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domingo, 31 de janeiro de 2010

ESPECIAL NINE - critica

Cinema, crises e expectativas

É preciso, logo de partida, esclarecer que Nine (EUA 2009) tem duas particularidades que, por definição, afugentam o espectador comum. É um musical e, antes disso, é um filme sobre o processo criativo de um cineasta de grandeza e peculiaridade, ou seja, um musical sobre o cinema. É, portanto, um filme de público restrito e de impacto calculado.
O novo filme de Rob Marshall, adaptado do musical da Broadway que por sua vez baseia-se no filme 8 e ½ de Fellini, é um filme de muitos valores e sutilezas. Embora Marshall não seja um diretor tão habilidoso em perfilar sutilezas, a força do roteiro e a letra das músicas (algumas criadas especificamente para o filme) se encarregam de fazê-lo. Em Nine, acompanhamos a crise criativa do mais importante e admirado cineasta italiano, Guido Contini (Daniel Day Lewis). Ele precisa começar a rodar seu próximo filme, Itália, e não tem idéia de como começar a escrever o roteiro. Guido é um homem de muita vaidade, de sexualidade latente e de maturidade em suspensão. Tudo isso como fluxo e contra fluxo de sua arte. A medida que vemos Guido mergulhar no inferno de sua consciência, descobrimos o litígio interno que o homem trava com o artista. Que o menino Guido trava com o homem Guido. Os números musicais, embora alguns pareçam descolados e desnecessários à narrativa, são artifícios poderosos nessa conjuntura.

O cineasta Guido dirige com as mulheres de sua vida ao fundo: Em Nine, o incosciente fala. E canta!

Nine captura um homem que tenta responder a pressões, expectativas e a própria vaidade enquanto lida com as de outras pessoas também. Esse processo não poderia ser aludido de forma mais poderosa do que através de números musicais. Contudo, o filme nunca empolga. Talvez porque seja tão hermético quanto a personalidade que ilumina. Talvez porque seja parte do charme minimalista do cinema feito para cinéfilos. Mas a probabilidade mais forte é de que o musical transbordante de estilo, arrojo, estrelas e pretensões seja isso mesmo. Um filme destinado a ser julgado mais por sua forma do que por seu conteúdo. Não que no caso de Nine isso seja ruim, mas não é de todo justo.

ESPECIAL NINE - Pílulas italianas

Planeta Guido
Homenagem e contemplação. As palavras de ordem em Nine. Guido Contini (Daniel Day Lewis) é o centro do universo. Dele e de todas as mulheres que gravitam ao seu redor. O planeta Guido, no entanto, ameaça sair de órbita nesse drama Felliniano travestido de musical.


Explosão de sensualidade
Uma amante sensual, disponível e desequilibrada. Opa! Temos aí um clichê. Mas todo o clichê é bem vindo quando apresentado no corpo e, olha a surpresa, na voz de Penélope Cruz. A espanhola irradia sensualidade no número musical mais hipnotizante de Nine.


E por falar em explosão...
Kate Hudson, como uma jornalista americana intrigada pela figura do cineasta italiano, está um vulcão. Que entra em erupção quando canta Cinema italiano, principal música do filme. Hudson dá um show de sensualidade, de fotogenia, de afinação e de, bem, ela dá um show em todos os sentidos.


Haja Botox!
A diva Sophia Loren está robótica em cena. A atriz vive a mãe falecida de Guido que se divide entre assombração e conforto para o inquieto cineasta. Loren, além de monossilábica, tem sua face paralisada por tanto botox. Chega a constranger. Uma participação que tinha como intuito servir de homenagem a ela, e ao cinema italiano, que acaba por diminuí-los.

Onde estão os italianos?
Talvez um problema de casting de Nine seja a falta de atores italianos no elenco. Day Lewis, inglês; Nicole Kidman, australiana; Fergie, americana; Judi Dench, inglesa; Marion Cotillard, francesa; Penélope Cruz, espanhola. Para um filme sobre o cinema italiano, faltam italianos. Mas como diz a personagem de Kate Hudson, outra americana no filme, todos querem estar em um filme italiano.

