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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Os dez melhores filmes do ano

Claquete se despede de 2013, e deseja aos leitores um feliz ano novo de muitas realizações, conquistas e cinema, com a lista das listas: os dez melhores filmes lançados comercialmente em 2013 no Brasil. Foi um ano com algumas surpresas, outras tantas decepções e algumas certezas. Como reflexo disso, a presente lista não apresenta nenhum blockbuster, ainda que preserve maioria de títulos americanos. Há, sim, cineastas da mais fina estirpe. Paul Thomas Anderson, Woody Allen, François Ozon e William Friedkin marcam presença na lista. Diretores irregulares como Abdellatif Kechiche, Thomas Vinterberg e Ron Howard também. 
O cinema argentino perde sua cota informal na lista, mas o cinema latino-americano não. O mexicano Depois de Lúcia se impõe na lista com autoridade ímpar. Ímpar também é o cinema francês que viveu um ano próspero em nossas telas de cinema e como reflexo disso registra duas inclusões na lista de Claquete dos dez melhores filmes do ano. O pungente A caça, da Dinamarca, é outro europeu a figurar no ranking. 
Um aspecto que revela que 2013 não foi a maravilha em matéria de cinema que todos cremos é que apenas quatro filmes produzidos no ano conseguiram entrar na lista. Há cinco de 2012 e um de 2011. O que poderia ser preocupante, na verdade não é, como demonstra a lista dos dez filmes que quase entraram no TOP 10 do ano e que consta da postagem anterior. Lá há maioria de produções de 2013. De qualquer jeito, é um detalhe que não poderia passar despercebido. Assim como a ausência brasileira da lista. No ano passado, O palhaço representou o país no ranking do blog. 
Sem mais delongas, um feliz 2014, de muito cinema e que Claquete continue sendo o repouso cinéfilo de sua preferência. 

10 - Azul é a cor mais quente (La vie d´Adèle, 1 & 2, França 2013), de Abdellatif Kechiche

O premiado e comentado filme francês é daquelas experiências que o cinema vez ou outra oferta. Um filme que é um elaborado estudo de personagem, delicada história de amor e, ainda, narrativa cinematográfica absoluta em sua inteireza estética e compromisso narrativo. Não é um filme à prova de erros, mas é do tipo que oxigena o típico cinema de arte sem a opulência dos tiques autorais, mas privilegiando a simplicidade do relato. Kechiche filma com convicção até mesmo a insegurança de Adèle, a protagonista mais deslumbrante de 2013, diante do mundo. Azul é a cor mais quente é significativo, ainda, por perseguir uma verdade desconhecida, ainda que cercada por conjecturas a todo o momento. Quem somos nós, o que nos define, no final do dia?

9 – Capitão Phillips (Captain Phillips, EUA 2013), de Paul Greengrass

Paul Greengrass assume nesse filme de tensão ininterrupta algo que já sabemos, mas que sempre nos impressionamos quando essa verdade é esfregada em nossa cara. A realidade sempre supera a ficção; e Capitão Phillips é um esforço bem azeitado da ficção de equiparar-se com a realidade. A recriação do sequestro do Capitão Phillips e de sua embarquação por piratas somalis em 2009 é um ás da realização. Do ponto de vista do roteiro, de Billy Ray, da atuação, de Tom Hanks e dos outros atores menos famosos, mas igualmente certeiros, e de direção, do assumido Paul Greengrass.

8 – Rush – no limite da emoção (Rush, EUA 2013), de Ron Howard

O melhor filme de esporte já feito. Ok, a afirmação pode ser precipitada, mas Rush – no limite da emoção captura como poucos o que move a paixão em torno dos mais variados e diversificados esportes: a rivalidade. O sentimento de competição que brota no coração dos homens e se perpetua no jogo midiático e na ganância irrefreável que surge com a boa vida. O feito de Ron Howard é supremo porque o filme é completo em tudo que precisa ser completo, da narrativa muito bem aparada às atuações irreparáveis. As cenas de corrida, muito bem editadas e fotografadas, são um deleite à parte. Até mesmo para quem não gosta de Fórmula 1.

7- Depois de Lúcia (Después de Lucía, MEX/FRA 2012), de Michel Franco

Nenhum filme desta lista fará você se sentir pior como ser humano, ou mesmo mais confuso, do que este belo drama mexicano premiado no festival de Cannes em 2012.
Depois de Lúcia une dois temas delicados e bastante explorados pelo cinema, o bullying e o luto, e os funde com aspereza, sensibilidade e total falta de parcimônia no retrato agonizante que faz de uma menina e seu pai tentando readaptarem-se à vida após a morte da mãe e esposa. Um soco no estômago. Com soco inglês.

6- A caça (The Hunt, DIN 2012), de Thomas Vinterberg

O bullying volta, de certa forma, a se manifestar no filme que ocupa distintamente a sexta posição da lista. A mentira, a imaginação fértil de uma criança, o balé das circunstâncias e a intolerância são medidas nesta nauseante crônica fílmica de Thomas Vinterberg. A caça é, inegavelmente, o melhor filme de sua carreira e é daqueles que nos deixa de queixo caído. Da perplexidade à reflexão, são poucos os filmes que nos instigam esse maremoto interno.

5 – Blue Jasmine  (EUA 2013), de Woody Allen

Woody Allen nos presenteia com um filme dolorosamente engraçado, desavergonhadamente dramático e profundamente triste na radiografia certeira que faz do choque entre duas visões de mundo encampadas em uma mesma personagem. A tragédia de Jasmine, grega, mas também americana, é um comentário sagaz e sofisticado do cineasta de grife mais regular que o cinema dispõe hoje sobre os EUA, mas também sobre um tipo muito particular da grã-finagem.

4- Killer Joe – matador de aluguel (Killer Joe, EUA 2011), de William Friedkin

Quando a insanidade encontra o banal, Killer Joe tem seu ápice climático e o espectador, a certeza de que está diante de um filme único, ousado e chocante como nem Tarantino consegue ser.
Nessa história de violência orquestrada com maestria por William Friedkin, uma família se organiza, desorganizadamente, para matar a mãe e Matthew McConaughey, surpreendente a cada take, é o homem escolhido para fazê-lo. Killer Joe é uma epopeia de loucura delirantemente engraçada, avidamente dramática e irremediavelmente boa de ver.

