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domingo, 2 de outubro de 2011

Insight

Por que Taylor Lautner tem mais chances de vingar em Hollywood do que Robert Pattinson?


Depois do fraco desempenho de Sem saída em seu primeiro fim de semana em cartaz, a pergunta pode parecer ingênua e descolada de sentido. No entanto, esse dado só torna a tarefa de elucidar a questão mais atraente e inteligível.
Os dois astros do fenômeno adolescente Crepúsculo são separados por sete anos. Enquanto Robert Pattinson tem 26 anos, Taylor Lautner tem 19 anos. Robert Pattinson, mais do que ser ator, deseja ser músico. Ainda que esse desejo esteja em suspensão em virtude do estrelato alcançado via Twilight. Já Taylor Lautner frequentava produções como Doze é demais 2 e As aventuras de Sharkboy e lavagirl 3D desde criança. É bem verdade que Crepúsculo redesenhou os parâmetros para esses dois neo astros e é sob eles que a análise deve ser delineada.
O primeiro aspecto a ser analisado é o desempenho de ambos dentro da série de filmes Crepúsculo. Enquanto Robert Pattinson caiu no gosto do público alvo (mulheres entre 12 e 30 anos), Taylor Lautner foi bastante questionado. O menino de 15 anos que surgia cabeludo e raquítico (pelo menos em comparação ao físico que apresentaria daquele momento em diante) não parecia indicado para manter-se no papel que cresceria de tamanho nos próximos filmes. Em Lua nova, Jacob, além de aparecer mais do que Edward, teria cenas de algum relevo dramático. Foi considerada uma substituição, mas os produtores e o diretor Chris Weitz cederam aos esforços de Lautner (dentre os quais ganhar impressionante massa muscular) para manter o papel. Essa determinação, que pode ser alinhavada a de seu personagem na série, destacou Lautner que dos três protagonistas foi o mais elogiado do segundo filme.

Mamãe quero ser Bourne: Taylor Lautner de jaqueta e cara de poucos amigos em Sem saída, uma fita de ação divertida


Após Lua nova surgiu o primeiro trabalho de Robert Pattinson depois do estrondo causado por Crepúsculo. Lembranças, um drama eficiente com soluções equivocadas, teve lançamento mundial para aproveitar o culto a seu protagonista. Foi um fracasso retumbante. O filme de Allan Coulter trazia um Robert Pattinson em personificação amargurada e angustiada como seu personagem mais famoso. Ainda que em Lembranças o personagem fosse mais bem delineado, os ecos de Edward e o componente trágico desse personagem pareciam paralisar tanto o talento dramático de Pattinson (que ainda não pôde ser de todo mensurado) quanto à percepção que o público tem dele. Em 2011, Robert Pattinson apresentou Água para elefantes. Outro filme morno em que o ator surge como um herói romântico trágico. A escolha não poderia ter sido mais infeliz para superar a resistência que parte do público e até mesmo da crítica tem para com o moço. Já Taylor Lautner foi mais inteligente na bifurcação que fez na carreira. Primeiro pela escolha do gênero. Sem saída, o primeiro voo solo de Lautner em Hollywood, é uma fita de ação que pode projetá-lo junto ao público masculino, sem acarretar prejuízo ao seu séquito de fãs do sexo feminino. A faixa etária também é um plus aqui. Além de repercutir melhor com garotos entre 13 e 20, Lautner busca respaldo de uma audiência mais velha em um filme que conta com outros atrativos que não sua presença. E Lautner, diferentemente do que sugerem as escolhas de Pattinson, não esconde que ainda tem muito a aprender em matéria de atuação. Por isso, Sem saída, é um filme em que seus recursos dramáticos não são tão cruciais para o sucesso da fita.
Não dá para dizer que Lautner irá se descobrir como astro de ação. Talvez esse seja até mesmo um prognóstico improvável. Mas é certo que o ator foi mais feliz na escolha do projeto paralelo a Crepúsculo.
Mas a disputa ainda não está decidida. Robert Pattinson tem dois ases na manga. Um chama-se Cosmópolis. No novo filme de David Cronenberg, que deve ser lançado em 2012, o ator vive um milionário que tenta chegar ao cabeleireiro em uma manhã agitada de Nova Iorque enquanto suas ações atravessam graves oscilações na Bolsa. Já em Bel Ami, ele vive um gigolô na França do século XVII em busca de luxuria e mulheres.

Team Edward: Robert Pattinson contra-ataca em 2012 com Bel Ami, em que seduz Uma Thurman em troca de status social


São dois projetos que, conforme as sinopse sugerem, distanciam a figura do ator desse tipo romântico que tanto o persegue. Continuam a ser trabalhos que exigem estofo dramático de Pattinson. Podem ser as duas últimas chances do ator se mostrar rentável fora de Crepúsculo. O talento, de fato, pode ser que ele só mostre quando essas chances se expirarem. Taylor Lautner, por sua vez, a despeito da decolagem canhestra de Sem saída, ainda deve ter mais chances e deverá aproveitá-las sem se impor a pressão que Robert Pattinson joga sobre seus ombros.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A angústia de Robert Pattinson nas palavras do próprio