Quem passou no teste?
Nicole Kidman já trazia experiência (atuou em Moulin Rouge), mas parece que enferrujou um pouquinho. A atriz juntou-se a Sophia Loren e a Judi Dench como as performers mais desinteressantes de Nine. Do lado oposto estão Fergie (tudo bem, tudo bem, ela é cantora profissional), Kate Hudson, Penélope Cruz e Marion Cottilard (um verdadeiro deleite). E Daniel Day Lewis? Olha, o cara parece não saber fazer nada errado. Não empolga, mas certamente dá um caldo!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ESPECIAL NINE - Elas também querem atuar

Cat Power com uma camisa de Bob Dylan e com o zíper aberto: Ela é cool, cult e graciosa. Ela mantém o status aparecendo descolada em um filme ou outro

Não é segredo nenhum que as estrelas de cinema são as maiores na órbita das celebridades. É natural, e compreensível, que celebridades de outros nichos queiram se experimentar no cinema. Isso ocorre com mais freqüência com as estrelas da música. Madonna, talvez a maior estrela da música ainda viva, já se experimentou repetidas vezes no cinema, não só como atriz, mas até mesmo como diretora. Também se experimentaram em sets de filmagens a mega star Beyonce, a popozuda Jennifer Lopez, a fulminante Jennifer Hudson e Fergie, que depois de uma breve aparição no filme catástrofe Poseidon, atua, e canta, em Nine.
Elas não são as únicas. Muitas outras tentaram e até conseguiram se estabelecer de alguma maneira como Queen Latifah e Cher; outras fazem esporádicas participações cults em filmes de diretores igualmente cults como é o caso de Norah Jones, Alicia Keys, Cat Power e Alanis Morissete.


Claquete destaca três cantoras que se saíram muito bem no cinema:

Jennifer Hudson



Jennifer e seu Oscar: Ela foi um acontecimento



E ex- integrante do American Idol foi execrada por Simon (um jurado celebridade do programa), mas deu a volta por cima na sua estréia no cinema. Por Dreamgirls, no qual ela também canta, ganhou o Oscar de coadjuvante. Nunca antes, uma cantora havia ganhado um Oscar em sua estréia nos cinemas. Hoje, Hudson divide a carreira de atriz (já fez mais três filmes depois do Oscar) com a de cantora (lançou seu segundo álbum no ano passado).


Norah Jones

Norah Jones: o cineasta Kar Wai só tinha olhos para ela...


Ela só atuou em um filme. Mas um filme escrito especialmente para ela. O diretor Wong Kar Wai escreveu Um beijo roubado com Norah Jones em mente. A estréia no cinema americano do cineasta chinês se deu, então, com um charme além de particular, ao que tudo indica, irreprodutível.

Beyonce

Beyonce em cena de Dreamgirls: Talento e carisma como cantora e como atriz


Ela é a pessoa abaixo dos 30 anos mais endinheirada do mundo, segundo os cálculos da revista Forbes. Beyonce é uma artista carismática tanto nos palcos quanto na tela. Já se aventurou em comédias (Resistindo as tentações), musicais (também esteve em Dreamgirls), suspenses (Obsessiva) e dramas (Cadilac records). Saiu-se bem sempre.



...enquanto isso: Cher volta aos cinemas e divide a cena com a estreante Cristina Aguilera em Burlesque

domingo, 24 de janeiro de 2010

OSCAR WATCH - Por que Nine e Bastardos inglórios estão perdendo forças?

Muitos cinéfilos e críticos de cinema estão se surpreendendo com a derrocada de Nine, novo musical de Rob Marshall cheio de estrelas em seu elenco, nessa temporada de premiações. O filme, adaptação de uma peça inspirada em 8 e ½ de Fellini, era tido como um pretenso bicho papão nessa corrida pelo Oscar. No entanto, o filme que conquistou 5 indicações para o Globo de ouro em dezembro, chega quase sem forças ao Oscar. Outro filme que depois de engrenar uma lua de mel com a critica parece estar sendo deixado para trás é o longa de Quentin Tarantino. Bastardos inglórios foi indicado a 10 prêmios do critic´s choice awards e a outros 4 globos de ouro. Só Christoph Waltz (uma unanimidade que pouco tem a ver com a campanha do filme) conseguiu sair vitorioso dessas premiações. O filme, embora bem contemplado, ficou de fora da disputa do Bafta de melhor filme. Nine por sua vez, além de amargar derrotas freqüentes, é cada vez menos lembrado nessas premiações periféricas ao Oscar. Esses duros golpes contra a sorte de ambos os filmes têm pouco a ver com a qualidade das fitas. Elas são odes ao cinema, e aos cinéfilos, da melhor qualidade, como bem se sabe. É um ataque direto a pessoa de Harvey Weinstein, poderoso produtor americano que ao longo da carreira conseguiu muito sucesso, e muitos inimigos, em Hollywood.


