quinta-feira, 15 de março de 2012

Filme em destaque - Shame

Quebrando alguns tabus
 Michael Fassbender vive um homem viciado em sexo no segundo longa-metragem de Steve McQueen e entrega a atuação mais elogiada de sua promissora carreira. Mas Shame, além de oferecer o ator em pêlo, tem outros objetivos e Claquete os apresenta


Rodou Hollywood nos idos de janeiro e fevereiro a ‘pratical joke’ de que Michael Fassbender ficou de fora dos finalistas da disputa pelo Oscar de melhor ator em virtude do tamanho de seu pênis, que aparece em Shame – filme no qual interpreta um executivo viciado em sexo e com sérios problemas de relacionamento. O diretor Steve McQueen, em entrevista a um programa de tv americano, ofereceu uma análise menos brincalhona e mais incendiária: “Michael não foi indicado porque os americanos temem o sexo”. Ele não disse que há hipocrisia. Não falou em moralismo e nem em puritanismo. Falou em medo mesmo.
Shame acompanha um homem que não consegue desenvolver nenhum tipo de relação em sua vida que não tenha como meta sexo. “Mas não é um filme sobre prazer sexual”, acrescentou Michael Fassbender em entrevista à revista Total Film. “É um filme sobre nosso tempo”, defendeu o New York Times à época da premiere do filme no festival de Veneza 2011, de onde saiu com o Leão de ouro de ator para Fassbender.
McQueen, que além de cineasta é artista plástico, disse em Veneza que Shame é um filme tão político quanto seu elogiado drama de estreia (Hunger) – também estrelado por Michael Fassbender. “Aquele era sobre uma prisão na Irlanda do Norte, esse é sobre como a liberdade de alguém pode aprisioná-lo e ele precisa de um vício para atenuar uma dor”.
O crítico de cinema Pablo Villaça desenvolve raciocínio intercambiável com a explanação de McQueen: “se a expressão ‘viciado em sexo’ parece estranha, já que normalmente não pensamos em dependência quando lidamos com algo que soa tão natural e prazeroso, é porque muitas vezes nos esquecemos de que esta é precisamente a natureza do vício: transformar o prazer em obsessão”. Para o principal crítico do portal Cinema em Cena, Shame é um filme muito bem urdido por seu diretor que apresenta um personagem “que parece experimentar um misto de dor e tristeza ao buscar mais um orgasmo”.
McQueen orienta Carey Mulligan e Fassbender: a atriz
disse, em uma conflituosa descrição, que o diretor foi
"cruel" e "generoso" com ela

Shame é um minucioso retrato de nosso tempo”, estipulou o jornal San Francisco Chronicle em sua resenha do filme. A busca por uma conexão real, de fato, parece estar em pauta no cinema. De filmes como Drive até Os descendentes, a questão é colocada em camadas e tonalidades diversas, mas o que Shame propõe é uma reflexão muito mais profunda e interiorizada.
Há muito sexo em Shame, mas McQueen optou por não erotizar as imagens. “Brandon (Fassbender) não é um mulherengo”, argumenta o diretor. “Seria uma forma de distrair o público do foco do filme”. McQueen acrescenta que escolheu a cidade de Nova Iorque como cenário do filme (Shame, vale lembrar, é uma produção britânica) por ser a big apple a capital do mundo. “Além do fato de todo mundo ser um pouco solitário em Nova Iorque”, apontou em entrevista à GQ americana, deixando transparecer que Shame também fala sobre solidão. “São novas compulsões as que a internet estabeleceu”, filosofou em Veneza.
Sexo, vício, política, solidão, internet... Shame reúne muitos tabus sob seu jugo. Quebrá-los todos de uma vez, como teorizou McQueen ao comentar a esnobada de Fassbender pela academia, é um desafio inquebrantável. 

Musas Claquete - Penelope Cruz




Por que votar em Penélope?
É a principal atriz européia da atualidade
É musa de Almodóvar
Ficou ainda mais linda depois da maternidade
Dona de sotaque latino irresistível
Já venceu o Oscar

Principais filmes:
Carne trêmula (1997)
Tudo sobre minha mãe (1999)
Não se mova (2004)
Volver (2006)
Fatal (2008)
Vicky Cristina Barcelona (2008)
Abraços partidos (2009)
Nine (2009)

 Do you have a light? Penelope em seu momento...


