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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - As dez personalidades que foram destaque no ano

É uma das listas mais disputadas do ano. Páreo duro com os 100 mais influentes da Forbes e os mais sexy do mundo pela People. As dez personalidades que foram destaque em 2013 e adentraram ao concorrido ranking de Claquete está em domínio público. Alguns veteranos, um ou outro arroz de festa e dois franceses que desafiam ingleses, americanos e o australiano da lista. O brasileiro que entrou não desafia ninguém porque é puro paz e amor.


10 - Henry Cavill

O inglês foi um dos galãs de 2013. Não precisaria nem convencer como Superman (e como Clark Kent) em O homem de aço para fazer valer seu lugar na lista das personalidades que se destacaram em 2013 no mundo do cinema, mas ao fazê-lo enseja expectativas por um retorno breve. Cavill tem carisma, charme, talento, beleza e um tórax que veste bem o S de super.

9 - Adèle Exarchopoulos

Linda, linda e linda. Não nos enganemos. Adèle Exarchopoulos está nesta lista porque é linda. Sua atuação em Azul é a cor mais quente é muito boa, mas a francesa de lábios carnudos que desafia o reinado de Lana Del Rey e Angelina Jolie não conseguiria apenas na base do talento incursionar nesta prestigiada, e disputada, lista. O hype do filme e a paixão que as Américas (do Sul e do Norte) nutrem por ela ajudaram.

8- Hugh Jackman

O ano começou com ele ganhando uma estrela na calçada da fama e sendo indicado ao Oscar. Se 2013 serviu para alguma coisa em termos de Jackman foi para mostrar que ele é tão bom no cinema como na Broadway. Os miseráveis e Os suspeitos, este último também produzido pelo australiano, são dois dos melhores filmes do ano. De quebra, Jackman ainda revitalizou seu principal personagem, Wolverine, nos cinemas.

7- Daniel Day Lewis

Três vezes vencedor do Oscar de melhor ator. Essa descrição deveria bastar para justificar a presença de Lincoln (ops!) na lista, mas a gente apela com outras três palavrinhas: Daniel Day Lewis.

6 - Irandhir Santos

Parece cota nacional, mas não é. Irandhir Santos veio roubar o sexto lugar de João Miguel, que segurou a bandeira verde e amarela no ranking do ano passado. Se não foi uma presença prolífera no ano, Santos foi marcante nos filmes O som ao redor e Tatuagem. De quebra, sua presença aqui mostra que ator bom o Brasil faz no Nordeste. Além de João Miguel, Wagner Moura foi outro ator a já ter dado pinta por aqui.

5 - François Ozon

Experimenta lançar dois filmes em um mesmo ano. Ozon não deu uma de Steven Soderbergh, ou de Spielberg, vá lá, mas foi beneficiado por uma artimanha de sua distribuidora em território brasileiro. Dentro da casa (2012) e Jovem e bela (2013), ambos de sua autoria, são dois dos melhores, mais imaginativos e instigantes filmes lançados no Brasil neste ano. Ele, com ajuda, vá lá, se impôs nesta lista.

4 – James Franco

Ele fez uma exposição de arte, lançou um programa sobre arte na tv, produziu documentários, estrelou blockbuster (Oz – mágico e poderoso), estrelou comédia debochada (É o fim) e ainda conseguiu lançar filmes dirigidos, roteirizados e/ou produzidos por ele em todos os festivais de cinema proeminentes do mundo. Alguém tinha que avisar para ele que bastava pedir para entrar na lista. Não precisava deixar de dormir para isso...

3- Ben Affleck

Pode parecer de gosto duvidoso, mas Bem Affleck é um veterano desta lista. Ele entrou em 2010 (na primeira posição), em 2012 e volta agora em 2013, perdendo uma posição em relação ao ano anterior, pelo Oscar ganho por Argo, por ter protagonizado o maior bafafá do ano na cultura pop (aham, Batman!) e por ter participado de filmes bacanas e completamente distintos como Amor pleno e Aposta máxima.

2- Jennifer Lawrence

Se Affleck perdeu uma posição, a culpa é de Jennifer Lawrence. A vencedora do Oscar por O lado bom da vida e “girl on fire” na franquia Jogos vorazes não está para brincadeira e dá mais um passo rumo ao topo. Da lista aqui no blog e do mundo também.

1-Benedict Cumberbatch

Você não conhecia Benedict Cumberbatch antes de 2013. Além de rapidamente virar ícone pop e nerd, os dois conceitos estão mais juntos do que nunca, Cumberbatch esteve em seis lançamentos do ano. Blockbusters colossais como a segunda parte de O hobbit e a segunda aventura da Star Trek de J.J Abrams e em filmes com aspirações artísticas como 12 years a slave e Álbum de família. Não obstante, ainda peitou Julian Assange para bancar uma visão isenta de sua persona em O quinto poder.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Crítica - Os suspeitos

Rimando tensão e conflito emocional

Hugh Jackman no início do ano, em plena campanha pelo Oscar (ao qual concorreu pelo filme Os miseráveis) disse que estava muito orgulhoso de produzir um filme que seria lançado no próximo outono do hemisfério norte. O filme em questão era Os suspeitos (Prisoners, EUA 2013), dirigido pelo canadense Denis Villeneuve. Trata-se de um drama familiar poderoso com fortes cargas de suspense e uma trama de mistério a tonificá-lo. Por qualquer ângulo que se observe, Os suspeitos (mais uma tradução infeliz da distribuição nacional para o muito mais elusivo e subliminar “prisioneiros” do original) é bom cinema. Ostenta narrativa de fôlego invejável, técnica bem urdida e um elenco afiadíssimo. Mas o filme tem outros trunfos. Enseja um debate que não se esgota com o fim da sessão.
Um almoço de Ação de Graças entre vizinhos dá início a uma corrida ao inferno quando as filhas pequenas dos casais vividos por Hugh Jackman e Maria Bello e Terrence Howard e Viola Davis são sequestradas, à luz do dia, e na rua de suas residências. A partir desse elemento detonador, Villeneuve acompanha tanto a investigação policial que tenta descobrir o paradeiro das meninas como a desintegração psicológica, emocional e moral do personagem de Jackman – um pai desesperado para achar sua filha.
Gyllenhaal e Jackman: atuações acima da média
Há, logo de partida, um suspeito. Paul Dano, ator de grandes predicados, faz um sujeito estranho que depois se descobre ter o QI de uma criança de dez anos, que estava estacionado com um trailer próximo ao local em que as meninas desapareceram. A suspeita parece infundada à medida que a investigação avança, mas o personagem de Jackman segue impassível na sua crença de que aquele homem sabe mais do que diz.
O material promocional do filme já mostra que limites serão cruzados e Jackman e Villeneuve, como dois artesãos do imponderável, constroem tensão única à medida que a irrigam com um conflito emocional multifacetado. Quando o certo se divorcia do justo? Quais os limites morais que um pai de família deve respeitar? A discussão tão propalada em torno de A hora mais escura (para citar outro filme concorrente ao Oscar 2013) surge muito mais inteira, vigorosa e aprofundada em Os suspeitos. Em parte porque tenciona o espectador a produzir um juízo de valor a respeito do que vê e lhe incomoda com a constatação de que aquele drama lhe é factível; enquanto que torturar afegãos em uma prisão secreta no Oriente Médio não.