Nine sofreu outro revés na noite do SAG ontem


Weinstein surgiu no inicio dos anos 90 e bancou Quentin Tarantino e o novo cinema independente americano com Cães de Aluguel e Pulp fiction – tempos de violência. A Miramax, divisão independente da Walt Disney que ele presidia junto ao irmão Bob Weinstein, foi um dos estúdios mais vitoriosos dos anos 90. Com muitos Oscars e muito dinheiro. O produtor ficou conhecido pela indústria como um produtor tenaz, agressivo e super eficiente. O seriado americano Entourage, sobre grupo de amigos que tentam a sorte em Hollywood - produzido por Mark Walhberg, não cansa de dramatizar episódios relacionados ao produtor que faz participações esporádicas na série como ele mesmo.


Bastardos inglórios não vem tendo a performance esperada nas premiações



Depois de conseguir fazer filmes como O paciente inglês (1996) e Shakespeare apaixonado (1998) triunfarem no Oscar e emplacar na categoria de melhor filme, os não tão sensacionais Regras da vida (1999) e Chocolate (2000), Weinstein e seu irmão se retiraram da Miramax por “diferenças de visão” e foram fundar a Weinstein Company. Eles continuaram apostando no cinema independente e trabalhando com suas descobertas pessoais, como o cineasta Quentin Tarantino e o diretor Rob Marshall. Mas não conseguiram repetir o sucesso da década de 90. Bob retirou-se da empresa por não aprovar certas estratégias do irmão. Harvey Weinstein é uma pessoa muito querida por muita gente (basta lembrar de Kate Winslet agradecendo a ele toda vez que subia em um palco para receber um prêmio por O leitor), mas também tem inimizades. Robert Redford, que rodou o filme Um lugar para recomeçar em co-produção com a Weinstein company, o chamou certa vez de canalha. E Redford não costuma ceder a baixarias.
Harvey Weinstein assedia sem pudor e isso, embora tenha lhe valido indicações inesperadas ao Oscar, tem lhe causado frequentes dores de cabeça. Dificuldades de logística, produtores fechando a mão e estúdios adversários fazendo campanha contra a pessoa do produtor são alguns dos percalços cotidianos de Harvey Weinstein.



Harvey Weinstein, que produziou Gangues de Nova Iorque e O aviador para Scorsese, bate um papo com o diretor na premiere de Los Angeles de O aviador

Ano passado, no entanto, a despeito de tudo isso, o produtor conseguiu emplacar O leitor nas categorias mais nobres do Oscar. (Filme, direção, roteiro adaptado, fotografia e atriz). No caso da indicação de Kate Winslet para melhor atriz o dedo de Harvey Weinstein foi ainda mais visível. A atriz que vinha sendo considerada coadjuvante em todas as premiações foi nomeada como atriz principal por seu trabalho, superando outro trabalho vistoso que a mesma apresentava no filme Foi apenas um sonho. Harvey Weinstein sempre se orgulhou de ter os números de telefone certos em Hollywood. É bom ele começar a discar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ESPECIAL NINE - Musical é com ele!


Quem pousa os olhos sobre Rob Marshal pode até não imaginar, mas está diante de um dos artistas mais consagrados da modernidade. Indicado seis vezes ao prêmio Tony (5 vezes como coreógrafo e uma como diretor), maior láurea do teatro, indicado ao Emmy e ao globo de ouro. Marshall também foi indicado ao Oscar de direção e venceu o Oscar, na qualidade de produtor, pelo musical Chicago. Rob Marshall é criativo e sabe conceber exuberância visual. Que o digam seus mais famosos trabalhos, Cabaret (1998), uma montagem musical muito bem sucedida na Broadway e Chicago (2002), uma segunda releitura do clássico Cabaret, dessa vez no cinema. Nine é o segundo musical que o cineasta assume no cinema. Já dirigiu seis produções para a TV e o filme Memórias de uma gueixa, cujos maiores predicados remetiam, justamente, a parte técnica.
Nine também é a adaptação de uma peça de grande sucesso da Broadway, cujo enredo dá conta da vida e obra do cineasta italiano Frederico Fellini. A opção por Rob Marshall demonstra que a intenção dos produtores antes de fazer um filme propriamente dito era realizar um musical. Com pompa, com glamour, com jeito de Broadway. Para o bem ou para o mal, o homem certo para isso é Rob Marshall.

