e meia não cronológicas de filme.
E consegue? Não necessariamente. Há quem possa dizer que a ideia não era prover respostas, mas fomentar a reflexão. Não deixa de ser um raciocínio válido, ainda que incompleto. Desde as imagens que remetem à criação do universo, passando pela evolução das espécies, o que Malick parece dizer é que a espiritualidade é o caminho para o homem aceitar sua insignificância ante tamanho gigantismo da natureza. Logo no início da fita é colocada a questão entre o caminho da graça e o da natureza. O off dos personagens reproduz questionamentos que caracterizam angústias não só dos personagens, mas do público também.
Ainda sobre esse off, ele se prova um recurso anacrônico em A árvore da vida. Embora traduza o estado de espírito dos personagens e a linha de raciocínio do filme de Malick, ele empobrece as próprias imagens que o diretor cria. A experiência sensorial surge inconvicta mediante a opção de sublinhar a própria grandiloquência. Em contrapartida, se não fizesse isso, Malick corria o risco de não se fazer entender. Isso tudo ocorre porque o diretor decidiu afastar-se de alguns dogmas do cinema. Não por decidir-se por não ser comercial ao apresentar uma história de perda familiar de maneira metafísica, mas por fazê-lo de maneira viciada.
A árvore da vida não deixa de ser mais um filme em que Malick demonstra seu interesse antropológico. A fita se relaciona – e isso é saudável – com os trabalhos anteriores do diretor. O interesse em entender o homem é um dos meios para entender a natureza, o universo. Malick nunca escondeu isso. Essa disposição faz bem à A árvore da vida. As relações no seio da família O´Brien estabelecem um painel, ainda que conservador, belo e pungente sobre angustias humanas universais. O rigor do pai (Brad Pitt) e a graça da mãe (Jessica Chastain) digladiam-se dentro de Jack (na infância Hunter McCracken e na fase adulta Sean Penn) e essas reminiscências vão ao encontro da literatura filosófica e terapêutica.

Disciplina, amor e reflexão: três palavras de ordem em A árvore da vida


Malick acerta ao fluir o ponto de vista da narrativa. Predominantemente infantil – assumindo a perspectiva de Jack, inclusive no nível da câmara - e por vezes se posicionando como observador (e Sean Penn geralmente aparece quando essa é a situação).
É inegável que Malick fez um filme para se divagar a respeito. A ideia, mais do que a preocupação se A árvore da vida será apreciado ou não, parece ser se o filme transmite toda a pluralidade do pensamento humano sobre si e sobre o espaço que ocupa.
É nesse aspecto que a trama falha. Plasticamente belo, o que ajuda a forjar uma complexidade inexistente em termos de proposta, A árvore da vida falha em sua afirmação primal. É, sem dúvidas, um filme de referências filosóficas inesgotáveis, mas referências não garantem legitimidade em qualquer trabalho que se apresente. Apenas permitem que essa legitimidade se eleve. As conjecturas de Malick impressionam na mesma medida que cansam espectadores dispostos a uma experiência metafísica mais profunda ou a um exercício intelectual mais altivo. Como de hábito em sua filmografia, Malick ficou imerso entre ambos. Não é o pior dos mundos, mas torna imerecida a alcunha de obra-prima.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Filme em destaque: A árvore da vida


Programado para junho, o mais recente filme de Terrence Malick finalmente estréia nos cinemas brasileiros. Vencedora da Palma de Ouro em Cannes, a produção traz Brad Pitt e Sean Penn em um questionamento existencialista