A maneira como Villeneuve envolve sua plateia, tanto no drama do personagem de Jackman, como nos bastidores da investigação policial representada na figura de Jake Gyllenhaal, é vistosa. Mas não esconde alguns problemas da fita. Apesar de a investigação ter suas curvas, o saldo final dela é relativamente previsível. A trama policial, portanto, se revela elemento fragilizador de Os suspeitos enquanto cinema da mais alta qualidade. É um defeito potencializado pelo clímax com algumas reviravoltas mal desenvolvidas textualmente. Ainda que o final, a essa altura mais pragmático do que qualquer coisa, seja brilhante em sua irresolução e evite a sensação de decepção que se avizinhava.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Filme em destaque - Os suspeitos

A teoria na prática é outra...
Com estrelado e afiado elenco, Os suspeitos é um drama cheio de tensão e sem respostas fáceis que recupera o vigor do cinema adulto comercial hollywoodiano em 2013

E se fosse com você? Essa é uma pergunta que todo mundo já ouviu na vida. A resposta a ela, às vezes é sincera, às vezes é diversionista e, em alguns casos, jamais extrapola o campo da hipótese, em virtude da improbabilidade da pessoa questionada se encontrar nas circunstâncias que ensejam o exercício de imaginação. A ideia de Os suspeitos, lançamento nos cinemas brasileiros desta sexta-feira (18), não é exatamente nova. Em 1996, Ron Howard fez um filme muito bom em que Mel Gibson vivia um magnata e subvertia a lógica inerente ao sequestro ao disponibilizar uma vultosa recompensa por informações que levassem à captura dos criminosos. A discussão proposta por O preço de um resgate ainda é quente e perigosa. O que o filme dirigido por Denis Villeneuve propõe é menos espetaculoso, mas igualmente subversivo e o sequestro de uma criança, no caso duas, também é o elemento a mover seu raciocínio narrativo.
Hugh Jackman faz Keller Dover, pai de família suburbano, filho de um policial que se suicidou, pai de dois filhos e, para todos os efeitos, um cidadão exemplar. Quando sua filha e uma coleguinha são sequestradas na rua em que moram, ele decide, quando julga que a polícia não está fazendo o suficiente para resgatar sua filha, tomar medidas cabíveis em seu entendimento.
Não há pedidos de resgate aqui e Dover entende que seu único suspeito é seu único suspeito e que os fins justificam os meios. À medida que o tempo passa, mais Dover se vê entregue à obsessão de tirar a verdade de seu suspeito, mesmo quando surgem indícios bastante significativos de que Dover pode estar com a intuição descalibrada.
A partir desse momento, surge o outro trunfo do filme de Villeneuve, que o aparta ainda mais do drama dirigido por Ron Howard. A atenção à jornada obsessiva em que Dover, mas também o detetive destacado para o caso vivido por Jake Gyllenhaal mergulham. Gyllenhaal já havia feito um filme em que vive um tipo obsessivo por um caso policial. O filme em questão é Zodíaco (2007), de David Fincher. Na trama ele vivia o cartunista editorial do San Francisco Chronicle envolvido nas provocações do assassino do zodíaco, que assolou àquela região da Califórnia na fronteira dos anos 60 e 70.

Jackman, Gyllenhaal e Villeneuve batem aquele papo no set de Os suspeitos

Hugh Jackman já havia estrelado outro belo filme sobre obsessão. O grande truque (2006), de Christopher Nolan. Na fita, ele vivia um mágico que nutria grande rivalidade com o personagem de Christian Bale. A necessidade de prevalecer ante o outro, movia a trama. Com Os suspeitos, ambos oferecem um avanço nesse interessante recorte biográfico de suas carreiras. Na contrapartida, ao confeccionar esse pulsante suspense americano moderno, o canadense Denis Villeneuve dá sequência a uma questão nevrálgica em sua filmografia. Assim como no indicado ao Oscar de filme estrangeiro Incêndios, há a desestruturação familiar caótica a partir de um evento em particular.

Esses são elementos construtivos, mas não definidores, que tornam Os suspeitos, no contexto em que foi concebido, um filme muito mais significativo e eloquente do que aparenta ser.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Crítica - Wolverine: imortal

A saga de um Ronin

Wolverine: imortal (The Wolverine, EUA 2013) certamente ainda não é o filme que dá conta de toda a complexidade e carisma do personagem mais controvertido e destacado do universo mutante, mas seguramente se aproxima muito dessa condição. O filme de James Mangold é feliz não só ao situar a trama desse segundo filme solo estrelado pelo mutante canadense no Japão, como por fazer do país, e sua cultura milenar e vocação high tech, elementos essenciais ao desenvolvimento da narrativa. Mais do que isso, Wolverine: imortal é visualmente impactante e recupera em muito a linguagem das HQs, como nas cenas em que Wolvie luta com um capanga da Yakuza no topo de um trem em alta velocidade ou quando entra em um bar, logo no início do filme, em busca de uma justiça que apenas alguém como ele poderia buscar.
Wolverine: imortal se passa pouco tempo depois dos eventos de X-men: o confronto final (2006) e Logan está atormentado pela culpa por ter tido parte fundamental na morte de Jean Grey. Isolado do mundo e tendo pesadelos que se provam cada vez mais perigosos, Logan é localizado por uma emissária de Yashida (Hal Yamanouchi), um soldado japonês a quem Logan salvou na iminência dos bombardeios que selaram a segunda guerra mundial. Yukio (Rila Fukushima) chama Logan para ir a Tóquio para que esse homem, que hoje é um verdadeiro magnata e está às vésperas da morte, possa se despedir. Nada é o que parece ser e uma intriga familiar e o desejo de ascender a eternidade de Yashida colocam Logan no epicentro de uma trama cheia de ação e que nada fica a dever às melhores histórias do mutante nos quadrinhos.
Não obstante, Logan se apaixona por Mariko (Tao Okamoto), neta de Yashida, e se esforça para protegê-la, no que o colocará em face de um perigo ainda maior.