3- O lado bom da vida (Silver linings playbook, EUA 2012), de David O. Russell

Se a capacidade de um filme de fazer você se sentir bem consigo mesmo fosse o principal critério para a eleição do melhor filme do ano, O lado bom da vida teria liquidado a disputa lá em fevereiro. Afinidade conta, mas não pode reinar sozinha. O que coloca O lado bom da vida no pódio dos melhores filmes lançados no Brasil em 2013 é sua incrível capacidade de emocionar, divertir e sensibilizar falando muito sério. Além da perfeição com que é dirigido, pela acuidade do texto e, principalmente, pela entrega absoluta dos atores em cena. Um filme cativante, solar e muito inteligente; tanto internamente, como na comunicação com o público.

2- Dentro da casa (Dans La mansion, FRA 2012), de François Ozon

Um brinde ao poder de uma história bem contada. Esse drama sofisticado, inventivo e sempre tão surpreendente quanto cativante de François Ozon faz reverência à arte de narrar dando espaço a sentimentos humanos tão díspares como carência, inveja, desejo, manipulação, raiva, rejeição. A trama que coloca um professor intrigado pela narrativa sofisticada de um aluno insuspeito e fazendo descobertas sempre desestabilizadoras é uma realização soberana do cinema francês de 2012 que abrilhantou o 2013 dos cinéfilos brasileiros.

1-O mestre (The master, EUA 2012), de Paul Thomas Anderson

Um estudo sobre a condição humana em toda a sua complexidade, prevaricação, fascínio e senso de oportunidade. Paul Thomas Anderson não economiza na ambição ou nos sofismas que circulam a arrebatadora história sobre como o homem modifica o meio e por ele se deixa modificar. Política, religião, amor e família são construções arquetípicas falimentares no olhar apurado, clínico, mas nem um pouco taxativo de Anderson. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Spotlight on - O texto do ator

Lars Von Trier orienta Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg no set de AntiCristo: atores que encontram na fisicalidade a força de suas performances


O Oscar deste ano foi eloquente em destacar performances que encontraram na fisicalidade sua matéria prima. Joaquin Phoenix em O mestre é um exemplo perfeito. É por meio de seu corpo, frequentemente turvo, de sua postura rebelde, sua aparência mal adornada e seu gestual agonizante que muito da vulnerabilidade de seu personagem, um tipo passivo agressivo, se revela ao expectador. No filme de Paul Thomas Anderson, Phoenix vive um homem com uma mente frágil. Não é certo se essa condição é consequência de sua atuação na segunda guerra mundial ou uma herança genética – já que sua mãe é diagnosticada como louca. Phoenix investe na abordagem física em uma composição que privilegia seu corpo como seu texto. É através dele que sua atuação fala.
Ainda que com aspectos distintos, é mais ou menos o mesmo que se verifica no Lincoln de Daniel Day Lewis. Ator conhecido por seu método peculiar de atuar, Day Lewis investe em uma caracterização consistente com a memória que se tem de Lincoln. O ator estudou desde o sotaque da região em que Lincoln cresceu até a postura que ele mantinha em reuniões de gabinete. Como são poucos os registros formais de Lincoln e sua época, Day Lewis tinha significativo espaço para criar. Sua autoridade como intérprete, aliada à conveniência da maquiagem, favorecem uma composição que encontrou críticas elogiosas. O New York Times saiu-se com a seguinte: “Daniel Day Lewis é mais Lincoln do que Lincoln”. Filmado por Spielberg sempre de um ângulo inferior, Day Lewis – que já é alto – surge imponente. Mas escolhe uma postura curva – talvez para sinalizar o peso sobre as costas do homem – como um recurso tão eloquente quanto seu olhar penetrante.
Bradley Cooper, por O lado bom da vida, apresenta a atuação mais minimalista entre as indicadas. Mas não deixa de conter elementos textuais interessantes. Sempre inquieto, como se seu corpo emitisse eletricidade, providencialmente menos bonito do que geralmente aparece, Cooper investe em uma composição que congrega a fragilidade do seu personagem – um bipolar que ainda não sabe exatamente como reagir a esse diagnóstico – e sua indevassável vontade de viver a felicidade. Sua companheira de cena, Jennifer Lawrence é ainda mais feliz no uso que faz de seu corpo. Não só pelo olhar de David O. Russell ser generoso com sua sensualidade incontida, mas por saber se insinuar para a câmera com um misto de angústia e indiferença. As variações de humor de sua personagem são sempre muito bem expressas por seu gestual expansivo e seus olhares miméticos. Emmanuelle Riva, que também concorreu ao Oscar, tem no corpo o eixo central de sua atuação. Vivendo uma idosa vítima de um AVC com os movimentos do corpo cada vez mais restritos, Riva encontra expressividade na contenção e faz de seu corpo o vaso para uma atuação basicamente artesanal.

Hugh Jackman em cena de Os miseráveis: seu corpo é um elemento tão importante para sua atuação quanto a sua voz...

Daniel Day Lewis é um ator que valoriza a expressão corporal na composição de suas atuações

Em outra frente, Hugh Jackman e Anne Hathaway em Os miseráveis submeteram seus corpos a intervenções da realização que modificam por completo a percepção de seus trabalhos. Jackman, por exemplo, teve de emagrecer para depois engordar para o papel, raspar a cabeça e cantar a plenos pulmões enquanto fazia força. Hathaway também teve de perder peso e raspar a cabeça – algo sempre mais dramático para uma mulher. A opção de Hooper por colar a câmera no rosto de seus intérpretes faz com que o corpo do ator seja também texto do diretor e não mais apenas do ator. Há cineastas que gostam de falar por meio do corpo de seus atores. Darren Aronosfky recuperou seu status no cinema americano ao explorar cada poro de Mickey Rourke em O lutador, filme sobre um ex-lutador de wrestling longe de seus dias de glória. A experiência se mostrou frutífera. Em seu filme seguinte, Cisne negro, ele explorou a fragilidade física da bailarina vivida por Natalie Portman. Nunca uma performance no cinema conectou tanto o físico no emocional.
Steve McQueen tem no corpo de Michael Fassbender a sua pena. Em filmes como Hunger e Shame ele expõe o corpo de Fassbender como recurso narrativo ímpar na construção que faz dos personagens (um homem em greve de fome, no primeiro, e um viciado em sexo, no segundo) e de seus dramas. A diferença entre os trabalhos verificados no Oscar deste ano e esses dirigidos por Hooper, Aronofsky e McQueen é que nos últimos há uma apropriação pelos diretores dos corpos dos atores enquanto que nos primeiros são os atores que usam os próprios corpos como discurso. É uma equação interessante. Verifica-se, portanto, que o corpo do ator pode servir a dois tipos de discurso distintos em um mesmo filme. Sem a presença tergiversada de Phoenix em O mestre, Paul Thomas Anderson jamais conseguiria dar conta da complexidade de suas proposições no filme e, ao mesmo tempo, em suas sutilezas, Phoenix reafirma-se como intérprete imaginativo e cria um personagem que desperta curiosidade e não necessariamente empatia. Se causasse empatia, Phoenix teria falhado como ator. Em Shame, por exemplo, a preocupação de Fassbender é inversa. Enquanto deixa o olhar de McQueen devassar seu corpo, o ator se preocupa em preencher emocionalmente um personagem vago na concepção estética da realização. Confirmando a bidimensionalidade do corpo do ator enquanto texto.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - 100 tons de Philip Seymour Hoffman




