sexta-feira, 31 de julho de 2009

Movie Pass

O Movie Pass destaca hoje, com um dia de atraso, o thriller Sexy Beast. Mais um pequeno filme de gângster inglês. Por sua atuação nesse filme, Ben Kingsley foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante. São muitos os entusiastas de sua atuação, contudo o filme tem muito mais a oferecer. O diretor Johnathan Glazer não é um grande realizador, mas aqui é daqueles raros momentos em que tudo se encaixa. O diretor consegue elaborar uma tensão extraordinária, seja pelas atuações dos dois atores principais, seja pelo prenúncio de que algo trágico se espraia. Sexy Beast é daqueles filmes pouco conhecidos, mas que uma vez que se assiste a ele, não há como ficar impassível.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:

video

Caminho sem volta!
Esse filme inglês chamou a atenção em um primeiro momento pela estupefante performance de Ben Kingsley, indicado ao Oscar pelo papel de um gangster que não conhece limites. Contudo, esse filme de Johnatan Glazer é muito mais proeminente do que a atuação de Kingsley sugere.
Sexy Beast (ING 2000) versa sobre a irremediabilidade de certas coisas. Como por exemplo, entrar para um grupo mafioso e após obter dinheiro e estabilidade querer sair dele. É o que acontece com o personagem de Ray Winstone, que após algum tempo colaborando com gângsters, resolve se aposentar do ofício. Contudo, isso não entra na mente de Don Logan( Kingsley) que vê apenas charme e vaidade na postura do personagem de Winstone. Ele então vai a sua casa para "convida-lo" para um serviço. Não precisa dizer que o desenrolar dessa história é nefasto.
Glazer não intencionava fazer frente a O poderoso chefão -clássico mor dos filmes de máfia- sabe que lhe falta estofo artístico para tanto. Mas ao enveredar pelo mundo mafioso e sua inegável articulação econômica, o diretor acaba por redimensionar a percepção que se tem do mundo do crime. Sabe- se que nesse mundo amigos não são realmente amigos, e que posses e títulos são temporários. O que Glazer observa aqui, é até que ponto a ingenuidade permite uma pessoa crer que pode subverter essas regras. É esse o grande acerto do filme. E é na tensão estampada na face de Winstone, até mesmo quando toma uma taça de vinho, que se tem a noção exata do quanto a ingenuidade pode custar caro.

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