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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

[Meme] Atualização 6

Item 27 - Porrada (melhor cena de violência)
Não sei dizer se é a melhor cena, mas pelo menos foi uma que me causou grande impacto e aflição quando a vi pela primeira vez. Falo de um filme baiano, de um diretor interessantíssimo chamado Sergio Machado. Cidade baixa tem um epílogo avassalador quando os dois amigos, interpretados pelos amigos Wagner Moura e Lázaro Ramos, se engajam em uma briga crua, destemperada e vicejada por sentimentos que o filme tão bem construiu em seu curso. Existem, é verdade, cenas de violência mais chocantes. Quentin Tarantino e Martin Scorsese precisam ser lembrados nesse departamento. Mas poucas vezes o cinema tangenciou tamanha gana e urgência em um rompante de violência.



Item 28 - Quente e úmido (melhor sequência de sexo)
São tantas cenas de sexo marcantes no cinema que chega ser excitante e broxante (um paradoxo mesmo) ter que escolher apenas uma. A quem recorrer? Almodóvar com seu fetichismo em cores vivas? Adrian Lyne, um pornógrafo contido?  Gaspar Noé, o pornógrafo nada contido? Fico com Marc Foster, que tangenciou tão bem o turbilhão representativo que é o sexo em A última ceia. Uma cena crua, que funciona como catarse para dois personagens tão opostos e tão ligados quanto os de Billy Bob Thorton e Halle Berry no filme de 2001. Não há muito espaço para sensualidade aqui, mas é uma cena bem carnal. 


Item 29 - Saída pela esquerda (melhor sequência de perseguição)
Daniel Craig fez sua estréia como 007 em grande estilo em Casino Royale. A cena de abertura é uma perseguição de tirar o fôlego, com a participação de um corredor profissional, que formaliza que são novos tempos para o espião mais querido do cinema. Talvez não seja a cena de perseguição mais memorável, mas pelo aspecto surpreendente é a mais magnética.

Ele corre porque Bond está atrás dele...




Item 30 - Nunca mais (filme mais traumático)
Sou da opinião que todo filme merece ser visto em sua totalidade para que receba uma opinião bem fundamentada. Pois bem. Me orgulho de dizer que nunca abandonei um filme. E nem planejo fazê-lo. Meu amor pelo cinema é mesmo transcendental. O filme que mais me fustigou para que abrisse mão dessa “meta” foi Jefferson em Paris. Co-produção entre Inglaterra, França e EUA, a fita (com 140 min) tem pedigree. É dirigida por James Ivory e conta com um elenco formado por Nick Nolte, Gwyneth Paltrow, Thandie Newton e Gárard Depardieu.
O filme abusa da prerrogativa de ser chato. Fui obrigado a assisti-lo em três dias. Dou-lhe um desconto porque ainda era criança, devia ter meus 12 ou 13 anos quando o vi, mas ainda não tive coragem de voltar a ele.


Item 31 - Minha vida em três sequências
Esse talvez seja o item mais difícil de todos. Não à toa, fecha o desafio. Como a vida ainda está toda pela frente, fica difícil elaborar momentos diversos pela ótica do cinema. Eles acabam interiorizados por questões de foro íntimo.
Um primeiro momento que preciso citar é a cena final do filme Estrada para perdição, que já foi citado neste Meme. O filme fecha com um momento pungente em que o real significado do drama dirigido por Sam Mendes emerge com força extraordinária.





Outra cena que sempre me faz chorar é de outro filme que eu já citei aqui. O momento da morte de Mufasa em O rei leão é um verdadeiro convite às lágrimas. Eu e minha família, foi um filme que vi com minhas irmãs e meus pais, nos debulhamos no cinema em uníssono. Pura catarse cinematográfica. A lembrança dessa comunhão e cumplicidade é tão forte quanto a cena em si.






Confesso que não sei dançar muito bem, mas a cena do tango em Perfume de mulher me inspira e me ajuda a ver mais brilho na vida. Paixão, determinação, beleza... é uma cena de muitos predicados e que exige poucas justificativas para ser lembrada aqui.   



domingo, 22 de novembro de 2009

ESPECIAL LUA NOVA - Insight

Três é melhor!
Em Lua nova, o triângulo amoroso formado pela humana Bella, pelo lobisomem Jacob e pelo vampiro Edward é potencializado. Ele é sem dúvida alguma, além do fio condutor da trama, seu elo mais poderoso. A despeito da resolução do triangulo (até porque no cinema ele ainda não foi resolvido), é preciso admitir que existe uma forte predisposição humana a valorizar dilemas amorosos dessa natureza. Algo que o cinema explora muito bem.
A clássica situação de dúvida sobre qual o melhor repouso para o coração, não é algo novo. O dilema de Bella já foi abordado em outros filmes de maneira diferente, muitas vezes até mesmo mais satisfatoriamente, e sob variados ângulos e perspectivas.
Em filmes como Os sonhadores e E sua mãe também, assim como na saga Crepúsculo, os integrantes do triângulo amoroso são jovens e iniciantes nas coisas do amor. Em Os sonhadores, os irmãos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) se envolvem com o americano Mathew (Michael Pitt) durante o maio de 68 na França. Em E sua mãe também, os amigos Julio(Gael Garcia Bernal) e Tenoch (Diego Luna) descobrem todos os sentimentos que se intercambiam ao amor, como ódio, inveja, luxúria, paixão, desapego, apego, traição e cumplicidade na figura de Luiza,uma mulher mais velha que os seduz.