“Foi a experiência mais exaustiva da minha vida”, sintetizou Brad Pitt na entrevista coletiva de A árvore da vida no último festival de cinema de Cannes – de onde o filme saiu com o prêmio máximo, a Palma de Ouro. Pitt é um dos produtores de A árvore da vida, um projeto particular e muito calejado de Terrence Malick – um cineasta bissexto que reúne um valoroso séquito de admiradores. Outro ator presente na premiere do filme em Cannes foi Sean Penn. Foi a segunda vez que Penn trabalhou com Terrence Malick – a primeira foi em Além da linha vermelha (1998). Quem não esteve na premiere foi o próprio Malick que, ao também não comparecer a cerimônia de premiação, aumentou a própria fama de recluso. “Terrence constrói casas. Ele não quer fazer o papel do corretor de imóveis e ter que vendê-las também”, afirmou Brad Pitt em uma pedestre comparação na tentativa de justificar a ausência do cineasta.
Malick, de fato, teria muito trabalho para vender seu filme. A reação foi dividida. Os aplausos abafaram as vaias, mas elas ainda podiam ser ouvidas. A crítica americana também se dividiu. Críticos do mundo inteiro passaram a questionar a real dimensão de Malick e de sua obra no cinema. A percepção do crítico brasileiro Ricardo Calil captura bem o sentimento da crítica sobre A árvore da vida. Com um artigo intitulado “Terrence Malick é o Dodô do cinema”, o crítico defende que o cinema de Malick emperra na plasticidade das imagens. Na busca pelo plano perfeito (“Malick construiu uma obra inteira a partir do contraluz!”, exclama em certo momento”). Calil, de maneira bem humorada, argumenta que tal qual o jogador que passou por clubes como São Paulo, Botafogo e Cruzeiro, o diretor resiste a fazer um gol feio: “Malick só entraria para a minha seleção de cineastas favoritos se ele fosse capaz de fazer um plano feio. Nem que fosse só um mesmo. Porque, no meio daquela beleza toda de A Árvore da Vida, eu me sentia constantemente compelido a gritar: “Chuta de bico, Malick, porra!”.

Imagens belíssimas: A crítica americana não tem certeza sobre a presença de A árvore da vida entre os melhores filmes no Oscar, mas acha difícil que a fita fique fora de algumas categorias como fotografia e direção de arte



Em busca da perfeição
A árvore da vida estava programado para o festival de Cannes de 2010. Não entrou na seleção do ano passado porque o filme não ficou pronto. E não ficou pronto porque Malick não se convencia de que o resultado final estava satisfatório. Foi na sala de edição que ele descobriu o filme. Para que esse processo se desse foram contratados seis montadores, que atuaram em etapas distintas da montagem. Um deles foi o brasileiro Daniel Rezende. A fama de perfeccionista de Malick quase levou a Fox Searchlight à falência. O braço independente da Fox teve de se desfazer da fita, mas preservou o direito de distribuição nos EUA. A produção seguiu com o aval e apoio dos produtores Sarah Green e Grant Hill que conseguiram incluir a fita no line up de Cannes este ano. É bem verdade que o diretor do festival, Thierry Frèmaux, alimentava o desejo de contar com o aguardado filme de Malick na riviera francesa.
Curiosamente, Malick - na busca pela perfeição – investe no caos. Brad Pitt e Jessica Chastain – que faz a esposa do astro no filme – só tiveram acesso a três ou quatro páginas do roteiro para que pudessem compor suas cenas da maneira mais natural possível. “É um salto no escuro”, afirmou Brad Pitt. “Mas com Terrence vale a pena”, completou.
A história de A árvore da vida, como se sabe, dá saltos temporais desde a época dos dinossauros até o presente, mas o foco maior está em uma família americana suburbana dos anos 50 em que Pitt e Chastain são os pais. Malick perpassa todo o ciclo familiar e a importância deste no ciclo da vida. “É um questionamento metafísico”, escreveu a Rolling Stone americana que apontou o filme, ao lado de Meia noite em Paris, de Woody Allen, como o melhor de 2011 até o momento.

Sean Penn, Jessica Chastain e Brad Pitt momentos antes da premiere oficial de A árvore da vida em Cannes



Cada um com suas próprias conclusões
Mas, afinal, sobre o que é A árvore da vida e por que tanta elaboração na produção do filme? “A árvore da vida não é exatamente um filme abstrato ou hermético, mas isso não significa que não deixe algumas pontas em aberto para que cada um tire suas conclusões”, defendeu Brad Pitt em Cannes. A atriz Jessica Chastain diz que o filme, por meio de sua personagem, tenta entender “por que o Deus que dá é o mesmo Deus que tira”.
“A questão existencial é intrínseca ao filme”, argumenta a produtora Sarah Green. Já Sean Penn, afirmou que o filme congrega valores humanísticos com a importância da família. “É um filme sobre o amor”. O ator não citou, mas uma das mais belas falas do filme o referenda: “The only way to be happy is to love. Unless you love, your life will flash by” ( em tradução livre: o único jeito de ser feliz é amar. Se você não amar, a vida só passará por você).