Cinquenta não seriam suficiente. Talvez nem mesmo os 100 o sejam. Não à toa, Philip Seymour Hoffman foi um dos primeiros perfilados de Claquete, em agosto de 2009 (o blog foi inaugurado em julho daquele ano). De lá para cá, Hoffman já esteve (sempre brilhante) em filmes como Tudo pelo poder, Os piratas do rock, O homem que mudou o jogo e O mestre – pelo qual obteve sua quarta indicação ao Oscar e a quarta em sete anos.
Hoffman é um ator cujos recursos cada vez mais parecem inesgotáveis.
O crítico de cinema Inácio Araújo ao comentar sobre O mestre, filme ao qual não apreciou muito além das interpretações, ao abordar o merecimento de Joaquin Phoenix no Oscar sacramentou: “Hoffman, que é o melhor ator do mundo hoje, faz qualquer coisa, serve de escada”. Ou seja, na avaliação de Inácio Araújo, assim como na de Claquete, a performance de Joaquin Phoenix não teria o mesmo impacto sem a presença de Hoffman. E essa é outra qualidade de Hoffman, menosprezada, que merece luz. Sua capacidade de fazer outros atores melhores em cena. Há muitos grandes atores no Oscar deste ano. Mas Denzel Washington e Tommy Lee Jones, para citar dois, são catalisadores. Chamam a câmara para si. Hoffman consegue fazer isso e, simultaneamente, tornar seus companheiros melhores. Em Tudo pelo poder, por exemplo, ele adensa dramaticamente Ryan Gosling. O próprio De Niro, que concorre com Hoffman este ano pelo Oscar de coadjuvante, se beneficiou dessa desenvoltura do ator em Ninguém é perfeito.  
Camaleônico, Hoffman – como já aventado no perfil de Claquete sobre o ator – não se repete, mesmo que assuma personagens repetitivos. Outro mérito que ajuda a entender o porquê desse ator ser considerado o melhor do mundo por muita gente. De sua concorrência no Oscar deste ano podemos retirar outro exemplo. Christoph Waltz em Django livre provocou lembranças em muita gente de seu personagem em Bastardos inglórios. Pela sofisticação em um ambiente francamente desumano e por certos cacoetes de interpretação. Esse fantasma nunca visitou Hoffman, mesmo ele já tendo interpretado, por exemplo, personagens gays em mais de cinco oportunidades.
Ator confiável, capaz de registros minimalistas ou superlativos, Hoffman, com 45 anos neste momento, ainda tem muito a conquistar. No futuro, talvez supere outro ator em disputa no Oscar atual que para muitos, e para a prestigiosa revista Time, é o melhor do mundo na atualidade: Daniel Day Lewis. A unanimidade, por volume de trabalho, mas também por força da capacidade de transmutação e de tangenciamento de registros distintos, joga a favor de Hoffman.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Insight - Depois da obra-prima



O ano de 2012 pregou uma pegadinha em cinéfilos, críticos e em alguns cineastas. O ano reuniu os trabalhos sequenciais de muita gente que vinha do pico de suas carreiras. Michael Haneke, por exemplo, vinha do soberbo e irrevogável A fita branca (2009), um colosso de cinema sob qualquer ângulo que se observe. A Palma de ouro em Cannes, e mais um punhado de prêmios internacionais, pareciam coroar uma carreira pungente e acadêmica que ainda não havia sido reconhecida a contento. Mas aí veio Amor.
Paul Thomas Anderson, por seu turno, havia atingido a glória com Sangue negro (2007). Filme que para muitos críticos o levara ao panteão dos diretores imortais. Não era preciso fazer mais nada; mas já que ele não decidiu se aposentar, se investiu da necessidade de fazer algo minimamente compatível com a imensa expectativa que um filme como Sangue Negro para sempre ensejaria sobre sua obra futura. E aí veio O mestre.
Bastardos inglórios: o auge de
Tarantino
Outros cineastas prestigiados também se viram as voltas com expectativas semelhantes em 2012. Christopher Nolan mudou a percepção que o mundo tinha de adaptações de quadrinhos nos cinemas com O cavaleiro das trevas (2008). Uma mudança muito mais profunda e complexa do que um primeiro olhar faz crer. Ele fez A origem em 2010 que só fez aguçar a curiosidade pelo desfecho da trilogia que para sempre será entoada como a obra máxima de Nolan. O cavaleiro das trevas ressurge, no entanto, não sobreviveu às expectativas desestabilizadoras que confluíram a seu encontro.
Outro arista americano revolucionário, Quentin Tarantino, talvez ostentasse um desafio ainda maior. Mais icônico e reconhecido do que Nolan, Tarantino apresentou ao mundo em 2009, sua obra prima: Bastardos inglórios. O próprio, em recurso metalinguístico muito bem sacado admitiu isso dentro do próprio filme – tamanha era a clareza de que aquele se tratava, enfim, do auge de sua carreira. Django livre, a despeito do imenso sucesso de público e das indicações ao Oscar, é uma curva descendente em relação a Bastardos inglórios.
Esses quatro casos servem para dar nova dimensão a uma angústia que marca boa parte dos diretores de cinema depois de apresentarem ao mundo, aquilo que crítica, público e indústria chamam de obra-prima. Cineastas como M.Night Shyamalan, para ficar em um exemplo bastante famoso, não sabem se desvencilhar dessa arapuca.

