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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Crítica - Ela


O importante é que emoções eu vivi...

Theodore (Joaquin Phoenix) escreve cartas de amor. Elas não precisam ser necessariamente de amor, mas clientes que precisam de cartas de amor compõem a clientela básica do Beautifulletters.com. Sabemos que estamos em uma ficção científica porque em um futuro próximo, bizarramente e melancolicamente parecido com o nosso presente, as pessoas enviam cartas, mesmo que paguem alguém para escrevê-las. Theodore leva jeito com as palavras; sabe transmitir sentimentos que não sãos seus com ternura e docilidade. No entanto, Theodore não consegue organizar satisfatoriamente seus sentimentos. Do tipo solitário, sua situação é agravada pela dificuldade que ele apresenta em superar o término de um relacionamento longo e significativo. Na verdade, Theodore não sabe exatamente se sente falta de Catherine (Rooney Mara) ou de quem ele era com ela.
Theodore é daqueles que confiam à tecnologia vigente as miudezas da vida. É seu sistema operacional quem escolhe as músicas que ouve, lhe apresenta as notícias do dia, a previsão do tempo, entre outras coisas. Quando um novo sistema operacional, com a promessa de ser mais intuitivo e ajustável à personalidade do dono é lançado, Theodore como um geek em todo o seu esplendor logo compra a novidade. Depois de algumas perguntas, as quais Theodore pouco contribui com respostas, Samantha emerge com a voz rouca, sensual e abrasadora de Scarlett Johansson.
A partir daí se estabelece uma dinâmica que aos poucos vai evoluindo para uma relação amorosa. A maneira como Jonze tece essa história de amor nada convencional é tão imaginativa como sensível. À medida que Samantha vai dominando não só os pensamentos como o cotidiano de Theodore, ele, a princípio, se sente renovado. Com o tempo, no entanto, ele começa a divagar sobre a natureza de seu sentimento por Samantha e se há, de fato, um futuro para eles.
No mundo criado por Jonze, os relacionamentos entre humanos e sistemas operacionais estão ficando populares e há até quem se ofereça como uma espécie de cupido moderno para dar corpo a uma relação incorpórea. Quando isso acontece com Samantha e Theodore, Ela (Her, EUA 2013) atinge um nível de sensibilidade em sua proposta maior que a vida.

Apaixonar-se é uma insanidade socialmente aceitável subscreve Jonze com seu filme em que Joaquin Phoenix se apaixona por seu sistema operacional. O que torna uma conexão real?

A principal razão de ser desse belo, dolorosamente romântico e profundamente poético filme de Spike Jonze é conjecturar sobre a incrível necessidade humana de se conectar. Ela é tão forte que se pluga até mesmo ao que não for real. Não se trata de uma crítica a esse tempo de hiper-conectividade (um tipo de conexão totalmente diferente, afinal), ainda que essa crítica possa ser apreciada em um dos muitos subtextos do filme.
Amar é não racionalizar, racionaliza Jonze com uma amargura que paradoxalmente faz Ela soar ainda mais doce. É particularmente saboroso constatar que Ela é uma resposta mais complexa, mais doída e mais bem urdida a Encontros e desencontros (2003), de Sofia Coppola. Sofia e Jonze foram casados e as coisas não deram muito certo. Essa DR cinematografia, com Scarlett Jonhansson como uma espécie de Easter egg torna os dois filmes especialmente significativos para toda uma geração de cinéfilos.
Por falar em trunfos, Joaquin Phoenix segue desafiando convenções. O que esse monstro da atuação não é capaz de fazer? Totalmente entregue a um personagem difícil, hermético e em um tom totalmente diferente de tudo que já fizera como ator, Phoenix é o coração de Ela. Sem ele, o filme talvez não se conectasse (conceito tão importante na narrativa de Jonze) com a audiência.
Morfologias à parte, Ela é o filme mais relevante da temporada por abordar o status quo de toda uma geração de maneira tão bela e suave. Fluindo entre o humor e o drama, Jonze faz um filme solar que sabe se alimentar da tristeza. Um filme especialmente eloquente para quem quer que já tenha amado.

Insight - Quero ser Shia LaBeouf


Um dos grandes sucessos do cinema no nascedouro do século XXI foi Quero ser John Malkovich, dirigido por Spike Jonze e escrito por Charlie Kaufman. O filme brinca com a possibilidade de um simples mortal entrar na mente do célebre ator americano por quinze minutos.
Shia LaBeouf não é John Malkovich, talvez queira ser, mas essa é outra história. Aos 27 anos, o ator californiano que alcançou o estrelato como protagonista da trilogia Transformers parece viver uma crise peculiar, ainda que terrivelmente comum no mundo das celebridades instantâneas e da fogueira de vaidades hollywoodiana.
Tudo começou timidamente lá pelos idos de 2010, quando se pôs a diminuir a relevância da série Transformers e assumir uma culpa, que ninguém via, pelo quarto Indiana Jones, que estrelou em 2008, ser abaixo das expectativas dos fãs. LaBeouf começou a flertar com projetos mais sérios. Rodou a sequência Wall Street: pode e cobiça com Oliver Stone e filmes menores, em projeção, mas não em ambição, como Os infratores (2012), Sem proteção (2012) e Conquistas perigosas (2013).
LaBeouf dava declarações polêmicas, dizia-se interessado em expressar-se artisticamente e cansado da vida hollywoodiana. Fez um curta-metragem e, depois de surgirem acusações de plágio, confessou ter se enrolado nos limites entre inspiração e cópia. Para pedir desculpas ao plagiado, contratou um avião para desenhar as desculpas no céu com fumaça. Foi criticado pelo gesto megalomaníaco nas redes sociais e chegou a trocar farpas com personalidades de sua estatura em Hollywood, como a criadora da série Girls, Lena Dunhan. Suas divagações filosóficas no Twitter logo foram postas em suspeição também. Descobriu-se que grande parte era reprodução não creditada. LaBeouf então anunciou sua retirada da vida pública. Em paralelo corria atrás de Lars VonTrier prometendo fazer sexo e cenas de nudez explícita para estar em seu Ninfomaníaca.
No último festival de Berlim, para promover a versão integral e sem cortes do filme de Von Trier, o ator surgiu com um saco de papel na cabeça com os dizeres “não sou mais famoso”. Na mesma cidade montou uma exposição de artes plásticas em que a principal obra era ele. A ideia era ele ficar em uma sala escura, com o saco de papel na cabeça, e olhando fixamente para quem se dispusesse a compartilhar daquele silêncio incômodo com ele.

LaBeouf em Berlim: egocentrismo exacerbado ou algo a dizer?