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, o Oscar busca surpreender a audiência, um ex-diretor de 007 que anda falando mal da série; a preparação de Brad Pitt para enfrentar zumbis; o conselho que Oliver Stone deu para o protagonista de Transformers; a maior mostra já organizada em homenagem ao mestre do suspense; a Nouvelle Vague invadindo São Paulo e os piores atores de todos os tempos.




Ficou para depois...

A árvore da vida de Terrence Malick será plantada nos cinemas brasileiros apenas em agosto. A Imagem filmes, que detém os direitos da fita aqui no Brasil, remarcou a estréia do filme para o dia 12 de agosto. Não houve justificativa oficial para o adiamento do vencedor da Palma de ouro – que estrearia no dia 24 de junho nas salas brasileiras.
 Em virtude do súbito adiamento, a mostra Panorama do blog – que analisaria a obra sob a perspectiva da filmografia de Malick – ficará desfalcada. Ainda essa semana será publicado o artigo sobre Além da linha vermelha e na semana que vem sobre O novo mundo. A última semana de junho, que destacaria A árvore da vida, não terá o destaque da mostra. Em agosto, ainda que o contemplado por Panorama seja outro cineasta, o filme será elencado na mostra.



Em busca do elemento surpresa

A Academia de Arte e Ciências Cinematográficas de Hollywood (AMPAS) , como de costume, anunciou o saldo da reunião do comitê diretivo da instituição. Todo ano, esse conselho deliberativo promove algumas mudanças. Em 2011, a mudança foi mais profunda e objetiva recuperar um pouco do legado da Academia, manchado com a inclusão de obras discutíveis entre os dez indicados a melhor filme em 2010 e 2011.
Ficou resolvido que em 2012 a categoria principal (a de melhor filme) poderá ter entre 5 e dez indicados. E que só será sabido o número exato dos concorrentes no momento do anúncio dos indicados. "Uma indicação para melhor filme deve ser prova de um mérito extraordinário. Se só houver oito filmes que realmente mereçam esta honra em um determinado ano, não devemos nos sentir na obrigação de arredondar o número", explicou Bruce Davis, diretor-executivo da Academia, em comunicado de imprensa.
O presidente da instituição, Tom Sherak, explicou que para garantir o direito de se indicado a melhor filme, uma fita terá que ostentar a preferência em pelo menos 5% dos votos dos acadêmicos. Sherak admitiu que a medida também tem o objetivo de incrementar o impacto do anúncio dos indicados, acrescentando um elemento surpresa.

O presidente da Academia, Tom Sherak: surpresa e mérito são as ordens do dia...


Outras mudanças
A academia anunciou que os indicados a melhores efeitos especiais também podem aumentar. Poderão ser de 3 a 10, dependendo das notas atribuídas aos efeitos nas fases prévias de análise. As categorias de documentário, curta-metragem e animação também tiveram flexibilização determinada em virtude do número de candidatos inscritos.


Saldo positivo
A ideia de meritocracia é louvável e deve mesmo nortear as decisões da Academia. A tendência é de que em anos extraordinários, o número de indicados ao Oscar de melhor filme se aproxime de dez, no entanto, em linhas gerais, deve girar em torno de sete. A seção Insight do dia 26 de junho irá repercutir essas novas diretrizes do Oscar.



Bafo de mulher traída!
Martin Campbell é um dos poucos diretores que já dirigiu mais de um filme de James Bond na contemporaneidade. Foi chamado para dirigir a estréia de Pierce Brosnan na série (007 contra goldeneye, de 1995) e para o reboot em 2006 com Daniel Graig como Bond. Após conseguir as melhores críticas e a melhor bilheteria da série com Cassino Royale, Campbell dirigiu O fim da escuridão (ótimo thriller policial com Mel Gibson) e Lanterna verde, adaptação de HQ que pinta nos cinemas americanos nesse final de semana. Foi durante a premiere deste último filme que Campbell resolveu defenestrar Quantum of Solace – o filme que deu sequência às aventuras de 007. “Foi uma porcaria. A história não era muito interessante e a ação não fazia jus aos personagens”, opinou. Campbell, que teve que lidar com uma série de intervenções do estúdio em seu Lanterna verde e que amealha críticas negativas, se disse esperançoso com o trabalho de Sam Mendes – o diretor escalado para a vigésima terceira aparição de James bond no cinema.



