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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Contexto

A busca pela mulher interior

O novo filme dirigido por Rebecca Miller, A vida íntima de Pippa Lee, se debruça sobre a agonia do cotidiano que muitas mulheres vivenciam. Presas a uma vida de concessões, renúncias e arrependimentos. No filme, Pippa Lee (Robin Wright) após mudar-se de cidade para ajudar na recuperação do marido adoentado, põe-se a rememorar sua trajetória até aquele momento. Enquanto acompanhamos a protagonista nesse exercício de inflexão, somos testemunhas do ataque de ansiedade que lhe acomete. Isso porque, a medida que as escolhas de Pippa vão ganhando caráter definitivo, ou seja, elas a aproximam da pessoa que se tornou, a que nós encontramos no inicio da fita, mais frustrada Pippa fica.
O filme procura antes de advogar sua protagonista, entendê-la. Esse mérito é algo que escapa a produção corrente sobre esse universo almodovariano, por assim dizer. Pippa não sai com “direito” a um recomeço, sem antes passar pelos estágios inerentes a quem precisa, antes de qualquer coisa, se perdoar pelas besteiras que fez pelo caminho.
A despeito das soluções dramáticas do filme e de todo o discurso que se constrói em torno da figura de Pippa Lee, e da representatividade da mulher na casa dos 30 anos nesse principio de século 21, o filme valoriza o debate proposto pela opção de reconhecer a força de suas personagens e o contexto em que estão inseridos.
Outros filmes se servem do mesmo expediente ou enfocam a questão por perspectivas diferentes. A diretora Sofia Coppola se ocupa de explorar o universo feminino em toda a sua plenitude. Filmes como As virgens suicidas, Encontros e desencontros e Maria Antonieta têm em comum a sensação de deslocamento. É como se para Coppola, em uma sociedade machista como a nossa, ser mulher é estar deslocada. Woody Allen utilizou-se da fantasia para versar sobre o tema. Em A rosa púrpura do Cairo, uma mulher se apaixona por um personagem fictício e descobre que a fantasia é melhor do que a realidade. As voltas com um marido brutamontes, a descoberta não a acovarda, ela deixa-o em busca de escrever a própria história.
Almodóvar atingiu o ponto g da questão com Tudo sobre minha mãe. Ao cercar as fases da vida de toda mulher e a forma como isso influi na relação dela com o mundo a sua volta, o cineasta conquistou o título de cineasta do feminino.



Para quem gostou do tema abordado aqui ou deseja aprofundar a questão, Claquete recomenda:

Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar (ESP 1999)
O piano, de Jane Campion (EUA 1994)
As virgens suicidas, de Sofia Copppla (EUA 2000)
Encontros e desencontros, de Sofia Copolla (EUA 2003)
Thelma & Luise, de Ridley Scoot (EUA 1991)
A bela da tarde, de Luis Buñuel (ESP 1967)
A rosa púrpura do Cairo, de Woody Allen (EUA 1985)

Critica - A vida íntima de Pipa Lee

Sobrepondo o vazio da existência!

A rotina familiar, e todo o caos inerente a ela, é algo que sempre fomentou o cinema de Rebecca Miller. Sempre partindo da perspectiva feminina, a diretora e roteirista, elabora um painel sobre o deslocamento do que somos e do que objetivamos ser. Ela retoma essa questão em A vida íntima de Pippa Lee (The private lives of Pippa Lee, EUA 2009). Se em O tempo de cada um (2002) e O mundo de Jack e Rose (2005), os personagens eram flagrados em momentos de decisão, no novo filme, a decisão é evitada ao máximo. Vive-se da postergação da necessidade de se tomar certas decisões. A protagonista de A vida intima de Pippa Lee interioriza tudo, não à toa, descobre-se sonâmbula, um reflexo direto de seu estado de ansiedade.
O filme de Miller é um comentário, algo tenaz, sobre a luta cotidiana para preencher nossas vidas de sentido. Seja do homem de terceira idade que se aproxima da morte, seja da mulher que cada vez mais se identifica com a figura materna que tanto tentou se distanciar, seja da filha que se retira em uma zona de guerra para não conviver com a mãe de quem se ressente. A vida íntima de Pippa Lee versa sobre os insuspeitos rumos da vida. Sobre escolhas que não fazemos, sobre escolhas que fazemos, sobre a culpa que sentimos, sobre a que não sentimos, sobre a que não precisaríamos sentir, mas não conseguimos evitar; enfim, é um filme que assim como sua protagonista se divide em muitos. É justamente aí que A vida intima de Pippa Lee esmorece. O texto de Miller, que adapta obra de sua própria autoria, é muito bom, fluído, tem diálogos de muita força, mas sua direção é algo hesitante, desconexa, contemplativa. Cabia-lhe, no oficio de diretora, ser mais ativa em relação a alguns momentos de seu filme. Reforçar o sentido de algumas cenas e condensar outras. O filme estende-se na rememoração dos eventos que conduziram Pippa Lee a ser quem ela é no momento que a fita se inicia. A princípio, os flashbacks cativam e instigam, mais adiante, parecem apenas apêndices protocolares. Essa inconsistência deve-se a opções, equivocadas, da direção de Miller.
Na fita, testemunhamos Pippa Lee (Robin Wright, na fase adulta, Blake Lively, na adolescência, e Madeleine McNulty, na infância) se adequando a nova mudança que faz em sua vida (mais uma indesejada). Muda-se com o marido, Herb (Alan Arkin) um editor de livros bem mais velho do que ela, para uma cidadezinha mais tranqüila, para que ele possa descansar mais. A partir desse prelúdio, somos convidados a compartilhar da angústia dessa mulher que se descobriu dona de casa, sem ter de fato se questionado o que gostaria de ser quando crescesse. É na performance sutil e comedida de Robin Wright que toda a força do filme se assenta. Sem a contextualização proposta pelo desempenho da atriz, A vida intima de Pippa Lee não seria bem sucedido no comentário que pretende fazer.