Personagem icônica:
María Elena em Vicky Cristina Barcelona
Momento mais sexy:
Cantando toda sensual no musical Nine
Fãs declarados: 
Antonio Banderas, Pedro Almodóvar, Alec Baldwin, Johnny Depp, Woody Allen, Rob Marshall, Scarlett Johansson, Salma Hayek, Matt Damon, Gwyneth Paltow e Jennifer Lopez


Ela em uma frase:

“A coisa mais difícil do mundo é começar uma carreira sendo conhecida por sua aparência e tentar se transformar em uma atriz séria. Ninguém te leva a sério quando você é uma atriz bonita.”


* A votação será iniciada após a apresentação de todas as candidatas

terça-feira, 13 de março de 2012

Causos de cinema - Coisa de fã

O que Joana mais gostava nos filmes eram suas frases de efeito. Mais precisamente aquelas que revelavam algum entusiasmo romântico que só o cinema é capaz de mensurar. De “Nós sempre teremos Paris” (Casablanca) até “Você me faz querer ser um homem melhor” (Melhor é impossível), Joana anotou todas aquelas que considera “frases memoráveis” em um caderninho surrado que serviu de base para o perfil no twitter que criou: frases de cinema.
Mas Joana tem um fraco pelas frases que saem da boca do ator britânico Colin Firth. Tudo começou com O diário de Bridget Jones, aquele filme baseado em um livro que tão bem acampava os dilemas das balzaquianas de todo o planeta. Colin Firth, naquele filme, fazia uma versão moderna e muito bem adornada do ideal de príncipe encantando. O personagem, na verdade, é homônimo de outro que Firth viveu na minissérie adaptada de Jane Austen, Orgulho & Preconceito.
Existe uma cena em O diário de Bridget Jones que faz Joana parar no tempo. É mais ou menos na metade do filme. Bridget, vivida por aquela atriz americana que Joana acha tão insossa, acaba de passar por um dos muitos constrangimentos que a assombram durante a metragem do filme e Mark Darcy (quem poderia ser?) vai até ela e, de maneira muito desarticulada como o próprio sublinha, diz que gosta dela exatamente do jeito que ela é. Se aquilo era música para os ouvidos de Bridget Joana não sabia dizer, mas era um festival de rock para os ouvidos dela.
Desde que viu o filme, Joana passou a sonhar que era ela a beneficiária de tamanha declaração de afeto. O tempo foi passando e aquele sonho com uma ou outra mudança de enredo começou a preocupar Joana. Em alguns sonhos ela perdia Colin Firth para a Meryl Streep e depois descobria que Firth, na verdade, era gay (!). Em outro sonho, Firth era gago e não conseguia fazer a declaração do jeito que uma declaração deve ser feita em um sonho. Em um outro, Firth aprendia a falar português apenas para fazer a tal declaração na língua que se fala de Joana. Firth, Firth, Firth... aquilo já estava ficando opressivo!
Joana, aconselhada por amigas preocupadas com essa estranha obsessão, foi procurar um psiquiatra. Havia de ter algum ansiolítico para abrandar tamanha adoração. Qual a surpresa de Joana quando adentrou ao consultório do Doutor Marcelo e constatou que este era uma versão brasileira do Colin Firth, mais ou menos na mesma proporção que Dan Stulbach é o Tom Hanks do Brasil. Não teve dúvidas! Beijou o doutor ali mesmo. O que se tem notícia é que os sonhos com Colin Firth rarearam.  

                                            _______________________________

* Causos de cinema é um conto ficcional de periodicidade mensal aqui em Claquete. Gostou? Opine! Dê sugestões na seção de comentários.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Crítica - John Carter: entre dois mundos

Entre dois filmes...


John Carter-entre dois mundos (John Carter, EUA 2012) é um filme que começa muito bem e, se não termina muito mal, não deixa saudades no público. Um senhor revés para um filme que tem como objetivo primário capitalizar uma nova franquia para a Disney. Sob esse ponto de vista, os U$ 250 milhões investidos pelo estúdio nessa estreia na direção de longas em live action de Andrew Stanton (Wall E e Procurando Nemo) foram um desperdício.
John Carter-entre dois mundos não é um filme ruim. Longe disso. Stanton consegue injetar considerável energia em uma trama perigosamente banal e cria cenários majestosos que justificam o orçamento dilatado. No entanto, falta a John Carter uma imaginação que sobejava nos filmes anteriores de Stanton. Essa condição desfavorece o novo filme e o pouco carisma da dupla de protagonistas não colabora. Taylor Kitsch se sai bem nas cenas de ação, mas é incrivelmente pálido dramaticamente. O mesmo pode ser dito da bela Lynn Collins que vive uma mulher cheia de brio, a princesa marciana Dejah Thoris, mas não consegue dimensionar essa característica de sua personagem.