Reencontro: Wolverine: imortal propõe um reencontro de Logan com sua essência e seu propósito

Se Wolverine: imortal tem em seus dois primeiros atos, uma força narrativa sólida e, ainda que sem grande complexidade, bem fundamentada e cativante, seu último ato descamba para um clímax previsível e com cenas de ação banais. Nada que interfira no bom resultado final. Muito em parte porque o filme projeta o retorno do pária que é Wolverine a seus melhores dias. O ronin (um samurai sem honra, sem mestre) finalmente encontrou a paz e foi em um país estrangeiro e nos braços de uma mulher. É uma pegada romântica, em um filme selvagem, que traduz fielmente o espírito do personagem.
Fazer de Wolverine: imortal essa jornada íntima à raiz de sua culpa, e ainda assim um filme de ação apresentável, foi um acerto em muito possível pelo afinco com que Hugh Jackman vive o personagem. Essa sinergia entre realização e um ator tão à vontade na pele de um personagem tão multifacetado e com tanto ainda por ser explorado rendeu um filme que faz crer no futuro de Wolverine no cinema.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Filme em destaque - Wolverine: imortal


A Fox queria mudar. X-men origens: Wolverine (2009) não chegou a ser um fracasso retumbante nas bilheterias – arrecadou cerca de U$ 373 milhões internacionalmente tendo custado pouco mais de U$ 120 milhões – mas não deixou boa impressão na crítica, na indústria e, principalmente, no público que esperava um filme menos banal sobre a origem de um dos personagens mais complexos do universo mutante.
Com a sequência garantida e o universo X em vias de expansão com X-men: primeira classe que seria lançado em 2011, o estúdio já sabia para onde queria ir: ao Japão. Algumas das melhores sagas com o personagem nas HQs se passam no Oriente e era a manobra certeira para revestir o filme de uma complexidade que inexistia no primeiro filme. Hugh Jackman, que além de ser o astro do longa é produtor associado, sugeriu Darren Aronofsky – com quem havia trabalhado em Fonte da vida (2006) e que estava em alta com a celebração em torno de Cisne negro (2010). Aronofsky aceitou o convite da Fox e a pré-produção foi iniciada em cima do argumento pincelado pelo roteirista Christopher McQuarrie de Os suspeitos e Jack Reacher – o último tiro. Aronofsky e Fox, no entanto, estavam em desacordo quanto aos rumos da trama e como a narrativa deveria se desenvolver. Oficialmente, a renúncia de Aronofsky à direção – que chegou a ser tema da seção Insight à época – se deveu à indisposição do diretor de passar um período dilatado de tempo no Japão, mas Aronofsky, então em um processo de separação de Rachel Weisz, insinuou vez ou outra que não embarcaria no projeto se não detivesse o corte final do filme.
A pressão do estúdio pesou e Hugh Jackman foi buscar em outro versátil diretor com quem já havia trabalhado o abrigo que o personagem precisava. James Mangold, que dirigiu Jackman no romance Kate & Leopold (2001), já comandou comédias de ação como Encontro explosivo (2010) e faroestes como Os indomáveis (2007). Era uma escolha plausível dentro da opção do estúdio de ter um diretor competente e habilidoso em termos narrativos, mas fiel aos tramites de uma superprodução de estúdio.
Mark Bomback e Scott Frank então reescreveram o roteiro aproveitando a espinha dorsal do texto de McQuarrie e Wolverine: imortal, que chega nesta sexta-feira (26) aos cinemas brasileiros, começou a se tornar uma realidade.
 
Ah, as mulheres: boas ou más, elas movem a trama do novo filme estrelado pelo mutante canadense
 
 
Complexidade emocional e inspiração em HQ consagrada
Levar a trama para o Japão fazia parte do projeto de destacar os conflitos emocionais de Logan, totalmente negligenciados no filme de 2009. A inspiração, ainda que não devidamente creditada, é a HQ “Eu, Wolverine”, escrita por Chris Claremont e desenhada por Frank Miller em 1982.
A trama também se resolve como ponte entre a trilogia X-men original e o próximo filme da saga mutante, X-men: days of future past. Nesse contexto, Logan vai ao Japão atormentado pela morte de Jean Grey e se sentindo amaldiçoado por sua imortalidade. Como uma fera acuada, ele é sabotado por uma pessoa que cria lhe querer bem e todos sabem como age Wolverine quando provocado. James Mangold foi buscar referência em uma HQ clássica do herói e esse expediente tem se provado frutífero no universo mutante no cinema. X2 (2003), para muitos o melhor filme da franquia X, também é baseado em uma HQ assinada por Cris Claremont (“O conflito de uma raça”) e o aguardado “encontro de gerações” em X-men: days of future past (2014), por sua vez, é inspirado na saga “Dias de um futuro esquecido”.
A recepção da crítica, de maneira geral, tem sido positiva. Hugh Jackman, em especial, recebe elogios efusivos por sua sexta encarnação do personagem. Sobram elogios para o ator até mesmo de quem não embarcou na onda do filme. O australiano, porém, sabe que carrega o filme nas costas e que esses elogios não vendem ingressos. A maratona promocional de Wolverine: imortal, justamente por isso, beirou a insanidade. Jackman em um espaço de uma semana esteve em países diversos como Coréia do Sul, Japão, Inglaterra, Espanha, e Estados Unidos.
A aposta da Fox no longa é tão alta que a distribuidora nacional apostou até em merchandising na novela das nove. Com os filmes estrelados por super-heróis rendendo seguramente mais de U$ 500 milhões nas bilheterias mundiais, reside em Wolverine imortal a responsabilidade de ser o primeiro filme com gene X a romper essa barreira.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Spotlight on - O texto do ator