Paul Thomas Anderson orienta Daniel Day Lewis no set de Sangue negro: auge da carreira ou de seu primeiro ciclo?

Paul Thomas Anderson orienta Joaquin Phoenix no set de O mestre: de quantas obras-primas uma carreira imortal necessita?


Atenção às similaridades
Salta aos olhos, o fato desses quatro cineastas serem escritores/diretores e de gozarem de total liberdade em seus projetos. A falta de liberdade é constante reclamação de Shyamalan e foi o que motivou Woody Allen, por exemplo, a ir filmar na Europa.
Haneke e Anderson, em particular, obtiveram resultados muito melhores do que Tarantino e Nolan com seus lançamentos de 2012. Amor, ainda que não seja um filme tão importante em ramificações sociológicas quanto o é A fita branca, apresenta predicados tão eloquentes quanto.
É um filme em que Haneke mantém sua postura estética e o interesse sobre o comportamento humano em face de circunstâncias adversas; ainda que tenha mudado o escopo de análise, ele manteve firme seu olhar. A história do casal de idosos às voltas com o desfalecimento da mulher não é, nesses termos aventados, diferente do casal vítima de uma dupla de sádicos (Violência gratuita) ou de uma vila consternada por uma série de ataques injustificados (A fita Branca).
O mesmo compasso serve para analisar o mais recente filme de Paul Thomas Anderson. À parte a óbvia relação da religião ser parte proeminente tanto em Sangue negro como em O mestre, Anderson alinhava personagens para servir como parâmetro para um estudo minucioso da alma humana. De convenções como ambição, pertencimento, ego, felicidade, capitalismo, entre outros. A observação pode ser estendida para outras de suas obras como Magnólia (1999) e Boogie Nights (1997). Mas é inegável que esses seus dois últimos filmes dialogam em um nível muito particular. Nos arranjos do texto, porém, O mestre é mais sofisticado.
Haneke de costas no set de Amor:
fidelidade estética e liberdade temática
Já Nolan e Tarantino se aproximam não só pelo fato de ambos terem obtidos resultados menos satisfatórios em suas empreitadas posteriores as suas obras-primas, mas por mais do que aprofundarem seus interesses narrativos, reciclarem fórmulas bem sucedidas sem o mesmo apelo de outrora.
Tarantino nos tirou o fôlego ao reescrever a história em Bastardos inglórios e conferir ao cinema uma importância redentora até então inédita. Ele resolveu utilizar o mesmo recurso em um western spaghetti com um escravo vingador no período pré-guerra civil americana. Se o rebuscamento de Bastardos inglórios falta a Django livre, estão lá a presença luxuosa de Christoph Waltz – a evocar Bastardos a todo o tempo – e o manancial de referências cinematográficas e culturais que tanto acrescem ao cinema tarantinesco. Se Django livre viesse ao mundo antes de Bastardos inglórios, os dois filmes teriam melhor estima do que já ostentam. Na ordem real, Django livre acaba por engrandecer o trabalho anterior de Tarantino.
Com Nolan acontece mais ou menos a mesma coisa. Ele filtra muito da estrutura narrativa de seus dois maiores acertos (A origem e O cavaleiro das trevas) no desfecho da trilogia do Batman, mas não adensa o filme dramaticamente. O conflito eriçado em O cavaleiro das trevas ressurge já surge esgotado.  

Christopher Nolan no set de O cavaleiro das trevas ressurge: uma trilogia dramaticamente esgotada em dois filmes

Positivo
É certo, porém, que esses quatro cineastas apresentaram em 2012 obras expressivas e catalisadoras de merecida atenção. São filmes que, em alguns casos, não se comparam aos trabalhos anteriores, mas que ainda estão acima da média dominante do cinema mundial. Mais do que qualquer coisa, entretanto, esses cineastas demonstraram em 2012 que há, sim, vida depois da obra-prima.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Crítica - O mestre


Mestrado em cinema

A obra de Paul Thomas Anderson vai se erguendo como um pilar irremovível do cinema enquanto arte reflexiva, pensativa e elusiva de sua própria beleza e potencialidade. Em seus sexto longa-metragem, o cineasta americano alcança mais uma obra-prima com um trabalho de ramificações sociológicas de indevassável força. O mestre (The máster, EUA 2012) é mais do que um estudo sobre as origens de uma seita religiosa inspirada na Cientologia, como faz crer a sinopse do filme. É um estudo minucioso do homem e o meio, das circunstâncias da existência, em seu viés mais traumático e angustiante, e também em sua faceta empreendedora e oportunista. Com um dos duelos de interpretação mais cristalinos e potentes dos últimos anos, o filme se subscreve como artífice de um pensamento moderno sobre a angústia humana na busca por pertencimento e significado.
Freddie Quell (Joaquin Phoenix) é um veterano da segunda guerra que parece ruir internamente. É possível que essa condição seja também herança genética de sua mãe, internada em um hospício. Vagando de emprego em emprego, com uma postura sempre dúbia e uma obsessão por sexo familiar aos desorientados mental e emocionalmente, Freddie colide com Lancaster Dodd, um homem de muitas aptidões como o próprio se define. Dodd está por trás de uma seita emergente nos EUA dos anos 50 (A Causa) e é aí que a proximidade com a Cientologia e seu criador, L. Ron Hubbard, começa a ganhar corpo. Chamado de mestre por seus seguidores, Dodd é carismático, inteligente e calculista. Mas também bastante acolhedor. A identificação entre ele e Freddie é pulsante e imediata. Freddie rapidamente desenvolve um vínculo que vez ou outra se enuncia mais forte e proeminente do que a relação de um mestre e pupilo. Está aí parte da força do filme. Tanto Dodd quanto Freddie se mostram entusiastas da bebida manipulada por Freddie a base de clorofórmio. Dodd é frequentemente ambíguo em seus gestos e provocações para com Freddie que sempre responde com intensidade, mas nem sempre com honestidade.
Dodd, em toda a sua contradição, é um homem que vai ficando mais ambicioso ao longo do filme e, à medida que se distancia de suas postulações meramente filosóficas para se assumir como um líder espiritual, vê Freddie vacilar em sua comunhão.