Kitsch em cena do filme: uma produção abaixo de suas ambições
John Carter começa de maneira muito promissora. A apresentação dos Tharks se dá em uma cena que promete um filme melhor do que o que de fato é entregue. São os Tharks e sua cultura muito identificável a tribos africanas que representam o maior alvo de interesse que John Carter desperta enquanto cinema. Infelizmente é muito pouco para mais de duas horas de metragem. A sucessão de clichês esmerados nos fracos protagonistas esvazia qualquer ranço de analogia maior que a obra de Edgar Rice Burroughs pudesse favorecer.
No final das contas, fica a impressão de se assistir dois filmes que mal formam uma unidade. Um, o típico filme Disney que parece realizado em algum momento prévio ao primeiro Piratas do Caribe e outro realizado na esteira do mega sucesso Avatar. Se conceito e forma tivessem sido pensados juntos, John Carter-entre dois mundos talvez fosse um filme capaz de sobreviver ante essas comparações.

domingo, 11 de março de 2012

Insight

A carreira vai bem, obrigado!

É quase um Meme. É um filme de Nicolas Cage ser lançado nos cinemas e a internet é invadida por ponderações, exclamações e divagações que levantam a questão: o que aconteceu com Nicolas Cage? A resposta é menos alarmista do que intriga a oposição. “Tenho um espírito rebelde e não costumo fazer o que as pessoas me dizem para fazer”, adverte o ator em entrevista à revista Total Film.
Cage, com dois filmes nos cinemas brasileiros (Motoqueiro fantasma: espírito de vingança e O pacto), está novamente no crivo do povo. Os filmes são ruins - o novo Motoqueiro fantasma então é pavoroso – como o foram os últimos quatro lançamentos de Cage (Reféns, Fúria sobre rodas, Caça às bruxas e O aprendiz de feiticeiro). Desnecessário dizer que os quatro filmes foram lançados nos cinemas com distribuição nacional e tiveram bom público (O aprendiz de feiticeiro, Caça às bruxas, Fúria sobre rodas e o novo Motoqueiro fantasma, inclusive, lideraram as bilheterias nacionais em seus fins de semana de estreia).
Os filmes, a despeito da má repercussão crítica, também tiveram larga distribuição internacional. É verdade que muito pode ser creditado ao status de astro de Nicolas Cage. Mas outros astros não têm a mesma sorte com típicos filmes B. De Van Damme a Bruce Willis, todos experimentam, uns mais outros menos, o ostracismo do lançamento direto no mercado de home video. Mas não Nicolas Cage. A última vez, e também única, que isso aconteceu foi com um filme independente (Sonny) que ele mesmo dirigiu, estrelado por James Franco, em que fez uma ponta. Mas era um filme pensado para uma distribuição mais limitada. E, diferentemente do que acontece com outros artistas, viajou o mundo. O primeiro filme dirigido por Madonna, por exemplo, continua sem distribuição no Brasil, EUA e outros países.
Diferentemente do que prega o senso comum, a avalanche de filmes ruins na carreira de Cage é um movimento consciente. “Acho que ação é o único gênero que dialoga com o mundo inteiro”, especulou o ator na mesma entrevista à Total Film.

Nicolas Cage e January Jones em cena de O pacto, desde sexta-feira em cartaz no país: um ator consciente de seus movimentos e que tem dois filmes em cartaz nos cinemas

Passa por aí o segredo do bom momento (isso mesmo, muito bom) da carreira de Cage. Na expectativa de retomar o sucesso dos anos 90 como astro de ação, ele se reunirá com o diretor Simon West, do ótimo Con air- a rota de fuga (filme B já clássico) em Stolen, que deve ser lançado no final de 2012.
Cage chegou em um momento da carreira que quer mais é rir de si mesmo e fazer o que gosta. Por isso projetos como Fúria sobre rodas e Kick Ass – quebrando tudo. Ainda que, inconscientemente, o público ria junto com ele. É um ator em pleno controle de sua carreira, despreocupado com imposições comerciais e artísticas e que está nesse negócio cinema para se divertir.
Cage aprendeu a ser cult e trash ao mesmo tempo. São poucos os que sabem conciliar esses status tão harmonicamente.