O diretor e algumas das muitas estrelas de Nine na premiere londrina do filme: Agora ele assume o quarto filme da franquia Piratas do Caribe. Será que vai dar musical?

domingo, 10 de janeiro de 2010

ESPECIAL NINE - As mulheres de Day Lewis

Italianos são mulherengos. Fellini era mulherengo. E em Nine, Daniel Day Lewis ajuda a dar corpo a essa idéia. O musical é adaptado da peça de mesmo nome que se inspira no filme 8 e ½ de Fellini. A vida e obra do diretor foram devassadas pelo mesmo naquela que, junto com o filme Roma de Fellini, é considerada sua obra definitiva. Em Nine, filme e peça, a visão de Fellini sobre seu legado, e seu relacionamento com as mulheres, ganha uma segunda leitura. Daniel Day Lewis vive Guido Contini, o angustiado protagonista. Para a platéia, no entanto, principalmente a masculina, será difícil notar a angústia do protagonista, quando o mesmo se encontra cercado por tantas beldades.

Luxo, mulheres e Champanhe: Guido Contini (Day Lewis) não sabe o que fazer com tantas mulheres em sua vida

Música, cores, sensualidade e pernas: Em Nine, todos esses elementos aparecem em profusão

Penelope Cruz vive Carla: Amante de Guido

A lenda viva Sophia Loren vive a mãe do protagonista

A musa do cineasta Guido é vivida pela atriz Nicole Kidman: amor platônico vs desejo carnal = criatividade

Fergie vive uma prostituta que marcou a adolescência de Guido

Judi Dench vive a agente e confidente do cineasta

Kate Hudson vive uma jornalista interessada na conflituosa vida de Guido

A francesa Marion Cotillard faz a angustiada esposa do libertino italiano

sábado, 28 de novembro de 2009

De olho no futuro...

Depois de Eclispe

Com os vultosos dólares que Lua nova recolhe nas bilheterias e com a estréia do terceiro filme da saga, Eclipse, marcada para junho de 2010, a Summit entertainment e o produtor Wyck Godfrey já pensam em Amanhecer. E eles não querem saber de largar o osso. A idéia aventada por Godfrey e que circulou na mídia essa semana versa sobre uma possível divisão do livro em dois filmes, tal qual ocorre com o último ato de outra saga que migrou dos livros para o cinema, Harry Potter. Não há ainda um posicionamento oficial do estúdio a respeito, Godfrey assegura que antes de pensar em dividir o livro, precisa ter o roteiro em mãos. Então tá!

Todos anseiam por Nine

Conforme vimos na matéria sobre as certezas da temporada de prêmios que se aproxima, Nine é um dos filmes mais esperados desse fim de ano. Essa semana foram divulgados alguns cartazes do filme. Todos de tirar o fôlego. Fazendo coro ao plot do filme, sobre as crises criativas e existenciais de Fellini, o slogan conclama: “Nesse fim de ano, seja italiano”.


Daniel e o dream team feminino: E Daniel Day Lewis ganhou para fazer esse filme...

2010 já começou para as revistas de cinema
2009 ainda não acabou, mas tem muita gente que já “vive” 2010. Inclusive as revistas de cinema e entretenimento que procuram antecipar os principais lançamentos do ano que vem aí. Uma das principais revistas de cinema do mundo, a Empire, traz em sua capa de dezembro, um dos principais lançamentos do ano que vem, Homem de Ferro 2. O filme tem tudo para superar a ótima fita de 2008. Com elenco maior, mais dinheiro e mais expectativa, Homem de Ferro 2, com lançamento mundial agendado para maio, capitaneia uma febre por antecipações que você verá, também aqui, em Claquete.

Para o alto e avante! Ops, herói errado...
Diferenças criativas atrasam filmagens de The Lincoln Lawyer
The Lincoln Lawyer é daqueles casos de filmes banais que podem se tornar grandes devido aos nomes envolvidos. Com roteiro escrito por John Romano (de filmes como Noites de tormenta e de séries como Dark Angel e The Beast), adaptado da obra homônima do autor americano Michael Connolly, o filme sobre um advogado que vê sua grande chance profissional ao defender um playboy e que acaba por descobrir relações entre esse cliente e antigos casos, poderia ser um suspense b, não fosse o nome de Tommy Lee Jones no elenco, e na direção. Jones, que até hoje só dirigiu o soberbo Três enterros de Melquiades estradas, despertara atenção para o projeto por se tratar dele sua segunda incursão na direção. Essa semana, Jones anunciou sua retirada do projeto por diferenças criativas. O ator Matthew McConaughey continua ligado ao projeto. Mas no fim das contas, quem dava um outro status ao filme era Tommy Lee Jones.


Tommy Lee faz cara de mau: Liberdade criativa ou nada feito!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

OSCAR WATCH - De olho no futuro

You can put your money on them!