A exposição foi pouco concorrida. Ele decidiu levar essa manifestação artística para Los Angeles, onde está em cartaz. Entrando na galeria, escolhe-se um objeto entre os muitos que estão à disposição do frequentador. Uma jarrinha com tuítes agressivos contra ele, um bonequinho de Optimus Prime e coisas que, de alguma maneira, remetam a LaBeouf, por mais discreta que seja a relação. A pessoa entra na sala escura e lá está LaBeouf com o saco de papel na cabeça e com olhos marejados olhando fixamente, sem tempo determinado, para ela.
É uma crítica ao culto a celebridade? LaBeouf está tentando uma elaboração artística sobre o significado de celebridade? Ou apenas quer atenção? Não é a primeira vez que astros do cinema tentam radicalizar a relação com a indústria que os molda. Joaquin Phoenix, há não muito tempo atrás, fingiu que tinha largado tudo para trás para seguir carreira de rap. Surgia barbudo, descabelado e fedido e falava coisas sem sentido. Era tudo um documentário exagerado sobre o ônus da fama. O ator deixou-se filmar recebendo sexo oral e com alguém defecando sobre ele.  
Quero ser John Malkovich, em sua proposta surrealista, Phoenix e LaBeouf revelam um mal-estar empírico, desabrido e de difícil elaboração. LaBeourf, à distância que a avaliação permite, parece não se reconhecer mais e mergulhado em uma melancolia que Sofia Coppola tão bem circundou em The Bling ring – a gangue de Hollywood.
La Beouf parece resignado com o fato de que só a arte é a resposta. Mas é preciso identificar nela as perguntas também.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Oscar Watch 2014 - O poderoso e indomável Phoenix


Ele é um dos melhores atores da atualidade, mas não parece muito entusiasmado com isso. Daniel Day Lewis é seu fã e a Warner Brothers o quer como o vilão do principal filme do estúdio em anos, a sequência de O homem de aço que oporá Batman e Superman. Joaquin Phoenix pode não desprezar Hollywood, mas sente, ou demonstra sentir, uma profunda indiferença por suas reminiscências. Apesar de já ter feito parte de superproduções, como Gladiador, ele se dedica ao cinema independente e ao cinema autoral americano, o que o fez trabalhar, desde que regressou de sua experiência transcendental em que simulou ter abandonado a carreira e enlouquecido (para manter curta uma história longa) para rodar um documentário sobre a prevaricação e nocividade da fama, com cineastas como James Gray (antigo parceiro), Paul Thomas Anderson e Spike Jonze. Em 2013 concorreu ao Oscar, mesmo sem fazer campanha para isso e demonstrar total desinteresse pela cerimônia, pelo arrebatador trabalho em O mestre, de Anderson. Neste ano, Phoenix está novamente no páreo, novamente como um underdog, por Ela, o agridoce filme de Spike Jonze sobre nossa crescente dependência da tecnologia, mas também sobre nossa necessidade de conexão, sobre solidão e outras peculiaridades que nos fazem humanos.
Ao lado de Reese Whiterspoon em raro editorial
de moda à época que divulgavam Johnny & June,
filme pelo qual ambos concorreram ao Oscar
“Ele sempre me dizia não”, disse Paul Thomas Anderson que já recrutou Phoenix para seu novo filme, atualmente sendo rodado, Inherent Vice. O ator não esconde sua rabugice de quem quer que seja. Seja um jornalista, seja um interlocutor qualquer. Phoenix não acha que deve exercer fascínio ou suscitar qualquer interesse que seja e considera desajustado quem quer que identifique nele um bad boy hollywoodiano. Ele jura que não faz tipo, mas se ajusta ao folclore da cidade dos anjos e à fogueira de vaidades que nela queima.
Phoenix não é um bad boy convencional, mas sua postura desdenhosa em entrevistas tampouco sugere que se trata de alguém apenas avesso ao mundinho de Hollywood. Para citar uma referência já aventada nesta reportagem, Daniel Day Lewis é um gentleman quando promovendo um filme e depois desaparece. Ninguém vê e ninguém sabe de Daniel Day Lewis a não ser que ele esteja divulgando um filme. É bem verdade que com Phoenix acontece mais ou menos a mesma coisa, mas a falta de paciência do ator para com os tramites inerentes de seu ofício o notabilizam como alguém que faz questão de ser antipático. O lado genioso do ator costuma aparecer, inclusive, com colegas de profissão.
Mesmo com todos esses contras, Phoenix é irresistível. Ator mediúnico, expressivo, poderoso e que empresta de sua personalidade esse aspecto indomável para compor personagens fascinantes em trabalhos de atuação sempre primorosos. A possibilidade de voltar ao Oscar, de maneira consecutiva, é real. E por mais que maldiga o prêmio e todo o circo que o gravita, quem não quer ganhar um Oscar? Ainda mais quando se faz cinema...

Phoenix ao lado de seu novo best friend artístico, o diretor Paul Thomas Anderson: ambos são reconhecidos por certa arrogância no trato diário e descobriram que nutrem, também, afinidade artística...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja dos atores

Da esquerda para a direita: Joaquin Phoenix (O mestre); Denzel Washington (O voo); Daniel Day Lewis (Lincoln); Hugh Jackman (Os miseráveis); Bradley Cooper (O lado bom da vida)



Bad boy potente

Phoenix é um ator que tem a admiração de Daniel Day Lewis. Essa frase diz muito sobre a disputa pelo Oscar de melhor ator neste ano e, também, sobre a força interpretativa que é esse ator porto-riquenho. Tipo mais complexo do que seus personagens, Phoenix brinda a audiência de O mestre com uma performance devastadora, seja por sua fisicalidade, seja por sua gravidade emocional ou pela fluência que estabelece no texto do filme. Sua indicação é prova de que talento (e reconhecimento) nem sempre advém de bom mocismo.

Prós:
- Defende uma atuação que exige perícia em praticamente todos campos da interpretação
- Emplacou a indicação mesmo maldizendo o Oscar e os prêmios de cinema. Uma prova de que seu trabalho realmente impressionou
-Foi quem mais ganhou prêmios na temporada depois de Daniel Day Lewis
- O Oscar poderia ser o “perdão” e “voto de confiança” de Hollywood em Phoenix depois de seus desvios de conduta
- É um ator poderoso, sempre envolvido em trabalhos com forte veia autoral. É a única opção com essas características para quem não quiser premiar Day Lewis pela terceira vez
- A percepção dominante de que O mestre é “um filme de atores”

Contras:
- Típico bad boy e antipático. Perfil que não costuma ser recompensado pela Academia
- Falou mal do Oscar e tem quem possa entender que indicá-lo já é nobreza demais por parte da Academia
-A sombra poderosa de Daniel Day Lewis
-O fato de relativamente poucos acadêmicos terem visto O mestre, ou mesmo gostando do filme, em face dos filmes de seus concorrentes
- Não ganhou nenhum prêmio major na temporada

Terceira indicação
Indicações anteriores
Ator coadjuvante por Gladiador (2001)
Ator por Johnny & June (2006)

Ator de verdade

A indicação ao Oscar para Bradley Cooper causou estranheza em muita gente. Mas Cooper estava preparado para isso. Como o bipolar em busca de colocar sua vida em ordem depois de deixar a rehab em O lado bom da vida, o ator conquista mais do que o reconhecimento da Academia. Ganha o selo de ator de verdade. É azarão supremo no Oscar, mas deixa a desconfiança para trás.

Prós:
- Está no filme cujo elenco é o mais festejado pela Academia em 31 anos
- É um tipo de atuação minimalista que muitos acadêmicos apreciam
- Pode se beneficiar da química que tem em tela com Jennifer Lawrence e conquistar votos de acadêmicos propensos a votar nela
- Dos indicados, fora Day Lewis e Phoenix, é o único que recebeu algum prêmio na temporada

 Contras:
- Foi indicado por uma comédia e é raro atores serem vitoriosos nessa categoria por uma comédia. O último foi Jack Nicholson em 1998 por Melhor é impossível
- É um ator com pouco trânsito em premiações. O background desfavorável pode pesar com o voto conservador
- A sombra poderosa de Daniel Day Lewis
- Não ganhou nenhum prêmio major na temporada
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente

Primeira indicação

O mito vivo

Diz a lenda que Daniel Day Lewis pode interpretar qualquer coisa. Reparem que já há uma lenda sobre Daniel Day Lewis. Como competir contra isso? Na pele de Abraham Lincoln, o presidente mais popular da história dos EUA, esse gigante da atuação clama por seu terceiro Oscar com uma atuação mediúnica. Sim porque não há como ser mais Lincoln do que o é Day Lewis no filme de Spielberg. Ainda que não seja exatamente a melhor atuação do ano, é uma revestida do brio e detalhismo que a academia gosta de premiar.