Carisma, angústia e ambição: Philip Seymour Hoffman congrega todo o comentário de Paul Thomas Anderson em uma composição fascinante


O mestre pode ser lido de várias maneiras e essa riqueza de camadas é um dos muitos méritos de Anderson. Um desses méritos é erguer o filme sobre elipses narrativas que fomentam variadas interpretações para determinadas ações dos personagens, mas que de maneira alguma divergem o filme de seu sentido bruto. De seu estrato específico. De que aquela história é sobre dois homens em busca de respostas para perguntas que não sabem exatamente como formular e que durante o percurso se perdem e se encontram, transformados por essas experiências, muitas vezes.
Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, premiados no ultimo festival de Veneza e indicados ao Oscar, apresentam atuações estupendas nas minúcias e no complemento que uma dá a outra. Sem Hoffman a tilintar seu carisma envenenado na figura de Dodd, a presença turva, simplória e hesitante de Phoenix não teria a mesma força. Da mesma maneira que se Phoenix não fosse tão convincente em sua reação a Dodd, este não teria o impacto que ostenta na plateia.
O mestre, sem trocadilhos, é o mestrado em cinema de Paul Thomas Anderson. Cineasta que ousa investigar as profundezas da alma humana nos lugares mais inóspitos e valendo-se de temas complexos. Com brilhantismo, conjuga o dínamo das atuações com a força de um texto soberbo em ilações e pontual em licitudes para apresentar ao mundo um filme apoteótico em matéria de cinema e, também, de humanidade.  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Filme em destaque - O mestre

Caos e ordem
Joaquin Phoenix é um dos alicerces do novo filme de Paul Thomas Anderson, que lança um olhar sobre as entranhas do pensamento religioso na medida que ilumina os conflitos que aproximam dois homens de diferentes vivências



“Tom Cruise viu e ainda somos amigos”. Essa foi a frase mais repetida pelo cineasta americano Paul Thomas Anderson, no festival de Veneza do ano passado, onde O mestre teve sua première internacional e de lá saiu com os prêmios de ator (dividido entre Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman) e direção.
A razão do comentário é porque o mais novo filme do diretor de Magnólia (1999) e Sangue negro (2007) é inspirado na cientologia, religião da qual Cruise é espécie de relações públicas.
Se admite similaridades com o movimento que originou a Cientologia, Anderson não vai além. “Não conheço muito da Cientologia hoje. Não posso ser mais específico do que isso”. Mas basta o que conhece para erigir um drama profundo sobre as ramificações e influências da religião e discutir, com esse escopo, de política a sexo. O mestre é, ainda, uma análise pormenorizada do homem e seu meio. Nas palavras da jornalista e crítica de cinema Ana Maria Bahiana, que considera este o melhor filme de 2012, é uma “dança delicada e imprevisível entre o forte e o fraco, o mestre e o discípulo, o senhor e o escravo. O caos e a ordem, a verdade e a mentira, a lucidez e a inconsciência”.
A história acompanha a trajetória de Freddie Quell (Joaquin Phoenix), veterano da segunda guerra que muitos diriam estar enlouquecendo. Acolhido por Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), um intelectual que organiza teorias com a mesma sagacidade que as experimenta, Freddie passa a ser peça central no pensamento que Dodd deseja constituir.
“Mas O mestre não é a história de Lancaster”, adverte Bahiana. “Mas de Freddie, torto, ferido, quase mudo como o Plainview (personagem de Daniel Day Lewis) de Sangue negro. Ele é o id para o superego delirante de Lancaster; a massa bruta, o impulso primal, que ao mesmo tempo anseia e rejeita a ordem, o carinho, o conforto”. Peter Travers, da Rolling Stone americana, diz que Anderson ao negar-se “pensar pelo público”, enfurece parte dele. Travers, em sua crítica, classificou o filme como “nirvana para amantes do cinema”. Para ele, O mestre também é um filme sobre “pertencimento e o preço que você paga por esse privilégio”.

Intelecto e força bruta: os dois personagens principais de O mestre apresentam múltiplas camadas

Seguramente um dos filmes mais elogiados dos últimos tempos, o presidente do júri de 2012 em Veneza, o cineasta americano Michael Mann, defendeu diversos prêmios para o filme, mais foi impedido de levar sua ideia adiante porque o estatuto do festival proíbe que o vencedor do leão de ouro receba outros prêmios, mas não é exatamente uma unanimidade. Um dos críticos de cinema mais prestigiados do mundo, o americano Roger Ebert, não vê essa força toda no filme de Anderson. “O mestre é fabulosamente interpretado, mas quando eu tento alcança-lo de fato, minhas mãos ficam no ar”, ponderou. Para o crítico, faltou transpiração ao filme. “Tem um material rico, mas não fica claro o que pensa a respeito dele”. O que é defeito para Ebert, é mérito para outros. “Não é um filme fácil”, finaliza Bahiana.

Homem do mês - Joaquin Phoenix



Porto-riquenho de nascença, e americano de formação, Joaquin Rafael Phoenix, que já foi perfilado em Claquete, viu seu irmão sucumbir a uma overdose em sua frente. Por muito tempo se imaginou que Joaquin viveria à sombra de River, intenso e saudoso. Não foi o que aconteceu. Ainda mais intenso e grave do que seu irmão, o Phoenix mais novo rapidamente galgou posições em Hollywood. De participações pequenas em filmes como Circulo de paixões e Reviravolta, ambos de 1997, passando pelo notável papel coadjuvante em 8 milímetros (1999) até a glória alcançada no ano 2000. Foi nesse ano que estrelou o filme que redefiniria sua carreira: Gladiador. Mas esteve também em Caminho sem volta, no qual fundou a parceria com o cineasta James Gray, e em Contos proibidos do marquês de Sade. O melhor ano da carreira de Joaquin Phoenix, desde então, talvez tenha sido 2012, quando protagonizou O mestre, nova hiperbólica obra de Paul Thomas Anderson. "Sempre convidei Joaquin e ele sempre dizia não; até que dessa vez ele disse sim", contou o cineasta sobre sua intenção de trabalhar com o ator.
Joaquin Phoenix, é bem verdade, destronou a si mesmo em Hollywood. Há quatro anos anunciou que abandonaria a carreira de ator para ser rapper e fez todos crerem que tinha surtado. Tudo não passava de uma pegadinha em prol de um documentário amplamente experimental que patrocinava junto a seu cunhado Casey Affleck. A brincadeira custou caro e muitas portas se fecharam em Hollywood. Afeito à polêmicas, Phoenix, em plena jornada de volta à cidade dos anjos, maldisse a temporada de premiações - um dos alicerces hollywoodianos por excelência. Mesmo assim, chegou ao Oscar 2013 por seu trabalho em O mestre
Ator de proporções agigantadas, Phoenix faz o tipo bad boy, mas é também o tipo de profissional que alcança perfeição. "Ele é uma força da natureza", disse Philip Seymour Hoffman em entrevista recente. "Não me deixo tomar por um personagem dessa maneira". A forma passional com que Phoenix faz cinema e seu bem vindo retorno aos cinemas brasileiros em janeiro o alçam ao posto de homem do mês no blog.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Como devem ser as indicações ao Oscar nesta semana