Os melhores piores...
A cultura pop pode ser cruel. Prova disso foi a análise feita pelo site Slate, com base no banco de dados do site Rotten tomatoes (que agrega críticas e cotações sobre filmes). A ideia era aferir o pior ator e a pior atriz da história do cinema. Chuck Norris e Jennifer Love Hewitt obtiveram a distinção. O leitor, para incrementar o componente de crueldade da cultura pop, pode argumentar de que era desnecessário proceder tal pesquisa para obter tal resultado. Pura maldade!


 A beleza de Jennifer Love Hewitt não põe mesa segundo apurou o site Slate 



Os mandamentos de Oliver Stone
Ao que parece, Shia LaBeouf ouviu bem Oliver Stone. Durante a campanha de divulgação de Wall street – o dinheiro nunca dorme, filme em que Stone dirigiu Shia, o diretor afirmou que estava na hora de Shia parar de brincar de robô (em referência a série de filmes Transformers) e começar a se engajar em projetos mais sérios (em alusão ao próprio Wall street). Todos riram e anuíram com a ótima frase de efeito. Shia, como é de conhecimento público, já estava envolvido com o terceiro Transformers – que estréia no dia 1º de julho.
Agora, às vésperas do lançamento, o ator afirmou em entrevista a MTV americana que “Transformers – o lado oculto da lua” marca sua última participação na série. “Aposto que o estúdio, com o sucesso que vem tendo, irá continuar. Mas meu ciclo acaba com este filme”, afirmou na ocasião.



Brad Pitt contra zumbis

A produção de World War of Z deve começar dentro de alguns meses na Escócia. A fita, uma produção da Plan B (produtora de Brad Pitt), foi orçada em U$ 130 milhões. O filme acompanha a saga de um emissário da ONU que viaja coletando depoimentos de humanos que sobreviveram a um holocausto zumbi. O projeto já esteve associado a Paramount e atualmente não há nenhum acordo de distribuição fixado. Mas com Brad Pittt a frente do elenco, com direção do franco suíço Marc Foster e roteiro do cultuado J. Michael Straczynski isso não deve ser um problema. Recentemente, foi divulgado que Ed Harris e Matthew Fox iniciaram negociações para integrarem o elenco. O filme é baseado na obra homônima de Max Brooks (Word War of Z: na oral history of zombie war). Começou como um projeto maldito e vai ganhando forma hypada...



Hitch em São Paulo
Os cinéfilos paulistanos poderão se deleitar nas próximas semanas. Entre os dias 15 e 24 de junho será realizada a mais completa Mostra sobre Alfred Hitchcock no país. Serão exibidos 54 longa-metragens em película e mais DVDs de filmes rodados nos anos 20 e 127 episódios da série Alfred Hitchcock presents. Também estão programados exibições de curta-metragens, debates e cursos.
A Mostra acontece no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), cujo endereço é rua Álvares Penteado,112 (próximo às estações Sé e São Bento do metrô).
O CineSesc já exibe uma palhinha do que começa a ferver a partir de hoje em São Paulo. Amanhã, às 19h30min, o crítico de cinema Inácio Araújo e o cineasta José Mojica Marins estarão no CCBB para responder a seguinte pergunta: Era Hitch, um cineasta moderno?
A programação completa, com dias e horários das sessões, pode ser conferida no site do evento (www.mostrahitchcock.com.br).



