quinta-feira, 16 de julho de 2009

Movie Pass

A partir de hoje, o movie Pass passa a ser editado duas vezes na semana. Para dar mais chance aos leitores de claquete de conhecerem os filmes indicados. Movie Pass portanto chegará para vocês sempre as segundas e quintas feiras. Tá combinado? Aproveito para lembrar que as criticas que posto nessa seção sobre os filmes indicados foram escritas por mim á época do lançamento dos respectivos.
Para hoje selecionei Cidade baixa. Um filme brasileiro, que não enveredou pelo viés popular de Tropa de Elite e Cidade de deus, o que só lhe fez bem. Provavelmente se rodado hoje, a fita seria drasticamente diferente. Já que seu elenco, grande trunfo do filme, goza de status totalmente diferente da ocasião. Aqui temos um Vagner Moura pré consagração, uma Alice braga ainda sem carreira intenacional e um Lazáro Ramos que ainda não havia se experimentado na tv. Portanto, muito da condição crua deles naquela época é absorvida pelo filme. Vale a pena conferir.
A seguir o trailer e a minha critica do filme:


video

Mais do que uma crônica qualquer!

É com imensa satisfação que se termina de assistir Cidade baixa ( Brasil 2005), estréia na ficção do diretor Sérgio Machado. O filme - o melhor exemplar produzido no Brasil desde Cidade de deus- exala qualidade desde o roteiro caprichado á direção segura, passando pela fotografia magnífica e principalmente pelas fantásticas atuações. Esses elementos fazem com que Cidade baixa transcenda seus status. Ou seja, de um filme bem feito, sem grandes ambições.
Premiado na mostra olhares no último festival de Cannes, e sucesso de público absoluto no festival do Rio e na mostra de São Paulo, o filme mostra como o cotidiano de Deco e Naldinho, dois amigos de infância, é abalado pela fulminante paixão despertada em ambos pela prostituta Karina.
Machado capta uma Salvador diferente dos cartões postais e realiza um filme avassalador. Que mistura a perfeição uma tensão dramática e um erotismo vulgar. A vulgaridade aqui está implícita no sentido da história e existe para dar forma ao triângulo amoroso inusitado.
Lázaro Ramos mostra a habitual competência na pele de Deco, um cara fechado e relutante em aceitar a condição de estar dividido entre o amigo e uma garota, Vagner Moura acerta o ponto como Naldinho, o mais descolado e intrépido. Mas o maior destaque da fita é Alice Braga que constrói com vigor a personagem Karina, uma moça desiludida perdida no meio de uma paixão errada.

O cineasta não pretende justificar seus personagens, nem o meio em que vivem, mas não deixa de surpreender pelo fato de Cidade baixa ser tão passional. Em uma das últimas cenas do filme um clímax estrondoso é elaborado de forma pouco vista no cinema nacional, mais do que qualquer coisa, tem-se a noção exata que mesmo sem querer Machado fala sobre o fim da amizade entre outras coisas mais.

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