A arte da adivinhação é um negócio complicado. Muito admirada, é cortejada por oportunistas e perseguida por gente um pouco mais séria, ela é em algumas profissões, uma qualidade bastante desejada e que se pretende imperceptível. Médicos e economistas fazem uso dela quase ininterruptamente. O truque é não demonstrar que se trata de uma adivinhação. Escondê-la por meio de fundamentações deslocadas ou superadas pode ser uma ferramenta útil. Nós, cinéfilos, nos lançamos a essa arte, mais imputáveis à primeira categoria do que à segunda, sempre que se espraia a temporada de premiações no cinema. Apaixonados por cinema, mídia, críticos e publicações especializadas tentam antecipar os integrantes das mais badaladas premiações. E apontar também os vencedores. Como a temporada de premiação ainda não se iniciou seria precoce dar nome aos bois. Ou seja, dizer quem vai ao Oscar, globo de ouro e congêneres. Como os primeiro termômetros (os prêmios de sindicato e associação de críticos) só se iniciam em dezembro, e muitos dos concorrentes nem sequer estrearam, seria pueril acreditar ser possível fazer prognósticos certeiros. Contudo, alguns projetos e alguns nomes podem, e devem, ser levados em grande consideração. Em parte devido ao calibre da produção em questão, em parte pelo bafafá da critica ou por pura intuição. São esses que Claquete apresenta aqui para você. Nesses, você pode investir seu dinheiro.

Nine
O musical dirigido por Rob Marshall (Chicago) é a adaptação da peça de mesmo nome, que por sua vez foi inspirada no filme 8 e ½ de Fellini. Musicais são por hábito benquistos pela academia e festejados no círculo de críticos. Imaginem um filme com esse pedigree. Que além de esmerar-se na obra mor de Fellini, conta com um elenco sublime com nomes como Daniel Day Lewis, Nicole Kidman, Judi Dench, Penélope Cruz, Fergie, Kate Hudson, Sophia Loren e Marion Cottilard. Há ainda um dado curioso sobre Nine que pode lhe favorecer. Na presente década que se encerra, o ator Daniel Day Lewis (conhecido por ser um ator bissexto) só atuou em três filmes. Gangues de Nova Iorque (2002), O mundo de Jack e Rose (2005) e Sangue negro (2007). O ator engatou em Nine, menos de um ano depois de terminar seu trabalho em Sangue negro. Algo raríssimo. Certeza de que é coisa boa.

Exuberância e pompa: Nine é figurinha certa no Oscar 2010

George Clooney
Se existe outra figura muito querida em Hollywood, essa figura é George Clooney. Diferentemente de Day Lewis, Clooney trabalha quase em ritmo industrial. Alia projetos comerciais, como a trilogia de Onze homens e um segredo, com projetos mais sentimentais, como Boa noite e boa sorte. Esse ano, o ator, embora em proporções mais tímidas, tem a chance de reviver seu ano artístico mais glorioso. Em 2005 por Boa noite e boa sorte e Syriana, Clooney foi figura carimbada em todas as premiações possíveis e imagináveis. Esse ano ao reeditar a parceria com o co-roteirista de Boa noite e boa sorte Grant Heslov, que estréia na direção em The man who stares at goats, e ao juntar forças com outro atual american darling, o diretor Jason Reitman, em Amor sem escalas, Clooney vê suas chances, literalmente, dobrarem na temporada mais concorrida de Hollywood.
Clooney já está preparando o smoking

Matt Damom
Ele surgiu junto com Ben Afleck e foi no Oscar que se apresentou ao mundo. Daí em diante, ele e seu chapa seguiram caminhos opostos. Matt Damon é um ator confiável e que gosta de trabalhar com diretores criativos e ressonantes como Martin Scorsese, Paul Greengrass e Steve Soderbergh. Contudo, desde Gênio indomável ele não figura entre os credenciáveis para o oba oba das premiações do cinema. Até agora. Ao juntar-se a Clint Eastwood para rodar um filme sobre o apartheid africano (eles já estão juntos em um segundo projeto, denominado hearfter) e de colaborar de forma mais séria, mas sem perder o senso de humor, com Soderbergh em O desinformante, Damom parece aposta certa esse ano. Afinal de contas já passou da hora de enaltecer não só o talento, mas o excelente faro para bons papéis desse ator. E ele ainda deu a canja de estar, para variar, ótimo.