Sempre um charme
E já que o assunto é cinema em seu mais alto nível, outra opção para os cinéfilos paulistanos é a mostra que o Sesc Interlagos promove sobre o cinema francês entre os dias 17 e 24 de junho. O tema é 1959: o ano mágico do cinema francês. A seleção recupera filmes do período de efervescência da cinematografia daquele país que foi batizado de Nouvelle Vague. A mostra destacará os filmes Hiroshima, meu amor, de Alan Resnais (17/4, às 15h); Acossado, de Jean-Luc Godard (18/4, às 15h); Os incompreendidos, de François Truffaut (19/6, às 15h); Quem matou Leda?, de Claude Chabrol (23/6, às 15h); Pickpocket, de Robert Bresson (24/6, às 15h).
O preço dos ingressos é de R$ 3. O endereço do Sesc Interlagos é avenida Manoel Alves Soares, 1.100, Parque Colonial.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Cenas de cinema

Almodóvar sem pele

O próprio diretor já havia antecipado em entrevista ao jornal espanhol El País que estava preparado para sair de mãos vazias de Cannes. Não deu outra. Almodóvar saiu sem prêmios da croisette e, mais uma vez, viu a aguardada Palma de ouro seguir para as mãos de outro cineasta festejado, no caso o americano Terrence Malick.
Seu filme, A pele que habito, já começa a subir de cotação entre a crítica internacional. O número de críticas elogiosas já superam as que relativizam os ganhos de Almodóvar em sua incursão pelo thriller. No Brasil, o filme está programado para estrear no dia 25 de novembro.


Onde está Malick?
Não foi a primeira vez que aconteceu. Foi a segunda. Raríssima na história do festival de Cannes, o vencedor da Palma de ouro, o cineasta americano Terrence Malick não compareceu a premiação, nem a entrevista coletiva realizada horas depois em Cannes. Segundo o produtor do filme, Bill Pohlad, “Malick é uma pessoa extremamente tímida, mas posso assegurar que está extremamente feliz por este momento”.


Misoginia que vale Palma
Como diria aquela outra, não é brinquedo não! O cineasta dinamarquês agregou, por conta própria, a pecha de nazista à sua péssima fama. Tido como misógino e com relatos de estrelas do porte de Nicole Kidman e Björk de ser cruel com suas atrizes, Von Trier é quase certeza de prêmio para as moçoilas em Cannes. É a terceira vez que uma atriz sob seus cuidados leva a Palma de melhor atriz para casa.


Invencibilidade garantida
Outra previsibilidade assegurada pela 64ª edição do Festival de Cannes foi o prêmio para os irmãos Dardenne. Os belgas garantiram, dessa maneira, uma improvável hegemonia no festival. Em cinco participações, cinco prêmios. É uma estatística invejável que mereceu a desdenha do diretor turco Nuri Bilge Ceylan que dividiu o Grande Prêmio do Júri com os belgas: “Se me perguntassem o por quê do empate, eu não saberia responder”, afirmou na coletiva de imprensa.



De Niro e seu tradutor
Desde a primeira entrevista coletiva estava claro. Com um lacônico presidente, a voz do júri que melhor se comunicaria com a imprensa seria a do cineasta francês Olivier Assayas. Não foi diferente no ato final do júri em Cannes. De Niro, querendo agradar ao público, tropeçou no francês e foi prontamente acudido por Assayas que havia elaborado muito bem, há quinze dias, a meta do colegiado composto por ele, De Niro e muitos outros: “Estamos aqui para julgar filmes e não cineastas”. Kirsten Dunst diz obrigado.

O cineasta francês Olivier Assayas posa para foto em Cannes: ele ajudou De Niro no francês e no trato com imprensa




Reação à Palma de Ouro
No Brasil, a imprensa recebeu a premiação de A árvore da vida com parcimônia. O portal IG salientou a previsibilidade da premiação, mas entendeu que os prêmios de direção e de interpretação foram zebras. A Folha de São Paulo destacou a divisão de opiniões acerca do grande vencedor da 64ª edição do festival, enquanto que o UOL preferiu sublinhar uma possível influência do presidente do júri Robert De Niro na escolha dos premiados.
O Globo aventou a possibilidade do prêmio para a atriz Kirsten Dunst ser uma espécie de “troféu de consolação” para um dos filmes mais “vistosos” em competição e O Estado de São Paulo destacou as justificativas do júri pela preferência ao trabalho de Malick.