Lars Von Trier orienta Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg no set de AntiCristo: atores que encontram na fisicalidade a força de suas performances


O Oscar deste ano foi eloquente em destacar performances que encontraram na fisicalidade sua matéria prima. Joaquin Phoenix em O mestre é um exemplo perfeito. É por meio de seu corpo, frequentemente turvo, de sua postura rebelde, sua aparência mal adornada e seu gestual agonizante que muito da vulnerabilidade de seu personagem, um tipo passivo agressivo, se revela ao expectador. No filme de Paul Thomas Anderson, Phoenix vive um homem com uma mente frágil. Não é certo se essa condição é consequência de sua atuação na segunda guerra mundial ou uma herança genética – já que sua mãe é diagnosticada como louca. Phoenix investe na abordagem física em uma composição que privilegia seu corpo como seu texto. É através dele que sua atuação fala.
Ainda que com aspectos distintos, é mais ou menos o mesmo que se verifica no Lincoln de Daniel Day Lewis. Ator conhecido por seu método peculiar de atuar, Day Lewis investe em uma caracterização consistente com a memória que se tem de Lincoln. O ator estudou desde o sotaque da região em que Lincoln cresceu até a postura que ele mantinha em reuniões de gabinete. Como são poucos os registros formais de Lincoln e sua época, Day Lewis tinha significativo espaço para criar. Sua autoridade como intérprete, aliada à conveniência da maquiagem, favorecem uma composição que encontrou críticas elogiosas. O New York Times saiu-se com a seguinte: “Daniel Day Lewis é mais Lincoln do que Lincoln”. Filmado por Spielberg sempre de um ângulo inferior, Day Lewis – que já é alto – surge imponente. Mas escolhe uma postura curva – talvez para sinalizar o peso sobre as costas do homem – como um recurso tão eloquente quanto seu olhar penetrante.
Bradley Cooper, por O lado bom da vida, apresenta a atuação mais minimalista entre as indicadas. Mas não deixa de conter elementos textuais interessantes. Sempre inquieto, como se seu corpo emitisse eletricidade, providencialmente menos bonito do que geralmente aparece, Cooper investe em uma composição que congrega a fragilidade do seu personagem – um bipolar que ainda não sabe exatamente como reagir a esse diagnóstico – e sua indevassável vontade de viver a felicidade. Sua companheira de cena, Jennifer Lawrence é ainda mais feliz no uso que faz de seu corpo. Não só pelo olhar de David O. Russell ser generoso com sua sensualidade incontida, mas por saber se insinuar para a câmera com um misto de angústia e indiferença. As variações de humor de sua personagem são sempre muito bem expressas por seu gestual expansivo e seus olhares miméticos. Emmanuelle Riva, que também concorreu ao Oscar, tem no corpo o eixo central de sua atuação. Vivendo uma idosa vítima de um AVC com os movimentos do corpo cada vez mais restritos, Riva encontra expressividade na contenção e faz de seu corpo o vaso para uma atuação basicamente artesanal.

Hugh Jackman em cena de Os miseráveis: seu corpo é um elemento tão importante para sua atuação quanto a sua voz...

Daniel Day Lewis é um ator que valoriza a expressão corporal na composição de suas atuações

Em outra frente, Hugh Jackman e Anne Hathaway em Os miseráveis submeteram seus corpos a intervenções da realização que modificam por completo a percepção de seus trabalhos. Jackman, por exemplo, teve de emagrecer para depois engordar para o papel, raspar a cabeça e cantar a plenos pulmões enquanto fazia força. Hathaway também teve de perder peso e raspar a cabeça – algo sempre mais dramático para uma mulher. A opção de Hooper por colar a câmera no rosto de seus intérpretes faz com que o corpo do ator seja também texto do diretor e não mais apenas do ator. Há cineastas que gostam de falar por meio do corpo de seus atores. Darren Aronosfky recuperou seu status no cinema americano ao explorar cada poro de Mickey Rourke em O lutador, filme sobre um ex-lutador de wrestling longe de seus dias de glória. A experiência se mostrou frutífera. Em seu filme seguinte, Cisne negro, ele explorou a fragilidade física da bailarina vivida por Natalie Portman. Nunca uma performance no cinema conectou tanto o físico no emocional.
Steve McQueen tem no corpo de Michael Fassbender a sua pena. Em filmes como Hunger e Shame ele expõe o corpo de Fassbender como recurso narrativo ímpar na construção que faz dos personagens (um homem em greve de fome, no primeiro, e um viciado em sexo, no segundo) e de seus dramas. A diferença entre os trabalhos verificados no Oscar deste ano e esses dirigidos por Hooper, Aronofsky e McQueen é que nos últimos há uma apropriação pelos diretores dos corpos dos atores enquanto que nos primeiros são os atores que usam os próprios corpos como discurso. É uma equação interessante. Verifica-se, portanto, que o corpo do ator pode servir a dois tipos de discurso distintos em um mesmo filme. Sem a presença tergiversada de Phoenix em O mestre, Paul Thomas Anderson jamais conseguiria dar conta da complexidade de suas proposições no filme e, ao mesmo tempo, em suas sutilezas, Phoenix reafirma-se como intérprete imaginativo e cria um personagem que desperta curiosidade e não necessariamente empatia. Se causasse empatia, Phoenix teria falhado como ator. Em Shame, por exemplo, a preocupação de Fassbender é inversa. Enquanto deixa o olhar de McQueen devassar seu corpo, o ator se preocupa em preencher emocionalmente um personagem vago na concepção estética da realização. Confirmando a bidimensionalidade do corpo do ator enquanto texto.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Crítica - Os miseráveis



Somos todos miseráveis!