Prós:
- É Daniel Day lewis
- Ganhou todos os prêmios majors da temporada (Globo de ouro, Critic´s choice Awards, SAG e Bafta)
- Ganhou a grande maioria dos prêmios da crítica
- A percepção bastante difundida de que Lincoln é mais dele do que de Spielberg
- O fato da Academia nos últimos anos ter começado a premiar atores já premiados com maior frequência (Sean Penn, Meryl Streep e o próprio Day Lewis são exemplos)
- A academia deu um terceiro Oscar para Meryl Streep no ano passado; por que não concedê-lo a Day Lewis agora?
- Reúne admiradores em todas as vertentes da Academia. Desde o voto mais liberal até o mais conservador

Contras:
- Já tem dois Oscars e ganhou o segundo recentemente
- Por seu habitual nível de excelência, muitos acadêmicos podem julgar que a indicação já é suficiente
- Meryl Streep ganhou três Oscars em 17 indicações. Há quem possa ver problemas em conceder um terceiro a Day Lewis em cinco indicações
- O fracasso de Lincoln em muitas premiações pode custar alguns votos ao ator

Quinta indicação
Indicações anteriores
Ator por Meu pé esquerdo (1990)
Ator por Em nome do pai (1994)
Ator por Gangues de Nova Iorque (2003)
Ator por Sangue negro (2008)

Vitórias anteriores
Ator por Meu pé esquerdo (1990)
Ator por Sangue negro (2008)


O bem amado

Quem não gosta de Hugh Jackman? Tem alguém? É possível, mas improvável. O australiano é a mais relevante personificação do boa praça hollywoodiano. Action star de respeito, ator de teatro premiado e uma simpatia que só. Jackman tem pontos extras junto à Academia por ter sido o (inusitado) melhor host da cerimônia dos últimos 20 anos. Como Jean Valjean em Os miseráveis ele recebe uma indicação que certamente lhe deixará ainda mais irresistível como estrela de cinema.

Prós:
- É uma figura muito querida no metiê hollywoodiano
- Teve que perder muitos quilos para o papel e a academia aprecia essa “entrega física”
- Defende uma atuação bastante exigente e com canto ao vivo
- Ganhou o Globo de ouro de melhor ator em comédia/musical

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- A sombra poderosa de Daniel Day Lewis
- Muitos podem entender que ele exercita mais predicados de cantor do que de ator
- É bem claro que não é a melhor atuação entre os concorrentes

Primeira indicação


Ainda vivo

Muita gente pensou que Denzel Washington tinha acabado para o cinema. Que o ator estaria restrito a papéis em filmes de ação ou que pouco lhe demandassem dramaticamente. Como um piloto com problemas de alcoolismo em O voo, Washington derruba essa avaliação com possivelmente a melhor performance de sua carreira. A nomeação em si já tem sabor de Oscar.

Prós:
- É um dos atores mais aclamados de sua geração
-É uma opção eficiente, e até certo ponto conservadora, a Day Lewis
-Assim como De Niro e Sally Field retorna ao Oscar depois de um longo e tenebroso inverno
- Sua atuação em O voo é seguramente um de seus melhores momentos na carreira
- Personagens com problemas alcoólicos costumam render Oscar. Nicolas Cage e Spencer Tracy são alguns dos vencedores por papéis com essas características

Contras:
- Assim como Day Lewis, já tem dois Oscars
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- A habitual competência pode fazer com que muitos acadêmicos pensem que a indicação já é suficiente

Sexta indicação
Indicações anteriores
Ator coadjuvante por Um grito de liberdade (1988)
Ator coadjuvante por Tempo de glória (1990)
Ator por Malcom X (1993)
Ator por Hurricane: o furacão (2000)
Ator por Dia de treinamento (2002)

Vitórias anteriores:
Ator coadjuvante por Tempo de glória (1990)
Ator por Dia de treinamento (2002)


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Crítica - O mestre


Mestrado em cinema

A obra de Paul Thomas Anderson vai se erguendo como um pilar irremovível do cinema enquanto arte reflexiva, pensativa e elusiva de sua própria beleza e potencialidade. Em seus sexto longa-metragem, o cineasta americano alcança mais uma obra-prima com um trabalho de ramificações sociológicas de indevassável força. O mestre (The máster, EUA 2012) é mais do que um estudo sobre as origens de uma seita religiosa inspirada na Cientologia, como faz crer a sinopse do filme. É um estudo minucioso do homem e o meio, das circunstâncias da existência, em seu viés mais traumático e angustiante, e também em sua faceta empreendedora e oportunista. Com um dos duelos de interpretação mais cristalinos e potentes dos últimos anos, o filme se subscreve como artífice de um pensamento moderno sobre a angústia humana na busca por pertencimento e significado.
Freddie Quell (Joaquin Phoenix) é um veterano da segunda guerra que parece ruir internamente. É possível que essa condição seja também herança genética de sua mãe, internada em um hospício. Vagando de emprego em emprego, com uma postura sempre dúbia e uma obsessão por sexo familiar aos desorientados mental e emocionalmente, Freddie colide com Lancaster Dodd, um homem de muitas aptidões como o próprio se define. Dodd está por trás de uma seita emergente nos EUA dos anos 50 (A Causa) e é aí que a proximidade com a Cientologia e seu criador, L. Ron Hubbard, começa a ganhar corpo. Chamado de mestre por seus seguidores, Dodd é carismático, inteligente e calculista. Mas também bastante acolhedor. A identificação entre ele e Freddie é pulsante e imediata. Freddie rapidamente desenvolve um vínculo que vez ou outra se enuncia mais forte e proeminente do que a relação de um mestre e pupilo. Está aí parte da força do filme. Tanto Dodd quanto Freddie se mostram entusiastas da bebida manipulada por Freddie a base de clorofórmio. Dodd é frequentemente ambíguo em seus gestos e provocações para com Freddie que sempre responde com intensidade, mas nem sempre com honestidade.
Dodd, em toda a sua contradição, é um homem que vai ficando mais ambicioso ao longo do filme e, à medida que se distancia de suas postulações meramente filosóficas para se assumir como um líder espiritual, vê Freddie vacilar em sua comunhão.