Damom: Muito mais do que Jason Bourne
Carey Mulligan
Todo ano é preciso evidenciar o trabalho de uma atriz ou ator da nova geração. Essa passagem de bastão, com o aval da indústria, é tão tradicional quanto saudável. E esse ano é a vez de Carey Mulligan de 24 anos. Não tão nova assim, mas talhada para brilhar. Algo que deve acontecer intensamente após sua performance em Sedução (an education) correr o mundo. Por viver uma adolescente indecisa (convenhamos nada de novo) em um drama sobre as escolhas da vida e como nos cercamos delas, Mulligan despertou elogios vultosos da critica americana. Seu nome, portanto, já é quente.

Ela vai polarizar atenções...

Distrito 9
Certamente esse filme fará figura nas cerimônias de premiação do inicio de 2010. Oxalá não belisca uma vaga entre os 10 finalistas a estatueta de melhor filme do ano no Oscar. Algo que parecia improvável com 5 concorrentes, soa natural em um pleito com 10. Não houve, pelo menos até agora, filme mais feliz em ajustar originalidade á um discurso que a academia de Hollywood aprecia (preconceito racial). E é ficção científica, um gênero há muito desprestigiado na categoria principal do Oscar que pode voltar com força esse ano (ainda há Avatar de James Cameron).
O nome do querido e admirado Peter Jackson por trás da produção ajuda bastante.

Audrey Tautou
Hollywood anda se rendendo as estrangeiras ultimamente. Elas têm ganhado cada vez mais papéis importantes e, no que mais impressiona, prêmios importantes. As vezes por filmes que não são nem mesmo falados em inglês, caso de Marion Cottilard que por seu papel como Edith Piaf tirou, há dois anos, o Oscar da favorita Julie Christie ( já ela uma estrangeira, uma inglesa) por Longe dela. Kate Winslet, Penélope Cruz, Tilda Swinton são algumas outras estrangeiras que tem roubado a cena, e o careca dourado, das americanas.
Audrey Tautou tem uma vantagem que Marion não tinha. Já é conhecida do público e da critica americana, estrelou o blockbuster O código DaVinci, e estrela uma biografia (sub gênero afeito a premiações) de uma personalidade extravagante, Coco Channel. O fato de o filme ser falado em francês é só um detalhe em um circuito de premiações cada vez mais internacional.


Audrey faz pose: Repara como ela tem estilo...


Abraços Partidos
O filme não foi escolhido para ser o representante espanhol na luta por uma vaga entre os selecionados estrangeiros do Oscar da categoria. O que parece suicídio ou sandice é, na verdade, fruto de uma pendenga entre Almodóvar e o ministério da cultura da Espanha. Seu filme, no entanto, deverá estar presente em premiações diversas, inclusive no Oscar. Além da possibilidade de ganhar em quase todas as premiações de críticos como melhor filme estrangeiro, Penélope Cruz pode ser lembrada também.

Bastardos Inglórios
Não é só Tarantino quem acha que esse filme é sua obra prima. Muita gente o acha superior até mesmo a Pulp fiction. E isso deve se refletir na temporada de ouro. Algumas indicações já são tidas como certas. Caso da nomeação do austríaco Christoph Waltz na categoria de ator coadjuvante. Outros palpites são aventados como direção de arte, fotografia, figurino e roteiro. Mas ao que importa: não se assustem em ver Quentin (como diretor) e o próprio filme entre os highlights da temporada.

Clint Eastwood
Outra figura que, principalmente a partir dessa década, só se dedica a filmes “com cara de Oscar”. Só por esse rótulo já dá para ter uma idéia do que esperar de Invictus sobre a cruzada de Nelson Mandela por uma África do Sul mais pacífica. Clint pode até não ganhar nada, mas é convidado de honra em toda a premiação que se preze.

Clint em preto e branco: bem longe do "Go ahead punk. Make my day!"

Jane Campion
Uma das únicas três mulheres a conseguir uma indicação ao Oscar na categoria de direção, Campion não deve repetir a dose, mas o roteiro de Brilho de uma paixão deve lhe valer passe livre entre a nata da produção cinematográfica de 2009. O filme ainda tem outras chances também, mas definitivamente, é na figura da cineasta que residem as reais chances de triunfo.

Janie Campion entre os protagonistas de seu filme, Ben Wishaw e Abbie Cornish

Precious
Todo ano tem que ter um independente para polarizar as atenções. Precious é a bola da vez. O filme sobre uma adolescente negra e obesa hostilizada por onde quer que passe tem cativado a todos desde o festival de Sundance em janeiro. O cume de seu desempenho, no entanto, se aproxima.