O impacto de se assistir Os miseráveis (Les Misérables, EUA/ING 2012) é algo que precisa ser destacado, ainda que ele esteja diretamente relacionado à tolerância do espectador a musicais. O filme de Tom Hooper, adaptado da obra atemporal e ainda vaticinante de Victor Hugo, em maior amplitude, e da bem sucedida versão musical para os palcos assinada por Trevor Nunn e John Caird, mais especificamente, é um poderoso testamento da força de uma narrativa bem construída e conduzida. Para isso, a direção de Tom Hooper foi fundamental. Se em O discurso do rei, pelo qual ganhou o Oscar de direção, os ângulos eram quadrados e a câmera sempre posicionada de maneira acadêmica e comportada, em Os miseráveis começa pelo posicionamento da câmera a força do que se vê na tela. Hooper aborda seus atores com ímpeto e intensidade (colando a câmera em seus rostos com menos de um palmo de distância) e sabe quando abrir a imagem para aproveitar o fato do musical que se assiste ser assistido no cinema – valorizando os cenários majestosamente criados. Todas as escolhas da direção são acertadas. Outra, por exemplo, é a captação das performances vocais “ao vivo”, ou seja, no take da cena e não em pós-produção. Esse recurso inflaciona a emoção da cena e possibilita uma conexão mais avantajada da platéia com os personagens. Esse compromisso com o hiper realismo faz de Os miseráveis um musical mais denso e insidioso do discurso já clássico e ressonante do material original.
Deriva daí outro acerto de Hooper que com suas opções, e fundir a áspera crítica social de Victor Hugo e seu exame das diferenças e ressentimentos entre classes sociais à lógica do musical nesses termos é a mais reluzente delas, expõe as vísceras do argumento de Hugo com proeminência jamais vista.
Hugh Jackman brilha intensamente como Jean Valjean, o homem preso por mais de 20 anos por ter roubado um pão e que depois ascende à riqueza sem deixar de experimentar outros tantos infortúnios. Jackman e Anne Hathaway como Fantine são os picos de um filme que se desenrola via música e ambos, performáticos e bons cantores, se garantem como sustentáculos da obra. Russell Crowe como o implacável Javert é outro acerto, ainda que não apresente a mesma afinação de seus co-protagonistas.

Tom Hooper e Hugh Jackman nos sets de Os miseráveis: um diretor que tomou decisões corajosas e todas elas foram acertadas

O filme de Hooper oscila quando o mote amoroso ganha destaque, mas não perde de vista o poderoso discurso em que vislumbra a verdade da qual todos os personagens desejam escapar: somos todos miseráveis. Seja Javert flagrado em sua busca sem sentido, Valjean que não pode escapar de um passado pernicioso, Fantine em seu abandono e desamparo, Marius (Eddie Redmayne) e Cosette (Amanda Seyfried), por apaixonarem-se no pior dos momentos, Éponine (Samantha Barks), por apaixonar-se por um homem que não a enxerga, ou mesmo os parisienses por ainda não terem “voz”.
O musical de Hooper, entre o solene e o íntimo, dá tintas definitivas a uma história por si só cativante e etérea. É um musical superlativo, mas o é para quem aprecia a riqueza narrativa oferecida por musicais. Mais do que outros tantos musicais que buscam um público mais amplo, no que pode ser apontado como o único problema do filme de Hooper, é sua predisposição de pregar apenas para os convertidos. 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja dos atores

Da esquerda para a direita: Joaquin Phoenix (O mestre); Denzel Washington (O voo); Daniel Day Lewis (Lincoln); Hugh Jackman (Os miseráveis); Bradley Cooper (O lado bom da vida)



Bad boy potente

Phoenix é um ator que tem a admiração de Daniel Day Lewis. Essa frase diz muito sobre a disputa pelo Oscar de melhor ator neste ano e, também, sobre a força interpretativa que é esse ator porto-riquenho. Tipo mais complexo do que seus personagens, Phoenix brinda a audiência de O mestre com uma performance devastadora, seja por sua fisicalidade, seja por sua gravidade emocional ou pela fluência que estabelece no texto do filme. Sua indicação é prova de que talento (e reconhecimento) nem sempre advém de bom mocismo.

Prós:
- Defende uma atuação que exige perícia em praticamente todos campos da interpretação
- Emplacou a indicação mesmo maldizendo o Oscar e os prêmios de cinema. Uma prova de que seu trabalho realmente impressionou
-Foi quem mais ganhou prêmios na temporada depois de Daniel Day Lewis
- O Oscar poderia ser o “perdão” e “voto de confiança” de Hollywood em Phoenix depois de seus desvios de conduta
- É um ator poderoso, sempre envolvido em trabalhos com forte veia autoral. É a única opção com essas características para quem não quiser premiar Day Lewis pela terceira vez
- A percepção dominante de que O mestre é “um filme de atores”

Contras:
- Típico bad boy e antipático. Perfil que não costuma ser recompensado pela Academia
- Falou mal do Oscar e tem quem possa entender que indicá-lo já é nobreza demais por parte da Academia
-A sombra poderosa de Daniel Day Lewis
-O fato de relativamente poucos acadêmicos terem visto O mestre, ou mesmo gostando do filme, em face dos filmes de seus concorrentes
- Não ganhou nenhum prêmio major na temporada

Terceira indicação
Indicações anteriores
Ator coadjuvante por Gladiador (2001)
Ator por Johnny & June (2006)

Ator de verdade

A indicação ao Oscar para Bradley Cooper causou estranheza em muita gente. Mas Cooper estava preparado para isso. Como o bipolar em busca de colocar sua vida em ordem depois de deixar a rehab em O lado bom da vida, o ator conquista mais do que o reconhecimento da Academia. Ganha o selo de ator de verdade. É azarão supremo no Oscar, mas deixa a desconfiança para trás.

Prós:
- Está no filme cujo elenco é o mais festejado pela Academia em 31 anos
- É um tipo de atuação minimalista que muitos acadêmicos apreciam
- Pode se beneficiar da química que tem em tela com Jennifer Lawrence e conquistar votos de acadêmicos propensos a votar nela
- Dos indicados, fora Day Lewis e Phoenix, é o único que recebeu algum prêmio na temporada

 Contras:
- Foi indicado por uma comédia e é raro atores serem vitoriosos nessa categoria por uma comédia. O último foi Jack Nicholson em 1998 por Melhor é impossível
- É um ator com pouco trânsito em premiações. O background desfavorável pode pesar com o voto conservador
- A sombra poderosa de Daniel Day Lewis
- Não ganhou nenhum prêmio major na temporada
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente

Primeira indicação

O mito vivo

Diz a lenda que Daniel Day Lewis pode interpretar qualquer coisa. Reparem que já há uma lenda sobre Daniel Day Lewis. Como competir contra isso? Na pele de Abraham Lincoln, o presidente mais popular da história dos EUA, esse gigante da atuação clama por seu terceiro Oscar com uma atuação mediúnica. Sim porque não há como ser mais Lincoln do que o é Day Lewis no filme de Spielberg. Ainda que não seja exatamente a melhor atuação do ano, é uma revestida do brio e detalhismo que a academia gosta de premiar.

