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domingo, 29 de agosto de 2010

Contexto


Uma aflição peculiar...

Um dos plots do muito bem construído Cabeça a prêmio, filme dirigido por Marco Ricca que está em cartaz atualmente nos cinemas brasileiros, é a conturbada relação de um pai com sua filha. É, sem dúvidas, a principal linha narrativa do filme e o núcleo cujo desfecho mais impressiona. De qualquer maneira, o que se verifica em Cabeça a prêmio é a coroação de uma teoria psicanalítica muito em voga no cinema: o complexo de Electra. Em um aprofundamento de questões mal resolvidas relacionadas a paternidade. No filme de Ricca, Mirão (Fulvio Stefanini) não é um pai presente para Elaine (Alice Braga). Pior do que isso, é um pai cheio de segredos e envolvido em negócios escusos. Esse afastamento crônico e todo o ressentimento que advém dele são muito bem trabalhados pelos atores e pelo texto de Marçal Aquino (que serve ao roteiro do filme).
O envolvimento paterno com a ilicitude em geral, e com o crime em particular, já rendeu grandes filmes como Caminho sem volta e fitas eficientes como Poder absoluto em que Laura Linney faz a filha de um Clint Eastwood ladrão de obras de arte.

Mirão a esmo: Em Cabeça a prêmio flagramos um pai que se debate por suas (más) escolhas...



Mas o cinema foi especialmente feliz ao enquadrar o avesso desse sentimento. A partir da perspectiva paterna como em filmes como As confissões de Schmidt, de Alexander Payne, em que Jack Nicholson depois de perder a mulher, tenta se ajeitar com a filha. Ou mesmo na comédia romântica Menina dos olhos, de Kevin Smith. Em Guerra dos mundos, de Steven Spielberg, o mundo como nós o conhecemos precisa chegar perto do fim para que Tom Cruise se redima como pai. Catarse semelhante ocorre em Armageddon, outro filme catástrofe que se mira nas omissões de um pai (Bruce Willis) para com sua filha (Liv Tyler) e remete a seu sacrifício final para que ela possa viver um grande amor.
Em A prova, o relacionamento entre pai e filha é minado pela genialidade dele. Novamente, a chance para redenção se apresenta. A redenção também pode vir em uma figura paterna alternativa. É o que ocorre em O profissional, em que uma ainda criança Natalie Portman é “adotada” pelo matador profissional vivido por Jean Reno.

Tim Robbins, Tom Cruise e Dakota Fanning em cena de Guerra dos mundos: no limite, um pai melhor


Jean Reno mostra como se faz em O profissional: pai postiço que é pai de verdade

Curiosamente todos esses filmes captam o mesmo estado de espírito e a mesma fase do complexo de Electra. O que difere são suas resoluções. O novo filme de Sofia Coppola (Somewhere), que estréia no próximo festival de Veneza, vem agregar valor a essa seara. Na trama, um ator famoso (vivido pelo nem tão famoso Stephen Dorff) tem sua rotina desestabilizada com a chegada de sua filha de 11 anos (vivida pela irmã caçula de Dakota Fanning, Elle).
Espera-se da cineasta que ela enriqueça essa paleta de cores com seu cinema sensível e inclinado a perspectiva feminina. De qualquer jeito, não será fácil superar a trágica e poderosa trajetória de Mirão e Alice.

A outra Fanning: a irmã mais nova de Dakota é a nova leading lady de Sofia Coppola em Somewhere


Se você gostou deste artigo e quiser repercuti-lo sob esse e outros pontos de vista, Claquete recomenda:

Armageddon, de Michael Bay (EUA 1998)
A Prova, de John Madden (The proof, EUA 2005)
Menina dos olhos, de Kevin Smith (Jersey girl, EUA 2004)
As confissões de Schmidt, de Alexander Payne (About Schmidt, EUA 2002)
O profissional, de Lu Besson (Leon, FRA 1994)
Caminho sem volta, de James Gray (The yards, EUA 2000)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

TOP 10

10 músicas que marcaram o cinema nos anos 90
Quem não gosta de uma boa música? Cinema e música se intercambiaram muitas vezes ao longo da história. Existem momentos, porém, em que essa sinergia alcança patamares estratosféricos. Claquete lista 10 músicas que, além de se eternizarem, ajudaram a eternizar os filmes que “estrelam”. Relembre as 10 músicas que fizeram a cabeça do cinema nos anos 90.