Na próxima quinta-feira (10) serão revelados os concorrentes da 85ª edição do Oscar. Nessa temporada, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deve destacar um número mais vistoso de produções de estúdio; o que deve configurar um contraponto em relação aos últimos anos em que produções independentes eram favoritas e, de fato, protagonistas do Oscar.
Lincoln, filme de Steven Spielberg que vem encantando o público americano e já é responsável por uma bilheteria superior a U$ 150 milhões deve ser o recordista de indicações do ano. A questão que se coloca a respeito do filme é se baterá o recorde de indicações pertencente a Titanic (1997) e A malvada (1950) de 14 indicações ou igualá-lo. Como se vê, o entusiasmo com o filme de Spielberg é grande, ainda que o filme não seja apontado como virtual bicho papão da temporada, essa é uma possibilidade que será aventada em Claquete mais adiante.
De pronto, é certo que Os miseráveis e A hora mais escura são os principais rivais de Lincoln no número de indicações. Ambos os filmes, com fortes chances de serem indicados a melhor filme do ano, ainda veem outros filmes entre eles e Lincoln na briga pela estatueta de melhor filme. Argo, O lado bom da vida e As aventuras de Pi parecem certezas entre os selecionados do ano para melhor filme. Com menos chances, mas que podem garantir presença na lista estão Moonrise kingdom, Django livre, 007-operação skyfall, O mestre e O voo. A disputa se resume a esses filmes, mas a Academia pode reservar surpresas e resolver incluir o austríaco Amor ou mesmo o francês Os intocáveis, grande sucesso de público nos EUA, entre os indicados a melhor filme. Seria uma solução bem vinda e ainda inédita desde a flexibilização do número de concorrentes ao principal prêmio do Oscar.

Joaquin Phoenix em cena de O mestre, de Paul Thomas Anderson: apesar do desempenho mediano na temporada de premiações, o filme deve ter presença sólida na lista do Oscar


A briga pela estatueta de melhor diretor é outra com três certezas: Steven Spielberg por Lincoln, Ben Affleck por Argo e Kathryn Bigelow por A hora mais escura. As outras duas vagas são disputadas por David O. Russell, Tom Hooper, Quentin Tarantino, Ang Lee e Paul Thomas Anderson. Russell e Lee são os favoritos para fisgar essas duas últimas vagas.
Entre os roteiros adaptados, Argo, Lincoln, As aventuras de Pi e O lado bom da vida são presenças certas. As vantagens de ser invisível pode ser o quinto selecionado. Na divisão dos originais, A hora mais escura, O mestre, Django livre, Moonrise kingdom e Looper são as apostas mais seguras, porém, O voo e Amor podem ser lembrados.

Atuações
Entre os atores, Daniel Day Lewis (Lincoln) puxa o bonde. Denzel Washington deve voltar ao Oscar por seu desempenho em O voo. Outras boas apostas são John Hawkes (As sessões) e Bradley Cooper (O lado bom da vida). A quinta vaga é disputada a foice por Hugh Jackman, que conta com a enorme simpatia da academia, por Os miseráveis, Joaquin Phoenix, que não tem lá tanta simpatia junto à Academia, por O mestre, e Richard Gere, eterno injustiçado, com o papel de sua carreira em A negociação. Em um lance de sorte dois deles podem entrar roubando a vaga de Hawkes ou Washington. Improvável que os três figurem entre os indicados.
Entre as atrizes há mais indefinição do que de hábito na categoria. Certas apenas Jessica Chastain por A hora mais escura e Jennifer Lawrence por O lado bom da vida. Com grandes chances estão Naomi Watts por O impossível e Helen Mirren por Hitchcock. Esta pode perder a vaga para Emmanuelle Riva (Amor), Rachel Weisz (Deep Blue Sea) ou mesmo Quvenzhané Wallis (Indomável sonhadora). De qualquer jeito, os concorrentes nessa categoria parecem mais definidos do que na âmbito masculino.
Entre os coadjuvantes masculinos, Phillip Seymour Hoffman (O mestre) e Tommy Lee Jones (Lincoln) são certezas. Alan Arkin (Argo) também deve voltar à disputa. Para as outras duas vagas, muitos concorrentes. A Academia reconhecerá Leonardo DiCaprio, tido como a melhor coisa de Django Livre ou preferirá mais um vilão saborosamente interpretado por Javier Bardem em Operação Skyfall? Robert De Niro voltará a disputar uma estatueta depois de 20 anos por O lado bom da vida? Há espaço para surpresas como Eddie Redmayne por Os miseráveis?

Denzel em O voo: seria sua primeira indicação ao Oscar desde a vitória por Dia de treinamento em 2002 

Anne Hathaway em Os miseráveis, de Tom Hooper: ele se cristaliza como a maior chance de Oscar do filme...