Prós:
- É Daniel Day lewis
- Ganhou todos os prêmios majors da temporada (Globo de ouro, Critic´s choice Awards, SAG e Bafta)
- Ganhou a grande maioria dos prêmios da crítica
- A percepção bastante difundida de que Lincoln é mais dele do que de Spielberg
- O fato da Academia nos últimos anos ter começado a premiar atores já premiados com maior frequência (Sean Penn, Meryl Streep e o próprio Day Lewis são exemplos)
- A academia deu um terceiro Oscar para Meryl Streep no ano passado; por que não concedê-lo a Day Lewis agora?
- Reúne admiradores em todas as vertentes da Academia. Desde o voto mais liberal até o mais conservador

Contras:
- Já tem dois Oscars e ganhou o segundo recentemente
- Por seu habitual nível de excelência, muitos acadêmicos podem julgar que a indicação já é suficiente
- Meryl Streep ganhou três Oscars em 17 indicações. Há quem possa ver problemas em conceder um terceiro a Day Lewis em cinco indicações
- O fracasso de Lincoln em muitas premiações pode custar alguns votos ao ator

Quinta indicação
Indicações anteriores
Ator por Meu pé esquerdo (1990)
Ator por Em nome do pai (1994)
Ator por Gangues de Nova Iorque (2003)
Ator por Sangue negro (2008)

Vitórias anteriores
Ator por Meu pé esquerdo (1990)
Ator por Sangue negro (2008)


O bem amado

Quem não gosta de Hugh Jackman? Tem alguém? É possível, mas improvável. O australiano é a mais relevante personificação do boa praça hollywoodiano. Action star de respeito, ator de teatro premiado e uma simpatia que só. Jackman tem pontos extras junto à Academia por ter sido o (inusitado) melhor host da cerimônia dos últimos 20 anos. Como Jean Valjean em Os miseráveis ele recebe uma indicação que certamente lhe deixará ainda mais irresistível como estrela de cinema.

Prós:
- É uma figura muito querida no metiê hollywoodiano
- Teve que perder muitos quilos para o papel e a academia aprecia essa “entrega física”
- Defende uma atuação bastante exigente e com canto ao vivo
- Ganhou o Globo de ouro de melhor ator em comédia/musical

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- A sombra poderosa de Daniel Day Lewis
- Muitos podem entender que ele exercita mais predicados de cantor do que de ator
- É bem claro que não é a melhor atuação entre os concorrentes

Primeira indicação


Ainda vivo

Muita gente pensou que Denzel Washington tinha acabado para o cinema. Que o ator estaria restrito a papéis em filmes de ação ou que pouco lhe demandassem dramaticamente. Como um piloto com problemas de alcoolismo em O voo, Washington derruba essa avaliação com possivelmente a melhor performance de sua carreira. A nomeação em si já tem sabor de Oscar.

Prós:
- É um dos atores mais aclamados de sua geração
-É uma opção eficiente, e até certo ponto conservadora, a Day Lewis
-Assim como De Niro e Sally Field retorna ao Oscar depois de um longo e tenebroso inverno
- Sua atuação em O voo é seguramente um de seus melhores momentos na carreira
- Personagens com problemas alcoólicos costumam render Oscar. Nicolas Cage e Spencer Tracy são alguns dos vencedores por papéis com essas características

Contras:
- Assim como Day Lewis, já tem dois Oscars
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- A habitual competência pode fazer com que muitos acadêmicos pensem que a indicação já é suficiente

Sexta indicação
Indicações anteriores
Ator coadjuvante por Um grito de liberdade (1988)
Ator coadjuvante por Tempo de glória (1990)
Ator por Malcom X (1993)
Ator por Hurricane: o furacão (2000)
Ator por Dia de treinamento (2002)

Vitórias anteriores:
Ator coadjuvante por Tempo de glória (1990)
Ator por Dia de treinamento (2002)


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Mr. nice guy




Faz pouco mais de 12 anos que o australiano Hugh Jackman tomou Hollywood de assalto. Em 2013 ele retorna ao papel que o possibilitou, além de visibilidade, o estrelato. Antes de exibir as garras de adamantium de Wolverine novamente, porém, Hugh Jackman pode obter uma valorização ímpar no cinema. Uma indicação ao Oscar. Poucos sabem, mas Jackman é muito mais talentoso do que suas incursões no cinema de ação sugerem. Dono de vasto repertório dramático, Jackman além de ótimo timing cômico como mostrado em filmes como (Alguém como você e Kate & Leopold) é exímio dançarino e ótimo cantor. Quem não conhecia seu repertório nos palcos (um sucesso de público a cada nova temporada na Broadway) se maravilhou com sua performance como host do Oscar 2009. Até quem já conhecia essa outra verve do ator se encantou com sua simpatia, desprendimento e habilidade para apresentar o maior espetáculo televisivo do planeta.
Hugh Jackman esteve duas vezes no Brasil. Na primeira, ainda não gozava da força de sua celebridade, então em formação, mas deixou boas impressões quando veio divulgar o filme A senha: swordfish em 2001. Quando voltou, em 2009, para promover o primeiro filme solo de seu personagem do coração, Wolverine, tietou Ronaldo, recebeu cantadas de Sabrina Sato e confirmou a pecha de Mr. Simpatia em terras brasileiras.
O ator em sua segunda passagem
pelo Brasil
Jackman encanta desde jornalistas, de ambos os sexos, que batem um papo com ele, até suas parceiras de cena. Anne Hathaway se disse seduzida por ele, Amanda Seyfried contou que não conhece homem com mais sex appeal e Ashley Judd, quando atuou com o ator, disse que não esperava que Jackman aliasse tão bem características masculinas que, segundo ela, estão em falta nos homens. Mas gente como Baz Luhrmann, Bryan Singer, Woody Allen, Russell Crowe e Christian Bale também é só elogios ao astro que pode no próximo 10 de janeiro passar a condição de “indicado ao Oscar”, um degrau a mais na escala do olimpo hollywoodiano que gente boa como Jim Carrey, Ewan McGregor e Richard Gere ainda não galgaram.
Jackmam, além da voz potente e do carisma acima de qualquer suspeita, conta a favor de sua possível candidatura ao Oscar por Os miseráveis com a simpatia irrestrita dos membros da academia. Algo que seus principais concorrentes, Bradley Cooper, Joaquin Phoenix e Richard Gere não ostentam. Não é uma vantagem descartável.
O reconhecimento com uma nomeação, se ela vier, consagrará em mais um tom uma carreira tão meteórica quanto tardia; mas também equilibrada e bem calculada. Hugh Jackman pode até não ser o melhor ator do ano, mas difícil alguém batê-lo no troféu simpatia.  