Robin Wright e Keanu Reeves em cena do filme: Como foi que chegamos aqui?

No fim das contas, o filme de Miller poderia ser muito melhor do que é. Isso não implica rotular o filme como ruim, é um filme triste, romântico (não no sentido amoroso do termo) e muito honesto. Procura dar voz a um sem número de mulheres que se encaixam perfeitamente na vida de Pippa. Por essa disposição e pela atuação louvável de Robin Wright, o filme torna-se obrigatório.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cenas de cinema

Gente bonita
Foi realizada essa semana em Nova Iorque a pré-estréia americana do filme A vida privada de Pippa Lee. Novo trabalho de Rebbecca Miller, mulher do ator Daniel Day Lewis e filha do dramaturgo Arthur Miller. O filme sobre uma mulher que se predispõe a mudar radicalmente seu modo de vida e de se relacionar com as pessoas após ser abandonada pelo marido é uma das apostas quentes da temporada. O filme estréia nos EUA, e também no Brasil, na próxima sexta-feira, 27 de novembro.


Robin Wright, a diretora Rebbecca Miller e o astro Keanu Reeves chegam a premiere. A gossip girl Blake Lively chega, arrasando com seu decote, um pouco depois

Os 67 anos de uma lenda viva
Martin Scorsese comemorou 67 anos essa semana. Um dos mais importantes cineastas de todos os tempos, e seguramente um dos principais da atualidade, soprou as velinhas no dia 17 de novembro, terça-feira. Scorsese, de origem italiana, revolucionou o cinema americano nos anos 70. Primeiro pela visão desglamourizada do mundo dos gangsters e mafiosos, na contramão do cinema dos anos 20 aos 60, e segundo pela estilização da violência em seus filmes. Muito antes de surgir Quentin Tarantino, esse mirrado ítalo-americano já extraia poesia de cenas de brutalidade. Vanguarda é com ele.
Parabéns para mim!

Da série fotografias que mostram a alma
André Agassi é sem dúvida alguma uma grande figura dentro do mundo das personalidades. Não foram segredos para ninguém os problemas que o ex-tenista viveu na década de 90. Tanto no campo pessoal, um turbulento casamento com a atriz Brooke Shields, tanto profissional, despencou no ranking de entradas da ATP e quase se viu em aposentadoria forçada. Agassi, no entanto, voltou a brilhar. Voltou ao topo da carreira e se casou com a também ex-tenista Steffi Graf. Três anos após a aposentadoria, o tenista lança uma biografia em que põe quase todas as suas (re) conquistas a perder. Independentemente de suas motivações, sejam elas financeiras ou fruto de culpa, a capa de Open é belíssima. A julgar pela foto que estampa seu livro, Agassi se desnudou em definitivo.
Tradução: Minha dignidade em troca de paz de espírito
Só para quem pode...

Foi divulgado pela People essa semana o nome do novo homem eleito o mais sexy do mundo pela publicação. Bem, nem tão novo assim. Aos 46 anos, Johnny Depp foi escolhido pela segunda vez como o ser humano do sexo masculino mais sensual do planeta terra (o ator havia ganhado em 2003, ano do “nascimento” do ícone pop Jack Sparrow). Agora Depp se junta a outras celebridades que já ostentam dois títulos de homem mais sexy da people, como George Clooney e Brad Pitt.
Robert quem?

Só para quem pode... II
A propósito da escolha de Depp, a People deixa patente que a década foi de fato dos quarentões. Além das duas vitórias de Johnny Deep (2003 e 2009), George Clooney (2006), Pierce Brosnan (2001), Hugh Jackman (2008) e Brad Pitt, que se aproximava dos 40 quando ganhou pela segunda vez no ano 2000, mostram que são eles mesmos os donos da bola. Farewell Robert Pattinson, Zac Efron e demais galãs juvenis.