sábado, 10 de março de 2012

Cantinho do DVD

Ganhar ou ganhar, destaque da seção Cantinho do DVD, entrou no Top 10 de Claquete dos melhores filmes de 2011. Não ouviu falar dele? Não se recrimine. A fita dirigida por Thomas McCarthy passou abaixo do radar midiático ao ser lançada diretamente em DVD no último trimestre do ano passado. Mas Ganhar ou ganhar merece ser descoberto. Eis a contribuição de Claquete.  Aproveitando o ensejo, não deixe de conferir a lista com os dez melhores filmes lançados no Brasil comercialmente em 2011. Clique aqui!


Crítica
Há quem torça o nariz para o cinema independente americano por sua vocação de aplicar lições de vida e enveredar moralismos a torto e a direito. Mas não se pode rejeitar a destreza com que alguns filmes fazem isso. É o caso de Ganhar ou ganhar (Win win, EUA 2011), de Thomas McCarthy, ator e diretor que apresenta sólidos trabalhos na seara independente como O visitante (2007) e O agente da estação (2003).
Em Ganhar ou ganhar, Paul Giamatti vive Mike Flaherty, um advogado atolado em dívidas que se descobre com ataques de pânico e poucas opções para sair desse atoleiro. É da improvável relação com um adolescente problemático que Mike irá tirar forças para não deixar sua vida e princípios esmorecerem.
McCarthy tece um inebriante conto de sobrevivência e das bifurcações necessárias para que não nos apartemos de alguns nortes na vida. Para isso, cria personagens cativantes que apelam à realidade cotidiana. O garoto com problemas familiares e talento exímio para a luta greco-romana, mas que vive a se sabotar. O amigo de infância de Mike (ótima participação de Bobby Cannavale) que experimenta frustrações tão enclausurantes quanto às de Mike, mesmo sendo endinheirado e por aí vai.
Paira sobre o filme um forte elemento de estranheza que facilita uma certa áurea cool. McCarthy cria diálogos afiados, mas sempre conectados com a verdade dos personagens. Em um dado momento, Mike pergunta para Kyle (Alex Shaffer), o adolescente prodígio, como é saber que “se é tão bom”. No que Kyle devolve que não sabe ao certo, apenas que se sente no controle. É um dos poucos momentos em que Kyle se sente no controle de algo. Mike não sente isso há muito tempo. De sutilezas e reflexões como essa que Ganhar ou ganhar vai construindo sua força gravitacional e se apresenta como um filme algo idílico, desvencilhando-se do pieguismo e abraçando sua essência altruísta. A moral que surge da cena final de Ganhar ou ganhar é de que as vitórias nem sempre são como desejamos e que muitas vezes nem sequer notamos nossos triunfos. É preciso atentar às miudezas cotidianas. Fábulas morais como Ganhar ou ganhar estão aí para, mais do que qualquer coisa, nos doutrinar a sermos mais sinceros com nós mesmos.

Musas Claquete - Kristin Scott Thomas




Por que votar em Kristin?
É sofistica e poliglota (fala inglês, espanhol, francês e italiano fluentemente)
Tem uma beleza clássica que nunca sai de moda
Aparece em filmes de diferentes países
Porque é uma atriz cult

Principais filmes:
Lua de fel (1992)
Quatro casamentos e um funeral (1994)
O paciente inglês (1996)
Destinos cruzados (1999)
Uma paixão em Florença (2000)
Assassinato em Gosford Park (2001)
Bons costumes (2008)
Há tanto tempo que te amo (2008)
O garoto de Liverpool (2009)
A chave de Sarah (2010)

Seduzindo Ryan Phillippe em Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman

Personagem icônica:
Katharine Clifton em O paciente inglês
Momento mais sexy:
Suas primeiras aparições em Destinos cruzados
Fãs declarados: 
Robert Redford, Harrison Ford, Roman Polanski, Ralph Fiennes, Juliette Binoche e Abbas Kiarostami.