No aniversário da atriz, Hugh Jackman cantou para ela e Amanda Seyfried não resistiu e lhe tascou um selinho emocionada...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Momento Claquete # 28

Momentos do Oscar...

 Charlton Heston empunha seu Oscar conquistado pelo épico Ben-Hur em 1960

O taiwanês Ang Lee foi o primeiro diretor oriental a ganhar o Oscar de direção. Ele já havia concorrido em 2001 com chinês O tigre e o dragão, mas a vitória veio com o independente americano O segredo de Brokeback mountain 

Jessica Lange e Meryl Streep empunham seus Oscars em 1983. A primeira ganhou como coadjuvante por Tootsie e a segunda como atriz principal por A escolha de Sofia. Meryl, em 2012, disputa o Oscar pela 17ª vez 

Halle Berry, a primeira atriz negra premiada na categoria principal, posa ao lado de Denzel Washington após a consagração dos dois na cerimônia de 2002. Berry surpreendeu ao vencer por A última ceia e Washington superou o favorito Russell Crowe e ganhou por Dia de treinamento

Robert De Niro com aquele olhar malicioso após a conquista de seu primeiro Oscar pela segunda parte da trilogia O poderoso chefão. Ele voltaria a triunfar alguns anos mais tarde por Touro indomável

Angelina Jolie, com um corpo mais libidinoso do que apresenta atualmente, é alegria incontida após a vitória como atriz coadjuvante em 2000 por Garota interrompida 

Quentin Tarantino em momento "Epa" ao receber seu Oscar pelo roteiro original de Pulp fiction-tempos de violência em 1995  

Hugh Jackman foi seguramente o melhor host do Oscar nos últimos 20 anos. O charme do apresentador da cerimônia de 2009 pode ser percebido nessa foto promocional

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Crítica - Gigantes de aço

Rocky de metal!

Não deixa de ser surpreendente o efeito que Gigantes de aço (Real steel, EUA 2011) provoca no espectador. Com uma premissa mais ajustada à ficção científica, essa improvável incursão do diretor Shawn Levy pelo gênero se mostra um drama sobre paternidade bastante edificante.
Hugh Jackman vive Charlie Kenton, ex-pugilista com sérios problemas financeiros e de autoestima. Essa combinação lhe embute um comportamento autodestrutivo. Estamos falando de um cara que, literalmente, vende o filho para custear suas apostas. As apostas de Charlie são em robôs lutadores. A história de Gigantes de aço se passa em 2020 e o boxe volta a reinar como principal esporte de luta, só que no ringue estão máquinas e não humanos.
É da convivência forçada – fruto de um acordo financeiro com o tio de seu filho - entre Charlie e o menino Max (o cativante Dakota Goyo), que pai e filho vão notando as muitas similaridades que os aproximam. Essa aproximação ganha velocidade quando Atom, um robô achado no ferro velho, entra na história.
Todos os elementos de um bom drama familiar e de um bom filme de boxe estão presentes em Gigantes de aço. As cenas de luta, coreografadas com a assistência do performance capture, engrandecem um espetáculo visual que encontra par nas carismáticas atuações do par de protagonistas.

Evangeline Lilly e Hugh Jackman em cena do filme: aí você aperta aqui e ó...


É redenção para todo lado. Charlie se redime do passado omisso como pai, tem seu grande momento como lutador de boxe em um ringue (ainda que com ressalvas) e um robô desacreditado triunfa na principal liga de boxe. 
É verdade que não há a envergadura dramática de produções recentes ambientadas no universo do boxe como A luta pela esperança (2006) ou O vencedor (2010), mas Gigantes de aço compensa essa “desvantagem” com muito carisma, energia e bom humor.
Uma das boas surpresas de 2011 nos cinemas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Filme em destaque: Gigantes de aço


O diretor de Uma noite no museu se junta ao Wolverine para rodar um dos melhores filmes de boxe desde o primeiro Rocky; e Steven Spielberg põe robôs e drama familiar na mistura do blockbuster mais "fofo" da temporada


Filmes de boxe constituem um gênero a parte em Hollywood. Mas como bem sabe o leitor, o boxe, como esporte, vem perdendo espaço para o MMA (artes marciais mistas), cujo principal expoente é o UFC (Ultimate Fight Championship). Esse fator é abordado em determinado momento de Gigantes de aço (Real steel, EUA 2011), filme que recupera o status do boxe no cinema e o faz de maneira bem peculiar.
A trama, adaptada do conto de Richard Matherson – mesmo autor de Eu sou a lenda, se situa em 2020, quando robôs substituem os humanos em esportes violentos como o boxe.
Hugh Jackman vive Charlie Kenton, um ex-pugilista que não se tem em grande estima. Com compulsão por apostas, integra o submundo das lutas de boxe onde, além de contrair dívidas, perde robôs. Charlie, que tem um filho que não quis conhecer, enxerga na disputa pela custódia de Max (Dakota Goyo) com os tios abastados (papéis de Hope Davis e James Rebhorn), uma chance de faturar algum dinheiro.
Charlie cede a custódia de Max por U$ 100 mil, mas aceita ficar com o garoto durante um curto período em que os tios estarão fora do país. É nesse período que se dará a aproximação entre os dois.  E o robô Atom será um importante catalisador nesse sentido. Atom é um robô que Charlie e Max descobrem no ferro velho. Aí está outro forte componente do filme: a capacidade de redenção. Um robô desenhado para ser sparring (robô de treino) capaz de vencer lutas e propiciar a união de pai e filho em torno de um objetivo em comum.
“Primeiro queria lidar com alguém que se achava tão pouco. O que faz uma pessoa agir daquele jeito, tentar ser tão desagradável, fazer com que ninguém se aproxime”, explica Hugh Jackman, em entrevista promocional, sobre o que o atraiu no personagem.
A relação de Charlie Kenton e Max é bastante cara a filmes que levam a chancela de Steven Spielberg e Gigantes de aço é produzido por Spielberg, que confiou a direção ao improvável Shawn Levy de filmes como Uma noite fora de série (2010) e Uma noite no museu (2006).