It´s complicated
Nancy Meyers talvez seja a diretora e roteirista que melhor saiba manusear temas espinhosos com graça e presença de espírito. Seus filmes geralmente agradam público e critica, mas não recebem muita atenção nas cerimônias de premiação (por se tratarem de comédias leves). It´s complicated, estrelado pela acadêmica Meryl Streep, é o filme na hora certa, do jeito certo. É aqui que Meyers abraça o drama dos temas que freqüentemente aborda, mas sem abrir mão do senso de humor, e confia seu ótimo roteiro a um belo elenco. Em um ano com 10 filmes indicados ao Oscar, Nancy Meyers pode ser a surpresa mais cantada de todos os tempos.



Meryl Streep e Alec Baldwin em cena de Simplesmente complicado: Com um título desse tudo fica fácil...

domingo, 27 de setembro de 2009

TOP 10

O Top 10 de hoje traz os 10 filmes mais aguardados e interessantes dessa safra de final de ano nos EUA. Alguns deles, obviamente só chegam as telas brasileiras no começo de 2010. Os critérios para a inclusão desses filmes aqui são variados. Eis alguns: Potencial de premiação, diretor cult, reunir um séquito inquieto de fãs, boa história, elenco...
Para assistir o trailer de cada filme, é só clicar no título de cada um.


10 -It´s complicated

Se você é daqueles que assistiu inúmeras vezes Do que as mulheres gostam, que amou de paixão o romântico O amor não tira férias, que se divertiu e emocionou-se com Alguém tem que ceder, esse é o seu filme. Em comum, todos eles têm a diretora e roteirista Nancy Meyers. Seus filmes abordam os relacionamentos amorosos sob uma perspectiva sofisticada e com graça - até nas situações mais incômodas. No novo filme, Merly Streep vive uma mulher recém divorciada, com filhos naquela idade que querem tudo menos saber da mãe, que vive um momento de extrema carência. Ela se aproxima de seu vizinho(Steve Martin), gentil, atencioso e que secretamente sempre nutriu interesse por ela. Contudo, seu ex-marido (Alec Baldwin), sentindo-se sufocado em um relacionamento com uma mulher mais jovem, resolve se aproximar dela novamente.

Estréia prevista nos EUA: 25 de dezembro
Estréia prevista no Brasil: janeiro de 2010


9- Código de conduta (Law abding citizen)
A justiça é morosa. Isso é pacífico.Mas há pessoas que podem reclamar mais. De que a justiça, afinal de contas, não é tão justa assim. É o que acontece com o personagem de Gerard Butler em Código de conduta. Sua família foi brutalmente assassinada, seus algozes sairão impunes em virtude de um acordo com a promotoria para pegar criminosos de maior estatura. Butler, então, inicia uma caçada sem voltas contra tudo e todos que embargam o sentido de justiça. Promete ação e catarse coletiva dentro dos cinemas.

Estréia prevista nos EUA: 2 de outubro
Estréia prevista no Brasil: 23 de outubro


8 - Substitutos (Surrogates)
Nova fita de ação de Bruce Willis. Só por isso já vale. Contudo, essa ficção científica promete adentrar a galeria dos filmes cult. Em Substitutos, nos deparamos com uma realidade em que humanos não saem de casa para nada. Seus avatares (versões perfeitas de cada humano na terra) vivem e fazem tudo para nós.Contudo, o detetive vivido por Willis terá de se arriscar em um mundo que não conhece (pessoalmente) para investigar um crime.

Estréia nos EUA: na sexta feira passada
Estréia prevista no Brasil: 16 de outubro

7- A estrada ( The road)
Ficção apocalíptica com pedigree. O livro, no qual o filme se baseia, é do mesmo autor do neo – clássico Onde os fracos não tem vez. Em uma época pós-desastre nuclear, a humanidade está em extinção. Um pai (Viggo Mortensen) faz de tudo para manter seu filho, e a si próprio, vivos.

Estréia prevista nos EUA: 25 de dezembro
Estréia prevista no Brasil: 10 de fevereiro

6- Up in the air

Nova fita de Jason Reitman, o homem por trás dos badalados Obrigado por fumar e Juno. Em Up in the air, George Clooney faz um especialista em demitir pessoas. Ingrata tarefa que ele faz em escala planetária.Vive viajando e não tem tempo para o amor e outras coisinhas. A proposta do filme é investigar a angústia vivenciada por esse personagem trágico.