Entre as atrizes coadjuvantes as circunstâncias são muito parecidas. Anne Hathaway (Os miseráveis) e Sally Field (Lincoln) são certezas. Apostas seguras são Amy Adams (O mestre) e Helen Hunt (As sessões). E a última vaga? Será de Nicole Kidman por The paperboy ou a Academia revelará uma surpresa de última hora como Ann Dowd por Compliance?
Abaixo, as apostas de Claquete para os indicados nas principais categorias do Oscar:

Filme
A hora mais escura
Lincoln
Argo
As aventuras de Pi
O lado bom da vida
Os miseráveis
Moonrise kingdom
O mestre

Direção
Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
David O. Russell (O lado bom da vida)
Kathryn Bigelow (A hora mais escura)
Paul Thomas Anderson (O mestre)

Roteiro original
Django livre
O mestre
A hora mais escura
Moonrise kingdom
Looper

Roteiro adaptado
Lincoln
Argo
As aventuras de Pi
As vantagens de ser invisível
O lado bom da vida

Filme estrangeiro
Amor
Os intocáveis
O amante da rainha
No
Além das montahas

Ator
Daniel Day Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O mestre)
John Hawkes (As sessões)
Bradley Cooper (O lado bom da vida)
Denzel Washington (O voo)

Atriz
Jennifer Lawrence (O lado bom da vida)
Naomi Watts (O impossível)
Jessica Chastain (A hora mais escura)
Emmanuela Riva (Amor)
Quvenzhané Wallis (Indomável sonhadora)

Ator coadjuvante
Tommy Lee Jones (Lincoln)
Philip Seymour Hoffman (O mestre)
Javier Bardem (Operação Skyfall)
Robert De Niro (O lado bom da vida)
Leonardo DiCaprio (Django livre)

Atriz coadjuvante
Amy Adams (O mestre)
Anne Hathaway (Os miseráveis)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As sessões)
Nicole Kidman (The paperboy)

Fotografia
Lincoln
O mestre
Operação Skyfall
As aventuras de Pi
Django livre 

Direção de arte
Os miseráveis
Lincoln
Django livre
Argo
Moonrise kingdom

Montagem
Lincoln
A hora mais escura
Argo
Os miseráveis
As aventuras de Pi

Trilha sonora
As aventuras de Pi
Moonrise kingdom
Lincoln
Argo
O mestre


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - O ano dos esquecidos ou dos favoritos?




Existem muitas particularidades na vigente corrida pelo Oscar, uma delas confronta personalidades queridas pela academia e outras frequentemente negligenciadas por esta. O Oscar 2013 será de quem? Dos favoritos como Daniel Day Lewis, Steven Spielberg e, mais recentemente, Tom Hooper e Kathryn Bigelow, ou dos frequentemente esquecidos Ewan McGregor, Leonardo DiCaprio, Quentin Tarantino e John Goodman?
A teoria mais fácil de abraçar indica que os favoritos devem prevalecer. O que ajudaria, portanto, a definir a parada na corrida em algumas categorias chaves. Que ator seria indicado por Argo? Alan Arkin ou John Goodman? Arkin já provou prestígio junto aos acadêmicos antes e pode se valer deste para prevalecer sobre o colega de elenco que também apresentou outros sólidos trabalhos no ano como em O voo e Curvas da vida. Entre os diretores, por exemplo, será que Quentin Tarantino voltaria à disputa por um filme com críticas divididas? Como serão os critérios, por exemplo, para Tom Hooper, cujo Os miseráveis também dividiu a crítica? Será possível os dois entrarem? Tarantino é cult e, em certa perspectiva, poderia ser tomado como um favorito da academia. Afinal, com apenas seis filmes no currículo já ostenta duas indicações para o Oscar de direção e outras duas como roteirista. No entanto, não é segredo que seu cinema não tange a muitos membros da academia. Já Hooper sai-se incrivelmente bem com quem geralmente desgosta de Tarantino. Ainda que agrade a muitos outros também com seu classicismo. Steven Spielberg, que ficou de fora ano passado, mas viu seu questionado Cavalo de guerra selecionado entre os melhores filmes, é nome certo entre os diretores. Resta saber se o hermético e genioso Paul Thomas Anderson, sempre um diretor elaborado e sofisticado demais para os padrões da academia, será lembrado por O mestre. Helen Mirren (Hitchcock), uma realeza de verdade, conseguirá no peso do nome impor sua candidatura às muito mais elogiadas Emmanuelle Riva (Amour) e Naomi Watts (O impossível), essa que há muito já merece uma segunda indicação ao Oscar. E seu parceiro de cena, Ewan McGregor finalmente será indicado como coadjuvante? A academia optará por conceder a sexta indicação da carreira de Denzel Washington (O voo) ao invés de destacar pela primeira vez Richard Gere (A negociação)?  
Daniel Day Lewis (Lincoln) ganhará seu terceiro Oscar na categoria de melhor ator ou a academia privilegiará o ingrato Joaquin Phoenix (O mestre)?

Quentin Tarantino voltará à disputa pelo Oscar de direção ou a academia lhe relegará apenas à disputa por roteiro?


O Oscar de coadjuvante ficará mesmo entre as queridas Sally Field (Lincoln), Anne Hathaway (Os miseráveis) e Nicole Kidman (The paperboy) ou teremos alguma novidade? E o bonitão Matthew McConaughey poderá ser lembrado depois de um ano de ótimos trabalhos ou Tommy Lee Jones (Lincoln) e Philip Seymour Hoffman (O mestre) não lhe darão oportunidade?
Michael Haneke, diretor genial e sensível e eternamente importante para a história do cinema, será lembrado pelo Oscar pela primeira vez pelo multipremiado Amour?
Mais do que em qualquer outra temporada, a atual corrida pelo Oscar se inscreve como um confronto mordaz entre os favoritos da academia e os frequentemente esquecidos por ela. É um combate interessante que pode produzir um cenário inovador, multifacetado e mais justo dentro da inescapável injustiça que toda a temporada de premiações fomenta.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - Os indicados ao Critic´s Choice Awards e ao SAG 2013