Carisma, angústia e ambição: Philip Seymour Hoffman congrega todo o comentário de Paul Thomas Anderson em uma composição fascinante


O mestre pode ser lido de várias maneiras e essa riqueza de camadas é um dos muitos méritos de Anderson. Um desses méritos é erguer o filme sobre elipses narrativas que fomentam variadas interpretações para determinadas ações dos personagens, mas que de maneira alguma divergem o filme de seu sentido bruto. De seu estrato específico. De que aquela história é sobre dois homens em busca de respostas para perguntas que não sabem exatamente como formular e que durante o percurso se perdem e se encontram, transformados por essas experiências, muitas vezes.
Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, premiados no ultimo festival de Veneza e indicados ao Oscar, apresentam atuações estupendas nas minúcias e no complemento que uma dá a outra. Sem Hoffman a tilintar seu carisma envenenado na figura de Dodd, a presença turva, simplória e hesitante de Phoenix não teria a mesma força. Da mesma maneira que se Phoenix não fosse tão convincente em sua reação a Dodd, este não teria o impacto que ostenta na plateia.
O mestre, sem trocadilhos, é o mestrado em cinema de Paul Thomas Anderson. Cineasta que ousa investigar as profundezas da alma humana nos lugares mais inóspitos e valendo-se de temas complexos. Com brilhantismo, conjuga o dínamo das atuações com a força de um texto soberbo em ilações e pontual em licitudes para apresentar ao mundo um filme apoteótico em matéria de cinema e, também, de humanidade.  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Homem do mês - Joaquin Phoenix



Porto-riquenho de nascença, e americano de formação, Joaquin Rafael Phoenix, que já foi perfilado em Claquete, viu seu irmão sucumbir a uma overdose em sua frente. Por muito tempo se imaginou que Joaquin viveria à sombra de River, intenso e saudoso. Não foi o que aconteceu. Ainda mais intenso e grave do que seu irmão, o Phoenix mais novo rapidamente galgou posições em Hollywood. De participações pequenas em filmes como Circulo de paixões e Reviravolta, ambos de 1997, passando pelo notável papel coadjuvante em 8 milímetros (1999) até a glória alcançada no ano 2000. Foi nesse ano que estrelou o filme que redefiniria sua carreira: Gladiador. Mas esteve também em Caminho sem volta, no qual fundou a parceria com o cineasta James Gray, e em Contos proibidos do marquês de Sade. O melhor ano da carreira de Joaquin Phoenix, desde então, talvez tenha sido 2012, quando protagonizou O mestre, nova hiperbólica obra de Paul Thomas Anderson. "Sempre convidei Joaquin e ele sempre dizia não; até que dessa vez ele disse sim", contou o cineasta sobre sua intenção de trabalhar com o ator.
Joaquin Phoenix, é bem verdade, destronou a si mesmo em Hollywood. Há quatro anos anunciou que abandonaria a carreira de ator para ser rapper e fez todos crerem que tinha surtado. Tudo não passava de uma pegadinha em prol de um documentário amplamente experimental que patrocinava junto a seu cunhado Casey Affleck. A brincadeira custou caro e muitas portas se fecharam em Hollywood. Afeito à polêmicas, Phoenix, em plena jornada de volta à cidade dos anjos, maldisse a temporada de premiações - um dos alicerces hollywoodianos por excelência. Mesmo assim, chegou ao Oscar 2013 por seu trabalho em O mestre
Ator de proporções agigantadas, Phoenix faz o tipo bad boy, mas é também o tipo de profissional que alcança perfeição. "Ele é uma força da natureza", disse Philip Seymour Hoffman em entrevista recente. "Não me deixo tomar por um personagem dessa maneira". A forma passional com que Phoenix faz cinema e seu bem vindo retorno aos cinemas brasileiros em janeiro o alçam ao posto de homem do mês no blog.

sábado, 20 de outubro de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, as novas polêmicas de Joaquin Phoenix; o filme que pode reunir David Fincher e Brad Pitt pela quarta vez e James Bond, James Bond e James Bond.

O Oscar é uma cenoura...
Joaquin Phoenix simplesmente se recusa a afastar-se de polêmicas. Pelo menos no tom das declarações. O ator, cotadíssimo para o Oscar 2013 por O mestre, disse em entrevista à revista Interview que abomina a temporada de premiações e que quando esteve no olho do furacão, por Johnny & June, vivenciou o período de maior desconforto de sua carreira. “Eu não quero ser parte disso. Eu não acredito nisso. É a pior cenoura que eu já provei em toda a minha vida. Eu não quero essa cenoura”, disse o ator.
Phoenix continuou: “Eu não quero experimentar isso novamente. Eu não sei explicar – e não é como se eu me achasse superior a tudo isso – mas eu não quero jamais ficar confortável com esse tipo de coisa”.

Joaquin Phoenix em foto para a Interview: muita pose, muita atitude e um punhado de polêmicas

...saudável?
Analistas divergem sobre o impacto das declarações de Phoenix. Para alguns, ele enterrou suas chances de indicação ao Oscar. Até mesmo porque Phoenix já não apresenta um histórico lá muito favorável. O agravante é que tem muita gente que simplesmente não tolera o estilo “I don´t fucking care” do ator. Mas a grande maioria especula que a declaração, mesmo que a revelia do ator, deve impulsionar sua candidatura. Isso porque o ator provoca um debate em torno de si, de sua atuação e sobre a lógica das campanhas por indicações. Hollywood é mesmo um lugar estranho.


Pitt e Fincher juntos novamente
Pode finalmente sair do papel a versão de David Fincher para o clássico 20.000 léguas submarinas que a Disney planeja há pelo menos três anos. Segundo a Variety, David Fincher e Brad Pitt já estão trocando ideias e a Disney está animada com a possibilidade de ter Pitt como protagonista do projeto.
Se confirmada, esta será a quarta colaboração de Fincher com seu ator favorito. Eles tentaram fazer com que Os homens que não amavam as mulheres fosse essa quarta colaboração, mas Pitt não quis assinar para estrelar a produção sem ler o roteiro e a retomada da parceria teve de ser adiada.


Capas de 007 – operação Skyfall
É o evento do ano! Que nos perdoe O hobbit e o relativamente frustrante Batman – o cavaleiro das trevas ressurge. Talvez Os vingadores seja o paralelo mais forte em 2012. Mas 007 tem um charme que excede as revistas de cinema. A uma semana da chegada do 23º filme de Bond nos cinemas, Claquete destaca as principais capas com o tema Bond que fizeram 2012 (que ainda não acabou).



Mais Bond – parte 1
A Total Film, com um espírito dos mais fanfarrões, listou 15 atores que jamais poderiam ser Bond. Os motivos são diversos e plenamente aceitáveis. Claquete selecionou os melhores:

George Clooney: Apesar de lindo, elegante e charmoso, a Total Film lembra que ele afundou a franquia do Bond americano, o Batman.

Brad Pitt: a revista lembra que Pitt já viveu espiões antes em Jogo de espiões (2001) e Sr. & Sra. Smith e que já mandou bem no sotaque britânico em Inimigo íntimo (1994), mas cisma que um Bond loiro não funcionaria, mas aí lembra que Craig funcionou...

Tom Cruise: A revista reconhece que a franquia Missão impossível é Bond com outro nome, mas adverte que a frase de 007 é “Batido, não mexido” e não “Você me completa”, em referência à famosa frase de Cruise em Jerry Maguire – a grande virada.

Daniel Radcliffe: Apesar de ser inglês, pesa contra o ator, de acordo com a Total Film, o fato de que a audiência não quer saber como Bond era quando criança...


Mais Bond – parte 2

Leitura obrigatória para quem gosta de James Bond, para quem deseja conhecer mais o personagem e sua história no cinema ou para quem deseja aquecer as turbinas para o novo filme, é a série dedicada ao personagem na sessão trailer do Cine Rodrigo, blog mantido pelo cinéfilo e fã de carteirinha de 007, Rodrigo Mendes. Clique aqui para conferir!