Ela em uma frase:
“As pessoas sempre me disseram que eu sou bonita, mas beleza não é a mesma coisa que atratividade e não acho que eu jamais tenha sido atraente...”


* A votação será iniciada após a apresentação de todas as candidatas

quinta-feira, 8 de março de 2012

Em off

Para não deixar as leitoras do blog desprovidas após o TOP 10 do mês, Claquete elaborou uma lista com os dez personagens masculinos mais sexies do cinema. Se preparem, é muita testosterona para a sua tela de computador! Além dessa listinha, a seção Em off destaca a mais nova aposta arriscada da Disney no cinema, a nova musa de Sofia Coppola, o ano da virada de Bruce Willis e a melhor estratégia de carreira para Jean Dujardin. 



10 - Edward Lewis em Uma linda mulher (1990)
Richard Gere
A mais perfeita e, ainda atual, tradução do que seria um príncipe encantado na organização social contemporânea. Richard Gere dá vida a um empresário bem sucedido que faz a personagem de Julia Roberts viver um sonho de Cinderela. Gere está no auge da beleza e faz de seu Edward Lewis o bom partido definitivo.

9 - Jacob Palmer em Amor a toda prova (2011)
Ryan Gosling
Ele sabe que roupa vestir, o melhor perfume para seduzir e domina outras estratégias certeiras para fazer misérias com o sexo oposto. O predador sexual vivido por Ryan Gosling em Amor a toda prova faz o tipo seguro que funciona com muitas mulheres. Quando se permite vulnerável, se abre para um outro contingente considerável de “presas”.

8 - Jack Sparrow na Franquia Piratas do Caribe (2003 – atualmente)
Johnny Depp
E no departamento de canalhas, Jack Sparrow é rei; ou capitão, se preferir. Sujo, maltrapilho e frequentemente embriagado, Sparrow possui um charme matador que deve muito a seu intérprete. Sparrow, no entanto, muito em virtude de suas peculiaridades, é disparado o personagem mais sexy da carreira de Depp.

7 - Max Cady em Cabo do medo (1991)
Robert De Niro
Todos sabemos que um vilão pode ser muito sedutor. E no caso de Max Cady, vivido com alta voltagem sexual por Robert De Niro, ser sexy pode ser uma estratégia a mais para desestabilizar suas vítimas. Nesse clássico de Scorsese, Cady busca vingança contra o advogado que ele entende ser o grande responsável por sua condenação. Ele não se furta a seduzir a filha menor de idade do personagem de Nick Nolte. Cady é a mais perfeita síntese de como o perigo pode ser atraente.

6 - Johnny Castle em Dirty dancing – ritmo quente (1987)
Patrick Swayze
Misterioso, bonito e um ás da dança. Johnny Castle, encarnado em um Patrick Swayze em seu auge, é o pesadelo dos pais de toda e qualquer menina – inclusive Baby que cai de amores por ele. Castle é sensual sem ser banal, rude sem ser cafajeste e justamente por essas sutilezas garante lugar nessa lista.

5 - Juan Antonio em Vicky Cristina Barcelona (2008)
Javier Bardem
Outro homem misterioso, de latinidade transgressiva e virilidade exuberante é Juan Antonio, vivido por Javier Bardem. Apaixonado pelas artes e amante do que a vida tem de melhor a oferecer, o personagem não chega a ser uma esfinge a ser decifrada, mas é um imã para mulheres de toda e qualquer procedência.

4 - Stanley Kowalski em Uma rua chamada pecado (1951)
Marlon Brando
Verdadeiro referencial para sexualidade e sensualidade no cinema, o Stanley de Marlon Brando é o grande paradigma em termos de virilidade no cinema. Não é para menos. Brando domesticou o personagem com sua musculatura abrutalhada, sua expressão desejosa e sua libido explosiva.

3 - James Bond na franquia 007 (1962 -  atualmente)
Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig
Do outro lado de Stanley está James Bond. Uma alternativa sofisticada a Stanley, ainda que tão viril quanto. Alguns interpretes realçaram o aspecto macho alfa de Bond como Connery e o atual Craig, outros preferiram sublinhar a elegância e senso de humor do personagem, casos de Brosnan e Moore. Todos o assinalaram como um homem que sabe ser sexy. Reside aí toda a diferença.