10 – Streets of Philadelphia, do filme Filadélfia
Não tem como pensar no filme Filadélfia e não pensar na bela canção de Bruce Springsteen, vencedora do Oscar de melhor canção original. A bela música pontua a jornada inspiracional do personagem de Tom Hanks e ainda faz o espectador ter vontade de se perder em Filadélfia.

9 – I don´t want to miss a thing, do filme Armageddon
Não há música mais indicada para embalar corações apaixonados do que esta melosa canção do Aerosmith composta especialmente para o filme estrelado pro Bruce Willis. A letra é linda, a melodia pegajosa e, bem, você já pegou a ideia...

8 – Hakuna matata, do filme O rei leão
Uma filosofia de vida. Essa é a melhor definição para essa música de gente zen. Hakuna matata virou febre e o lema entoado por Timão e Pumba ganhou sonoridade e adeptos ao longo dos anos, virando até mesmo comunidade do orkut.

7- When a man loves a woman, do filme Quando um homem ama uma mulher
Que mulher não gosta de um homem disposto a tudo por ela? A música de Michael Bolton composta para o filme de mesmo nome sublinha o que um homem é capaz de fazer por amor. A porção do inesperado é justamente essa. Já que estamos acostumados a ver e ouvir o que uma mulher faria por amor. O filme que traz Meg Ryan e Andy Gargia é bom, mas a música que embala a história é muito melhor.


6- I´ll always love you, do filme O guarda costas
Atire a primeira pedra quem nunca entoou um verso sequer dessa música. O guarda costas se tornou um clássico instantâneo muito em parte por causa da apaixonada e apaixonante canção composta e interpretada por Whitney Houston. A história do filme é bem clichê, mas a canção a torna especial.


5- Girl, you´ll be a woman soon, do filme Pulp fiction – tempos de violência
Todo mundo sabe que Quentin Tarantino tem um ouvido todo especial. Ele arrebenta nas trilhas de seus filmes e não poderia ser diferente no filme que o pôs definitivamente no mapa. A versão do Urge Overkill para a música Girl, you´ll be a woman soon não só é cativante, como matadora. Não tem como pensar em Pulp Fiction e não lembrar de Uma Thurman se mexendo ao som dessa música.

4-Unchained melody, do filme Ghost-do outro lado da vida
Dá para dizer que se você chora um amor interrompido, você chora ao som de Unchained melody. A música que marca a história do casal apaixonado separado pela morte em Ghost- do outro lado da vida, tomou as rádios e era lançada em quase toda coletânea que se prezasse. Afinal, todo mundo tem uma história de amor para lembrar e chorar.

3- Pretty woman, do filme Uma linda mulher
Outra canção que é imediatamente associável ao seu filme de origem é Pretty woman de Roy Orbison. Se toda mulher que ser como a personagem de Julia Roberts em Uma linda mulher, toda mulher que ter essa música como parte da trilha sonora de sua vida.

2- Íris, do filme Cidade dos anjos
Como expressar um amor mais forte que a vida. Íris é uma boa forma de tentar. A poderosa e apoteótica música do Go go dolls, composta especialmente para o filme Cidade dos anjos, é a mais perfeita declaração de amor que alguém pode fazer ou receber em forma de melodia. Até hoje causa impacto e arrepia corações apaixonados que dedicam a músicas a seus amores.

1- My heart will go on, do filme Titanic
Sério que você pensava que o topo seria de qualquer outra música que não a melosa canção de Titanic? Rádios dos mais diferentes estilos tocaram My heart will go on por meses. Diferentes versões, versões brasileiras e um Oscar ajudam a entender o fenômeno. A música interpretada por Celine Dion pode na ser a melhor, mas certamente é a mais inesquecível do cinema nos anos 90.