Estréia prevista nos EUA: 10 de Dezembro
Estréia prevista no Brasil: fevereiro de 2010


5- 2012
Nova fita catástrofe de Roland Emmerich, diretor de Godzilla e O dia depois de amanhã. No filme, cumpre-se uma profecia maia que dá conta do fim do mundo em 2012. Seguem-se os tradicionais clichês, personagens dispensáveis e efeitos especiais, esses sim, cada vez mais elaborados.

Estréia prevista nos EUA: 13 de novembro
Estréia prevista no Brasil: 13 de novembro


4 - Lua nova ( New moon)
Se você estava no planeta terra no último ano, sabe que ele foi tomado por vampiros e seus adoradores. A frente dessa nova mania mundial estão os vampiros, e lobisomens a partir de agora, de Crepúsculo. A saga continua em Lua Nova. No filme Bella é confrontada com as limitações da natureza de sua relação com Edward. Como resultado se aproxima do amigo Jacob, que também guarda segredos, digamos cabeludos.

Estréia prevista nos EUA: 20 de novembro
Estréia prevista no Brasil: 20 de novembro

3 -Invictus *
O novo drama de Clint Eastwood (e só essa frase, já torna Invictus obrigatório) é sobre a luta de Nelson Mandela por uma Africa do Sul unificada, livre do pesadelo do apartheid. Aqui conta-se a história da união entre Mandela (Morgan Freeman) e um distinto esportista branco (Matt Damon) que compartilhavam do mesmo ideal.

Estréia prevista nos EUA: 20 de novembro
Estréia prevista no Brasil: Fevereiro de 2010

2 -Avatar
O novo filme do homem que conquistou o mundo com Titanic 12 anos atrás. E que ainda detém o recorde de bilheteria da história do cinema. James Cameron finalmente lança seu novo trabalho. A ficção científica rodada inteiramente em 3D com tecnologia, diz-se, revolucionária. Em um planeta distante, seres humanos usam avatares para iniciar um processo de colonização. Cameron argumenta que esperou esse tempo todo, porque não havia tecnologia disponível para rodar seu filme. Então tá.

Estréia prevista nos EUA: Dezembro de 2009
Estréia prevista no Brasil: Dezembro de 2009

1-Nine
Daniel Day Lewis, Fergie, Nicole Kidman, Judi Dench, Penélope Cruz e Marion Cotillard em musical dirigido por Rob Marshal. Precisa dizer mais alguma coisa? Bem, Nine é uma adaptação de uma peça teatral inspirada na obra máxima de Frederico Fellini, 8 e ½. Os delírios, desamores e vícios de um cineasta de status. Espere números musicais vibrantes, um Daniel Day Lewis intenso e alguma critica ao glamaouroso mundo das celebridades.

Estréia prevista nos EUA: 25 de novembro
Estréia prevista no Brasil: janeiro de 2010

* ainda não há trailer disponível

sábado, 5 de setembro de 2009

De olho no futuro ...

Coluna nova em Claquete. Todo sábado De olho no futuro..., irá trazer informações sobre algum lançamento importante que invadirá os cinemas em um futuro próximo. Fotos, trailers, informações, comentários de bastidores e muito mais. De olho no futuro... é mais uma colaboração de Claquete para que você fique bem informado sobre o mundo do cinema.
Cage em policial de grife

No post anterior sobre o festival de Veneza, há um comentário sobre o filme Bad Lieutenant, novo trabalho do alemão Werner Herzog que teve premiere no festival. O site Comming soon divulgou hoje o primeiro cartaz do filme. Na fita, ainda sem lançamento agendado nos EUA, Nicolas Cage vive um policial cheio de fantasmas e traumas. O filme acompanha sua trajetória antes e depois do Katrina.

O musical do ano
Rob Marshall é o mais cotado para comandar o quarto Piratas do Caribe que começa a ser produzido ano que vem. Mas antes disso, o ex -cenógrafo da Broadway retorna as origens. Depois do Oscar por Chicago, sua estréia na direção de cinema, Marshall volta ao musical. Nine é uma versão do oito e 1/2 de Fellini. Com elenco estelar encabeçado por Daniel Day Lewis, Nine é desde já um dos filmes obrigatórios da safra do fim de ano. A estréia americana ocorre em 25 de novembro em algumas cidades satélites e nacionalmente no Natal. No Brasil, a previsão de estréia é para 10 de janeiro do ano que vem.



Delírios de um gênio: Day Lewis faz artista amargurado, mesmo que a foto demonstre outra coisa...


Bendito seja entre as mulheres: Além de Day Lewis, Nine tem Judi Dench, Penélope Cruz, Nicole Kidman e Marion Cotillard