Domingo passado a coluna Insight abordou a angústia do ator Robert Pattinson. Foi defendido que o jovem astro está a mercê da imagem de galã e astro sombrio que advém de seu personagem Edward Cullen e que todo o sucesso oriundo da saga Crepúsculo pode ser decisivo para os rumos de sua carreira. Tanto positiva quanto negativamente. A coluna suscitou polêmica e não foi corretamente compreendida. Muitos pensaram tratar-se de um questionamento do talento de Pattinson como ator. Quis o destino que na mesma semana, Robert Pattinson, cujo mais recente filme Lembranças amarga péssima bilheteria e repercussão crítica, viesse a público posicionar-se a respeito. Em entrevista a edição alemã da revista In touch, o ator disse que se sente "inseguro" como intérprete e que tem medo que não consiga mais fazer cinema "sério". Segundo o ator, "a histeria dos fãs de Crepúsculo se tornou incontrolável". Para conferir as principais declarações de Pattinson a In touch alemã, clique aqui.

domingo, 21 de março de 2010

Insight

O dilema de Robert Pattinson


Robert Pattinson é um fenômeno. A despeito de suas qualidades como intérprete, atrai uma multidão disposta a apreciar sua beleza, caso da maioria, em relativiza-la, caso de alguns, ou de diminuí-la, caso de mais alguns. Pattinson é um dos nomes mais quentes da atual safra hollwoodiana. Provoca comentários espirituosos de muita gente que já está no circo hollywoodiano há algum tempo, como Uma Thurman sua parceria em Bel Ami (filme em produção no momento), que foi a imprensa externar sua ansiedade por trabalhar com Pattinson e pelas cenas de amor que irão protagonizar. Há, obviamente, toda a celebração de seu nome na indústria. Revistas, sites e programas especializados em celebridades repercutem o apelo do jovem astro. No Brasil, há pelo menos 400 comunidades no orkut destinadas ao culto a Pattinson. Há mais um sem número de fã clubes, excluindo dessa equação aqueles que centralizam a saga Crepúsculo, e toda uma atenção da mídia sobre os efeitos que o ator provoca em milhares (para não dizer milhões) de adolescentes.

Cena de Eclipse que estréia em junho: Edward é ao mesmo tempo um passe livre e uma prisão para Pattinson en Hollywood

É impossível, no entanto, dissociar a imagem de Pattinson de seu personagem, Edward Cullen, na saga Crepúsculo. Para o bem e para o mal, Pattinson está destinado a viver, pelo menos enquanto perdurar a saga, sob a sombra do amargurado vampiro da saga de Stephanie Meyer. Isso implica em viver personagens sombrios e amargurados. Em que a interpretação exige retoques de angústia e capacidade de expressão de deslocamento. É justamente um tipo como esse que ele compõe em Lembranças (Remember me), seu primeiro filme depois do sucesso de Crepúsculo. Tyler é um personagem deslocado, que a realização induz-nos a tomarmos como incompreendido, e a persona de Pattinson (e mais importante ainda, a memória que o espectador tem dela) contribui para isso. Não é de se estranhar, portanto, que 10 entre dez resenhas sobre o filme se concentrem na interpretação do ator. Afinal, o destaque que o filme recebeu (apesar de ser um drama “comum”, teve estréia mundial) é todo em virtude de seu protagonista.


Em Lembranças, Pattinson vive um personagem que remete a percepção que o público tem dele


Ainda não dá para dizer que Pattinson é mau ator. Como também é humanamente, e criteriosamente, impossível dizer que ele é bom ator, como se entusiasmam algumas fãs ardorosas. Fato é que existe muita pressão e expectativa sobre Pattinson. O ator, ao que parece, tem se equilibrado bem em relação a elas, mas carece de tempo e, mais do que isso, equilíbrio também de seus observadores. Administrar uma imagem e uma carreira não é algo fácil. Há exemplos notórios de sucessos e fracassos nesse departamento. A julgar pela situação de momento, aconteça o que acontecer com a carreira de Pattinson, será menos por seus méritos e mais por intervenção alheia. Essa é a verdadeira angústia de Robert Pattinson.

Critica - Lembranças

O gosto pelo drama!

Existem pessoas depressivas, outras com forte propensão a auto-piedade. Há ainda aquelas que são conhecidas pela pré-disposição ao drama. Pois bem, também há filmes que reúnem essas características. Lembranças (Remember me, EUA 2010) é um deles. Lembranças é sobre as dores e dramas que acometem uma família, no caso a família Hawpkins, mas é um filme, que assim como seus personagens, gosta do drama. De gravitar sobre ele. Essa condição o empobrece como cinema. Pode até surtir algum efeito, potencializado pelo final impactante (que pouco acresce a história, mas solidifica a apoteose dramática pretendida), mas não faz de Lembranças um filme memorável. Isso não quer dizer que a fita de Allen Coulter seja ruim, apenas equivocada. A indisposição de Tyler (Robert Pattinson) nunca é justificada para a platéia, embora se tente fazer isso a todo o tempo. Sabe-se o porquê dele ter cedido ao comportamento maníaco-depressivo que o caracteriza e atrai Ally (Emily De Ravin) - outra marcada por um trauma familiar forte - mas nunca se entende a razão dele ser uma âncora para ele e para sua família. O roteiro tenta amenizar essa falha trazendo uma frase de Gandhi que é entoada em dois momentos cruciais do filme por Tyler, mas mesmo esse subterfúgio falha em seu propósito.
Emily De Ravin e Robert Pattinson em cena de lembranças: personagens profundamente dramáticos, ainda que não haja profundidade

O filme parece ter sido construído, primordialmente, para potencializar a aura angustiada de Robert Pattinson. Nem a realização, nem o próprio Pattinson parecem sabe como conferir profundidade a isso, que no frigir dos ovos, é apenas uma imagem.
Lembranças tem boas cenas e bons momentos. Mesmo assim é um filme que não cativa. Talvez pela opção de se espelhar em seu protagonista e ser dramático (ao excesso), pelo simples prazer de sê-lo.