Sobrepondo o vazio da existência!
A rotina familiar, e todo o caos inerente a ela, é algo que sempre fomentou o cinema de Rebecca Miller. Sempre partindo da perspectiva feminina, a diretora e roteirista, elabora um painel sobre o deslocamento do que somos e do que objetivamos ser. Ela retoma essa questão em A vida íntima de Pippa Lee (The private lives of Pippa Lee, EUA 2009). Se em O tempo de cada um (2002) e O mundo de Jack e Rose (2005), os personagens eram flagrados em momentos de decisão, no novo filme, a decisão é evitada ao máximo. Vive-se da postergação da necessidade de se tomar certas decisões. A protagonista de A vida intima de Pippa Lee interioriza tudo, não à toa, descobre-se sonâmbula, um reflexo direto de seu estado de ansiedade.
O filme de Miller é um comentário, algo tenaz, sobre a luta cotidiana para preencher nossas vidas de sentido. Seja do homem de terceira idade que se aproxima da morte, seja da mulher que cada vez mais se identifica com a figura materna que tanto tentou se distanciar, seja da filha que se retira em uma zona de guerra para não conviver com a mãe de quem se ressente. A vida íntima de Pippa Lee versa sobre os insuspeitos rumos da vida. Sobre escolhas que não fazemos, sobre escolhas que fazemos, sobre a culpa que sentimos, sobre a que não sentimos, sobre a que não precisaríamos sentir, mas não conseguimos evitar; enfim, é um filme que assim como sua protagonista se divide em muitos. É justamente aí que A vida intima de Pippa Lee esmorece. O texto de Miller, que adapta obra de sua própria autoria, é muito bom, fluído, tem diálogos de muita força, mas sua direção é algo hesitante, desconexa, contemplativa. Cabia-lhe, no oficio de diretora, ser mais ativa em relação a alguns momentos de seu filme. Reforçar o sentido de algumas cenas e condensar outras. O filme estende-se na rememoração dos eventos que conduziram Pippa Lee a ser quem ela é no momento que a fita se inicia. A princípio, os flashbacks cativam e instigam, mais adiante, parecem apenas apêndices protocolares. Essa inconsistência deve-se a opções, equivocadas, da direção de Miller.
Na fita, testemunhamos Pippa Lee (Robin Wright, na fase adulta, Blake Lively, na adolescência, e Madeleine McNulty, na infância) se adequando a nova mudança que faz em sua vida (mais uma indesejada). Muda-se com o marido, Herb (Alan Arkin) um editor de livros bem mais velho do que ela, para uma cidadezinha mais tranqüila, para que ele possa descansar mais. A partir desse prelúdio, somos convidados a compartilhar da angústia dessa mulher que se descobriu dona de casa, sem ter de fato se questionado o que gostaria de ser quando crescesse. É na performance sutil e comedida de Robin Wright que toda a força do filme se assenta. Sem a contextualização proposta pelo desempenho da atriz, A vida intima de Pippa Lee não seria bem sucedido no comentário que pretende fazer.
A rotina familiar, e todo o caos inerente a ela, é algo que sempre fomentou o cinema de Rebecca Miller. Sempre partindo da perspectiva feminina, a diretora e roteirista, elabora um painel sobre o deslocamento do que somos e do que objetivamos ser. Ela retoma essa questão em A vida íntima de Pippa Lee (The private lives of Pippa Lee, EUA 2009). Se em O tempo de cada um (2002) e O mundo de Jack e Rose (2005), os personagens eram flagrados em momentos de decisão, no novo filme, a decisão é evitada ao máximo. Vive-se da postergação da necessidade de se tomar certas decisões. A protagonista de A vida intima de Pippa Lee interioriza tudo, não à toa, descobre-se sonâmbula, um reflexo direto de seu estado de ansiedade.
O filme de Miller é um comentário, algo tenaz, sobre a luta cotidiana para preencher nossas vidas de sentido. Seja do homem de terceira idade que se aproxima da morte, seja da mulher que cada vez mais se identifica com a figura materna que tanto tentou se distanciar, seja da filha que se retira em uma zona de guerra para não conviver com a mãe de quem se ressente. A vida íntima de Pippa Lee versa sobre os insuspeitos rumos da vida. Sobre escolhas que não fazemos, sobre escolhas que fazemos, sobre a culpa que sentimos, sobre a que não sentimos, sobre a que não precisaríamos sentir, mas não conseguimos evitar; enfim, é um filme que assim como sua protagonista se divide em muitos. É justamente aí que A vida intima de Pippa Lee esmorece. O texto de Miller, que adapta obra de sua própria autoria, é muito bom, fluído, tem diálogos de muita força, mas sua direção é algo hesitante, desconexa, contemplativa. Cabia-lhe, no oficio de diretora, ser mais ativa em relação a alguns momentos de seu filme. Reforçar o sentido de algumas cenas e condensar outras. O filme estende-se na rememoração dos eventos que conduziram Pippa Lee a ser quem ela é no momento que a fita se inicia. A princípio, os flashbacks cativam e instigam, mais adiante, parecem apenas apêndices protocolares. Essa inconsistência deve-se a opções, equivocadas, da direção de Miller.
Na fita, testemunhamos Pippa Lee (Robin Wright, na fase adulta, Blake Lively, na adolescência, e Madeleine McNulty, na infância) se adequando a nova mudança que faz em sua vida (mais uma indesejada). Muda-se com o marido, Herb (Alan Arkin) um editor de livros bem mais velho do que ela, para uma cidadezinha mais tranqüila, para que ele possa descansar mais. A partir desse prelúdio, somos convidados a compartilhar da angústia dessa mulher que se descobriu dona de casa, sem ter de fato se questionado o que gostaria de ser quando crescesse. É na performance sutil e comedida de Robin Wright que toda a força do filme se assenta. Sem a contextualização proposta pelo desempenho da atriz, A vida intima de Pippa Lee não seria bem sucedido no comentário que pretende fazer.
Robin Wright e Keanu Reeves em cena do filme: Como foi que chegamos aqui?No fim das contas, o filme de Miller poderia ser muito melhor do que é. Isso não implica rotular o filme como ruim, é um filme triste, romântico (não no sentido amoroso do termo) e muito honesto. Procura dar voz a um sem número de mulheres que se encaixam perfeitamente na vida de Pippa. Por essa disposição e pela atuação louvável de Robin Wright, o filme torna-se obrigatório.