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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Os 10 melhores filmes lançados no Brasil em 2009

Para colocar um ponto final na nossa retrospectiva 2009 aqui em Claquete, a lista mais desejada por todos, e a mais importante também. O top 10 do ano. Os 10 melhores filmes lançados em 2009 nos cinemas, ou diretamente em DVD, como foi o caso de alguns filmes muito falados por aí. Sem mais delongas, vamos ao top 10:


10- Amantes, de James Gray (EUA 2009)
James Gray dá um tempo nos filmes policiais para falar sobre as agruras de se viver em busca do amor. Em Amantes, o mais tenro dos sentimentos pode ser libertador ou paralisante. Um fenômeno tão imprevisível quanto querer adivinhar o tempo. As vezes acerta-se, as vezes não.


9- Arrasta-me para o inferno, de Sam Raimi (EUA 2009)
Sim, um terror finalmente aparece na lista dos 10 melhores filmes do ano. E com todos os méritos, diga-se. Raimi realiza um filme, cuja única razão de ser é proporcionar entretenimento de primeira qualidade e, lembremos, essa é uma das razões de ser do cinema. Aliando terror e comédia, em uma combinação tão perigosa quanto bem sucedida, Raimi faz um filme que diverte e cola na cadeira.


8- Foi apenas um sonho, de Sam Mendes (EUA 2008)
A obsessão de Sam Mendes com a classe média americana rende bons frutos ao cinema. Seus dois melhores filmes ocupam-se de clarear as sombras sobre as vidas suburbanas. Foi apenas um sonho retoma o ambiente, e as celeumas, de Beleza americana. Mas com menos sarcasmo e mais drama. A visão pessimista de Mendes se exacerba na figura do personagem vivido por Michael Shannon. Um demolidor de hipocrisias, tido como doente mental.


7- Duplicidade, de Tony Gilroy (EUA 2009)
Filmes de espionagem rendem bons dramas ou movimentadas fitas de ação. Tony Gilroy conseguiu converter esse desgastado subgênero cinematográfico em um filme que mescla romance, suspense e comédia. Com diálogos inteligentes, situações mirabolantes e um roteiro tão bom quanto os atores que dão vida a ele, Duplicidade é um achado. Um filme delicioso de se assistir e que desafia convenções de gênero.


6- O leitor, de Stephen Daldry (EUA/ING 2008)
Poucas vezes o cinema trabalhou o sentimento de culpa de forma tão elaborada no contexto universal (a culpa alemã em detrimento do holocausto) e no foro íntimo (um homem que se martiriza por amar uma pessoa que depois ele descobre de moral desviada). Um filme poderoso e extremamente mimético das circunstâncias da vida.


5- Abraços partidos, de Pedro Almodóvar (ESP 2009)
Declarações de amor são emblemáticas por ofício. Assim o é Abraços partidos. Uma declaração de amor eloquente de Almodóvar ao cinema e a sua musa, Penelope Cruz. Ao gosto do cineasta e de seus fãs. Drama, comédia, auto referências e exercícios metalinguísticos variados. Um legítimo Almodóvar. E como legítimo Almodóvar, está entre os melhores do ano.


4- Dúvida, de John Patrick Shanley (EUA 2008)
Um filme que é uma peça de teatro. O que não é demérito nenhum. Afinal, o texto, e as interpretações, fluem as mil maravilhas. O poderoso texto de Shanley convida a platéia a relativizar o outro e as próprias certezas. Em um exercício de persuasão, fé e intuição tão requintado quanto improvável.


3- O curioso caso de Benjamin Button, de David Fincher (EUA 2008)
O filme de David Fincher é a mais perfeita tradução da angústia humana. A passagem do tempo, e todas as suas idiossincrasias, são como areia ao vento. Impossível dominar. David Fincher e sua fábula do homem que nasce velho e rejuvenesce ajudaram a ver a beleza do impossível. E torná-la possível à nossos olhos.


2- Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino (EUA/FRA 2009)
Tarantino remonta a história da segunda guerra mundial com ironia, inteligência, sagacidade, violência e um desfecho mais satisfatório do que o que de fato se deu. Isso tudo em um caldeirão metalinguístico que desconhece fronteiras e limites. Em última estância, Bastardos inglórios é uma homenagem ao cinema de um apaixonado por essa arte que procura alternativas de expressar esse amor.