Rápidas e ligeiras

+ Nicole Kidman abandonou o projeto Nymphomaniac, de Lars Von Trier, após saber que teria de gravar cenas reais de sexo

+ O novo de David O. Russell, Silver Linings playbook, deve se chamar O lado bom da vida no Brasil

+ Keith Richards gostou da brincadeira e já se ofereceu para voltar a viver Teague Sparrow no quinto Piratas do Caribe

+Shailene Woodley, que quase roubou a cena de George Clooney em Os descendentes, foi confirmada como a Mary Jane da sequência de O espetacular Homem aranha


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, a saga de George Clooney por um novo Oscar, a saída de Joaquin Phoenix do exílio, o possível encontro entre Tarantino e Leonardo DiCaprio no oeste, a pulguinha que anda incomodando o cineasta Terrence Malick e a nova musa hollywoodiana que pela segunda semana seguida estréia nos cinemas brasileiros.


Musa



Ela surgiu no radar cinéfilo, do alto de sua beleza de 20 anos, com a arrebatadora performance em Inverno da alma. Atuação que valeu indicação ao Oscar e só não resultou em prêmio porque Natalie Portman assumiu com gosto o status de imbatível na temporada.
Jennifer é a atriz jovem mais quente do momento. Atualmente em cartaz com dois filmes, já havia despontado com brilho em Vidas que se cruzam (2008) – filme cujo único mérito para a história do cinema terá sido marcar a estréia da atriz.
Em Um novo despertar ela vive uma garota com certos traumas com mais complexidade e ramificações do que seu curto espaço em tela sugere. Já em X-men: primeira classe, ela assume a mística personagem mística – mutante que pode se transmutar.
Com fôlego e vontade de trabalhar foi escalada para a comentada adaptação cinematográfica da série de livros The Hunger games, que pode dar origem a uma badalada quadrilogia.
Estampou, em virtude do anúncio de The hunger games, a capa da revista Entertainment Weekly mais vendida do ano até aqui. Nasceu ou não nasceu para ser estrela?


X-men: primeira classe
Estréia nessa sexta-feira o aguardado X-men: primeira classe, cuja produção vinha sendo seguida de perto pelo blog. O filme de Matthew Vaughn promete mais reflexão e aprofundamento nas metáforas sobre tolerância imaginadas por Stan Lee na concepção do universo mutante.
O filme retoma as origens de alguns dos principais mutantes e foca na nascente rivalidade entre Charles Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender).
A crítica americana se prostrou ante a qualidade da fita. Vaughn, inclusive, já andou comentando a respeito de uma possível sequência (que deve ser confirmada nos próximos dias) em entrevistas promocionais.


George Clooney vêm aí...

Quem não se lembra do gloriosos ano de 2005 para George Clooney? O grande protagonista do Oscar daquele ano com 4 indicações (filme, direção e roteiro por Boa noite e boa sorte e ator coadjuvante por Syriana –a indústria do petróleo), o ator foi muito festejado e cravou naquela ocasião a força de seu cinema sério e engajado. Pois Clooney se prepara para um repeteco ainda mais vitaminado em 2011. Protagoniza a nova comédia dramática do diretor de As confissões de Schmidt, The descendants e dirige,produz, roteiriza e estrela The ides of march, um drama político adaptado de uma prestigiada peça.
Na fita de Alexander Payne, o ator faz um pai de família que tenta se reconectar com suas filhas após um trágico acidente envolvendo a mãe delas. No meio do caminho descobre a infidelidade da mulher. Em The ides of march, vive um senador com aspirações presidenciais e sem grandes escrúpulos.
Ambos os filmes encabeçam apostas para o Oscar e devem render bons louros ao astro que sabe como ninguém escolher projetos de grande qualidade.

George Clooney no cartaz de The descendants: Já há buzz acerca de seu nome para o Oscar 2012 e não só na categoria de atuação




Hiperatividade de Terrence Malick
Em quarenta anos, o recluso cineasta americano que acabou de receber uma Palma de ouro – a qual não compareceu para recolher – só realizou quatro filmes. Mas um estalo transformou Malick em um cara super produtivo. Mal acabou de lançar o premiado A árvore da vida e o diretor já está na pós-produção de um novo filme, ainda sem título, que deve ser lançado no ano que vem. O drama romântico é protagonizado por Ben Affleck, Rachel McAdams, Javier Bardem e Rachel Weisz. O diretor já começou a trabalhar em um documentário sobre a relação entre o homem e a natureza através dos séculos. Para esse projeto, ele aproveitará material gravado e editado que ficou de fora do corte final de A árvore da vida. Quem deseja conhecer mais a obra do cineasta, ou adquirir perspectiva, deve ficar atento a mostra Panorama deste mês no blog que destaca o subitamente ativo diretor americano.

Ben Affleck e Rachel McAdams na primeira e única imagem divulgada do novo projeto de Terrence Malick



Grande prêmio do cinema brasileiro
Foi realizado na última terça-feira o 10º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro no Rio de Janeiro. Confirmando as previsões, Tropa de elite 2 sagrou-se o grande campeão da noite com nove prêmios, incluindo melhor filme, direção, roteiro original e ator. Glória Pires levou o troféu de atriz por seu desempenho em Lula – o filho do Brasil.
O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro é uma tentativa de glamourizar uma pálida e ainda escassa produção nacional. Os resultados desse ano comprovam o gigantismo da produção capitaneada por José Padilha ante uma produção que se acotovela por incentivos fiscais e capitalizações.


Tarantino pode levar DiCaprio de volta ao Oeste

Ainda não está confirmado, mas Leonardo DiCaprio pode ser o vilão do antecipado western de Quentin Tarantino. Dessa maneira o ator daria sequência a sua colaboração com diretores festejados pela crítica (engatou Sam Mendes, Ridley Scott, Christopher Nolan, Martin Scorsese e Clint Eastwood) e voltaria ao gênero que lhe aferiu um dos primeiros papéis de destaque nos anos 90. Em 1995 ele dividiu a cena com Sharon Stone, Gene Hackman e Russel Crowe em Rápida e mortal de Sam Raimi. Foi o primeiro filme com DiCaprio maciçamente visto nos EUA. Django Unchained fica cada vez mais hypado.


A volta de Joaquin Phoenix?


Desde que o farsesco I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix foi, por assim dizer, desmascarado como uma grande piada, o ator vem tentando se introduzir novamente no buzz hollywoodiano. O retorno pode se dar pelas mãos do cineasta que mais empregou Phoenix. James Gray trabalhou com o ator em Caminho sem volta (2000), Os donos da noite (2007) e Amantes (2009) e ofereceu um papel para o astro em Low life. Segundo informações do Collider.com, o filme mostrará a relação de uma imigrante polonesa (papel que deve ficar com a francesa Marion Cottilard) com seu cafetão (personagem de Phoenix) e o irmão dele (papel ainda vago), por quem irá se apaixonar.
Low life, assim como os principais filmes de Gray, se passará em Nova Iorque e deve começar a ser rodado no final desse ano.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010 - Os maiores tititis do ano

10 – Mais um ano de exposição de La Lo
Clínica de reabilitação para dependentes químicos, namorado novo, namorada nova, namorada antiga, prisão domiciliar, prisão de verdade e tudo isso em oito meses. Lindsay Lohan nem precisa de todos os meses do ano para provocar estafa em quem pretende acompanhar o desenrolar de seus escândalos. Em 2010, o ponto alto (ou baixo) foi a transmissão ao vivo (e via internet para todo o mundo, cortesia do site de fofocas TMZ) da atriz (?!) se entregando para cumprir pena em um presídio de Los Angeles.


