
A pergunta que dá título a esta reportagem é o que move a mais recente produção estrelada pela diva Angelina Jolie.
Salt, principal lançamento de verão da Sony Pictures, é um filme que mistura ação e espionagem nos termos da era Bush, momento em que o filme ganhou o aval para ser produzido. “Se você me perguntar quem é Salt, vou ser sincera. Não construí nenhuma identidade para ela. Não a enquadrei em nenhum conceito- boa, má, heroína, traidora. Se o fizesse teria criado uma figura unidimensional”, explica Angelina Jolie em entrevista concedida ao jornal
O Estado de São Paulo em Cancún (México), onde esteve para divulgar o filme duas semanas atrás.
Na trama, Evelyn Salt (Angelina Jolie) é apontada como uma agente dupla e passa a ser perseguida por seus antigos colegas.
Salt pode ser confundido com filmes que ganharam os cinemas na guerra fria, como
Sem saída (1987), em que Kevin Costner surpreende meio mundo quando se revela um agente triplo, ou até mesmo
Caçada ao outubro vermelho (1989), primeiro filme estrelado pelo agente da CIA Jack Ryan.
Sabendo rezar a missaE por falar em Jack Ryan, o diretor de
Salt é um cara escolado em matéria de espionagem no cinema.
Jogos patrióticos (1992) e
Perigo real e imediato (1994), ambos estrelados por Harrison Ford como Jack Ryan, foram dirigidos por Philp Noyce que desde esses dois filmes não voltava ao mundo da espionagem via Hollywood.
Noyce esteve envolvido com o projeto desde o inicio. Angelina não. “O papel foi desenvolvido para Tom Cruise que recusou”, lembra o cineasta em entrevista a
Entertainment Weekly. “Ele receava que o filme saísse muito parecido com a série que estrela,
Missão impossível”, continua o diretor.
Salt teve, então, que ser reescrito. A Sony e Noyce acharam interessante escalar uma mulher no papel principal. Mas quem? “Só poderia ser Angelina”, sentenciou Noyce. O diretor argumenta que ficou impressionado com a performance física da estrela em filmes como
Sr. & Sra. Smith (2005) e
O procurado (2008). “Se há uma mulher capaz de convencer como heroína de ação, essa mulher é Angelina”, bradou o entusiasmado diretor à
Entertainment Weekly. “Não vou dizer que é tudo 100% eu porque seria mentira, mas fiz muito mais do que o estúdio e a seguradora gostariam, por razões de segurança, e menos do que eu esperava fazer, por que chega um momento em que você precisa recorrer aos profissionais”, esclarece a atriz sobre as movimentadas sequências de ação que rodou para o filme.
Fotos: Getty images
Angelina Jolie e o maridão compareceram a premiere americana do filme no último dia 19 de julho
Angelina posa para os fotógrafos: Salt arrecadou U$ 36 milhões em seu primeiro fim de semana em cartaz nos EUA. Desempenho inferior as expectativas do estúdio
Saldo final
A Sony pôs Angelina para trabalhar. Em um espaço de duas semanas, a atriz percorreu meio mundo. Foi ao México, a alguns países da Europa, ao Japão, a Comic Com em San Diego e na premiere americana do filme em Los Angeles, fora o batalhão de entrevistas promocionais. Tudo para fazer do filme que lhe valeu um cheque de U$ 20 milhões (o maior pago a uma atriz em um filme de ação) um sucesso.
Enquanto isso, ironia do destino, Tom Cruise lança na mesma temporada uma comédia de ação em que vive um agente secreto, acusado de ser agente duplo e traidor. Encontro explosivo não fez boa carreira nas bilheterias americanas e faz relativo sucesso nas bilheterias internacionais. Salt vem para o jogo agora e a pergunta que abre a matéria, parece mais próxima de ter uma resposta.