 Preparação intensiva: Atom e Charlie treinam de uma maneira bem peculiar...


 ... para encarar o desafio contra Zeus, o atual detentor do cinturão de campeão


Emoção e humor
O que mais chama a atenção em Gigantes de aço, a despeito das ótimas cenas de ação rodadas com a tecnologia motion capture, é o coração do filme. Max é incrivelmente carismático e sarcástico. Sua relação com o pai começa pelo viés de um humor mais ácido e dá vez a emoção à medida que o clímax se aproxima.
Uma referência sólida é Rocky – um lutador (1977), talvez o mais emblemático filme de boxe do cinema americano. Portanto não se pode esperar uma ficção científica vistosa. “Um aparelho de celular pode mudar em 20 anos, mas um jantar vai continuar parecendo um jantar. Eu queria que tudo fosse familiar para o espectador”, argumenta Levy, deixando claro que fazer uma ficção científica não era a prioridade.
E Gigantes de aço, de fato, se assemelha mais com a atmosfera de um filme de boxe do que com uma ficção científica. As duas semanas no topo das bilheterias americanas averiguam que o boxe pode já não ostentar grande destaque entre os americanos nos ringues, mas continua soberano nas telas de cinema. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, o primeiro de uma série de filmes com um dos maiores mitos do cinema, o drama de Wolverine, Claquete expandindo suas fronteiras e um ator brasileiro cujas fronteiras já estão bem expandidas.



Claquete no Facebook
O leitor que acompanha Claquete, desde o dia 1º de outubro, tem mais uma plataforma para curtir o blog. Trata-se da fan page oficial no Facebook, que pode ser conferida aqui. A ideia por trás da fan page é estreitar os laços com o leitor. Possibilitar uma interação maior com o público e certa pontualidade no trânsito de notícias que falta à formatação do blog. Na fan page, além de constarem atualizações e outras matérias interessantes publicadas em Claquete, serão postados links de matérias pertinentes ao universo abordado pelo blog. Dentro desse contexto, o leitor irá encontrar drops de notícias do dia, imagens, vídeos, links para outros blogs interessantes ou notícias relacionadas ao cinema em destaque em sites especializados. A fan page, como pode se perceber, é uma extensão sensorial do blog, com vistas a tornar o leitor mais bem informado, contextualizado e satisfeito.


Hugh Jackman vendendo seu peixe
O ator australiano deu uma entrevista no último final de semana, na premiere australiana de seu mais recente lançamento, Gigantes de aço, sobre o imbróglio envolvendo The Wolverine. Jackman confirmou que as filmagens devem começar em janeiro, negando boatos de que em virtude das filmagens de Os miseráveis haveria um novo adiamento, e disse que a nova versão do roteiro é mais “consistente” do que a anterior assinada por Darren Aronofsky. Jackman mantém o discurso de que a nova produção, agora a cargo de James Mangold, será radicalmente diferente de X-men origens: Wolverine (2009). Vale lembrar que aquele filme fez relativo sucesso de público, mas não caiu no gosto da crítica.

Hugh Jackman na premiere de Gigantes de aço: The Wolverine, em algum momento, vai sair...


Toda a glória de Marilyn
Bem sabe o leitor de Claquete que estão para sair do forno três filmes que recriam momentos da vida de Marilyn Monroe. O primeiro deles, My week with Marilyn, é baseado nos registros de Colin Clark – auxiliar do ator Laurence Olivier – sobre as tensas relações entre seu patrão e a atriz de cinema que mais mexe com o imaginário da humanidade. Dirigido por Simon Curtis, de larga experiência na TV, o filme traz um elenco sofisticado para encenar uma história sobre os anais de Hollywood. Existem grandes expectativas sobre a fita que está na programação do Festival de cinema de Nova Iorque que teve Carnage, de Roman Polanski como filme de abertura na última sexta-feira (30). Kenneth Branagh, ator que teve a mesma formação acadêmica de Laurence Olivier, vive o primeiro ator britânico a ser condecorado com o título de Sir. Julia Ormond viverá a atriz Vivian Leigh e Dougray Scott viverá o dramaturgo Arthur Miller, marido de Marilyn. Outros nomes do elenco são Dominic Cooper, Judi Dench, Toby Jones e Emma Waltson, a Hermione da série Harry Potter.
Michelle Williams, que já ostenta duas indicações ao Oscar (O segredo de Brokeback mountain e Namorados para sempre) é um dos nomes fortes para a temporada do Oscar. Isso porque, além de boa atriz, ela conta com uma personagem talhada para premiações. Naomi Watts, que também viverá Marilyn nos cinemas, é a próxima da fila. 





Santoro mostra a sua força
Há quem conteste Rodrigo Santoro. Embora hoje essa fatia de público e crítica seja minoria, ela ainda goza de alguma influência e respaldo estatístico. Rodrigo Santoro, no entanto, parece decidido a esvaziar os argumentos daqueles que o questionam. Com filme novo na praça, o elogiado Meu país que estréia na próxima sexta-feira em circuito nacional, o ator carioca acaba de receber o prêmio de melhor ator no festival de Brasília pelo filme. Foi em Brasília, que Santoro recebeu um de seus primeiros prêmios no cinema, há mais de dez anos, por O bicho de sete cabeças. Mas o prêmio não está sozinho. Santoro foi bastante elogiado pela crítica internacional por sua atuação em Heleno, filme de José Henrique Fonseca que teve premiere internacional no último festival de Toronto. Heleno deve estrear em 2012. Mesmo ano que Santoro apresentará What to expect when you´re expecting. Comédia baseada no livro de auto-ajuda homônimo para grávidas de primeira viagem. Santoro fará par com Jennifer Lopez em uma das comédias mais comentadas da próxima temporada. Não obstante, o ator confirmou participação em outro projeto comentadíssimo. The last stand marca, nada mais nada menos, do que o retorno de Arnold Schwarzenegger aos cinemas. Com ótimas atuações e ótimas estratégias de exposição, Santoro segue firme como um ator de fibra, inteligência e inquietude.  

Rodrigo Santoro demonstra firmeza na condução de sua carreira e convicção na escolha de seus papéis