9 – Paris Hilton e a cocaína

Ela esteve na Copa do mundo. Não para torcer, mas para curtir. Após um pequeno incidente em que foi pega portando maconha, imaginava-se que Paris Hilton (que já fora pega em deslizes semelhantes antes), não fosse repetir o delito tão breve. Mas Paris Hilton é, bem, Paris Hilton. Em setembro, ela foi detida pela polícia americana portando uma grande quantidade de cocaína (suficiente para ser enquadrada como traficante) e maconha. Apesar da droga estar na sua bolsa, Paris alegou perante um juiz que a droga era de sua amiga (que também foi detida com ela). Depois de algumas multas e uma sentença alternativa, Paris foi liberada. O que fica desse episódio é que ela é uma péssima amiga. Não que isso já não fosse de se imaginar. Afinal, Paris Hilton é, bem, Paris Hilton.


8- A lista dos mais rentáveis
Todo mundo sabe que revistas americanas adoram um boa lista. A revista Forbes, uma das publicações mais respeitáveis do meio econômico, divulgou este ano uma lista um tanto controversa. A dos artistas mais rentáveis de Hollywood. Enganou-se quem pensou que Robert Downey Jr., Angelina Jolie ou Johnny Depp (comprovadamente imãs de público) encabeçavam a lista. O líder do ranking é Shia LaBeouf. Nada contra LaBeouf que é bom ator. Mas contra o critério utilizado. Apenas o rendimento dos filmes. Ora, La Beouf estrelou (dentro do período de amostragem) os dois Transformers e o quarto Indiana Jones. Logo, o rendimento dos filmes pouco teve a ver com sua presença. Não é preciso dizer que a lista da Forbes foi muito contestada.


7 – Polanski preso
A prisão em si aconteceu em 2009. Mas o diretor franco suíço entrou 2010 cumprindo cárcere privado em um chalé nos Alpes suíços. Não era legal por que o direito de ir e vir estava suspenso né gente?!
Enfim, muitos cineastas escreveram manifestos pró-Polanski (Martin Scorsese, Woody Allen, Walter Salles, Steven Spielberg e François Ozon para citar alguns) e até mesmo o governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger se manifestou publicamente pela liberação do cineasta. No festival de Berlim, ele faturou o prêmio de direção por O escritor fantasma  e mais palavras de apoio se escoaram. Não demorou muito para que o desfecho do caso Polanski tivesse um final feliz. Para ele é claro.


6 – O prêmio imerecido
Foi um bafafá danado. Pobre Sofia Coppola que já carrega aquela estampa de depressiva e viu a crítica internacional desautorizar o leão de ouro concedido pelo júri presidido por Quentin Tarantino a Em qualquer lugar, seu novo filme. Indepedentemente do filme ser digno ou não da premiação, o que vai ficar marcado será essa indignação com a escolha do filme de Sofia e as acusações de favorecimento.  São os tais dos encontros e desencontros.


5 – Cristina Aguilera vs Lady Gaga
Acusações mútuas de cópia e usurpação. Tanto por parte dos fãs de ambas as cantoras quanto da parte das respectivas. Em 2010, Cristina Aguilera copiou Gaga e afirmou que esta a copiara antes. Ficou o dito pelo não dito. Os fãs de Aguilera atacaram os de Gaga na internet, mas furtaram-se ao carinho de comprar ingressos para prestigiar a turnê da cantora. Resultado: Cristina Aguilera teve de cancelar seus shows. Mais melancólico impossível. Mas ei! Ela acaba de estrear nos cinemas (com o filme Burlesque). Só não avisem a Gaga...


4 – John Travolta e a sauna gay
A notícia foi abafada pelo nascimento do terceiro filho do ator com a atriz Kelly Preston, o que só indica o ano atribulado que Travolta viveu. No meio do ano, a rotina do ator foi sacudida pelo lançamento de um livro recheado de intrigas e fofocas de bastidores, o qual trazia como mais suculenta consternação, a revelação de que Travolta frequentava saunas gays. Mas não só. Segundo consta do livro, o ator trai compulsivamente sua mulher com outros homens e, segundo a obra, o ator não fazia lá muita questão de manter discrição a respeito. Obviamente tudo foi negado e para ajudar o livro fracassou em vendas. Better luck next time. 


3 – O assassinato que parou Hollywood
O assassinato da produtora Ronni Chasen, que ajudou na campanha promocional dos dois últimos vencedores do Oscar (Quem quer ser um milionário? e Guerra ao terror), em um cruzamento da famosa Sunset Boulevard com a rua Whittier em Beverly Hills ainda comove. A produtora foi vítima de tiros quando voltava da premiere do filme Burslesque. A polícia impõe ritmo apressado às investigações, mas ainda não tem pistas concretas sobre quem é o responsável pelo crime e por quê.


2- O documentário que é uma grande pegadinha
Joaquim Phoenix não endoidou. Tudo era uma brincadeirinha. Ele e o cunhadão (Casey Affleck), que calha de ser o diretor do documentário que mostra as sandices de mentirinha de Phoenix, resolveram abrir o jogo assim que viram que pouca gente parecia disposta a assistir o colapso de Phoenix na tela grande. A fraca bilheteria de I´m still here: the lost year of Joaquim Phoenix pode ajudar Phoenix a recuperar o rumo na carreira? Só o tempo dirá. 


1 - O inferno conjugal de Mel Gibson
O ano começou promissor para Mel Gibson. De volta aos cinemas (com o bom filme O fim da escuridão) e curtindo a paternidade ao lado da namorada russa Oksana Grigorieva. Mas nada como um dia após o outro não é mesmo? Ameaças de extorsão eram entremeadas com ameaças de agressão. E assim seguiu a lavagem de roupa suja entre Gibson e Gregorieva e Gibson e os advogados de Gregorieva. A união acabou e o ator, que já era conhecido por declarações preconceituosas, ficou mal na fita. Literalmente. Já que foram divulgadas gravações (que nunca tiveram a autenticidade confirmada por órgãos oficiais) do ator xingando e destratando Gregorieva.
O inferno conjugal de Gibson foi o deleite da celebrity gossip em 2010.

domingo, 3 de outubro de 2010

Insight

 Qual a razão de ser do documentário I´m still here?



Ano passado meio mundo foi pego de surpresa quando o ator Joaquin Phoenix anunciou que estava abandonando sua carreira de ator para seguir uma improvável carreira como rapper. O que mais impressionou foi sua aparição pública no programa de entrevistas do apresentador americano David Letterman. Barbudo, aparentemente embriagado, e quase irreconhecível, Phoenix foi monossilábico e mal educado. Não respondia as perguntas de Lettermam e balbuciava coisas pouco compreensíveis. O showbusiness americano pôs-se a ponderar: Phoenix enlouquecera como nos fazia crer ou seria tudo aquilo um inusitado jogo de marketing?
Pouco tempo depois desse incidente foi anunciado que o cunhado do ator, o também ator Casey Affleck estava documentando toda essa nova “fase” da carreira de Phoenix. O material renderia um filme sobre a jornada de Phoenix na busca por seu verdadeiro eu. As pessoas poderiam entender pelo que Joaquin estava passando, dizia Casey a quem lhe perguntasse sobre o projeto no ano passado.