2 - Danny Ocean em Onze homens e um segredo (2001)
George Clooney
Ele fica bem de terno ou de uniforme de presidiário. Ajuda o fato de Danny Ocean, no remake de Onze homens e um segredo, ter os traços de George Clooney. Azeitado nas coisas boas da vida, com bom ouvido para música e disposto a pôr em prática um plano mirabolante para chamar atenção do amor de sua vida e ainda sacanear o cara que está ficando com ela... mais sexy impossível!

1 - Tyler Durden em Clube da luta (1999)
Brad Pitt
A combinação músculos e sabão nunca foi tão sugestiva. O personagem de Pitt nesse neoclássico de David Fincher já subiu no pódio de algumas listas do gênero, o ouro é dele em Claquete também.


O céu sobre os ombros

Que Jean Dujardin está no topo de Hollywood, principalmente depois do Oscar, ninguém duvida. A questão agora é como administrar as expectativas monstruosas que pairam sobre o francês. Há alguns dias mobilizou a imprensa de celebridades americana um debate sobre os dentes de Dujardin e como eles são incompatíveis com a “nobreza” hollywoodiana. Foram recomendadas intervenções odontológicas de toda sorte.
Dujardin, embora não admita de peito aberto, quer sim se estabelecer como astro em Hollywood. Ele sabe que reúne predicados suficientes para isso. Tem até Oscar. Mas o inglês é uma barreira comprometedora. Assim como o risco da caricatura. Portanto, mais do que qualquer coisa, Dujardin terá que valer-se de um agente que o respeite como profissional e que não queira apenas surfar em suas “sobrancelhas expressivas”.
O ideal é continuar presente no cinema francês e deixar a paquera com Hollywood ficar mais séria. A pressão por resultados no curto prazo pode ser fatal para o francês que, com o Oscar na bagagem, pode desposar Hollywood a qualquer momento.


Emma rima com Sofia                                                                                          
Emma Watson, disparado a melhor atriz do trio de protagonistas da franquia Harry Potter, havia anunciado na iminência do fim da série que a fez famosa que a carreira de atriz não era uma certeza. Que certo era que ela diminuiria o ritmo para reavaliar suas prioridades. Não parece ser o caso. Além de aparecer em projetos tão dispares como o recente Sete dias com Mariyln e no ainda inédito The perks of being a wallflower, Emma acabou de entrar para o elenco de The bling ring, novo filme da prestigiada Sofia Coppola. O filme será baseado em uma história verídica. Há alguns anos uma gangue de adolescentes invadia e roubava casas de celebridades. O tema e Emma são dois prospectos interessantes para o olhar de Sofia.

Emma distribui beijinhos na premiere inglesa de Sete dias com Marilyn: carreira cada vez mais encaminhada...


O ano de Willis
Bruce Willis, aos 57 anos, se prepara para um ano repleto de ação. O eterno “duro de matar” está em sete filmes previstos para 2012.  Em quatro deles, a ação é a ordem do dia. O mais antecipado é Os mercenários 2 , com estreia prevista para agosto. Ele também integra o elenco de G.I Joe 2: retaliation que deve ser lançado no mesmo mês no Brasil. Mas antes disso ele deve ser o pai do superman Henry Cavill em The cold light of day, programado para abril nos EUA e sem previsão de estreia no Brasil.
Willis ainda poderá ser visto em Lay the favorite, comédia de Stephen Frears que mostra um grupo de espertinhos que “descobre” um sistema para se dar bem em Las Vegas. A fita foi sucesso de crítica no último festival de Sundance. Ele também vai ser cult no novo de Wes Anderson, Moonrise kingdom.