Jacob, Bella e Edward: Os três vértices de um inusitado triângulo amoroso

O cinema nacional tem um triângulo amoroso dos mais poderosos a surgir no cinema nos últimos anos. Em Cidade baixa, os amigos Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Vagner Moura) põe a amizade a prova ao se apaixonarem pela mesma mulher, a prostituta Karina (Alice Braga). Em Vida bandida, Cate Blanchet é sequestrada por dois bandidos boa pinta, vividos por Bruce Willis e Billy Bob Thorton, e se divide entre os dois arquétipos de masculinidade que eles representam. Em Jules e Jim, de Francois Truffout, há a clássica disputa pelo coração de uma mulher, entre o Jules e o Jim do título. A pretendida é catherine (Jeanne Moreou).
Contudo, os dois exemplares mais eloquentes, sensuais, robustos e significativos de triângulos amorosos no cinema são Vick Cristina Barcelona, de Woody Allen e Proposta indecente, de Adrian Lyne. No primeiro há a incidência da casualidade, da sedução e do conflito entre impulsividade e controle como pouco se vira em filmes que se predispuseram a abordar triangulos amorosos no cinema até então. Juan Antônio (Javier Barden) tenta seduzir simultaneamente duas amigas. A inglesa Vick (Rebbeca Hall) e a americana Cristina (Scarlet Johanson). Tudo fica ainda mais complicado quando um quarto elemento surge, a ex – esposa de Juan Antonio, Maria Elena (Penélope cruz).


Triângulos amorosos no cinema podem ser sexy, dramáticos, românticos ou engraçados

Proposta indecente é mais feliz no comentário que elabora sobre as circunstâncias do poder. E de como esse elemento pode ser desestabilizador em um triangulo amoroso. No filme, o bilionário John Cage (Robert Redford) faz a chamada proposta indecente para o casal falido vivido por Demmi Moore e Woody Harrelson. Um milhão de dólares por uma noite com a personagem de Demi. Não é preciso dizer que essa proposta não irá mexer com o mundo de todos os envolvidos. Um filme sofisticado, que a despeito da solução um tanto conservadora, põe em debate um aspecto dos mais polêmicos sobre as razões, os efeitos, e as reverberações de um triangulo amoroso.

Negrito

Lázaro Ramos, Alice Braga e Vágner Moura em cena de Cidade baixa: Pode uma amizade resistir e intempestividade de uma paixão?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Movie Pass

A partir de hoje, o movie Pass passa a ser editado duas vezes na semana. Para dar mais chance aos leitores de claquete de conhecerem os filmes indicados. Movie Pass portanto chegará para vocês sempre as segundas e quintas feiras. Tá combinado? Aproveito para lembrar que as criticas que posto nessa seção sobre os filmes indicados foram escritas por mim á época do lançamento dos respectivos.
Para hoje selecionei Cidade baixa. Um filme brasileiro, que não enveredou pelo viés popular de Tropa de Elite e Cidade de deus, o que só lhe fez bem. Provavelmente se rodado hoje, a fita seria drasticamente diferente. Já que seu elenco, grande trunfo do filme, goza de status totalmente diferente da ocasião. Aqui temos um Vagner Moura pré consagração, uma Alice braga ainda sem carreira intenacional e um Lazáro Ramos que ainda não havia se experimentado na tv. Portanto, muito da condição crua deles naquela época é absorvida pelo filme. Vale a pena conferir.
A seguir o trailer e a minha critica do filme:


Mais do que uma crônica qualquer!

É com imensa satisfação que se termina de assistir Cidade baixa ( Brasil 2005), estréia na ficção do diretor Sérgio Machado. O filme - o melhor exemplar produzido no Brasil desde Cidade de deus- exala qualidade desde o roteiro caprichado á direção segura, passando pela fotografia magnífica e principalmente pelas fantásticas atuações. Esses elementos fazem com que Cidade baixa transcenda seus status. Ou seja, de um filme bem feito, sem grandes ambições.
Premiado na mostra olhares no último festival de Cannes, e sucesso de público absoluto no festival do Rio e na mostra de São Paulo, o filme mostra como o cotidiano de Deco e Naldinho, dois amigos de infância, é abalado pela fulminante paixão despertada em ambos pela prostituta Karina.
Machado capta uma Salvador diferente dos cartões postais e realiza um filme avassalador. Que mistura a perfeição uma tensão dramática e um erotismo vulgar. A vulgaridade aqui está implícita no sentido da história e existe para dar forma ao triângulo amoroso inusitado.
Lázaro Ramos mostra a habitual competência na pele de Deco, um cara fechado e relutante em aceitar a condição de estar dividido entre o amigo e uma garota, Vagner Moura acerta o ponto como Naldinho, o mais descolado e intrépido. Mas o maior destaque da fita é Alice Braga que constrói com vigor a personagem Karina, uma moça desiludida perdida no meio de uma paixão errada.

O cineasta não pretende justificar seus personagens, nem o meio em que vivem, mas não deixa de surpreender pelo fato de Cidade baixa ser tão passional. Em uma das últimas cenas do filme um clímax estrondoso é elaborado de forma pouco vista no cinema nacional, mais do que qualquer coisa, tem-se a noção exata que mesmo sem querer Machado fala sobre o fim da amizade entre outras coisas mais.