sábado, 13 de outubro de 2012

Crítica - Um divã para dois


Driblando a rotina

A reedição da parceria entre David Frankel e Meryl Streep, que emplacaram o grande sucesso O diabo veste Prada em 2006, apresenta uma comédia terna e bem intencionada sobre os rumos de um casamento duradouro e, principalmente, sobre o esforço para resgatá-lo da rotina. Um divã para dois, título nacional algo boboca para Hope Springs (EUA 2012), mostra a história de Kay (Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones). Depois de 31 anos de casamento, eles se encontram engessados em um casamento sem intimidade e assombrado por uma rotina entediante – principalmente para Key. Parte dela a iniciativa de se submeter a uma terapia de casal intensiva na cidadezinha que batiza originalmente o filme. Arnold aceita com aquela (in) disposição tão característica de maridos contrariados.
O forte do filme acaba sendo as sessões com o Dr. Feld (Steve Carell) em que os atores se veem na contingência de alternar momentos de humor com outros de tensão ou drama. Ainda que Frankel não demonstre a mesma habilidade que detém para construir cenas cômicas nos momentos dramáticos, Jones e Streep – seguros e dedicados à verdade de seus personagens – compensam qualquer deficiência.
A trama se desenvolve com ternura e respeito pelos personagens. Esse é o maior acerto de Frankel. Não permitir que os clichês – indesviáveis em um filme que é, antes de qualquer coisa, uma comédia – atropelem a evolução dos personagens.
O bom texto de Vanessa Taylor não minimiza o valor da terapia, nem desobstrui os percalços do casal para que a relação amorosa volte a brilhar. É um acerto estratégico e que transforma esse filme maduro em uma opção valiosa em uma temporada de filmes desprovidos desse norte moral.
Um divã para dois, com suas ambições comerciais comedidas, se liberta para ser o espelho de um público que começa a encontrar mais respaldo na produção cinematográfica atual. A própria Meryl Streep foi protagonista de Simplesmente complicado, há três anos. Filme que desentranhava estereótipos e mostrava que as relações amorosas não expiram aos 40 anos. Elas evoluem e novos dilemas se apresentam com o passar dos anos. É novamente Meryl Streep quem capitaliza com a contemplação deste público no cinema. Justamente por isso, o diálogo entre os filmes arroja tão naturalmente. Mas é Tommy Lee Jones quem mais brilha nesse bem alinhado divã.  

6 comentários:

  1. Concordo com você, Reinaldo: fui ver o filme pra ver Meryl, mas quem realmente fez a sessão valer a pena foi Tommy Lee Jones. Tomara que, pelo menos, o Globo de Ouro lebre dele! Ri muito com o filme. Um abraço.

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  2. Tommy Lee Jones está incrível mesmo, suas expressões, a verdade de seu personagem, as dificuldades, incrível. Mas, Meryl Streep faz uma ótima composição com ele. Acho que os dois se complementam e nos passam um casal verdadeiro, com um problema real e tratado de uma forma muito delicada no filme. Fui ver quase sem expectativas pela pouca divulgação, mas gostei bastante.

    bjs

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  3. O que mais me agradou nesse filme foram duas coisas: a primeira, pelo fato de "Um Divã Para Dois" se tratar de uma comédia romântica sobre um casal adulto, com conflitos de gente grande; e o segundo, foi o fato do filme mostrar um casal que não está disposto a desistir por causa de um obstáculo, do distanciamento que é natural em relacionamentos longos como o deles. Acho que o filme passa uma bonita mensagem para nós, que somos jovens, e que queremos desistir das coisas ao primeiro sinal de que nada vai bem! :)

    Beijos!

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  4. Dae meu caro Reinaldo!
    Então, eu não faço parte do clube dos admiradores de "Um Divã para Dois" rs; na verdade, considero o filme bem problemático. Reconheço que o tema é extremamente delicado e Frankel acerta em muitos momentos, faz um registro sensível e afetuoso dos perrengues matrimoniais do casal protagonista. As dores ali compartilhadas são verdadeiras, o espectador pode sentir isso, isso porque temos dois atores convincentes e muito bons em cena.

    Mas o meu principal objeção com o filme são as forçadas de barra que o roteiro tenta fazer o espectador comprar. Até comento em meu texto que os protagonistas se comportam mais como virgens rumo à faculdade do que marido e mulher que perderam o jeito com "a coisa". Essas que deveriam ser as principais passagens do filme são meras desculpas para fazer o público dar risada ou, outros, morrerem de embaraço. Eu me enquadro no último grupo.

    Achei um filme com boas intenções, mas o roteiro é realmente fraco e nos momentos que o filme deveria se prevalecer são os que mais me causaram resistência. Aí já era... (**)


    Abs!

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  5. José: Obrigado pelo endosso meu caro. Acho que Tommy Lee Jones é um bom nome para a categoria de comédia. Vamos ver!
    Abs

    Antonio Nahud Júnior: Err... mas vc já conhece o blog Antonio!
    De qualuqer jeito, obrigado pelo elogio.
    Abs

    Amanda:Eu já tinha mais expectativas. Mas o filme é bom e os atores estão ótimos.
    Bjs

    Kamila: Acho que vc tocou em um ponto interessante Ka: essa força de vontade de seguir adiante. De persistir. Isso é mesmo raro hoje em dia, principalmente na juventude!

    Elton: Cara... entendo suas restrições. Mas pense em duas pessoas que desaprenderam a ter intimidade. Agora pense que essas pessoas são formadas com valores conservadores e não sabem exatamente como se posicionar fora desse "quadrado". Acho que o roteiro poderia ser mais ousado, mas ele não subestima os obstáculos de um ambiente terapêutico, muito menos facilita para os protagonistas...
    Abs

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