Um maluco no pedaço: Phoenix surpreende no programa de David Letterman em fevereiro de 2009


I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix foi finalizado no início de 2010. O diretor Casey Affleck iniciou uma nova jornada então. Era preciso vender o filme. Arranjar um distribuidor e garantir sua comercialização. A primeira exibição para potenciais compradores ocorreu no festival de Cannes deste ano. Na ocasião, a reportagem do jornal Los Angeles Times teve acesso a produção e, conforme noticiado aqui em Claquete na cobertura que o blog fez do festival francês, classificou o filme como execrável e totalmente egocêntrico. Affleck saiu de Cannes sem distribuidor. Eventualmente, exibindo o trabalho em pequenos festivais e investindo na lábia, conseguiu distribuição. O filme teve premiere internacional em Veneza e estreou no último dia 10 de setembro em circuito reduzido nos EUA. O primeiro fim de semana foi um desastre. Pouco mais de 200 mil pessoas pagaram para ver o sufrágio físico e emocional encenado por Phoenix. Sim, encenado. Porque passado o primeiro fim de semana em cartaz, Casey Affleck admitiu em entrevista ao New York Times que o mockmentury (uma espécie de documentário falso como nas séries The Office e Modern family) era um mockmentury. Uma grande encenação em que os envolvidos obstinavam criticar a indústria das celebridades. As escatológicas cenas de Phoenix cheirando cocaína, recebendo sexo oral de uma assistente, abordando prostitutas ou recebendo as fezes de um colega no rosto enquanto dorme seriam tudo overacting? “Nem tudo era falso. Buscamos manter o máximo de naturalismo possível. Para que a crítica fosse genuína”, declarou o diretor/ator na entrevista ao jornal nova-iorquino. A mídia passou a conjecturar o que de fato era atuação e o que poderia ser real. O episódio no programa de David Letterman, considerado marco zero do case Phoenix, passou a ser questionado então. Primeiro roteiristas do programa disseram que David sabia e que foi tudo combinado. Só para serem desmentidos pelo próprio Letterman que disse que não sabia. O apresentador, com seu típico humor afiado, recebeu Phoenix há duas semanas e passou a história a limpo ao vivo. Promovendo ainda mais o filme de Phoenix e Affleck.
Claquete ainda não conferiu o filme, que não tem previsão de estréia no país. Mas acompanhando a questão de perto é possível apontar alguns aspectos que enriquecem a discussão em torno da proposta de Affleck e Phoenix.
Sim, tudo foi planejado como um grande golpe de marketing e não, Affleck e Phoenix não estavam preparados para divulgar a “verdade” com o filme ainda em cartaz. Esse foi um subterfúgio para colocar o filme em pauta novamente e garantir que as pessoas tivessem interesse em vê-lo. Há maneiras mais sadias de se criticar a indústria de celebridades. Embora seja louvável o esmero criativo de Phoenix em se fazer um personagem, a leitura que a indústria pode fazer desse imbróglio todo pode ser desfavorável as mentes por trás de I´m still here, que no fim das contas mais parece mesmo uma pegadinha de mau gosto.

Los tres amigos: eles sabiam que tudo era de de mentirinha...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Claquete destaca

+ Exibido em Toronto, What´s wrong with Virginia marca a estréia na direção do roteirista premiado com um Oscar por Milk – a voz da igualdade. A fita dirigida por Dustin Lance Black mostra um xerife (papel de Ed Harris) cuja candidatura ao senado americano começa a esmorecer depois que sua filha começa a se envolver com o filho de uma mulher de seu passado.


+ O filme The king´s speech, dirigido por Tom Hooper, foi eleito pelo público o melhor filme do 35º festival de Toronto. A crítica, por sua vez, considerou esta uma das melhores edições da história do festival. Promessa de muito filme bom vindo por aí.


+Stone, filme que você já leu a respeito (e muito) aqui em Claquete e que foi exibido no último festival de Toronto, ganhou título e data de estréia nacionais. Homens em fúria, que opõe uma vez mais Robert De Niro e Edward Norton, deve ser lançado em 22 de outubro pela Imagem filmes.



+ “Era tudo mentira. Ou melhor, grande parte foi mesmo encenação”. Foram essas as palavras de Casey Affleck, diretor do documentário I´m still here, sobre o filme que vinha sendo vendido como uma jornada para dentro de Joaquin Phoenix e sua improvável mudança de rumo. Entre outras revelações, o diretor disse ao New York Times que essa é a performance da vida de Phoenix. Uma declaração tão esquizofrênica quanto a proposta do filme. Na verdade, a declaração anula – de uma vez por todas – a proposta do mesmo. Permanece, no entanto, a curiosidade mórbida.

+ E mal foi anunciado que Joaquin Phoenix ainda é ator, ou que não deixou exatamente de sê-lo, e seu nome já está sendo vinculado a uma produção em Hollywood. O filme em questão é The Odd life of Timothy Green. Um roteiro que já está na geladeira da Disney há dois anos. Mark Wahlberg e Jennifer Garner também estão cotados para o elenco.



+ Foi divulgada mais uma imagem do novo trabalho do ator Rodrigo Santoro para o cinema nacional. Em Heleno, biografia sobre a vida do jogador Heleno de Freitas, Santoro também faz as vezes de produtor. A direção do filme que tem previsão de estréia para o primeiro semestre de 2011 é de José Henrique Fonseca.



+ A atriz Megan Fox admitiu em entrevista à MTV americana que sentirá falta do universo Transformers e que será “estranho” ver toda aquela ação do lado de cá da tela. Megan acrescentou, em tom de brincadeira, que sentirá ciúmes ao ver outra garota beijando Shia e usando seu Jeans. Pois é, é só não brigar mais com o diretor do filme...



+ O filme Atração perigosa, dirigido e protagonizado por Ben Affleck, estreou na liderança das bilheterias americanas. A fita rendeu U$ 24 milhões e superou as expectativas do estúdio, a Warner. Em segundo lugar, ficou a estréia teen, A mentira com U$ 18 milhões.


+ Estréia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros o aguardado Wall street - o dinheiro nunca dorme. O filme, que vem recebendo o especial do mês aqui no blog, será a maior estréia do circuito. Contudo, a estréia de O último exorcismo também terá larga distribuição.


+ Será realizado, entre os dias 14 e 18 de outubro, o primeiro Festival de Cinema Universitário da Bahia. O objetivo do festival é dar voz a novos cineastas. Serão distribuídos R$ 12 mil em prêmios para os três primeiros colocados. Atualmente em fase de seleção, a mostra competitiva reunirá dez filmes subtraídos de um total de cinquenta que estão sendo analisados por um júri específico. As produções que não entrarem nesta mostra principal serão exibidas na mostra informativa. Segundo o idealizador e organizador do evento Max Bittencourt, “a ideia é que o evento funcione como uma vitrine, e que, ao mesmo tempo, possa preparar estudantes que se interessam pelo audiovisual, dando aquele empurrãozinho inicial”.

S E R V I Ç O
O Quê: 1º Festival de Cinema Universitário da Bahia
Quando: 14 a 18 de outubro 2010
Onde: Circuito de Cinema Saladearte
Inscrição: http://www.festivaluniversitario.wordpress.com/
Quabto custa: Gratuito

sábado, 7 de agosto de 2010

Claquete destaca

+ Jason Reitman assinou esta semana para dirigir Young adult, novo roteiro de Diablo Cody que não estava conseguindo se viabilizar. Reunir a dupla por trás de Juno (uma das últimas febres independentes), portanto, foi golpe certeiro. Charlize Theron estrelará como uma escritora que, em busca de dias mais felizes, resolve retomar os sonhos da adolescência. Inclusive o antigo namorado. As filmagens devem começar ainda este ano.