1- Gran Torino, de Clint Eastwood (EUA 2008)
Clint Eastwood revisita, tal qual fizera com o western em Os imperdoáveis, o subgênero que ele ajudou a fundar, o do exército de um homem só. Mas Gran Torino não é só a palavra final desse autor americano sobre seu legado no cinema, é também uma poderosa inflexão sobre como as coisas mudaram na América e como preconceitos, de todos os tipos e intensidade, são tolos. Um filme que antes de mais nada, rompe com uma visão de mundo que cede a violência como razão.




E os 10 filmes que quase chegaram lá (por ordem alfabética):

Avatar
À deriva
A troca
Distrito 9
Frost/Nixon
Guerra ao terror
Intrigas de estado
O lutador
Se beber não case
Up -altas aventuras


E para não dizer que não falei de flores, a trinca dos infernos:
Por amor (Personal Effects)
Bruno (Bruno)
Atividade paranormal (Paranormal activity).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca Duplicidade. Filme deliciosamente divertido estrelado por Clive Owen e Julia Roberts. Peraí, Julia Roberts em um filme cult? Pois é. Duplicidade recupera aquele momento do cinema em que pagamos para ver dois astros no auge do carisma e da química se divertirem atuando. Na fita dirigida por Tony Gilroy, diretor e roteirista do não menos interessante Conduta de risco, acompanhamos as idas e vindas pelo tempo de dois espiões, atuando na area privada, enamorados que planejam aplicar um golpe milionário em seus patrões, adversários históricos. Espionagem industrial, romance, ironia,sarcasmo e muita graça, tudo temperado por um texto muito inteligente e atores, os coadjuvantes também brilham intensamente, no melhor da forma.
Duplicidade não teve uma boa acolhida do público americano. Não chegou nem mesmo aos U$100 milhões. Seu plot talvez seja muito sofisticado para a média. Seu inegável apelo cult excede até mesmo a dificuldade de atrela-lo a um gênero. Por razões comerciais( hello Julia Roberts) a comédia é o mais lembrado. Duplicidade, porém, tem o mérito de não se ater a rótulos.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:

OBS: Disponível em DVD, para locação, a partir da semana que vêm.




Qualidade elevada em fita prazerosa!
O novo filme de Tony Gilroy é uma delicia. E também é um primor de cinema. Ventila uma temporada de filmes de baixa atração com tudo que um bom filme tem que ostentar. Astros em grande forma, um roteiro esperto e muitíssimo bem escrito, diálogos ácidos e inventivos, e uma imensa vontade de entreter com inteligência.
Duplicidade ( Duplicity EUA 2009) têm entre seus trunfos o reencontro de Julia Roberts e Clive Owen que dividiram a cena em Closer de 2004, e na ocasião chamaram a atenção do público cinéfilo vigorosamente. A química demonstrada lá foi preservada e até mesmo incrementada pelo sagaz roteiro de Gilroy e pela leveza da trilha composta por James Newton Howard. Na trama, Owen vive um ex- agente do MI6 que se vê as voltas com uma ex- agente da CIA, vivida por Julia, agora que ambos atuam na área da espionagem corporativa.
Gilroy acerta no tom da narrativa. Leve, bem humorada e com retoques de paródia, mas sempre calcando sua história na verossimilhança. A competição desenfreada entre as empresas pelo pioneirismo, o investimento absurdo que as mesmas fazem em inteligência, o reflexo dessas ações no mercado financeiro e tudo o mais. O diretor/roteirista cerca-se de atores competentes, a maioria saída de seu primeiro filme como diretor Conduta de risco, para avalizar o seu texto. Que embora leve na tela, sem os atores corretos, assumiria seu aspecto mais complexo.
O filme avança em ritmo agradável e se constrói com uma simplicidade inversa ao argumento que lhe precede. Outro mérito de Gilroy que fascina cada vez mais. O roteirista é seguramente um dos pilares da nova ordem Hollywodiana. Na qual convergem arte e entretenimento. Movimento que O cavaleiro das trevas deflagrou. Tem tudo para seguir os passos de gente como Woody Allen e Clint Eastwood. Embora seja um realizador mais industrial, Gilroy mostra em seu segundo filme ser um diretor de muito potencial.
Duplicidade é um sopro de originalidade em um ano até aqui dominado pela banalidade. Assim como o fora Conduta de risco dois anos atrás. Gilroy estabelece assim uma pecha convidativa para si. A de nome confiável até mesmo quando a confiabilidade na produção hollywoodiana anda meio canhestra.