Será que pega?
Andrew Stanton é o homem responsável por uma das maiores apostas da Disney em 2012. Trata-se de John Carter – entre dois mundos. A estreia em um filme live-action do diretor das animações Wall E e Procurando Nemo. Tanto Stanton quanto John Carter são patrimônios da Disney. Enquanto que Stanton é um dos pilares da nova Disney – sob a o signo criativo da Pixar – John Carter é o principal personagem de uma série de livros de Edgar Rice Burroughs que quase roubou de Branca de neve e os sete anões a primazia entre as animações do estúdio.
Ironicamente, cabe a Stanton, um fã da literatura de Burroughs e expoente das animações, levar John Carter aos cinemas em um filme live-action ainda que repleto de CGI (sigla em inglês para os efeitos visuais gerados por computador).
John Carter é mesmo uma aposta de risco. Com um orçamento de U$ 250 milhões e sem grandes nomes no elenco (os protagonistas são Taylor Kitsch, que já foi o Gambit em X-men origens: Wolverine, mas é mais conhecido pelo papel regular na série Friday Night Lights, e Lynne Collins), o filme pode se configurar no mais retumbante fracasso da Disney nos últimos dez anos. Receoso, o estúdio programou o lançamento do filme para um mês que não costuma receber grandes blockbusters: março. E o lançamento será mundial, para evitar solavancos e eventual boca a boca negativo. Como se sabe, as redes sociais podem fazer um estrago. Até o nome do filme foi modificado de olho na audiência. “Você não iria se empolgar com ‘Uma princesa de Marte’” (nome do livro original), argumentou Andrew Stanton em depoimento a Empire. As fichas estão lançadas e vem aí um fim de semana decisivo. A Disney tem confiança no taco. Já assinou com Kitsch e Collins para duas sequências. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Crítica - Drive

Violência com vocação poética

Talvez a melhor definição, certamente a mais curiosa, para Drive (EUA 2011) venha de seu diretor – o dinamarquês Nicolas Winding Refn: uma paródia da franquia Velozes e furiosos. Drive é, em sua superfície, um filme de ação decalcado dos anos 70, com um cavaleiro solitário embrenhado em uma espiral de violência da qual não pode se desviar. Mas o filme que rendeu a Refn a Palma de ouro de direção em Cannes – em um dos poucos prêmios justos da edição 2011 do festival francês – é muito mais do que essa homenagem enviesada.
Drive é uma viagem estilizada por uma Los Angeles marginal e cheia de sobretons. Desde a fotografia capciosa de Newton Thomas Siegel que valoriza os néons refletidos à noite enquanto o motorista ou garoto – como é chamado o personagem de Ryan Gosling – atravessa a cidade, até a hyper cool trilha sonora. O “garoto” é um sujeito bem introspectivo, que não tira um palito da boca, e que de dia é dublê e mecânico e à noite piloto de fuga para assaltantes que incrementam as estatísticas da criminalidade na cidade dos anjos. A característica que mais chama a atenção em relação ao garoto é sua contenção. Sempre tranquilo, controlado, o garoto não perde o controle nem quando descontrolado. Esse aparente paradoxo lhe injeta dramaticidade e vigor e Ryan Gosling faz misérias com personagem tão sedutor em termos dramáticos.

Gosling é o grande destaque da poesia de som, imagem e sangue que Nicolas Winding Refn compõe


Carente por conexões humanas, o garoto se envolve com sua vizinha, dimensionada com doçura pela sempre graciosa Carey Mulligan. Apesar de saber que ela tem um marido que sairá da prisão em breve, o garoto se aproxima como um animal arisco receoso com quem lhe oferta comida. O marido sai da prisão e o imponderável começa a ter vez na vida do garoto e do romance que ainda não havia se materializado. O garoto se voluntaria a ajudar o marido do objeto de seu afeto a quitar um débito contraído na prisão e daí para frente tudo sai errado. O garoto entra na mira de poderosos gângsteres locais (que também posam de benfeitores) em uma espiral de violência rabiscada com cores fortes - e cenas no mesmo compasso – por Refn. 
Drive então se transforma. Mas não perde a ternura. Não deixa de ser um romance doído, mas salienta sua vocação para filme de ação – ainda que evite a catarse com rigor. O roteiro de Hossein Amini, baseado no livro homônimo de James Sallis, prioriza o desenvolvimento desse personagem – ainda que muito pouco sobre ele seja, de fato, apresentado ao público. Eis aí outro paradoxo que alimenta Drive enquanto experiência cinematográfica.
Ao fazer poesia com a violência Refn se vale de dois trunfos aparentemente inadequados. O primeiro deles é Albert Brooks. Magistral como o gangster que de benfeitor passa a algoz. São poucos os momentos de Brooks em cena, mas que momentos. O outro é Ryan Gosling. Ator expressivo, dentro e fora da tela, que se contêm ao extremo para trabalhar nas sutilezas do silêncio. É impressionante o que Gosling faz apenas com o olhar. Seja quando realça a veia romântica de seu personagem ou quando sublinha a gana adormecida dentro dele, Gosling leva Drive a um nível que só os grandes tenores da interpretação são capazes de conhecer.