Ninguém reparou em Um certo olhar
A salvo o filme de abertura, Inquietos de Gus Van Sant, a mostra Um certo olhar foi pouco notada pela crítica internacional em 2011. Poucos foram os destaques. No Brasil, ainda houve interesse por conta da participação de um longa brasileiro, o pouco elogiado Trabalhar cansa. Mas na imprensa internacional foram poucas as menções. Também pode ter contribuído para esse fato, o bom nível da competição principal.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Repercutindo Cannes 2011


O presidente do júri Robert De Niro entremeado por Kirsten Dunst e Jean Dujardin, os atores vencedores
da 64ª edição do festival de Cannes


O reinado americano na França continuou. Em dez anos, nenhuma cinematografia prevaleceu tanto na croisette. Com a vitória do épico existencialista de Terrence Malick, A árvore da vida, são quatro vitórias em uma década. É um feito e tanto. Descolada dessa significante insurgência, a edição 2011 do festival agradou muito mais do que a de 2010. Um fato que já era antecipável no momento do anúncio dos filmes selecionados para integrar a competição. Isso não garantiu que a escolha do vencedor da Palma de ouro fosse indubitável. Houve vaias no momento do anúncio e moderadas contestações da crítica internacional (o prêmio da crítica em Cannes foi para o finlandês Le Havre). O próprio De Niro deixou escapar que o filme não era unanimidade entre o júri. “A maior parte de nós achou que o filme era extraordinário e para o qual mais fazia sentido a Palma de ouro”, disse na coletiva pós-premiação.
De Niro, aliás, foi elogiado por seus colegas de júri como um presidente bastante democrático e debatedor. Esses adjetivos foram aventados para rebater percepções da imprensa de que os resultados da 64ª edição de Cannes muito se assemelhavam ao gosto do ator americano. O drama de violência urbana Drive rendeu ao diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, a Palma de melhor diretor. O prêmio do júri, um dos mais contestados pela crítica, foi para o francês Polisse. O filme, sobre investigações policiais contra pedofilia, se caracteriza por uma estética documental que críticos americanos rotularam como “sub Lei & ordem”, em referência à famosa série de TV daquele país. Mas o cinema francês, como é tradição, não poderia sair sem um prêmio sequer no festival. Além da premiação de Polisse, o francês Jean Dujardin foi escolhido o melhor ator por The artist. Dujardin derrotou os favoritos Sean Penn (This must be the place) e Michel Piccoli (Habemus papam). Presente em quase toda a metragem de The artist, um filme em preto e branco e mudo, o ator se emocionou com surpreendente vitória. A crítica internacional preferia outros desempenhos, mas não contestou a vitória do francês. Maior revolta gerou o triunfo da americana Kirsten Dunst por Melancholia. Embora seu nome fosse ventilado nos corredores de Cannes, ninguém parecia prever que Tilda Swinton (que arrebatou em We need to talk about Kevin) sairia sem esse prêmio. Assim como o próprio filme que agradou bastante. Outras fitas muito badaladas no festival que saíram sem prêmio foram o drama austríaco Michael, outro sobre pedofilia (ainda que com um enfoque diferente de Polisse), o australiano Sleeping beauty e o já citado finlandês Le Havre.
Mesmo com algumas contestações, as escolhas do júri presidido por Robert De Niro agradaram mais do que as que o colegiado comandado por Tim Burton ano passado realizou. As sanções e críticas aos vencedores da edição de 2010 foram agudas, mas a favor de De Niro pesou o melhor nível dos candidatos desse ano. Prova disso, é o empate para o Grande prêmio do júri. O belga The kid with the bike, dos irmãos Dardenne e o turco Era uma vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, ambos já premiados em Cannes, dividiram a honraria.

Kirsten Dunst era só sorrisos: ela agradeceu a Von Trier pela liberdade que lhe conferiu e ao júri por não ter desistido do filme após as declarações polêmicas do diretor no meio da semana

Os vencedores:


Palma de Ouro
A Árvore da Vida, de Terrence Malick (EUA)
Grande Prêmio do Júri
The kid with the bike, de Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica/França)
Era uma vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
Melhor Diretor
Nicolas Winding Refn, por Drive (EUA)
Melhor Atriz
Kirsten Dunst, por Melancolia (Dinamarca)
Melhor Ator
Jean Dujardin, por The Artist (França)
Melhor Roteiro
Footnote (Israel)
Prêmio do Júri
Polisse, de Maiwenn Le Besco (França)