De posse das listas do Sindicato dos Atores (SAG), que foi revelada nesta quarta-feira (12), e do Critic´s Choice Awards, revelada na terça-feira (11), é possível atestar o favoritismo inconteste de Lincoln, de Steven Spielberg, que lidera a corrida nas duas premiações enquanto faz vultosa bilheteria nos EUA. Os miseráveis, musical de época, compreensivelmente angariou muitas indicações no Critic´s Choice Awards, mas os mesmos críticos que o distinguiram nessas categorias escreveram críticas divididas a respeito do filme. Difícil crer que possa fazer frente a Lincoln e converter um bom número de indicações em prêmios.
No campo das atuações, é possível dizer que Bradley Cooper por O lado bom da vida é forte concorrente ao Oscar. Com a lista do SAG, é possível indicar que a quinta vagas entre os atores provavelmente será dele. As outras devem ficar mesmo com Daniel Day Lewis (Lincoln), John Hawkes (As sessões), Denzel Washington (O voo) e Joaquin Phoenix (O mestre). Este último ficou de fora da lista do SAG, mas marca presença no Critic´s Choice. Ao lado de Hugh Jackman (Os miseráveis) que também foi lembrado pelo SAG. A briga de Jackman é com Cooper e não contra Phoenix. Mas dependendo do rumo das campanhas, ambos podem entrar no Oscar e Phoenix acabar de fora.
Entre as atrizes, Naomi Watts (O impossível) – presente nas duas listas – consolidou sua candidatura ao Oscar. Jessica Chastain (A hora mais escura) e Jennifer Lawrence (O lado bom da vida), no entanto, parecem largar na frente em ambas as listas em virtude da boa bagagem que trazem dos últimos dois anos. As outras duas vagas, embora bem encaminhadas, ainda estão abertas. A francesa Marion Cotillard (Ferrugem e osso) é uma possibilidade cada vez mais forte.

Jessica Chastain vai se cristalizando como a grande chance de Oscar do novo filme de Kathryn Bigelow, A hora mais escura. Ela larga na frente tanto no SAG quanto no Critic´s choice Awards


Cena de Os miseráveis: o filme marca presença no SAG e no Critic´s Choice Awards mas ainda há dúvidas se sua força excede às indicações


O SAG
Lincoln divide a liderança de indicações com O lado bom da vida. Quatro para cada um. Ambos os filmes têm a concorrência de Argo, Os miseráveis e O exótico Hotel Marigold – uma indicação sentimental do sindicato. Teoricamente, o filme de Spielberg é favorito. Até por ter um elenco grandioso e grande também. Além da escala gigante do empreendimento que é fazer um filme sobre um dos presidentes americanos mais icônicos de todos os tempos. Nesse sentido, Os miseráveis é uma opção correlata e que preserva o bom pedigree. No entanto, um prêmio ao Os miseráveis talvez incidisse mais em um reconhecimento ao trabalho do elenco (o que a bem da verdade é o que discrimina a categoria), enquanto que um prêmio para Lincoln essa condição não estaria tão clara. Poderia significar uma deferência ao filme propriamente dito.
A questão que se coloca na disputa para melhor ator é se o sindicato estará disposto a premiar Daniel Day Lewis pela terceira vez em menos de uma década. O ator foi premiado em 2003 por Gangues de Nova Iorque e em 2008 por Sangue negro. Nenhum dos outros indicados já foi premiado e Washington, por exemplo, é um ator bastante querido.
Entre as atrizes, Jennifer Lawrence e Jessica Chastain são as favoritas, mas a solidez que Naomi Watts vem apresentando na temporada pode ser um fator preponderante
Javier Bardem (Operação Skyfall), por seu turno, parece estar na dianteira para o que parece ser a última vaga aberta entre os coadjuvantes masculinos. Tommy Lee Jones (Lincoln) e Philip Seymour Hoffman (O mestre) já são certeza mesmo entre os indicados ao Oscar. O SAG, muito provavelmente, fique entre um deles. Os veteranos Robert De Niro (O lado bom da vida) e Alan Arkin (Argo) completam a lista com alguma chance de surpreender.
Entre as atrizes coadjuvantes, duas relativas surpresas. A primeira é Maggie Smith por O exótico Hotel Marigold, aquele tipo de nomeação necessária para subsidiar a inclusão do filme entre os melhores elencos do ano. A outra é Nicole Kidman, atriz notadamente querida pelo sindicato, por The paperboy – filme que está dividindo opiniões nos EUA. Kidman pode até ganhar força na corrida, mas é mais provável que sua participação na temporada de premiações acabe aqui mesmo. Sally Field, outra adorada pelo sindicato, tem chances fortes de triunfar por seu papel em Lincoln. Mas as outras duas indicadas, que também devem ir ao Oscar, Anne Hathaway por Os miseráveis e Helen Hunt por As sessões, também são darlings do sindicato.

 Daniel Day Lewis em foto do editorial dos melhores destaques do ano do Los Angeles Times: uma incógnita no SAG, apesar do favoritismo declarado


De olho no Critic´s choice
Nos últimos tempos tem sido essa premiação a principal bússola do Oscar. Principalmente em termos de antecipar quais serão os indicados. Em 2013, os concorrentes são mesmos aqueles que o leitor de Claquete já havia sido informado que seriam. Lincoln, O lado bom da vida, Argo e A hora mais escura compartilham do favoritismo neste momento. Mas o filme de Kathryn Bigelow, com consideravelmente menos indicações, perde um pouco de seu estofo na corrida.
Daniel Day Lewis deve prevalecer na disputa por melhor ator, mas Joaquin Phoenix é uma ameaça forte. De todos os grupos que distribuem prêmios nessa temporada, é justamente esse o menos suscetível a mágoa pelas declarações de Phoenix a respeito da temporada de prêmios. Entre as atrizes, Jessica Chastain ( A hora mais escura), que teve um excelente 2011, mas que lhe rendeu apenas uma indicação, deve vencer e Jennifer Lawrence, sua principal rival por O lado bom da vida, faturar o prêmio de consolação de melhor atriz de ação por Jogos vorazes.
Difícil prever quem ganha entre os atores coadjuvantes, se o entusiasmo com Lincoln for muito grande, Tommy Lee Jones pode prevalecer. Do contrário, Philip Seymour Hoffman é a opção mais palpável. O mesmo se aplica para as mulheres, Sally Field pode se beneficiar do buzz do filme de Spielberg, ou Anne Hathaway (Os miseráveis) sair da fila e ganhar seu primeiro prêmio mais relevante na carreira.
Difícil crer que Amour não leve como melhor fita estrangeira. Entre os roteiros, Argo e Lincoln são as melhores apostas entre os adaptados e O mestre e Moonrise kingdom entre os originais.
Já a briga pelo troféu de direção deve obedecer os mesmos critérios da briga por melhor filme. Spielberg é o principal nome, mas Affleck e Russell são possibilidades fortes.

Emmanuelle Riva, por Amour, entrou na disputa no Critic´s mas ficou de fora do SAG: a atriz pode ser uma surpresa no Globo de ouro e ganhar força para o Oscar