terça-feira, 21 de julho de 2009

Perfil


Almodóvar: O extravagante


Nascido Pedro Almodóvar Caballero em Calzada de Calatrava em La mancha aos 24 dias de Setembro de 1951. Esse espanhol de traços inconfundíveis, fala acelerada e fama internacional é um entusiasta do cinema e de sua capacidade de redenção. Foi para entender o mundo e a si mesmo que Almodóvar começou a filmar.
Nascido em uma família pobre e de costumes rígidos teve uma educação religiosa esmagadora. Inclusive, estudou em escola para padres. Segundo ele, foi essa podadora experiência que lhe fez duvidar de Deus e ,gradativamente, perder sua fé. Aos 16 anos seguiu para Madri, sozinho, já imbuído da idéia de se envolver com cinema, já que era algo pelo qual nutria grande curiosidade.
As manhãs passou por vários trabalhos que podemos chamar de “ bicos”, enquanto as tardes e noites conhecia a cidade. Logo arranjou um emprego fixo na companhia telefônica nacional, onde trabalhou por doze anos, e que lhe propiciou a sua primeira câmera super 8. Resolveu então aprender cinema na prática, já que era anos 70 e o regime franquista havia fechado a escola oficial de cinema.
Foram muitos curta metragens como Dos putas, a história de amor que termina em boda (1974), La caida de Sodoma (1975) e Sexo va sexo viene(1977) até que em 1980, Almodóvar lançou seu primeiro longa metragem o cômico Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón. Esse conjunto de filmes, ele lançava uma média de dois curtas por ano desde 74 até o lançamento de seu primeiro longa, antecipavam o estilo extravagante pelo qual o diretor ficaria conhecido. Também sinalizavam o tom que Almodóvar adotaria para seu cinema, cores fortes, personagens marginais e uma inquietação acerca das concepções de amor e morte.
Labirinto de paixões, Maus hábitos e Matador, seus filmes seguintes, traziam essas questões a superfície e todos eles tinham além de cenas de nudez, por vezes explícitas, altas voltagens de erotismo e também alguma violência, embora essa, não fosse tão chocante quanto se possa imaginar, nem mesmo para a época.
A lei do desejo(1987) foi o primeiro filme a lhe render prêmios e prestigio já fora da Espanha, mas somente com o ainda hoje eloqüente Mulheres a beira de um ataque de nervos, de 1988, que Almodóvar conquistou a América. Foi indicado para vários prêmios dentre os quais o Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme sagrou-se ainda, a produção estrangeira de maior bilheteria nos EUA naquele ano. Daí para frente, Almodóvar passou a exercitar seu estilo com mais liberdade e mais ousadia. Também passou a despertar mais interesse de público e critica. Seu nome frequentemente passou a ser associado a festivais. Esteve em competição inclusive no Brasil,no festival de gramado, de onde saiu vencedor com o filme De salto alto em 1991.
Em Cannes esteve seis vezes, a última no festival passado com o ainda inédito Los abrazos rotos – em que volta a colaborar com Penélope Cruz. Porém nunca triunfou em cannes, já levou prêmios de direção (por Fale com ela), de roteiro ( por Volver), do júri( por Tudo sobre minha mãe), mas nunca levou a Palma de ouro. No Oscar, seu reconhecimento entretanto ,é maior do que muitos previram. Voltou a ser indicado para o Oscar de filme estrangeiro em 1999, por Tudo sobre minha mãe e venceu. Aliás, este é o seu filme mais laureado.
Voltou a ser indicado ao Oscar em 2002. Dessa vez de forma atípica. A Espanha preteriu Fale com ela para representar o país na disputa por uma vaga entre os filmes estrangeiros, contudo a acadêmia reconheceu o excepcional trabalho do diretor e o indicou ao Oscar de direção e roteiro original. Saiu vencedor na segunda categoria. Almodóvar foi o primeiro e até agora é o único diretor espanhol a ter sido indicado ao Oscar de direção.


Bendito entre as mulheres

O diretor ganhou a pecha de cineasta da alma feminina. Devido a seu interesse multifacetado pelo universo feminino. Suas dores, seus desamores, esperanças e desencontros. O auge desse momento foi em Tudo sobre minha mãe. Não se sabe se involuntariamente ou até mesmo como um reflexo disso, Almodóvar se pôs a falar mais dos homens e de si, não que pusesse as mulheres foram da equação, elas só não eram tão centrais quanto haviam sido na cinematografia do diretor.
O próprio Fale com ela já era fruto dessa nova imposição do cinema de Almodóvar. Seguiram-se a ele, A má educação, em que o diretor se volta para o passado e, analisa e reflete sobre sua educação católica em uma trama hitchcockiana, Volver, filme em que busca paz com sua mãe, figura muito conturbada em sua vida, em um filme sensível e muito, mas muito original.
Este ano, o diretor volta a carga com Los abrazos rotos, filme que não fez a critica se alvoroçar, mas que mesmo assim desperta ansiedade. Afinal de contas é um Almodóvar. Poucos cineastas conjugam com tamanha intensidade e despreendimento temas ortodoxos e temas banais; poucos conferem leveza e graça a temas espinhosos como a morte e a infelicidade; e poucos através do cinema conseguem, em um processo de crescimento pessoal, possibilitar a terceiros a chance de crescer também.
É com extravagância que Almodóvar se permite ser simples. Fazer cinema de qualidade e atender as necessidades de uma platéia que gosta de ser incomodada com suas angústias.


A seguir o Trailer do novo Almodóvar. Peço que reparem nas fortes cores, no uso da música e no tom melodramático das cenas. Isso é uma caracteristíca Almodovariana que fica mais forte a cada filme.



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