+ Viggo Mortensen e Amy Adams foram confirmados no elenco de On the road, novo projeto internacional de Walter Salles. Com as novas adições no elenco, o filme que deve estrear no final de 2011, acaba de ganhar mais razões para ser amplamente esperado pela horda cinéfila.


+ Escolados com o desempenho abaixo do esperado de Eclipse nessa temporada do verão americano, os produtores das últimas duas partes da saga escolheram novembro de 2012 como a data para a estréia de Amanhecer parte 2, último filme da saga. Já que inicialmente estava previsto para junho de 2012, fica patenteado que a saga de Stephenie Meyer não é tão poderosa quando tem concorrência a valer.


+ Foi divulgado o pôster oficial do filme I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix. O documentário polêmico assinado pelo cunhado do ator, Casey Affleck, cobre o período em que Phoenix aparentemente largou a carreira de ator para ser rapper. No filme, que estréia no dia 10 de setembro em circuito limitado nos EUA, Phoenix aparece cheirando cocaína, recebendo sexo oral de uma assistente e abordando prostitutas na rua. Há, ainda, a cena que o Los Angeles Times considerou a mais “escrota” da história: um colega de Phoenix defeca em seu rosto enquanto o ator/rapper dorme. Escatológico é pouco...


+ E as coisas não seguem bem para Tom Cruise. O ator pena para conseguir tirar Missão impossível 4 do papel. Ele chegou a um acordo com a Paramount sobre sua remuneração. O ator aceita uma pequena participação dos lucros do filme. Até aí tudo bem, a questão é que essa remuneração fica condicionada ao filme empatar nas bilheterias o seu investimento. Até este momento, tudo que Cruise terá recebido, será o salário previsto pelo sindicato dos atores. Para quem ganhou U$ 90 milhões com o terceiro filme (que já não tinha sido um grande sucesso), o tempo está sendo mais cruel do que se supunha...


+ As filmagens de Entrando numa fria com as crianças, segunda sequência da comédia familiar estrelada por Ben Stiller e Robert DeNiro, enfrenta problemas. A fita, marcada para estrear no natal desse ano nos EUA, não agradou os executivos do estúdio Universal. Além de cogitarem uma improvável e desaconselhável mudança de diretor (sairia Paul Weitz e entreria John Hamburg, que é produtor executivo), os executivos querem reescrever algumas cenas e incluir o personagem de Dustin Hoffman, que não constava do roteiro original.


+ Toda semana, até o início do festival de Toronto, Claquete irá trazer o trailer de um dos filmes que estarão em exibição no evento que marca a largada para a temporada de ouro do cinema. O primeiro trailer é o de Trust, segundo filme de David Schwimmer (o Ross de Friends) como diretor. Na fita, um suspense dramático, Schwimmer se distancia da comédia e aposta em um bom conjunto de atores para construir uma filmografia como diretor descolada de sua persona como ator.


sábado, 15 de maio de 2010

Cannes updated # 4

Phoenix de volta a cena
Ele queria ser rapper. Ou queria nos fazer acreditar nisso. Se muita gente desconfiava das motivações que levaram Joaquin Phoenix a anunciar uma precoce aposentadoria como ator, muita gente passou a crer que ele esteja mesmo um tantinho insano. Ele esteve em Cannes essa semana tentando vender o documentário rodado pelo cunhado Casey Affleck que seria sobre essa jornada amalucada de Phoenix em busca do “sonho” de ser rapper. I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix foi exibido para potenciais distribuidores e segundo reporta o Los Angeles Times, todos saíram das sessões chocados. Phoenix aparece cheirando cocaína, recebendo sexo oral de uma assistente, abordando prostitutas e tentando convencer o rapper Diddy a produzir um álbum seu. A cena mais chocante, no entanto, seria quando um “amigo” defeca em cima de Phoenix enquanto este dorme. Trash no último. De fazer inveja a Borat, garantiu nota do L.A Times.

Dia de Woody Allen
Foi exibido hoje na riviera francesa o novo trabalho do diretor. You Will meet a tall dark stranger foi recebido pela crítica como um legítimo Woody Allen. Inteligente, bem humorado e com uma moral contagiante. No entanto, chamou a atenção dos presentes uma inclinação à tristeza do diretor neste último trabalho. “As pessoas estão sempre procurando uma nova religião; um novo sentido. Seja na aromaterapia, em dietas revolucionárias, coisas do tipo”, disse o diretor que salientou que gosta de realizar filmes que se enveredem por uma lado mais filosófico.


Naomi Watts e Woody Allen no tapete vermelho do festival antes da exibição do filme: gosto pelo viés filosófico

O que esperar do novo Woody Allen?
Uma comédia dramática com retoques de misticismo, casais as voltas com seus problemas amorosos e o tradicional apreço pela arte. Em You will meet a tall dark stranger, presenciamos dois casais em crise. Anthony Hopkins e Gemma Jones, que faz uma mulher obsessiva por saber o futuro, fazem o casal mais velho da trama. Josh Brolin e Naomi Watts fazem o mais jovem. Allen, a partir destes dois casais, fala sobre desejo, traição e o sentido da vida.

Refresco para jornalistas
Entrevistar Woody Allen é das melhores coisas que se pode querer. Inteligente e divertido, o diretor sabe se fazer aprazível. Na entrevista coletiva que sucedeu a exibição de seu novo filme, Allen creditou a seus atores a qualidade da fita. “Sério, o truque de dirigir esses filmes para mim é contratar bem”. Indagado pelos repórteres presentes se gostaria de viver até os 100 anos como o diretor português Manoel de Oliveira, Allen – que tem 74 anos – disse que sim, se pudesse ser ativo como o diretor português; e completou: “Minha relação com a morte é: eu sou completamente contra”.

Resultado morno
Quando um vencedor da Palma de ouro exibe um novo trabalho em Cannes, a expectativa é sempre redobrada. É o que aconteceu com Mike Leigh hoje. Vencedor em 1996 com o filme Segredos e mentiras, Leigh voltou à disputa pela Palma hoje com um filme muito similar àquele em sua estrutura. Another year captura um casal de classe média britânico envolvido em seus problemas e também no das pessoas ao seu redor. A fita não correspondeu as altas expectativas de quem esperava outro grande trabalho de um dos poucos diretores que já saiu vitorioso dos três grandes festivais de cinema do mundo (Berlim, Cannes e Veneza).


Mike Leigh fala com os jornalistas: é igual, mas é diferente...


Poesia e pornografia
Howl, filme independente de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, estreado por James Franco está sendo exibido esta semana em Cannes para potenciais compradores. A fita, que fez relativo sucesso no festival de Sundance, mostra a trajetória do escritor Allen Ginsberg (James Franco), cuja obra repleta de referências sexuais e ao uso de drogas foi taxada como pornográfica. Seu principal poema (e aquele que lhe valeu notoriedade) dá título ao longa.

Xis
Woody Allen atraiu uma verdadeira legião para a premiere de seu filme. Nesta sábado, também esteve em destaque uma homenagem ao cinema espanhol realizada pela organização do festival francês.


Almodóvar compareceu a homenagem ao cinema espanhol realizada neste sábado em Cannes


A atriz Evangeline Lily (a Kate da série Lost) e a atriz Michele Yeoh prestigiaram a premiere de You will meet a tall dark stranger

O belga Jean Claude Van Damme também se apressou para conferir o novo longa de Woody Allen

Com agências internacionais